19 de Outubro de 2018

Responsabilidade Social Empresarial

Edicao Atual - Responsabilidade Social Empresarial

Editorial

 O apagão de idéias

 Acabamos de sofrer o primeiro grande apagão tecnológico.

Por mais de um dia, o Estado de São Paulo amargou as conseqüências de falhas na malha de conexão da internet e, devido a isso, serviços essenciais como polícia, bombeiros, bancos, hospitais e escolas, sem falar em milhares de empresas e milhões de usuários individuais, ficaram "off line", como se não existissem para o mundo virtual.

Incrível como, em pouco mais de dez anos, desde quando nosso país ingressou definitivamente na sociedade da informação, criamos tanta dependência dessas novas tecnologias.

Pela internet temos acesso instantâneo ao que está ocorrendo em qualquer parte do mundo. Podemos passar o dia todo fazendo contato e tomando decisões através de simples toques no teclado do computador. A rede da internet nos permite tirar dúvidas, comprar, vender, receber, pagar, transferir dinheiro, enfim, tudo o que demandaria horas ou mesmo dias se realizados pelos meios tradicionais.

A dependência das atividades informatizadas tende a crescer cada vez mais, e numa velocidade que não se podia imaginar até a bem pouco tempo. E, se não formos previdentes em criar sistemas alternativos, estaremos mais e mais vulneráveis a esses apagões, com conseqüências cada vez mais graves, com o risco até de nos sentirmos impotentes para esboçar qualquer reação frente a circunstâncias semelhantes às vividas recentemente.

Esta Cosmetics & Toiletries Brasil, primeira do 2.º semestre de 2008, traz muitas novidades. A matéria de capa aborda a responsabilidade social das empresas brasileiras do setor cosmético. Os antioxidantes são avaliados em três artigos: na inibição de eritema por UV, no uso de extratos de maracujá e no desenvolvimento de formulações tópicas. Os cabelos estão presentes em dois artigos, um que descreve a caracterização do crescimento e outro que avalia a perda protéica pelo método Kjeldahl.

Há muitos outros assuntos de seu interesse.


Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Antioxidante inibe eritema por UV, in vivo, em humanos - Hongbo Zhai e Howard I. Maibach (University of California School of Medicine, San Francisco, CA, Estados Unidos)

Os autores descrevem um modelo in vivo para determinar a capacidade antioxidante de uma emulsão tópica versus o veículo da emulsão sobre a pele humana exposta à radiação UV. Os resultados sugerem que a emulsão de teste e seu veículo de controle inibiram a indução de eritema e reduziram a inflamação causada pela exposição à UV.

Los autores describen un modelo in vivo para determinar la capacidad antioxidante de una emulsión tópica versus el vehículo de la emulsión sobre la piel humana exporta a la radiación UV. Los resultados sugieren que la emulsión de prueba y su vehículo de control inhibirán la inducción de eritema y reducirán la inflamación causada por la exposición a la UV.

The authors describe here an in vivo model to determine anti-oxidative capacity of a topical skin care emulsion versus the emulsion´s vehicle on human skin that was exposed to UVR. Results suggest the test emulsion and its vehicle control inhibited the induction of erythema and reduced inflammation caused by the UV exposure.

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Enfoques e Caracterização do Crescimento dos Cabelos - Gillian E. Westgate, PhD (Westgate Consultancy Ltd., Bedford, Reino Unido) Don Harper, K. Ramaprasad, PhD; e Peter D. Kaplan, PhD (TRI/Princeton, Princeton, NJ, Estados Unidos)

Ainda há muito para aprender sobre o controle do crescimento dos cabelos e os mecanismos que influem neste processo sobre o folículo piloso. A translação daquilo que já conhecemos em tratamentos efetivos não está correspondendo. Esta análise mostra um pouco da biologia do ciclo capilar e comenta as diferenças que existem entre tipos e tratamentos de cabelos.

Aún hay mucho que aprender sobre el control del crecimiento del cabello y los mecanismos que actúan sobre el folículo piloso. La translación de lo que ya conocemos sobre tratamientos efectivos no esta correspondiendo. Este análisis muestra un poco de la biología del ciclo capilar, y comenta las diferencias que existen entre tipos y tratamientos de cabello.

There is still more to learn about hair growth control and the mechanisms that influence the follicle. The translation of what has been learned into effective treatments is not keeping pace. This review offers some biology of the hair cycle and comments on differences between kinds of hair and hair treatments.

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Atividade antioxidante de extratos de Passiflora sp (maracujá) por ORAC - Diogo P Rivelli, Cristina D Ropke, Rebeca L de Almeida, Vanessa V da Silva, Tânia Cristina H Sawada, André Wasicky, Edna TM Kato, Elfriede M Bachi e Silvia BM Barros (Fac. Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo)

ORAC é método de escolha na quantificação da capacidade antioxidante de amostras por fornecer uma fonte controlada de radicais peroxila que mimetizam as reações de antioxidantes com os lípídios em alimentos, cosméticos e sistemas fisiológicos. Antioxidantes de origem vegetal estão associados à diminuição na incidência do fotoenvelhecimento mediado por espécies reativas de oxigênio. Neste contexto, foi analisada a atividade antioxidante de extratos de espécies de Passiflora, empregando o moderno método ORAC.

ORAC es el método seleccionado para cuantificar la capacidad antioxidante de muestras para suministrar una fuente controlada de radicales peroxilo que mimetizan las reacciones de antioxidantes con los lípidos en los alimentos, cosméticos y sistemas fisiológicos. Los antioxidantes de origen botánico están asociados a una disminución en la incidencia del fotoenvejecimiento que es mediado por especies reactivas de oxígeno. En este contexto, fue analizada la actividad antioxidante de extractos de especies de Passiflora, utilizando el método innovador ORAC.

ORAC is currently the assay of choice for quantifying the peroxyl radical scavenging capacity of a sample by provide controllable source of peroxyl radicals that model reactions of antioxidants with lipids in food, cosmetics and physiological systems. Botanical antioxidants have been shown to be associated with reduced incidence of ROS mediated photoaging. In this context the antioxidant activity of Passiflora sp extracts employing the modern ORAC method was evaluated.

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Avaliação de Perda Protéica em Cabelos Étnicos pelo Método Kjeldahl - Ana Lúcia Vazquez Villa, Janayna Albuquerque dos Santos, Sonia Maria Nakamura Pereira e Elisabete Pereira dos Santos (Laboratório de Desenvolvimento Galênico LADEG Faculdade de Farmácia da UFRJ, Rio de Janeiro RJ, Brasil)

Grande parte dos alisantes capilares conhecidos são aqueles que contêm em suas formulações ácido tioglicólico, hidróxido de sódio ou hidróxido de guanidina. Neste trabalho, o efeito destes produtos sobre a proteína do cabelo foi avaliado pelo método de Kjeldahl, medindo-se o conteúdo protéico antes e após o uso desses produtos. O método Kjeldahl foi implantado de forma pioneira neste trabalho, pois não há registro na literatura sobre a sua utilização neste tipo de avaliação.

Una gran cantidad de alisantes para el cabello que son conocidos, son los que contienen en su fórmula ácido tioglicólico, hidróxido de sodio o hidróxido de guanidina. En este trabajo, el efecto de esos productos sobre la proteína del cabello fue evaluado mediante el método de Kjeldahl, comparándose el resultado del contenido proteico antes y después del uso de los referidos productos. El método Kjedahl fue utilizado de una manera pionera en este trabajo, ya que no hay ningún registro en la literatura respecto a su utilización en este tipo de evaluación.

Most of the known hair relaxers are those containing thioglycolic acid or sodium hydroxide or guanidine hydroxide in their formulas. The effect of these products on hairs protein was evaluate by measuring the protein content before and after the products was used. The methods used to evaluate the proteins loss was Kjeldahl method. Kjeldahl method was used as a pioneer method in this work. There are no reports in the literature considering this method for this kind of evaluation.

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Desenvolvimento de formulações tópicas antioxidantes - Franciane Marquele-Oliveira, Yris M. Fonseca, Maria José V. Fonseca (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto-FCFRP, Universidade de São Paulo-USP, Ribeirão Preto SP, Brasil)

Os autores fazem uma revisão do uso de substâncias antioxidantes como estratégia de grande interesse para minimizar danos que a radiação UV causa na homeostasia celular da pele. Desta forma, é discutido desde a formação de radicais livres e os efeitos da superexposição da pele à radiação UV até o desenvolvimento de formulações antioxidantes.

Los autores hacen una revisión del uso de substancias antioxidantes como estrategia de gran interés para reducir al mínimo los daños que la radiación UV causa en la homeostasia celular de la piel. De tal manera, se discute desde la formación de radicales libres y el efecto del superexposición de la piel a la radiación UV, hasta el desarrollo de formulaciones antioxidantes.

The authors make a review related to the use of antioxidant compounds as very interesting strategy on diminishing the damages caused by UV radiation in the skin celular homeostase. Thus, it is discussed from free radical generation in skin, the effects of skin UV overexposition, and up to the development of topical antioxidant formulations.

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Luiz Brando
Assuntos Regulatrios por Luiz Brando

Exigncias e indeferimentos

Por se tratar de assunto de mxima importncia para os profissionais que preparam as informaes para notificao e registro de produtos cosmticos, aqui vamos mais uma vez abordar causas que tm sido motivo de exigncias e indeferimentos de processos.

Com base no balano apresentado em Seminrio realizado na sede da Anvisa, em Braslia, em abril, podemos apresentar aquilo que poderamos denominar de viso atual dos critrios da Agncia sobre o assunto.

Volume de processos

- Registros e alterao de registros: em 2.689 processos protocolados, 512 (19%) sofreram algum tipo de exigncia.

- Registros novos: em 1.107 pedidos, 272 (25%) foram indeferidos.

- Alterao em registros: de 759 pedidos, 158 (20%) foram indeferidos.

Como o nmero de indeferimentos e exigncias ainda muito alto, a Anvisa apresentou uma tabulao com principais motivos, que determinaram maior incidncia, no perodo.

Registros

Nos processos de registro de produto, os principais motivos de exigncias foram:

- Ausncia de informao do pH de produto com AHA

- Divergncia na informao do teor de ativo declarado na frmula com o que foi informado nos dados fsico-qumicos

- Ausncia dos testes requeridos nos pareceres

- Concentraes fora dos limites estabelecidos nos pareceres

- Testes de eficcia ou segurana: ausncia de identificao clara do produto testado; ausncia da formulao testada (produtos identificados apenas por cdigos)e testes incompletos

- Ausncia de comprovao de UVA, quando na rotulagem reivindicada esta proteo

- Presena de substncias no nome e/ou marca do produto sem constar na frmula peticionada

- Denominaes comerciais no-discriminadas nos dados constantes do processo

- Artes-finais: ilegveis e diferentes para um mesmo produto

- Ausncia de comprovao de claims constantes na embalagem original dos produtos importados e no inseridos na etiqueta de adequao. Exemplo: hipoalergnico; dermatologicamente testado

- Ausncia de justificativas tcnicas para comprovao de similaridade

- Nome do produto no Formulrio de Petio divergente daquele descrito na arte-final

- Frmula do produto no-condizente com a categoria

Indeferimentos

Os motivos mais freqentes no indeferimento de processos de registro foram:

- Incluso de substncias constantes da lista restritiva (RDC 215/05) ou lista proibida (RDC 48/06)

- Ausncia de informaes de ingredientes requeridas pela lista restritiva

- Concentraes acima do limite

- Presena de substncias com funo diferente do previsto nas listas de ingredientes permitidos

- Utilizao de substncias de lista provisria

- Incluso de corantes no-constantes na lista da RDC 79/00 (anexo III)

- Incluso de filtros UV no-previstos ou em concentrao diferente estabelecida na RDC 47/06

- Incluso de conservantes no-previstos na RDC 162/01

- Mistura de conservantes/complexos ou substncias em Soluo

- Uso incorreto da nomenclatura Inci (RDC 211/05)

- Falta de apresentao de testes estabilidade do produto (RDC 211/05)

- Ausncia de limites de dados microbiolgicos (RDC 481/99)

- Ausncia de Certificado de Venda Livre ou documentao divergente (apresentado/original)

Alm desses, outros motivos deram ensejo aos indeferimentos:

- Ausncia de testes estabelecidos na legislao (DC 237/02 e RDC 38/01)

- Ausncia de arte-final (RDC 211/05)

- Ausncia de documentos e ou falta assinatura (RDC 211/05)

- Produtos apresentando ao teraputica (RDC 211/05)

- Exigncias no-cumpridas ou cumpridas parcialmente (RDC 204/05)

Mais informaes podem ser obtidas em: http:// www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2008/250108_2.htm

Essas foram nossas dicas e recomendaes para voc evitar o indeferimento de seus processos.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Comunicao complexa e a Qualidade

Como j afirmamos em coluna anterior, existem muitas barreiras para que a comunicao seja eficaz na divulgao da Qualidade, seja para colaboradores individuais, seja para grupos de colaboradores.

Um dos principais fatores para a tornar a comunicao eficiente respeitar o conceito de que comunicao so informaes e direes claras e de que a eficcia da comunicao est na sua compreenso pelo transmissor e receptor.

Dessa forma, se a mensagem no for entendida de maneira clara ou fcil pode se transformar num problema enorme.

Na maioria das vezes, na comunicao, a mensagem tem que ser transmitida para outra pessoa (o receptor), aps a sua seleo pelo (transmissor), e de modo apropriado. No se deve esquecer que o receptor interpreta a mensagem e pode acrescentar seus prprios sentimentos no todo ou em parte.

A nica forma de descobrir se a informao foi recebida e compreendida sem alteraes atravs do feedback.

Neste processo de transmisso esto envolvidos a palavra falada, os gestos no-verbais, as informaes escritas e outros meios que se faam necessrios.

Podemos mencionar, a ttulo de exemplo, algumas dificuldades comuns na comunicao:

- Termos longos - quando quem prepara e/ou executa a transmisso tenta impressionar os receptores com palavras longas. Quando isto acontece, os receptores no perguntam o seu significado, por inibio ou para no demonstrar, perante os demais, o seu desconhecimento sobre o assunto.

- Termos recentes - neste caso, se o significado no for explicitado, o efeito ser o do item anterior.

- Jarges so expresses que devem, sempre que possvel, ser evitadas, salvo quando importantes para a comunicao, e seu significado deve ser sempre explicitado. Muitas vezes, o comunicador utiliza determinada expresso (jargo) com muita freqncia sem que se d conta da sua importncia, podendo surgir dvidas e inibio no receptor, impedindo- o de questionar o significado.

- Significados diferentes para as mesmas expresses - prtica que, cada vez mais, dificulta a comunicao. Uma das suas causa a facilidade com que so criados os novos significados, amparada pela popularizao da comunicao via internet.

- Comunicao no-verbal x comunicao verbal - esta , talvez, a mais crtica de todas as formas de comunicaes, ou seja, a materializao do dito popular faa o que eu digo, mas no faa o que eu fao.

- Recursos de comunicao - a inexistncia dos recursos necessrios para a execuo da comunicao que acarreta desinteresse por parte do receptor (condies reais de atuao).

- Comunicao cansativa tambm se enquadra entre as dificuldades encontradas para a transmisso de informaes. Uma das alternativas, caso a informao no possa ser transmitida de maneira agradvel para os receptores, torn-la a mais objetiva e breve possveis.

- Conhecimento prvio - muitos comunicadores se inclinam por considerar que os receptores possuem conhecimento prvio dos temas e/ou tpicos da comunicao a ser recebida. Esta atitude acarreta, por conseqncia, a ausncia de determinados conceitos bsicos, resultando em comunicao parcial ou ausente.

- Forma da comunicao - o modo como as informaes so transmitidas pode influenciar o significado e, portanto, a sua compreenso. A melhor comunicao aquela que alterna sons e imagens de modo a manter a ateno dos receptores pelo maior tempo possvel.

Podemos assim resumir os efeitos indesejados da comunicao falha, em:

- Treinamento ineficiente

- M compreenso

- Relacionamentos conflitantes entre os colaboradores

- No cumprimento das metas de comunicao

- Frustrao de comunicador e receptor

- Deficincia da empresa

Por tudo isso, vale a pena se aprimorar na comunicao.

Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

Iogurte enganoso?

No ltimo dia 27 de junho, a Anvisa (Agncia Nacional-de Vigilncia Sanitria) determinou a suspenso nacional das propagandas do iogurte Activia, da empresa Danone.

Segundo a entidade, a medida foi adotada para coibir as propagandas que sugeriam que o produto fosse uma forma de tratamento para o funcionamento intestinal regular, o que poderia induzir o consumidor ao erro, j que apenas contribui com o equilbrio da flora intestinal, devendo ser consumido em associao a uma alimentao saudvel e prtica de atividades fsicas.

De acordo com o 1, do artigo 37, Cdigo de Defesa do Consumidor (CDC), enganosa qualquer modalidade de informao ou comunicao de carter publicitrio, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omisso, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, caractersticas, quantidade, propriedades, origem, preo e quaisquer outros dados sobre produtos e servios.

Neste caso, a maior preocupao constatada foi a possibilidade do consumidor retardar a procura por um profissional de sade e diagnosticar doenas potencialmente mais graves, que apresentam como sintoma a constipao.

A penalidade aplicada aos veculos de comunicao que reproduzissem a propaganda seria de multas que variavam entre R$ 2.000,00 a R$ 1,5 milho (Lei n 6.437/77).

Alm deste fato apresentado pela Anvisa, o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) publicou em sua revista, na edio de maio de 2008, que o rtulo do Activia, sabor nozes inclusive com imagem de nozes -, no deixa claro que no h nozes em sua composio, mas sim, castanha de caju sabor nozes, induzindo mais uma vez o consumidor ao erro.

Esse erro, que muitas vezes parece inofensivo, pode afetar a sade e a segurana de um consumidor que alrgico a um componente que no aparece no rtulo, por exemplo.

Alm da publicidade enganosa, o CDC tambm coibi a abusiva: a publicidade discriminatria de qualquer natureza, que incite violncia, explore o medo ou a superstio, se aproveite da deficincia de julgamento e experincia da criana, desrespeito a valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa sua sade ou segurana (artigo 37, II, CDC).

Vale lembrar que a oferta e apresentao de produtos ou servios devem assegurar informaes corretas, claras, precisas, ostensivas e em lngua portuguesa sobre suas caractersticas, qualidade, quantidade, composio, preo, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam sade e segurana dos consumidores.

Sabemos que a publicidade exerce funo cada vez mais importante no processo de comercializao, pois por meio dela que as empresas divulgam seus produtos/servios, destacando suas caractersticas, e tambm possibilitando que o consumidor tome conhecimento das opes existentes no mercado, espertando desejo e necessidade.

Entretanto, no podemos esquecer que, antes de ser convincente e atingir plenamente sua funo, em primeiro lugar a publicidade deve respeitar o consumidor e zelar por sua segurana.

So direitos bsicos do consumidor: a proteo da vida, sade e segurana contra os riscos provocados por prticas no fornecimento de produtos e servios (...) (artigo, 6, II, CDC).

Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Cartuchos: proteo e beleza ao alcance de todos

Diferente de um frasco ou de um pote, onde a exclusividade depende do molde, o cartucho permite que seus criadores dem asas imaginao, viajando pelo universo das cores, brilhos e formatos, sem a preocupao com preo e tempo para a confeco do ferramental. O que o consumidor chama caixinha, ns, tcnicos, chamamos cartucho. O cartucho a embalagem secundria que protege o frasco de colnia, o pote de creme, o estojo de batom, a bisnaga de tintura para cabelos, todos descritos como embalagens primrias.

Normalmente feito em papel-carto, tambm pode ser em plstico transparente ou translcido (PET, PVC, PP etc). A criao de um cartucho comea pela imaginao do marketing das empresas em conjunto com a rea de desenvolvimento de embalagens, mas finaliza-se na rea de criao das boas grficas.

Para empresas cosmticas de menor porte ou sem um departamento prprio, a criao de cartuchos transferida para a grfica, que trabalha em parceria com a empresa. As grficas dispem de recursos que permitem visualizar as embalagens em poucos minutos, transformando as idias em mock ups.

Com tamanha facilidade e preos convidativos, o resultado est na diversidade e beleza das caixinhas encontradas nos pontos-de-venda, no diferenciando empresas de pequeno ou grande porte.

Tudo parece muito simples, no entanto, preciso ateno para uma srie de pr-requisitos, principalmente com relao ao preo, geralmente cobrado por milheiro.

- Quantidade de compra: quanto maior a quantidade encomendada, menor ser o preo do milheiro, porque a produo em alta escala reduz muito o custo, considerando a velocidade de produo das impressoras e tambm o fato de que quanto mais se faz, menor a perda de carto, em percentuais, para regulagem da mquina, perda essa tambm conhecida por mala entre os grficos. O melhor aproveitamento do carto, no que diz respeito quantidade de cartuchos por folha, importante na reduo do preo.

- Gramatura: o peso por metro quadrado (g/m) do carto e quanto mais pesado ele for, mais caro ser o preo do cartucho. O peso mais indicado para cartuchos cosmticos est entre 300 e 350 g/m.

Convm citar que o teste de gramatura um dos mais importantes a ser feito pelo Controle de Qualidade no recebimento de um lote.

Muitas vezes o comprador briga com a grfica e consegue centavos de desconto no milheiro de um cartucho especificado como 350 g/m, porm a grfica acaba entregando o produto numa gramatura menor e, no final, de nada adiantou a briga para a reduo de preo, pois a qualidade foi comprometida, o que acontece quando a grfica no de confiana e o teste de gramatura no feito no recebimento.

Ainda falando em qualidade, importante que a direo de fibra do carto seja perpendicular aos vincos, o que confere uma montagem perfeita do cartucho.

- Faca: a ferramenta que faz o corte-e-vinco do carto, e vai conferir forma ao cartucho depois de colado e montado.

- Cores: muitas cores esto disponveis para dar vida e beleza ao cartucho sem o aumento representativo do custo, inclusive cores especiais.

- Verniz: a camada de acabamento que serve para proteger a cor e dar brilho na parte externa do cartucho. Pode ser base dagua, calandra ou UV, sendo este ltimo o mais caro, porm o que d maior brilho e proteo. possvel aplicar o verniz em apenas algumas partes do cartucho, conferindo este beleza e sofisticao embalagem.

- Hot stamping: o recurso utilizado pelas grficas para dar maior brilho, destaque e beleza ao cartucho. So tipos de fitas coloridas que, sob a ao do calor, transferem pigmento ao cartucho, formando letras, desenhos, faixas etc, mas que encarece muito o produto.

Tambm no podemos esquecer das opes por abas tipos asas de avio ou reversas e dos fundos, que podem ser simples ou apresentar os famosos fundos automticos que tanto auxiliam na montagem dos cartuchos na linha de produo. Um outro dado importante o nmero de excelentes grficas disponveis no Brasil, capazes de fazer cartuchos de qualidade que no ficam nem um pouco atrs dos fabricados por famosas grficas do resto do mundo.

Por fim, podemos afirmar que todas dificuldades e falta de criatividade que percebemos nas embalagens brasileiras para cosmticos, principalmente, quando se fala em estojos para maquiagem, com certeza no se aplicam aos cartuchos.

Carmita  Magalhes
Fragrncias por Carmita Magalhes

Interpretaes na Perfumaria

Na ltima edio, abordamos o tema Genealogia, para explicar, entender e interpretar o mercado da Perfumaria.

Interpretar dar um sentido s coisas, com alguma liberdade de pensamentos. A interpretao depende da intuio de cada um, mas ser sempre uma aposta, que voc ter que defender...

Um exemplo ligado Perfumaria a interpretao da palavra colnia. Quem ainda no ouviu falar em colnia, gua-de-colnia, cologne, eau de cologne?

Para amplo entendimento do assunto, sero abordados vrios tpicos, que iniciaremos nesta edio, com seqncia na seguinte.

Definio

No h definio da palavra cologne/colnia no dicionrio Larousse Franais e, no Aurlio, solicita ver gua-decolnia (em francs: eau de cologne).

Pelo Larousse Franais: Eau de cologne: soluo alcolica de leos essenciais (bergamota, limo...) usada como complemento da toilette diria.

J no Aurlio: gua-de-colnia: soluo alcolica de essncias de bergamota, de limo e de lavanda, usada como perfume. Tambm se diz colnia.

gua-de-colnia atravs dos tempos: suas origens e evoluo

Giovanni Maria Farina, de origem italiana, nasceu em 1685, em Piemont, Itlia, e morreu em 1766, em Colnia, Alemanha.

Foi ele quem lanou no mercado a gua-de-colnia, inicialmente desenvolvida por seu tio, Jean-Paul Feminis. Assim criou, em 1709, Cologne de Farina Gegenber, a mais antiga Casa de Perfumes, que existe at hoje.

Giovanni deu o nome de Eau de Cologne sua criao em homenagem a sua nova cidade residencial, Colnia ou Cologne, em francs. Hoje, essa Eau de Cologne produzida pela oitava gerao de descendentes de Giovanni.

No sculo XVIII, a Eau de Cologne foi amplamente utilizada por reis e suas respectivas cortes.

Muitos tentaram copiar a fragrncia e o nome Eau de Cologne, mas como naquela poca no existia proteo de marcas, gua-de-colnia converteu-se no nome de um tipo de perfume.

Geralmente, guas-de-colnias tem de 2 a 5% de essncia, ressaltando-se que a Eau de Cologne de Giovanni Maria Farina contm mais do 5% de fragrncia. Ento, tecnicamente, no deveria ser uma gua de colnia, certo?

A segunda gua-de-colnia mais conhecida a Eau de Cologne Original 4711; porm, como vimos anteriormente, esta no foi a primeira.

A origem data de outubro de 1792, quando o filho de um banqueiro da famlia Mhlens, de Colnia, celebrou seu casamento e recebeu de um monge Chartreux a frmula de uma Aqua Mirabilis. Consciente do valor daquele presente, Mhlens construiu uma fbrica para a sua produo, que recebeu o nome de 4711, em referncia ao perodo de ocupao da cidade pelas tropas francesas de Napoleo, que renumeraram todas as casas da cidade, e a fbrica ocupou o nmero 4711.

As guas-de-colnia eram bastante inovadoras, pois se tratavam de fragrncias mais frescas, em contraposio aos aromas mais fortes que se usavam naquela poca. Foi graas a isso que Colnia foi reconhecida, nos sculos XVIII e XIX, como a Cidade dos Perfumes.

A gua-de-colnia tinha um pblico cada vez maior, a ponto de se tornar, no sculo XIX, o perfume preferido da burguesia. Sua ao estimulante e refrescante , de fato, incontestvel.

Napoleo era um grande adepto da fragrncia, tanto para perfumar-se como para ingeri-la... E, em 1810, promulgou um decreto para que fossem divulgados oficialmente os segredos da frmula de medicamentos. Os fabricantes da gua-decolnia no gostaram muito da idia e decidiram dar ao produto
uma nova imagem, e a qualificaram de Eau de Toilette (gua-de-toilette) para uso externo.

E, assim, com o tempo, vieram outras guas, como, por exemplo: lEau de Cologne Impriale de Guerlain, lEau de Cologne Extra-Vieille de Roger&Gallet e lEau de Cologne English Lavender de Yardley.

Uma coisa certa: a gua-de-colnia atravessou pocas e fronteiras. O que era uma inovao naquela poca, hoje vista como um clssico da Perfumaria!

E, agora, que voc j sabe a origem gua-de-colnia, aguarde as prximas edies quando sero abordadas a sua evoluo no Brasil e a interpretao de uma Casa de Perfumaria sobre este tema no mundo.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Consumo em movimento

Consumo: palavra proibida em alguns crculos da sociedade e palavra de ordem em outras esferas.

Polmicas parte, o importante saber que no meio do processo de consumo est o consumidor. E quem ele? urgente encontrarmos uma resposta para esta pergunta, pois, afinal, j so 185 milhes de habitantes no quinto maior pas do planeta. Uma quantidade to grande de pessoas se movimentando no sentido de aumentar o consumo, sem dvida vai mexer com a estrutura de muitos negcios.

O pas, em transformao, vive uma transio demogrfica que deixou de ser uma tendncia e passa a ser uma realidade. Dos cerca de 147 milhes de habitantes, em 1990, para uma estimativa de 198 milhes em 2010 representa aumento de quase 35% em 20 anos. Alm do nmero, o interessante que, em 2010, seremos uma populao com 17% acima dos 60 anos (terceira idade) contra os 5% j existentes, com expectativa de vida passando de 72,8 para 76,1 anos, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica). As mudanas vo alm do tamanho da populao e das faixas etrias, e atingem hbitos e costumes.

A cada ano concretiza-se a predominncia da populao feminina: hoje so mais de 2,7 milhes e, em 2010, devero ser 3,8 em relao masculina. Aliado a isto, a taxa de crescimento da populao feminina economicamente ativa vem crescendo mais do que a masculina e a tendncia continuar. E mais: a taxa de crescimento da renda per capita feminina tambm foi e ser maior. Neste sentido, o aumento do consumo de produtos cosmticos como protetores solares, produtos infantis e tinturas devem aumentar, bem como sopas prontas, eletrodomsticos e produtos tpicos do universo feminino.

Cada vez mais, casais escolhem no ter filhos ou deixam para t-los mais tarde e a atual mdia de filhos por mulher diminui de 2,2 para 2,0. Este fato representa mais mudanas, pois os gastos de uma populao jovem com a manuteno de uma criana so direcionados para bens de consumo como mveis e decorao, refeies prontas (na cidade de So Paulo o potencial de consumo de 14% do pas), aumento do crdito da pessoa fsica e avano de uma modalidade de compra ainda incipiente: o comrcio eletrnico, conforme publicado em matria da revista Exame (23/4/2008).

A pirmide social deve engordar a fatia da classe C em detrimento das classes D e E. Em 2007, pela primeira vez, a classe C constituiu a maior parte da populao (46%). Se considerarmos que a maioria dos produtores/vendedores pertence s classes A e B, o movimento de renda nesta faixa ir aumentar o consumo de produtos de alto valor agregado. Para os que no acreditam nisto, basta olhar o caos areo (parte por falta de infra-estrutura, parte pelo aumento da demanda) que indica que viagens areas deixaram de ser artigo de luxo e o binmio reduo de custo/aumento de renda faz com que mais pessoas optem por este meio de transporte. Ainda no est convencido? Veja o trnsito catico da cidade
de So Paulo: representando 12% do potencial de consumo do pas, com 6% da populao nacional (10,9 milhes), a cidade tem uma frota de cerca de 6,1 milhes ou, se preferir, 950 veculos por dia ingressam nas ruas da cidade, conforme a revista Veja (2/7/2008).

Com uma populao idosa, com poder de consumo interessante em fase de crescimento, reas como lazer e turismo devem aumentar os seus ganhos, o que j uma realidade. Hoje, 43% do topo da pirmide social, com ganhos acima de 10 salrios mnimos, so pessoas com mais de 50 anos de idade. O perfil deste segmento tambm indica que so pessoas mais empreendedoras; portanto, mais vidas pelo novo. O mercado cosmtico, como a empresa Natura, j tem em seus planos o lanamento de cremes especficos para mulheres de 80 anos e o mercado de cosmticos masculinos se agita no sentindo de acompanhar os refinados gostos de homens de meia-idade que apreciam vinhos, charutos e no dispensam a manuteno da boa forma.

Mas nem tudo so flores neste mar de esperana consumista. H riscos neste caminho!! O IPC - ndice de Potencial de Consumo de 2008 (Atlas do Mercado Brasileiro da Gazeta Mercantil) vem sinalizando algumas aberraes no consumo que podem nos levar a um futuro no to brilhante: o estudo indica que os gastos com contas de celulares no pas so 7,2% maiores que os gastos com educao fundamental de 1 e 2 ciclos. Os gastos com fumo se igualam aos gastos com frutas e so duas vezes maiores do que com livros. Sim, h perigos na esquina.

De qualquer maneira, entender este novo padro de consumo, que vai se desenhando, ser cada vez mais preponderante para aqueles que no quiserem ser engolidos pelas ondas da mudana.

Notcias da Abihpec por Joo Carlos Basilio da Silva

Com resistncia s mudanas, no h evoluo

Li recentemente um artigo publicado na revista TAM nas Nuvens intitulado Idias naturais, de autoria de Edoar do Rivetti. Usando como exemplo a eletricidade e as novas tecnologias que incluem lmpadas compactas fluorescentes e emissores de luz, ele aborda a resistncia da humanidade em relao s mudanas e afirma que, ao falarmos de qualquer alterao de conduta que demande algum tipo de esforo, por maior benefcio este que traga, o suposto confronto da situao fala mais alto. Segundo Rivetti, chega a ser constrangedor, mas um trao selvagem que nunca deixar a humanidade.

Seguindo esse raciocnio, se ficarmos presos aos velhos costumes e orientaes, ser impossvel evoluir. Percebo a necessidade iminente de promover mudanas significativas em nosso setor, tanto na rea tributria quanto na regulatria.

Precisamos discutir a fundo e com maturidade os temas fundamentais indstria de higiene pessoal, perfumaria e cosmticos, pois s assim, estaremos aptos a elaborar um plano de ao e construir um caminho que nos mantenha na liderana da Amrica Latina, para que possamos represent-la cada vez melhor no contexto internacional.

Desde 2006, o Brasil o terceiro maior mercado de cosmticos do mundo, tendo alcanado crescimento de 22,6% no ano passado, o que reafirmou sua posio. Em nosso pas, cuidados pessoais no significam luxo, e sim necessidade, independentemente da classe social. A mulher brasileira comprova essa afirmao em seu comportamento de compras.

Convido todas as empresas que ainda no sejam associadas Abihpec para que se filiem nossa entidade e renam seus esforos a um ncleo que conta com mais de 300 indstrias atualmente. Afinal, somente juntos poderemos avanar em nossas conquistas.

Nosso endereo eletrnico www.abihpec.org.br.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Antioxidantes em cosmticos

Os radicais livres so molculas altamente instveis, com elevada insolubilidade devido ao fato de seus tomos possurem nmero mpar de eltrons. Para atingir a estabilidade, estas molculas captam eltrons de outras molculas qumicas e tambm de componentes vitais, como, por exemplo, DNA, elementos citoesquelticos, membranas e protenas celulares. A peroxidao lipdica, uma das seqelas geradas pela ao dos radicais livres, causa danos s membranas celulares e leva ao envelhecimento da pele, aterosclerose e outros sinais de danos pele. Alm do envelhecimento cutneo, as espcies reativas de oxignio esto implicadas nos processos de fotoenvelhecimento, carcinognese e inflamao. Os radicais livres so formados de modo natural pelo metabolismo humano, mas fatores como a poluio do ar, tabagismo, exposio radiao, exerccios fsicos, lcool, processos inflamatrios e ingesto de determinadas drogas ou materiais pesados podem tambm ser fontes de espcies reativas como os superxidos, nion hidroxila, perxido de hidrognio e unidade simples de oxignio.

O mecanismo de defesa antioxidante do organismo tem como principal funo inibir ou reduzir os danos causados s clulas pelas espcies reativas de oxignio. Existe grande variedade de substncias antioxidantes que podem ser classificadas como extracelulares. O mecanismo de ao dos antioxidantes permite, ainda, classific-los como antioxidantes de preveno, que impedem a formao de radicais livres; varredores, que impedem o ataque de radicais livres s clulas, e de reparo, que favorecem a remoo de danos molcula de DNA e a reconstituio das membranas celulares danificadas.

Os antioxidantes tpicos devem ser absorvidos pela pele e liberados para o tecido-alvo na forma ativa. Entretanto, muitos produtos se oxidam e se tornam inativos antes mesmo de alcanarem o alvo. A absoro um processo muito importante e depende de vrios outros fatores, como, por exemplo, a forma molecular do composto ativo, suas propriedades fsico- qumicas, se sua solubilidade em gua ou em lipdeos, seu pH e o veculo que contm o produto.

Princpios ativos antioxidantes

Os antioxidantes solveis em gordura so encontrados na poro lipoflica da membrana celular e incluem a vitamina E e a CoQ10.

A vitamina E pertence a uma famlia denominada tocoferis, incluindo o tocoferol , , e . O - tocoferol a forma mais ativa e aquela em que a dose diria recomendada (DDR) se baseia. As formas de vitamina E tipicamente utilizadas em cosmticos so o acetato de -tocoferila. Esses compostos apresentam menor probabilidade de desencadear dermatites de contato e so mais estveis na temperatura ambiente.

O principal antioxidante solvel em gua e tambm em lipdeos o cido lipico (AAL). Diferentemente de outros antioxidantes, este pode ser usado como um peeling qumico superficial para remodelar a pele, de modo semelhante ao do cido gliclico. O cido dihidroliplico (ADHL), formado pela reduo do AAL, muito instvel, e pode ser oxidado em questo de minutos aps aplicao na pele. O cido lipico absorvido na forma estvel e, depois que penetra nas clulas, convertido emADHL.

As quatro principais propriedades do AAL so: capacidade de quelar metais, de eliminar espcies reativas de oxignio, de regenerar antioxidantes endgenos e de reparar o dano oxidante.

Entre os antioxidantes solveis apenas em gua, destacase a vitamina C. Atualmente, a vitamina C, tambm conhecida como cido ascrbico, est sendo extensamente estudada em relao sua atividade antioxidante. Quando as preparaes de vitamina C so expostas aos raios ultravioletas ou ao ar, a molcula rapidamente se oxida e se torna inativa, inutilizando a preparao. A vitamina C se tornou um aditivo popular de muitos produtos aps-sol, pois interfere com a gerao de espcies de oxignio reativo, induzidas pelos raios UV pela reao com o nion superxido ou radical hidroxila. A vitamina C, por si s um forte antioxidante , tambm reduz (e, portanto, recicla) a vitamina E (xida) de volta sua forma ativa, de modo que a capacidade antioxidante da vitamina E ampliada.

As preparaes tpicas de cido ascrbico podem ser formuladas em base aquosa ou lipdica. O palmitato de ascorbila tpico, uma forma lipdica, no causa irritao e comprovadamente fotoprotetor e antiinflamatrio. O maior problema, entretanto, das formulaes com cido ascrbico, sua instabilidade frente exposio ao ar e radiao UV, o que as torna inativas horas aps a abertura do frasco.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Mtodos alternativos e ingredientes cosmticos

A avaliao da toxicidade, envolvendo o uso de substncias qumicas, no importa para qual utilidade, tem crescido de maneira avassaladora, notadamente nos pases desenvolvidos. Esta realidade tem motivado desdobramento da clssica Toxicologia em reas do saber, que lhes so pertinentes, resguardado princpios e fundamentos, gerando centros de excelncia junto academia, rgos regulatrios e setor regulado. Acrescente-se a este desenvolvimento, a integrao multiprofissional e disciplinar que agrega robustos conhecimentos de patologia, epidemiologia, gentica, bioqumica molecular e avaliao do risco, necessrios avaliao de toxicidade.

No Brasil, embora de maneira ainda muito tnue, algo j est sendo colocado em prtica. O desenvolvimento da Toxicologia no Brasil, quali-quantitativo, tem crescido de maneira razovel, graas s atividades dos cursos de psgraduao. Entretanto, o conservadorismo tem inibido o seu crescimento, contrariamente ao que acontece nos pases desenvolvidos. Desde que meios no obstruam propostas de interesse, poderemos contar com grande parceiro - o Departamento de Cincia e Tecnologia (Decit), rgo do Ministrio da Sade (www.saude.gov.br). O Decit veicula no boletim Oficina de Prioridades: Sade define prioridades de pesquisas para 2008, enfatizando a criao de centros de Toxicologia para a realizao de ensaios pr-clnicos. Uma boa notcia.

Qual a urgncia destes testes?

REACh and the consequences for Natural Ingredients artigo publicado por Ritzman (International Journal for Applied Science 134(4): 24-31, 2008, discute a necessidade e aplicabilidade desta legislao implantada pela Comunidade Europia em junho de 2007, para fins de avaliao de toxicidade de substncias qumicas de uso dirio, produtos naturais (leia-se ingredientes cosmticos), entre outros. Pergunta- se: qual a relao desta legislao com os mtodos alternativos? A resposta simples: a segurana dos usurios, passveis exposio de tantas substncias qumicas, est acima de qualquer grandeza. Os mtodos alternativos j validados, ainda em validao e em desenvolvimento so atalhos valiosos.

Mtodos alternativos: parcerias necessrias. Como viabiliz- las?

Criado em 1992, sediado em Ispra (Itlia), o Ecvam (www.ecvam.org) trabalha na validao de mtodos alternativos, mantm e controla base de dados, promove o dilogo entre rgos reguladores, indstrias, comunidade cientfica, organizao de consumidores e sociedades protetoras dos animais, contando com inmeros laboratrios e rgos dos estados-membros da Comunidade Europia.

Criado em 2005, na Sucia, o projeto ACuteTox pode servir de modelo e estmulo implantao de ncleos interativos na busca de estratgias simples e robustas necessrias avaliao de toxicidade sistmica.

Nele participam 35 pesquisadores, 13 pases da Comunidade Europia, academia e indstria (Atla 35:33- 38, 2007). Em razo da dimenso continental do Brasil, este modelo, atende s nossas necessidades, merecendo especial desvelo.

Perspectiva brasileira

A integrao empresa/ escola, j praticada em pases desenvolvidos e/ou em desenvolvimento, tem-se mostrado benficas s partes, pois se para o primeiro parceiro a segurana e qualidade so palavras de ordem, ao segundo fica facilitada a capacitao do docente e formao de neoprofissionais aptos para enfrentar o difcil mercado de trabalho. Se pensado de outra forma, o nanismo cientfico permanecer entre ns.

Deixar somente por conta de um patro pedir muito

Precisamos do apoio financeiro institucional, cultivado ao longo dos anos atravs de pesquisas acadmicas, dos programas implantados pelo Ministrio de Cincia e Tecnologia/ Finep, BNDES (apoio inovao), Agncia USP de Inovao Tecnolgica e rgos de regulamentao. Precisamos, tambm, que universidades privadas sejam despertadas, pois contam com grande fatia do ensino superior, que disponibilizem recursos financeiros e, se agreguem pesquisa, semelhana do que j vem sendo feito, em parte, pelo setor produtivo.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Assassino da feminilidade novas perspectivas

Durante muitos sculos, algumas mulheres ficaram esquecidas e escondidas da sociedade, sendo ridicularizadas em circos como atrao bizarra e muitas vezes como aberraes. Eram as chamadas mulheres barbadas.

Com a evoluo da medicina, um grupo de mdicos se dedicou a estudar novos e efetivos tratamentos para a resoluo deste inestetismo: os plos indesejados localizados em reas masculinas (como mento, buo e trax) num corpo feminino.

Esta patologia chamada hirsutismo, e sua incidncia bastante alta, estimando-se que mais de 10% da populao de mulheres adultas removam plos faciais pelo menos uma vez por semana. Alguns autores consideram que o acometimento dessa desordem est acima de 8% nas mulheres em todo o mundo.

Mas por que esta patologia to desconhecida? Por que estas mulheres se calam e sofrem em silncio por desconhecer os tratamentos mais recentes?

Esta afeco, que representa uma ameaa feminilidade, tem provocado profundos distrbios psicolgicos e emocionais, causando maior ansiedade, insegurana, baixa auto-estima e, inclusive, aumento na incidncia de disfunes sexuais.

Os fatores hormonais so os grandes causadores desse mal, e podem estar associados a doenas da modernidade, como o estresse, a obesidade e a Sndrome Metablica.

O que ocorre um desequilbrio entre a proporo de hormnios masculinos e femininos, havendo um predomnio da ao hormonal masculina que acarreta a transformao destes plos, nas reas hormnio-dependentes.

No entanto, em 90% dos casos desconhece-se qualquer alterao nos exames laboratoriais, e imputa-se como idioptica (sem etiologia definida), sendo que a Sndrome dos Ovrios Policsticos (SOP) a causa mais comum, e podendo estar acompanhada de outros sintomas como: irregularidade menstrual, acne, cabelos oleosos, queda de cabelos, obesidade, dislipidemia, resistncia insulnica, hipertenso arterial, infertilidade e doenas cardiovasculares.

importante a conscientizao dessas mulheres para a necessidade de um diagnstico e tratamento mdico adequados, visando a correo de distrbios hormonais muitas vezes graves, como, por exemplo, tumores da adrenal ou dos ovrios.

Os tratamentos convencionais so basicamente de dois tipos:

- Medicamentosos: para a correo hormonal, como as plulas anticoncepcionais

- Mtodos de remoo mecnica: os laseres, ceras depilatrias e aparelhos de barbear

H poucos anos, a FDA aprovou nos Estados Unidos o uso de uma substncia tpica chamada eflornitina (Vaniqa) que, quando aplicada sobre a rea com plos, altera o crescimento diminuindo o seu nmero. At ento no tnhamos um produto similar nacional e a importao do Vaniqa encareceria excessivamente o produto, tornando-o a ltima opo teraputica.

Outro tratamento que vem sendo testado a flutamida, um bloqueador de receptor de andrgenos, em tcnica de infiltrao pontuada local (intradermoterapia) com resultados iniciais muito promissores.

Finalmente, testes clnicos feitos com um produto fitoterpico, extrado do capim barbatimo, tm tido resultados clnicos bastante promissores. Derivado de uma planta tipicamente brasileira, promete acabar com os mtodos depilatrios mais agressivos.

O capim barbatimo (Stryphnodendron adstringens M.) bastante usado na medicina popular tanto para tratamento de diarrias e doenas ginecolgicas como para distrbios gstricos.

As seguintes caractersticas biolgicas tambm so conhecidas: adstringente, anti-sptico e antiinflamatrio e hemosttico. Seu perfil fitoqumico identifica taninos (mais de 20% no extrato virgem), alcalides e esterides.

Estudo duplo-cego, randomizado, placebo-controle foi realizado com creme contendo 6% p/p do extrato do ativo.

O interesse dos tcnicos e especialistas, na misso de descobrir novas fronteiras da cincia e utilizar recursos teraputicos da nossa flora para aumento do bem- estar da populao brasileira sempre louvvel e deve ser no s bem recebido como tambm estimulado.






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