A parte de cada um

Edicao Atual -  A parte de cada um

Editorial

Salvar o planeta. O assunto está na ordem do dia, nos modelos de gestão de negócios, nas escolas, em ações e campanhas de conscientização. A última notícia é que a crise pela qual passa o clima do mundo ainda tem solução e preço: cerca de 2% do PIB mundial, segundo dados do painel do clima das Nações Unidas.

Nesse contexto, de busca por novas tecnologias para diminuir os danos ao clima, o Brasil reforça seu papel de destaque, graças aos biocombustíveis. De acordo com o mesmo painel, todos os biocombustíveis somados, sobretudo o etanol oriundo da cana, poderão ocupar de 3% a 10% da matriz do setor de transportes em 2030, o que equivale à redução de até 1,5 bilhão de toneladas anuais de gás carbônico.

Tais informações podem parecer distantes do cotidiano de empresas e do cidadão comum. No entanto, fazem parte de uma teia que envolve desde a opção pelo consumo consciente aos projetos de cunho social e ambiental, cada vez mais presentes e necessários às indústrias.
Bancos públicos e privados já oferecem linhas de financiamento tanto para quem já faz uso de uma estratégia “verde”, quanto para as empresas que vão começar a investir na melhoria de seus processos produtivos. Para os empreendimentos com projetos ligados às áreas de meio ambiente ou à modernização de linhas de produção, o BNDES pode prover até 100% das necessidades de capital.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil também mostra a preocupação com o meio ambiente. Em entrevista ao Embale Certo, Alfredo Sette, presidente da Abipet, revela que o PET é 100% reciclável. Ponto para a indústria de cosméticos que está adotando cada vez mais esse tipo de embalagem. O assunto de capa são os depilatórios e epilatórios, tão utilizados pelas mulheres, mas que também já estão ganhando adeptos entre o público masculino. A edição aborda ainda as novas metodologias de teste para proteção UV-A, divulgadas por Emiro Khury e Adelino Nakano em nome da Associação Brasileira de Cosmetologia. Para completar, os substanciosos abstracts e o programa completo do 21o Congresso Brasileiro de Cosmetologia.

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Formulando Emulsões para Ativos Relaxantes - Patrick Obukowho Advantage Research Lab. LLC, Woodbridge, NJ, Estados Unidos

Emulsões relaxantes têm exigências únicas de pH, equilíbrio lipofílico-hidrófilico e potencial para minimizar a irritação. Este artigo sugere uma base de emulsão ideal para ativos relaxantes capilares.

Emulsiones relajantes tienen exigencias únicas de pH, equilíbrio lipofilico-hidrofilico y potencial para minimizar la irritación. Este artículo sugiere una base de emulsión ideal para activos relajantes de cabello.

Relaxer emulsions have unique requirements of pH, hydrophilic-lipophilic balance and minimizing irritation potential. This article suggests an ideal emulsion base for hair relaxer actives.

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Novo Método para Avaliar Protetores Solares UV-A - Emiro Khury, Adelino Nakano Associação Brasileira de Cosmetologia, São Paulo SP, Brasil

Nesse artigo os autores descrevem os métodos in vivo e in vitro existentes para a determinação da proteção UV-A de produtos cosméticos, com destaque para nova metodologia da Colipa para esses testes in vitro.

En esto articulo los autores describen los métodos in vivo e in vitro utilizados para la determinación de la protección UV-A de productos cosméticos, con destaque para la nueva metodologia de Colipa para esas pruebas in vitro.

In this articles the in vivo and in vitro methods utilized for determining the UV-A protectition in the cosmetics are described. An emphasis is presented to the new Colipa guidelines for these in vitro tests.

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Análise da Textura para Justificar Publicidade de Produtos para Cabelos - Janusz Jachowics ISP, Wayne, NJ, Estados Unidos Jô Smewing Stable Micro Systems Ltd., Godalming, Surrey, Reino Unido

A análise de textura de cabelos tratados com condicionadores e fixadores de penteado pode contribuir para substanciar a publicidade sobre a efetividade desses produtos de tratamento.

El analisis de textura del cabello tratado con acondicionares y fijadores de peinado puede contribuir para comprobar la publicidad sobre la efectividad de estos productos de tratamiento.

The texture analysis to hair treated with conditioners and styling fixatives can help substantiate claims made about the effectiveness of these hair care products.

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Avaliação de Eficácia de Emulsão de Silicone em Rugas Periorbitais e Nasolabiais - Gislaine R Leonardi, Renata F Andrigo, Maria Luiza O Polacow, Carlos Fornasari, Maria Silvia M Pires-de-Campos, Maria Imaculada Montebelo, Cássia A D Picirili Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Metodista de Piracicaba UNIM

O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia, em pele humana, de uma formulação preparada com diferentes silicones, na melhora da aparência da pele.

El objectivo de esto estudio fue evaluar la eficacia, en piel humana, de una formulación preparada con diferentes siliconas, para la mejora de la aparencia de la piel.

The objective of this paper was to evaluate the effectiveness of a formulation prepared with different kind of silicones, in improving the appearance of the human skin.

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A vez da Qualidade por Friedrich Reuss e Maria Lia A. V. Cunha

Resduos Custos e responsabilidade legal

Os resduos se encontram em quaisquer uma de nossas atividades. Nem sempre nos lembramos que os resduos, em algum momento foram comprados, foram produzidos, estocados, transportados, analisados, contados em inventrios e foram submetidos a processos de produo, de embalagens e de diversos manuseios. Chega um momento que se tornam inservveis e recebem um tratamento diferenciado daqueles produtos que representam o valor da empresa e que se destinaro ao processo de venda.

Segundo a sua origem, os resduos podem vir de devolues, estoques vencidos, avarias diversas, restos que ficaram nas embalagens, amostras de reteno que j cumpriram o seu prazo, resduos de laboratrio, restos da limpeza de misturadores, de filtros, de linhas e outros equipamentos industriais. Outros resduos so as embalagens vazias, contaminadas ou no, matrias-primas e produtos encalhados, enfim, uma infinidade de origens.

O fato mais importante que os resduos custaram dinheiro e trabalho, assim como o produto que vai ser vendido. Os valores representados pelos resduos so significativos e aumentam ainda mais se considerarmos o custo de seu gerenciamento, estocagem e destinao final.

Para o gerenciamento dos resduos deve-se classific-los segundo suas origens e propriedades sabendo se so resduos perigosos, inertes, se podem ser reciclados, criando tabelas de seu gerenciamento: origem, quantidades, responsveis, estocagens intermediarias e finais, e a destinao intermediaria e final.

Uma das destinaes mais seguras de resduos perigosos continua sendo a incinerao, seja em forno de incinerao ou em co-processamento em forno de cimento. Neste caso o resduo deixa de existir e cessa a responsabilidade de quem originou o resduo, o que no ocorre no caso do resduo ser destinado a aterros.

Lembramos tambm que o transporte de resduos perigosos est sujeito ao uso de transportadoras devidamente credenciadas e destinao intermediria e final acompanhada das devidas autorizaes legais de transporte. As empresas de destinao tambm tm de demonstrar suas autorizaes, licenas e registros vlidos.

Outra medida conveniente a descaracterizao de embalagens e de produtos classificados como resduos.

Todo o processo de gerenciamento dos resduos deve ser fechado por meio de um balano de massa para a efetiva demonstrao de que toda a quantidade gerada est em estoque ou que tenha sido devidamente destinada.

O fechamento final dado pelo certificado de destinao final, emitido pela empresa de destinao. Considerando quo crtico o manuseio de resduos e os riscos de sua destinao, recomenda-se realizar auditorias ou visitas e acompanhamentos do transporte, e da destinao, assegurando o conhecimento e a comprovao da execuo contratada.

Antes do surgimento da legislao ambiental os resduos em geral e tambm os perigosos eram tratados de forma muito simples, como qualquer outro lixo.

Na atual situao de restrio cada vez maior dos custos e dos riscos legais, h necessidade urgente e efetiva do gerenciamento adequado destes materiais. Entram a as substituies de embalagens por containeres, a reviso da diversidade de matrias-primas e de materiais, a eficincia operacional nos processos de carga, descarga, limpeza, troca de produo, eficcia dos processos de set up, controle dos estoques quanto ao vencimento dos prazos de validade e uma infinidade de outras caractersticas.

Lembrando sempre que o custo da destinao final de resduos perigosos pode ser muito mais alto que o custo da prpria matria-prima. Sabe-se que muitos processos qumicos tiveram suas rotas modificadas exatamente para evitar a formao de resduos cuja disposio final nas atuais condies de mercado e de legislao mais restritiva ou mais custosa.

Uma contrapartida para os maiores custos da destinao dos resduos perigosos pode ser encontrada no gerenciamento adequado dos materiais suscetveis aos processos de reciclagem, sempre pensando no seguinte princpio: materiais reciclveis misturados so lixo, ao passo que devidamente separados e ordenados so preciosas matrias-primas.

Luiz Brando
Assuntos Regulatrios por Luiz Brando

Depilatrios e epilatrios Regulamentao brasileira

Homens e mulheres tentam eliminar cabelos e plos do corpo h sculos. Encontramos relatos de 1.500 a.C. sobre um produto para depilar a base de trissulfeto de antimnio e outro composto de soda custica. Clepatra (sempre ela) usava um produto a base de cera quente embebida em tecidos finos (mtodo muito utilizado atualmente).

Segundo o dicionrio Aurlio, os termos depilatrio e epilatrio so sinnimos:

- Diz-se daquilo que depila.

- Preparado para arrancar ou fazer cair o cabelo ou o plo. O International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA), classifica em dois grupos os agentes para depilao/ epilao:

- Depilating agents remoo dos plos por meio qumico.

- Epilating agents remoo dos plos por meio mecnico. Segundo a Anvisa, essa diferena existe somente quanto ao grau de risco do produto.

Grau de risco 1: Depilatrio/Epilatrio Mecnico (cera, creme, lquido)

Grau De Risco 2: Depilatrio/Epilatrio Qumico (Cera, Creme, Lquido)

O Decreto N 79.094, de 5 de janeiro de 1977 define essa categoria de produtos da seguinte forma: Depilatrios ou epilatrios - destinados a eliminar os plos do corpo, quando aplicados sobre a pele, em tempo no superior ao declarado na embalagem, incuos durante o tempo de aplicao e sem causar ao irritante pele, apresentados em forma e veculos apropriados, hermeticamente fechados.

E diz tambm sobre as advertncias obrigatrias a serem indicadas na rotulagem: Art. 111. Dos rtulos, bulas e demais impressos dos depilatrios ou epilatrios sero obrigatrias as advertncias: No deve ser aplicado sobre mucosas ou em regies a ela circunvizinhas, sobre a pele ferida, inflamada ou irritada; Imediatamente antes ou aps sua aplicao no use desodorantes, perfumes ou outras solues alcolicas; No faa mais do que uma aplicao semanal na mesma regio.

Porm, a RDC N. 211, de 14 de julho de 2005 apenas cita as seguintes advertncias obrigatrias:

e) Depilatrios e Epilatrios:

1 - No aplicar em reas irritadas ou lesionadas;

2 - No deixar aplicado por tempo superior ao indicado nas instrues de uso;

3 - No usar com a finalidade de se barbear;

4 - Em caso de contato com os olhos, lavar com gua em abundncia;

5 - Manter fora do alcance das crianas.

A RDC N. 215, de 25 de julho de 2005 traz ainda as restries para o uso de ingredientes nesse tipo de produtos, conforme mostra a tabela.

Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Integrao ISSO e GMP

Como do conhecimento geral existem, em estgio bastante avanado, estudos no exterior para compatibilizar a Norma ISO 9000 e as Boas Prticas de Fabricao e Controle.

Uma abordagem que tal integrao possa ser realizada a comparao entre os quesitos de ambas as normas no que concerne aos conceitos, em especial, aos relativos gesto dos sistemas de qualidade.

Embora, em princpio, as BPF e C sejam bastante semelhantes tanto nos Estados Unidos quanto na Unio Europia alguns pontos so divergentes quanto aplicabilidade. Poderamos considerar que a integrao das BPF e C e a Norma ISO 9000 abordaria, num primeiro estgio:

- Administrao e Sistema da Qualidade

- Preveno

- Efetiva aplicao do Planejamento da Qualidade

- Anlise crtica das noconformidades Para tal poderamos considerar como importante o seguinte ponto:

- Como compatibilizar a garantia de qualidade de produto com o processo de gesto do processo da qualidade?

Esta questo ganha importncia quando conhecida a opinio de que a Norma ISO generalista, ao passo que as BPF e C so especficas e detalhistas quanto descrio e avaliao dos resultados.

Muitos infelizmente afirmam que a implantao das BPF e C uma imposio da Vigilncia Sanitria.

Aqueles que efetivamente implantaram o processo de Boas Prticas de Fabricao e Controle apontam as seguintes melhorias:

- Reduo de desperdcios

- Reduo de custos

- Motivao dos colaboradores

- Atendimento das necessidades do consumidor

Outra observao feita por vrios entrevistados de que a Norma ISO complementa as BPF e C quanto gesto voltada para a preveno.

Quanto aos resultados esperados pela implantao das duas normas as expectativas so:

- Efetiva implantao do processo de Melhoria Contnua

- Aumento da eficcia da comunicao entre os diversos setores da empresa

- Melhoria no entendimento do objetivo e necessidade de observao correta dos procedimentos

Aps os considerandos acima expostos, apenas com o objetivo de complicar queles que consideram a implantao das BPF e C e da Norma ISO simples, reafirmamos que muitas das nossas atividades so teis e no deixamos de realiz-las um s dia. Quando essas atividades se transformam em hbitos so extremamente tranqilizadoras. Para que as implantaes estejam subentendidas e as mudanas possam surtir efeito deve ser vencida a inrcia administrativa. Para tal existe a necessidade de que o compromisso com a mudana seja amplamente divulgado.

preciso que efetivamente seja dado o primeiro passo, o mais rpido possvel, lanando- se de uma vez e sem permitir retrocessos, para no final exercer um enorme esforo positivo buscando novo comportamento, sem que o processo sofra soluo de continuidade, para que os antigos hbitos sejam efetivamente banidos.

Devemos considerar tambm que as empresas vm, h sculos, desenvolvendo e aperfeioando paradigmas administrativos, que por conseqncia apresentam resistncia s mudanas. Muitos criticam os horrores da burocracia, muitas vezes em termos de chacota pelos seus absurdos, mas ns mesmos continuamos a solucionar as coisas pelos mesmos meios burocrticos.

Para mais uma reflexo considere que:

- Os executivos simplesmente no pertencem ao universo dos colaboradores da linha, mas s eles que podem implementar a mudana. Estes, por sua vez, no vem muita perspectiva alm do seu universo.

- Muitos podem estar se perguntando: O que tem isso a ver com a compatibilizao das normas? A resposta : no adianta compatibilizar se nenhum dos princpios em que as mesmas se baseiam no estiver devida e completamente compreendido pela organizao.

Direito do Consumidor por Cristiane Martins Santos

Consumo e meio ambiente

Talvez apenas agora estamos comeando a tomar conscincia dos sinais de socorro que o meio ambiente vem nos mandando...

O ltimo relatrio da ONU (Organizao das Naes Unidas) gerou uma imensa preocupao em todo o mundo e chamou a ateno para o fato de que devemos agir imediatamente para tentar preservar o meio ambiente s futuras geraes.

O artigo 225, da Constituio Federal, prev o seguinte: Todos tm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso do povo e essencial sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Pblico e coletividade o dever de defend-lo e preserv- lo para as presentes e futuras geraes.

Neste mesmo sentido, o Cdigo de Defesa do Consumidor preza por um meio ambiente saudvel e coibi qualquer prtica que possa ofend-lo.

Os recursos naturais so bens inestimveis e finitos e a defesa destes, como bens coletivos, necessria para a sobrevivncia humana.

Devemos buscar o equilbrioentre a preservao ambiental, garantia da qualidade de vida e o desenvolvimento econmico.

Para conquistar esse equilbrio, devemos iniciar com a salvao ambiental. Para isso h diversas estratgias e aes que podem ser apontadas.

Esse desafio pressupe esforos para mudanas de comportamento por parte de consumidores, fornecedores e do poder pblico.

Promover a educao ambiental em todos os nveis de ensino e a conscientizao pblica para a preservao do meio ambiente dever do Poder Pblico (art. 225, 1, VI, CF).

Ser que nossos cidados so ou esto educados ambientalmente?

Recentemente, a Fundao Procon de So Paulo realizou uma pesquisa sobre os hbitos de consumo e o meio ambiente. O objetivo deste trabalho foi identificar o comportamento do consumidor diante de situaes do seu cotidiano, que refletissem seu nvel de percepo de consumo consciente.

Assim, alguns temas foram tratados, dos quais destacam- se os seguintes: destinao do lixo domstico, reciclagem, utilizao racional de gua e responsabilidade social.

Segundo a anlise dos resultados dessa pesquisa: quando o assunto reciclagem, os resultados no so muito animadores. A maioria dos entrevistados no demonstra preocupao com a reutilizao ou reprocessamento dos itens descartados. Apenas 18,88% declararam que, na compra de um produto, sempre procuram saber se a embalagem reciclvel; 51,53% declararam que nunca procuram saber.

Quando se trata de consumo de gua os resultados so melhores, demonstrando maior percepo para o consumo racional: 68,88% dos consumidores informaram que nunca deixam a torneira aberta enquanto escovam os dentes. Por outro lado, 42,09% admitem que s vezes o banho passa de 10 minutos e 39,29% admitem que o tempo do banho sempre superior a 10 minutos.

Outro dado apontado pela pesquisa se refere responsabilidade social na deciso de consumo: 43,88% dos consumidores nunca se interessam em saber se a empresa tem preocupao ambiental e social; apenas 21,94% demonstraram sempre ter interesse.

De acordo com os dados apresentados, verifica-se que a educao ambiental bastante carente e que este tema precisa ser amplamente discutido entre todos os setores da sociedade: empresas, consumidores, governo etc.

fundamental criar conscincia sobre os impactos da produo e do ps-consumo de produtos e servios para que cada um possa cumprir com a sua responsabilidade social e, assim, contribuir para a conquista de equilbrio...

Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Plsticos, ningum vive sem eles

Em tempos de aquecimento global, efeito estufa e descontrole da natureza por conta do descaso humano, o plstico tornou-se um dos viles da poluio do universo.

Quem mora em So Paulo ou pelo menos j passou nas chamadas marginais Pinheiros e Tiet pode comprovar esse fato, graas s toneladas e toneladas de garrafas, potes, frascos e outros materiais que biam nas guas ftidas de um rio que teimosamente insiste em sobreviver a ponto de, no raras vezes, ter a companhia de garas brancas que equivocadamente pousam s suas margens.

Mal necessrio, o plstico talvez o material mais utilizado nas embalagens da indstria cosmtica. Os rgos governamentais tm tentado conscientizar os fabricantes da sua responsabilidade com relao embalagem, mesmo aps o uso do produto pelo consumidor. Projetos pilotos esto em andamento e em breve alguns deles vo poder embasar o governo para compor leis que tenham a conscincia ecolgica e a reciclagem como foco principal.

Abordando o lado til e bom do plstico, podemos citar uma infinidade de embalagens com fins diferenciados, necessrias ao glamouroso mundo dos cosmticos. Potes, frascos, bisnagas, estojos, tampas, batoques, rtulos, cartuchos (caixinhas), vlvulas, bombas, dentre outros, so embalagens nas quais o plstico o principal material da composio.

Falar em plsticos genericamente no define qual a sua composio e nem para qual tipo de embalagem pode ser mais til, visto que cada uma dessas embalagens possui diferentes finalidades. Sendo assim, o plstico precisa ser usado adequadamente, de acordo com a sua composio.

Por existirem diversas e diferentes composies, o plstico se divide em famlias.

Dentre as informaes contidas, normalmente em alto relevo no fundo de um pote ou frasco plstico, encontramos o seu material de composio, representado de forma abreviada, acompanhado de um tringulo. Dentro dele encontra- se um nmero, que linguagem internacional de identificao da composio do plstico, conforme descrito a seguir.

1 - PET - Polietileno tereftalato. o chamado plstico nobre, muito usado em frascos e potes nos quais a transparncia fator importante. tambm muito usado em frascos de perfumes, imitando o tradicional vidro. Alta resistncia quebra.

2 - PEAD - Polietileno de alta densidade. Tambm bastante usado em frascos e potes. Normalmente so translcidos, leitosos (brancos) ou totalmente fechados (coloridos) resultado da adio de pigmentos. Por ser de alta densidade tem um aspecto rgido, porm no quebradio.

3 - PVC - Cloreto de polivinila. Tambm usado em frascos nos quais precisa-se de transparncia. No tem as mesmas boas caractersticas de transparncia, flexilibilidade e resistncia ( quebrvel) do PET.

4 - PEBD - Polietileno de baixa densidade. De caractersticas semelhantes ao PEAD, menos rgido e mais flexvel.

5 - PP - Polipropileno. Usado em frascos, bisnagas, tampas etc. um dos plsticos mais usados, assim como o PET. Normalmente de aparncia leitosa/fechada, no sendo usado em produtos nos quais se requer transparncia.

6 - PS Poliestireno. Presena quase que obrigatria nos estojos de maquilagem. O PS um material rgido, normalmente chama a ateno pelo brilho e cores, resultado da adio de pigmentos durante o processo de fabricao.

7 - Outros. Nesta famlia se encontram os demais tipos de plsticos no classificados nas famlias citadas acima. Para a fabricao de uma embalagem plstica, dois processos se destacam. O primeiro a injeo, processo no qual o material injetado contra um molde e, ao preencher o espao vazio desse molde, toma a forma desse espao, dando origem embalagem. Estojos e tampas, dentre outros, so resultados desse processo.

O outro processo o sopro, no qual o material entra dentro do molde sob a forma de uma mangueira que, com auxlio de ar comprimido, soprado contra as paredes do molde, tomando sua forma. Em ambos os processos o controle de tempo e temperatura vital para a qualidade da embalagem final.

Em funo da disponibilidade de espao desta coluna, sintetizamos o assunto, procurando passar aqui informaes bsicas para mostrar a necessidade e importncia do plstico na indstria cosmtica

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Vamos tirar os plos?

Plos, to essenciais esttica humana - que os digam os homens imberbes e carecas! Porm, no lugar erra do e em quantidade excessiva se tornam inadequados e indesejveis para alguns como, por exemplo, para as mulheres que sofrem de hirsutismo (excesso de plos em regies anatmicas tpicas do sexo masculino).

No entanto, muito de todo o desconforto no passa de uma questo de conveno. Dependendo da cultura local no h problemas em as mulheres se apresentarem pernas no depiladas, idia esta insuportvel aos olhos dos homens ocidentais ou homens de trax nus.

Apndice exclusivo dos mamferos, os plos espalhados pelo corpo assumem formas e funes diferentes apesar de todos serem constitudos basicamente de queratina. Na sua grande maioria os plos tm como funo a manuteno da temperatura da regio onde se localizam. Sua espessura varia de acordo com a regio e a etnia. A etnia negra em geral tem plos mais espessos do que as etnias amarelas e brancas, esta ltima em geral apresenta plos muito finos.

Na extenuante busca pelo corpo perfeito e na tentativa de se enquadrarem dentro de padres pr- estabelecidos de beleza, muitos, em algum momento da vida, acabam sentido a dor e a satisfao de fazerem uma depilao. Digo alguns, porque o universo de produtos de depilao, antes voltado exclusivamente para o pblico feminino, agora encontra um nicho para o novo estilo de vida masculino, denominado metrossexual. O pblico masculino hedonista, excessivamente preocupado com a aparncia fsica, comea ir alm do velho hbito de aparar os plos nasais, bigode e orelhas. Quando identificam que o seu pblico-alvo prefere trax ou costas menos peludas, no medem esforos em dividir a dor de uma depilao pela conquista de um objetivo.

E no vcuo destes novos hbitos a indstria cosmtica no deixa parado o sub-segmento denominado Depilatrios. Um mercado estimado para o ano de 2007 em 154 milhes de reais e taxa de crescimento esperada de 2,7% a.a. entre 2003 e 2008 (Euromonitor) tem sido o foco de companhias de peso no mercado cosmtico, como a lder Gilette do Brasil, que detm cerca de 73% do mercado, seguidas pela BIC e Warner-Lambert.

O sub-segmento ainda no muito bem mapeado mas, via de regra, segmentado em pr-depilatrios (produtos que preparam e tratam a superfcie a ser depilada), lminas e aparelhos eltricos e por ltimo removedores de plos e ceras. Existem outros mtodos para cumprir com o fim de depilar, porm de natureza mais cirrgica, pois so voltados para a eliminao definitiva dos plos, como laser e eletrlise, portanto, tratamentos fora do segmento cosmtico.

A lder Gilette tem persistido na produo de produtos voltados ao pblico feminino com a marca Prestobarba para mulheres, em detrimento da antiga marca Gilette Daisy Plus. Perceberam que o pblico feminino associa a marca Prestobarba eficincia de corte e tudo o que se quer numa depilao o mximo de eliminao dos plos.

A BIC expandiu sua fbrica em Manaus e vem desenvolvendo uma forte relao com a rede de distribuidores (Gazeta Mercantil).

J a Reckitt Benkisers investiu pesado em propaganda da linha Veet nas grandes regies do pas. A estratgia assertiva da Ricardo Sam e Cia., detentora da marca Depilsam, preferiu investir em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e na diversificao da linha.

A promessa fica com a Avon (website da empresa), a mais nova empresa internacional a entrar no mercado local de depilatrios, com a sua linha Skin-So-Soft que inclui creme prdepilatrio e gel ps-depilatrio.

Os produtos depilatrios tambm so alvos da agncia regulamentadora Anvisa. H advertncias especficas quanto concentrao de determinadas substncias nas formulaes de depilatrios (p.ex.: cido tio-gliclico) e mensagens nos rtulos para evitar contato com os olhos para os produtos que utilizam lcalis fortes, conforme descrito na RDC n 215 de 25/7/2005. O rgo tambm exige a meno nos rtulos advertindo para no aplicar o produto em reas irritadas ou lesionadas, no usar com a finalidade de se barbear, no deixar aplicado por tempo superior ao indicado nas instrues de uso, alm do tradicional manter fora do alcance das crianas. H legislaes especficas para os depilatrios mecnicos (risco 1) e qumicos (risco 2) de acordo com a Resoluo n 211 de 14/7/2005.

Diante de tudo isto, tirar o plo assume outro contexto e assunto para gente grande.

Notcias da Abihpec por Joo Carlos Baslio da Silva

Brasil tem 6,7% do mercado mundial conquistado

Leio que o Congresso se encontra em frangalhos aps inmeros escndalos que deram em nada. Leio que o Poder Judicirio est se desmilingindo com inmeros casos de corrupo vindo tona. Isso sem citar o quanto o crime organizado avana no pas: bom no esquecer que em 2006 o PCC paralisou So Paulo, a maior cidade da Amrica Latina.

Leio tambm sobre a adulterao de combustveis, que prejudica o patrimnio de milhes de brasileiros. Em muitos casos, sabemos que o automvel o patrimnio mais caro dessas pessoas, mas o que vemos so contrafeitores debochando da situao, sem uma ao pr-ativa vinda das autoridades competente.

Ouo diariamente sobre o aquecimento global, sobre a devastao da Amaznia e suas conseqncias... Uns dizem que estamos melhorando e diminuindo o ritmo do desmatamento, mas a maioria, imprensa e ONGs, diz que se a situao no mudar, teremos uma grande rea devastada em poucas dcadas.

Diante desse cenrio, temos estabelecido com nossas autoridades, em todas as esferas, um dilogo franco, aberto e totalmente transparente com relao aos pontos fracos do nosso setor, sem deixar de lado, claro, suas inmeras virtudes.

Somos um setor que caminha bem. Alis, muito bem! E a que mora o perigo. Estamos sofrendo ataques de todos os lados, seja de municpios, de Estados e at mesmo da Unio.

So aes, por exemplo, de abuso de poder por parte de autoridades que se vangloriam de lacrar fbricas, quando, com pequenas orientaes, poderiam ajudar a empresa a cumprir as exigncias sanitrias necessrias sem criar verdadeiros dramas de sobrevivncia.

Foi para minimizar essa angstia e tentar acabar com a informalidade sanitria do setor, na qual ainda esto centenas de indstrias, que a Abihpec firmou um convnio com a ABDI (Agncia Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e com o Sebrae Nacional.

Outro exemplo de abuso a definio de tributos feita praticamente sem critrio. No pas, 94% dos lares de qualquer classe social tm, no mnimo, entre quatro e cinco produtos do nosso setor para uso dirio (sabonete, escova e creme dental, desodorante, papel higinico, absorvente e fralda descartvel).

No Estado de So Paulo, por exemplo, os impostos diretos sobre um sabonete chegam a um percentual acumulado de 51%.

Assemblias Legislativas, Cmaras de Vereadores e at o Congresso Nacional insistem em discutir Projetos de Lei que, de alguma maneira, passam a exigir de nossas indstrias mais obrigaes, quase todas absolutamente inteis, sendo que as que acabam nos vencendo vo, na verdade, onerar o bolso do consumidor, com pouco ou nenhum benefcio. Todo esse conjunto de procedimentos estimula a informalidade, trazendo como conseqncia para as pequenas e mdias empresas um baixo desenvolvimento tecnolgico.

Contra tudo e contra quase todos podemos anunciar que o Brasil o terceiro maior consumidor de produtos de HPPC, com um market share de 6,7% do mercado mundial. Que outro setor pode apresentar nmeros to expressivos?

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Mitos e verdades sobre depilao definitiva

O plo considerado um anexo da pele, no apresentando funes vitais para o organismo. Est relacionado, porm, com aspectos da auto-estima, aparncia, atrativo sexual e muitos outros.

Sua eliminao tem levado as pessoas procura de diferentes mtodos, nem sempre adequados, criando mitos e verdades sobre a depilao definitiva.

importante salientar que o cabelo ou plo uma estrutura localizada na parte mais profunda da pele (derme) extremamente ativo, permanecendo em crescimento e em diviso celular por perodos prolongados. Como curiosidade, sabemos que o folculo pilo sebceo se situa em segundo pelas clulas sanguneas.

H dois tipos de plos no organismo: o plo terminal, que grosso, escuro e tem potencial de crescimento, e o velus (penugem), que fino, claro e permanece sempre curto.

Nos plos do corpo, como os da perna, virilha e axila, embora apresentem um tipo de ciclo semelhante ao do cabelo, o tempo de renovao mais curto, ocorrendo a troca com maior rapidez. Esse fato leva as mulheres a fazerem uso da depilao.

A chegada do laser

Como se sabe, os mtodos de depilao existentes na atualidade so muitos e tm alguns inconvenientes. As lminas de barbear, por exemplo, deixam o plo mais vigoroso, seu crescimento muito rpido e a pele pode tornar-se irritada. A depilao com cera apresenta grande tendncia para o encravamento e infeco.

J a eletrlise ou eletrodepilao bastante delicada, pois atinge os plos individualmente, mas deixa a pele machucada e manchada.

Com a chegada dos lasers consegue-se uma metodologia mais adequada para acabar com os plos indesejveis. Para se ter uma idia de sua eficcia, a ao do laser no plo est relacionada com a sua afinidade pela cor escura do mesmo, que bastante forte na raiz.

Em razo deste fato, o laser no atinge plos brancos ou plos muito claros, tornando impossvel, com a tecnologia disponvel, atingir os plos que no tenham pigmentao escura.

A falta de tcnica apurada pode levar a efeitos colaterais indesejveis.

Antes ou aps a aplicao do laser para depilao no necessrio o uso de medicaes sistmicas. No entanto, pode-se preparar a pele com cremes clareadores especiais ao longo de trs semanas antes da interveno.

O tempo de durao da sesso est relacionado com a rea a ser trabalhada. A pele pode ficar avermelhada e ligeiramente inchada e nos dias subseqentes importante o cuidado com o sol.

A depilao dos plos a partir do laser atinge um patamar muito mais adequado, sendo um alento para o tratamento de hirsutismo (aumento de plos) e tambm plos encravados.


Princpios de Depilao a Laser

O laser atua pelo processo denominado fotodermlise seletiva, pois age somente se o plo e o folculo que contenham melanina. O plo e o folculo piloso captam a energia do laser e a conduzem at a matriz pilosa que destruda pelo calor, sem danificar as estruturas delicadas da pele. Isso ocorre em folculos no estado anageno.

Os que esto no estado de involuo (telgeno ou catgeno) no esto aptos a captar a energia do laser, razo pela qual deve se esperar que cheguem etapa adulta para o tratamento. A efetividade do laser depende de fatores como: fase do ciclo folicular (caracterstica de cada pessoa), espessura, cor e profundidade do plo, densidade folicular, zona a ser tratada, estado hormonal e nmero de sees realizadas.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Metodologias: a arte de dirigir o esprito na investigao cientfica

Toda vez que se pensa no emprego da expresso me todologias de testes - a partir de agora metodologia - por mais simples que parea a sua aplicao, de pronto vem mente a possvel concluso a uma pergunta, objeto de uma proposta de trabalho, cujo resultado deve ser analisado do ponto de vista quantitativo.

O envolvimento da premissa acima apresenta-se como tremendamente importante, pois se coloca na pauta da avaliao toxicolgica presena de substncias qumicas que podero resultar futuras preparaes, cujo uso seguro por parte dos usurios deve, obrigatoriamente, ser considerada condio sine qua non.

Lembrem-se: a expresso de um resultado de anlise perde toda a sua representatividade se avaliado atravs de metodologias dbias.

Assim pensando, como avaliar a toxicidade de uma substncia a ser empregada em preparaes cosmticas? Certamente custa dos clssicos mtodos, vlidos ou em validao, preconizados por organismos regulatrios. Hoje, estes mtodos se somam a outros, a exemplo daqueles representados pela sigla 3R (reduction- refinement-replacement).

Por outro lado, sociedade civil e comunidade cientfica tm se preocupado bastante com o uso de animais de experimentao, destacando o manuseio capaz de assegurar-lhes qualidade de vida e os quantitativos envolvidos, matria esta que j foi objeto de apreciao por parte da Commission of the European Commnities (2005)

Estes e outros fatos tm procurado motivar a abertura de espaos para a utilizao dos ensaios in vitro e/ou alternativos. No se trata de retrica, essa mudana tem alimentado a busca da investigao cientfica, porm, de maneira bastante tnue. Um parntese se faz necessrio: rgos brasileiros de fomento pesquisa devem discutir com a comunidade cientfica a importncia do assunto, assegurando, o quanto antes, o desenvolvimento de tecnologias desenvolvidas.

Entre os segmentos que esto envolvidos na discusso relativa metodologia, a Anvisa - Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria, OECD-Organization for Economic Co-operation and Development, FDA Food and Drug Admistration, SCCNFP Scientific Commission on Cosmetic and non Food Products e o ECVAM European Centre for the Validation of Alternatives Methods so os de relevncia, alm de publicaes acadmicas, de instituies vinculadas ao setor, entre outros.

Novas metodologias tm sido publicadas e inmeras pginas absorvidas em peridicos de elevado conceito, agregando contextos e com isso tornando mais visvel a integrao cientfica de carter multiprofissional e disciplinar. A avaliao da toxicidade, onde exigida, deve ser considerada prioritria, pois confere ao projeto uma viso de futuro.

Quanto ao crescimento de novas metodologias capazes de permitir maior agilidade na avaliao da toxicidade de substncias qumicas tem-se plena certeza de que este crescimento ser muito mais explorado com a adoo do REACH por parte da Comunidade Europia, conforme atestam recentes publicaes.

Entre estas novas tecnologias esto sendo bastante discutidas aquelas batizadas como omics que podem ser empregadas, em curto prazo, na avaliao do risco e perigo. (Toxicology 224, 156-162, 2006) e (Trends in Biotechnology 24(8)2006 e 23(6)2005).


Ao lado dos cuidados observados na padronizao e validao de metodologias importante que o responsvel pela avaliao de segurana fique atento aos parmetros rotineiramente utilizados, especialmente quanto aos objetivos da validao, do mtodo proposto e da importncia assumida durante o tratamento estatstico, evitando-se o emprego de recursos inconsistentes. A falta de critrio e delineamento, aps longa caminhada de investigao acadmica ou mesmo de desenvolvimento, podem levar o to esperado resultado a interpretaes errneas, cujos danos podem ser imprevisveis. (Rozet E. e cols. J Chromatography 2007 in press).

Finalizando, reporto-me a Aurlio Buarque de Holanda Ferreira que, de forma sutil, deixou escrito em sua obra que a metodologia representa a arte de dirigir o esprito na investigao da verdade.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Depilatrios e epilatrios

Para comear, as definies. Estas abaixo extradas da Anvisa: Decreto N 79.094, de 5/1/77, DOU 7/1/77, Ttulo I, Disposies Preliminares - Art.3 Para os efeitos deste Regulamento so adotadas as seguintes definies:

IX - Cosmtico: o de uso externo, destinado proteo ou ao embelezamento das diferentes partes do corpo, tais como ps faciais, talcos, cremes de beleza, cremes para as mos e similares, mscaras faciais, loes de beleza, solues leitosas, cremosas e adstringentes, loes para as mos, bases de maquilagem e leos cosmticos, rouges, blushes, batons, lpis labiais, preparados anti-solares, bronzeadores e simulatrios, rmeis, sombras, delineadores, tinturas capilares, agentes clareadores de cabelos, fixadores, laqus, brilhantinas e similares, tnicos capilares, depilatrios ou epilatrios, preparados para unhas e outros.

No Ttulo V, Art. 49, item III, subitem s: Depilatrios ou epilatrios: destinados a eliminar os plos do corpo, quando aplicados sobre a pele, em tempo no superior ao declarado na embalagem, incuos durante o tempo de aplicao e sem causar ao irritante pele, apresentados em formas e veculos apropriados, hermeticamente fechados.

Plos corporais

A maior parte dos plos corporais pode ser classificada como velus ou terminal. Os plos velus so finos e no-pigmentados. Os plos terminais so mais grossos e escuros e podem ser dependentes de hormnios sexuais, como os plos da regio torcica e abdominal dos homens, ou no, como os clios e sobrancelhas.

Os andrognios promovem a converso dos plos velus em terminais, na maioria das regies dependentes de hormnios sexuais.

Uma exceo a regio do couro cabeludo, onde, por ao de andrognios, ocorre a involuo do folculo piloso. A hipertricose a transformao de plos velus, de textura fina e distribudos em todo o corpo, em plos terminais. No causada por um aumento na produo de andrognios, podendo ser congnita ou adquirida. A hipertricose adquirida pode ser ocasionada por ingesto de medicamentos, algumas doenas metablicas, como hipotireoidismo e porfirias, ou doenas nutricionais, como anorexia, desnutrio ou sndromes de m absoro.

O hirsutismo definido como a presena de plos terminais na mulher, em reas anatmicas caractersticas de distribuio masculina. Pode manifestar-se como queixa isolada, ou como parte de um quadro clnico mais amplo, acompanhado de outros sinais de hiperandrogenismo, virilizao, distrbios menstruais e/ou infertilidade.

Podemos denotar do descrito que, ao depararmos com uma pessoa com excesso de plos, precisamos, antes de qualquer coisa, de um diagnstico preciso para a conduo ideal do caso. Afastadas todas as possibilidades de um quadro mais grave podemos optar pela indicao de um mtodo de eliminao dos mesmos.

Hoje temos mtodos bem avanados como o uso de laser ou luz intensa pulsada, na qual uma onda eletromagntica destri as clulas dos fios, levando depilao definitiva. As aspas se justificam na medida que hoje temos a informao que, se no forem destrudas as clulas da rea do bulge, um novo plo voltar a surgir, e que, mesmo os melhores aparelhos s conseguem atingir estas clulas em aproximadamente 20% dos plos tratados, o que faz com que sejam necessrias cinco a seis sesses de laser para se obter o resultado definitivo.

A maior queixa relacionada a produtos cosmticos depilatrios com relao agresso causada pele adjacente aos plos, particularmente a dermatite de contato, aos eczemas e foliculite.

Na tentativa de se destruir os plos definitivamente muitos produtos esto sendo utilizados, desde aqueles que destroem a queratina (como derivados de tioglicolatos) at outros que impedem a ao de uma enzima (ornitina descaboxilase ODC, responsvel pelo crescimento do plo) como o cloridrato de eflornitina. Este ltimo nem pode ser considerado um depilatrio, pois tem de ser usado constantemente para impedir a ao enzimtica.

No Brasil, a novidade o extrato de capim barbatimo, que, quando aplicado em forma de creme, tem conseguido reverter a situao de mulheres com quadro de hipertricose idioptica ou de hirsutismo sem correlao laboratorial. Este trabalho foi desenvolvido no ambulatrio de cabelos da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo (SBEC) em associao com a SBME-SP (Sociedade Brasileira de Medicina Esttica), e apresentado no ltimo Congresso Mundial de Medicina Esttica, em abril de 2006, na cidade de Buenos Aires.






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