21 de Outubro de 2018

Formulação Verde/Sistema de Liberação

Edicao Atual - Formulação Verde/Sistema de Liberação

Editorial

A força do mercado interno

A revista Exame do início de abril trouxe interessante matéria sobre a força do mercado interno brasileiro.De acordo com a reportagem, serão gastos cerca de dois trilhões de reais neste ano. O texto acrescenta ainda que os emergentes da classe C brasileira já somam aproximadamente 80 milhões de pessoas: consumidores que sabem como, onde e quando gastar o seu dinheiro. Por essa razão, as oportunidades de negócios estarão nas empresas que estiverem mais atentas às necessidades e aos desejos dessa parcela da população e forem mais ágeis nas adaptações de seus produtos.O setor cosmético, com certeza, não irá perder essa oportunidade.Esta edição de Cosmetics & Toiletries (Brasil) levanta mais uma bandeira, a prática da “química verde” – englobando as ações que causem o menor impacto ambiental, como está amplamente abordado na matéria de capa desta edição, e num artigo científico. Outros assuntos em destaque são a liberação de ativos e os estudos do parâmetro de estabilidade. A revista ganhou uma nova seção, Persona, que irá relembrar os importantes nomes que construíram a história da cosmetologia brasileira. Henrique Valfré é o primeiro a ser entrevistado.No caderno ABC News, a Associação Brasileira de Cosmetolgia publica o perfil da nova diretoria que irá gerir os destinos da entidade nos próximos dois anos.  

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Tornando Verde a Química do Cuidado Pessoal - James H. Clark e Louise Summerton Green Chemistry Centre of Excellence, University of York , York , Reino Unido

Pressões econômicas múltiplas, do legislativo e dos consumidores estão forçando um inusitado nível de mudanças na fabricação de compostos e desenvolvimento de produtos químicos. Neste artigo, os autores examinam os propulsores de mudanças e oportunidades em todo o ciclo de vida do produto para a adoção da química verde e sustentável, incluindo o uso de recursos renováveis, métodos de sínteses mais limpos e produtos “mais verdes”.

Las presiones económicas, legislativas y del cliente múltiples están forzando un nivel sin precedente de cambio en la fabricación de los ingredientes químicos y en el diseño de los productos químicos. Los autores examinan los conductores para el cambio y las oportunidades a través del ciclo vital de producto para la química verde y sostenible incluyendo el uso de recursos renovables, de métodos más limpios de la síntesis y de productos más verdes.

Multiple economic, legislative and customer pressures are forcing an unprecedented level of change in chemical manufacturing and the design of chemical products. The authors examine the drivers for change and opportunities across the product lifecycle for green and sustainable chemistry including the use of renewable resources, cleaner synthesis methods and greener products.

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Liberação Integral na Hora Certa e no Local Adequado - Johann Wiechers, PhD, Jonathan Hadgraft, Barrie C Finnin, Michael S Roberts JW Solutions, Holanda

A liberação de ativos/fármacos na pele ainda é uma tarefa que necessita de maior conhecimento e mais pesquisa. Neste artigo os autores discutem pontos importantes na técnica de liberação como quando, em que quantidade e onde esta pode ocorrer, e prevêem que novas tecnologias de mensuração deverão ser desenvolvidas para comprovar a eficácia desses processos.

La liberación de activos/fármacos en la piel todavía es una tarea que necesita de mayor conocimiento y más investigación. En este artículo, los autores discuten puntos importantes de la técnica de liberación como el cuándo, en qué cantidad y dónde ocurrirá, y pronostican que nuevas tecnologías de medición deberán ser desarrolladas para probar la eficacia de estos procesos.

To deliver of drugs and active ingredients in the skin is still a task which needs more knowledge and research. In this article the authors discuss the main points on the delivering technique considering the on time, in full and on target factors. It is claimed that new measurement Technologies are required to prove these processes efficacy.



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Estudo de Parâmetros de Estabilidade de Emulsões Cosméticas - Sheila Nara Castoldi Diavão, Centro Universitário Diocesano do Sudoeste do Paraná – UNICS, Palmas PR, Brasil

A estabilidade de uma emulsão garante ao consumidor qualidade e segurança na sua utilização. Os aspectos homogeneidade, br ilho, maciez, bem como a espalhabilidade e pH, estão entre os parâmetros avaliados na estabilidade. Essas características garantem que os produtos possam ser transportados e utilizados em diferentes situações de climas e de temperaturas, sem riscos.

La estabilidad de una emulsión es las garantías de calidad y seguridad al consumidor. Los aspectos de homogeneidad, br illo, maciez(suavidad), así como el(su) espalhabilidade(facil aplicación) y el pH, están entre los parámetros evaluados en la estabilidad. Esas características garantizan que los productos puedan ser transportados y utilizados en diversas situaciones de climas y de temperaturas, sin riesgos.

The stability of an emulsion guarantees the product quality and safety to the consumer. The homogeneity, brightness, softness aspects, as well as the strengthening and pH properties are among the parameters that must be considered in the stability evaluation. These waxes auto-emulsifier formulation can be shipped and used safely in different

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Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Tricologia Verde

Acredita-se que, mesmo com os Estados Unidos vivendo uma imensa crise na economia, haverá aumento de 80% nas vendas de produtos ditos orgânicos ou verdes.

É muito importante que se defina corretamente o que é um produto verde (e não estamos falando apenas da cor da embalagem!). Para entender melhor este assunto, vamos ver o que aconteceu na Europa nos últimos anos. Os cinco maiores países em termos econômicos se uniram, cada um com sua instituição representativa. A Itália com a ICEA, a Alemanha com a BDIH, a Bélgica com a Bioforum, a França com a Cosmebio/Ecocert e o Reino Unido com a Soil Association e definiram as necessidades mínimas e as bases para os cosméticos poderem ser chamados de orgânicos ou naturais.

Para tanto esta associação, denominada Cosmos (Cosmetics Organics Standards Working Group), estabeleceu alguns pontos que devemos considerar. O primeiro é para que tenhamos um desenvolvimento sustentável, que possa conciliar progresso econômico, responsabilidade social e manter o balanço natural do planeta. É um projeto onde os cosméticos precisam estar envolvidos.

Entretanto, para se alcançar todos os itens necessários para um desenvolvimento sustentável, algumas mudanças nos padrões de produção e nas práticas de consumo são indispensáveis.

Para estimular esses processos de produção e consumo, o setor dos cosméticos orgânicos e naturais está usando algumas regras ditadas pelos princípios de prevenção e segurança em todos os níveis da cadeia, desde a produção da matéria-prima até a distribuição do produto final.

Essas regras básicas podem ser enunciadas como:
1. Promover o uso de produtos de agricultura orgânica e respeitar a biodiversidade.
2. Usar produtos de fonte natural de maneira responsável e respeitar o meio ambiente.
3. Adotar processos e manufatura que sejam limpos e que respeitem a saúde humana e o meio ambiente.
4. Integrar e desenvolver o conceito de “Quimica Verde” em vez de petroquímicos.

Este último ponto é um ponto-chave para o sucesso dessa ambição, se considerarmos as especificidades da formulação de produtos cosméticos.

Com esta “filosofia verde”, e este desejo de contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável, o setor de cosmético tem o compromisso de definir e implementar um padrão para o que se vai chamar de cosmético orgânico ou natural. Este padrão considera a realidade tecnológica corrente enquanto infunde um dinamismo que levará a desenvolvimentos inovadores.

Para facilitar a tradução dessas regras em nível de padronização, é necessário distinguir as cinco categorias de ingredientes que possui um produto cosmético (a lista abaixo segue ordem crescente de intervenção humana)

1. Água – matéria-prima vital e básica no desenvolvimento de um produto; sua qualidade é essencial.
2. Ingredientes naturais – interessante e necessário, mas não renovável. Eles requerem regras ambientais claras para uso.
3. Agroingredientes processados fisicamente – a maioria já tem regras claras.
4. Agroingredientes processados quimicamente – certificados por leis que permitam que sejam autorizados sob o guarda-chuva da “Química Verde”.
5. Materiais sintéticos – esta é a categoria que vai direcionar a transição entre a situação corrente e os objetivos e direção deste padrão.

Estes são os pontos que precisam ser seguidos para que o meio ambiente e o bem-estar do homem no planeta sejam preservados.

Para propósitos práticos pretende-se como objetivo assegurar a transição entre as possibilidades de avanço tecnológico do hoje para o amanhã e promover o desenvolvimento dos cosméticos da maneira mais natural e orgânica.

Isso se faz necessário para que o consumidor seja informado de maneira clara e transparente para que possam ser atores na manutenção do desenvolvimento sustentável.

Em resumo, sem a participação efetiva do elemento da ponta do processo - o consumidor -, não haverá esta possível evolução.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Práticas por Carlos Alberto Trevisan

BPFeC versus higiene e limpeza

A pedido de vários leitores, vou retornar tópico importante para a efetiva implantação das Boas Práticas de Fabricação e Controle nas indústrias de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes: conflitos existentes entre alguns conceitos de limpeza e higiene.

Para exemplificar com fatos, cito a exigência de lavar as mãos como imprescindível; entretanto, tal rigidez não é aplicada na manutenção das condições higiênicas de uniformes e ambientes de trabalho.

Quanto aos uniformes, em algumas empresas é frequente que a quantidade disponível seja insuficiente para atender a todos os colaboradores, de modo a permitir o revezamento para lavagem. Como consequência, nem sempre todos estão vestindo uniformes efetivamente limpos.

Ainda relativo à quantidade, muitas vezes é ignorado que o número de uniformes disponíveis para os colaboradores que trabalham no envase, provavelmente, deva ser diferente da quantidade daqueles que exercem suas atividades na fabricação, pesagem, manutenção etc., passível de maior exposição à sujidade. A prática mostra que para atividades que envolvam o manuseio de pós e materiais viscosos, que possam aderir ou impregnar o vestuário, a troca deve ser diária.

Não deve ser negligenciada a forma como os uniformes são conservados e mantidos, especialmente quando essa responsabilidade está a cargo do colaborador. O processo de lavagem e secagem domésticas, se não bem cuidado, pode ocasionar a contaminação do vestuário por fungos ou outros contaminantes que, se não eliminada pelo ferro de passar, podem trazer riscos tanto para o ambiente quanto para os produtos a serem manipulados pelo colaborador.

Uma dúvida quanto ao conceito de uniforme limpo é aquela de que, após lavado, este não contém sujidades ou aquele que, além de sujidades, não apresenta manchas?

Estou frisando esse ponto, pois algumas empresas que utilizam serviços de terceiros para limpeza de uniformes, optam, por questão de economia, pela denominada desinfecção, aquele processo que não remove manchas, resultando em uniformes de aparência encardida.

Outro ponto é o impacto efetivo da modelagem do vestuário na manutenção dos níveis de higiene. Muitos destes dispõem de vários bolsos, botões etc. que representam potenciais suportes para contaminantes. Os bolsos são utilizados para a guarda de acessórios como toucas e luvas descartáveis; os botões representam um risco potencial de contaminação como no caso de queda nos tanques de fabricação ou armazenagem, ou no interior do frasco de produto.

Quanto ao ambiente de trabalho, sempre me deparo com situações delicadas como a seguinte: após lavarem as mãos com sabonete líquido e enxugá-las com papel-toalha, devidamente dispensado em recipiente com tampa acionada por pedal, os colaboradores têm que utilizar a mão corretamente higienizada para acionar a maçaneta ao abrir a porta para sair do banheiro.

Ainda podemos mencionar o fato de haver excessiva preocupação com a higiene pessoal dos colaboradores, não em igual intensidade com utensílios de trabalho, em especial, os da área de pesagem – esses, após a utilização, devem imediatamente limpos, sanitizados e mantidos nesta situação até a próxima utilização.

Limpeza e higienização ambiental também são importantes quanto aos riscos potenciais de contaminação dos produtos e, por essa razão, não devem ser preteridas por nenhuma outra atividade.

Assim, acredito que, nessa revisão, abordei alguns pontos importantes que poderão balizar os procedimentos adotados pelas empresas do setor.




Carmita  Magalhães
Fragrâncias por Carmita Magalhães

O tempo na evolução olfativa

Viajar a trabalho é muito estimulante. E eu adoro viajar por muitas razões, mas uma delas é ficar mais sensível ao tempo que passa de forma diferente... É um tipo de meditação onde o passado, o presente e o futuro se encontram com intensidade.

Estou chegando de viagem e, tão concentrada estava nos meus pensamentos, esqueci em algum lugar meu “caderno mágico” e, com essa perda, lá se foi o esboço daquilo que seria esta coluna. Agora, como se diz em francês, é sans filet, ou seja, sem rede de segurança.

Neste momento, o tempo parece outro: rápido, fugaz e veloz... e, por essa razão, vou ficar nos grandes temas. Vou falar de dois fundamentais para a nossa indústria: a evolução e a diversidade da perfumaria com foco na ação do tempo, claro!

Gostaria que pensássemos juntos sobre este assunto banal, porém bastante complexo.

Num primeiro momento falaremos do verde, mas, para a minha argumentação ser mais fluida, precisarei completá-la com outros temas olfativos: o “animálico” e o “gourmand”; porém, vou tratá-los de forma idêntica ao verde. Após esses três exemplos, poderemos ver como o tempo influi decididamente na perfumaria.

Verde - palavra fácil para qualquer pessoa identificar porque, acima de tudo, verde é uma palavra do dia-a-dia. Representa uma cor e, na prática, tem vários tons. Na perfumaria, globalmente, se diz uma nota ácida que lembra a natureza.

Apesar dessa família olfativa existir desde o início da perfumaria industrial, gosto de dividir o verde em dois grupos: verde clássico e verde moderno.

O verde clássico é representado por uma matéria-prima natural, o óleo essencial de galbanum - planta com a qual se faz incensos - que, para mim, é um verde terroso, denso, escuro.

O verde moderno é representado por várias matérias-primas naturais e sintéticas e, assim como existem várias tonalidades dessa cor, hoje existem várias “tonalidades” olfativas de verde: florais, frutais, herbais, vegetais etc.: lembram flores como jacinto, frutas como maçã e graviola, herbais e vegetais como a mata e o capim.

Assim, o que antigamente era um tema explorado de maneira pejorativa e artística, graças à evolução das técnicas, foi se tornando cada vez mais real e reconhecível pelo consumidor.

Animal - palavra fácil de identificar por qualquer um, mas apesar disso é difícil, pois um leigo não imagina que esta família é útil para a construção de um perfume.

Na perfumaria, olfativamente, a nota “animálica” é associada ao cheiro característico dos animais. Quando o leigo toma conhecimento disso, sua primeira reação é o susto... mas, atualmente, usar matérias-primas animálicas é como o uso do sal na cozinha, que se provado isoladamente é horroroso, mas sem ele os pratos ficariam sem sabor.

As notas animálicas já tiveram muita procura e, como as verdes, são uma família olfativa clássica, no passado usada em grande quantidade e intensidade, sobretudo nos bouquets florais, nos chipres aristocráticos e nos orientais envolventes.

Hoje é uma nota discreta que representa apenas a opulência de uma nota floral ou a sensualidade através de uma nota couro, podendo-se dizer que é considerada como uma família adormecida.

Gourmand - na língua portuguesa, para o leigo, não significa nada, mas a palavra gourmand, de origem francesa, significa pessoa que gosta de comer boas coisas. A tradução para o português corresponde a guloso. É claro que ficou estranho, não acham?

Na perfumaria, a palavra gourmand agrupa várias notas olfativas, que podem ser chamadas notas doces e, assim, podemos falar de família gourmand, que
, ao contrário da família das notas verdes, é bem recente, tendo surgido há menos de 20-30 anos.

Essa família começou atuando na perfumaria de maneira discreta, com notas de sorvete de baunilha e chocolate, que se mesclavam e se confundiam nas bases dos perfumes.

Com o tempo, a família gourmand foi ganhando força, intensidade, caráter e diversidade. Hoje temos uma grande variedade de notas gourmands nos perfumes internacionais e nacionais, como algodão-doce, doce de leite, torta de limão, brigadeiro, mousse de morango... pelo menos não engorda!

E dessa forma temos o verde, o animal e o gourmand: três famílias olfativas da perfumaria atual, que provam que a arte da perfumaria está em constante evolução, ou seja, em transformação gradual e contínua.

Através desses três exemplos pode-se verificar a importância do tempo na evolução olfativa...

Temas, como o verde, que existem a mais de um século, e que se desenvolveram de maneira lenta e não perderam poder.

Em contrapartida, há temas, como o animálico, que teve um desenvolvimento intenso no século passado mas, neste, apresenta uma aparição discreta.

Quanto ao gourmand, tema recém-chegado à perfumaria, também evoluiu em curto espaço de tempo, mas de maneira bem mais rápida.

Vou encerrar por aqui, deixando uma reflexão: as coisas que parecem simples às vezes se tornam mais complexas e vice-versa. Pensem... e, na próxima edição, aprofundaremos um pouco mais.


Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Sim! Elas podem!

Há quem diga que o motor que irá tirar o mundo da atual crise é o “público feminino”

Uma das principais estratégias adotadas pelas empresas do segmento cosmético, em virtude do cenário econômico atual, tem sido a velha e acertada prática de investir no público feminino.

Por um lado, nada de novo ocorre para o segmento. A novidade, por outro lado, fica por conta da sinergia da adoção simultânea da mesma prática por outros segmentos do mercado.

Não é para menos. De acordo com o IBGE, por vários fatores, as frentes de trabalho vinham sendo preferencialmente ocupadas pela mão-de-obra feminina, entre esses o número expressivo de mulheres com melhor formação escolar ingressando no mercado de trabalho. Com o encerramento de algumas vagas, sob a égide da contenção de despesas frente à atual situação, o alvo dos cortes de mão-de-obra vem sendo o público masculino, que representa, para a mesma função, salário em média maior que o feminino.

O conceito do homem-chefe de família, que tinha peso expressivo nas estratégias de dispensa de funcionários, também vem caindo, uma vez que aumentou o número de lares onde a mulher ocupa esta função. Com isso, a tendência da participação cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, que vinha se desenhando há anos, acabou ganhando força extra no atual contexto.

O reflexo disto pode ser observado nas propagandas de produtos e serviços direcionadas ao público feminino, que antes eram direcionadas tipicamente ao público masculino. Seguros de automóveis, previdências privadas, planos de saúde, ativos financeiros, pacotes de férias, partidos políticos e ... cosméticos.

Uma observação do autor, sem o rigor científico ou estatístico: nas duas primeiras semanas de março deste ano, a Rede Globo, no denominado horário nobre (antes e até o final da novela das 8), veiculou, em média, 200 comerciais de segunda à sexta-feira, ou seja, 40 por dia. Excluindo aqueles referentes à programação da emissora, 55% eram destinados ao público feminino e 45% a ambos os sexos. Um, em cada três comerciais, exclusivos ao público feminino, referia-se a cosméticos.

Outro fator, que vem conferindo sinergia a esta estratégia, é a adoção global de comportamento que reflete um movimento além de nossas fronteiras. Deste modo, tanto empresas multinacionais como nacionais, com expressiva participação no mercado internacional, poderão se beneficiar dessa onda.

Em se falando de cosmético, um dos canais de distribuição, que deverá ganhar expressiva importância, é o de venda direta. Trata-se de um canal de venda consagrado em muitos países, por meio do qual se vende de quase tudo.

A diferença é que em países de economia forte, o segmento cosmético não representa tanto no faturamento do setor de venda direta quanto no Brasil. No país, 88% do faturamento deste setor é realizado com a venda de produtos cosméticos.

O desaquecimento da economia está empurrando a mão-de-obra para a economia informal.

O canal de venda direta de cosmético é um excelente absorvedor deste tipo de mão-de-obra, principalmente para as mulheres que têm forte afinidade com o segmento; além disso, independentemente da crise atual, elas já desenvolviam essa atividade, em paralelo, à atividade econômica principal, como fonte complementar de renda.

O segmento infantil tem atrás de si a mulher, mãe de família, economicamente ativa ou não, como principal força de consumo. Portanto, espera-se também uma movimentação significativa neste segmento que historicamente confere aos fabricantes margens interessantes.

Há quem diga que o motor que irá tirar o mundo da atual crise chama-se “público feminino”. Pegando carona na frase em uso no momento: “Sim! Elas podem!” e, porque não dizer, “devem”.






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