24 de Setembro de 2018

Cosméticos Coloridos

Erica Franquilino
Supremacia da cor - História e evolução
 
 
 
 
 
 
Tecnologia em pigmentos - Formulação
 
 
 
Vejo cores em você - Vitrine
 
 
 
 
 
 
 
Matéria publicada na revista Edição Temática - Setembro de 2016 - Nº 33 - Ano 11
   

    Sabemos que as cores exercem influência sobre as emoções e que estão diretamente relacionadas ao comportamento de consumo. Sóbrias, suaves, intensas ou vibrantes, elas seduzem o homem desde a Antiguidade, atravessam os séculos carregando simbologias e ajudam a levar tendências de moda para as unhas, a pele e os cabelos.
 
   Esta edição aborda o mundo colorido das maquiagens, dos esmaltes e das colorações capilares. Diferentemente das duas primeiras categorias de produtos, as colorações não expõem suas tonalidades nas prateleiras. No entanto, elas também encantam o consumidor ao oferecer tons diversificados e que exploram – em conjunto com o batom, a sombra o esmalte – toda a força da cor.

 

 

 Pigmentos e corantes são substâncias que conferem cor a diversos tipos de materiais. A principal diferença entre eles é que os pigmentos são insolúveis e os corantes, solúveis.

  “Outro diferencial entre os dois produtos diz respeito à cobertura: quando se usa o pigmento numa tinta, ele promove simultaneamente a cobertura, a opacidade, o tingimento e a cor. O corante só promove o tingimento, sem proporcionar cobertura. Desta forma, o corante mantém a transparência do objeto tingido; já o pigmento dá cor e tira a transparência”, informa  o portal do Conselho Regional de Química – IV Região.

   A indústria normalmente recebe pigmentos e corantes em pó, para então fazer a moagem, dispersão ou dissolução do material até o ponto desejado. Corantes e pigmentos também podem ser adquiridos pré-dispersos e prontos para o uso – na forma líquida ou em pasta –, já beneficiados com aditivos, estabilizantes e outros componentes.
 
   O desenvolvimento de produtos cosméticos demanda o uso de ambas as substâncias. Existem pigmentos que proporcionam proteção e efeitos decorativos, como os metálicos – usados em batons, por exemplo – e os de efeito perolizado. Muito utilizados pela indústria têxtil, os corantes são usados em formulações de colorações capilares e em outros produtos cosméticos – como shampoos, sabonetes e cremes. Corantes também são empregados em produtos transparentes e coloridos, como perfumes e brilhos labiais.
 Os corantes utilizados em tinturas capilares são subdivididos em dois tipos: os que agem por deposição e os que agem por oxidação. As tinturas são classificadas em permanentes, semipermanentes e temporárias. A diferença entre elas está, principalmente, no tamanho das moléculas dos corantes e na presença de agentes oxidantes que promovem a modificação da estrutura do fio.
 
  Os corantes por deposição são moléculas hidrossolúveis ou hidrodispersíveis que se depositam na parte externa do fio – podendo, em alguns casos, ter uma pequena penetração no córtex. Esses corantes oferecem menor durabilidade da cor, na comparação com os corantes por oxidação.
 Os corantes que agem por oxidação, usados em tinturas permanentes, são compostos hidrossolúveis que não possuem uma cor específica. A coloração permanente permite maior modificação da cor natural do fio, bem como maior durabilidade da cor aplicada. Nesse tipo de coloração, a água oxigenada (peróxido de hidrogênio) age sobre os pigmentos melânicos do cabelo, oxidando-os. Esse processo leva à descoloração do fio, para que este receba uma nova nuance.
 De forma geral, além do segmento de cosméticos, pigmentos e corantes também são usados em tecidos, tintas, plásticos, cerâmicas, artefatos de couro, papel e alimentos. O grupo de pigmentos e corantes ainda abrange os branqueadores ópticos. Quando aplicados em um material, eles absorvem a luz ultravioleta e emitem a maior parte dessa energia como radiação fluorescente azulada, alterando a percepção da cor dos produtos.
 
  Os pigmentos podem ser orgânicos ou inorgânicos, sintéticos ou naturais. Em síntese, os inorgânicos têm maior opacidade e poder de cobertura e de tingimento. Já os orgânicos têm mais brilho e transparência.
  Os pigmentos inorgânicos se dividem em sintéticos e naturais. Os naturais normalmente são óxidos e oferecem menor cobertura, maior dificuldade de dispersão e menor poder tintorial. Já os pigmentos inorgânicos sintéticos proporcionam maior cobertura, uniformidade da cor e melhor dispersão. As matérias-primas usadas para produzir os pigmentos inorgânicos são os sais de metais como ferro, cobre, cromo, chumbo e cádmio. Por serem mais poluentes e prejudiciais à saúde, os pigmentos à base de cromo, chumbo e cádmio foram substituídos por pigmentos orgânicos. Dentre os inorgânicos, tem destaque o dióxido de titânio, o pigmento branco mais usado em vários setores da indústria. Os óxidos de ferro estão entre os pigmentos inorgânicos coloridos mais utilizados, pois possuem ampla variedade de tons e oferecem ótima resistência à luz.
 
  Os pigmentos orgânicos apresentam em sua estrutura química grupamentos chamados cromóforos, responsáveis pela cor. Esses pigmentos são obtidos a partir de derivados do petróleo ou podem ter origem animal. Eles são subdivididos em puros, toners e lacas. Na produção das lacas, corantes hidrossolúveis são transformados em moléculas insolúveis, para serem utilizados como pigmentos. Esse processo aumenta a gama de cores a serem utilizadas em determinadas categorias de produtos, como maquiagens. Por serem produzidas a partir de corantes hidrossolúveis, as lacas têm menor poder de cobertura, quando comparadas aos pigmentos orgânicos puros e toners, que oferecem cobertura e poder tintorial superiores.
 

 

 
 O homem utiliza os corantes há mais de 20 mil anos, para dar cor aos tecidos, às cerâmicas e aos couros. Pigmentos também eram usados para fazer desenhos em cavernas e túmulos e para produzir murais. Caçadores do período glacial pintavamas paredes das cavernas com fuligem e ocre (um tipo de argila colorida pela presença de óxido de ferro).
 
  Na Antiguidade, os gregos pintavam suas cerâmicas de vermelho, preto e azul. Das folhas de henna, os egípcios extraíam o corante usado para colorir as palmas das mãos, as plantas dos pés, as unhas e os cabelos. Tons vermelhos simbolizavam dignidade e nobreza. A cor púrpura e o vermelho das capas dos comandantes do exército romano eram obtidos a partir de um molusco chamado Murex brandaris.
 
  Além da púrpura, o índigo e a alizarina foram muito utilizados desde as antigas civilizações. Na Índia, no Egito, na Grécia e em Roma, o índigo natural era obtido a partir do suco da planta Isatis tinctoria. Já o corante púrpura era produzido na Fenícia (na região onde hoje está localizado o Líbano), a partir do esmagamento dos moluscos Murex brandaris, mencionados anteriormente. A tinta extraída dos moluscos tinha grande valor, por não desbotar facilmente.
  A púrpura era a cor da nobreza e das autoridades religiosas. Seu uso denotava status social, uma vez que eram necessárias grandes bateladas de moluscos para produzir quantidades ínfimas de corante. A alizarina é um pigmento vermelho, obtido a partir da raiz da garança ou “ruiva dos tintureiros” (alizari, em árabe).
 
  A arte de tingir tecidos se desenvolveu ao longo dos séculos, com base no empirismo e na experiência adquirida por quem dominava o ofício. Vindas da Grécia e da Turquia, as rubiáceas Rubia tinctorum e Rubia cordifolia passaram a ser cultivadas na França no século 9 d.C, para o tingimento de tecidos em tons de vermelho, rosa e púrpura.
 
    O pau-brasil, que fornecia um corante vermelho, passou a ser exportado para a Europa em quantidades cada vez maiores depois da chegada de Cristóvão Colombo à América e da descoberta do Brasil.
   No final do século 18, começaram a surgir corantes sintéticos, como o ácido pícrico. A substância foi sintetizada pela primeira vez em 1771 e, alguns anos depois, passou a ser utilizada como corante para lãs e sedas. Usado em munições durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o ácido pícrico produzia um amarelo intenso, mas era potencialmente explosivo e não oferecia boa fixação.
 
  Em meados do século 19, em plena revolução industrial, a indústria têxtil cresceu rapidamente, aumentando a demanda por produtos químicos para branquear, beneficiar e tingir. Nesse cenário, os corantes naturais já não supriam a demanda. Em 1856, o primeiro corante orgânico foi sintetizado pelo inglês William Perkin. Aluno do curso de química no Royal College de Londres, Perkin tentava sintetizar o quinino a partir do derivado do alcatrão de hulha (carvão mineral), para o tratamento da malária.
 
     Após várias experiências com toluidina, anilina e dicromato de potássio, ele obteve uma substância sólida de cor preta, cujas propriedades em nada lembravam o quinino. No entanto, ao lavar os frascos usados, Perkin observou o aparecimento de uma coloração avermelhada, que era absorvida pelo tecido e provou ser resistente à luz e à lavagem. O jovem chamou seu corante de “púrpura de tiro”, mas posteriormente o produto foi rebatizado como mauve pelos franceses. Perkin patenteou a descoberta, montou uma fábrica para produzir o corante e continuou realizando pesquisas.
 
    Após a descoberta do inglês, houve uma corrida para conseguir sintetizar outros corantes. Em 1863, o comerciante de corantes Friedrich Bayer e o mestre tintureiro Johann Weskott montaram uma pequena fábrica para produzir corantes para tingimento de tecidos, na cidade de Wuppertal, na Alemanha. Em 1868, a alizarina sintética já estava disponível em boa quantidade e qualidade. O índigo sintético chegou ao mercado em 1880. No final do século 19, já existiam fábricas de corantes sintéticos na Alemanha, Inglaterra, França e Suíça, para atender às necessidades das indústrias de tecidos, couro e papel de vários países.
 
 A indústria de corantes cresceu, alavancando o uso desses materiais em diversas aplicações. Três companhias fundadas na década de 1860 impulsionaram a indústria da química orgânica na Alemanha: Badische Anilin und Soda Fabrik (BASF), Hoechst, criada em 1862 para produzir magenta – corante vermelho brilhante, também conhecido como fucsina –, e Bayer. No início da década de 1880, as três já eram responsáveis por metade da produção mundial.
 
   Os corantes sintéticos começaram a ser usados na indústria alimentícia no final do século 19. Até a década de 1850, todos os corantes alimentícios provinham de fontes vegetais comestíveis (como cenoura e beterraba), de extratos de origem animal ou vegetal normalmente não consumidos (como ácido carmínico e estigma de açafrão) e da transformação de substâncias naturais.
   No início do século 20, mais de 90 corantes sintéticos eram usados em alimentos. Em 1906, nos Estados Unidos, foi criada a primeira legislação referente à utilização de corantes sintéticos em alimentos, que autorizou o uso de sete corantes. Os outros 83 foram proibidos. Já naquela época, pesquisas comprovaram que muitos corantes sintéticos eram tóxicos e poderiam causar anomalias em recém-nascidos, além de doenças como distúrbios cardíacos e cânceres.
 
    Em linhas gerais, os corantes naturais são mais sensíveis à luz, ao calor, ao oxigênio e à ação de bactérias. Já os sintéticos são mais estáveis, têm durabilidade maior, propiciam cores mais intensas, podem ser utilizados em quantidades menores e são mais baratos que os naturais.
  Ao longo do tempo, os corantes têm sido alvo de questionamentos sobre sua segurança. Os altos custos para provar que um corante é seguro nem sempre justificam economicamente a sua permanência no mercado. Por essa razão, fabricantes têm ptado por interromper a comercialização do produto em caso de suspeitas referentes à sua segurança.
 
    As primeiras ocorrências toxicológicas envolvendo corantes foram registradas no início do século 19, nos Estados Unidos, quando mulheres morreram após ingerir alimentos coloridos com sulfato de cobre. No início do século 20, o governo norte-americano instituiu uma lista de corantes aprovados para uso em alimentos. 
 
    Em 1938, foi divulgada a primeira lista de corantes aprovados especialmente para o uso em cosméticos pelo FDA (agência norte-americana voltada à regulamentação de alimentos e medicamentos). Na ocasião, foi estabelecida a aprovação individual para cada batelada de fabricação, surgindo os chamados corantes “certificados”.  Acidentes envolvendo corantes voltaram a acontecer na década de 1950, o que levou o FDA  a instituir a obrigatoriedade de testes mais rígidos para comprovar a segurança de corantes. A mudança regulatória levou à diminuição do número de corantes certificados - de 116, em 1959, para 34, em 1996.
  Atualmente, a União Europeia tem 46 ingredientes corantes aprovados para o uso em cosméticos.
  Acompanhe, a seguir, a evolução de produtos para maquiagem, esmaltes e colorações capilares.

 

Maquiagem

   Cerca de 5.000 a.C., o homem já usava a pintura corporal para adorar os deuses, festejar ou diferenciar-se de outros grupos. Uma das formas mais antigas de colorir o corpo é a tatuagem, procedimento presente nas mais diversas culturas e que já esteve relacionado a fatores como hierarquia social, identifi cação de prisioneiros e ritos religiosos. O achado mais antigo no que diz respeito à tatuagem é o de uma múmia de aproximadamente 5.300 anos, que foi encontrada nos Alpes italianos em 1991 e tinha pigmentações na maior parte do corpo.

  Elementos extraídos da natureza eram usados por assírios, persas e babilônios – em aproximadamente 4.0 a.C. Dentre os primeiros recursos usados para colorir a face, estão o kohl (pasta feita a partir da mistura de gordura animal triturada e sulfeto de chumbo), o açafrão, a fuligem e as “tintas” extraídas de frutos silvestres, além de substâncias tóxicas, como o chumbo e o mercúrio.

    No Antigo Egito, os cuidados com a aparência estavam incorporados ao cotidiano das pessoas, num misto de vaidade, religião e proteção contra o calor. Os egípcios utilizavam o kohl e outros elementos encontrados na natureza, como ahenna e o ocre. Nessa fase histórica, havia a preocupação com a harmonia na estética, baseada no uso variado de cores e traços. Faraós e membros da corte contornavam os olhos de preto e finalizavam a pintura com um traço bem alongado, em alusão ao olho de Hórus, o deus egípcio que enxerga além das aparências. Maquiar os olhos dessa maneira era, portanto, uma forma de se aproximar da divindade.

     O ritual egípcio de maquiagem começava com a aplicação de uma pasta branca, à base de cerussita (carbonato de chumbo), ou de um creme feito a partir de giz e óleo de oliva. Para dar cor aos lábios e às maçãs do rosto, usava-se uma tinta proveniente do barro, que era misturada com água ou gordura. Os olhos ganhavam destaque com o kohl ou um preparado feito de galena (sulfito de chumbo). Os pigmentos escuros para maquiar as pálpebras provinham, basicamente, do pó de antimônio, carvão e fuligem. Uma das fórmulas para se obter o kohl misturava ingredientes como antimônio pulverizado, óxido de manganês, amêndoas torradas, chumbo, óxido negro de cobre, carvão, ocre marrom, óxido de ferro e malaquita. Os olhos também recebiam tons coloridos, como verde, turquesa e terracota.

  Já os gregos usavam a maquiagem para, sobretudo, embelezar-se. As mulheres gregas criavam misturas a partir do ocre e de outros elementos da natureza, para usá-las como batom. Elas também utilizavam o kohl ao redor dos olhos, mas de maneira esfumada, sem os traços marcantes dos egípcios. No rosto, era comum aplicar uma base feita de alvaiade (carbonato básico de chumbo) e gordura animal.  Durante o Império Romano, aumentou a variedade de itens de beleza, com produtos para os cabelos e as unhas e maquiagens, que eram produzidos a partir da mistura de gordura animal e extratos naturais. Kohl, henna e outros pós coloridos eram utilizados por homens e mulheres para destacar a face e os olhos. Para cuidar da pele, as mulheres aplicavam sobre o rosto máscaras feitas a partir de farinha, miolo de pão e leite.

     A vaidade ganhou conotação profana durante a Idade Média. O uso de maquiagens – sobretudo as mais carregadas – não era visto com bons olhos. O ideal de beleza era um rosto pálido e frágil. Dentre os procedimentos para se obter uma pele alva estava o uso de uma papa, obtida por meio da mistura de farinha de trigo, mel e óleo. A pele extremamente branca da nobreza europeia estava relacionada à sua distinção social e à aparência saudável.

     Nesse contexto, era costume ressaltar as veias do colo e do pescoço, com o anil extraído de plantas. Aos poucos, o uso de pó de arroz ou farinha de trigo para pintar rostos e corpos foi se intensificando em todas as camadas sociais. A varíola e outras doenças que assolaram a Europa contribuíram para essa disseminação, pois era preciso disfarçar as feridas.

    Com o tempo, as novidades trazidas do Oriente – na época das Cruzadas – passaram a ser apreciadas discretamente pela nobreza. A partir do século 15, já na fase renascentista, a maquiagem voltou a recuperar seu prestígio, porém sem muitas cores ou exageros. Nas primeiras décadas do século 16, Catarina de Médici – rainha da França de 1547 a 1559 – ajudou a popularizar o uso da maquiagem entre as mulheres, depois de tanta palidez.
      As europeias do período renascentista usavam o zarcão (subproduto do chumbo, de cor alaranjada) como blush e batom. Rosto, pescoço e colo recebiam camadas de alvaiade, enquanto uma mistura de grafite e chumbo era usada como  ombra nas pálpebras – além do kohl, que ainda marcava presença. Mulheres pobres maceravam frutos silvestres para colorir bochechas e lábios. Com o passar do tempo, os produtos foram se popularizando. Nas primeiras décadas do século 17, as pomadas coloridas tornaram-se mais acessíveis.

     Com o século 19, veio a ascensão da burguesia e o tom romântico, que predominava na aparência das mulheres. Os artigos para maquiagem começavam a ser formulados com óxido de zinco. Nas massas para colorir os lábios, os óleos vegetais eram substituídos por óleo de vaselina, aumentando a durabilidade do produto.
       A era do entretenimento de massa dava seus primeiros passos no início do século 20, exercendo grande influência na estruturação e no crescimento da indústria de maquiagem. O produto mais usado nos primeiros anos do novo século era o pó de arroz, o que expressava a valorização de uma pele limpa, clara e sem manchas.
     “O poudre de riz [pó de arroz] era branco, rosado e rosa-forte, e o ruge, escarlate forte e brilhante. Eram comercializados em pequenos livros de macias folhas de papel. A mulher ia abrindo as folhas conforme a necessidade; passava nelas o pincel e o aplicava no rosto. Os lábios recebiam um verniz vermelho líquido que vinha em potes”, descreve Ana Carlota Vita, autora do livro História da maquiagem, da cosmética e do penteado – em busca da perfeição, ao abordar o período conhecido como Belle Époque (1890-1914).

     Atribui-se a um perfumista francês, conhecido como Rhocopis, a criação do baton serviteur, cuja massa de cor vermelha era composta por talco, óleo de amêndoas, essências de bergamota, limão e gordura de cervo. O precursor do batom era um produto envolto em papel de seda, na forma de bastão, que se popularizou mundo afora, principalmente após a Primeira Guerra Mundial. Anúncios de produtos de maquiagem apareciam nas revistas, exaltando a necessidade de embelezamento e retomada do ânimo, em um mundo ainda marcado pela “feiura” produzida pela guerra.

     Em 1915, surgiam nos salões de beleza dos Estados Unidos os primeiros batons fixados numa base de metal com tampa. Alguns anos depois, em Paris, os batons já eram embalados em tubos e vendidos em cartuchos. Em 1906, a Shiseido lançou novas versões de pó de arroz no mercado japonês, no qual até então só havia pós brancos. Em pouco mais de uma década, a marca lançou outras seis tonalidades: amarelo, cor de carne, rosa, peônia, verde e púrpura, que combinavam com os quimonos usados pelas mulheres na época.

      O primeiro cosmético moderno para os olhos e desenvolvido para uso diário foi criado por volta de 1917, por um jovem norte-americano chamado T.L. Williams, a partir da mistura de vaselina e carvão. Para nomear o produto, ele uniu o nome da irmã, Maybel (que foi quem inspirou a formulação), às quatro últimas letras da palavra vaseline. Em dois anos, Williams lançava a Maybelline Cake Mascara. A ótima aceitação do produto levou ao desenvolvimento de outros itens, como sombras (na década de 1920), delineadores (nos anos 1930) e linhas de batons e esmaltes, já nos anos 1970. Em 1996, a Maybelline foi incorporada à francesa L’Oréal, chegando ao Brasil no ano seguinte.

      Nos primeiros anos do século passado, a indústria cinematográfica norte-americana tentava solucionar a questão da aparência dos atores. Eles usavam os mesmos artigos de maquiagem que os atores de teatro, o que lhes atribuía um aspecto caricato. Os atores levavam horas produzindo a própria maquiagem. O talco era uma das alternativas para retocar osuor da pele durante as filmagens, mas o resultado era ruim. A situação mudou quando os estúdios passaram a contar com o trabalho de um químico polonês chamado Max Factor. Ele criou, em 1914, itens de maquiagem para uso específico em atores de cinema. Os produtos não rachavam, não endureciam e conferiam visual glamouroso na tela.

      Nascido Maximilian Faktorowicz, o químico fornecia, no final do século 19, os artigos de maquiagem que elaborava para os integrantes do Royal Ballet, na Rússia. No começo do século 20, ele se mudou com a família para os Estados Unidos. Lá ele alterou o nome Max Faktor, como era conhecido, para Max Factor e montou uma pequena loja no centro teatral da cidade de Los Angeles, na Califórnia.
    Rapidamente, seus produtos atraíram a atenção das estrelas de Hollywood.

    No Brasil, durante muito tempo, todos os modismos relacionados à aparência vinham da Europa: em algumas regiões havia maior influência ibérica e, em outras, como no Rio de Janeiro, a ascendência francesa era dominante. No século 19 ainda não havia grandes diferenças entre a aparência de jovens europeias e a de brasileiras de famílias abastadas. Tecidos, cosméticos e perfumes continuavam a ser importados da Europa. Nas primeiras décadas do século 20, a maior parte das brasileiras tinha acesso apenas ao pó de arroz, ao batom e ao ruborizador – antecessor do ruge e do blush.

     Nas décadas seguintes, as mulheres se engajavam cada vez mais na luta por direitos civis. Os preconceitos em relação à maquiagem foram sendo amainados, e a categoria firmou-se definitivamente em nível mundial. Nos anos 1940, um dos efeitos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi a escassez de matérias-primas, o que acabou prejudicando o mercado de maquiagem. Sem acesso aos produtos, era comum usar graxa para sapatos em vez de máscara para cílios, carvão como sombra para as pálpebras e pétalas de rosa embebidas em álcool para colorir as maçãs do rosto.

      Passado o conflito, os produtos de maquiagem voltaram às penteadeiras. A variedade de opções e tonalidades acompanhava as mudanças no comportamento das mulheres. Crescia a adesão à maquiagem para os olhos. Sombras, lápis para sobrancelhas, máscara para cílios e delineador líquido ganhavam destaque, impulsionando uma grande variedade de criações e eformulações de produtos. Na década de 1950, chegaram ao Brasil as marcas Max Factor, Helena Rubinstein e Elizabeth Arden. Em 1959, a Avon instalou sua primeira fábrica no país, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. O primeiro cosmético lançado pela marca no país foi o batom Clear Red.

     A indústria de maquiagem cresceu consideravelmente nos anos 1960, graças à febre do uso de itens como máscaras para cílios, lápis, sombras, blushes e cílios postiços. Nesse período, também aumentou a oferta de produtos para limpar, hidratar e tonificar a pele. Nos anos 1970, o mercado de maquiagem acompanhava de perto as coleções de alta costura, alinhando-se às tendências da moda. A indústria já estava mais regulamentada, e os níveis de irritação da pele eram bem mais baixos. Começava a despontar a demanda por produtos que conferissem aparência mais natural à face, bem como por sombras translúcidas e rosadas, em lugar das escuras. 

     A tecnologia dos pigmentos evoluiu no decorrer da década de 1980, assim como o conceito de proteção solar e a preocupação com o envelhecimento da pele. O final do século 20 e a primeira década dos anos 2000 trouxeram produtos mais segmentados e com maior valor agregado. No início deste século, o Brasil entrou na rota das grandes grifes internacionais de luxo, movimento que se intensificou na última década.
      Os itens de maquiagem passaram a agregar novas tecnologias, em formulações com vitaminas, ativos antioxidantes e agentes que hidratam e protegem  pele. Atualmente, a maior parte das linhas de maquiagem que chegam ao mercado tem características multifuncionais e traz benefícios para a saúde da pele.

 

Esmaltes

     Nos dias de hoje, as prateleiras oferecem uma grande diversidade de tonalidades de esmaltes. Da concorrência acirrada, surge uma profusão de cores, efeitos e acabamentos – cada vez mais inusitados. Essa história começou cerca de 3500 a.C. Os egípcios cultivavam o hábito de pintar as unhas e os dedos com um preparado à base de henna. As cores provenientes dessa mistura variavam entre vermelho, rosa e preto e demonstravam a distinção entre as classes sociais: apenas as rainhas podiam pintar as unhas de vermelho, enquanto o restante das mulheres tinha de usar cores claras.
     Na China, os tons mais exuberantes também eram reservados à realeza. Por volta de 600 a.C., a pintura das unhas das chinesas era feita com uma espécie de verniz, elaborado com ingredientes como goma arábica, clara de ovos, gelatina, cera de abelhas e pétalas de flores. O vermelho era a cor reservada à família real. Para conseguir nuances metálicas, soluções de metais – como ouro e prata – eram adicionadas a essa mistura. 

     Já no período do Império Romano, o costume era polir as unhas com materiais abrasivos, em vez de pintá-las. Durante a Idade Média, as unhas eram adornadas com óleos rosados e perfumados. Cremes e pomadas completavam os cuidados. O pudor e o rigor estético do período não permitiam o uso de cores mais fortes.

     A trajetória dos esmaltes permaneceu estagnada por um longo período. No início do século 19, as mulheres ainda mantinham suas unhas curtas, moldadas com o uso de lima e recobertas por óleo essencial perfumado. Algumas inovações chegaram a partir de 1830, como os palitinhos de madeira que empurravam a cutícula para trás e os primeiros salões de manicure.
     No início do século 20, surgiram os primeiros esmaltes de unha transparentes, que eram aplicados com pincel feito de pelos de camelo e não duravam mais do que um dia nas unhas. Persistia o costume de usar pós e cremes coloridos para massagear as unhas, que depois eram polidas para ficar brilhantes. Na primeira década daquele século, revistas para o público feminino incentivavam as mulheres a cuidar de suas unhas em casa.
     A contribuição da indústria automobilística, nos anos 1920, foi fundamental para o desenvolvimento desse segmento. Estudos realizados com base em um subproduto dos esmaltes utilizados para pintar e proteger os carros, possibilitaram o desenvolvimento de esmaltes para unhas com composições mais próximas das que conhecemos hoje. Essas versões precursoras eram elaboradas, basicamente,em tons rosados e em algumas variações de vermelho, além dos transparentes.

    No final da década de 1920, o jovem Charles Revson deu novo impulso à trajetória dos esmaltes. Ele e o irmão, Joseph, eram donos de uma pequena empresa, a Revson Brothers, que fazia a distribuição dos esmaltes para unhas da fabricante norte-americana Elka. Depois de um ano de representação comercial, Charles e Joseph uniram-se ao químico Charles Lachman para começar a fabricar seus próprios esmaltes.

    Em 1932, Charles Lachman e os irmãos Revson criaram a Revlon – a letra “l”, que substituiu o “s”, refere-se ao sobrenome Lachman. A empresa inicialmente fabricava apenas um produto, um esmalte de unhas diferente de tudo o que existia até então. O esmalte era opaco e de longa duração, enquanto os tradicionais transparentes eram feitos à base de corantes. A inovação da Revlon estava no uso de pigmentos, o que permitiu oferecer uma gama de cores maior.

    Ainda nos anos 1930, divas do cinema como a atriz Rita Hayworth ajudaram a firmar a moda de combinar o tom do esmalte com a cor do batom. A Max Factor – que em 1927 havia lançado o Max Factor Esmalte para Unhas, um pó bege que era espalhado sobre as unhas com o auxílio de um pincel – apresentava ao mercado seu Esmalte Líquido para Unhas, além de um creme e um removedor para cutículas. Crescia a variedade de pigmentos utilizados nos esmaltes. Além do brilho, as mulheres passavam a valorizar cobertura uniforme.
    Os anos 1970 marcaram a chegada dos esmaltes sintéticos, usados em unhas longas, com técnicas mais elaboradas. Aumentava a adesão às unhas postiças. Na década de 1980, os esmaltes passaram a ser fabricados com fibra de vidro. Já nos anos 1990, a decoração das unhas passou a incluir a utilização de acessórios, como os adesivos. Hoje, é vasta a diversidade de cores, texturas e efeitos.

 

Colorações capilares

 Os antigos gauleses e saxões tingiam seus cabelos de cores vibrantes como forma de demonstrar sua posição e provocar medo em seus inimigos. Homens babilônicos salpicavam os cabelos com pó de ouro. Produtos de origem vegetal e animal eram usados para colorir os cabelos de egípcios, gregos e romanos. Para escurecer os fios, egípcias usavam o kohl e a henna.
 
   As misturas elaboradas na Antiguidade eram mais voltadas ao escurecimento dos cabelos. Havia, contudo, métodos para deixar os fios loiros, requentemente expondo-os, pintados, à luz do sol durante horas.Para clarear os cabelos, mulheres gregas usavam água de lixívia (um tipo de alvejante usado na época) ou enxaguavam os
fios com água de macela.
 
  Ao longo da história, muitos métodos foram empregados para ampliar o espectro de cores de tinturas de cabelo. Na Idade Média, pessoas com cabelos ruivos eram associadas à prática da bruxaria. Os cabelos vermelhos só passaram a ser aceitos no século 16, graças à beleza dos fios ruivos da rainha Elizabeth I. Súditas recorriam à henna para tornar as madeixas avermelhadas como as de Elizabeth.  Elaboradas perucas também ganhavam destaque. Cobertas de talco, elas tinham cores em tons pastel, que variavam entre rosa, amarelo e azul.
 
 
     Em 1863, o químico alemão August Wilhelm von Hofmann descobriu as propriedades de coloração do PPD (parafenilenodiamina).
As pesquisas de Hofmann levaram ao desenvolvimento de tinturas capilares. Alguns anos mais tarde, estudos realizados pelo químico britânico E.H. Thiellay, em parceria com o cabeleireiro francês Leon Hugot, ressaltaram os benefícios do peróxido de hidrogênio, que, comparado a soluções alcalinas, diminuía a queda de cabelos.
 
  As duas descobertas abriram caminho para que o químico francês Eugene Schueller apresentasse ao mercado, em 1907, a primeira tintura permanente oxidante – com base na substância parafenilenodiamina –, que era capaz de clarear a cor naturaldos fios. Schueller batizou a primeira tintura química comercial com o nome “Aureole”, e ela estava disponível em uma pequena gama de cores. Essa primeira tintura sintética para cabelos permitiu a criação da Companhia Francesa de Corantes para Cabelos, que pouco tempo depois teve seu nome alterado para L’Oréal.
 
   Em 1932, o químico norte-americano Lawrence Gelb criou um corante que penetrava mais profundamente nos fios. Fundador da empresa Clairol, ele apresentou ao mercado, em 1950, a primeira tintura que clareava os cabelos sem alvejante e em uma única etapa, possibilitando um grande salto na trajetória das tinturas capilares. Nesse período, os fios loiros da atriz Marylin Monroe viraram febre mundial.
 
   Dos tons tradicionais às tonalidades que não são encontradas na natureza, atualmente o mercado oferece uma grande variedade de cores – divididas em colorações temporárias, semipermanentes e permanentes. Colorir os cabelos ainda implica em fragilizá-los. Contudo, graças à adição de ingredientes condicionantes às formulações, os danos podem ser minimizados. Crescem no mercado as opções de tinturas com componentes naturais ou orgânicos, bem como as que prometem cuidado e reparação dos fi os enquanto colorem.

 

Atração irresistível

Tendências de moda, aspectos sazonais e outros elementos abastecem de informações a
indústria cosmética, que apresenta ao mercado novas cores e efeitos em cosméticos coloridos
 
 
Quem nunca?”, “Chocada!” e “Pancadão” são alguns dos nomes que batizam lançamentos recentes na categoria de esmaltes. Além de divertidos, eles ilustram um pouco da energia criativa e democrática das cores. Escolhas como a nuance metalizada das unhas,
os fios platinados e o vermelho intenso dos lábios estão relacionadas não apenas ao que dita a moda, mas também aos estados de
humor e ao que nos inspira ou nos provoca.
 
   Desde 2000, a Pantone – empresa norte- americana mundialmente famosa por seu sistema numérico de escala de cores – divulga
a cor do ano. Essa escolha se tornou referência para a indústria da moda, do design e da decoração no mundo todo. Neste ano, pela
primeira vez, a empresa elegeu a mistura de duas cores: “rose quartz” e “serenity”. “Juntas, rose quartz e serenity evocam o equilíbrio que existe entre um rosa acolhedor como um abraço e um tom azul-claro mais frio e tranquilo, refl etindo a conexão entre o
bem-estar e uma calma sensação de ordem e paz”, destacou a Pantone.
 
  Além destas, outras cores são apontadas como hits para a temporada primavera-verão 2016/2017, como “snorkel blue”, um azul-marítimo; “lilac gray”, tom de lilás acinzentado; “buttercup”, tonalidade clara de mostarda; “limpet Shell”, um verde água “refrescante”; e “iced coffee”, cor de transição entre bege e marrom que remete a terra, suavidade e sutileza.
 
   De forma semelhante à cadeia têxtil, a indústria cosmética também desenvolve produtos considerando as tendências de moda e as mudanças comportamentais dos consumidores, bem como os apelos da estação. No inverno, por exemplo, ganham destaque os tons escuros, como preto, grafite e azul-marinho. A luminosidade do verão traz cores fortes, quentes e alegres, como vermelho, laranja, amarelo e verde. Lançamentos, relançamentos e edições especiais em cosméticos coloridos chegam ao mercado em sintonia com todos esses aspectos.
 
   As tendências de moda são criadas na ponta inicial da cadeia têxtil, que são as empresas que desenvolvem fibras e fiações.
“Pesquisadores e analistas dos birôs de estilo veem quais cores e materiais vão estar mais disponíveis na natureza e no mercado, com uma antecedência que chega a dois anos para os fios e para as cores, um ano e meio antes para os tecidos e um ano para as formas”, descreve a jornalista Erika Palomino no livro A Moda (Publifolha). As informações que se materializam nas passarelas e chegam às revistas e a outros meios de comunicação, somam-se a outras variáveis, que infl uenciam consumidores em maior ou menor intensidade.
 
  Segundo números da Euromonitor, referentes a 2015, divulgados pela Abihpec, o Brasil ocupa a quinta colocação no ranking global de consumo de maquiagem, incluindo os esmaltes. A entidade não possui dados específicos sobre colorações capilares, segmento que integra a categoria de produtos para cabelos – da qual o país é o terceiro maior consumidor do mundo. O quadro de recessão econômica, que derrubou o faturamento do setor como um todo em 2015, também se evidencia, naturalmente, no desempenho das categorias. Dados deflacionados da Euromonitor apontam que, em produtos capilares, houve queda de 14,2% em 2015, na comparação com 2014. Em maquiagem, o recuo foi de 6,3% no confronto anual.
   Em momentos desafiadores como este, entender as demandas e conhecer as preferências das consumidoras é fundamental.
 
   A pesquisa “A Maquiagem e a Mulher Brasileira”, realizada pela Avon em 2015, apontou quais são as cores de maquiagem mais populares em diferentes regiões do país. O levantamento foi apresentado durante o 20º Prêmio Avon de Maquiagem, evento realizado em setembro do ano passado. A pesquisa ouviu cerca de 900 maquiadores para mapear os hábitos de consumo da brasileira.
   De forma geral, o estudo aponta que o acabamento mate é o preferido da mulher brasileira, assim como as nuances de nude, rosa e vermelho forte. Os tons de rosa são os mais apreciados nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul, com respectivamente 32,4%, 34,4% e 36,1% das menções. No Nordeste, predomina o vermelho intenso (35,4%) e, no Sudeste, os tonsde nude (32,8%).

 

Maquiagem e esmaltes

    Como acontece o processo de pesquisa e defi nição de cores para o desenvolvimento de novos itens de maquiagem? “O ponto de partida é uma pesquisa detalhada realizada pelo setor de marketing de produto, que identifica e analisa as macrotendências,
os hábitos de consumo e as oportunidades de lançamentos para a empresa. Paralelamente a esse trabalho, são realizados workshops de inovação, viagens e visitas a feiras do setor, o que nos auxilia no processo criativo”, conta Cibeli Lelli, gerente de
produto da Vult.
 
    As equipes de marketing e de P&D trabalham em conjunto com a diretoria da empresa, para definir os conceitos favoráveis à Vult – considerando questões mercadológicas e estratégicas – e determinar os novos produtos e cores que farão parte do portfólio da marca. “Todos os produtos passam por pesquisas de uso realizadas por consumidoras e pela maquiadora Vanessa Rozan, embaixadora da Vult”, acrescenta. Esse processo também leva em conta o que dizem as consumidoras, em redes sociais e em outros canais de interação com a marca.
 
    A coleção Let´s Rock! está entre os lançamentos recentes da Vult. São 16 cores metalizadas de batom, das mais comuns às inusitadas, como preto, azul, dourado e prateado. Outra novidade é a Caneta para Sobrancelhas, “disponível em dois tons, que se adaptam às diversas tonalidades de pele, proporcionando preenchimento e definição, de forma precisa e extremamente natural”, diz Cibeli. A despeito das tendências que norteiam empresas e influenciam consumidores, ela destaca que não existem regras fixas em maquiagem: “o importante é se sentir bem e se divertir”.
 
   Cibeli comenta que as peles bem iluminadas estão em alta. Para conquistar esse efeito, é preciso fazer uma boa preparação, com primer, corretivo, base e pó – sem exageros. “As bocas estão muito coloridas e com diversos acabamentos: dos mates, que continuam fi rmes e fortes, aos metalizados e laqueados. Tonalidades quentes como bronze, coral e laranja ganham evidência. Para os olhos, as cores retornam com tudo. É permitido até apostar em muito brilho com glitter”, conclui.
 
   Na Facinatus, uma equipe formada por químicos, farmacêuticos e profissionais da área de marketing faz, periodicamente, estudos sobre tendências, observando o que é utilizado e divulgado nos mercados nacional e internacional. “Beleza e moda sempre caminham juntas, uma completando a imagem da outra. Nesse contexto, buscamos o que está em destaque nas passarelas e na mídia e levamos essa explosão de cores e texturas às makes, para gerar satisfação às consumidoras. Nota-se que elas querem se ver em suas divas: usam as mesmas cores do esmalte e do batom e querem o mesmo corte de cabelo. Esse comportamento nos ajuda na seleção das cores e texturas certas”, afi rma a química Brenda Magalhães, responsável pelo setor de P&D da Facinatus.
  A marca também investe nas cores metalizadas. As 10 tonalidades dos batons 4K Metalizado, que integram a linha Profissional Make-up, oferecem acabamento mate, textura aveludada e efeito acetinado. “Essa é uma aposta que veio direto das passarelas e vem dando resultados surpreendentes”, diz. “Em produtos para a pele, predominam a leveza e a naturalidade, aliadas à multifuncionalidade”, completa.
 
   Assim como em maquiagem, no segmento de esmaltes a apresentação de novos conceitos e cores tem como ponto de partida as tendências de moda. Também fazem parte desse processo o monitoramento de redes sociais e a busca por novas tecnologias, que agreguem inovação aos produtos. “Além do mundo da moda, há fortes tendências vindo da própria sociedade, do dia a dia e de outras áreas, como design, decoração, cultura e entretenimento. No Brasil, por exemplo, podemos destacar tanto a força das telenovelas quanto o próprio estilo das consumidoras, que têm suas preferências específicas – e que variam de norte a sul do país. Essas consumidoras entram em contato com a empresa e discutem esses assuntos nas redes sociais. Por essa razão, é fundamental para a marca monitorar solicitações e tendências de consumo”, argumenta Daniella Brilha, diretora da marca Colorama.
 
     Ela destaca a necessidade de se aproximar das consumidoras, celebrando seu “empoderamento” e suas vitórias. “Essa foi uma das razões que levaram à escolha da atriz Giovanna Antonelli para assinar a linha Colorama Gio. Ela é uma mulher reconhecidamente forte, alto-astral e querida pelas consumidoras”, diz. A última coleção da marca, a Colorama Gio Antonelli - Poder da Cor, traz tons e nomes criados em parceria com a atriz. São oito novos esmaltes – cinco cremosos, dois cintilantes e um de efeito especial – que trazem cores vibrantes e designações cheias de personalidade, como “Ela Quem Manda” (cinza-escuro cremoso) e “Dar O Que Falar” (vermelho cintilante).
 
     A marca tem clássicos como “Leite de Coco” (branco cremoso) e “40 Graus” (vermelho, da linha Verniz&Cor), que há vários anos são os mais vendidos. No entanto, a “revolução” no mundo dos esmaltes ampliou consideravelmente a diversidade de tons e acabamentos. “Brancos e nudes dividem espaço com cores vibrantes, metálicos e glitters. E as unhas decoradas foram muito além da francesinha”, comenta. Algumas das cores presentes nas últimas coleções lançadas em parceria com Giovanna Antonelli já
figuram no top 15 das mais vendidas, a exemplo de “Sensualizando” (vermelho cremoso), “Postando” (azul cremoso) e “Tagarelando” (rosa cremoso).
 
  Para Daniella, a Colorama tem um vínculo emocional com suas consumidoras. “A marca procura estar cada vez mais próxima delas, convidando-as a se expressar por meio das cores. As coleções possuem temas lúdicos, nomes divertidos e cores exclusivas, para instigar o lado criativo de toda mulher”, afirma.
   Ela acredita que os brancos devem ganhar relevância no mercado e que tons como nudes e vermelhos estarão sempre entre os preferidos das brasileiras. “O azul, em diversas e novas tonalidades, ainda está presente nas tendências. Vemos também alguns outros tons surgindo, como os de verde, em releituras mais comerciais”, aponta.
 
   A Impala começa a elaborar uma nova coleção com cerca de um ano de antecedência, em relação à previsão de lançamento no mercado. “Contamos com o auxílio de uma consultoria especializada em moda, que nos aponta as macrotendências internacionais. Com base nessas macrotendências, é realizada a triagem das cores que serão apostas para o período e que farão parte da coleção. Essa triagem considera, principalmente, os hábitos e as preferências da mulher brasileira”, explica Patrícia Porta, coordenadora de marketing da Impala.
  Todas as escolhas da marca são embasadas em uma direção conceitual. “O universo da moda se renova a cada temporada. A cada semana de moda, nacional ou internacional, são apresentados ao mundo as cores, as texturas e os modelos que vão guiar o que estará em alta. E os esmaltes são parte desse contexto. É fato, contudo, que além da variedade em cores, os vidrinhos têm de entregar, às consumidoras, durabilidade, qualidade, confi ança e acessibilidade”, ressalta.
 
   A Impala lançou, em junho deste ano, esmaltes em spray. A novidade oferece praticidade a quem tem dificuldade ou pouco tempo para esmaltar as unhas. O Impala Nail Spray ainda atende às necessidades de pessoas com extrema sensibilidade a algumas substâncias presentes no esmalte convencional. Patrícia também destaca a linha para cuidados especiais, com itens como a Base Recuperadora – formulada com hidrolisado de queratina, que auxilia na recuperação das unhas quebradiças – e a Cobertura Extra Fosca, que proporciona acabamento fosco e acetinado instantaneamente, em qualquer cor de esmalte, com secagem ultrarrápida.
 
   A marca também pegou carona no sucesso dos “emoticons”, com o lançamento da coleção de verão “Esmalticons”. Cada tonalidade é representada por um “emoticon” exclusivo, em variantes como “Chorei de rir” (magenta cremoso) e “De boa” (verde cremoso).
 
   A cada nova coleção, a Risqué desenvolve seis cores inéditas. A marca busca inspiração em tudo o que envolve a vida de suas consumidoras – da gastronomia ao mundo da música. “Moda é um conceito muito importante para a categoria esmaltes e já pertence ao DNA da Risqué. A marca olha para o mundo da moda e se inspira nesse universo, adicionando um atributo importante, que é a relação entre as cores e a expressividade. A intenção é demonstrar que, para além da moda, as cores estão em todos os momentos e detalhes, como símbolos importantes da vida moderna”, destaca a marca, por meio de sua assessoria de imprensa.
   A embalagem da Risqué passou por algumas modifi cações, que a tornaram mais moderna e ergonômica, mas sem perder o formato de cone. Um novo pincel, chanfrado e com mais cerdas, facilita a autoaplicação.
   Brancos, vermelhos e nudes são as cores de maior sucesso da marca. “O Risqué Renda é o branquinho mais vendido no Brasil há mais de 15 anos”, informa a empresa. O nude, que surgiu como uma febre há alguns anos, consolidou seu lugar entre as cores clássicas para esmaltes. A Risqué informa que a tonalidade é a que mais cresce dentro da categoria e que o nude já é a cor de esmalte mais buscada no Google. A marca lançou recentemente cinco novos tons de nude: Grão de Arroz (nude bege cremoso), Gota dos Anjos (nude rosado metálico), Lágrimas de Vênus (nude rosado cremoso), Doce Pérola (nude lilás acinzentado) e Joia das Águas (nude amarronzado cremoso).

 

Colorações

  As marcas de coloração capilar possuem portfólios com cores básicas, como preto, preto azulado, castanhos, vermelhos, ruivos e loiros – dos escuros aos claríssimos. “Além das cores regulares, há também nuances que são trabalhadas exclusivamente em cada marca e que, muitas vezes, são chamadas de edições especiais. Elas são desenvolvidas de acordo com as tendências de moda e os cabelos das celebridades”, informa a assessoria de imprensa da Biocolor.
 
   A Biocolor Beleza Absoluta Edição Especial, por exemplo, traz três nuances claras de marrom, que estão em alta este ano. A marca oferece cores alinhadas com a temporada, mas sem deixar de atender as consumidoras que procuram por cores que nunca saem de moda.
 
   As brasileiras tendem a optar por tons mais claros – loiros ou ruivos – no período de verão e por tonalidades escuras no período de inverno. “Um tom que independe de estação é o preto: essa nuance permanece com a mesma demanda durante todo o ano. Como característica do mercado, vale mencionar que tons mais escuros possuem melhor desempenho no varejo, por terem maior facilidade de aplicação em casa”, aponta a Biocolor.
 
   Em julho de 2015, a marca relançou seu portfólio, que ganhou novas embalagens, novas formulações e novos claims. A Beleza Absoluta é a principal linha da Biocolor. O produto age em apenas 20 minutos, oferece um tratamento condicionante para quatro semanas e traz na formulação uma tecnologia que suaviza o cheiro da amônia. Já o Kit Mechas permite a realização de qualquer técnica de mechas em casa, devido às características de sua formulação e à escova aplicadora, que facilita o trabalho. São novidades da marca o SOS Raiz – linha de produtos com menor teor de pigmentos, ideal para o retoque a cada 15 ou 20 dias – e a linha SOS Brilho, desenvolvida especificamente para realçar a cor, sem alterá-la.
 
   Colorir os cabelos é uma prática cada vez mais comum, o que favorece o crescimento das marcas no mercado, mesmo em tempos de crise. Além do benefício da cor duradoura, consumidores buscam colorações que preservem a saúde dos fios. Outra tendência percebida nas ruas é a dos cabelos coloridos, com as chamadas “cores fantasia”. Algumas marcas apostaram nesse mercado e lançaram nuances não convencionais, como verde, roxo, rosa e azul.
 
   Fabrízia Berbert, gerente de marketing da Lowell, acredita que atualmente a maioria das mulheres preferem cabelos com aspecto natural, de acordo com sua personalidade. “A ideia é utilizar cores que combinem com o tom de pele, o formato do rosto e a cor dos olhos. O objetivo é se cuidar a partir de tons que não deem a sensação de coloração artificial”, aponta. Um dos destaques da Lowell é a linha Color Use, específica para o tratamento dos fios coloridos. A formulação inclui ativos hidratantes, que mantêm a cor por mais tempo, e efeito selante, que promove brilho e realça o tom dos fios.
 
   “A tendência é manter a naturalidade, mas com fios iluminados. Muitas morenas que desejam clarear os fios optam pela luminosidade, utilizando tons sutis de loiro, que preservam a naturalidade da pele e do cabelo, mas agregam a elegância do brilho proporcionado por um tom mais claro. Vale lembrar que toda tendência deve estar aliada a produtos de alta qualidade e que preservem a integridade dos fios”, comenta.
 
   Kou Kin Villegas, diretor de Desenvolvimento da Niely, destaca que algumas tendências de cores nascem a partir das consumidoras, “nos salões de beleza, no meio artístico e agora também por meio da mídia digital, com as blogueiras”. Ele lembra que, historicamente, os tons naturais, como o castanho-claro, são os mais apreciados pelas brasileiras.
  “Mas essa preferência está mudando. O chocolate sempre foi o queridinho em tons de reflexo. No entanto, nos últimos cinco anos, o loiro vem ocupando essa posição. E não é a qualquer loiro que elas estão aderindo. Os mais pedidos são os tons frios, platinados e
beges”, diz.
 
  As últimas novidades da linha Cor&Ton são o Louro Muito Claro Prata e o Louro Platinado. “Em menos de um ano de lançamento, a nuance da atriz Flávia Alessandra, a 12.11 Louro Platinado, já está entre as cinco mais vendidas da empresa”, destaca Villegas. Ele aponta como tendência as cores mais evidentes, fortes e marcantes. “Essas características se estendem tanto para os tons mais vermelhos, quanto para os marrons e loiros. Os tons acobreados também estão em alta, mas devido à particularidade da cor,
não são todos os tons de pele que se adéquam a ela”, conclui.

 

Tecnologia em pigmentos

Conheça as características e os desafios das formulações de cosméticos coloridos, a evolução trazida por novas metodologias e as matérias-primas que contribuem para o desenvolvimento de produtos inovadores
 
   Avanços tecnológicos ocorridos nas últimas duas décadas facilitaram a incorporação de pigmentos em formulações cosméticas. Tratamentos e revestimentos de superfície tornaram mais prático o processo de produção, além de agregar benefícios adicionais aos produtos finais. “Décadas atrás, pigmentos inorgânicos eram obtidos basicamente via tratamento e purificação de minerais naturais que produzem cores. No entanto, a aplicação deste método não permitia produzir pigmentos com características apropriadas para algumas aplicações. Com o passar dos anos, vários métodos foram desenvolvidos, possibilitando a obtenção de produtos com propriedades que atendem – com mais efi ciência – as exigências do mercado”, menciona Sueli Martins, especialista em P&D da Brasquim.
 
  Em meados dos anos 1970, surgiram no Japão os primeiros tratamentos de superfície. Nos anos 1980, nos Estados Unidos, empresas como a Miyoshi – uma das pioneiras no desenvolvimento de tratamentos de superfície por meio de silicones – iniciaram suas atividades. “Esses tratamentos ganharam maior popularidade no início dos anos 1990, com o surgimento de técnicas mais modernas, para suprir a demanda na produção de maquiagens. O objetivo foi facilitar os processos de compactação de pós e de dispersão desses pigmentos, proporcionando uma melhoria nos processos produtivos e o desenvolvimento de maquiagens de alta performance”, comenta Sueli.
 
  A tecnologia de revestimento de partículas facilitou a dispersão de pigmentos no produto cosmético, dispensando – em alguns casos – a utilização de moinhos. Pigmentos revestidos também passaram a entregar outras características à formulação, além do poder de coloração.
  “Antes focados em facilitar a incorporação dos pigmentos às formulações, hoje os tratamentos também oferecem benefícios como hidratação, uniformidade na aplicação e longa duração”, explica Isabella Borges Rathol, diretora-executiva da Kobo Brasil.
 
   O desenvolvimento tecnológico estimulou a diversificação dos pigmentos de efeito, a exemplo dos difusores ópticos, utilizados para minimizar sinais e linhas de expressão em itens de maquiagem. “A Merck, como líder do segmento, foi responsável pela criação de diversas técnicas pioneiras, que permitiram a evolução da categoria”, diz Thalita Estima de Jesus, gerente de vendas da área de Functional Materials.
 
  Dentre essas inovações, ela menciona a tecnologia multilayer, “que permitiu a criação dos pigmentos de interferência coloridos e
não os brancos; a tecnologia color travel, que permitiu a criação de pigmentos que mostram até três cores (efeito furta-cor); o uso do
substrato alumina, que garante maior brilho, e também do substrato glass-fl ake, à base de borossilicato, que permite brilho intenso por uso de tamanho de partículas maiores.”
 
  Ao longo dos anos, a evolução de metodologias e equipamentos também contribuiu para uma avaliação analítica criteriosa, no que se refere à pureza dos materiais. “Novos softwares de análise de cor trouxeram a possibilidade de minimização de ajustes em lotes de produção. Os requerimentos regulatórios também têm caminhado no sentido de não apenas exigir, mas dar direcionamento, para que os itens de cor estejam em conformidade com a utilização em cosméticos”, aponta Eliana Siqueira, diretora técnica
da Sensient.
 
  Carlos Fernando de Abreu, CEO da Colormix, ressalta que o progresso tecnológico também vem se concentrando na produção
de pigmentos e corantes sustentáveis, com baixa toxicidade e ausência de geração de efluentescontaminantes durante a sua produção. “Esses avanços ainda têm levado em consideração a redução do consumo de energia e água para a fabricação dos produtos finais. As cores sempre estarão associadas ao desenvolvimento humano. Portanto, esses produtos seguirão exigindo inovações quanto a sua capacidade de não agredir o meio ambiente”, afirma.
 
   A RDC 44, de 9 de agosto de 2012, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabelece a lista de substâncias corantes permitidas para uso em cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes. A Anvisa também informa o tipo de aplicação permitida para essas substâncias, numa classificação que varia de 1 a 4. A lista traz corantes que podem ser utilizados em todos os tipos de produtos (coluna 1); em todos os tipos de produtos, exceto aqueles que são aplicados na área dos olhos (coluna 2); exclusivamente em produtos que não entram em contato com mucosas, nas condições normais ou previsíveis de uso (coluna 3); e exclusivamente em produtos que tenham breve tempo de contato com a pele e os cabelos (coluna 4).

 

Formulações

Os corantes proporcionam transparência ao meio em que são aplicados, por conta de sua solubilidade. “Contudo, sua estrutura muitas vezes é atacada por fatores como agentes oxidantes, pH extremos e ação da radiação ultravioleta, que degradam suas moléculas e ocasionam perda de cor. É sempre importante conferir proteções de embalagem ou protetores de cor, para evitar contratempos durante o período de estabilidade”, diz Eliana, da Sensient.
 
  “Já os pigmentos costumam ser mais resistentes à perda de cor por aquecimento ou pela ação de agentes químicos. Um ponto importante para uma boa estabilidade dos pigmentos é trabalhar na abertura destes, por meio de um sistema adequado de homogeneização, uma vez que as partículas têm certa dureza e tendem a se reaglomerar com o tempo”, acrescenta.
 
  Isabella, da Kobo, lembra que os pigmentos têm grande impacto na formulação, tanto pela sua característica química, quanto pela concentração de uso, “que é muito variável e pode ultrapassar 20% da fórmula, dependendo do tipo de composição e do efeito desejado”. Por essas e outras razões, o desenvolvimento de cosméticos coloridos impõe alguns desafios aos formuladores.
 
  “Os pigmentos convencionais possuem características hidrofílicas que propiciam a formação de agregados e aglomerados, que são partículas grandes e duras e que trazem alguns inconvenientes para as formulações, como sensorial pobre, baixa dispersibilidade e baixa estabilidade química”, comenta Sueli, da Brasquim. Tratamentos de superfície – escolhidos de acordo com o tipo de produto e de benefícios que se deseja alcançar – atenuam esses problemas.
 
  “É preciso avaliar a compatibilidade do tratamento com o dispersante que se quer utilizar. Os pigmentos tratados minimizam problemas relacionados à compactação, porque possuem a capacidade de melhorar a compressão. Eles ainda possibilitam a criação de bases mais fluidas e com grande capacidade de cobertura, porque é possível adicionar maior carga de pigmentos, sem comprometer a viscosidade do sistema, além de proporcionar maior desenvolvimento da cor”, explica.
 
  A formulação de esmaltes apresenta algumas particularidades, como as relacionadas a sinerese (separação de fases), secagem rápida e brilho. “As concentrações de solventes, plastificantes e resinas, que formam a base do esmalte, devem ser bem trabalhadas para suspender os pigmentos, a fim de evitar esses problemas”, aponta Abreu, da Colormix.
 
  A formulação de esmaltes inclui a adição de agentes de suspensão, cuja ação tixotrópica evita a deposição dos pigmentos no fundo dos frascos. Em esmaltes cintilantes, metálicos e perolados, os efeitos intensos de cor e brilho são obtidos graças à adição de pigmentos à base de mica (cintilantes e perolados),oxicloreto de bismuto (perolados sedosos) e pigmentos metalizados (metálicos).
 
“Já o segmento de tintura capilar exige a presença de profissionais que possuam bastante conhecimento de colorimetria e tinturas, pois a combinação das diferentes substâncias acopladoras com as bases é que revelará a cor, em presença do agente oxidante”, declara.
  Isabella ressalta o crescimento representativo de produtos multifuncionais no mercado – como BB creams e fotoprotetores com cor.
“Esse crescimento levou algumas empresas [que atuavam em outras categorias] a entrar no segmento de cosméticos coloridos. Porém, o grande desafio é que, quando se trabalha com cor, é necessário ter um colorista em produção e fazer investimentos em P&D e em controle de qualidade, para os ajustes de cor inerentes ao processo”, diz.
 
   Thalita, da Merck, destaca a importância da fiel reprodutibilidade da cor, lote a lote: “quando falamos em cosméticos coloridos, qualquer pequeno desvio pode causar impacto negativo ao consumidor final.”
 

 

Tendências

  Para atender as demandas por multifuncionalidade em itens de maquiagem, surgem novas tecnologias de tratamentos de superfície que proporcionam melhora das características de dispersão, aderência e estabilidade dos pigmentos. “Já possuímos tecnologias que possibilitam o desenvolvimento de tratamentos híbridos, que proporcionam diversos benefícios em um só revestimento. São exemplos os pigmentos tratados com aminoácidos vegetais, que promovem hidratação para a pele, além de desenvolver excelente sensorial. Também vemos o surgimento de pigmentos com tratamentos naturais, seguindo uma forte tendência mundial”, aponta Sueli.
 
  No segmento de esmaltes, Abreu destaca a tendência de formulações à base de água, “nas quais não constam solventes, plastificantes e formaldeídos. São esmaltes indicados para consumidores que possuem alergia ao esmalte comum e também para crianças”. No que diz respeito às linhas de coloração capilar, estão em evidência as máscaras matizadoras ou realçadoras de cor.
  Essas máscaras são formuladas especificamente para cada cor de cabelo – loiro, vermelho, castanho e preto – com o objetivo de realçar a cor já existente e manter o brilho. As exceções são as máscaras para cabelos loiros, que têm como função principal eliminar o aspecto amarelado dos fios. “Para as máscaras matizadoras, são utilizados os corantes de deposição, também conhecidos como corantes temporários. Em tinturas capilares, as consumidoras estão buscando condicionamento, ou seja, cabelos hidratados já no processo de mudança de cor”, afirma.
  Assim como o efeito soft focus, proporcionado pelos pigmentos de efeito, uma das grandes tendências em maquiagem são os sistemas ultrafluidos, empregados no desenvolvimento de bases fluidas e batons líquidos. “Quando se trabalha com pigmentos, o primeiro desafio é estabilizar e dispersar estas partículas de forma totalmente homogênea. No entanto, grande parte dos agentes estabilizadores e suspensores agregam viscosidade ao sistema, impossibilitando uma formulação ultrafluida”, comenta Isabella.
 
  Ela explica que os pigmentos convencionais, quando dispersos, formam pastas pigmentárias de alta viscosidade, indo na contramão da nova tendência. “Para conseguir formular produtos estáveis e fluidos, é imprescindível trabalhar com uma nova geração de pigmentos, que sejam superdispersíveis e que não agreguem viscosidade à formulação”, completa.
  Para Isabella, após uma longa temporada de mates e opacos, a grande tendência para esmaltes e batons é o efeito metalizado. Para atingir um efeito “supermetálico”, é preciso empregar pigmentos de efeito que promovam alta cintilância e cobertura.
 
   Thalita também menciona a demanda por efeitos metálicos – com intensa cobertura e brilho para unhas, olhos e lábios – e a crescente valorização de uma pele iluminada. “Vale destacar o termo ‘strobing’, trazido do inglês em referência às luzes intensas das baladas, e que basicamente significa ‘iluminar alguns pontos estratégicos do rosto, para trazer o sonhado efeito iluminador’”, diz

 

Matérias-primas

  A BASF tem dois lançamentos: o Flamenco Summit Aqua A80H e o Reflecks Dimensions Brilliant Gold GY80D. O primeiro “proporciona um tom de azul único, com um brilho intenso, que amplia o leque de possibilidades em maquiagem e aplicações para a pele. O nome Aqua simboliza pureza e serenidade, desde um tom perolado branco até um azul digital de profundidade”, comenta Dayane Spassatempo, analista de marketing sênior para Pigmentos na América do Sul da BASF. O Reflecks Dimensions Brilliant Gold GY80D oferece uma intensa reflexão dourada com alto brilho, efeito reluzente e alto chroma. “O dourado continua a ser tendência nas passarelas, variando entre tons de rosa vibrantes, cobres quentes e acentos marrons”, ressalta.
 
   O portfólio da Colormix conta com os pigmentos de efeito da Eckart (pérolas sintéticas, borossilicatos, pigmentos metálicos e pigmentos para esmalte); os modificadores reológicos da BYK; e os pigmentos orgânicos e corantes da empresa Neelikon. Outros destaques são os ultramarines da Nubiola, “maior produtora de ultramarines do mundo; as pérolas naturais da Ruicheng; os óxidos de ferro da Yipin; e o dióxido de titânio da Kronos. Essa gama pode ser aplicada em todas as linhas de maquiagem e esmaltes e, ainda, em alguns produtos corporais e capilares”, aponta.
 
  Para a área de tinturas capilares e produtos matizadores, a empresa disponibiliza os corantes temporários da Briscent e os corantes
oxidativos da DCC Ningbo. “Para esses produtos, ainda podem ser utilizados os ultramarines, modificadores de reologia e pérolas”, conclui.
 
  Vanessa Silva, coordenadora de Tecnologia e Inovação da Cosmotec, ressalta as propriedades das dispersões de pigmentos SW, da Kobo; os pigmentos Soft-Tex, da Sun Chemical; o Magicolor 140-P, da Biogenics; e a linha Jarocol, da Vivimed. A linha SW oferece dispersões de pigmentos tratados com ITT (Isopropyl titanium triisostearate), que possuem éster sintético como veículo. Prontas para uso, elas dispensam a utilização de equipamentos para moagem, podendo ser adicionadas ao produto com agitação simples. “Seu tratamento de superfície permite maior aderência do pigmento à pele, aumentando a duração na aplicação”, informa.
 
   Os pigmentos orgânicos e inorgânicos Soft-Tex têm distribuição de tamanho de partículas uniforme, permitindo maior facilidade na dispersão e maior abertura da cor, o que geraeconomia no processo produtivo. A linha Magicolor 140-P é composta por óxidos de ferro encapsulados por dióxido de titânio. “A cor original do produto é revelada ao aplicar uma leve pressão sobre a pele. Eles possuem dupla camada de revestimento, sendo ideais para aplicação em emulsões e outros produtos líquidos”, explica.
 
  A linha de corantes capilares Jarocol “é a solução ideal para atender as últimas tendências de formulações de coloração permanente, semipermanente e temporária”, diz Vanessa. A combinação entre os corantes da linha permite ao formulador criar uma ampla variedade de cores para diferentes aplicações, que vão dos efeitos temporários às cores permanentes, com longa durabilidade.
  “As tecnologias usadas nos corantes Jarocol Cherry Red, Jarocol Citrus Yellow e Jarocol Flame Orange, por exemplo, permitem o desenvolvimento de colorações temporárias com cores que vão das vibrantes aos tons pastel, de acordo com as tendências. Eles oferecem fácil solubilização e são efi cazes em baixas concentrações”, salienta.
 
   Com foco no processo de ajuste de cor em produtos coloridos para a face, a Kobo apresenta os produtos da linha KoboGel, disponíveis em duas versões: uma, à base de silicone e outra, com base aquosa. Ambas são comercializadas em três tonalidades.
  A série de cores KoboGel D5, dispersas em gel elastômero, está disponível nos tons claro, médio e escuro. A utilização desses produtos facilita o ajuste de cor e confere um toque aveludado à formulação. Com alta espalhabilidade, o pigmento também contribui para o benefício de longa duração e oferece o efeito soft focus, para o disfarce de imperfeições.
   KoboGel Aqua é um sistema de gel aquoso disponível nos tons claro, médio e escuro. A utilização dessa série de produtos oferece uma experiência sensorial de diferentes texturas, “com uma aplicação inicial leve e suave, seguida por um sensorial aveludado”, ressalta Isabella.
 
   A linha de pigmentos tratados TTB confere alta lipofilicidade e hidrofobicidade às formulações e é compatível com óleos, ésteres e silicones. “Os pigmentos estão disponíveis em uma ampla gama de cores e molham facilmente em diversos veículos, sem agregar viscosidade e permitindo a criação de sistemas ultrafl uidos em bases líquidas, batons e fórmulas anidras”, comenta.
   A Kobo desenvolveu uma linha voltada exclusivamente ao mercado latino-americano, a K-RAY. Indicada para esmaltes metálicos, ela transmite cor e efeito visual e está disponível em três substratos diferentes: mica natural, mica sintética (Synthetic fluorphlogopite) e borossilicato de cálcio.
 
   Dentre os destaques da Merck, Thalita menciona o Xirona Le Rouge, um pigmento vermelho similar aos corantes orgânicos, “mas totalmente estável e livre de corantes como o carmine e outras categorias proibitivas em cosméticos”. “Temos o Ronastar Diamond Black IQ, o único pigmento preto que brilha, o que é um grande desafio, já que a cor preta absorve e não reflete a luz. O Ronastar Lapis Jewel é um pigmento azul à base de borissilicato, com partículas grandes e um brilho incrível, e o Timiron Halo White é um pigmento prata de partícula pequena e intensa cobertura, que promove excelente efeito iluminador. É ideal para o efeito strobing”, descreve.
 
 A Sensient está lançando o UVR TiO2 AS, desenvolvido especialmente para a utilização em produtos para proteção solar, incluindo formulações com alto FPS. “Esse pigmento é tratado de forma a proporcionar alta performance de hidrofobicidade e aumentar a resistência à água e ao suor. Ele oferece boa substantividade à pele, proporcionando proteção UV e ótima transparência”, comenta Eliana.
   A empresa também apresenta um novo tipo de tratamento derivado do flúor, o FSP, que confere efeito de longa duração em produtos de maquiagem, devido às suas propriedades hidrofóbica e lipofóbica. A linha de corantes capilares Arianor ganhou uma extensão de cor, a Arianor Magenta, corante catiônico de deposição e de oxidação, que proporciona aplicações para cores naturais, cromáticas ou em tons pastel.

 

Vejo cores em você

   

 

 

 

 

 

 

 

 

    Uma profusão de tonalidades, efeitos e texturas faz a alegria das consumidoras, que encontram opções cada vez mais diversificadas nas prateleiras. Alinhada às tendências de moda, a indústria investe em tecnologia  e criatividade para apresentar inovações em esmaltes, colorações capilares e itens de maquiagem

 

 

 

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