Mercado

Indicadores sociais das mulheres no Brasil

Setembro/Outubro 2018

Carlos Alberto Pacheco

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Carlos Alberto Pacheco

Em 2013, a Comisso de Estatstica das Naes Unidas organizou o Conjunto Mnimo de Indicadores de Gnero - CMIG, constitudo por 63 indicadores (52 quantitativos e 11 qualitativos), que refletem o esforo de sistematizao de informaes destinadas produo nacional e harmonizao internacional de estatsticas relativas igualdade de gnero e ascenso do gnero feminino, o que no pode deixar de ser lido por quem elabora cenrios de marketing.


As informaes esto organizadas segundo os cinco domnios estabelecidos Estruturas econmicas, participao em atividades produtivas e acesso a recursos; Educao; Sade e servios relacionados; Vida pblica e tomada de deciso; e Direitos humanos das mulheres e meninas e fornecem um panorama, ainda que sucinto, das desigualdades de gnero no Pas, com valiosos elementos para reflexo dos estrategistas de mercado.


A ttulo de exemplo, no domnio Estrutura econmica, o estudo indica que a taxa de participao na fora de trabalho para a populao feminina de 15 a 24 anos foi de 48% em 2016, contra 60,7% da masculina. Um desnvel maior sentido quando se desagrega o indicador por cor, que indica uma taxa de 45,7% para as mulheres pretas/pardas. A taxa de desocupao feminina na mesma faixa etria no diferente, pois apresenta a taxa de 31,3%, contra 24,1% para a masculina, e pior ainda para a mulher preta/parda, que de 35,2%.


A distribuio percentual da populao de 14 anos ou mais vem se concentrando nos ltimos 5 anos anteriores a 2016 no setor de servios independentemente do gnero e da cor. Embora ambos os gneros estejam concentrados no setor de servios, a populao masculina mais distribuda nos demais setores do que a feminina, que apresenta um percentual de 84,5% no setor de servios e 4,7% no agrrio, contra 56,7% no setor de servios e 14% no agrrio para a populao masculina.


Dentro deste mesmo domnio, o indicador de renda ainda mais funesto para o universo feminino, principalmente para a mulher parda/negra. Embora a diferena percentual ao longo dos anos venha diminuindo, em 2016 a renda mdia masculina era 30,8% maior do que a feminina. Comparando o homem branco com a mulher branca, esta diferena de 38,2%; o homem branco com a mulher parda/negra, de 79,8%; e a mulher branca com a mulher parda/negra, de 74,2%. Isso indica no s uma diferena de gnero, mas tambm de cor e um sinergismo negativo brutal somando-se as variveis gnero e cor.


Em relao ao domnio Educao, a taxa de alfabetizao da populao feminina de 15 a 24 anos alta (99,4%) e superior da populao masculina em 0,7%, e curiosamente a taxa de alfabetizao da populao feminina preta/parda superior da masculina branca em 0,2%. No entanto, a taxa de concluso do ensino mdio mostra que apenas 9,7% da populao entre 20 e 22 anos tem o ensino fundamental concludo, apenas 4,8% das mulheres brancas, e 2,7% das mulheres negras se formam.


Mais poderia se falar neste caleidoscpio de nmeros, indicadores e cortes, mas independentemente de para onde se olha, o cenrio feminino, e principalmente o da cor preta/parda, apresenta-se mais desfavorvel do ponto de vista socioeconmico.


A participao da populao feminina nas esferas de poder ainda pequena, sendo de 7,1% no Poder Executivo e 11,3% no Legislativo, o que pode explicar uma fora poltica ainda inspida na formulao de polticas no sentido de frear e reverter este quadro.


Este quadro ainda continua sendo uma realidade que precisa mudar a passos largos, porm sem um horizonte claro por parte das polticas pblicas e longe dos programas de governo. So as diferenas gerando a diferena e a indiferena.



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