21 de Outubro de 2018

Fragrâncias em Cosméticos/Aromaterapia/Preservantes

Edicao Atual - Fragrâncias em Cosméticos/Aromaterapia/Preservantes

Editorial

Economia versus Turbilhão Político: a Salvo da Crise?

 

Dos editoriais dos principais veículos de comunicação às conversas de bar, o assunto não muda: novas denúncias,  novas surpresas, o mesmo espanto. Por isso é tão difícil deixar de registrar aqui, mais uma vez, nossas impressões e preocupações quanto a esse novelo que parece não ter fim. E agora, pasmados, vemos as denúncias chegarem ao  Ministro da Fazenda, Antônio Pallocci. Mais estupefação, inquietação no mercado e a pergunta: como ficam as  expectativas quanto aos rumos da economia?

 

De acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que se mantém longe de prestar maiores explicações à sociedade - apesar do turbilhão da crise política, as linhas de ação permanecerão as mesmas e não haverá mudança de rumo ou sustos na economia. Durante uma reunião do CNDI (Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial), ele enfatizou que a política econômica manterá a mesma linha de previsibilidade. Enquanto isso, obviamente, sua  popularidade despenca – de um índice de aprovação de 54% em julho, para 45% em agosto, segundo o Ibope.

 

Por ora, alguns dados deixam o panorama econômico menos sombrio, como o volume de dinheiro programado para entrar em circulação neste semestre – cerca de R$ 64 bilhões, oriundos do 13°, PIS e restituições do IR – que deve aquecer a produção e o consumo, além de reforçar a blindagem da economia contra toda essa crise política. O  presidente da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), João Carlos Basílio - para quem nossa economia continuará se mantendo a salvo da crise - acredita na manutenção do cenário econômico e que “continuaremos avançando, com modestos crescimentos do PIB”. É, navegar é preciso...

 

... Mesmo por mares agitados, como os que já navegou a Perfumes Mauá, empresa com mais de 30 anos, que tem um pouco de sua história narrada no Especial desta edição de Cosmetics & Toiletries (Edição em Português), que traz  artigos técnicos sobre Fragrâncias em Cosméticos, Aromaterapia e Preservantes, além de uma breve reportagem  sobre a trajetória desta publicação que recentemente chegou ao número 100.

 

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Editor

A Essência das Fragrâncias - Randy Schueller, Perry Romanowski Alberto Culver, Melrose Park, Illinois, Estados Unidos

Este artigo apresenta a química da fragrância aos iniciantes, quando é feita uma analise de seus ingredientes, seu processo de desenvolvimento, problemas da formulação e a legislação da União Européia sobre Fragrâncias

Esse artículo presenta La química de la fragancia a los principiantes, cuando se efectua um análisis de SUS ingredientes, su proceso de desarrollo, problemas de formulaciones y la legislación de la Unión Europea sobre Fragancias

This article introduces the beginner to fragrance chemistry by discussing fragrance ingredients, the development process ,formulation issues and fragrance regulations in the EU

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Novas Alternativas de Misturas de Preservantes à Base de Parabenos - Klaus Weber Schülke & Mayr GmbH, Norderstedt, Alemanha

A adição de diazolidinil uréia a uma mistura de ácidos orgânicos (como benzoato de sódio e sorbato de potássio) amplia a faixa do pH na qual a mistura é utilizavel, chegando até o nível de pH 7, protege contra descoloração, e serve de alternativa às misturas preservantes baseadas em parabenos.

La adicción de dizolidinil urea a una mezcla de ácidos orgánicos (como benzoato de sodio y sorbato de postasio) amplía la faja de pH em el cual la mezcla ES utilizable, llegando hasta on nivel de pH 7, protege contra la decoloración, y sirve como alternativa para las mezclas preservantes basadas en parabenos.

Adding diazolidinyl urea to a blend of organic acids (i,e,, sodium benzoate and potassium sorbate) extends this sample blend’s applicable pH range up to a pH level of 7, provides protection from discoloration, and offers an alternative to paraben-based preservative blends.

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Aromaterapia: um Aroma Terapêutico - Elisabete de Fátima Manso Clínica Projeto Corpo, São Paulo SP, Brasil

São descritas as propriedades dos óleos essenciais utilizados em Aromaterapia e sugerido o seu uso em produtos cosméticos.

Son descriptas las propiedades de los aceites esenciales utilizados em Aromaterapia y sugerido su uso en productos cosméticos.

The Aromatherapy essencial oils properties are described and the use of these oils in cosmetics products is suggested in this article.

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Ésteres de Grau Alimentício como Antimicrobianos - Monna Manning, Philip Orawski ABITEC Corporation, Columbus, Ohio, Estados Unidos

Alguns ésteres de grau alimentício apresentam propriedades antimicrobianas em certas formulações de emulsões de produtos de cuidado pessoal, conforme ficou demonstrado em testes MIC e testes de desafio em produtos acabados preservados com esses ésteres ou, por comparação, com antimicrobianos cosméticos tradicionais.

Algunos ésteres de grado alimenticio presentan propiedades antimicrobianas em determinadas formulaciones de emulsiones de producto de cuidado personal, como quedó demostrado en pruebas MIC y pruebas de desafio em productos terminados preservados com esos esteres o, por comparación, con antimicrobianos cosméticos tradicionales.

Certain food-grade esters have antimicrobial properties in selected personal care emulsion formulations, as demonstrated by MIC tests and by challenge tests on finished formulations preserved by these esters or, for comparison, by traditional cosmetic antimicrobials.

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Atividade Antimicrobiana Sinérgica de Óleos Essenciais - Rodrigo Novacoski, Rosângela Stadnick Lauth de Almeida Torres Núcleo de Ciências Biológicas e da Saúde, Centro Universitário Positivo - UNICENP, Curitiba PR, Brasil

Os autores relatam a pesquisa de uma mistura eficaz e estável de óleos essenciais para aplicação como preservante natural em cosméticos.

Los autores describen La pesquisa de una mezcla eficaz e estable de aceites esenciales para aplicación como conservante natural em cosméticos.

The authors describe the research of a real stable and efficacious essential oils blend suitable to be utilized as natural cosmetic products preservative.

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Carlos Alberto Trevisan
Mercosul por Carlos Alberto Trevisan

Terceirização

A reunião do SGT 11 Saúde/Comissão de Produtos para a Saúde/Grupo Ad Hoc de Cosméticos, realizada em Assunção em 30 de maio e 1 de junho passados, promoveu significativo avanço na discussão das regras da terceirização.

Nessa oportunidade foi elaborada proposta de regulamentação da atividade no Setor da qual vamos transcrever os itens principais, que no seu artigo 1º estabelece as seguintes definições:

Terceirização: é a contratação de serviços de terceiros para a execução de etapas de fabricação ou fabricação total de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes.

Empresa Contratante: empresa titular de produtos, que contrata serviços de terceiros, responsável por todos os aspectos legais e técnicos vinculados com o produto e processo objeto da terceirização.

Empresa Contratada: empresa que executa etapas de fabricação ou fabricação total de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, co-responsável pelos aspectos técnicos e legais inerentes à atividade objeto da terceirização. Chamada empresa terceirista.

Contrato: é o documento devidamente legalizado em cada Estado Parte que estabelece o vínculo entre as empresas envolvidas nas atividades objeto desta Regulamentação.

Fabricação/Manufatura: todas as operações necessárias para a obtenção dos produtos contemplados pela legislação sanitária vigente.

Produção/Elaboração: operações envolvidas na preparação de determinado produto desde o recebimento dos materiais, processamento, embalagem, até a conclusão do produto acabado/ terminado.

Representante Legal: pessoa que representa a empresa e responde administrativa, civil, comercial e penalmente pela mesma.

Responsável Técnico/Diretor Técnico/ Regente: profissional legalmente habilitado pela Autoridade competente para exercer a responsabilidade técnica das atividades desenvolvidas pela empresa e reguladas pela legislação sanitária vigente.

O artigo 2º dessa proposta estabelece que: Será permitido o contrato de terceirização entre empresas para a execução de etapas da fabricação ou fabricação total de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, sempre e quando se cumpra o disposto pelo presente Regulamento.

Quanto à habilitação das partes, contratante e contratada, está explicitado no artigo 3º: As empresas contratantes e contratadas que realizem contrato de terceirização devem dispor de Autorização de Funcionamento/ Habilitação/Licença de Funcionamento vigentes, expedidos pelas autoridades sanitárias competentes, antes do início das atividades. As empresas contratadas devem contar com a habilitação para as atividades objeto do Contrato.

Já o artigo 4º estabelece a amplitude das responsabilidades: Para as etapas de fabricação derivadas a terceiros, a planta e distribuição física industrial do contratado são consideradas como extensão da empresa contratante, e como tal, são passíveis de inspeção pela autoridade sanitária competente, em conformidade com as Boas Práticas de Fabricação vigentes.

Somente produtos regularizados podem ser armazenados , como estabelece o artigo 5º: A terceirização dos serviços de armazenagem somente está permitida para os produtos devidamente regularizados junto à autoridade sanitária competente.

A responsabilidade do controle de qualidade não pode ser transferida a terceiros (artigo 6º): O controle de qualidade em processo na etapa de produção/elaboração é privativo da empresa fabricante do produto, portanto não pode ser terceirizado.

Entretanto, há exceções como aquelas previstas no artigo 7º: O fabricante pode contratar terceiros para a realização de controle de qualidade somente quando:

a) O grau de complexidade da análise torna necessária a utilização de equipamentos ou recursos altamente especializados;

b) A freqüência com que se efetuam certas análises é tão baixa que torna injustificável a aquisição de equipamentos para tal fim;

Os fabricantes devem realizar contratos, nos casos previstos neste artigo, com laboratórios analíticos capacitados e reconhecidos pela Autoridade Sanitária competente.

Como podemos observar, as regras são bastante claras quanto aos objetivos pretendidos e permitem que as partes envolvidas na atividade de terceirização possam realizá-la com bom critério, preservando a qualidade do produto e por conseqüência a segurança do consumidor.

Direito do Consumidor por Cristiane Martins Santos

Telefonia: Novo Alvo dos Consumidores

A cada dia novas surpresas, realizações e a criação de um hábito de luta são observadas através das diversas conquistas obtidas pelos consumidores nestes últimos anos.

Atualmente, o novo foco, sedento por mudanças, é o dos serviços de telefonia.

De acordo com o artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor - CDC:

Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos.

Parágrafo único – Nos casos de descumprimento total ou parcial, das obrigações referidas neste artigo, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma prevista neste Código.

O setor de comunicação telefônica, considerado um serviço essencial, vem ocupando há algum tempo os primeiros lugares no ranking de reclamações por parte dos consumidores.

Além de oferecer um serviço digno de tantas reclamações, ainda cobra pela “assinatura básica” – na qual está embutida uma franquia de pulsos (100 pulsos para consumidores residenciais e 90 para os não- residenciais).

Impor uma quota mínima de consumo para disponibilizar um serviço público essencial é uma prática considerada abusiva pelo CDC.

Art.39 – É vedada ao fornecedor de produtos ou serviços dentre outras práticas abusivas:

I – condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;

Diante de tamanha ilegalidade a Justiça parece começar a se sensibilizar.

Uma liminar determinando a suspensão da cobrança da taxa de “assinatura básica” em todo país havia sido concedida ao INADEC (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor), no último dia 1º de agosto. Entretanto, a mesma foi cassada três dias depois, após a interposição de recurso por parte da Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL. Outro recurso foi interposto pelo INADEC, mas até a publicação desta coluna ainda não se tinha uma decisão.

Por enquanto devemos continuar pagando a famosa taxa e aguardar. Essa briga é grande e ainda vai longe... Só se espera que o consumidor não continue sendo lesado em detrimento de certos interesses, já que segundo as empresas de telefonia os recursos arrecadados por meio desta cobrança representam 40% de seu faturamento (R$ 1,6 bilhão por mês)!

Ainda no campo da telefonia tem-se uma outra decisão judicial que também reflete a luta dos consumidores: um juiz da Justiça Federal em Brasília concedeu uma liminar, válida em todo país, que impede a estipulação de prazo de validade para os créditos de celulares pré-pagos por parte das operadoras – que até então tinham validade de até 90 dias.

Será que está liminar também será cassada?

Isso vai depender de quanto isto representa...

A vez da Qualidade por Maria Lia A. V. Cunha / Friedrich Reuss

Qualidade, a ISO para o USO

Qualidade, apesar de todas as teorias surgidas nos últimos tempos, é um conceito muito antigo. A sua formalização em sistemas e posteriormente em normas fez com que estes conceitos tivessem sido sistematizados e popularizados. Em todas as formas antigas de arte, de pinturas em igrejas ou nas próprias edificações, assim como nas grandes obras de engenharia do antepassado, nas construções da velha Grécia e nas decorações dos mosaicos dos banhos romanos, a Qualidade do artesão e do engenheiro sempre esteve presente, tanto na excelência da forma artística como na durabilidade de suas obras.

Já no século 19 tem-se como marca do treinamento a função do aprendiz, que conhecendo passo-a-passo todos os segredos de uma profissão, desde a realização de trabalhos práticos e teóricos até se tornar, mais tarde, um mestre na sua profissão. Esta forma de aprendizado dual na indústria e no comércio foi instituída no Brasil juntamente com a legislação trabalhista implantada na Itália nos anos 40 – por essa razão o agente motivador de SENAI e de SENAC, quando de sua fundação, foi a grande colônia italiana de São Paulo.

Da mesma forma que o artesão, a indústria química e mecânica do século 18 também já dominavam os principais conceitos da Qualidade de organização e de produtos. Caso contrário, empresas como a Dupont - fundada em 1802, que produziu pólvoras até 1904 - e as indústrias químicas européias, em especial as alemãs que iniciaram após 1850, não teriam sobrevivido até os dias de hoje. A qualidade intrínseca e sua constância sempre foram os marcos de todos os grandes nomes da época. Foi em meados de 1800 que a Inglaterra iniciou a construção de pontes e a fabricação de material ferroviário, ainda hoje operante e distribuído por praticamente todos os países do mundo.

No final de 1800 surgiram os primeiros motores a explosão interna e se iniciou a fabricação de automóveis. É desta época que conhecemos, por exemplo, uma frase de Robert Bosch, fundador de uma grande empresa de autopeças, que na época fornecia bomba injetora para os motores construídos por Rudolf Diesel, que com justo orgulho dizia: “eu não posso admitir que algum cliente encontre em meus produtos motivos para reclamações de qualidade”. Henry Ford também não teria obtido êxito com os seus antigos “Ford bigode” se não tivessem elevada qualidade, durabilidade e preço acessível, características provenientes de trabalho com qualidade e produtividade.

Os períodos pós-guerra, no entanto, com as fábricas anteriormente ocupadas na produção de material bélico, detinham consumidores ávidos pela aquisição de produtos civis. O mercado estava tão desabastecido que qualquer bem que se produzisse era vendido.

A Qualidade foi deixada em segundo plano por muito tempo. Isto perdurou até que o mercado se tornou devidamente abastecido e mais crítico em relação à escolha dos produtos, à qualidade e ao custo, iniciando uma nova fase, com novos conceitos de Qualidade.

Iniciou-se a procura por produtos mais duradouros, em seguida por produtos que apresentassem diferenciais em termos de cor, de facilidades de uso e de todas as características que hoje em dia são valorizadas, não esquecendo também o valor da inovação e do status.

A dificuldade da venda dentro de um mercado cada vez mais competitivo requer que a Qualidade, sob todos os aspectos, seja maximizada. Para gerenciar todas estas exigências, desde a satisfação do cliente, passando por distribuição, economia de escala, produtividade, durabilidade, segurança de uso, redução dos impactos ambientais, aumento da segurança operacional, gestão de custos, satisfação dos colaboradores, redução de perdas, redução de acidentes, dentre outras, torna-se necessária a instalação de um sistema de gerenciamento da organização – um sistema que planeje, organize, amarre e promova a comunicação efetiva entre todos os componentes, departamentos e pessoas da organização.

O sistema de maior sucesso encontrado até agora é a Norma ISO 9001:2000, um sistema de gerenciamento de organizações suficientemente flexível e adequadamente completo para ser aplicado a qualquer tipo de empresa, podendo abranger desde pouquíssimas pessoas até o volume de uma multinacional.

Para gerenciar a inserção da organização no meio ambiente, a ISO 14001 representa uma ferramenta completa para gerenciar todas as interferências positivas e negativas com o meio ambiente e, se considerarmos o homem como o principal objeto do meio ambiente a ser protegido, esta mesma norma também servirá para o gerenciamento da saúde e da segurança ocupacional.

Temas Dermatológicos por Dra. Denise Steiner

Celulite

Celulite é o nome popular, que ficou consagrado, daquilo que chamamos lipo (gordura) distrofia (alteração) ginóide (feminina), nos termos médicos e científicos.

A celulite é multifatorial, aparecendo devido a problemas hereditários, hormonais e circulatórios, principalmente na área das nádegas e pernas. As mulheres com características mais arredondadas e femininas (quadris largos e pernas grossas) têm mais chances do aparecimento desta alteração, enquanto aquelas com pernas finas e seios grandes, não.

A celulite não é somente gordura ou obesidade, mas sim uma série de alterações seqüenciais que determinam a formação de um tecido irregular repleto de fibrose. Tudo começa com retenção de líquido, principalmente no período pré-menstrual, provocando um engurgitamento dos vasos e dificultando a irrigação daquele tecido. A pele fica mais inchada e a mulher tem a sensação de peso e dolorimento. Além disso, o hormônio feminino estrógeno também facilita o acúmulo de gordura nesta região. Os culotes, nádegas e coxas têm maior quantidade de gordura localizada com menor tendência a metabolização. Além da retenção hídrica e também do aumento de gordura, os vasos superficiais dilatam visivelmente nos membros inferiores, levando à piora da circulação, dor e peso nas pernas.

Com o passar do tempo a irrigação nas áreas de celulite vai se tornando irregular e o tecido acumula toxinas, formando traves endurecidas. Os vasos vão ficando com as paredes mais duras e rígidas e não conseguem oxigenar os tecidos. Neste momento a pele vai demonstrando caroços e também depressões devido a uma intensa fibrose (cicatriz) que repuxa a pele para baixo. Estas regiões ficam muito doloridas e pesadas.

É bom lembrar que celulite não é obesidade e que mesmo mulheres magras podem tê-la. O hormônio feminino favorece a retenção hídrica e o acúmulo de gordura e por isso as mulheres têm muito mais celulite que os homens.

A celulite não é causada por fator único, mas sim por um processo de inchaço, acúmulo de gordura, má irrigação e formação de traves fibrosas que depois são irreversíveis.

O tratamento da celulite é multidisciplinar e não há um único remédio que provoque a cura. É importante praticar exercícios físicos para melhorar a irrigação da pele e a musculatura, além de alimentação equilibrada para evitar excesso de peso e acúmulo de gordura. Além disso, a drenagem linfática, que ajuda a retirar o excesso de líquido, é muito útil neste tratamento. Nesta massagem especial, são pressionados delicadamente os gânglios no trajeto linfático, evitando o acúmulo de excesso de líquido. Esta deve ser realizada por profissionais especializados, que conheçam a anatomia da pele e a técnica de massageamento.

Podem ser utilizados tratamentos por via oral, porém não existe uma medicação única específica. Deve-se evitar o sensacionalismo e as curas milagrosas, que são impossíveis de serem alcançadas pela própria característica do processo.

As substâncias utilizadas são: diuréticos, para evitar retenção hídrica; medicamentos lipolíticos, para metabolizar gordura e outros para melhorar a oxigenação vascular. Também são realizados tratamentos específicos, como hidrolipoclasia (tratamento para gordura localizada, aplicando-se soro e ultra-som). Através desta técnica, por causa da distensão das células gordurosas e do calor liberado pelo ultra-som, as células gordurosas são destruídas e metabolizadas.

Pode-se realizar também a subcisão, que é uma técnica especial para as depressões (furinhos). O local é anestesiado e então se entra com uma agulha especial. Com movimentos de vai-e-vem se desfaz a fibrose acumulada. No local da subcisão se forma um hematoma, depois o tecido refaz novas fibras mais adequadas e a depressão desaparece. Evitar estresse excessivo, bebidas alcoólicas e excesso de cafeína também é muito importante.

Como observamos, tratar a celulite depende de uma avaliação adequada e de um conjunto de ações que possam corrigir os vários problemas causados por esta dermatose.

Não há milagre, e sim a boa fé dos pacientes.

Tricologia por Dr. Valcinir Bedin

Fragrâncias, Cores e Produtos Capilares

O apelo sensorial nos cosméticos sempre foi uma preocupação de quem atua no departamento de pesquisa e desenvolvimento de produtos. A sensação de bem-estar é fundamental para a boa aceitação de qualquer produto.

Com relação aos produtos capilares este item está diretamente relacionado com a percepção de efetividade.

Um shampoo de cor creme ou amarelado para caspa teria muito sucesso? Acredito que não! Portanto, em se tratando de shampoos, a cor está muito relacionada com a função a qual se destina. As cores cítricas são as mais utilizadas para aqueles cuja função seja diminuir a oleosidade e a seborréia.

As cores pastéis servem para aqueles que se propõem a hidratar ou manter a oleosidade natural. Para cabelos tintos prefere-se cores mais vibrantes como o vermelho ou cereja. Para cabelos grisalhos cores como o azul claro ou a prata são as mais indicadas.

Para produtos do tipo leave in, as cores transparentes são as melhores em termos de percepção, já para os condicionadores as preferidas são as cores cremosas, que passam o sensorial de “hidratação”.

Com relação às fragrâncias é muito importante que saibamos unir os odores próprios dos princípios ativos com os perfumes, para que o resultado não se torne, no mínimo, desagradável. Nesse tópico a tarefa é um pouco mais árdua, uma vez que o gosto pessoal do cliente tem um peso muito maior.

É comum que, depois de observar a cor, o usuário tente sentir qual o odor do produto, mesmo quando este está tampado adequadamente. É óbvio que odores desagradáveis têm de ser suprimidos e/ou substituídos.

Com relação aos condicionadores e cremes hidratantes para os cabelos, as preocupações com a cor e com o odor são menores, uma vez que o consumidor não faz tanta questão destes requisitos, esperando muito mais o efeito imediato na penteabilidade.

Uma das queixas mais comuns relacionadas às loções capilares é em relação ao efeito adverso na penteabilidade (o cabelo fica “ressecado”, difícil de pentear etc) e ao odor. As loções são, na sua maioria, transparentes ou levemente leitosas, para que o usuário não tenha a impressão de que vai “manchar” o couro cabeludo, mas estas pecam em relação ao odor.

É difícil encontrar loções estimulantes do couro cabeludo sem odor ou com odor de fácil assimilação, além da dificuldade cosmética já referida.

Outro ponto é o excesso de odor que, às vezes, temos em alguns produtos. No afã de mascarar ou acentuar certas fragrâncias o profissional responsável acaba por não se dar conta do efeito negativo no resultado final.

Quando se trata de tinturas para cabelos e pêlos, além dos pigmentos da cor própria da tintura, os produtos coadjuvantes (despigmentantes, clareadores etc) têm, caracteristicamente, odores muito fortes, que chegam a causar irritação ocular e de mucosas oral e nasal. Compete ao formulador que os desenvolve tentar amenizar estes odores indesejáveis, em que pese que algumas vezes este trabalho acaba sendo inglório.

Atualmente está sendo muito usada uma técnica chamada “escova progressiva” ou “escova permanente”, entre outros nomes. É uma técnica na qual o profissional cabeleireiro aplica uma substância alisante (tioglicolato de amônia) para se obter um efeito de alisamento mais duradouro. Após o produto ser aplicado sobre os cabelos este é aquecido com a ajuda do dispositivo de aquecimento conhecido como “chapinha”. Isso causa a potencialização no odor do tioglicolato, que é derivado do enxofre (cheiro de ovo).

Finalmente, fixadores e sprays para estilo também podem ter sua fragrância alterada para melhor, para promover bem estar do cliente que se submete a este tipo de trabalho.

Boas Práticas por Tereza F. S. Rebello

Óleos Essenciais na Preservação de Cosméticos

Não poderiam ser mais sugestivos os assuntos abordados nesta edição da Cosmetics & Toiletries (Edição em Português): “Fragrâncias, Aromaterapia e Preservantes”. E por quê? Porque os óleos essenciais têm muito a haver com preservação de produtos.

Muitos dos estudos publicados sobre preservação de produtos cosméticos têm focado a influência de formulações com a atividade dos preservantes. Porém, esses estudos têm priorizado as interações negativas, como certos pós - talco, caolin etc. - que diminuem a concentração de alguns preservantes, como é o caso de certos compostos de amônio quaternário.

Por outro lado, pouco tem sido publicado sobre o sinergismo entre diferentes preservantes, ou seja, aquelas substâncias que podem potencializar a ação de determinados preservantes utilizados em formulações cosméticas.

De acordo com alguns autores, como P. G. Hugbo em “Additivity and Synergism in vitro as displayed by mixtures of some commonly employed antibacterialpreservatives,” (Cosmetic & Toiletries 92(3), 1977), preservantes que pertencem a grupos químicos semelhantes, como os parabenos, produzem simplesmente efeitos aditivos. Em geral, recorre-se a adição de preservantes diferentes por limitações de solubilidade ou toxicidade. Sabemos da possibilidade de irritação de grande parte dos preservantes atualmente comercializados e, justamente por esse motivo, a legislação editada pela ANVISA limita a concentração destes. Vários autores afirmam que é muito difícil obter ação sinérgica entre preservantes.

E quanto ao uso de alguns óleos essenciais ou extratos botânicos? Estamos informados de que estes auxiliam na preservação de produtos: se a ação é aditiva ou sinérgica, estudos detalhados devem ser conduzidos, pois sabemos que a presença dos componentes das formulações em combinação com o óleo pode modificar o efeito antiséptico deste último.

Mas, de qualquer modo, a ação dos óleos essenciais no combate a certos microrganismos é confirmada em estudos realizados por vários autores. Um deles, Marcel Guillot, em seu artigo “Évolution historique dans le mode d´utilization des substances odorantes,” (La France ET sés Parfums 60:311, 1968), cita a eficiência dos óleos essenciais para cosméticos perfumados. Neste estudo, entre outras afirmações, é mencionada a ação do óleo essencial obtido do Cinnamon ceylon contra Staphylococcus aureus, E. coli e Pseudomonas aeruginosa. No mesmo estudo também observamos forte ação anti-séptica do óleo de lemongrass contra S. aureus, E. coli e Proteus, mas nenhuma ação contra Psudomonas aeruginosa. Aliás, constatamos, mais uma vez, a alta resistência deste microrganismo a grande parte de substâncias antimicrobianas, incluindo os óleos essenciais.

Em um estudo mais antigo, onde é evidenciada a grande variabilidade do coeficiente fenólico dos vários óleos essenciais, observamos que o óleo de orégano é aproximadamente 26 vezes mais ativo que o fenol, enquanto o de ylang-ylang é 10 vezes menos ativo. É evidente que nestes experimentos foram utilizados apenas o óleo essencial, isto é, não foi considerada a interação entre óleo essencial e os componentes de uma formulação.

Sabemos que na composição de uma fragrância entram diferentes compostos químicos: alguns naturais, provenientes da extração do óleo essencial e obtidos a partir de flores, folhas, frutos, raízes etc, e outros que são considerados sintéticos. Por exemplo: do cravo é obtido o eugenol, um fenol com acentuada ação anti-séptica; do timo temos um óleo com coeficiente fenólico entre 13 e 14; do gerânio é obtido o geraniol, com coeficiente fenólico entre 7,0 e 12,0; já o óleo de melaleuca apresenta coeficiente fenólico 11,0 etc.

Entre as substâncias sintéticas, encontramos principalmente compostos aldeídicos e álcoois aromáticos. Sabemos que a função aldeídica apresenta ação antimicrobiana graças à complexação do grupo aldeídico com a função amina (-NH) existente na parede celular dos microrganismos. É evidente que a ação vai depender do tamanho da cadeia dos compostos aldeídicos considerados e também do tipo de formulação.

Finalizando, enfatizamos aqui o importante papel do formulador na escolha da fragrância e da concentração que deve ser utilizada no produto, para lhe proporcionar uma boa proteção contra o ataque de microrganismos.

Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Válvulas para Cosméticos

Antes de falar sobre esse componente da embalagem vamos entender a diferença entre válvula e bomba. No passado com o sistema aerosol – que utiliza um gás propelente-, só se usava válvula. A válvula é um equipamento ou dispositivo que, ao aliviar pressão expeli o produto.

Dessa forma podemos dizer que válvulas são aquelas usadas nos produtos em aerosol, nos quais a pressão é fornecida pelo propelente (gás ou ar comprimido) e o produto é expelido com o alívio da pressão desse propelente, quando a válvula é acionada.

Tecnicamente, bomba é um equipamento ou dispositivo que transporta massa de um lugar para o outro, no nosso caso, normalmente, um líquido ou um semi-sólido. A bomba para cosméticos é chamada também de bomba volumétrica alternativa.

Volumétrica porque dosa sempre um mesmo volume. Alternativa por causa dos movimentos alternados do pistão.

Com o desenvolvimento da tecnologia e a chegada das multinacionais ao mercado brasileiro, passamos a ouvir mais a palavra bomba e menos a palavra válvula.

Convém lembrar, no entanto, que foi exatamente uma empresa brasileira que desenvolveu e produziu as primeiras bombas inteiramente nacionais. O mérito é ainda maior se considerarmos que uma bomba pode ter de 8 a 15 componentes.

As bombas são as usadas nos perfumes, sabonetes, líquidos, loções etc. É um dispositivo dotado de botão acionador, mola, esfera, pastilha, pescante e outros componentes que, ao ser acionado, succiona e transporta o produto do interior para fora do recipiente.

Talvez bomba seja o tipo de embalagem que teve maior aumento de consumo e, conseqüentemente, preço cada vez menor. No passado, falar em usar bomba em um desodorante spray (squezze) era proibitivo, isso porque o preço de tal componente era maior do que todos os outros da embalagem juntos (frasco, tampa, pescante etc). Hoje, boa parte dos desodorantes já usa bomba. Não é possível imaginar um perfume ou colônia que não seja acionado por bomba.

Além de facilitar o uso do produto, embelezam. Nas bombas com abas metálicas (normalmente alumínio em várias opções de cor) pode-se fazer um arranjo combinando as cores da bomba e da tampa com o próprio frasco que, como mencionamos na coluna anterior, pode ser apresentado em diversas cores, em degradê etc.

As bombas podem ser do tipo spray, com leque do jato de acordo com o orifício da pastilha do botão acionador, ou do tipo dosadora, para variadas quantidades – desde frasco de 30 ml num reparador de pontas para cabelos até como dispensador em frascos de produtos profissionais para vários mililitros por vez.

Na verdade, ambas podem ser consideradas bombas dosadoras. A diferença é que no spray o botão acionador tem a função de transformar a gota em partículas menores. A micronização é mecânica. Quanto menor o tamanho da partícula mais fácil de se obter um jato seco.

As bombas, portanto, proporcionam volumes constantes, não vazão.

Cabe mencionar também bombas que funcionam mesmo com o frasco virado de “cabeça para baixo”. Nesse caso, as esferas contidas na bomba abrem ou fecham a passagem do líquido pelo pescante, independentemente da posição de aplicação do produto.

As bombas podem ter saia metálica (de recrave) ou saia plástica (rosca ou do tipo snap-on - de encaixe)

Isto é apenas um pequeno pedaço desse universo de bombas e válvulas, por essa razão considero esses componentes, um capítulo à parte no mundo das embalagens para cosméticos.

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