19 de Outubro de 2018

Incentivo ao desenvolvimento tecnológico

Edicao Atual - Incentivo ao desenvolvimento tecnológico

Editorial

Num contexto de ascensão dos biocombustíveis, o Brasil ocupa posição privilegiada, graças ao etanol, obtido da cana de açúcar. Juntos, Brasil e Estados Unidos produzem 75% do etanol consumido no mundo. No entanto, o custo de produção lá, a partir milho, é bem maior que o da aqui.

Tal cenário traz uma oportunidade estratégica ao Brasil, que domina a tecnologia e não tem limitações para aumentar a área de plantio de cana.

De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), onde são plantados 3 milhões de hectares de cana para o etanol, há 200 milhões de hectares de pastagens, de forma que, usando-se apenas 10% das pastagens, se poderia multiplicar por sete a produção de etanol.

Dados de um estudo feito pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), da Unicamp, mostram que para abastecer 5% do mercado mundial de álcool combustível, o Brasil precisará aumentar a sua produção em seis vezes mais, atingindo 100 bilhões de litros.
Logo, é preciso muito trabalho e investimentos pesados no aprimoramento da tecnologia usada hoje, para não perder essa liderança.

Nessa conjuntura, uma boa notícia foi divulgado pelo MCT, um plano de desenvolvimento científico e tecnológico, com ações que abrangem o período de 2007 a 2010.

Dentre essas ações estão a consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e o fortalecimento das atividades de pesquisa e inovação em áreas estratégicas para o país.

Iniciativas de fomento ao desenvolvimento tecnológico são vitais em quaisquer segmentos da indústria. Por isso notícias desse tipo são sempre muito bem-vindas, como o apoio à realização de projetos de pesquisa e o reconhecimento ao esforço inovador empreendido por empresas e instituições.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries (Brasil) tem Maquiagem Facial com tema de capa e artigos que complementam a matéria. Nesta edição, o caderno Embale Certo é apresentado em 10 páginas com informações importantes e de aplicação imediata na indústria. Temos a estréia entre os colunistas, Luiz Brandão, farmacêutico e autor do Índice ABC passa a assinar a coluna Assuntos Regulatórios.

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Evolução na Formulação de Batons - Manuel Caramês B. L. F. de Gouvêa LCW do Brasil Corantes, São Paulo SP, Brasil

Neste artigo o autor apresenta alternativas às formulações tradicionais de batons, com sugestão de novas matérias-primas, processos e com orientações sobre as exigências regulatórias quanto ao uso de substancias corantes.

En ese articulo el autor presenta alternativas para las formulaciones tradicionales de lápiz labiales, con sugerencia de nuevas materias primas, procesos y con orientación acerca de las exigencias reglamentarias en cuanto al uso de substancias de color.

In this article, some alternatives are presented to the lipstick traditional formulations. News ingredients, processes and regulatory guidelines for use of color ingredients are also presented.

Comprar

Emulsões: Correlação da Estabilidade Física de Longo Prazo com Medições Reológicas de Curto Prazo - Tharwat Tadros, Jeremie Nestor, Marie Claire-Taelman e Robert Smits Uniqema, Redcar, Reino Unido

Três medições reológicas de curto prazo em alguns modelos de emulsões de produtos de cuidado pessoal mostraram boa correlação com a instabilidade física das emulsões.
O uso dessas medições reológicas pode encurtar o tempo para testar a estabilidade de novas formulações.

Tres mediciones reológicas de corto plazo en algunos modelos de emulsiones de productos de cuidado personal muestran buena correlación con la estabilidad física de las emulsiones. El uso de estas mediciones reológicas puede acortar el tiempo para probar la estabilidad de nuevas formulaciones.

Three short-term rheological measurements on some model personal care emulsions showed good correlation with long-term physical instability of the emulsions. Use of these rheological measurements can shorten the time to test the stability of new formulations.

Comprar

Aspectos Gerais da Tecnologia de Batons - Monika Piazzon Tagliari e Hellen Karine Stulzer Depto. De Farmácia, Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC, Florianópolis SC, Brasil

O batom é o item de maquiagem mais utilizado por mulheres do mundo todo. Neste artigo são apresentadas características físico-químicas, etapas de produção e matérias-primas utilizadas na formulação de um batom, além de avaliar alguns parâmetros envolvidos no controle de qualidade do produto final.

El lápiz labial es el artículo de maquillaje más usado por las mujeres en el mundo. En este artículo se presentan las características físico-químicas, así como las etapas de producción y de las materias primas usadas en la formulación de un lápiz labial, más allá de evaluar algunos parámetros involucrados en el control de calidad del producto final.

The lipstick is the item of make up more used by women in the world. In this article characteristic physicist-chemistries are presented, stages of production and raw materials used in the formulations of a lipstick, beyond evaluating some involved parameters in the quality control of the end item.

Comprar

Bases Emulsionadas: Comparativo de Estabilidade Acelerada - Fernanda Spellmeier e Graziela Heberlé Centro Universitário Univates, Lajeado RS, Brasil

Este artigo descreve o resultado comparativo do perfil de estabilidade de emulsão aniônica obtida em pequena escala, caracterizando a produção na farmácia de manipulação, e em grande escala, preparada numa indústria.

Este artículo describe el resultado comparativo del perfil de estabilidad de una emulsión aniónica obtenida en pequeña escala, caracterizando la producción en la farmacia de manipulación, y en gran escala, preparada en la industria.

This article describes the stability profile comparative results of an anionic emulsion produced in low batch as in the compound pharmacies, and in big batch as in the industries production.

Comprar

Efeito do Tipo de Óleo sobre a Estabilidade das Emulsões A/O/A Özen Özer e Burcu Aydin - Faculdade de Farmácia da Universidade Ege, Bornovo Izmir, Turquia Yasemin Yazan Faculdade de Farmácia da Universidade Anadolu, Eskisehir, Turquia

O comportamento do sistema de emulsão a/o/a e a estabilidade da membrana oleosa dependem do tipo de óleo usado para preparar a emulsão. A análise condutimétrica do marcador aprisionado, sulfato de magnésio, que foi liberado, demonstrou que a maior liberação de marcador ocorreu nas emulsões à base de óleos do grupo de triglicerídios. As emulsões à base de hidrocarbonetos apresentaram maior estabilidade.

El comportamiento del sistema de emulsión w/o/w y la estabilidad de la membrana oleosa dependen del tipo de aceite usado para preparar la emulsión. El análisis conductimétrico del marcador aprisionado, sulfato de magnesio, que fue liberado, demostró que la mayor liberación de marcador ocurrió en las emulsiones basadas en aceites del grupo triglicérido. Las emulsiones basadas en aceites de hidrocarburo presentaron mayor estabilidad.

The behavior of the w/o/w emulsion and the stability of the oil membrane depend on the type of the oil used to make the emulsion. Conductimetric analysis of the release of entrapped marker magnesium sulfate showed that the highest release of the marker occurred in emulsions based on oils from the triglyceride group. Emulsions based on hydrocarbon oils showed the best stability.

Comprar
A vez da Qualidade por Friedrich Reuss e Maria Lia A. V. Cunha

As normas regulamentadoras na empresa

Ao se implantar a norma ambiental na forma da ISSO 14001:2004 já se tornou praxe que, além das legislações ambientais, também seja verificada a efetiva aplicação das normas referentes à segurança do trabalho. São as Normas Regulamentadoras (NR) do Ministério do Trabalho que regulamentam estas questões.

Usualmente, essas normas são aplicadas com maior ou menor rigor, dependendo da existência e da atuação dos responsáveis pela segurança na empresa. Escrevemos sobre esse assunto, pois a aplicação dessas normas pode passar despercebida pela organização, criando uma lacuna no atendimento legal e fazendo com que a empresa fique em situação crítica perante a fiscalização do trabalho ou entre em conflito com o sindicato.

Essas normas abrangem desde inspeções prévias (CAICertificado de Licenciamento Inicial) para a liberação do licenciamento da organização (NR2), necessário para a definição da sua equipe de segurança conforme o tamanho e a classe de risco da organização, (NR 4).

A NR5 – define a constituição e o funcionamento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA, que deverá representar o núcleo da preservação da segurança e da saúde ocupacional.

A CIPA é responsável por todas as atividades de preservação da saúde e integridade dos colaboradores. Neste sentido, uma de suas primeiras funções é a avaliação do PPRA (NR9), dos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais e do PCMSO (NR7), dos Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional, que são preparados anualmente pela empresa para avaliar as condições de risco no PPRA e preparar as devidas medidas de acompanhamento de suas condições de saúde.

Já a NR6 trata dos Equipamentos de Proteção Individual, os chamados EPI’s, que devem ser oferecidos aos colaboradores sempre que os equipamentos de proteção coletiva não surtirem os efeitos desejados de proteção para o resguardo da saúde e integridade física dos colaboradores. A lei exige a distribuição controlada dos EPI’s, mas também exige o adequado uso do EPI pelo colaborador, sob risco de sanções legais.

A NR8 dispõe sobre os requisitos técnicos mínimos que devem ser observados nas edificações para garantir segurança e conforto aos que nelas trabalham.

A NR10, que foi reeditada e complementada recentemente, estabelece as condições mínimas exigíveis para garantir a segurança das instalações elétricas e não colocar em risco os colaboradores e outras pessoas. São consideradas diversas etapas, incluindo elaboração de projetos, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação, assim como a segurança de usuários e de terceiros, em quaisquer das fases de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica. Os preceitos desta norma incluem atividades de treinamento e formação de eletricistas, verificação de instalações elétricas e da situação de pára-raios. Inclui ainda a aquisição de ferramentas e de EPI’s específicos para a operação de cabines de força e a preparação de diagramas unifilares para que se conheçam os caminhos e distribuição das ligações.

A NR11, por sua vez, estabelece os requisitos de segurança a serem observados nos locais de trabalho, no que se refere ao transporte, à movimentação, à armazenagem e ao manuseio de materiais, tanto de forma mecânica quanto manual, objetivando a prevenção de infortúnios laborais que podem ser causados pelas movimentações de cargas.

Como verificamos até aqui as NR’s cercam todas as possibilidades de acidentes e criam sistemas de gerenciamento para a análise das ocorrências, para a identificação de causas e para o tratamento dos processos.

Na norma seguinte, a NR 13, o foco está nos vasos de pressão: os aquecedores de água, as caldeiras, a produção de vapor, os tanques sob pressão, os reatores, os tanques dos compressores. São ditadas as regras de operação e o monitoramento periódico diário, mensal e de maior espaçamento de atividades de controle de camada, controle de válvulas de segurança e controles visuais para manter a garantia de seu correto funcionamento.

A integral compreensão e atendimento a essas normas seguramente garantirão uma atividade mais controlada e saudável na empresa e ainda ajudará a livrá-la de desagradáveis sanções legais. A divulgação das normas a gerentes e coordenadores trará maior compreensão da finalidade de cada uma das normas e ajudará na implantação de suas ferramentas operacionais e gerenciais.

Luiz Brandão
Assuntos Regulatórios por Luiz Brandão

Como usar a INCI

A RDC Nº. 211, de 14/7/05, em seu Regulamento técnico sobre rotulagem obrigatória geral para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, diz:

Ingredientes/Composição: descrição qualitativa dos componentes da fórmula através de sua designação genérica, utilizando a codificação de substâncias estabelecida pela Nomenclatura Internacional de Ingredientes Cosméticos (INCI).

Passados 15 meses da publicação da RDC Nº. 343, de 13/12/05 e a menos de quatro meses para que todos os produtos grau de risco 1 sejam fabricados com sua composição em nomenclatura INCI na rotulagem, fizemos um levantamento no mercado para verificar o cumprimento dessa norma.

Foi observada somente a nomenclatura dos produtos que já estão notificados sob a RDC 343/05.

Foram escolhidos 30 produtos de empresas de grande, médio e pequeno portes. Resultado: 27 produtos, ou seja, 90% apresentaram nomenclatura INCI incorreta (veja box).

Os erros parecem poucos, porém temos de levar em consideração que quase todos os produtos cosméticos são perfumados. Daí o grande número de erros na nomenclatura INCI.

Razões das divergências: O documento base para se obter a nomenclatura INCI é o Inventário Europeu (Inventory of Ingredients - List of ingredients) que pode ser obtido através do site: http://ec.europa.eu/enterprise/cosmetics/html/ cosm_inci_list.htm.

O Índex ABC foi editado no ano 2000 e o International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA), 11ª. edição, em meados de 2005.

O último Inventário Europeu foi colocado à disposição dos usuários em fevereiro de 2006. Portanto, há divergências entre o Índex ABC e o International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA).

O site da Anvisa recomenda que a nomenclatura descrita como INCI no International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA) ou Índex ABC só poderá ser utilizada nos seguintes casos:

1) Quando a nomenclatura INCI (do Inventário de Ingredientes Europeu) não estiver disponível no site mencionado

2) Em complementação à Nomenclatura INCI (do Inventário), necessariamente acompanhadas desta.

Minhas recomendações para encontrar o INCI correto:

Caso 1 – Literatura do fornecedor da matéria-prima

Não acredite na nomenclatura INCI informada, muitas vezes contém erros ou está adaptada somente para o mercado norte-americano. Recomendo que procure se no Inventário há coincidência de nomenclatura. Se houver use essa nomenclatura. Se não houver, procure no Índex ABC ou International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA) o correspondente, até encontrar o INCI correto.

Caso 2 – Derivados de Plantas

Procure saber o gênero, espécie da planta e o tipo de extrato. No Inventário você descobrirá as possibilidades: Extract, Oil etc. Caso não encontre o gênero/espécie utilize a nomenclatura do International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA) ou Índex ABC.

Caso 3 – Você não encontra em nenhum dos três locais

Procure saber do fornecedor se ele já propôs ao CTFA uma nomenclatura e se esta já está disponível no sitio CTFA on line. Provavelmente essa será a nomenclatura citada na próxima edição do referido dicionário.

Caso 4 – Você pretende fabricar um shampoo com quiabo e não encontra em nenhum dos quatro locais

Procure o nome latino do quiabo e proponha uma nomenclatura INCI. No caso: Abelmoschus esculentus Extract. Porém nesse caso você deverá anexar bibliografia sobre o quiabo e literatura pertinentes, inclusive com relação à eficácia e à segurança.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Práticas por Carlos Alberto Trevisan

Importância da documentação

Muito tem sido falado sobre a elaboração de uma lista de documentos que devem estar disponíveis para atender às solicitações por ocasião das inspeções sanitárias, em empresa fabricante/importadora de cosméticos, perfumes e produtos de higiene.

Causa surpresa tal atitude, pois basta que as empresas observem o estabelecido na Portaria 348 para que a documentação automaticamente esteja disponível.

A efetiva implantação das Boas Práticas de Fabricação e Controle repousa na elaboração e uso de uma série de documentos que permitem controlar, monitorar e prevenir as nãoconformidades, entre os quais podemos destacar:

- Procedimentos operacionais

- Fórmulas quali-quantitativas

- Especificações de matérias-primas e insumos

- Documentos de controle das operações

- Documentação do controle de qualidade

Os procedimentos básicos para a implantação das BPF e C proporcionam a segurança necessária para o bom andamento das atividades, mesmo que restritos à limpeza, higiene, fabricação, envase,recebimento, controle de devoluções etc.

A existência de documentos sobre formulação, fundamentalmente, dá uma indicação do conhecimento que a empresa tem sobre o seu produto, como interação entre as diversas matériasprimas, seus efeitos para o consumidor, a segurança etc.

Como parte importante do desenvolvimento de qualquer produto, a avaliação da estabilidade, para garantir a performance do produto no período de validade, implica na necessidade da manutenção de amostras de retenção tanto dos produtos terminados quanto das matérias-primas.

É inconcebível que uma empresa compre e/ou entregue ao consumo matérias-primas, componentes de embalagem e produtos acabados, sem que estejam estabelecidas suas características, ou seja, sem que sejam estabelecidas suas especificações.

A inspeção adequada indicará se as informações prestadas, durante as etapas de regularização dos produtos junto à Anvisa, têm o suporte necessário quanto às condições físico– técnicas da empresa.

Outro aspecto que consideramos importante quanto à suplementação das informações (documentos) é a efetiva existência de condições para obtenção e controle dos produtos.

Em coluna anterior (julho/agosto 2006) comentamos sobre a denominada “Qualidade no Papel”, ou seja, aquele procedimento de formalizar o Sistema ou Processo da Qualidade, mas que, na prática, não está implantado com base nas operações - principalmente no que concerne ao comportamental.

Nossa vivência na área da Qualidade mostra algumas vezes que a existência de documentos não corresponde ao efetivamente praticado.

Uma pesquisa mais profunda realizada com os envolvidos nas atividades da Qualidade nesses casos indica que na maioria das vezes, a relação custo/informação é que o não incentiva seguir corretamente essa prática.

A relação custo/informação é, em termos mais simples, o indicativo de que qualidade custa caro e que qualidade é representada por uma coletânea de documentos constantes da legislação, que uma vez existentes, seriam por si só suficientes para garantir a existência da “qualidade”. Portanto, nesse critério, para atender às determinações bastar dispor da documentação do produto.

Consideramos que a efetiva existência das condições físicas e do nível de conceituação da empresa, em relação à Qualidade, são parâmetros efetivos que resultam em produtos eficazes e seguros.

Consideramos também que a inspeção é a forma de avaliar o efetivo cumprimento das Boas Práticas de Fabricação e Controle.

Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

Qual é o preço da vaidade?

Como bem disse o empresário da indústria automobilística Henry Ford, “o consumidor é o elo mais fraco da economia; e nenhuma corrente pode ser mais forte do que seu elo mais fraco”.

A vulnerabilidade do consumidor pode ser demonstrada muito bem pelo simples fato deste não deter nenhum controle sobre as formas e meios de produção dos produtos que são colocados no mercado.

Um dos principais objetivos da Política Nacional de Relações de Consumo é proteger a saúde e a segurança dos consumidores. Sendo este objetivo um direito básico do consumidor:

“Art. 6º - São direitos básicos do consumidor: I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos (...)”

Em decorrência desse direito o Código de Defesa do Consumidor elenca normas que exigem a devida informação – de maneira clara - sobre os riscos que um produto possa oferecer ao consumidor ou ainda que inibam que um produto seja colocado no mercado pelos riscos que este possa oferecer.

Entretanto, essas normas nem sempre são respeitadas e produtos que não estão em conformidade com registros de segurança são colocados no mercado... E seduzem o consumidor.

No final do mês de março, uma consumidora do interior de Goiás entrou em óbito algumas horas depois da aplicação de uma escova progressiva. Até o fechamento desta coluna ainda não se sabia se a intoxicação que levou ao óbito foi decorrência do uso indevido de formol na química do tratamento.

Mas fica uma pergunta: até que ponto o consumidor pode ser seduzido por um produto nocivo em nome da sua vaidade?

É dever do fornecedor de produtos e serviços alertar seu consumidor sobre quaisquer riscos que o produto possa oferecer, principalmente no que tange a saúde e a integridade física deste.

Por outro lado, também é dever do consumidor avaliar esses riscos e se certificar de que aquele produto foi validado por um órgão fiscalizador competente.

Neste universo “das escovas progressivas” é dever dos profissionais utilizar produtos que sejam registrados pela Anvisa e cabe ao consumidor constatar tal registro.

Visitando o site da Anvisa deparei – e como mera consumidora me surpreendi – com algumas informações, as quais destaco:

“A Anvisa não registra alisantes capilares que tenham como base o formol em sua fórmula (...). A substância só tem uso permitido em cosméticos nas funções de conservante (limite máximo de uso permitido 0,2%, conforme a Resolução 162/01) e como agente endurecedor de unhas (limite máximo de uso permitido 5%, segundo a resolução 79/00 Anexo V)”.

”Quando o produto não é registrado, significa que a composição não foi avaliada, o que pode representar perigos à saúde (...)”.

“O risco do formol em sua aplicação indevida é tanto maior quanto maior a concentração e a freqüência do uso, e se dá pela inalação dos gases e pelo contato com a pele, sendo perigoso para profissionais que aplicam o produto e para usuários”.

“Escova Progressiva e de Chocolate, por exemplo, são métodos de alisamento capilar. São modismos, como já foram a Escova Francesa, o Alisamento Japonês, a Escova Definitiva e etc. Todos esses métodos referem-se a alisamento de cabelo, e não são registrados na Anvisa (...)”

– esta informação merece um comentário: se estas “escovas progressivas da moda” não são devidamente registradas pela Anvisa, não há garantia de que essas não ofereçam riscos ao consumidor... Então por que ganham cada vez mais espaço no mercado?

Outro fato ocorrido recentemente, que a “vaidade” resultou em danos à integridade física do consumidor, foi o de uma estudante que teve 90% do corpo queimado após fazer sessões de bronzeamento artificial numa clínica de beleza, no Rio de Janeiro RJ. De acordo com o que foi publicado, a clínica tem autorização de funcionamento expedida pela Anvisa, porém, o equipamento de bronzeamento não possui o devido registro.

Diante desse panorama, fica muito claro que a vaidade é um ingrediente de peso para seduzir um consumidor.

Daí a imensa responsabilidade dos profissionais da indústria da beleza em garantir proteção a esses consumidores...

Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Embalagens para batons

Batom, produto de venda fácil, porém, com poucas opções de embalagens no mercado interno e dificuldades de divulgação dos apelos de marketing na própria embalagem, em função do seu tamanho reduzido.

Que mulher não carrega na bolsa uma, duas, três, várias cores e marcas de batons?

Objeto do desejo das mulheres, o batom é a maquiagem mais usada por elas, seguido de lápis, rímel, base, blush, sombra e delineador.

Antigamente a função do batom era somente colorir os lábios, depois veio a preocupação com a fixação da cor, ou seja, um bom batom tinha de durar várias horas. Nesta época surgiu o batom 24 horas, que era um risco para a saúde, pois reagia com a pele e, alergias e irritações eram comuns de acontecer. Era o chamado “batom do Paraguai” e que “não tinha Dicop” – expressôes usadas na época para designar produtos não devidamente regularizados no Ministério da Saúde.

Com a evolução da Cosmetologia e a exemplo dos cremes faciais, ao batom foram incorporados princípios ativos, tais como hidratantes, emolientes, vitaminas, anti-radicais livres, filtro solar e mais recentemente a atribuição do FPS (fator de proteção solar).

A função do batom deixou de ser apenas colorir os lábios, mas acima de tudo, também tratá-los. Obviamente, com a incorporação dessas matérias-primas, tornou-se necessário explorá-las no texto, tanto do aspecto legal quanto de marketing. Surgiu então um grande problema, pois em função do tamanho da embalagem, era impossível colocar tanto texto em um espaço tão minúsculo.

Nas marcas mais sofisticadas, nas quais era possível incluir um cartucho no custo, o problema foi parcialmente resolvido, apesar de que era quase necessária uma lupa para conseguir ler todos os benefícios do produto. Pior era quando não existia e o custo do produto não permitia agregar o cartucho. Nessa hora entrava em cena a criatividade ou a “copiatividade”, ou seja, todo o texto passava a ser colocado num lacre termoencolhível, que também trouxe mais um problema, porque além da difícil leitura, raramente alguém guardava o lacre com os dados do produto.

Mas o maior desses problemas é a relação de custo entre o produto e a embalagem. O preço de venda do produto pode variar desde o chamado “R$ 1,99” até mais de R$ 100,00. É claro que um batom com matérias-primas nobres, ativos, filtro solar etc vai custar muito mais caro que um batom cuja preocupação é só colorir os lábios, mas o grande diferencial de preço está realmente na embalagem.

Uma “bala” de batom tem aproximadamente 4 g. Portanto, por mais nobre e especial que seja, vai sempre custar menos do que uma embalagem.

Muitas vezes um batom de boa qualidade tem preço baixo porque está numa embalagem de baixa qualidade, que, como conseqüência, pode ter problemas no mecanismo (o elevador da bala pára de funcionar), a decoração começa a descascar, a tampa solta com facilidade, pois o travamento é ruim etc...

Por outro lado, muitas vezes temos um batom com formulação simples, numa embalagem sofisticada, o que o torna muito mais caro.

Muitas empresas de cosméticos não têm o batom em sua linha. São várias as razões, desde a necessidade de equipamentos especiais e a dificuldade no processo de fabricação até a obrigatoriedade de várias cores na linha.

Porém os problemas no mercado interno com a falta de opções de embalagem, qualidade, custo e a dificuldade de divulgação dos apelos do produto na embalagem em função do seu tamanho, talvez sejam as causas reais.

Na hora de escolher um batom tente conciliar a qualidade do produto (ativos e benefícios) com uma embalagem razoável, o que na verdade, via de regra, só acontece nas grandes marcas conhecidas e reconhecidas do mercado.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Glamour do Batom

A maquiagem facial estaria incompleta, caso não se incluísse o uso do bom batom.

Nada de novo nisso, mas o curioso é que a indústria do batom na última década deixou para trás a imagem de simples produto com apelos puramente estéticos, e passou a apresentá-lo com promessa de nutrição e tratamento.

O mundo dos batons, cada vez mais sofisticado, desde o seu tímido início, quando eram fabricados com corantes extraídos da alga fucus verticulosus e escamas de peixe, atualmente incluí produtos com apelos de proteção solar, corretivos labiais que prometem volume a lábios não tão generosos e hidratantes como silicones para evitar os efeitos do estresse ambiental. Sem falar dos efeitos visuais que hoje vão muito além do simples ato de recobrir. Brilho para ocasiões especiais, cores fortes para quem se faz presente, baixa transferência para evitar situações embaraçosas, longa permanência às usuárias mais apressadas, embalagens transportáveis para quem não abre mão da praticidade, são itens de projeto de um batom qualidade.

A exploração do glamour do uso dos batons é antiga. A exuberância facial de Nefertit é evidência disso. A moda na corte da rainha Elizabete I no século XVI deixou uma era de contraste com o período conservador da rainha Vitória. Mas a associação da imagem do uso do batom com o sucesso atinge o clímax no período de pós-guerra, na década de 40, quando as pessoas desiludidas com um mundo em ruínas passaram a buscar um ideal de vida através da artificialidade das telas.

A indústria cinematográfica passou a explorar a imagem de ousadia, satisfação e do mito sexual com a imagem de mulheres exuberantes e belamente maquiadas. Quem não se lembra da figura de Rita Hayworth, mesmo nos filmes em preto e branco, com os lábios visivelmente bem decorados?

De lá para cá a indústria da maquiagem e o seu segmento mais expressivo na maioria dos países, os produtos para os lábios, passou a ganhar expressividade dentro da indústria cosmética.

Dos cerca de U$ 230 bilhões (dados do Euromonitor) movimentados pela indústria cosmética em 2004 no mundo, 14% foram gastos em produtos para maquiagem (rosto, lábios, olhos e unhas), sendo que 29% foram destinados a produtos para os lábios que apresentaram taxa de crescimento no período compreendido entre 2000/2004 de 19,9%.

Comparando no mesmo período com os dados da América Latina (incluindo o México), a indústria cosmética gerou movimento de US$ 20,9 bilhões, 12% com maquiagem e os produtos para os lábios representaram 35% deste consumo, evidenciando assim uma preferência do público alvo por produtos labiais, em detrimento dos demais tipos de maquiagem.

No Brasil, os produtos para os lábios são ainda mais significativos do que nos demais países da região, os gastos com estes produtos representam 41% da cesta de consumo com maquiagem. Os produtos para os lábios no Brasil, dentro do escopo destes dados, vão além de sua vedete, os batons, que é a classe mais expressiva, com 76% de participação das vendas. Incluem também os famosos e cada vez mais procurados glosses (20%), lápis para contorno labial (3%) e demais produtos (1%) como protetores contra baixas temperaturas e produtos para veraneio. A perspectiva da taxa de crescimento de produtos para os lábios, no período 2004/2009, é de 4,8%, inferior aos 6,6% que é a expectativa de crescimento do setor cosmético, porém expressiva, pois devem continuar a ser a parte do segmento que mais receberão investimentos em P&D de produto e em embalagem.

A tendência à frente diz que os produtos de sucesso no mercado devem atender aos anseios de tratamento, principalmente ao do público feminino economicamente ativo, na faixa etária entre 30 e 40 anos.

Apelos como hidratação, proteção e robustez devem ser cada vez mais evidentes. A progressiva tendência de efetividade, produtividade ou conceitos que remetam ao consumidor a idéia que estão levando “mais pelo mesmo” devem continuar impulsionando os lançamentos de produtos 2-em- 1 ou 3-em-1.

Quem descuidar da portabilidade, que aparentemente não é um problema de difícil contorno para essa classe de produto,
poderá perder mercado caso queira investir em kits de maquiagem. A quantidade de produto versus o espaço ocupado nas necessaries a um preço justo e percebido pelo consumidor, deverá ser considerada no projeto.

As cores brilhantes para o público teen deverão receber atenção nos lançamentos, pois são próprios para a noite e transmitem a idéia de ser/estar na moda.

Notícias da Abihpec por João Carlos Basílio da Silva

Produtos Brasileiros conquistam Novos Mercados

Acabamos de encerrar nossa sétima participação consecutiva na Cosmoprof, realizada nos dias 29 de março a 2 de abril, em Bolonha, na Itália. A presença das empresas brasileiras no evento contribuiu tanto para a consolidação de antigos contatos quanto para a abertura de novos mercados.

Com o apoio da APEX-Brasil (Agência para Promoção de Exportações do Brasil) foi possível levar 18 empresas nacionais para a feira: Amazon Secrets, Amazônia Natural, Bonyplus, Brazilian Fruit, Cless, Condor, Kanechomn, L’Ácqua di Fiori, Marcelo Beauty, Muriel, Nazca, Nunaat, Plumas e Gemas, Sina Cosméticos, Sther, Surya Cosmetics, Very Important e Vitaderm. Juntas, elas realizaram negócios que atingiram o valor de US$ 780.000 e a estimativa é de que nos próximos 12 meses ainda rendam cerca de R$ 8,9 milhões aos cofres brasileiros.

Embora a maioria das empresas tenha levado produtos com forte apelo natural, cada uma delas possui uma interpretação diferente e criativa para o uso dos ativos da biodiversidade brasileira.

A cada ano, percebo nossa integração internacional mais fortalecida e, como conseqüência dessa estratégia, temos colocado cada vez mais produtos brasileiros de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos em prateleiras de países do primeiro mundo.

Acredito que um dos pontos mais positivos da nossa participação nessa Cosmoprof tenha sido a abertura de espaço para o intercâmbio, pois os expositores não receberam visitas apenas de distribuidores e compradores. Eles tiveram contato também com fornecedores de matéria-prima, o que pode oferecer, no futuro, reduções significativas no preço de seus produtos.

A área brasileira no pavilhão de exposições recebeu cerca de 900 visitantes vindos das mais variadas partes do mundo para prospectar novos negócios, com destaque para empresários da Europa e do Oriente Médio.

Os contatos feitos com esses países devem ser ainda mais fortalecidos durante a BeautyWorld Middle East, feira de beleza que será realizada em Dubai, nos Emirados Árabes, de 20 a 22 de maio, e da qual também vamos participar.

Sobre a nossa capacidade de nos adaptar ao mercado internacional, posso citar como exemplo a Cless Cosméticos, que esteve em Bolonha pela terceira vez. A empresa apresentou uma linha completa de tratamento e transformação para os cabelos e fechou negócios importantes com distribuidores dos Emirados Árabes e Arábia Saudita. Além disso, um comprador da Ásia estimulou a empresa a tomar algumas decisões estratégicas para avançar nesse mercado, me contou Mauricio Campos, diretor-executivo da empresa. Segundo ele, o principal objetivo do negócio, agora, é o desenvolvimento internacional da marca.

Os expositores que estrearam este ano na feira também comemoram bons resultados, como a Sina Cosméticos, que fez o lançamento mundial da linha Amazonutry com produtos nutritivos para os cabelos. Amalia Sina, presidente da empresa, conta que recebeu visitas promissoras de profissionais interessados em distribuir sua linha na Itália, uma prova de que a empresa apresentou produtos diferenciados que interessaram o mercado europeu. Ao terminar o evento, Amalia voou para Roma, onde teria outras reuniões com o futuro importador da marca.

A Plumas e Gemas é outra empresa que participou pela primeira vez da Cosmoprof, mas ela já havia mostrado seus produtos na feira de Las Vegas, em 2006. Porém, foi na edição européia do evento que a empresa encontrou o ambiente perfeito para apresentar internacionalmente a sua marca, com produtos voltados para a pele e para o banho, além de uma nova linha, que contém argila da Ilha de Marajó em sua formulação.

Mitchel Carlin, presidente da empresa, disse que pretende repetir a estratégia deste ano em 2008, pois os resultados de sua primeira investida no mercado europeu foram vários contatos interessados, em países como França, Itália e Arábia Saudita.

Ainda neste ano de 2007, a Abihpec estará na BeautyWorld Middle East, em Dubai, na InterCharm, na Polônia, e na Beauty Eurasia, na Turquia, além de participar de missões comerciais e rodadas de negócios em todo o mundo. Temos muito trabalho a fazer!

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Lábio também é pele

O lábio é uma região muito delicada que faz a transição entre a pele e a mucosa. Também precisa ser hidratado e protegido, pois sofre com ação dos raios ultravioletas e com as mudanças ambientais. Assim como outras áreas do corpo, precisamos de atenção em relação ao lábio, pois podem ocorrer problemas como herpes, queilites, queratose actínica e até câncer de pele.

Devemos hidratar o lábio pelo menos duas vezes ao dia, com batons e produtos aprovados. Podem ser usados princípios ativos como: ácido hialurônico, manteiga de karité, óleos naturais como uva e maracujá, bases siliconadas, entre outros.

O hidratante ou batom deve ter filtro solar, pois o lábio está constantemente em exposição. Para tomar sol, o FPS deve ser pelo menos 15 e ser repetido a cada duas horas.

O lábio e a região perioral podem ser acometidos pelo herpes tipo 1, um vírus recorrente que torna- se ativo quando há baixa de resistência. Quando o indivíduo se expõe ao sol em excesso o herpes pode reaparecer deixando manchas e cicatrizes.

A queilite actinéica é uma inflamação do lábio, tornando- o inchado e ressecado. Ocorre principalmente em pessoas que se expõem excessivamente ao sol e têm o lábio protuso.

Há também outro tipo de queilite, que é a queilite angular, espécie de assadura nos cantos da boca (boqueira). Esta pode ocorrer por falta de vitaminas, problemas dentários e estomacais e também estresse.

Atenção especial deve ser dada às alterações de cor e esbranquiçamento dos lábios.

Placas endurecidas e esbranquiçadas e leucodérmicas (perda de pigmentação) na mesma região podem ser um início de um câncer de mucosa. Fumantes têm mais chance de desenvolver câncer nesta região. Indivíduos claros que trabalham ao ar livre e tomam muito sol também são mais predispostos. Em geral, o câncer que acomete esta região é o espino celular, caracterizado por enduração e ferida no local.

Além destas doenças também pode ocorrer a dermatite de contato, com coceira e inflamação – corantes e preservantes usados no batom podem ser a causa desta alteração.

Como vemos, os cuidados e a atenção em relação ao lábio são importantes para mantê-lo bonito e saudável. Ainda em tempo, é bom lembrar que hoje existe um apelo para que os lábios sejam maiores e carnudos. São usadas técnicas de preenchimento para delineá- los ou aumentá-los.

O material escolhido e a técnica aplicada devem ser rigorosos para não causarem deformidades ou problemas de rejeição. Na região dos lábios é melhor escolher materiais não definitivos e aplicá-los com critério e responsabilidade.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Inovação tecnológica e a segurança de produtos cosméticos

Os produtos brasileiros de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos ocupam respeitável 3º lugar em vendas, as pesquisas são significativas e presentes nos principais periódicos da área cosmética.

Como manter e melhorar ainda mais esta posição? O que pode ser feito do ponto de vista técnico– cientifico?

Vejamos: a participação do Ministério de Ciência e Tecnologia e instituições como Finep e Fapesp marca presença em inovação tecnológica - e merece citação a edição do “10º Prêmio Finep de Inovação Tecnologia”. Os investimentos em P&D e buscas de novos mercados devem ser levados em consideração, pois o Brasil, segundo relato da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development) está vivendo um momento quanto às exportações (OECD - Observer 258/259, 2006).

O descortinamento científico, a participação da universidade, de organismos institucionais e setor privado
devem, de forma sinérgica, alavancar o apoio à inovação tecnológica. O trabalho “Exploratory analysis of
global cosmetic industry: the players, technology and market trends” (Technovation 25(2005)1263-1272) e o artigo “Intellectual property protection in the natural products” (Phytotherapy Research - in press - 2006) são interessantes e esclarecedores.

Na área de segurança toxicológica comentaremos a seguir alguns pontos.

O REACH (Register Evaluation Authorization Chemicals) aprovado em 2006 pelo Parlamento Europeu, após intensa discussão, regulamentou a nova legislação referente às substâncias químicas. O presente regulamento criou a Agência Européia de Substâncias Químicas, alterou Diretiva e determinou outras providências. O REACH, com certeza, foi objeto de críticas, especialmente quanto ao possível aumento do número de animais de experimentação a serem utilizados nos ensaios toxicológicos. Esta crítica pode ser bem aproveitada do ponto de vista científico, pois poderá levar não somente os órgãos de regulamentação, mas o segmento de interesse na validação de novos métodos alternativos, assunto que já vem sendo objeto de discussão há bastante tempo.

Ao lado das substâncias químicas utilizadas como ingredientes cosméticos, não se pode deixar de fazer referências aos tradicionais extratos vegetais, com certeza, presentes na pauta do setor de P&D.

Mas o lado folclórico do uso de plantas com finalidades cosméticas está tomando um norte cujo delineamento metodológico e científico tem por princípio utilizar recursos agronômicos de última geração, envolvendo desde o preparo do solo, o conhecimento das condições climáticas, a eliminação total do uso de praguicidas, o emprego de modernas técnicas de colheita e de armazenamento, o emprego de modernos processos de extração capazes de assegurar ativos com moléculas quimicamente inalteradas e de rendimento uniforme. Hoje já contamos com órgãos de certificação destes ativos.

Corrobora com a informação acima a publicação do International Journal of Applied Science (v.133, 2007) que dedicou especial atenção aos alimentos naturais e orgânicos, comercializados através dos pequenos e, hoje já presentes, nos grandes supermercados. Dos alimentos aos extratos orgânicos destinados às indústrias cosméticas, o caminho foi curto, inclusive já regulamentado pela Comunidade Européia. O trabalho “Benefiting Society through Organic and Certified Products” [(IJAP 133(1-2):26, 2007)] discutiu o desenvolvimento de produtos naturais e orgânicos em cosméticos, enfatizando que os referidos são cada vez mais importantes. Se hoje os ingredientes e produtos cosméticos já contam com técnicas seguras de avaliação, passos preciosos estão sendo dados pela toxicologia e bioquímica molecular, investigando o comportamento toxicológico dos produtos de bioativação. Trata-se de um marco notável.

A busca de novas moléculas, o desdobramento do conhecimento estrutura/atividade, a forte inteiração com a bioquímica molecular, os elegantes recursos analíticos, os sofisticados processos de biotransformação/bioativação, a participação da academia, dos órgãos regulatórios e do setor produtivo devem contribuir para que os usuários se sintam mais seguros quando expostos a produtos cosméticos (H. F Merk e cols. Experimental Dermatology 2006:15692-704).

Mas tenhamos em mente: mesmo com inovação tecnológica as reações adversas a produtos cosméticos são suscetíveis de acontecer.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Nanotecnologia e cabelos: até onde vamos?

A nanotecnologia é aquela parte da ciência que se atém a partículas muito pequenas, qualquer que seja a área de atuação, desde a informática até os cosméticos.

Alguns estudos mostram que, num futuro não muito distante, poderemos ter micro robôs que poderão ser introduzidos no corpo humano com a função de reparar defeitos microscópicos que até hoje não puderam ser corrigidos.

Mas, deixando a ficção científica de lado e pensando no que já temos em desenvolvimento, é de se acreditar que muito em breve teremos produtos na área da tricologia baseados nesta nova técnica.

Trabalhos realizados em alguns centros de pesquisa e desenvolvimento na área capilar mostram que produtos usados para coloração e para modificação química da forma dos cabelos (alisamentos ou permanentes) poderão contar com esta tecnologia.

Já temos no mercado instrumentos de trabalho (secadores e chapinhas) que foram desenvolvidos com uma película interna composta de nanoparticulas de dióxido de titânio, transformando estes aparelhos em agentes bactericidas, considerando que existem estudos mostrando o poder de purificação do ar dessas partículas.

No Brasil, foi lançado em 2005, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT o Programa Nacional de Nanotecnologia, que visa o desenvolvimento desta área. A Universidade Federal de São Carlos também tem desenvolvido linhas de pesquisa na direção da utilização de nanos na cosmetologia.

Quando se fala de pigmentos para coloração dos cabelos tem-se sempre que pensar em interações físicas e químicas com a estrutura da haste capilar. Os elementos orgânicos interagem com a queratina e melanina próprias do cabelo e podem alteram as nuances de cores que se quer obter. O fato da necessidade de se abrir muito as cutículas dos fios para se promover a oxidação da melanina e depois o aporte de um novo pigmento, também leva a eventual dano maior. Inevitavelmente o fio perde água, ficando mais ressecado e, quando não se promove o fechamento adequado, a cutícula não colocada no seu devido lugar leva à perda de brilho e a prejuízo na penteabilidade, levando, às vezes, à fragilização da haste e conseqüente quebra dos fios. A naonotecnologia poderia evitar estes efeitos colaterais indesejados.

Outra aplicação poderia ser nos filtros solares especiais para os cabelos, que certamente se beneficiariam com esta nova tecnologia.

A incorporação de nanos nos shampoos e nos condicionadores levará à maior interação dos produtos com a haste, fazendo com que os princípios ativos cheguem realmente ao seu destino.

Hidratações, queratinizações e recuperação de danos à haste poderão encontrar neste método um avanço muito importante.

Como este permitiria abertura mínima da cutícula, o dano será muito pequeno, fazendo, por exemplo, que se introduzisse elementos na córtex, capazes de alterar as pontes químicas que mantêm a forma dos cabelos, sem danificá-las.

Onde residiria o único risco desta aparente maravilhosa evolução?

Como as partículas são microscópicas, estas poderiam migrar para camadas da pele que não estavam programadas e até eventualmente cair na circulação, e seguir um curso que não é previsível.

Para isso é fundamental que as pesquisas sigam com muito cuidado, especialmente no que concerne à segurança de qualquer produto que seja desenvolvido com esta tecnologia e que seja destinado ao uso humano.






Novos Produtos