21 de Outubro de 2018
Mercado

Indicadores sociais das mulheres no Brasil

Setembro/Outubro 2018

Carlos Alberto Pacheco

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Carlos Alberto Pacheco

Em 2013, a Comissão de Estatística das Nações Unidas organizou o Conjunto Mínimo de Indicadores de Gênero - CMIG, constituído por 63 indicadores (52 quantitativos e 11 qualitativos), que refletem o esforço de sistematização de informações destinadas à produção nacional e à harmonização internacional de estatísticas relativas à igualdade de gênero e à ascensão do gênero feminino, o que não pode deixar de ser lido por quem elabora cenários de marketing.


As informações estão organizadas segundo os cinco domínios estabelecidos – Estruturas econômicas, participação em atividades produtivas e acesso a recursos; Educação; Saúde e serviços relacionados; Vida pública e tomada de decisão; e Direitos humanos das mulheres e meninas – e fornecem um panorama, ainda que sucinto, das desigualdades de gênero no País, com valiosos elementos para reflexão dos estrategistas de mercado.


A título de exemplo, no domínio “Estrutura econômica”, o estudo indica que a taxa de participação na força de trabalho para a população feminina de 15 a 24 anos foi de 48% em 2016, contra 60,7% da masculina. Um desnível maior é sentido quando se desagrega o indicador por cor, que indica uma taxa de 45,7% para as mulheres pretas/pardas. A taxa de desocupação feminina na mesma faixa etária não é diferente, pois apresenta a taxa de 31,3%, contra 24,1% para a masculina, e pior ainda para a mulher preta/parda, que é de 35,2%.


A distribuição percentual da população de 14 anos ou mais vem se concentrando nos últimos 5 anos anteriores a 2016 no setor de serviços independentemente do gênero e da cor. Embora ambos os gêneros estejam concentrados no setor de serviços, a população masculina é mais distribuída nos demais setores do que a feminina, que apresenta um percentual de 84,5% no setor de serviços e 4,7% no agrário, contra 56,7% no setor de serviços e 14% no agrário para a população masculina.


Dentro deste mesmo domínio, o indicador de renda é ainda mais funesto para o universo feminino, principalmente para a mulher parda/negra. Embora a diferença percentual ao longo dos anos venha diminuindo, em 2016 a renda média masculina era 30,8% maior do que a feminina. Comparando o homem branco com a mulher branca, esta diferença é de 38,2%; o homem branco com a mulher parda/negra, de 79,8%; e a mulher branca com a mulher parda/negra, de 74,2%. Isso indica não só uma diferença de gênero, mas também de cor e um sinergismo negativo brutal somando-se as variáveis gênero e cor.


Em relação ao domínio “Educação”, a taxa de alfabetização da população feminina de 15 a 24 anos é alta (99,4%) e superior à da população masculina em 0,7%, e curiosamente a taxa de alfabetização da população feminina preta/parda é superior à da masculina branca em 0,2%. No entanto, a taxa de conclusão do ensino médio mostra que apenas 9,7% da população entre 20 e 22 anos tem o ensino fundamental concluído, apenas 4,8% das mulheres brancas, e 2,7% das mulheres negras se formam.


Mais poderia se falar neste caleidoscópio de números, indicadores e cortes, mas independentemente de para onde se olha, o cenário feminino, e principalmente o da cor preta/parda, apresenta-se mais desfavorável do ponto de vista socioeconômico.


A participação da população feminina nas esferas de poder ainda é pequena, sendo de 7,1% no Poder Executivo e 11,3% no Legislativo, o que pode explicar uma força política ainda insípida na formulação de políticas no sentido de frear e reverter este quadro.


Este quadro ainda continua sendo uma realidade que precisa mudar a passos largos, porém sem um horizonte claro por parte das políticas públicas e longe dos programas de governo. São as diferenças gerando a diferença e a indiferença.



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