19 de Outubro de 2018

Espessantes/Metodologia de Testes/Formulário Skin/Body Care

Edicao Atual - Espessantes/Metodologia de Testes/Formulário Skin/Body Care

Editorial

Ao respeitável público

 

Que país é esse? A pergunta, já cantada em verso e prosa, se faz mais oportuna do que nunca. É o que vem à cabeça quando observamos o cenário político nacional, que por vezes mais parece ficção – quase um picadeiro. Vai do dramalhão à comédia. Da farsa à ironia. Como classificar o comportamento de Anthony Garotinho, com sua “greve de fome”? Numa atitude inusitada, o senhor que se preparava para concorrer à presidência da República preferiu a saída extrema, antes mesmo de prestar explicações sobre as denúncias de irregularidades em sua pré-campanha. Do drama à comédia, uma das melhores cenas das últimas semanas foi protagonizada pelo ex-secretário geral do PT, Silvio Pereira, em depoimento à CPI dos Bingos. Ele não sabia mais o que havia dito em entrevista ao jornal O Globo, quando informou detalhes sobre a pretensão do empresário Marcos Valério de arrecadar R$ 1 bilhão com o PT no governo... De repente deu branco. “Coisa de doido”, disse um dos parlamentares. Ou de artista. E como não tocar num assunto que é a bola da vez nos noticiários e cujas conseqüências ainda não podem ser mensuradas com clareza: a nacionalização do gás boliviano. Ainda se espera pela reação do governo diante da atitude de Evo Morales, que foge a quaisquer regras contratuais ou do bom senso. Espera-se também pelos efeitos na indústria e no comércio. O episódio e a (falta de) reação de nosso mandatário demonstram que, ao invés do papel de líder na América do Sul, Lula está mais para o de um coadjuvante... Os fatos comentados aqui aconteceram mais ou menos ao mesmo tempo, como todos sabem. Volto a perguntar... Que país é este?É, felizmente, também o do trabalho e da criatividade. É o que você vai conferir na reportagem sobre as novidades da FCE Cosmetique, a maior feira de tecnologia para o Setor Cosmético da América Latina. Esta edição de Cosmetics & Toiletries (Edição em Português) também traz artigos técnicos sobre tecnologias de espessantes e metodologia de testes, além do formulário de skin care e body care.

 

Boa leitura!
Hamilton dos Santos

Editor

Aditivos Reológicos para Produtos de Limpeza Pessoal - U. Kortemeier, H. I. Leidreiter Degussa (Goldschmidt GmbH), Essen, Alemanha

Produtos de higiene como shampoos ou shower gels devem ser fáceis de usar e transmitir substantividade. Por esta razão, a viscosidade de tais formulações, em geral, é aumentada com agentes espessantes especiais ou eletrólitos. A reologia tem papel fundamental na produção, envase, estabilidade na estocagem e também nas propriedades sensoriais.

Productos de higiene como champués o shower geles deben ser faciles de usar y transmitir substantividad. Por esa razón, La viscosidad de tales formulaciones, em general, es aumentada con agentes espesantes especiales o electrolitos. La reología tiene papel fundamental en La producción, envase, estabilidad en La almacenage y también en las propiedades sensoriales.

Toiletry products like shampoos or shower gels have to be easy to use and to appear substantial. For this reason, the viscosity of such formulations is increased by special thickening agents or electrolytes. The rheology plays an important role inproduction, filling, storage stability and also in the sensory properties.

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Medições de Viscosidade e Reologia em Cosméticos - Anamaria Caldo Tonzar Braseq Brasileira de Equipamentos Ltda., Jarinu SP, Brasil

A medição de viscosidade em produtos cosméticos é importante na determinação de vida de prateleira, estabilidade, características de aplicação e percepção dos consumidores. Copos de escoamento, viscosímetros cinemáticos e rotacionais podem ser usados na avaliação da viscosidade.

La medición de La viscosidad em productos cosméticos es importante en La determinación de vida en la repisa, estabilidad, características de aplicación y percepción de los consumidores. Copas de escoamento, viscosímetros cinemáticos y rotacionales pueden ser usados en la evaluaciónde la viscosidad.

Viscosity measurements in cosmetics products are important in shelf lifeand stability determination as application and Perception characteristics. Efflux cups, cinematic and rotational viscometers are some equipment used to evaluate viscosity.

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Novo Sistema Modificador de Reologia para Cosméticos - James V. Gruber, Ph.D., Lisa Bouldin, Fiona Lam Arch Personal Care Products, South Plainfield NJ, USA Jadir Nunes, Ph.D. Arch Química Brazil Ltda., São Paulo SP, Brás

Neste artigo os autores apresentam um novo sistema modificador de reologia, que, comparado a dois outros sistemas disponíveis no mercado, demonstrou qualidade superior quanto a: funcionalidade e eficência do sistema espessante, tolerância à agitação, estabilidade ao pH, compatibilidade com sal e AHA, e avaliação sensorial.

En este los autores presentan un nuevo sistema modificador de reologia que comparado a dos otros disponibles en el mercado, demostró calidad superior cuanto la: funcionalidad e eficiencia del sistema espesante, tolerancia a la agitación, estabilidad al pH, compatibilidad con la sal y AHA, y evaluación sensorial.

In this article the authors present a new rheology modifier system which compared with two others available in the market, show superior quality related to: thickener system functionality and efficiency, mixing tolerance, pH stability, salt and AHA compatibility, and sensorial evaluation.

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Comportamento Torcional pelo Método do Pêndulo - Y. K. Kamath TRI/Princeton, Princeton, NJ, Estados Unidos

O autor descreve propriedades torcionais como método para distinguir efeitos de superfície e de volume de ingredientes ativos em formulações para tratamento dos cabelos.

El autor describe propiedades torcionales como método para distinguir efectos superfície y de volúmen de ingredientes activos en formulaciones para tratamiento de los cabellos.

Torsional properties are described by the author as a method to distinguish between the surface and the bulk effects of actives in hair formulations.

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Influência do Phytantriol na Penetração do d-Pantenol - Gislaine Ricci Leonardi, Maria Luiza Ozores Polacow, Maria Sílvia M. Pires-de-Campos, Vivian Zague Faculdade de Ciências da Saúde – Universidade Metodista da Piracicaba – UNIMEP, Piracicaba SP, Brasil

Neste artigo é reportada a penetrabilidade do dpantenol na pele e demonstrada que a sua associação com Phytantriol ocasiona aumento na penetração cutânea desta provitamina em produtos cosméticos.

En ese articulo se reporta la penetración del d-pantenol en la piel y se demuestra que su asociación con El Phytantriol ocasiona um aumento en La penetración cutánea de esa pro-vitamina em productos cosméticos.

In this article it is reported the d-panthenol skin penetration and it is demonstrated that its association with Phytantriol enlarge the skin penetration of this pro-vitamin in cosmetic products.

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Notícias da Abihpec por João Carlos Basilio da Silva

Responsabilidade Social

Nos últimos anos, como presidente da Abihpec, tenho observado o esforço de várias indústrias do setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos para incorporar políticas sociais em seus empreendimentos.

Muitas dessas empresas investem em sua responsabilidade social, ou seja, conduzem atividades, financiam projetos e apóiam atitudes responsáveis que ajudam a conscientizar as pessoas de suas responsabilidades como cidadãos.

Baseados nessa filosofia, no dia 25 de abril, foi oficialmente lançado o projeto-piloto “Dê a Mão para o Futuro” (www.maoparaofuturo.org.br). Com cunho social e ambiental, seu principal objetivo é gerar trabalho e renda para os catadores de materiais recicláveis que atuam em associações e cooperativas, no Estado de Santa Catarina.

Um dos objetivos do projeto é priorizar a organização econômica dessa categoria de trabalhadores. Como nossos objetivos coincidem com o do Programa Trabalho e Cidadania, mantido pela Fundação Banco do Brasil, a entidade entrou no projeto como parceira.

A Fundação assumiu o compromisso de equipar as cooperativas e associações com equipamentos novos, como esteiras, balanças, moedores, prensas, trituradores de vidros e outros instrumentos, que vão aumentar significativamente a produtividade do grupo de trabalho.

Além de propor e divulgar o projeto, à Abihpec cabe a capacitação dos catadores de materiais recicláveis. Para profissionalizar os trabalhadores das cooperativas e das associações, foi escolhido o Senac- SC.

Os municípios contemplados para dar início ao projeto - Florianópolis, Joinville, São Bento do Sul, Lages e Blumenau - foram escolhidos de acordo com os seguintes critérios: constituição legal do grupo de trabalhadores como cooperativa ou associação, comprometimento das pessoas envolvidas e infra-estrutura básica, como sistema de coleta de lixo implantado na cidade.

No lançamento do projeto, em Florianópolis, o prefeito de Joinville, Marco A. Tebaldi, afirmou em seu discurso que, em mais de 30 anos de vida pública, “esta foi primeira vez que a iniciativa privada nos procurou com uma proposta para minimizar dois problemas: um social e outro ambiental. E nos apresentou um projeto completo: trouxe recursos e parceiros fortes, como a Fundação Banco do Brasil. “A cidade de Joinville acolhe a iniciativa de braços abertos e agradece publicamente à Abihpec por incluir nossa cidade nesse projeto”.

Ao melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida dos catadores de materiais recicláveis, estamos promovendo inclusão social, além de colaborar com a redução do impacto negativo das embalagens usadas no meio ambiente.

Todos nós, que vivemos no Brasil, temos vários desafios a superar. Um deles é reduzir a média nacional, de 28,7%, de jovens entre 15 e 24 anos, que não estão no mercado de trabalho nem nos bancos escolares. Eu não tenho dúvidas de que movimentos sociais, como este, firmado nos municípios catarinenses, abrem possibilidades de um futuro sustentável para as próximas gerações, e que ainda vamos atingir o tão sonhado desenvolvimento social.

Quero aproveitar este espaço para agradecer aos associados que nos apoiaram. Eles tornaram possível realizar o “Dê a Mão para o Futuro”.

Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

Arbitragem: Solução mais Ágil

O instituto da arbitragem, apesar de aparentar ser uma novidade do mundo moderno, é uma das formas mais antigas de se resolver conflitos – têm-se notícias de sua utilização na Babilônia, Grécia antiga, Roma, Idade Média.

Sua definição consiste num processo jurídico de solucionar conflitos entre pessoas físicas ou jurídicas, não-estatal, praticado em função de um regime contratual previamente estabelecido, no qual as partes voluntariamente e de comum acordo escolhem um ou mais árbitros, os quais lhes outorgam o poder decisório para resolver o conflito de maneira justa e eficaz.

Nos países desenvolvidos a arbitragem é praticada há muitos anos, principalmente em questões de comércio internacional.

No Brasil, a arbitragem ainda é um instituto novo, regulamentado pela Lei nº 9.307/96, e sendo considerada uma das mais importantes medidas legais como método alternativo ao Poder Judiciário – cada vez mais moroso e ineficiente – para a solução de disputas.

No mundo globalizado de hoje em dia, a arbitragem tem relevância fundamental ao aprimoramento dos negócios internacionais, suscitando em uma certa segurança para a prática dos contratos internacionais.

Pois, imagine depender do Poder Judiciário brasileiro para se resolver algum problema contratual no âmbito do comércio internacional!

Portanto, é de amplo interesse econômico, empresarial, social, e, inclusive, do Poder Público, já que trata de uma medida eficaz para diminuir o acúmulo de processos judiciais – pelo menos naquelas matérias que podem ser resolvidas por meio da arbitragem.

Traz diversas vantagens para a solução de litígios em comparação a justiça comum, pois prevalece à autonomia da vontade das partes, a rapidez (de acordo com a Lei, o prazo para a resolução do conflito é de seis meses), a especialização dos árbitros que podem conhecer muito mais da matéria que um juiz, além do menor custo.

Tratando-se de solução de conflitos comerciais internacionais, a experiência estrangeira relata a utilização freqüente da arbitragem.

Como se contrata a arbitragem?

Deve haver uma previsão expressa nos contratos, denominada Cláusula Compromissória, ou um Termo de Compromisso Arbitral, que deve ser firmado por ambas as partes.

A arbitragem só pode reconhecer direitos patrimoniais disponíveis (contratos, por exemplo), não cabendo a este instituto julgar matérias de âmbito penal, tributário ou de direito de família (exceto partilha de bens).

A sentença arbitral é definitiva, não cabendo recurso quanto ao mérito da sentença, mas apenas em aspectos formais, e constitui um título executivo. Quem pode ser árbitro?

Não é necessário ser advogado. Entretanto, para que a sentença arbitral seja exeqüível no processo de execução é preciso que esta cumpra com algumas formalidades jurídicas, sendo, então, razoável que esta sentença seja proferida em conjunto com alguém que tenha formação jurídica e conhecimento desta sistemática.

Sem dúvida a arbitragem representa uma verdadeira revolução no âmbito da solução de conflitos – uma possibilidade de “fuga” da morosidade do Poder Judiciário; além de ser um instituto fundamental para o facilitar desenvolvimento das práticas comerciais internacionais.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

A Pele Nossa de Cada Dia

Através da pele podemos contar a história de uma vida e mostrar as marcas e memórias da nossa existência.

No entanto, nem sempre tratamos bem este que pode ser considerado o livro da nossa vida. Porém, há anos as pessoas vêm se dedicando cada vez mais aos cuidados da pele, e os motivos para isto foram se transformando ao longo dos tempos, de acordo com o grau de informação que as pessoas passaram a ter sobre o tema.

Cada vez mais, os aspectos de uma pele saudável se tornam um fator importante para a carreira profissional do indivíduo, não só daquele que se expõe ao contato direto com o público, mas como fator decisivo na hora da escolha entre candidatos de todas as áreas.

O motivo mais forte atualmente fica por conta da busca do verdadeiro bem-estar.

Os itens desta categoria já deixaram de ser considerados pelas mulheres brasileiras, que são o foco de consumo deste segmento do setor cosmético, como item de luxo e passaram a ser uma necessidade. Cientes disto, os fabricantes passaram a se empenhar mais no uso de princípios ativos que atendam aos apelos de proteção solar, antiidade, prevenção de rugas, com fórmulas livre de óleo para peles extremamente oleosas, com o fim de fidelização dos clientes.

O segmento Cuidados da Pele envolve não só os produtos voltados para o rosto (geralmente mais exposto nos grandes centros urbanos), mas também o corpo (mais visível nas faixas litorâneas), e mãos e pés.

O mercado nacional de produtos voltados para este segmento representa R$ 2,3 milhões (consumidorfinal), ou seja, 10% dos gastos totais do segmento cosmético. Este percentual é menor do que o percentual do segmento no mundo (18%) e da América Latina (12%). Apesar disto, o Brasil é considerado a 11ª economia mundial neste segmento. A taxa de crescimento média tem sido 16,7% em faturamento e 8,2% em volume no período de 1999-2004 (Euromonitor). O mercado de cuidados da pele no Brasil se concentra em 10 empresas que representam 66% do faturamento do segmento.

A Avon é a empresa líder com 19% do market share. Para a empresa o segmento representa o 2º mais importante em faturamento dentre todos os demais segmentos do setor cosmético. A marca mais expressiva da empresa é a Renew (7,5% de market share por ranking de marcas), além de vasta linha para o segmento com outras marcas como a Avon Basics.

Ocupando o 2º lugar em faturamento aparece a Natura (17%), que tem o segmento como o 3º mais significativo em faturamento, perdendo para os segmentos de Perfume e Maquiagem. Atua no mercado através das marcas Chronos (7,1%), Sève, e Faces de Natura.

Com 8% do mercado fica a BDF Nivea, em 3o. lugar, que tem no setor o 2º lugar em importância de faturamento com as linhas Nivea Visage e Nivea Body. As outras sete empresas mais representativas são: O Boticário, Unilever, L´Oreal, DM, Davene, Johnson & Johnson e Mary Kay.

O mercado pode ser segmentado em dois tipos de consumidores:

- Consumidores heavy – aqueles extremamente preocupados com tratamento e hidratação da pele com o fim de manter a aparência eternamente jovem. O perfil deste consumidor são mulheres economicamente ativas, independentes financeiramente, e extremamente conscientes dos produtos necessários para os cuidados da sua pele. Tendem a procurar produtos com apelos vegetais ao invés dos sintéticos. Este perfil não se importa em pagar um pouco mais por produtos que entreguem efetivamente as promessas informadas nos rótulos.

- Por outro lado, os consumidores light se preocupam mais em manter a pele suave e macia sem levar em conta se há ou não ingredientes ativos de valor agregado ao produto.

Enquanto para o primeiro grupo o preço não é um fator de decisão tão crítico, para o segundo, é fundamental.

O consumo per capita do Brasil é considerado baixo, cerca de R$ 13,8 pessoa/ano, quando comparado com os demais segmentos do setor cosmético. Longe de ser um dado desanimador para as empresas, é um indicador de excelente oportunidade de negócios para um setor que promete um crescimento de 7,0% ao ano no período de 2004-2009.

Assuntos Regulatórios por Rubens Brambilla

Novo prazo para Atualizações

De acordo com a RDC 343, de 12/12/05 e para contemplar a necessidade legal das atualizações das antigas notificações, até antes peticionadas e protocoladas, a Anvisa concedeu inicialmente prazo de 120 dias para que todas as empresas do setor efetuassem as devidas atualizações das notificações válidas, com a inclusão do código de barras e menção dos ingredientes na nomenclatura INCI. Nessa atualização, inclusive, podem ser feitas inclusões de novas tonalidades, como no caso de maquilagens, por exemplo, já que o Sistema de Notificação Eletrônica, assim o permitia, e para isso, cada uma terá que ter o seu próprio código de barras.

Embora, se deva reconhecer que a Anvisa tenha tomado todos os cuidados possíveis, inclusive através de simulações práticas internamente e depois, de comum acordo com as Entidades, usando notificações simulatórias de diferentes empresas privadas do Setor, o Sistema de Peticionamento Eletrônico da Anvisa apresentou diversas falhas no seu processamento, com o uso prático do dia-a-dia. Essas falhas, muito provavelmente, por conta do grande volume de acessos simultâneos ao website da Agência. Ou mesmo devido à possível falta da perfeição esperada pelo recente e novo programa adotado e implantado em curto prazo de tempo.

Assim, no dia 28 de abril, a Anvisa publicou no seu site a nota de prorrogação do prazo para atualização de notificação de cosméticos: “O prazo para a atualização das Notificações regidas pela Resolução 335/99, e que constam do atual sistema de Peticionamento Eletrônico, fica prorrogado por mais 120 (cento e vinte) dias, de acordo com a RDC 343/2005, artigo 19.” Portanto, até o final de agosto as empresas do Setor Cosmético, deverão ter concluído, as atualizações de todas suas antigas e válidas “Notificações Eletrônicas”.

Outro tema

Ainda como assunto importante e devido à proximidade da reunião ordinária do Mercosul (Mercado Comum do Sul), a Anvisa publicou, nova RDC, na forma de Regulamento Técnico.

A RDC No. 47, de 16/3/06: Regulamento Técnico “Lista de Filtros Ultravioletas permitidos para produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes”, que consta como anexo e fazendo parte da Resolução.

Como principais alterações, em relação a RDC 161/2001 agora substituída, destacamos:

- Benzophenone-2: Retirada da lista, por ser usada somente como protetor de cor do produto e não como filtro solar

- Benzophenone-3: Quando utilizada em concentrações maiores que 0,5%, deve ter advertência na rotulagem: “Contém Oxibenzona”. Máxima concentração autorizada: 10%

- Benzophenone-4: Listada em separado da benzofenona- 5, porém mantida a concentração de uso em 10% (máxima).

- Benzophenone-5: Concentração máxima permitida reduzida a 5%

- Dioxido de titânio: Concentração máxima limitada a 25%

- Zinc Oxide: Concentração máxima limitada a 25%

Novos ingredientes foram incluídos:

- Polisylicone–15 (dimetico-dietil-benzil-malonato): Concentração máxima limitada a 10% - Diethyilamino hydroxybenzoyl hexyl benzoate {éster etílico do ácido 2-[4-(dietilamino)-2- hidroxibenzoil]-benzóico}: Concentração máxima limitada a 10%

Para finalizar, informamos que a próxima reunião oficial do Mercosul está programada para o período de 15 a 18 de maio, em Buenos, Argentina, uma vez que a coordenação pro-tempore está sob a responsabilidade daquele país.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Práticas por Carlos Alberto Trevisan

Ser ou não ser, eis a Questão

Prosseguindo com a abordagem conceitual relativa às Boas Práticas de Fabricação e Controle consideramos de grande relevância comentar a efetiva participação da implantação das BPF e C com sua característica de Ferramenta da Qualidade no processo da Qualidade.

Como continuamente enfatizamos, Qualidade é um estado de espírito, pois está umbilicalmente ligada às pessoas e, portanto, à conscientização e, conseqüentemente, ao comprometimento, constituindo pilar de sustentação para a estrutura da Qualidade.

Foram inúmeras as vezes em que, ao prestarmos serviços na atividade de treinamento de empresas para a auto-inspeção, deparamos com o quadro de que não está implantado um processo de BPF e C. Portanto a questão que se apresenta é: auto–inspeção ou inspeção?

A dúvida surge a partir da constatação de que são tantas as não-conformidades, que estas deixam de ser exceção para se transformarem em regra.

Formulamos este questionamento pois a autoinspeção já consta da Portaria 348 de 1997, mas não tem, até o momento sido levado em consideração. Com a publicação, na qual consta que as empresas devem, pelo menos uma vez ao ano, realizar uma auto-inspeção sob a responsabilidade do respectivo Responsável Técnico, teve início uma corrida para a realização desse procedimento - sem que as empresas levassem em conta os fatos mencionados anteriormente.

Quando da apresentação do Relatório de Auto- Inspeção aos responsáveis pela empresa surgem questionamentos do tipo: mas isto não me foi exigido quando da inspeção. Por que seria necessário agora?

Esta dúvida muitas vezes é difícil de ser esclarecida, pois não podemos efetivamente considerar que a empresa ao iniciar suas atividades não tenham, por simples bom senso, sido levadas em consideração, coisas mais básicas, como recipientes de lixo e proteção contra a entrada de insetos, animais etc.

O quadro que relatamos, obviamente, ocorre em empresas em pleno funcionamento e podemos, apenas para efeito de exemplificação, indicar no gráfico que segue um percentual médio de atendimento ao constante na Portaria 348 que contempla o Guia de Boas Praticas de Fabricação e Controle e o respectivo Roteiro de Inspeção.

O gráfico representa o resultado de auto-inspeções, realizadas em 22 empresas identificadas pelas letras de A a X, localizadas em várias regiões do território nacional, no que respeita ao atendimento dos quesitos classificados como necessários, ou seja, aqueles que em uma segunda inspeção seriam classificados como imprescindíveis.

Observando o gráfico verificamos que 13 das 21 empresas, ou seja, 61% não atingem 60% de conformidade e que apenas uma está no patamar de 90%.

Ressaltamos que em vários dos casos a auto-inspeção realizada indicou a impossibilidade de adequação, pois a quantidade de não-conformidades são tantas que, do ponto de vista econômico-financeiro, a empresa entraria, segundo informações prestadas por seus administradores, em estado de insolvência.

Tomamos a liberdade de abordar este exemplo para sinalizar que muito deve ser feito ainda, para que se construa o alicerce antes de tentar alcançar o telhado.

Tem ocorrido comentários sobre a necessidade de implantar processos de Gestão da Qualidade e Qualidade Total, mas talvez aqui se aplique a conhecida expressão: “É depois do terremoto que aprendemos Geologia.”

Concordamos que o processo da Qualidade é dinâmico, e ai está o ciclo PDCA que não nos deixa mentir, mas devemos ter em mente que não existe a possibilidade de durante o processo saltar as etapas, como se o organismo vivo “Qualidade” pudesse sobreviver sem que suas células básicas estejam funcionando e se desenvolvendo de modo harmônico e saudável.

A busca da Qualidade como objetivo da melhoria contínua não se obtém sem que os princípios básicos da BPF e C estejam solidamente implantados no dia-a-dia da empresa.

Por fim esperamos que o bom senso prevaleça e não ocorra a precipitação oportunista, pois as conseqüências podem ser funestas.

A vez da Qualidade por Maria Lia A. V. Cunha / Friedrich Reuss

Em Detrimento da Natureza

Os nascidos após 1950 viram mais pessoas nascerem durante suas vidas que nos 4 milhões nascidos nos anos precedentes. Entre 1950 e 2000 a população mundial aumentou de 2,5 para 6,1 bilhões. É uma realidade que poucas pessoas se dão conta, pois nos falta a visão de conjunto.

Este crescimento absurdo nos faz perguntar até que ponto a natureza tem capacidade de absorver tal interferência. A taxa de crescimento é completamente diferente comparando países desenvolvidos e com os em desenvolvimento. Se em 1950 havia 0,8 bilhões de pessoas em países desenvolvidos e 1,7 bilhões de pessoas em países em desenvolvimento, estes números em 2001 passam a 1,3 e de 5,9 bilhões, ou seja, crescimento muito maior para a população dos países em desenvolvimento.

As preocupações com o meio ambiente são muito recentes e muito mais concentradas nos países desenvolvidos. Tradicionalmente, esses países se preocupam mais com o equilíbrio global de meio ambiente e da segurança.

Esse crescimento logarítmico da população tem dizimado as riquezas da natureza. Na mesma proporção cresceu a economia, que também se desenvolve em ritmo galopante. A capacidade de produção do meio ambiente está chegando ao limite, pois desde 1950 o consumo de grãos triplicou, o consumo de frutos do mar quintuplicou, fazendo com que o limite sustentável da pesca já esteja atingido. O consumo de água, da carne e da lenha triplicou. O consumo de papel, a despeito dos computadores e dos registros eletrônicos, sextuplicou e o consumo de combustíveis fósseis quadruplicou.

A pergunta é de onde chegaremos se as coisas continuarem dessa forma. O consumo de combustíveis fósseis, a geração de gás carbônico e a redução das florestas trazem o aumento das temperaturas. Temperaturas recordes dos últimos anos podem ter exterminado grande parte dos corais do Oceano Índico, que são a proteção da vida e a proteção das marés e tempestades. A Antártida, em cerca de uma década perdeu uns 10.000 quilômetros quadrados de cobertura de gelo, que aliada a outras perdas de gelo poderão aumentar significativamente o nível do mar.

A outra preocupação é com a água. A água não se perde, apenas muda de lugar. De toda a água existente na terra, 97% está nos mares. Dos 3% de água doce 99% estão em geleiras e em águas subterrâneas. O 1% restante, apenas a metade está disponível em rios e lagos. Da imensidão de água que conhecemos, apenas parte ínfima está disponível para o uso humano, sem falar das águas poluídas e sem condição de uso. Muitos dos países superpopulosos já fazem uso não-sustentável da água. Se imaginarmos que para a produção de uma tonelada de grãos são necessárias mil toneladas de água começamos a nos preocupar com as conseqüências de sua falta. Algumas centenas de milhões de toneladas de grãos são produzidas com o uso não-sustentável da água. Na gíria costumamos dizer que a “natureza vai se vingar”. A cobertura de florestas continua diminuindo uns 20 milhões de hectares por ano e uma das conseqüências é a extinção de 10% a 20% das espécies de pássaros, animais e peixes. O excesso de áreas devastadas ou agrícolas e a falta de florestas ciliares nas margens dos rios fazem com que se percam dezenas de bilhões de toneladas de terras agriculturáveis no Brasil, correspondentes a uma Suíça por ano. Toda esta terra, rica em nutrientes, vai para os rios, onde provoca assoreamento e dificulta a navegação, como o vimos recentemente na seca em Manaus.

Em muitos países desenvolvidos já há algumas ações no sentido do controle da agressão ao meio ambiente. Porém, em outros países esta consciência ainda está muito longe e é exatamente lá que está o grande crescimento populacional. Nos países desenvolvidos a consciência já é no sentido de que “devemos fazer o que tiver de ser feito”, ao passo que nos países em desenvolvimento o grau de consciência ainda se situa no pensamento retrógrado: “o meio ambiente não é importante, o que importa é produzir”.

Enquanto esta mentalidade não for alterada, não haverá salvação para a terra e a pergunta final é a seguinte: como conscientizar toda uma população, que constantemente é bombardeada com propaganda de venda de produtos cada vez mais industrializados? É um trabalho que deveria ser iniciado nas escolas, mas é nos países em desenvolvimento que a qualidade e a freqüência nas escolas é a pior possível.

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Oligoelementos

Na abordagem da terapia antioxidante no combate ao envelhecimento, publicado na edição anterior, falamos das principais vitaminas presentes nos alimentos e que fazem parte da dieta cotidiana.

Da mesma forma que as vitaminas, os minerais participam das reações químicas necessárias à vida como se fossem coenzimas. Estão presentes nos ossos, nos músculos e no sangue onde exercem funções importantes e são fundamentais nas atividades do sistema nervoso. Aqueles elementos dos quais necessitamos maior aporte diário na alimentação são designados como minerais: cálcio, magnésio, sódio, potássio e fósforo. Oligoelementos são os demais elementos, disponíveis na alimentação e em menor concentração: zinco, ferro, cobre, manganês, cromo, selênio e iodo, dos quais falaremos a seguir.

Cobre

Uma das numerosas coenzimas com funções muito importantes no organismo. Completa a atividade do ferro na elaboração de hemáceas, permite bom funcionamento do sistema nervoso e da mielina. Entra na constituição da superoxidodismutase (SOD), enzima que neutraliza os radicais livres. Possui ação antiinflamatória, antiviral e antiinfecciosa. Sua carência acarreta fadiga, anemia, reumatismo e infecções. Fígado de bovinos e ovinos, cogumelos crus, amêndoas, caju e leguminosas em geral são fontes naturais do cobre.

Magnésio

Depois do cálcio e do fósforo, é o mineral mais abundante no organismo. Um adulto de 75 quilos possui por volta de 30 gramas de magnésio. O esqueleto concentra cerca de 70% desta substância. O resto tem importantes funções no organismo, como equilíbrio do sistema nervoso, juntamente com o cálcio, ação antiinfecciosa ou virais, redução da taxa de triglicérides e colesterol no sangue e auxilia nos regimes hipocalóricos: quando os adipócitos perdem suas reservas lipídicas, e têm de absorver magnésio para substituição. Sua falta é dificilmente suprida pela alimentação e sua assimilação, dificultada ou totalmente impedida pelo alcoolismo, diabetes e doenças renais. Está presente nas nozes em geral, cacau, feijão, gérmen de trigo e soja.

Manganês

Entra na composição de metaloenzimas e como tal tem varias funções. Trabalha na síntese de mucopolissacarídeos que entram na constituição de cartilagens. As artroses são decorrentes da destruição e do desaparecimento da cartilagem das articulações. O manganês previne este desaparecimento e é muito eficaz contra dores articulares, causadas por problemas de discos cartilaginosos intervertebrais. Os mucopolissacarídeos são também compostos do colágeno e têm função importante na proteção dos músculos, tendões, pele e ossos. O manganês é indispensável à passagem do fluxo nervoso. É necessário à síntese da protombina, fundamental à coagulação do sangue. Sua carência acarreta arteriosclerose, artrites, falta de coordenação motora e irritabilidade. Cereais completos, leguminosas e aveia são fontes naturais.

Selênio

É um antioxidante. O organismo humano fabrica, durante o metabolismo, corpos oxidantes agressivos – os radicais livres – que é a glutation-peroxidase, que contém selênio. Suas propriedades decorrem desta particularidade. Ajuda a combater o deposito de colesterol, age contra o envelhecimento celular e aprimora o sistema imunitário. Sua falta se deve ao fato de ser quase impossível obter uma taxa de selênio suficiente na alimentação.

Zinco

Entra na composição de numerosas metaloenzimas e numa infinidade de processos vitais do organismo. O zinco tem função importante no aparelho genital masculino: o órgão mais rico em zinco é a próstata. Quando sua Taxa diminui, o volume da próstata aumenta. Os órgãos genitais se desenvolvem pouco em adolescentes carentes de zinco. Ocorre também ausência de ereção. Sua falta pode gerar doenças de pele. Perda de olfato, paladar e libido e fadiga. O zinco, assim como a vitamina E e os flavonóides, é um inibidor de radicais livres. Faz parte do processo de desintoxicação do organismo. É encontrado no fígado bovino, carne de frango, girassol e soja.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Metodologias de Testes

Sempre que vamos falar sobre métodos para avaliação dos pêlos e cabelos precisamos, de maneira didática, agrupar nossas necessidades.

Talvez a mais importante para nossos leitores seja aquela que envolva o mercado. Assim, testes que comprovem a eficácia de algum produto são os mais visados e, portanto, são também os mais criticados. Temos ainda os trabalhos científicos, de estudos básicos, normalmente realizados nas universidades e com propósitos acadêmicos. Finalmente temos os testes utilizados pela medicina forense, no qual o cabelo tem uma participação muito grande. Só para constar, neste último item temos como testes para avaliação de presença de drogas nos cabelos os métodos de extração, como a hidrólise ácida, a hidrólise alcalina, a digestão enzimática e o tratamento com tampão ou solventes orgânicos.

Temos ainda os métodos não-cromatográficos, divididos em imunológicos e não-imunológicos, e os métodos cromatográficos, de fina camada, a cromatografia líquida de alta performance e a cromatografia de gás/espectometria de massa. No campo acadêmico, mas não exclusivamente, temos vários testes que se imbricam com aqueles que são usados pelo marketing, mas poderíamos ressaltar os estudos das cadeias de queratina como um dos que começam na universidade e acabam no mercado.

Durante anos os cientistas desenvolveram uma gama variada de testes para avaliar a eficácia dos produtos capilares, para sustentar aquilo que o departamento de marketing anuncia. Estes testes tentam traduzir para a linguagem científica aquilo que é percebido pelos consumidores e fazem uma correlação entre os dados dos testes e os resultados da vida real, obtidos em testes de salão ou painéis de especialistas. Para tanto, utiliza-se aquilo que chamamos de ciência da avaliação, que nada mais é que uma ciência da medida, mas com fronteiras muito próximas com outras formas de medida. Quando medimos os parâmetros físicos e químicos, correlacionamo- os com os efeitos fisiológicos e até mesmo psicológicos e filosóficos - mistura ciência e marketing e, para ser validado, tem de ter algumas características, dentre as quais a reprodutibilidade é, com certeza, a mais importante.

Vamos classificar os testes não por ordem de importância, mas por área de atuação, e citar os métodos considerados mais modernos em cada item.

Performance de shampoos

- Geração de espuma: teste desenvolvido por Conklin J. et al em 1992, que utiliza dispositivo composto de quatro tubos de vidro interconectados, no qual se cria a espuma e se mede a quantidade dela.

- Detergência: pode-se usar um método de geração de espuma e um de limpeza, avaliando-se a quantidade de produtos utilizados, a temperatura da água, o tempo de limpeza total, usando-se aí até o scanning da microscopia

- Produtos de penteado: um teste apenas não é suficiente para obter um resultado positivo, portanto, associam- se algumas técnicas e métodos para se avaliar este item, tais como propriedades de fixação, de penteabilidade, de fricção, de brilho, tensora e de comportamento de sudorese.

No campo do manejo dos cabelos também podemos ter várias formas de avaliação. Capacidade de fixação do penteado e de retenção do mesmo são alguns dos principais itens que se quer medir. Outros são referentes à medida da força estática gerada pelos cabelos quando penteados ou escovados.

Uma das medidas mais controvertidas é a do “corpo do cabelo”, definido como “a medida da resistência que uma massa capilar tem de se recobrar de uma deformação induzida externamente”. Baseados nesta definição, podemos avaliar a densidade, curvatura, rugosidade da haste, diâmetro e interação entre as fibras.

Além destes testes, podemos relacionar, para efeito de pesquisas posteriores, todos os outros métodos que servem para a tricologia, sem aí listarmos os de subjetividade: microscopia eletrônica, espectroscopia, reflectometria, espectrofotometria, espectrometria líquida, microfluorometria, espectroscopia de raio-X, eltrocinética, análise química de espectroscopia eletrônica, análise de imagem, microscopia polarizada, espectrometria infra-vermelha da transformada de Fourier, espectrofluorometria, análises quantitativas e qualitativas.

Como podemos perceber, muitas são as formas de medição dos produtos para cabelo. Cabe a quem trabalha com esta área separar os que realmente serve à pesquisa daqueles que são criados especificamente para um produto.

Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Controle de Qualidade

Quando se fala em Controle de Qualidade numa empresa de cosmético, o que primeiro vem à cabeça é o controle da qualidade do produto e das matérias-primas que o compõem. Ao passo que o controle da qualidade da embalagem, talvez até inconscientemente, acaba sendo deixado para um último estágio. No fundo, existem algumas razões para se agir dessa forma. Uma delas é que, obrigatoriamente, o fabricante ou o distribuidor da matéria-prima entrega o lote acompanhado de seu respectivo laudo de análise. Isso já demonstra a preocupação com o controle de qualidade da matéria-prima. O mesmo não acontece com todos os fabricantes ou distribuidores de embalagens. A segunda razão é que não existe padronização dos parâmetros de qualidade de embalagem por parte dos fornecedores, conseqüência direta da falta de uniformidade na classificação dos defeitos, conceitos de qualidade e níveis de qualidade aceitável (NQA) nas empresas de cosméticos.

O Controle de Qualidade de Embalagem é o departamento responsável pela inspeção ou auditoria dos lotes no recebimento ou no próprio fornecedor. Quem faz esse controle são os técnicos contratados ou formados dentro da própria empresa. O controle deve ser feito obedecendo-se às normas, padrões e procedimentos, devidamente acordados com os respectivos fornecedores.

Controlamos a qualidade porque não confiamos nas pessoas, equipamentos e na reprodutibilidade dos processos.

Embalagem é tudo que serve para: acondicionar (frasco, pote, estojo, bisnaga, etc.), proteger (cartucho, berço, etc.), informar (bula, folheto, rótulo, etc), vedar (tampa, batoque, casca-seal, etc.) e facilitar o uso (válvulas, tampas disc/flip-top, etc).

As embalagens são classificadas por famílias, geralmente dessa forma: plásticos (frascos, potes, bisnagas, tampas, rótulos, etiquetas, cartuchos, estojos, etc), vidros (frascos, potes, flaconetes, etc), papéis (cartuchos, bulas, rótulos, etiquetas, bulas, folhetos etc.), metais (bandejas, tampas, anéis, etc), válvulas (dosadoras, spray, etc) e diversas (nécessaires, enfeites, esponjas ou tudo que não se encaixa nas famílias
citadas).

Para se fazer o Controle de Qualidade nas embalagens, necessariamente precisamos definir antes qual será o Plano de Amostragem, NQA (Nível de Qualidade Aceitável) e a classificação de defeitos que a empresa quer adotar. O Plano de Amostragem mais utilizado é o Military Standard e dentro dele se define o NQA.

Quando falamos em NQA, estamos admitindo que não existe o efeito zero. Daí a importância do Plano de Amostragem e da classificação/definição dos tipos de defeito. Os defeitos numa embalagem são classificados de três formas:

• Críticos: têm como definição básica o defeito que não permite o uso da peça, coloca em risco a saúde do consumidor e deixa de atender a legislação.

• Graves ou Maiores: aqueles que dificultam o uso da peça, não permitem ou dificultam o acoplamento no conjunto da embalagem final, denigrem a imagem da empresa e provocam problemas na linha de produção.

• Menores ou Mínimos: aqueles que o consumidor não percebe, mas o técnico sim, e que podem se transformar num defeito maior se não corrigido a tempo pelo fabricante.

Essas são definições básicas para os tipos de defeitos. As inspeções de qualidade são feitas por atributos, que são normalmente os defeitos visuais e comparativos, ou por variáveis, que são os defeitos de ordem dimensional, normalmente definidos pelo desenho técnico da peça.

Considero de fundamental importância para a montagem de um Controle de Qualidade nas empresas, que a iniciativa deva partir, primeiramente, dos proprietários ou da alta direção da empresa. Em segundo lugar, que fornecedor e cliente falem a mesma língua e, finalmente, que o Departamento tenha a coordenação de um técnico especializado, seja ele funcionário da empresa ou mesmo um consultor prestador de serviço - sob pena de não se usar o sistema implantado por ser complicado e querer ser mais realista que o rei ou mesmo tão simples que não defina nada, não controle e, portanto, não gere credibilidade.

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