Formulao Verde/Sistema de Liberao

Edicao Atual - Formulao Verde/Sistema de Liberao

Editorial

A força do mercado interno

A revista Exame do início de abril trouxe interessante matéria sobre a força do mercado interno brasileiro.De acordo com a reportagem, serão gastos cerca de dois trilhões de reais neste ano. O texto acrescenta ainda que os emergentes da classe C brasileira já somam aproximadamente 80 milhões de pessoas: consumidores que sabem como, onde e quando gastar o seu dinheiro. Por essa razão, as oportunidades de negócios estarão nas empresas que estiverem mais atentas às necessidades e aos desejos dessa parcela da população e forem mais ágeis nas adaptações de seus produtos.O setor cosmético, com certeza, não irá perder essa oportunidade.Esta edição de Cosmetics & Toiletries (Brasil) levanta mais uma bandeira, a prática da “química verde” – englobando as ações que causem o menor impacto ambiental, como está amplamente abordado na matéria de capa desta edição, e num artigo científico. Outros assuntos em destaque são a liberação de ativos e os estudos do parâmetro de estabilidade. A revista ganhou uma nova seção, Persona, que irá relembrar os importantes nomes que construíram a história da cosmetologia brasileira. Henrique Valfré é o primeiro a ser entrevistado.No caderno ABC News, a Associação Brasileira de Cosmetolgia publica o perfil da nova diretoria que irá gerir os destinos da entidade nos próximos dois anos.  

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Tornando Verde a Química do Cuidado Pessoal - James H. Clark e Louise Summerton Green Chemistry Centre of Excellence, University of York , York , Reino Unido

Pressões econômicas múltiplas, do legislativo e dos consumidores estão forçando um inusitado nível de mudanças na fabricação de compostos e desenvolvimento de produtos químicos. Neste artigo, os autores examinam os propulsores de mudanças e oportunidades em todo o ciclo de vida do produto para a adoção da química verde e sustentável, incluindo o uso de recursos renováveis, métodos de sínteses mais limpos e produtos mais verdes.

Las presiones económicas, legislativas y del cliente múltiples están forzando un nivel sin precedente de cambio en la fabricación de los ingredientes químicos y en el diseño de los productos químicos. Los autores examinan los conductores para el cambio y las oportunidades a través del ciclo vital de producto para la química verde y sostenible incluyendo el uso de recursos renovables, de métodos más limpios de la síntesis y de productos más verdes.

Multiple economic, legislative and customer pressures are forcing an unprecedented level of change in chemical manufacturing and the design of chemical products. The authors examine the drivers for change and opportunities across the product lifecycle for green and sustainable chemistry including the use of renewable resources, cleaner synthesis methods and greener products.

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Liberação Integral na Hora Certa e no Local Adequado - Johann Wiechers, PhD, Jonathan Hadgraft, Barrie C Finnin, Michael S Roberts JW Solutions, Holanda

A liberação de ativos/fármacos na pele ainda é uma tarefa que necessita de maior conhecimento e mais pesquisa. Neste artigo os autores discutem pontos importantes na técnica de liberação como quando, em que quantidade e onde esta pode ocorrer, e prevêem que novas tecnologias de mensuração deverão ser desenvolvidas para comprovar a eficácia desses processos.

La liberación de activos/fármacos en la piel todavía es una tarea que necesita de mayor conocimiento y más investigación. En este artículo, los autores discuten puntos importantes de la técnica de liberación como el cuándo, en qué cantidad y dónde ocurrirá, y pronostican que nuevas tecnologías de medición deberán ser desarrolladas para probar la eficacia de estos procesos.

To deliver of drugs and active ingredients in the skin is still a task which needs more knowledge and research. In this article the authors discuss the main points on the delivering technique considering the on time, in full and on target factors. It is claimed that new measurement Technologies are required to prove these processes efficacy.



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Estudo de Parâmetros de Estabilidade de Emulsões Cosméticas - Sheila Nara Castoldi Diavão, Centro Universitário Diocesano do Sudoeste do Paraná UNICS, Palmas PR, Brasil

A estabilidade de uma emulsão garante ao consumidor qualidade e segurança na sua utilização. Os aspectos homogeneidade, br ilho, maciez, bem como a espalhabilidade e pH, estão entre os parâmetros avaliados na estabilidade. Essas características garantem que os produtos possam ser transportados e utilizados em diferentes situações de climas e de temperaturas, sem riscos.

La estabilidad de una emulsión es las garantías de calidad y seguridad al consumidor. Los aspectos de homogeneidad, br illo, maciez(suavidad), así como el(su) espalhabilidade(facil aplicación) y el pH, están entre los parámetros evaluados en la estabilidad. Esas características garantizan que los productos puedan ser transportados y utilizados en diversas situaciones de climas y de temperaturas, sin riesgos.

The stability of an emulsion guarantees the product quality and safety to the consumer. The homogeneity, brightness, softness aspects, as well as the strengthening and pH properties are among the parameters that must be considered in the stability evaluation. These waxes auto-emulsifier formulation can be shipped and used safely in different

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Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Tricologia Verde

Acredita-se que, mesmo com os Estados Unidos vivendo uma imensa crise na economia, haver aumento de 80% nas vendas de produtos ditos orgnicos ou verdes.

muito importante que se defina corretamente o que um produto verde (e no estamos falando apenas da cor da embalagem!). Para entender melhor este assunto, vamos ver o que aconteceu na Europa nos ltimos anos. Os cinco maiores pases em termos econmicos se uniram, cada um com sua instituio representativa. A Itlia com a ICEA, a Alemanha com a BDIH, a Blgica com a Bioforum, a Frana com a Cosmebio/Ecocert e o Reino Unido com a Soil Association e definiram as necessidades mnimas e as bases para os cosmticos poderem ser chamados de orgnicos ou naturais.

Para tanto esta associao, denominada Cosmos (Cosmetics Organics Standards Working Group), estabeleceu alguns pontos que devemos considerar. O primeiro para que tenhamos um desenvolvimento sustentvel, que possa conciliar progresso econmico, responsabilidade social e manter o balano natural do planeta. um projeto onde os cosmticos precisam estar envolvidos.

Entretanto, para se alcanar todos os itens necessrios para um desenvolvimento sustentvel, algumas mudanas nos padres de produo e nas prticas de consumo so indispensveis.

Para estimular esses processos de produo e consumo, o setor dos cosmticos orgnicos e naturais est usando algumas regras ditadas pelos princpios de preveno e segurana em todos os nveis da cadeia, desde a produo da matria-prima at a distribuio do produto final.

Essas regras bsicas podem ser enunciadas como:
1. Promover o uso de produtos de agricultura orgnica e respeitar a biodiversidade.
2. Usar produtos de fonte natural de maneira responsvel e respeitar o meio ambiente.
3. Adotar processos e manufatura que sejam limpos e que respeitem a sade humana e o meio ambiente.
4. Integrar e desenvolver o conceito de Quimica Verde em vez de petroqumicos.

Este ltimo ponto um ponto-chave para o sucesso dessa ambio, se considerarmos as especificidades da formulao de produtos cosmticos.

Com esta filosofia verde, e este desejo de contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentvel, o setor de cosmtico tem o compromisso de definir e implementar um padro para o que se vai chamar de cosmtico orgnico ou natural. Este padro considera a realidade tecnolgica corrente enquanto infunde um dinamismo que levar a desenvolvimentos inovadores.

Para facilitar a traduo dessas regras em nvel de padronizao, necessrio distinguir as cinco categorias de ingredientes que possui um produto cosmtico (a lista abaixo segue ordem crescente de interveno humana)

1. gua matria-prima vital e bsica no desenvolvimento de um produto; sua qualidade essencial.
2. Ingredientes naturais interessante e necessrio, mas no renovvel. Eles requerem regras ambientais claras para uso.
3. Agroingredientes processados fisicamente a maioria j tem regras claras.
4. Agroingredientes processados quimicamente certificados por leis que permitam que sejam autorizados sob o guarda-chuva da Qumica Verde.
5. Materiais sintticos esta a categoria que vai direcionar a transio entre a situao corrente e os objetivos e direo deste padro.

Estes so os pontos que precisam ser seguidos para que o meio ambiente e o bem-estar do homem no planeta sejam preservados.

Para propsitos prticos pretende-se como objetivo assegurar a transio entre as possibilidades de avano tecnolgico do hoje para o amanh e promover o desenvolvimento dos cosmticos da maneira mais natural e orgnica.

Isso se faz necessrio para que o consumidor seja informado de maneira clara e transparente para que possam ser atores na manuteno do desenvolvimento sustentvel.

Em resumo, sem a participao efetiva do elemento da ponta do processo - o consumidor -, no haver esta possvel evoluo.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

BPFeC versus higiene e limpeza

A pedido de vrios leitores, vou retornar tpico importante para a efetiva implantao das Boas Prticas de Fabricao e Controle nas indstrias de produtos de higiene pessoal, cosmticos e perfumes: conflitos existentes entre alguns conceitos de limpeza e higiene.

Para exemplificar com fatos, cito a exigncia de lavar as mos como imprescindvel; entretanto, tal rigidez no aplicada na manuteno das condies higinicas de uniformes e ambientes de trabalho.

Quanto aos uniformes, em algumas empresas frequente que a quantidade disponvel seja insuficiente para atender a todos os colaboradores, de modo a permitir o revezamento para lavagem. Como consequncia, nem sempre todos esto vestindo uniformes efetivamente limpos.

Ainda relativo quantidade, muitas vezes ignorado que o nmero de uniformes disponveis para os colaboradores que trabalham no envase, provavelmente, deva ser diferente da quantidade daqueles que exercem suas atividades na fabricao, pesagem, manuteno etc., passvel de maior exposio sujidade. A prtica mostra que para atividades que envolvam o manuseio de ps e materiais viscosos, que possam aderir ou impregnar o vesturio, a troca deve ser diria.

No deve ser negligenciada a forma como os uniformes so conservados e mantidos, especialmente quando essa responsabilidade est a cargo do colaborador. O processo de lavagem e secagem domsticas, se no bem cuidado, pode ocasionar a contaminao do vesturio por fungos ou outros contaminantes que, se no eliminada pelo ferro de passar, podem trazer riscos tanto para o ambiente quanto para os produtos a serem manipulados pelo colaborador.

Uma dvida quanto ao conceito de uniforme limpo aquela de que, aps lavado, este no contm sujidades ou aquele que, alm de sujidades, no apresenta manchas?

Estou frisando esse ponto, pois algumas empresas que utilizam servios de terceiros para limpeza de uniformes, optam, por questo de economia, pela denominada desinfeco, aquele processo que no remove manchas, resultando em uniformes de aparncia encardida.

Outro ponto o impacto efetivo da modelagem do vesturio na manuteno dos nveis de higiene. Muitos destes dispem de vrios bolsos, botes etc. que representam potenciais suportes para contaminantes. Os bolsos so utilizados para a guarda de acessrios como toucas e luvas descartveis; os botes representam um risco potencial de contaminao como no caso de queda nos tanques de fabricao ou armazenagem, ou no interior do frasco de produto.

Quanto ao ambiente de trabalho, sempre me deparo com situaes delicadas como a seguinte: aps lavarem as mos com sabonete lquido e enxug-las com papel-toalha, devidamente dispensado em recipiente com tampa acionada por pedal, os colaboradores tm que utilizar a mo corretamente higienizada para acionar a maaneta ao abrir a porta para sair do banheiro.

Ainda podemos mencionar o fato de haver excessiva preocupao com a higiene pessoal dos colaboradores, no em igual intensidade com utenslios de trabalho, em especial, os da rea de pesagem esses, aps a utilizao, devem imediatamente limpos, sanitizados e mantidos nesta situao at a prxima utilizao.

Limpeza e higienizao ambiental tambm so importantes quanto aos riscos potenciais de contaminao dos produtos e, por essa razo, no devem ser preteridas por nenhuma outra atividade.

Assim, acredito que, nessa reviso, abordei alguns pontos importantes que podero balizar os procedimentos adotados pelas empresas do setor.




Carmita  Magalhes
Fragrncias por Carmita Magalhes

O tempo na evoluo olfativa

Viajar a trabalho muito estimulante. E eu adoro viajar por muitas razes, mas uma delas ficar mais sensvel ao tempo que passa de forma diferente... um tipo de meditao onde o passado, o presente e o futuro se encontram com intensidade.

Estou chegando de viagem e, to concentrada estava nos meus pensamentos, esqueci em algum lugar meu caderno mgico e, com essa perda, l se foi o esboo daquilo que seria esta coluna. Agora, como se diz em francs, sans filet, ou seja, sem rede de segurana.

Neste momento, o tempo parece outro: rpido, fugaz e veloz... e, por essa razo, vou ficar nos grandes temas. Vou falar de dois fundamentais para a nossa indstria: a evoluo e a diversidade da perfumaria com foco na ao do tempo, claro!

Gostaria que pensssemos juntos sobre este assunto banal, porm bastante complexo.

Num primeiro momento falaremos do verde, mas, para a minha argumentao ser mais fluida, precisarei complet-la com outros temas olfativos: o animlico e o gourmand; porm, vou trat-los de forma idntica ao verde. Aps esses trs exemplos, poderemos ver como o tempo influi decididamente na perfumaria.

Verde - palavra fcil para qualquer pessoa identificar porque, acima de tudo, verde uma palavra do dia-a-dia. Representa uma cor e, na prtica, tem vrios tons. Na perfumaria, globalmente, se diz uma nota cida que lembra a natureza.

Apesar dessa famlia olfativa existir desde o incio da perfumaria industrial, gosto de dividir o verde em dois grupos: verde clssico e verde moderno.

O verde clssico representado por uma matria-prima natural, o leo essencial de galbanum - planta com a qual se faz incensos - que, para mim, um verde terroso, denso, escuro.

O verde moderno representado por vrias matrias-primas naturais e sintticas e, assim como existem vrias tonalidades dessa cor, hoje existem vrias tonalidades olfativas de verde: florais, frutais, herbais, vegetais etc.: lembram flores como jacinto, frutas como ma e graviola, herbais e vegetais como a mata e o capim.

Assim, o que antigamente era um tema explorado de maneira pejorativa e artstica, graas evoluo das tcnicas, foi se tornando cada vez mais real e reconhecvel pelo consumidor.

Animal - palavra fcil de identificar por qualquer um, mas apesar disso difcil, pois um leigo no imagina que esta famlia til para a construo de um perfume.

Na perfumaria, olfativamente, a nota animlica associada ao cheiro caracterstico dos animais. Quando o leigo toma conhecimento disso, sua primeira reao o susto... mas, atualmente, usar matrias-primas animlicas como o uso do sal na cozinha, que se provado isoladamente horroroso, mas sem ele os pratos ficariam sem sabor.

As notas animlicas j tiveram muita procura e, como as verdes, so uma famlia olfativa clssica, no passado usada em grande quantidade e intensidade, sobretudo nos bouquets florais, nos chipres aristocrticos e nos orientais envolventes.

Hoje uma nota discreta que representa apenas a opulncia de uma nota floral ou a sensualidade atravs de uma nota couro, podendo-se dizer que considerada como uma famlia adormecida.

Gourmand - na lngua portuguesa, para o leigo, no significa nada, mas a palavra gourmand, de origem francesa, significa pessoa que gosta de comer boas coisas. A traduo para o portugus corresponde a guloso. claro que ficou estranho, no acham?

Na perfumaria, a palavra gourmand agrupa vrias notas olfativas, que podem ser chamadas notas doces e, assim, podemos falar de famlia gourmand, que
, ao contrrio da famlia das notas verdes, bem recente, tendo surgido h menos de 20-30 anos.

Essa famlia comeou atuando na perfumaria de maneira discreta, com notas de sorvete de baunilha e chocolate, que se mesclavam e se confundiam nas bases dos perfumes.

Com o tempo, a famlia gourmand foi ganhando fora, intensidade, carter e diversidade. Hoje temos uma grande variedade de notas gourmands nos perfumes internacionais e nacionais, como algodo-doce, doce de leite, torta de limo, brigadeiro, mousse de morango... pelo menos no engorda!

E dessa forma temos o verde, o animal e o gourmand: trs famlias olfativas da perfumaria atual, que provam que a arte da perfumaria est em constante evoluo, ou seja, em transformao gradual e contnua.

Atravs desses trs exemplos pode-se verificar a importncia do tempo na evoluo olfativa...

Temas, como o verde, que existem a mais de um sculo, e que se desenvolveram de maneira lenta e no perderam poder.

Em contrapartida, h temas, como o animlico, que teve um desenvolvimento intenso no sculo passado mas, neste, apresenta uma apario discreta.

Quanto ao gourmand, tema recm-chegado perfumaria, tambm evoluiu em curto espao de tempo, mas de maneira bem mais rpida.

Vou encerrar por aqui, deixando uma reflexo: as coisas que parecem simples s vezes se tornam mais complexas e vice-versa. Pensem... e, na prxima edio, aprofundaremos um pouco mais.


Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Sim! Elas podem!

H quem diga que o motor que ir tirar o mundo da atual crise o pblico feminino

Uma das principais estratgias adotadas pelas empresas do segmento cosmtico, em virtude do cenrio econmico atual, tem sido a velha e acertada prtica de investir no pblico feminino.

Por um lado, nada de novo ocorre para o segmento. A novidade, por outro lado, fica por conta da sinergia da adoo simultnea da mesma prtica por outros segmentos do mercado.

No para menos. De acordo com o IBGE, por vrios fatores, as frentes de trabalho vinham sendo preferencialmente ocupadas pela mo-de-obra feminina, entre esses o nmero expressivo de mulheres com melhor formao escolar ingressando no mercado de trabalho. Com o encerramento de algumas vagas, sob a gide da conteno de despesas frente atual situao, o alvo dos cortes de mo-de-obra vem sendo o pblico masculino, que representa, para a mesma funo, salrio em mdia maior que o feminino.

O conceito do homem-chefe de famlia, que tinha peso expressivo nas estratgias de dispensa de funcionrios, tambm vem caindo, uma vez que aumentou o nmero de lares onde a mulher ocupa esta funo. Com isso, a tendncia da participao cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, que vinha se desenhando h anos, acabou ganhando fora extra no atual contexto.

O reflexo disto pode ser observado nas propagandas de produtos e servios direcionadas ao pblico feminino, que antes eram direcionadas tipicamente ao pblico masculino. Seguros de automveis, previdncias privadas, planos de sade, ativos financeiros, pacotes de frias, partidos polticos e ... cosmticos.

Uma observao do autor, sem o rigor cientfico ou estatstico: nas duas primeiras semanas de maro deste ano, a Rede Globo, no denominado horrio nobre (antes e at o final da novela das 8), veiculou, em mdia, 200 comerciais de segunda sexta-feira, ou seja, 40 por dia. Excluindo aqueles referentes programao da emissora, 55% eram destinados ao pblico feminino e 45% a ambos os sexos. Um, em cada trs comerciais, exclusivos ao pblico feminino, referia-se a cosmticos.

Outro fator, que vem conferindo sinergia a esta estratgia, a adoo global de comportamento que reflete um movimento alm de nossas fronteiras. Deste modo, tanto empresas multinacionais como nacionais, com expressiva participao no mercado internacional, podero se beneficiar dessa onda.

Em se falando de cosmtico, um dos canais de distribuio, que dever ganhar expressiva importncia, o de venda direta. Trata-se de um canal de venda consagrado em muitos pases, por meio do qual se vende de quase tudo.

A diferena que em pases de economia forte, o segmento cosmtico no representa tanto no faturamento do setor de venda direta quanto no Brasil. No pas, 88% do faturamento deste setor realizado com a venda de produtos cosmticos.

O desaquecimento da economia est empurrando a mo-de-obra para a economia informal.

O canal de venda direta de cosmtico um excelente absorvedor deste tipo de mo-de-obra, principalmente para as mulheres que tm forte afinidade com o segmento; alm disso, independentemente da crise atual, elas j desenvolviam essa atividade, em paralelo, atividade econmica principal, como fonte complementar de renda.

O segmento infantil tem atrs de si a mulher, me de famlia, economicamente ativa ou no, como principal fora de consumo. Portanto, espera-se tambm uma movimentao significativa neste segmento que historicamente confere aos fabricantes margens interessantes.

H quem diga que o motor que ir tirar o mundo da atual crise chama-se pblico feminino. Pegando carona na frase em uso no momento: Sim! Elas podem! e, porque no dizer, devem.






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