19 de Outubro de 2018

Novas Matérias-Primas/Nanotecnologia em Cosméticos/Emulsões

Edicao Atual - Novas Matérias-Primas/Nanotecnologia em Cosméticos/Emulsões

Editorial

Retomada do Crescimento?

 

O ano começa com ótimas notícias e boas perspectivas para os próximos meses, graças aos sinais de retomada do crescimento em 2004 e aos números animadores alcançados pelo Setor, atingindo o melhor resultado nos últimos 10 anos, segundo dados da Abihpec.

Por outro lado o IBGE informa que a produção industrial encerrou 2004 com crescimento acima de 8% - o maior desde 1986.

 

Também vale mencionar o volume recorde de regularização de dívidas no ano que passou: de acordo com levantamento realizado pelo Serasa, 10,2 milhões de pessoas saíram das listas de inadimplência entre janeiro e dezembro de 2004, um incremento de 5,2% em relação a 2003. Analistas creditam o aumento recorde do número de regularizações à melhora do nível da atividade econômica, que abriu novas vagas de trabalho.

 

Estamos, finalmente, caminhando para o tão esperado crescimento sustentável? Se ainda não há uma resposta clara, há, sim, bons motivos para manter o otimismo. A começar pelas opiniões de nossos entrevistados sobre o desempenho de 2004 e as perspectivas para 2005, que você confere na reportagem Balanço Econômico.

 

Esta edição da Cosmetics & Toiletries (Edição em Português) também traz uma lista com mais de 150 novas matériasprimas disponíveis no mercado brasileiro, com informações técnicas enviadas por fabricantes e distribuidores, além de artigos falando de emulsões e de ingredientes obtidos por processo de nanotecnologia para aplicação em cosméticos.

 

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Editor  

Formulando Emulsões Cosméticas: Um Guia para Principiantes - Ken Klein Cosmetech Laboratories Inc., Fairfield, New Jersey, Estados Unidos

Emulsões que agem como sistema de liberação para ingredientes ativos, como aloe, vitaminas, extratos vegetais etc, devem ser seguras, estáveis e econômicas. Este artigo discute os ingredientes que compõem as emulsões, e razão de seu uso.

Emulsiones que actuan como sistema de liberación para ingredientes activos, como aloe, vitaminas, extractos vegetales etc, deben ser seguras, estables y económicas. En este artículo son presentados los ingredients que componen las emulsiones y la razón de su uso.

Emulsions that act as a delivery system for beneficial ingredients such as aloe, vitamins, plant extracts etc, must also be safe, stable and cost-effective. This article discusses the ingredients that go into emulsions and why they are used.

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Nanotecnologia Melhora Bio-Aderência e Liberação Após Enxágüe - Adi Shefer, Charlene Ng e Sam Shefer Salvona Technologies Inc., Dayton, NJ, Estados Unidos

Uma plataforma de tecnologia da nanosfera melhora a deposição de ingredientes encapsulados sobre as superfícies do corpo após aplicações com enxagüe, e proporciona uma ação de liberação prolongada.

Una plataforma de tecnología de La nanoesfera mejora La deposición de ingredientes encapsulados sobre las superficies del cuerpo después de aplicaciones con enjague, y proporciona una acción de liberación prolongada.

A nanosphere technology platform enhances the deposition of encapsulated ingredients on body surfaces after rinse-off aplications and provides a prolonged release action.

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Emulsões Estabilizadas por Partícula: Uma Rápida Análise - Shelly Corcorran, Robert Y. Lochhead e Tonya McKay Instituto da Ciência da Formulação, Universidade do Sul do Mississipi, Hattiesburg, Mississipi, Estados Unidos

Os fundamentos das emulsões estabilizadas por partículas estão delineados aqui, e são feitas comparações com emulsões estabilizadas por tensoativos. O artigo também descreve os avanços recentes nas emulsões de Pickering para cosméticos.

Los fundamentos de las emulsiones estabilizadas por partículas están delineados aqui, y son hechas comparaciones con emulsiones estabilizadas por tensioactivos. El articulo también describe los avances recientes en las emulsiones de Pickering para cosmeticos.

The fundamentals of particle-stabilized emulsions are outlined here, and comparison are made to surfactantstabilized emulsions. Recent advances in Pickering emulsions for cosmetics are described in this survey article.


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Uso de Extratos de Plantas em Produtos Cosméticos - André Rolim Baby, Carolina Penteado Moraes Maciel, Idalina M. Nunes Salgado-Santos, Tânia C. de Sá Dias, Telma M. Kaneko, Vladi O. Consiglieri e M. Valéria Robles Velasco Departamento de Farmácia, Faculdade de Ciênc

Nos últimos anos tem aumentado o interesse pelo uso de ativos naturais. Neste artigo são apresentadas as várias etapas de produção de extratos de plantas da biodiversidade brasileira para uso na indústria cosmético-farmacêutica.

En los últimos años há aumentado el interes por el uso de activos naturales. En este articulo son presentadas las diferentes etapas de producción de extractos de plantas de La biodiversidad brasileña para uso en indústria cosmético-farmacéutica.

Recently it has increase the interest for the natural actives use. In this article, the many steps of the extracts production with brazilian biodiversity plants for the cosmetical and pharmaceutical industries are presented.

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Uso da Técnica do Tape Stripping na Quantificação da Benzofenona-4 - Tatiane Otto, Marlus Chorilli, Vivian Zague, Maria Cristina Ribeiro, Gislaine Ricci Leonardi Faculdade de Ciências da Saúde (Curso de Farmácia), Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, Piracicaba SP, Brasil

Este artigo relato trabalho experimental utilizando a técnica do tape stripping para pesquisar o teor de benzofenona-4 remanescente no estrato córneo quando veiculada através de um gel aquoso.

Este artículo describe um trabajo experimental em el cual fue utilizada La técnica del tape stripping para investigar El contenido de benzofenona-4 remanescente en El estrato córneo cuando ES transportada mediante un gel acuoso.

This article reports a experimental study in which the tape stripping technique was utilized to search the contain of benzophenone-3 which remains in the corneous layer after using a suscreen product.

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Carlos Alberto Trevisan
Mercosul por Carlos Alberto Trevisan

As Novas Decisões

A XXIII Reunião Ordinária do SGT Nº 11 Saúde/Comissão de Produtos para a Saúde/Grupo Ad Hoc de Cosméticos, com a presença das delegações da Argentina, Brasil e Uruguai, realizou- se em Brasília, nos dias 22 a 24 de novembro passado.

A delegação do Paraguai não participou da reunião, e a aprovação das decisões fica ad referendum desse Estado- Parte, conforme preconizam as regras legais que norteiam as decisões no âmbito do Mercosul.

Entre os vários assuntos discutidos ressaltamos dois, importantes pelo impacto que deverão causar à rotina das atividades das empresas.

O primeiro é a implantação da Auto Inspeção na BPFeC na Área de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, fundamentada na responsabilidade das empresas em estabelecer um sistema de garantia da qualidade, para garantir segurança e eficácia dos produtos.

Além disso, considera-se indispensável avaliar o cumprimento dessas normas, por parte dos fabricantes na área do Mercosul.

De acordo com a proposta apresentada, as empresas do Setor instaladas no território dos Estados-Partes deverão realizar auto-inspeções para verificar o cumprimento das BPFeC estabelecidas nas Resoluções GMC Nº 92/94 e 66/96. Essas empresas realizarão as auto-inspeções de acordo com suas necessidades, em freqüência mínima anual.

Os responsáveis técnicos das empresas deverão, uma vez realizada a auto-inspeção, emitir relatório detalhado que incluirá os resultados, avaliações, conclusões e medidas corretivas, se for o caso, com prazos para sua implementação.

A partir de 30 de setembro de 2005 os relatórios de auto-inspeção deverão estar à disposição da Autoridade Sanitária, sempre que sejam solicitados, durante o procedimento de inspeção e de verificação do cumprimento das normas de Boas Práticas de Fabricação e Controle.

O segundo assunto aprovado foi a Certificação de BPFeC na Área de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes.

Quanto aos motivos para a sua implantação, foi ressaltado que um deles é que a certificação de BPFeC é requisito para garantir a segurança e eficácia dos produtos.

Outro motivo é que a emissão do Certificado é requisito indispensável para reativar as atividades, quando a empresa titular de produtos e/ou fabricante e/ou importadora responsável tenha sido objeto de medidas cautelares referentes a desvio de qualidade e/ou inobservância dos requisitos previstos na legislação vigente.

Há também a necessidade de contar com modelo único de certificação de boas práticas de fabricação de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes.

Os Estados-Parte do Mercosul, por meio das autoridades sanitárias competentes, emitirão Certificado de Boas Práticas de Fabricação. A outorga do Certificado que trata esta Resolução dependerá da comprovação, perante a Autoridade Sanitária competente, do cumprimento das
normas como o previsto na legislação.

O Certificado será emitido pela Autoridade Sanitária dos Estados-Parte, por solicitação do interessado.

Do exposto podemos concluir que grandes alterações irão ocorrer no dia-a-dia das empresas, pois, se efetivamente forem realizadas as inspeções e a confrontação dos mencionados relatórios com a realidade, a implantação desta decisão será bastante proveitosa na direção da qualidade.

Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

O Jurídico e o Marketing

Diversas vezes ouvi amigos que trabalham com marketing falarem mal do departamento jurídico de suas empresas – reclamações do tipo: “tudo o que gente faz aqui, o jurídico barra ali!”.

Definitivamente, consumeristas e marqueteiros extremistas devem se “estranhar” muito!! Talvez essas reclamações sejam mais compreensíveis quando se deixa o mundo jurídico para conhecer melhor o mundo do marketing...

Pois bem, no mundo do marketing se faz de tudo para aumentar o faturamento e lucratividade da empresa – o que de fato, quando bem aplicado, faz muito bem para qualquer país capitalista do ponto de vista social e econômico.

É claro que para se alcançar este objetivo, deve-se ter o consumidor como o principal foco. Daí aquelas famosas frases: “o freguês tem sempre razão”; “o consumidor é nosso rei”; “o cliente é quem manda” etc.

Entretanto, durante muito tempo, não se agiu em conformidade com essas frases, e como conseqüência surgiu o Código de Defesa do Consumidor - CDC.

O CDC não veio para impor uma “ditadura” do consumidor perante os fornecedores, mas sim, para gerar equilíbrio nessas relações.

Logo, quando aplicado corretamente (dever de todos os fornecedores) o CDC pode ser mais uma ferramenta de marketing!

Também cabe ao jurídico um mínimo de “sensibilidade” para respeitar um pouco a criatividade das publicidades e não querer torná-las uma coisa extremamente chata para os possíveis consumidores. Já somos bombardeados diariamente por elas (umas criativas e outras não), imagine se todas tivessem o aspecto de que foram ajustadas no departamento jurídico?!

Então, como se pode “equilibrar” esta outra relação (marketing X jurídico)?

Quando o pessoal de marketing quiser colocar um novo produto no mercado e evitar restrições do jurídico deve ter em mente alguns artigos do CDC, como por exemplo, os artigos 30 e 31:

Art.30 - Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado.

Falando em termos práticos: prometeu, tem que cumprir!!!

Então, é melhor evitar se “exceder” naquilo que não será possível cumprir integralmente. E para evitar problemas de interpretação, a linguagem deve ser clara e acessível para qualquer consumidor leigo.

Art.31 – A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.

O objetivo deste artigo é garantir que consumidor seja livre na sua escolha, ou seja, quando “contrata” qualquer tipo de produto e/ou serviço está fazendo de maneira consciente, pois tem todas as informações necessárias que influenciam na sua decisão.

Conhecendo um pouquinho e respeitando os dois mundos, ao invés de se “estranharem”, que tal fazer com que o jurídico e o marketing trabalhem efetivamente juntos desde o início de qualquer novo projeto?

A vez da Qualidade por Maria Lia A. V. Cunha / Friedrich Reuss

As Pessoas e a Empresa

Muito se ouve falar e discutir a respeito das empresas, de suas virtudes de suas origens e de seus sucessos, motivos e razões de ser.

Fala-se na missão, na visão de futuro, nos valores, enfim, num direcionamento institucional, no seu carisma, nas suas capacidades de adaptação às novas situações de mercado, nas suas flexibilidades no atendimento aos clientes e na capacidade de enfrentar situações difíceis causadas por acidentes, muitas vezes terríveis, que podem ocorrer mesmo em empresas que, bem administradas, tinham tudo sob controle.

Em verdade a empresa depende unicamente das pessoas, e são estas que formam os dois pilares de sua sustentação, o pilar formado pelos colaboradores e o pilar formado pelos clientes. O pilar formado pelos clientes tem de ser atraído e sustentado pelas ações do pilar formado pelos colaboradores. Um clima interno de confiança, de ética, de produtividade, de crescimento horizontal ou vertical, de melhorias, de reconhecimentos, de intensa colaboração e de compromissos é percebido e devidamente valorizado pelos clientes. São estes clientes que saberão valorizar uma melhor qualidade de produtos e de serviços pelo preço às vezes mais alto, mas recompensador pela qualidade intrínseca do atendimento, do fato de se sentir bem quando estiver na empresa ou em seu contato.

A empresa que se mostra homogênea em todas as áreas, dará aos setores de cobrança e de atendimento às reclamações a mesma atenção que seus clientes recebem na área de vendas.

Determinada empresa, que partiu de uma estratégia adequada a sua situação e a do mercado, seguramente tem planos “b” e “c”, para não ser surpreendida em situações inesperadas. O mesmo vale para situações de mudanças provocadas pela empresa, como ajuste de preços, alterações de produtos, mudanças de local, mudanças de estratégias, entre inúmeras outras possibilidades.

Para que esta empresa efetivamente seja e se mantenha como líder em seu mercado, necessita de uma direção competente e conhecedora de seu mercado, uma equipe de primeira linha, que além de competente para as suas funções específicas tenha habilidades de comunicação, de seleção das pessoas mais capacitadas para os devidos cargos, de tal forma que cada um faça exatamente aquilo que mais gosta, que esteja devidamente comunicado e comprometido para se alinhar com a filosofia básica da empresa, ou seja, com a sua identidade.

O grande problema não está nas capacitações técnicas. Estas são facilmente conseguidas por meio de treinamentos, cursos, formações, estudos, pois são conhecimentos que podem ser adquiridos. A parte mais importante do processo está na descoberta das habilidades necessárias a cada função na empresa, e na descoberta das pessoas que as possuam na intensidade e combinação adequadas. O outro componente é fazer com que as habilidades das diferentes pessoas se integrem na formação de uma rede interna de comunicação, que se inicia na alta direção, flui de forma natural e orgânica por todos os processos da organização, e se integra com os seus clientes externos. As habilidades são inatas, parte do caráter e a forma de ser das pessoas. Sem dúvida haverá alguma possibilidade de moldagem, de treinos, de trabalhos em grupos para que as habilidades desejadas sejam melhoradas e a organização também deverá deixar claro por meio de comunicação verbal e não-verbal as habilidades e as formas de atuação desejadas que se tornem a “cara da empresa”.

Em última análise, é a alta gerência quem sinaliza, por meio de seus exemplos, a direção a ser seguida. Há muitas situações a serem consideradas e monitoradas como, por exemplo, as formas de alegria e tristeza, medo e raiva, compreendendo como essas emoções afetam os relacionamentos profissionais e pessoais, adquirindo e vivenciando de forma positiva os comportamentos empreendedores como: tolerância à ambigüidade, manutenção da expectativa e do propósito, capacidade de visualização, superação de desafios, manutenção do foco, criação de mapas de percurso, promovendo auto-reforços para a autoestima, não apenas para si, mas para todo o grupo a que pertence, reforçando também os sentimentos dos outros, agregando autoconfiança a cada um e um sentimento geral de confiança mútua.

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Manchas da Pele

Não há dúvida que as manchas da pele são causadoras de sérias angústias durante quase todas as fases da vida, principalmente na adolescência e na fase adulto-jovem, pois influenciam, em muito, a aparência.

Atualmente, pessoas de qualquer idade, sexo, etnia e classe social buscam cuidar da estética, em vista da sua crescente valorização profissional, e o aparecimento de qualquer mancha deve ser vista de modo especial.

As manchas são classificadas em: hipercrômicas (melanose solar e melasma), ou manchas escuras, e hipocrômicas (vitiligo, pitiríase versicolor e leucodermia solar), ou manchas claras.

Vitiligo

Caracterizado por manchas acrômicas (sem cor), de tamanho e forma variados e que se espalham por todo corpo, sem apresentar nenhum outro sintoma. É resultante de um defeito na célula que produz a melanina, o melanócito.

O vitiligo acomete pessoas de todas as idades, com maior incidência entre os jovens, e não é contagioso. Sua causa ainda não é totalmente esclarecida, mas existem algumas teorias que tentam explicar o aparecimento.

Existem basicamente duas formas clínicas de vitiligo: “vulgar”, que se caracteriza por manchas de distribuição aleatória no tegumento e que parece estar associada às doenças auto-imunes, como as tireoidites, e a forma “segmentar” que se caracteriza por manchas restritas a um segmento unilateral do corpo, sem relação com doenças auto-imunes.

O curso da doença é imprevisível. A repigmentação espontânea das lesões poderá ocorrer em 10 a 20% dos pacientes. No tratamento são utilizadas medicações tópicas e de uso sistêmico, com o propósito de estimular os melanócitos. Cremes com corticóides e banho de luzes associado com psoralenos, a chamada Puvaterapia, têm bons resultados em longo prazo. Mais recentemente, drogas com o objetivo de regular a imunidade da pele têm sido usadas topicamente, com resultados promissores. O uso de produtos cosméticos para “disfarçar” as manchas é muito utilizado pelos pacientes com vitiligo, pois permitem excelentes resultados estéticos e melhor convivência social com a doença.

Melanose Solar

A melanose solar ou actínica é caracterizada por manchas de cor castanho-claro escura localizadas no dorso das mãos, punhos, antebraços e face decorrente do aumento de produção de melanina pelos melanócitos.

É um quadro bastante freqüente e também decorrente da ação cumulativa do sol na pele, observada após a terceira década de vida.

No tratamento, a recomendação mais importante é o uso constante de filtro solar, FPS mínimo 15, várias vezes ao dia. Várias técnicas poderão ser utilizadas para tratar as manchas, como os cremes à base de ácidos retinóico, glicólico, agentes clareadores, como a hidroquinona e substâncias químicas, como ácido tricloroacético, que podem ser aplicadas em consultório médico e, mais recentemente, o laser de dióxido de carbono.

Melasma

Também conhecido como cloasma, é uma alteração da pele caracterizada por manchas escuras que ocorrem na face, quase sempre em mulheres, após exposição solar, gravidez ou terapia hormonal.

Tendência genética e características raciais também influenciam no surgimento do melasma. Estas manchas ocorrem principalmente nas regiões malares (maçãs do rosto), testa, nariz, lábio superior e têmporas. São irregulares, porém de limites precisos. A intensidade de pigmentação é variável: às vezes discreta e quase imperceptível, noutras muito acentuada, trazendo sérios distúrbios emocionais.

A profundidade em que se localiza o pigmento na pele determina o tipo de melasma, que pode ser epidérmico (superficial), dérmico (profundo) ou misto. O tratamento do melasma implica no uso de protetores solares potentes para UVA e UVB, de preferência aqueles que associam propriedades químicas e físicas (de barreira). Substâncias despigmentantes, como a hidroquinona e o ácido kójico, associadas ao ácido retinóico poderão ser utilizados.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Tricologia e Tecnologia

O estudo dos cabelos e dos pêlos (tricologia) deve ser orientado para as necessidades e queixas dos nossos clientes. Assim, devemos buscar soluções que envolvam a queda dos cabelos, os cuidados cosméticos destes e o manejo adequado dos pêlos não desejados.

A queixa mais comum nos consultórios médicos, e talvez nos cabeleireiros e terapeutas capilares, é a da queda. Ao tomarmos como parâmetro a perda de 60 a 100 fios diários, qualquer número que exceda este deve ser sinal de alerta. O bom clínico deve pensar sempre em três hipóteses diagnósticas: heredo- constitucional (genética), hormonal ou metabólica. A partir da pesquisa diagnóstica clínica e laboratorial deve chegar primeiro a um diagnóstico e depois tratar adequadamente cada um dos itens descobertos. Pode e deve, para isso, utilizar medicamentos, cosméticos e cosmecêuticos que têm a função de interromper a queda e recuperar os fios perdidos. Sabe-se que, após, em média, 12 anos sem atividade o folículo piloso acaba por ser reabsorvido pelo organismo. Então, este é o prazo máximo para a recuperação dos cabelos.

Independente do que tenha causado a queda, algumas medidas são sempre aconselhadas. Melhorar a condição do couro cabeludo, tratando qualquer alteração externa, como dermatite seborréica, eczemas, fungos ou bactérias, é sempre importante.

Aumentar a vascularização do couro cabeludo, para trazer mais sangue para esta área também pode ajudar a curar a queda. Aplicar produtos tópicos revulsivantes ou estimulantes da divisão celular, certamente, vai contribuir para a melhora do quadro.

Mas, um desafio maior e que persegue todos os profissionais da área da tricologia é como tratar os fios cosmeticamente, obtendo resultados efetivos e não apenas mercadológicos. Nesta área temos de levar em conta alguns atributos dos cabelos: penteabilidade, brilho, hidratação e reparação.

Na verdade, esses atributos estão intrinsecamente correlacionados, pois são interdependentes.

O importante, outra vez, é ter o diagnóstico mais preciso possível. Sabe-se que o brilho e a penteabilidade estão diretamente ligados ao estado da cutícula. Se esta estiver íntegra não teremos problemas com esses dois atributos. A hidratação e a reparação são dois atributos que estão muito dependentes da estrutura mais interna dos fios, que é a córtex. Cabelos tintos ou que foram submetidos à radiação ultravioleta perdem a estrutura das pontes bissulfridicas (as pontes de enxofre) e necessitam produtos que recuperem este status anterior. Necessitam de proteção preventiva ou reforçada, dependendo do caso.

Alguns produtos têm origem animal, outros vegetal, e, mais recentemente, temos produtos desenvolvidos em laboratórios, sintetizados a partir de tecnologia biológica ou sintética exclusivamente. Aí entram os produtos com a nanotecnologia, que nada mais é do que o estágio tecnológico alcançado que permite fabricar partículas com tamanho muito reduzido, que, por isso, têm capacidade de adsorção e de penetrabilidade, podendo em alguns casos ser utilizadas tanto na pele como nos cabelos.

Dentro destas alternativas mais modernas temos, a guisa de exemplo, e em ordem alfabética: Crodazosoft DBQ (quaternário com duas cadeias berrênicas - Croda), Gluadin R (proteína do arroz - Cognis), Hidrahair O2 (fotoprotetor - Chemyunion), Oliquat (oligossacarídeo quaternizado - Arch Química), Solamer (polímero de adsorção UV para cabelos - Nalco) e Velvesil 125 (copolímero de silicone - GE Silicones). Outros produtos estão no mercado e, felizmente, para os interessados, a maioria dos fabricantes e/ou importadoras tem fornecido informações técnicas adequadas e de fácil acesso.

Boas Práticas por Tereza F. S. Rebello

O Operador e a Reologia


Você, leitor, que com toda a certeza atua na área cosmética e, portanto, está bem familiarizado com as BPF´s, conhecendo muitíssimo bem o conteúdo dessas Normas editadas pela ANVISA, sabe que o primeiro item referente à Produção é o treinamento de quem produz, ou seja, do operador. Também conhecendo os demais tópicos referentes à produção de pós, sólidos, líquidos, etc, chega à conclusão, pelo número abrangente dessas instruções, que esse treinamento deve estar ligado às condições de higiene no trabalho, incluindo conhecimentos de microbiologia.

É óbvio que é importante eliminar todo o potencial de contaminação microbiana e isto está correto, mas não é o suficiente em termos de treinamento. É necessário dar aos operadores conhecimentos dos fundamentos da Química. E por quê? Porque os operadores processam misturas e uma delas, muito crítica, são as emulsões.

Inúmeras vezes tive a oportunidade de conversar com operadores e sempre perguntava se era fácil obter uma emulsão estável que resultasse em viscosidade dentro do especificado. A resposta sempre foi afirmativa: é muito fácil obter uma emulsão perfeita “é só misturar as matérias-primas conforme o descrito na fórmula padrão”. Essa resposta gerava uma outra pergunta: Então vocês nunca tiveram um produto rejeitado por viscosidade fora dos parâmetros estabelecidos ou mesmo por separação de fases (“quebra da emulsão”)? E aí a resposta era sempre afirmativa. Juntos, eu e os operadores, levantávamos, no ano, o número de rejeições de produtos e suas causas. Destas, a mais freqüente era aquela relacionada à preparação de uma emulsão.

Fica claro que o treinamento em noções de Química é também indispensável para os operadores. Por esse motivo é que muitas empresas fabricantes de cosméticos exigem, para ocupar o cargo de operador, no mínimo, o nível médio (dá-se preferência a quem tenha o curso Técnico em Química).

Então? Você, que é supervisor ou gerente de operações, o que acha? Basta ordenar aos operadores que sigam a “receita”? Ou é necessário instruí-los sobre a química das emulsões?

Sabemos que as emulsões são misturas complexas, caracterizadas por propriedades reológicas, que são determinadas não somente pela composição química da mistura, mas são dependentes do método de preparação.

O operador deve saber que a temperatura exerce papel importante na preparação de uma emulsão e, portanto, deve obedecer aquela registrada na fórmula-padrão. Da mesma forma, o grau de agitação, tipo de agitadores, bombeamento e características reológicas também são importantes.

Por falar em Reologia, que relação tem esta com a preparação de emulsões?

O comportamento reológico das emulsões tem influência não só sobre o “tato”, o que é importante sob o ponto de vista de aceitabilidade pelo consumidor, mas também devido às suas conseqüências no processo de fabricação.

Mas afinal o que é Reologia?

A palavra vem do grego (reo = corrente e logo = estudo) e é a ciência relacionada com a matéria que se deforma ou flui por forças aplicadas. Devido à diferença de velocidade da corrente de matéria que flui, temos uma emulsão que não só flui, mas é deformada. Essas diferenças de velocidade geram uma força de fricção entre elas (F). E a relação entre F e a área da superfície é conhecida como força de cisalhamento (divisão da matéria por agitadores) por unidade de área. E viscosidade pode ser definida como a tensão de cisalhamento dividida por sua velocidade.

Além das condições físicas citadas, é importante também que o operador saiba que o pH também interfere na obtenção de uma emulsão estável.

E o que dizer das características químicas interferindo na estabilidade das emulsões?

Os operadores devem ter informações sobre os tensoativos, principalmente os não-iônicos.

É obvio que os formuladores é que devem ter o conhecimento mais profundo dessa matéria, mas os operadores devem saber porque devem respeitar temperaturas, velocidade de agitação e o tipo de agitadores para a obtenção de emulsões estáveis e dentro dos parâmetros de viscosidade estabelecidos.

Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Personalização da Embalagem

Dando seqüência à coluna publicada na edição anterior, citamos os potes como parte integrante da família dos frascos plásticos. Nesse aspecto temos carência muito grande de novos modelos, tamanhos etc. É comum se deparar com empresas que lançam produtos com apelo diferenciado na composição química e no conceito, porém, por falta de opção, utilizam o pote já conhecido no mercado, suficiente para diminuir o impacto perante o consumidor.

Com raras exceções, há muito tempo não são criados novos modelos, mesmo se falando em moldes exclusivos. A criatividade na escolha de cores, na aplicação do hot stamping nos rótulos ou no uso de sleeve é que acaba fazendo a diferença.

Tampas

Quanto à aplicação na boca do frasco, as tampas podem ser de rosca ou de encaixe. Quanto ao fechamento do orifício, também podem ser do tipo disc top (a pastilha deve ser levantada para o produto sair) ou flip top (a sobretampa com dobradiça deve ser levantada para usar o produto) ou fechada (quando se retira a tampa para usar o produto).

Nas tampas disc top, se não houver boa trava na pastilha de fechamento, pode haver vazamento do produto. Por outro lado, nas flip top, é preciso ter o cuidado para não deixar o fabricante usar materiais de baixa qualidade ou reciclados, sob pena da dobradiça “quebrar” após acionamento da tampa por poucas vezes.

As tampas são normalmente injetadas em PE, PP ou PS.

Podem ainda ser coloridas ou mesmo decoradas com hot stamping, que encarece um pouco mais, mas oferece um toque de elegância numa tampa comum. Nas tampas fechadas e com rosca, deve-se atentar para o detalhe do disco de vedação, normalmente de Polexam, encaixado na parte superior e interior da tampa, que garante a vedação do frasco, principalmente quando usadas para óleos de banho.

Não é aconselhável o uso de tampas disc top em óleos de banho, pois são freqüentes os problemas de vazamento.

Capítulos à parte são as tampas em Surlym, normalmente usadas para frascos de colônias. Modelos, cores, tamanhos e beleza são os diferenciais encontrados nessas tampas.

Frascos de Vidro

Na maioria das vezes, o que determina o sucesso de venda de uma colônia é sua embalagem. O frasco (normalmente de vidro) é o principal componente no conjunto de peças que compõem a embalagem desse produto. O frasco pode ser transparente (flint), colorido, foscado ou pintado. No Brasil, ainda temos alguma dificuldade no fornecimento de frascos coloridos. Quantidades mínimas de compra e preço impedem as pequenas empresa de optar por um frasco colorido. Por outro lado, já existem opções de frascos coloridos fabricados fora do Brasil, mas com estoque local. Nesse caso, é possível comprar pequenas quantidades, porém o preço é desestimulante.

Aquela aparência de “gelado” nos frascos é resultado de um trabalho de foscação. O vidro transparente torna-se fosco pela ação de jateamento (areia) ou por imersão em solução de ácido fluorídrico. A foscação por jateamento ou por ação do ácido é um trabalho delicado, perigoso e requer do fabricante conhecimento e tecnologia. Esse “ataque” ao vidro precisa se limitar à parte externa, pois resíduos de ácido dentro do frasco podem causar riscos ao consumidor.

Outro cuidado a ser tomado num frasco foscado é quanto ao tipo de adesivo do rótulo a ser aplicado. Ao especificar o rótulo, deve ser dito ao seu fabricante que este vai ser usado num frasco foscado. Nem todos os adesivos de rótulo são eficientes quando aplicados em frascos desse tipo. Nesse caso, o fabricante do rótulo vai definir o melhor tipo de adesivo a ser usado no liner, para melhor aderir ao frasco. Menos usados que os coloridos e foscados são os frascos pintados.

Na próxima edição finalizaremos este assunto, abordando outras famílias de embalagens.

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