16 de Outubro de 2018

Cosméticos para o Público Sênior

Erica Franquilino
Raio X
 
 
 
 
 

Ritmo acelerado
artigo publicado na versão impressa da edição março de 2018 da revista Edição Temática
 
   O envelhecimento populacional é um fenômeno global, que está associado ao aumento da expectativa de vida e à redução dos índices de natalidade. No Brasil, a população envelhece de forma acelerada, em níveis superiores à média mundial. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de idosos dobrará no país em apenas 25 anos. Na França, por exemplo, um avanço desta magnitude aconteceu ao longo de 145 anos.
 
   A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que 810 milhões de pessoas tinham 60 anos ou mais em 2012, o equivalente a 11,5% da população global. A estimativa é de que esse número chegue a 1 bilhão em menos de 10 anos e mais que duplique em 2050, totalizando 2 bilhões de pessoas – ou 22% da população mundial.
 
   No que diz respeito ao Brasil, a pirâmide etária da população vem apresentando mudanças expressivas ao longo das últimas décadas. Nos anos 1980, quando as taxas de natalidade eram mais elevadas, tínhamos uma pirâmide com a base ampla e o topo mais estreito, o que significava que o país era predominantemente jovem. Atualmente, passamos por uma fase de transição, com a maior parte dos brasileiros na idade adulta.
 
   Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a base da pirâmide deverá ficar cada vez mais estreita, em razão da diminuição do número de filhos nas famílias – o total de crianças de até 4 anos no país caiu de 16,3 milhões, em 2000, para 13,3 milhões, em 2011 – e do fato de estarmos vivendo cada vez mais. Na década de 1960, a expectativa de vida do brasileiro era de 54,6 anos. Hoje, ela é de 79,31 anos para as mulheres e de 75,18 para os homens.
 
   Nesse contexto, o país se torna mais velho a cada geração. De acordo com o IBGE, em menos de uma década, o Brasil aumentou em 8,5 milhões o número de idosos. Hoje existem  Em 2007, essa parcela era de 17 milhões. A projeção é de que em 2027 ela chegará aos 37 milhões.
 
   Outro dado relevante é que a proporção da população “mais idosa”, ou seja, com 80 anos ou mais, está aumentando de forma significativa, “alterando a composição etária dentro do próprio grupo. Isso quer dizer que a população considerada idosa também está envelhecendo”, informa a Diretoria de Estudos Macroeconômicos do Ipea, no documento Como vive o idoso brasileiro?.

 

   Com as mudanças no histórico da composição da população mundial, necessidades específicas dos idosos ganharam maior visibilidade, como autonomia, mobilidade e acesso a informações e serviços relacionados à saúde preventiva. Em um esforço conjunto de vários países, nos últimos 30 anos  foram criados instrumentos legais para a proteção social e a ampliação de direitos dos idosos.

   Em 1991, a ONU lançou a Carta de Princípios para as Pessoas Idosas, abrangendo – dentre outros temas – princípios referentes à independência, participação, assistência, realização pessoal e dignidade dessas pessoas.

   No Brasil, instituições governamentais, bem como organismos da sociedade civil e movimentos sociais, trabalharam pela criação de leis, decretos e medidas que estabelecessem direitos voltados aos idosos. Em 2002, foi criado o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI). No ano seguinte, foipublicado o Estatuto do Idoso, que regulamenta os direitosas pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.
 
   Dentre os muitos aspectos relacionados à escalada do envelhecimento no Brasil, está o pagamento de aposentadorias a um contingente que não para de crescer. Com o aumento gradativo da população idosa e a redução progressiva da população jovem, o desafi o será equilibrar as contas da previdência social e, ao mesmo tempo, garantir o bem-estar da população mais velha. No país que envelheceu antes de enriquecer, esse panorama também acarreta sérios problemas na área da saúde pública, que impactam toda a sociedade.
 
   Há que se considerar, contudo, a heterogeneidade da população classificada como idosa. Especialistas apontam que,além do ambiente proporcionado pelas políticas públicas e das desigualdades sociais e regionais, a maneira como cada indivíduo envelhece é um reflexo de sua trajetória de vida.
 
   Apesar das disparidades que caracterizam o Brasil, ganha corpo no país um movimento de valorização do envelhecimento saudável. Os idosos da atualidade tendem a manter (ou adotar) comportamentos mais ativos e participativos, com atenção especial à socialização, bem como aos cuidados com o corpo e a mente.
 
   O envelhecimento da população também gera oportunidades de crescimento para empresas de portes e segmentos variados. O grupo demográfico que mais cresce no Brasil e no mundo tem desejos e necessidades específicos – que vão do uso de recursos tecnológicos ao universo da beleza. Trata-se da robusta economia da longevidade, como você verá nesta edição.
 

 

Elas serão maioria

 

Raio X

 

O Melhor da Maturidade

Eles querem diversão, arte e muito mais. A despeito das diferenças em relação ao estilo de vida, a preferência por hábitos saudáveis e a valorização dos relacionamentos são aspectos comuns aos maiores de 60 anos
 
 
 
A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer. A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer. Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer”, diz a canção Envelhecer, de Arnaldo Antunes. A velhice traz consigo uma sólida bagagem, de tudo o que se viveu, mas também a capacidade de se reinventar e estabelecer novas metas e prioridades.
 
A passagem do tempo impõe mudanças expressivas a quem já passou dos 60 anos, o que abrange alterações nos papéis e nas posições sociais, e a necessidade de lidar com a perda – das relações de trabalho, de determinadas habilidades e de pessoas próximas.
 
   “Em resposta, os adultos mais velhos tendem a selecionar metas e atividades em menor número, porém mais significativas, a otimizar suas capacidades existentes, por meio de práticas e novas tecnologias, bem como compensar as perdas de algumas habilidades, encontrando outras maneiras de realizar tarefas”, diz um trecho do Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde, produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
   O documento da OMS ressalta que, embora algumas dessas mudanças estejam associadas a um processo de adaptação à perda, outras refl etem um contínuo desenvolvimento psicológico na idade mais avançada. “Essas mudanças psicossociais podem explicar por que, em muitos cenários, a velhice pode ser um período de bem-estar subjetivo maior”, diz o relatório.
 
Atividades que promovam bem-estar e socialização são fundamentais nessa fase da vida. Núcleos de convivência e universidades abertas para a terceira idade vêm cumprindo um papel importante nesse sentido. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) oferece o programa UniversIDADE, com atividades organizadas por meio de quatro áreas temáticas – arte e cultura, esporte e lazer, saúde física e mental e sociocultural e geração de renda –, de forma integrada e interdisciplinar por profissionais das áreas biológica, cultural, psicológica, filosófica, econômica, médica e esportiva.
 
Com foco na relação entre felicidade e saúde, pesquisadores da universidade realizaram um estudo, para o qual foram entrevistados 1.431 idosos durante o ano de 2012, com idade média de 69,5 anos, para entender como se estabelece essa ligação. Os resultados da pesquisa, publicados na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz, indicaram que a sensação de felicidade está positivamente associada a diversos indicadores de saúde.
 
Segundo os pesquisadores, os dados apontaram que os idosos que se sentem felizes por mais tempo são casados, trabalham, são ativos no lazer, ingerem bebidas alcoólicas ocasionalmente, consomem frutas, legumes e verduras todos os dias, não são obesos, dormem menos de dez horas por dia e têm um sono tranquilo. Também relataram ser mais felizes aqueles que não apresentam uma ou mais doenças crônicas, que avaliam melhor sua própria saúde e apresentam menos incapacidades.  

 

Em atividade

    “Diversos estudos indicam que pessoas mais sociáveis e felizes têm uma saúde melhor”, comenta o geriatra Marcelo Levites, coordenador do Centro de Longevidade do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Ele explica que proporcionar aos pacientes uma agenda descontraída, com estímulos físicos divertidos – como aulas de dança – e oportunidades de socialização, pode ajudar a prevenir doenças como a depressão e problemas crônicos, como diabetes e hipertensão.
 
   Os programas desenvolvidos no Centro de Longevidade do Hospital 9 de Julho são direcionados para pessoas com mais de 50 anos e abrangem atividades planejadas para promover a saúde física e mental e a sociabilidade. O atendimento começa a partir de consultas realizadas com a equipe multidisciplinar do centro, formada por profissionais como médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos. Com base no histórico do paciente e na eventual realização de exames, são indicadas as melhores atividades, de acordo com cada perfil.

   Os pacientes podem participar de grupos de caminhadas semanais, com supervisão de um especialista, de palestras, clube de leitura, aulas de dança, oficina da memória, arteterapia, pilates e sessões de cinema. Periodicamente, são feitas reavaliações para observar se as atividades propostas estão alcançando os resultados desejados. O objetivo é que cada paciente modifique seu estilo de vida, receba acompanhamento especializado e mantenha uma vida social ativa e saudável”, informa o centro.

   Associar a terceira idade a um período de reclusão é uma ideia cada vez mais descolada da realidade. “Observamos que muitos idosos definem uma segunda carreira, novos hobbies e interesses nesse período. O avançar da idade pode apresentar um mundo de oportunidades”, destaca Levites.
 
   O trabalho é a atividade que mais colabora para o bem-estar da paulistana Paulina Spiewak, de 67 anos. “Sou produtora de  ventos. Atualmente, coordeno um grupo da terceira idade em um clube sociocultural e esportivo, buscando atividades semanais que tragam melhorias na qualidade de vida dos participantes”, conta. Viúva, mãe de três filhas e avó de sete netos, Paulina mora sozinha, em um apartamento no bairro do Bom Retiro, na região central da capital paulista. Ela adora viajar e não abre mão das sessões de cinema e teatro, bem como das reuniões com os amigos.
 
   “Na época de meus pais, a maioria das mulheres se limitava a ser dona de casa, cuidar dos filhos e acompanhá-los sempre, até que se casassem. Hoje as pessoas com mais de 60 anos trabalham, são absolutamente ativas, têm uma vida social intensa e se interessam por tudo o que diz respeito à política, à saúde e ao que contribua para a qualidade de vida”, argumenta.
 
   O médico brasileiro Alexandre Kalache, uma das maiores autoridades em envelhecimento do mundo, cunhou a expressão “gerontolescência”, para se referir à chegada da velhice para a geração que nasceu após a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). Para Kalache – que atuou como diretor de envelhecimento na OMS e lecionou sobre o tema em universidades como a de Oxford – os chamados baby boomers, pessoas que nasceram no pós-guerra, têm mais saúde, vitalidade e melhor formação em relação às gerações que envelheceram antes deles.
 
   O Glossário do Envelhecimento Ativo – divulgado pelo Centro Internacional de Envelhecimento Ativo, criado por Kalache em 2012 – define como gerontolescente a geração “que lutou contra o racismo, a homofobia e o autoritarismo político e a favor dos direitos da mulher, do empoderamento dos cidadãos e da liberdade sexual. É uma geração que se sente confortável em se fazer ouvir e está reinventando a forma como se vive e se percebe a velhice”.

    Em entrevista à BBC Brasil em junho do ano passado, Kalache explicou que o conceito de adolescência como construção social não existia antes dos anos 1950. “Fizemos muita coisa que está aí: a revolução sexual, a pílula, as revoluções musicais, a luta contra a ditadura. Não vou deixar de ser essa pessoa de 50 anos atrás. Eu e esse grupo todo, os baby boomers, estamos envelhecendo com isso tudo como legado. E daqui a um tempo vamos olhar para trás e ver que, assim como criamos o conceito de adolescência, estamos criando a gerontolescência”, afi rmou o especialista.

   De acordo com um levantamento feito pela empresa de estudos de mercado GfK em 2016, os idosos cuidam mais da saúde que a população em geral. O cuidado é direcionado especialmente às horas de sono, à higiene bucal, ao consumo de alimentos saudáveis, à atividade física e ao tempo dedicado à família e aos amigos. A grande maioria dos adultos acima dos 60 anos (87%) pratica exercícios físicos, sendo 32% deles todos os dias.
 

 

Por uma vida mais saudável

 

Oportunidades e Novidades da Indústria

O desenvolvimento de cosméticos para o público sênior deve se fortalecer nos próximos anos, diante das demandas e do  otencial de consumo dessas pessoas. Conheça alguns dos destaques do setor para o segmento
 
 
   Em 1950, apenas 5% da população mundial tinham mais que 65 anos. Em 2050, segundo projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS), essa fatia deverá chegar a 21,5%. Com o aumento da expectativa de vida, mais e mais pessoas continuarão produzindo, consumindo, cultivando relacionamentos, buscando novas experiências, empreendendo... A consultoria McKinsey estima que, até 2030, a maior parte do crescimento do consumo nas grandes cidades terá origem na parcela populacional com mais de 60 anos.
 
   De acordo com o Bank of America Merrill Lynch, o mercado mundial relacionado à terceira idade movimenta cerca de US$ 7 trilhões ao ano. A diversifi cada economia da longevidade contempla todas as atividades envolvidas no atendimento das necessidades da população mais velha, o que abrange produtos e serviços desenvolvidos para colaborar com o envelhecimento saudável – nas áreas de moda, beleza, tecnologia, produtos financeiros, saúde, academias, alimentação, design e turismo, dentre outros segmentos.
 
   No livro Viver Muito, o jornalista e pesquisador Jorge Félix explica que a concepção do idoso como consumidor surgiu com o Plano de Viena, em 1982, quando a Assembleia Mundial da ONU, realizada na capital austríaca, defi niu que esse segmento da população era composto de indivíduos independentes financeiramente e com poder de compra. A ONU defendeu que as necessidades dos idosos deveriam ser atendidas, uma vez que, principalmente nos países desenvolvidos, eles representavam um importante fator de aquecimento da economia.

   “Desde Viena, a percepção e as recomendações da ONU sobre o envelhecimento e sobre o idoso mudaram muito. Mas a visão de oportunidade comercial prevalece ainda hoje, mesmo depois de o Plano de Madri [instituído na II Assembleia Mundial do Envelhecimento], em 2002, alertar que a visão do ganho social e econômico com a nova dinâmica populacional dependeria da adequação das políticas públicas. É preciso estar atento e verificar como andam essas iniciativas, e se são duráveis e consistentes para assegurar o poder de compra do idoso do futuro”, aponta Félix.

   Estados Unidos e países europeus estão, naturalmente, vários passos à frente no que diz respeito ao planejamento de ações voltadas ao bem-estar dos cidadãos da terceira idade. A França foi o primeiro país a institucionalizar a chamada “silver economy” – expressão criada na década de 1970 – como política pública. Em setembro do ano passado, a Declaração de Lisboa, resultado da Conferência Ministerial sobre Envelhecimento, da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece), estabeleceu orientações para a atuação dos países nos próximos cinco anos, com foco na promoção do envelhecimento saudável.
 
   Dentre os pontos abordados no documento, está o reconhecimento da relação entre o envelhecimento da população e seu desenvolvimento econômico, social e ambiental. Com base neste pressuposto, foram assumidos compromissos em três áreas: a valorização do potencial das pessoas mais velhas, o incentivo à sua permanência no mercado de trabalho e a garantia do envelhecimento com dignidade.

   No Brasil, apesar das difi culdades socioeconômicas, atualmente os idosos têm poder de compra superior ao das gerações anteriores. Segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 70% dos idosos brasileiros têm independência fi nanceira. Nos lares onde vivem pessoas com 60 anos ou mais, elas respondem por 64,5% do rendimento total do domicílio. A principal fonte de renda dessas pessoas é a seguridade social.

Em 2020, a população mais velha deterá 16% da renda no Brasil, segundo uma pesquisa mundial sobre consumo, encomendada pela Tetra Pak, que entrevistou 40 mil pessoas em  7 países. A projeção referente aos brasileiros é semelhante às estimativas feitas para Índia e China. De acordo com o estudo, os idosos responderão por 31% da renda no Japão – onde são consumidas mais fraldas geriátricas do que infantis – e 24% nos Estados Unidos. A pesquisa indica que, em 2020, o poder global de compra dos baby boomers ultrapassará a cifra de R$ 30 trilhões.

 

Marcas e produtos

   A Amend tem duas linhas capilares desenvolvidas para o público sênior: a Amend Grisalhos/Brancos, que neutraliza os reflexos amarelados, e a Amend Luxe Creations Regenerative Care, que combate os sinais de envelhecimento ao longo dos anos. Esta última restaura a umidade dos cabelos, protege a cor, diminui a quebra e fortalece os fios, blindando-os contra o ressecamento. “Ela também reduz a sensibilidade do couro cabeludo, problema comum entre as mulheres mais velhas que colorem os cabelos com frequência”, diz Lucimar Brum, gerente de marketing.

   Para ela, atualmente a maior preocupação do mercado é cuidar dos cabelos para que eles não envelheçam (ou envelheçam mais devagar). “No entanto, ainda são poucas as marcas e os produtos focados e desenvolvidos para o público sênior, com ativos específicos para cuidar e tratar do cabelo que já envelheceu”, ressalta.

   No desenvolvimento da linha Luxe Creations Regenerative Care, houve a preocupação com o tamanho das letras nas embalagens – que têm um corpo maior, para facilitara leitura. “Além disso, fizemos uma imersão no mundo dessa mulher, que tem poder aquisitivo maior e disponibilidade de gasto superior, pois já está numa fase da vida em que pode fazer melhores escolhas, sem tanta preocupação com os filhos. Ela pode se mimar mais”, argumenta. 


    Lucimar aponta que, em um contexto de busca por qualidade de vida e bem-estar, ganha destaque no mercado o conceito de “age management”. “O foco hoje é ter uma comunicação positiva e ‘pró-age’. Essas novas idosas conectam-se, consomem e relacionam-se. São cheias de vida e vontades. Nossa comunicação para o lançamento [da linha Luxe Creations Regenerative Care] focou a identificação com essa mulher, ressaltando que não queremos deixá-la mais nova, e sim mais bonita, com a idade que ela tem. Afinal, as experiências colhidas ao longo dos anos devem ser valorizadas”, afirma. 

  “Para esta nova geração de mulheres maduras, nunca é tarde para conhecer algo novo ou lançar-se num novo desafio profissional ou pessoal. Elas não vão querer lutar contra a velhice, mas mostrar o quanto este processo é encantador”, completa a gerente de marketing.

   A cosmetóloga Anna Pegova, que morreu aos 104 anos, manteve-se ativa “e preocupada com a manutenção da saúde da pele”, comenta Maya Maalouf, diretora de marketing da marca francesa, criada em 1947. O extenso portfólio da Anna Pegova, com formulações biotecnológicas, “é voltado não só à prevenção do envelhecimento, mas também à melhora da qualidade da pele, propiciando a longevidade celular com ativos que promovem uma reversão dos danos ocasionados pela epigenética, além dos provocados pelos fatores externos e pelo avanço da idade. Tudo com texturas confortáveis”, ressalta.

   Dentre os destaques em produtos indicados para o público sênior, estão o creme Telo Structure, rejuvenescedor que promercado mete restaurar características de células mais jovens, destacando o contorno do rosto; o Akinésine 2 em 1, firmador e preenchedor de rugas, que evita a degradação do colágeno e desempenha ação antiglicante, combatendo o açúcar que induz ao rompimento das proteínas dérmicas; e o Sérum Hyalu TGF Repair, que realiza o preenchimento de dentro para fora, por meio de três ácidos hialurônicos de baixíssimo peso molecular.

   A marca conversa com os consumidores seniores por meio do site e das mídias digitais, “onde eles encontram facilidades, promoções e informações claras. Nas lojas físicas, eles têm todo carinho e atenção de nossas consultoras e esteticistas. São clientes que costumam ser fiéis e exigentes e que buscam qualidade antes de tudo”, diz.

   Fernanda Sanches, farmacêutica bioquímica e cosmetóloga da Cosmobeauty, menciona três linhas da marca indicadas para o cuidado da pele madura: a Peeling Criogênico, um tratamento para rugas profundas, por meio da melhora da oxigenação celular; o Galvanic Peel, para redução de flacidez, aumento de elasticidade cutânea e melhora do contorno facial; o lifting facial Lift Form; e o Imune Dose, que promove o rejuvenescimento facial com base no conceito de imunização dérmica.

   “O público sênior está, cada vez mais, buscando uma aparência jovial e saudável. O mercado da cosmetologia já vem se preparando para essa crescente demanda, investindo fortemente em pesquisa e desenvolvimento de novos ativos biotecnológicos que atuam protegendo o DNA celular, prevenindo e até revertendo os danos causados pelo processo natural de envelhecimento”, afirma Fernanda.

   A pele do idoso demanda “um carinho especial e diferenciado”, afirma Márcio Accordi, biólogo geneticista, especialista em cosmetologia e diretor da Biozenthi. “É um público que necessita de produtos altamente emolientes, hidratantes e condicionantes. A maquiagem precisa ser mais discreta, porém mantendo a feminilidade. É preciso ter cuidado com as formulações para esse tipo de pele, que tem aspectos que devem ser levados em conta antes de colocar o produto no mercado”, diz.

   Além dos itens para o cuidado da pele, como o Lisskin,um antissinais para a face e a área dos olhos que oferece hidratação intensa e efeito tensor imediato, ele menciona os produtos capilares da marca com propriedades relevantes para esses consumidores. É o caso da linha Bioscalp.

   “Quando homens e mulheres ultrapassam os 40 anos, começa uma fase de regressão de alguns hormônios, que são essenciais para a vitalidade e a jovialidade. A falta de alguns desses hormônios causa, dentre outros problemas, a queda capilar. Então criamos um produto que melhora a barreira cutânea, desobstruindo os folículos pilosos, para que o cabelo tenha mais força e os fios fiquem mais fortes”, explica. A linha é composta por shampoo e condicionador, que auxiliam na redução da queda e da dermatite, e “adubam” os folículos pilosos.  

O Propodo, último lançamento da Biozenthi, é um creme para os pés altamente hidratante. “Eu formulei esse creme com base numa observação importante. Por ter psoríase plantar, uma doença autoimune que causa descamação e renovação acelerada da pele, ocasionando bolhas, rachaduras, sangramento, coceira e desidratação, estou há três anos trabalhando na formulação de um produto que atenda esse público”, conta. A psoríase não tem cura, mas é possível atuar no tratamento e controle do problema. 

“Testei a formulação nos meus pés e verifiquei que, após alguns dias de uso, eles ficaram bem lisinhos. Caminhando pelas ruas da cidade e observando o andar das mulheres, percebi o quanto algumas delas têm os pés ressecados e rachados. Eu então iniciei os testes com o produto, que uso nos meus pés para o controle da psoríase, com o objetivo de manter a hidratação dos pés, principalmente dos calcanhares. O resultado é surpreendente. Em poucos dias, os pés mudam completamente”, afirma.

Ele lembra que pessoas idosas têm necessidades específicas – da cabeça aos pés –, as quais nem sempre são atendidas pelo mercado. “Há uma fatia grande a ser trabalhada, e isso pode começar agora, pois, em 15 ou 20 anos, grandeparte da população estará na casa dos 60 anos”, aponta. “Ainda não se vê produtos disponíveis exclusivamente para esse público. A Biozenthi está trabalhando para, em breve, lançar uma marca exclusiva – com os produtos que temos e lançamentos – para podermos nos comunicar diretamente com esse público”, acrescenta.

   A Cadiveu atua em quatro categorias distintas de produtos capilares – forma, cor, tratamento e styling – desenvolvidos para uso profissional. Claudia Alcantara, fundadora da empresa, destaca as linhas de produtos da marca mais utilizadas para atender às demandas do público sênior. São elas: Idea Color, linha de coloração que proporciona cobertura de até 100% dos cabelos brancos, além de resistência ao desbotamento e tratamento da fibra; Plástica de Argila, linha de tratamento que fortalece e repõe a massa de cabelos frágeis, quebradiços ou finos e com pouco volume; e o Ressuscitador de Fios, um leave-in que facilita e prolonga o efeito da escova, além de proteger os fios contra a oxidação. 

Ela acredita que o aumento da expectativa de vida da população contribui diretamente para gerar maior demanda no setor cosmético. “O público sênior passou por uma transformação, e sua atuação é vista fortemente no mercado de trabalho, o que faz com que ele tenha maior interação com as novas tendências e interesse em experimentá-las”, afirma.

A Kosmein tem uma linha facial dermocosmética elaborada para mulheres em processo de envelhecimento, a RLMT2. A linha é composta por sabonete em espuma, demaquilante, esfoliante, tônico e creme. “O produto máster da linha é o Creme Restaurador, com ação hidratante, nutritiva, antirrugas e reparadora de sinais. Livre de parabenos, não sensibilizante e não irritante, ele proporciona viço e luminosidade à pele. O produto é de alta absorção, para uso diário”, descreve Romy Tokarski, CEO da Kosmein.

Para a executiva, a nova geração de idosos é composta por “pessoas jovens de espírito, ativas, que trabalham ou cuidam dos netos, fazem atividade física e buscam bem-estar e vitalidade”. Nos pontos de venda, o atendimento e a experimentação são aspectos muito valorizados por esse consumidor. “É importante transformar o momento da compra em uma experiência, na qual ele conheça o produto e se identifique com os benefícios”, afirma.

Dentre as novidades da Mutari para o segmento, está a linha Pro Skin, que traz um sérum para o contorno dos olhos, o lifting facial e o creme de cúrcuma, com potente ação antioxidante e emoliente, para o cuidado corporal. “Com maior expectativa de vida e melhor condição financeira, o público sênior desponta como uma grande oportunidade para as empresas que estão dispostas a investir e oferecer produtos de qualidade para o segmento”, diz France Batistelli, diretora de P&D da Mutari.  

“A tendência é o aumento de lançamentos de produtos focados nesse público. E o próprio consumidor sênior começará a entender melhor as necessidades de seu corpo. A Mutari já está investindo nesse segmento, com lançamentos, tecnologia de ponta e inovação”, salienta.

   A Schwarzkopf Professional tem três linhas criadas especialmente para atender às necessidades dos cabelos maduros: a Igora Royal Absolutes, a BC Time Restore e a BC Excellium. A Igora Royal Absolutes é uma linha de coloração concebida para uniformizar os cabelos brancos, equilibrar os tons dos fios grisalhos e conferir brilho. A BC Time Restore foi desenvolvida para tratar cabelos finos e frágeis. A linha é composta por sérum de rejuvenescimento, shampoo, condicionador, máscara e spray de rejuvenescimento.

   A BC Excellium é “o primeiro tratamento holístico de cuidado e finalização dedicado a todas as necessidades do cabelo maduro, e que inclui a poderosa coenzima Q10+, para estimular a raiz do cabelo a reativar a produção de queratina”, informa Maurício Gonzáles, gerente geral da Schwarzkopf Professional no Brasil.

    A linha apresenta as variações Beautyfi ng (shampoo, máscara e mousse), com extrato de pérola, que reforça o brilho e a hidratação em cabelos grisalhos e brancos; Taming (shampoo, condicionador, máscara e leite de controle), formulada com ômega 3, para cabelos grossos e com coloração; e a Plamping (shampoo e spray condicionador), com colágeno, para os cabelos finos com coloração, fortalecendo as cores e conferindo volume.  

   “As demandas do público sênior são muito específicas, e foram necessários investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além de um time que está sempre em contato com os clientes e os consumidores finais, recebendo insights para criar produtos que façam sentido – tanto dentro do ecossistema dos salões e profissionais, quanto para o público final – e viabilizando, assim, a criação de um tratamento holístico e completo”, comenta Gonzáles.

 

Processo de envelhecimento

O organismo passa por alterações complexas com o avanço da idade. Conheça as principais mudanças que caracterizam essa fase

   Conforme envelhecemos, a pele perde hidratação, firmeza e elasticidade. Os cabelos ficam mais frágeis, e as unhas, quebradiças. Essas e outras mudanças podem ocorrer em maior ou menor grau, de acordo com fatores genéticos e ambientais. “A partir dos 40 anos, tendemos a perder 1 centímetro de altura por década, principalmente pela desidratação dos discos intervertebrais. A pele tende ao ressecamento pela perda de colágeno. Manchas senis são comuns pelo excesso de exposição solar ao longo da vida. Os pelos começam a diminuir, e os homens ficam mais suscetíveis à calvície. Há perda óssea e muscular, levando à osteoporose e à flacidez. É comum a redução da visão, assim como a perda auditiva e do paladar”, sintetiza a geriatra Roberta França, do Rio de Janeiro.

  Em nível biológico, o envelhecimento é associado ao acúmulo de uma grande variedade de danos moleculares e celulares. “Com o tempo, esse dano leva a uma perda gradual nas reservas fisiológicas, um aumento do risco de contrair diversas doenças e um declínio geral na capacidade intrínseca do indivíduo. Porém, essas mudanças não são lineares ou consistentes e são apenas vagamente associadas à idade de uma pessoa em anos”, diz o Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

   A OMS analisa o processo de envelhecimento com base em dois conceitos importantes: a capacidade intrínseca e a capacidade funcional. A primeira diz respeito ao conjunto de todas as capacidades físicas e mentais de um indivíduo. A capacidade funcional está relacionada aos ambientes nos quais as pessoas vivem e como elas interagem com eles. “Esses ambientes fornecem uma gama de recursos ou barreiras, que decidirão se pessoas com um determinado nível de capacidade podem fazer as coisas que consideram importantes”, aponta a OMS. 

   Com base nesses dois conceitos, o documento define o envelhecimento saudável como o processo de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional, permitindo o bem-estar em idade avançada.

   Segundo o relatório, um ponto central na conceituação do envelhecimento saudável “é a compreensão de que nem a capacidade intrínseca, nem a capacidade funcional permanecem constantes. Embora ambas tendam a diminuir com o aumento da idade, as escolhas de vida ou as intervenções em diferentes momentos durante o curso da vida irão determinar o caminho – ou a trajetória – de cada indivíduo”.

   De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, as condições como cada pessoa envelhece sofrem influências de diversos fatores. Os genéticos têm 25% de peso nesse processo. Os outros 75% correspondem aos fatores ambientais. “Envelhecimento saudável é aquele no qual, acima de tudo, buscamos qualidade de vida. Não se trata apenas da ausência de doenças, mas sim do controle delas, propiciando ao idoso saúde física, mental e espiritual. O conceito de qualidade de vida se ampliou muito, e sabemos que não podemos desconsiderar os aspectos do ser humano como um todo”, diz Roberta.

   A geriatra é a idealizadora do portal Cantinho da Geriatria, espaço multidisciplinar virtual que busca orientar, esclarecer e acolher familiares, cuidadores e pessoas com mais de 50 anos, dando suporte para o entendimento de toda a dinâmica do envelhecimento.  

   Para Roberta, aceitar o envelhecimento como parte natural da trajetória de vida é essencial para que todas as perdas sejam vistas com mais leveza. “Parar de brigar com as limitações e usá-las a seu favor é um grande passo para uma velhice plena e saudável. Todo mundo tem doença, e isso independe da idade. Como você lida com ela é que faz toda diferença. Buscar desenfreadamente uma juventude que já passou traz angústia e frustração. Ver os cabelos brancos e as rugas do rosto como parte da sua história de vida e perceber que toda idade traz, em si, sua beleza são atitudes fundamentais para a aceitação plena nessa fase da vida”, afirma. 

 

Cabelos, pele e unhas

   Eles passam por um processo natural de envelhecimento, ganhando novas características. “Os cabelos tendem a ficar com um aspecto mais fino e mais ressecado, principalmente por causa da ação hormonal, que vai diminuindo com a idade”, diz a dermatologista Daniela Bellucci, da cidade paulista de Campinas. 

   Em síntese, o processo de envelhecimento dos fios se caracteriza pela redução da densidade – com diminuição de sua espessura – e pela perda de sua cor natural. O folículo diminui, produzindo menos melanina, assim como a capacidade de produção de óleo das glândulas sebáceas. Tais mudanças acarretam, além do branqueamento, alterações na textura dos fios, que se tornam mais frágeis, com aparência opaca e áspera.  

   “Os cabelos envelhecem acompanhando o ritmo do envelhecimento da pele. Assim, os cabelos podem envelhecer de duas maneiras. A primeira, chamada de cronológica, é aquela em que eles seguem o envelhecimento corporal, causado pelo tempo. É determinada por fatores genéticos, hereditários e constitucionais. Ocorrem o afinamento da haste e a diminuição da densidade de cabelos no couro cabeludo. É de se esperar, portanto, que uma pessoa madura tenha menos cabelos que um jovem da mesma raça. Isso sem falar na perda genética dos fios, chamada de calvície”, explicou o tricologista Valcinir Bedin na coluna Tricologia, da revista Cosmetics & Toiletries Brasil (edição julho/agosto de 2012).

   A outra forma de envelhecimento dos fios é causada por agentes externos, como poluição, cigarro, procedimentos químicos e exposição ao sol. “O cabelo é constituído apenas de proteínas (queratina e melanina). Por isso, sua estrutura pode ser desarranjada pela exposição excessiva à radiação ultravioleta, que pode desnaturar as proteínas, deixando os
fios mais frágeis. Quando os tratamentos químicos são realizados em demasia, podem deixar as hastes mais ressecadas e fragilizadas, levando à quebra e à perda da cor”, afirmou Bedin, na coluna mencionada anteriormente. 


   Já a poluição e o tabaco “causam a diminuição dos vasos que nutrem os cabelos, fazendo que cheguem menos nutrientes, o que causa o envelhecimento precoce da cabeleira. Esse processo pode ser adiado com o uso de produtos adequados para hidratar e proteger contra os raios ultravioleta, melhorar a nutrição e retardar o envelhecimento”, informou o especialista.

   As unhas também são afetadas com o passar dos anos. Daniela explica que há uma queda no teor de gordura, que faz com que as unhas percam água com mais facilidade. “Como resultado, as unhas da mão ficam mais finas e fáceis de quebrar. Já as do pé têm uma tendência a ficar mais grossas”, comenta.

   Com o avanço da idade, as camadas da pele passam por mudanças, que diminuem a sua elasticidade, aumentam a flacidez e favorecem o aparecimento de rugas, marcas de expressão e manchas. A pele do idoso costuma ser mais ressecada, desidratada, fina e flácida. “Isso tudo ocorre porque, nessa fase da vida, há uma redução da atividade das glândulas que produzem sebo e suor. Também há uma redução significativa da produção de elastina e colágeno. Ainda temos os fatores externos, que contribuem muito para o envelhecimento da pele, como o uso do cigarro e a exposição ao sol”, diz a dermatologista.

   Na rotina de cuidados com a pele envelhecida, é imprescindível o uso de protetor solar diariamente, de acordo com o tipo de pele. Também é preciso evitar a exposição ao sol nos horários de pico – entre 10 e 16 horas. “Muitos idosos não tomaram os cuidados necessários para a proteção da pele quando eram jovens. Não se protegeram do sol, fumaram, não se alimentaram direito... Enfim, tudo isso acarreta alterações na pele, além de outros problemas de saúde. Por isso, é fundamental passar por avaliações periódicas com um médico dermatologista, que poderá ver se as lesões da pele são pré- -malignas, malignas ou benignas”, orienta.


   Idosos devem dedicar atenção especial à limpeza e hidratação da pele. “Também é importante usar um creme antienvelhecimento. Para saber o produto ideal, é essencial procurar o dermatologista, que vai avaliar as características de cada pele e indicar a melhor opção. Eu costumo orientar meus pacientes a fazerem esfoliação, já que isso elimina células mortas do rosto e facilita a absorção de outros produtos, como o hidratante”, destaca. Outra dica é evitar banhos quentes, que ressecam ainda mais a pele. “Idosos devem optar por sabonetes suaves ou infantis”, acrescenta.

 

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