Incentivo ao desenvolvimento tecnolgico

Edicao Atual - Incentivo ao desenvolvimento tecnolgico

Editorial

Num contexto de ascensão dos biocombustíveis, o Brasil ocupa posição privilegiada, graças ao etanol, obtido da cana de açúcar. Juntos, Brasil e Estados Unidos produzem 75% do etanol consumido no mundo. No entanto, o custo de produção lá, a partir milho, é bem maior que o da aqui.

Tal cenário traz uma oportunidade estratégica ao Brasil, que domina a tecnologia e não tem limitações para aumentar a área de plantio de cana.

De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), onde são plantados 3 milhões de hectares de cana para o etanol, há 200 milhões de hectares de pastagens, de forma que, usando-se apenas 10% das pastagens, se poderia multiplicar por sete a produção de etanol.

Dados de um estudo feito pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), da Unicamp, mostram que para abastecer 5% do mercado mundial de álcool combustível, o Brasil precisará aumentar a sua produção em seis vezes mais, atingindo 100 bilhões de litros.
Logo, é preciso muito trabalho e investimentos pesados no aprimoramento da tecnologia usada hoje, para não perder essa liderança.

Nessa conjuntura, uma boa notícia foi divulgado pelo MCT, um plano de desenvolvimento científico e tecnológico, com ações que abrangem o período de 2007 a 2010.

Dentre essas ações estão a consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e o fortalecimento das atividades de pesquisa e inovação em áreas estratégicas para o país.

Iniciativas de fomento ao desenvolvimento tecnológico são vitais em quaisquer segmentos da indústria. Por isso notícias desse tipo são sempre muito bem-vindas, como o apoio à realização de projetos de pesquisa e o reconhecimento ao esforço inovador empreendido por empresas e instituições.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries (Brasil) tem Maquiagem Facial com tema de capa e artigos que complementam a matéria. Nesta edição, o caderno Embale Certo é apresentado em 10 páginas com informações importantes e de aplicação imediata na indústria. Temos a estréia entre os colunistas, Luiz Brandão, farmacêutico e autor do Índice ABC passa a assinar a coluna Assuntos Regulatórios.

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Evolução na Formulação de Batons - Manuel Caramês B. L. F. de Gouvêa LCW do Brasil Corantes, São Paulo SP, Brasil

Neste artigo o autor apresenta alternativas às formulações tradicionais de batons, com sugestão de novas matérias-primas, processos e com orientações sobre as exigências regulatórias quanto ao uso de substancias corantes.

En ese articulo el autor presenta alternativas para las formulaciones tradicionales de lápiz labiales, con sugerencia de nuevas materias primas, procesos y con orientación acerca de las exigencias reglamentarias en cuanto al uso de substancias de color.

In this article, some alternatives are presented to the lipstick traditional formulations. News ingredients, processes and regulatory guidelines for use of color ingredients are also presented.

Comprar

Emulsões: Correlação da Estabilidade Física de Longo Prazo com Medições Reológicas de Curto Prazo - Tharwat Tadros, Jeremie Nestor, Marie Claire-Taelman e Robert Smits Uniqema, Redcar, Reino Unido

Três medições reológicas de curto prazo em alguns modelos de emulsões de produtos de cuidado pessoal mostraram boa correlação com a instabilidade física das emulsões.
O uso dessas medições reológicas pode encurtar o tempo para testar a estabilidade de novas formulações.

Tres mediciones reológicas de corto plazo en algunos modelos de emulsiones de productos de cuidado personal muestran buena correlación con la estabilidad física de las emulsiones. El uso de estas mediciones reológicas puede acortar el tiempo para probar la estabilidad de nuevas formulaciones.

Three short-term rheological measurements on some model personal care emulsions showed good correlation with long-term physical instability of the emulsions. Use of these rheological measurements can shorten the time to test the stability of new formulations.

Comprar

Aspectos Gerais da Tecnologia de Batons - Monika Piazzon Tagliari e Hellen Karine Stulzer Depto. De Farmácia, Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC, Florianópolis SC, Brasil

O batom é o item de maquiagem mais utilizado por mulheres do mundo todo. Neste artigo são apresentadas características físico-químicas, etapas de produção e matérias-primas utilizadas na formulação de um batom, além de avaliar alguns parâmetros envolvidos no controle de qualidade do produto final.

El lápiz labial es el artículo de maquillaje más usado por las mujeres en el mundo. En este artículo se presentan las características físico-químicas, así como las etapas de producción y de las materias primas usadas en la formulación de un lápiz labial, más allá de evaluar algunos parámetros involucrados en el control de calidad del producto final.

The lipstick is the item of make up more used by women in the world. In this article characteristic physicist-chemistries are presented, stages of production and raw materials used in the formulations of a lipstick, beyond evaluating some involved parameters in the quality control of the end item.

Comprar

Bases Emulsionadas: Comparativo de Estabilidade Acelerada - Fernanda Spellmeier e Graziela Heberlé Centro Universitário Univates, Lajeado RS, Brasil

Este artigo descreve o resultado comparativo do perfil de estabilidade de emulsão aniônica obtida em pequena escala, caracterizando a produção na farmácia de manipulação, e em grande escala, preparada numa indústria.

Este artículo describe el resultado comparativo del perfil de estabilidad de una emulsión aniónica obtenida en pequeña escala, caracterizando la producción en la farmacia de manipulación, y en gran escala, preparada en la industria.

This article describes the stability profile comparative results of an anionic emulsion produced in low batch as in the compound pharmacies, and in big batch as in the industries production.

Comprar

Efeito do Tipo de Óleo sobre a Estabilidade das Emulsões A/O/A Özen Özer e Burcu Aydin - Faculdade de Farmácia da Universidade Ege, Bornovo Izmir, Turquia Yasemin Yazan Faculdade de Farmácia da Universidade Anadolu, Eskisehir, Turquia

O comportamento do sistema de emulsão a/o/a e a estabilidade da membrana oleosa dependem do tipo de óleo usado para preparar a emulsão. A análise condutimétrica do marcador aprisionado, sulfato de magnésio, que foi liberado, demonstrou que a maior liberação de marcador ocorreu nas emulsões à base de óleos do grupo de triglicerídios. As emulsões à base de hidrocarbonetos apresentaram maior estabilidade.

El comportamiento del sistema de emulsión w/o/w y la estabilidad de la membrana oleosa dependen del tipo de aceite usado para preparar la emulsión. El análisis conductimétrico del marcador aprisionado, sulfato de magnesio, que fue liberado, demostró que la mayor liberación de marcador ocurrió en las emulsiones basadas en aceites del grupo triglicérido. Las emulsiones basadas en aceites de hidrocarburo presentaron mayor estabilidad.

The behavior of the w/o/w emulsion and the stability of the oil membrane depend on the type of the oil used to make the emulsion. Conductimetric analysis of the release of entrapped marker magnesium sulfate showed that the highest release of the marker occurred in emulsions based on oils from the triglyceride group. Emulsions based on hydrocarbon oils showed the best stability.

Comprar
A vez da Qualidade por Friedrich Reuss e Maria Lia A. V. Cunha

As normas regulamentadoras na empresa

Ao se implantar a norma ambiental na forma da ISSO 14001:2004 j se tornou praxe que, alm das legislaes ambientais, tambm seja verificada a efetiva aplicao das normas referentes segurana do trabalho. So as Normas Regulamentadoras (NR) do Ministrio do Trabalho que regulamentam estas questes.

Usualmente, essas normas so aplicadas com maior ou menor rigor, dependendo da existncia e da atuao dos responsveis pela segurana na empresa. Escrevemos sobre esse assunto, pois a aplicao dessas normas pode passar despercebida pela organizao, criando uma lacuna no atendimento legal e fazendo com que a empresa fique em situao crtica perante a fiscalizao do trabalho ou entre em conflito com o sindicato.

Essas normas abrangem desde inspees prvias (CAICertificado de Licenciamento Inicial) para a liberao do licenciamento da organizao (NR2), necessrio para a definio da sua equipe de segurana conforme o tamanho e a classe de risco da organizao, (NR 4).

A NR5 define a constituio e o funcionamento da Comisso Interna de Preveno de Acidentes CIPA, que dever representar o ncleo da preservao da segurana e da sade ocupacional.

A CIPA responsvel por todas as atividades de preservao da sade e integridade dos colaboradores. Neste sentido, uma de suas primeiras funes a avaliao do PPRA (NR9), dos Programas de Preveno de Riscos Ambientais e do PCMSO (NR7), dos Programas de Controle Mdico de Sade Ocupacional, que so preparados anualmente pela empresa para avaliar as condies de risco no PPRA e preparar as devidas medidas de acompanhamento de suas condies de sade.

J a NR6 trata dos Equipamentos de Proteo Individual, os chamados EPIs, que devem ser oferecidos aos colaboradores sempre que os equipamentos de proteo coletiva no surtirem os efeitos desejados de proteo para o resguardo da sade e integridade fsica dos colaboradores. A lei exige a distribuio controlada dos EPIs, mas tambm exige o adequado uso do EPI pelo colaborador, sob risco de sanes legais.

A NR8 dispe sobre os requisitos tcnicos mnimos que devem ser observados nas edificaes para garantir segurana e conforto aos que nelas trabalham.

A NR10, que foi reeditada e complementada recentemente, estabelece as condies mnimas exigveis para garantir a segurana das instalaes eltricas e no colocar em risco os colaboradores e outras pessoas. So consideradas diversas etapas, incluindo elaborao de projetos, execuo, operao, manuteno, reforma e ampliao, assim como a segurana de usurios e de terceiros, em quaisquer das fases de gerao, transmisso, distribuio e consumo de energia eltrica. Os preceitos desta norma incluem atividades de treinamento e formao de eletricistas, verificao de instalaes eltricas e da situao de pra-raios. Inclui ainda a aquisio de ferramentas e de EPIs especficos para a operao de cabines de fora e a preparao de diagramas unifilares para que se conheam os caminhos e distribuio das ligaes.

A NR11, por sua vez, estabelece os requisitos de segurana a serem observados nos locais de trabalho, no que se refere ao transporte, movimentao, armazenagem e ao manuseio de materiais, tanto de forma mecnica quanto manual, objetivando a preveno de infortnios laborais que podem ser causados pelas movimentaes de cargas.

Como verificamos at aqui as NRs cercam todas as possibilidades de acidentes e criam sistemas de gerenciamento para a anlise das ocorrncias, para a identificao de causas e para o tratamento dos processos.

Na norma seguinte, a NR 13, o foco est nos vasos de presso: os aquecedores de gua, as caldeiras, a produo de vapor, os tanques sob presso, os reatores, os tanques dos compressores. So ditadas as regras de operao e o monitoramento peridico dirio, mensal e de maior espaamento de atividades de controle de camada, controle de vlvulas de segurana e controles visuais para manter a garantia de seu correto funcionamento.

A integral compreenso e atendimento a essas normas seguramente garantiro uma atividade mais controlada e saudvel na empresa e ainda ajudar a livr-la de desagradveis sanes legais. A divulgao das normas a gerentes e coordenadores trar maior compreenso da finalidade de cada uma das normas e ajudar na implantao de suas ferramentas operacionais e gerenciais.

Luiz Brando
Assuntos Regulatrios por Luiz Brando

Como usar a INCI

A RDC N. 211, de 14/7/05, em seu Regulamento tcnico sobre rotulagem obrigatria geral para produtos de higiene pessoal, cosmticos e perfumes, diz:

Ingredientes/Composio: descrio qualitativa dos componentes da frmula atravs de sua designao genrica, utilizando a codificao de substncias estabelecida pela Nomenclatura Internacional de Ingredientes Cosmticos (INCI).

Passados 15 meses da publicao da RDC N. 343, de 13/12/05 e a menos de quatro meses para que todos os produtos grau de risco 1 sejam fabricados com sua composio em nomenclatura INCI na rotulagem, fizemos um levantamento no mercado para verificar o cumprimento dessa norma.

Foi observada somente a nomenclatura dos produtos que j esto notificados sob a RDC 343/05.

Foram escolhidos 30 produtos de empresas de grande, mdio e pequeno portes. Resultado: 27 produtos, ou seja, 90% apresentaram nomenclatura INCI incorreta (veja box).

Os erros parecem poucos, porm temos de levar em considerao que quase todos os produtos cosmticos so perfumados. Da o grande nmero de erros na nomenclatura INCI.

Razes das divergncias: O documento base para se obter a nomenclatura INCI o Inventrio Europeu (Inventory of Ingredients - List of ingredients) que pode ser obtido atravs do site: http://ec.europa.eu/enterprise/cosmetics/html/ cosm_inci_list.htm.

O ndex ABC foi editado no ano 2000 e o International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA), 11. edio, em meados de 2005.

O ltimo Inventrio Europeu foi colocado disposio dos usurios em fevereiro de 2006. Portanto, h divergncias entre o ndex ABC e o International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA).

O site da Anvisa recomenda que a nomenclatura descrita como INCI no International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA) ou ndex ABC s poder ser utilizada nos seguintes casos:

1) Quando a nomenclatura INCI (do Inventrio de Ingredientes Europeu) no estiver disponvel no site mencionado

2) Em complementao Nomenclatura INCI (do Inventrio), necessariamente acompanhadas desta.

Minhas recomendaes para encontrar o INCI correto:

Caso 1 Literatura do fornecedor da matria-prima

No acredite na nomenclatura INCI informada, muitas vezes contm erros ou est adaptada somente para o mercado norte-americano. Recomendo que procure se no Inventrio h coincidncia de nomenclatura. Se houver use essa nomenclatura. Se no houver, procure no ndex ABC ou International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA) o correspondente, at encontrar o INCI correto.

Caso 2 Derivados de Plantas

Procure saber o gnero, espcie da planta e o tipo de extrato. No Inventrio voc descobrir as possibilidades: Extract, Oil etc. Caso no encontre o gnero/espcie utilize a nomenclatura do International Cosmetic Ingredient Dictionary and Handbook (CTFA) ou ndex ABC.

Caso 3 Voc no encontra em nenhum dos trs locais

Procure saber do fornecedor se ele j props ao CTFA uma nomenclatura e se esta j est disponvel no sitio CTFA on line. Provavelmente essa ser a nomenclatura citada na prxima edio do referido dicionrio.

Caso 4 Voc pretende fabricar um shampoo com quiabo e no encontra em nenhum dos quatro locais

Procure o nome latino do quiabo e proponha uma nomenclatura INCI. No caso: Abelmoschus esculentus Extract. Porm nesse caso voc dever anexar bibliografia sobre o quiabo e literatura pertinentes, inclusive com relao eficcia e segurana.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Importncia da documentao

Muito tem sido falado sobre a elaborao de uma lista de documentos que devem estar disponveis para atender s solicitaes por ocasio das inspees sanitrias, em empresa fabricante/importadora de cosmticos, perfumes e produtos de higiene.

Causa surpresa tal atitude, pois basta que as empresas observem o estabelecido na Portaria 348 para que a documentao automaticamente esteja disponvel.

A efetiva implantao das Boas Prticas de Fabricao e Controle repousa na elaborao e uso de uma srie de documentos que permitem controlar, monitorar e prevenir as noconformidades, entre os quais podemos destacar:

- Procedimentos operacionais

- Frmulas quali-quantitativas

- Especificaes de matrias-primas e insumos

- Documentos de controle das operaes

- Documentao do controle de qualidade

Os procedimentos bsicos para a implantao das BPF e C proporcionam a segurana necessria para o bom andamento das atividades, mesmo que restritos limpeza, higiene, fabricao, envase,recebimento, controle de devolues etc.

A existncia de documentos sobre formulao, fundamentalmente, d uma indicao do conhecimento que a empresa tem sobre o seu produto, como interao entre as diversas matriasprimas, seus efeitos para o consumidor, a segurana etc.

Como parte importante do desenvolvimento de qualquer produto, a avaliao da estabilidade, para garantir a performance do produto no perodo de validade, implica na necessidade da manuteno de amostras de reteno tanto dos produtos terminados quanto das matrias-primas.

inconcebvel que uma empresa compre e/ou entregue ao consumo matrias-primas, componentes de embalagem e produtos acabados, sem que estejam estabelecidas suas caractersticas, ou seja, sem que sejam estabelecidas suas especificaes.

A inspeo adequada indicar se as informaes prestadas, durante as etapas de regularizao dos produtos junto Anvisa, tm o suporte necessrio quanto s condies fsico tcnicas da empresa.

Outro aspecto que consideramos importante quanto suplementao das informaes (documentos) a efetiva existncia de condies para obteno e controle dos produtos.

Em coluna anterior (julho/agosto 2006) comentamos sobre a denominada Qualidade no Papel, ou seja, aquele procedimento de formalizar o Sistema ou Processo da Qualidade, mas que, na prtica, no est implantado com base nas operaes - principalmente no que concerne ao comportamental.

Nossa vivncia na rea da Qualidade mostra algumas vezes que a existncia de documentos no corresponde ao efetivamente praticado.

Uma pesquisa mais profunda realizada com os envolvidos nas atividades da Qualidade nesses casos indica que na maioria das vezes, a relao custo/informao que o no incentiva seguir corretamente essa prtica.

A relao custo/informao , em termos mais simples, o indicativo de que qualidade custa caro e que qualidade representada por uma coletnea de documentos constantes da legislao, que uma vez existentes, seriam por si s suficientes para garantir a existncia da qualidade. Portanto, nesse critrio, para atender s determinaes bastar dispor da documentao do produto.

Consideramos que a efetiva existncia das condies fsicas e do nvel de conceituao da empresa, em relao Qualidade, so parmetros efetivos que resultam em produtos eficazes e seguros.

Consideramos tambm que a inspeo a forma de avaliar o efetivo cumprimento das Boas Prticas de Fabricao e Controle.

Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

Qual o preo da vaidade?

Como bem disse o empresrio da indstria automobilstica Henry Ford, o consumidor o elo mais fraco da economia; e nenhuma corrente pode ser mais forte do que seu elo mais fraco.

A vulnerabilidade do consumidor pode ser demonstrada muito bem pelo simples fato deste no deter nenhum controle sobre as formas e meios de produo dos produtos que so colocados no mercado.

Um dos principais objetivos da Poltica Nacional de Relaes de Consumo proteger a sade e a segurana dos consumidores. Sendo este objetivo um direito bsico do consumidor:

Art. 6 - So direitos bsicos do consumidor: I - a proteo da vida, sade e segurana contra os riscos provocados por prticas no fornecimento de produtos e servios considerados perigosos ou nocivos (...)

Em decorrncia desse direito o Cdigo de Defesa do Consumidor elenca normas que exigem a devida informao de maneira clara - sobre os riscos que um produto possa oferecer ao consumidor ou ainda que inibam que um produto seja colocado no mercado pelos riscos que este possa oferecer.

Entretanto, essas normas nem sempre so respeitadas e produtos que no esto em conformidade com registros de segurana so colocados no mercado... E seduzem o consumidor.

No final do ms de maro, uma consumidora do interior de Gois entrou em bito algumas horas depois da aplicao de uma escova progressiva. At o fechamento desta coluna ainda no se sabia se a intoxicao que levou ao bito foi decorrncia do uso indevido de formol na qumica do tratamento.

Mas fica uma pergunta: at que ponto o consumidor pode ser seduzido por um produto nocivo em nome da sua vaidade?

dever do fornecedor de produtos e servios alertar seu consumidor sobre quaisquer riscos que o produto possa oferecer, principalmente no que tange a sade e a integridade fsica deste.

Por outro lado, tambm dever do consumidor avaliar esses riscos e se certificar de que aquele produto foi validado por um rgo fiscalizador competente.

Neste universo das escovas progressivas dever dos profissionais utilizar produtos que sejam registrados pela Anvisa e cabe ao consumidor constatar tal registro.

Visitando o site da Anvisa deparei e como mera consumidora me surpreendi com algumas informaes, as quais destaco:

A Anvisa no registra alisantes capilares que tenham como base o formol em sua frmula (...). A substncia s tem uso permitido em cosmticos nas funes de conservante (limite mximo de uso permitido 0,2%, conforme a Resoluo 162/01) e como agente endurecedor de unhas (limite mximo de uso permitido 5%, segundo a resoluo 79/00 Anexo V).

Quando o produto no registrado, significa que a composio no foi avaliada, o que pode representar perigos sade (...).

O risco do formol em sua aplicao indevida tanto maior quanto maior a concentrao e a freqncia do uso, e se d pela inalao dos gases e pelo contato com a pele, sendo perigoso para profissionais que aplicam o produto e para usurios.

Escova Progressiva e de Chocolate, por exemplo, so mtodos de alisamento capilar. So modismos, como j foram a Escova Francesa, o Alisamento Japons, a Escova Definitiva e etc. Todos esses mtodos referem-se a alisamento de cabelo, e no so registrados na Anvisa (...)

esta informao merece um comentrio: se estas escovas progressivas da moda no so devidamente registradas pela Anvisa, no h garantia de que essas no ofeream riscos ao consumidor... Ento por que ganham cada vez mais espao no mercado?

Outro fato ocorrido recentemente, que a vaidade resultou em danos integridade fsica do consumidor, foi o de uma estudante que teve 90% do corpo queimado aps fazer sesses de bronzeamento artificial numa clnica de beleza, no Rio de Janeiro RJ. De acordo com o que foi publicado, a clnica tem autorizao de funcionamento expedida pela Anvisa, porm, o equipamento de bronzeamento no possui o devido registro.

Diante desse panorama, fica muito claro que a vaidade um ingrediente de peso para seduzir um consumidor.

Da a imensa responsabilidade dos profissionais da indstria da beleza em garantir proteo a esses consumidores...

Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Embalagens para batons

Batom, produto de venda fcil, porm, com poucas opes de embalagens no mercado interno e dificuldades de divulgao dos apelos de marketing na prpria embalagem, em funo do seu tamanho reduzido.

Que mulher no carrega na bolsa uma, duas, trs, vrias cores e marcas de batons?

Objeto do desejo das mulheres, o batom a maquiagem mais usada por elas, seguido de lpis, rmel, base, blush, sombra e delineador.

Antigamente a funo do batom era somente colorir os lbios, depois veio a preocupao com a fixao da cor, ou seja, um bom batom tinha de durar vrias horas. Nesta poca surgiu o batom 24 horas, que era um risco para a sade, pois reagia com a pele e, alergias e irritaes eram comuns de acontecer. Era o chamado batom do Paraguai e que no tinha Dicop expresses usadas na poca para designar produtos no devidamente regularizados no Ministrio da Sade.

Com a evoluo da Cosmetologia e a exemplo dos cremes faciais, ao batom foram incorporados princpios ativos, tais como hidratantes, emolientes, vitaminas, anti-radicais livres, filtro solar e mais recentemente a atribuio do FPS (fator de proteo solar).

A funo do batom deixou de ser apenas colorir os lbios, mas acima de tudo, tambm trat-los. Obviamente, com a incorporao dessas matrias-primas, tornou-se necessrio explor-las no texto, tanto do aspecto legal quanto de marketing. Surgiu ento um grande problema, pois em funo do tamanho da embalagem, era impossvel colocar tanto texto em um espao to minsculo.

Nas marcas mais sofisticadas, nas quais era possvel incluir um cartucho no custo, o problema foi parcialmente resolvido, apesar de que era quase necessria uma lupa para conseguir ler todos os benefcios do produto. Pior era quando no existia e o custo do produto no permitia agregar o cartucho. Nessa hora entrava em cena a criatividade ou a copiatividade, ou seja, todo o texto passava a ser colocado num lacre termoencolhvel, que tambm trouxe mais um problema, porque alm da difcil leitura, raramente algum guardava o lacre com os dados do produto.

Mas o maior desses problemas a relao de custo entre o produto e a embalagem. O preo de venda do produto pode variar desde o chamado R$ 1,99 at mais de R$ 100,00. claro que um batom com matrias-primas nobres, ativos, filtro solar etc vai custar muito mais caro que um batom cuja preocupao s colorir os lbios, mas o grande diferencial de preo est realmente na embalagem.

Uma bala de batom tem aproximadamente 4 g. Portanto, por mais nobre e especial que seja, vai sempre custar menos do que uma embalagem.

Muitas vezes um batom de boa qualidade tem preo baixo porque est numa embalagem de baixa qualidade, que, como conseqncia, pode ter problemas no mecanismo (o elevador da bala pra de funcionar), a decorao comea a descascar, a tampa solta com facilidade, pois o travamento ruim etc...

Por outro lado, muitas vezes temos um batom com formulao simples, numa embalagem sofisticada, o que o torna muito mais caro.

Muitas empresas de cosmticos no tm o batom em sua linha. So vrias as razes, desde a necessidade de equipamentos especiais e a dificuldade no processo de fabricao at a obrigatoriedade de vrias cores na linha.

Porm os problemas no mercado interno com a falta de opes de embalagem, qualidade, custo e a dificuldade de divulgao dos apelos do produto na embalagem em funo do seu tamanho, talvez sejam as causas reais.

Na hora de escolher um batom tente conciliar a qualidade do produto (ativos e benefcios) com uma embalagem razovel, o que na verdade, via de regra, s acontece nas grandes marcas conhecidas e reconhecidas do mercado.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Glamour do Batom

A maquiagem facial estaria incompleta, caso no se inclusse o uso do bom batom.

Nada de novo nisso, mas o curioso que a indstria do batom na ltima dcada deixou para trs a imagem de simples produto com apelos puramente estticos, e passou a apresent-lo com promessa de nutrio e tratamento.

O mundo dos batons, cada vez mais sofisticado, desde o seu tmido incio, quando eram fabricados com corantes extrados da alga fucus verticulosus e escamas de peixe, atualmente inclu produtos com apelos de proteo solar, corretivos labiais que prometem volume a lbios no to generosos e hidratantes como silicones para evitar os efeitos do estresse ambiental. Sem falar dos efeitos visuais que hoje vo muito alm do simples ato de recobrir. Brilho para ocasies especiais, cores fortes para quem se faz presente, baixa transferncia para evitar situaes embaraosas, longa permanncia s usurias mais apressadas, embalagens transportveis para quem no abre mo da praticidade, so itens de projeto de um batom qualidade.

A explorao do glamour do uso dos batons antiga. A exuberncia facial de Nefertit evidncia disso. A moda na corte da rainha Elizabete I no sculo XVI deixou uma era de contraste com o perodo conservador da rainha Vitria. Mas a associao da imagem do uso do batom com o sucesso atinge o clmax no perodo de ps-guerra, na dcada de 40, quando as pessoas desiludidas com um mundo em runas passaram a buscar um ideal de vida atravs da artificialidade das telas.

A indstria cinematogrfica passou a explorar a imagem de ousadia, satisfao e do mito sexual com a imagem de mulheres exuberantes e belamente maquiadas. Quem no se lembra da figura de Rita Hayworth, mesmo nos filmes em preto e branco, com os lbios visivelmente bem decorados?

De l para c a indstria da maquiagem e o seu segmento mais expressivo na maioria dos pases, os produtos para os lbios, passou a ganhar expressividade dentro da indstria cosmtica.

Dos cerca de U$ 230 bilhes (dados do Euromonitor) movimentados pela indstria cosmtica em 2004 no mundo, 14% foram gastos em produtos para maquiagem (rosto, lbios, olhos e unhas), sendo que 29% foram destinados a produtos para os lbios que apresentaram taxa de crescimento no perodo compreendido entre 2000/2004 de 19,9%.

Comparando no mesmo perodo com os dados da Amrica Latina (incluindo o Mxico), a indstria cosmtica gerou movimento de US$ 20,9 bilhes, 12% com maquiagem e os produtos para os lbios representaram 35% deste consumo, evidenciando assim uma preferncia do pblico alvo por produtos labiais, em detrimento dos demais tipos de maquiagem.

No Brasil, os produtos para os lbios so ainda mais significativos do que nos demais pases da regio, os gastos com estes produtos representam 41% da cesta de consumo com maquiagem. Os produtos para os lbios no Brasil, dentro do escopo destes dados, vo alm de sua vedete, os batons, que a classe mais expressiva, com 76% de participao das vendas. Incluem tambm os famosos e cada vez mais procurados glosses (20%), lpis para contorno labial (3%) e demais produtos (1%) como protetores contra baixas temperaturas e produtos para veraneio. A perspectiva da taxa de crescimento de produtos para os lbios, no perodo 2004/2009, de 4,8%, inferior aos 6,6% que a expectativa de crescimento do setor cosmtico, porm expressiva, pois devem continuar a ser a parte do segmento que mais recebero investimentos em P&D de produto e em embalagem.

A tendncia frente diz que os produtos de sucesso no mercado devem atender aos anseios de tratamento, principalmente ao do pblico feminino economicamente ativo, na faixa etria entre 30 e 40 anos.

Apelos como hidratao, proteo e robustez devem ser cada vez mais evidentes. A progressiva tendncia de efetividade, produtividade ou conceitos que remetam ao consumidor a idia que esto levando mais pelo mesmo devem continuar impulsionando os lanamentos de produtos 2-em- 1 ou 3-em-1.

Quem descuidar da portabilidade, que aparentemente no um problema de difcil contorno para essa classe de produto,
poder perder mercado caso queira investir em kits de maquiagem. A quantidade de produto versus o espao ocupado nas necessaries a um preo justo e percebido pelo consumidor, dever ser considerada no projeto.

As cores brilhantes para o pblico teen devero receber ateno nos lanamentos, pois so prprios para a noite e transmitem a idia de ser/estar na moda.

Notcias da Abihpec por Joo Carlos Baslio da Silva

Produtos Brasileiros conquistam Novos Mercados

Acabamos de encerrar nossa stima participao consecutiva na Cosmoprof, realizada nos dias 29 de maro a 2 de abril, em Bolonha, na Itlia. A presena das empresas brasileiras no evento contribuiu tanto para a consolidao de antigos contatos quanto para a abertura de novos mercados.

Com o apoio da APEX-Brasil (Agncia para Promoo de Exportaes do Brasil) foi possvel levar 18 empresas nacionais para a feira: Amazon Secrets, Amaznia Natural, Bonyplus, Brazilian Fruit, Cless, Condor, Kanechomn, Lcqua di Fiori, Marcelo Beauty, Muriel, Nazca, Nunaat, Plumas e Gemas, Sina Cosmticos, Sther, Surya Cosmetics, Very Important e Vitaderm. Juntas, elas realizaram negcios que atingiram o valor de US$ 780.000 e a estimativa de que nos prximos 12 meses ainda rendam cerca de R$ 8,9 milhes aos cofres brasileiros.

Embora a maioria das empresas tenha levado produtos com forte apelo natural, cada uma delas possui uma interpretao diferente e criativa para o uso dos ativos da biodiversidade brasileira.

A cada ano, percebo nossa integrao internacional mais fortalecida e, como conseqncia dessa estratgia, temos colocado cada vez mais produtos brasileiros de higiene pessoal, perfumaria e cosmticos em prateleiras de pases do primeiro mundo.

Acredito que um dos pontos mais positivos da nossa participao nessa Cosmoprof tenha sido a abertura de espao para o intercmbio, pois os expositores no receberam visitas apenas de distribuidores e compradores. Eles tiveram contato tambm com fornecedores de matria-prima, o que pode oferecer, no futuro, redues significativas no preo de seus produtos.

A rea brasileira no pavilho de exposies recebeu cerca de 900 visitantes vindos das mais variadas partes do mundo para prospectar novos negcios, com destaque para empresrios da Europa e do Oriente Mdio.

Os contatos feitos com esses pases devem ser ainda mais fortalecidos durante a BeautyWorld Middle East, feira de beleza que ser realizada em Dubai, nos Emirados rabes, de 20 a 22 de maio, e da qual tambm vamos participar.

Sobre a nossa capacidade de nos adaptar ao mercado internacional, posso citar como exemplo a Cless Cosmticos, que esteve em Bolonha pela terceira vez. A empresa apresentou uma linha completa de tratamento e transformao para os cabelos e fechou negcios importantes com distribuidores dos Emirados rabes e Arbia Saudita. Alm disso, um comprador da sia estimulou a empresa a tomar algumas decises estratgicas para avanar nesse mercado, me contou Mauricio Campos, diretor-executivo da empresa. Segundo ele, o principal objetivo do negcio, agora, o desenvolvimento internacional da marca.

Os expositores que estrearam este ano na feira tambm comemoram bons resultados, como a Sina Cosmticos, que fez o lanamento mundial da linha Amazonutry com produtos nutritivos para os cabelos. Amalia Sina, presidente da empresa, conta que recebeu visitas promissoras de profissionais interessados em distribuir sua linha na Itlia, uma prova de que a empresa apresentou produtos diferenciados que interessaram o mercado europeu. Ao terminar o evento, Amalia voou para Roma, onde teria outras reunies com o futuro importador da marca.

A Plumas e Gemas outra empresa que participou pela primeira vez da Cosmoprof, mas ela j havia mostrado seus produtos na feira de Las Vegas, em 2006. Porm, foi na edio europia do evento que a empresa encontrou o ambiente perfeito para apresentar internacionalmente a sua marca, com produtos voltados para a pele e para o banho, alm de uma nova linha, que contm argila da Ilha de Maraj em sua formulao.

Mitchel Carlin, presidente da empresa, disse que pretende repetir a estratgia deste ano em 2008, pois os resultados de sua primeira investida no mercado europeu foram vrios contatos interessados, em pases como Frana, Itlia e Arbia Saudita.

Ainda neste ano de 2007, a Abihpec estar na BeautyWorld Middle East, em Dubai, na InterCharm, na Polnia, e na Beauty Eurasia, na Turquia, alm de participar de misses comerciais e rodadas de negcios em todo o mundo. Temos muito trabalho a fazer!

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Lbio tambm pele

O lbio uma regio muito delicada que faz a transio entre a pele e a mucosa. Tambm precisa ser hidratado e protegido, pois sofre com ao dos raios ultravioletas e com as mudanas ambientais. Assim como outras reas do corpo, precisamos de ateno em relao ao lbio, pois podem ocorrer problemas como herpes, queilites, queratose actnica e at cncer de pele.

Devemos hidratar o lbio pelo menos duas vezes ao dia, com batons e produtos aprovados. Podem ser usados princpios ativos como: cido hialurnico, manteiga de karit, leos naturais como uva e maracuj, bases siliconadas, entre outros.

O hidratante ou batom deve ter filtro solar, pois o lbio est constantemente em exposio. Para tomar sol, o FPS deve ser pelo menos 15 e ser repetido a cada duas horas.

O lbio e a regio perioral podem ser acometidos pelo herpes tipo 1, um vrus recorrente que torna- se ativo quando h baixa de resistncia. Quando o indivduo se expe ao sol em excesso o herpes pode reaparecer deixando manchas e cicatrizes.

A queilite actinica uma inflamao do lbio, tornando- o inchado e ressecado. Ocorre principalmente em pessoas que se expem excessivamente ao sol e tm o lbio protuso.

H tambm outro tipo de queilite, que a queilite angular, espcie de assadura nos cantos da boca (boqueira). Esta pode ocorrer por falta de vitaminas, problemas dentrios e estomacais e tambm estresse.

Ateno especial deve ser dada s alteraes de cor e esbranquiamento dos lbios.

Placas endurecidas e esbranquiadas e leucodrmicas (perda de pigmentao) na mesma regio podem ser um incio de um cncer de mucosa. Fumantes tm mais chance de desenvolver cncer nesta regio. Indivduos claros que trabalham ao ar livre e tomam muito sol tambm so mais predispostos. Em geral, o cncer que acomete esta regio o espino celular, caracterizado por endurao e ferida no local.

Alm destas doenas tambm pode ocorrer a dermatite de contato, com coceira e inflamao corantes e preservantes usados no batom podem ser a causa desta alterao.

Como vemos, os cuidados e a ateno em relao ao lbio so importantes para mant-lo bonito e saudvel. Ainda em tempo, bom lembrar que hoje existe um apelo para que os lbios sejam maiores e carnudos. So usadas tcnicas de preenchimento para deline- los ou aument-los.

O material escolhido e a tcnica aplicada devem ser rigorosos para no causarem deformidades ou problemas de rejeio. Na regio dos lbios melhor escolher materiais no definitivos e aplic-los com critrio e responsabilidade.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Inovao tecnolgica e a segurana de produtos cosmticos

Os produtos brasileiros de higiene pessoal, perfumaria e cosmticos ocupam respeitvel 3 lugar em vendas, as pesquisas so significativas e presentes nos principais peridicos da rea cosmtica.

Como manter e melhorar ainda mais esta posio? O que pode ser feito do ponto de vista tcnico cientifico?

Vejamos: a participao do Ministrio de Cincia e Tecnologia e instituies como Finep e Fapesp marca presena em inovao tecnolgica - e merece citao a edio do 10 Prmio Finep de Inovao Tecnologia. Os investimentos em P&D e buscas de novos mercados devem ser levados em considerao, pois o Brasil, segundo relato da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development) est vivendo um momento quanto s exportaes (OECD - Observer 258/259, 2006).

O descortinamento cientfico, a participao da universidade, de organismos institucionais e setor privado
devem, de forma sinrgica, alavancar o apoio inovao tecnolgica. O trabalho Exploratory analysis of
global cosmetic industry: the players, technology and market trends (Technovation 25(2005)1263-1272) e o artigo Intellectual property protection in the natural products (Phytotherapy Research - in press - 2006) so interessantes e esclarecedores.

Na rea de segurana toxicolgica comentaremos a seguir alguns pontos.

O REACH (Register Evaluation Authorization Chemicals) aprovado em 2006 pelo Parlamento Europeu, aps intensa discusso, regulamentou a nova legislao referente s substncias qumicas. O presente regulamento criou a Agncia Europia de Substncias Qumicas, alterou Diretiva e determinou outras providncias. O REACH, com certeza, foi objeto de crticas, especialmente quanto ao possvel aumento do nmero de animais de experimentao a serem utilizados nos ensaios toxicolgicos. Esta crtica pode ser bem aproveitada do ponto de vista cientfico, pois poder levar no somente os rgos de regulamentao, mas o segmento de interesse na validao de novos mtodos alternativos, assunto que j vem sendo objeto de discusso h bastante tempo.

Ao lado das substncias qumicas utilizadas como ingredientes cosmticos, no se pode deixar de fazer referncias aos tradicionais extratos vegetais, com certeza, presentes na pauta do setor de P&D.

Mas o lado folclrico do uso de plantas com finalidades cosmticas est tomando um norte cujo delineamento metodolgico e cientfico tem por princpio utilizar recursos agronmicos de ltima gerao, envolvendo desde o preparo do solo, o conhecimento das condies climticas, a eliminao total do uso de praguicidas, o emprego de modernas tcnicas de colheita e de armazenamento, o emprego de modernos processos de extrao capazes de assegurar ativos com molculas quimicamente inalteradas e de rendimento uniforme. Hoje j contamos com rgos de certificao destes ativos.

Corrobora com a informao acima a publicao do International Journal of Applied Science (v.133, 2007) que dedicou especial ateno aos alimentos naturais e orgnicos, comercializados atravs dos pequenos e, hoje j presentes, nos grandes supermercados. Dos alimentos aos extratos orgnicos destinados s indstrias cosmticas, o caminho foi curto, inclusive j regulamentado pela Comunidade Europia. O trabalho Benefiting Society through Organic and Certified Products [(IJAP 133(1-2):26, 2007)] discutiu o desenvolvimento de produtos naturais e orgnicos em cosmticos, enfatizando que os referidos so cada vez mais importantes. Se hoje os ingredientes e produtos cosmticos j contam com tcnicas seguras de avaliao, passos preciosos esto sendo dados pela toxicologia e bioqumica molecular, investigando o comportamento toxicolgico dos produtos de bioativao. Trata-se de um marco notvel.

A busca de novas molculas, o desdobramento do conhecimento estrutura/atividade, a forte inteirao com a bioqumica molecular, os elegantes recursos analticos, os sofisticados processos de biotransformao/bioativao, a participao da academia, dos rgos regulatrios e do setor produtivo devem contribuir para que os usurios se sintam mais seguros quando expostos a produtos cosmticos (H. F Merk e cols. Experimental Dermatology 2006:15692-704).

Mas tenhamos em mente: mesmo com inovao tecnolgica as reaes adversas a produtos cosmticos so suscetveis de acontecer.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Nanotecnologia e cabelos: at onde vamos?

A nanotecnologia aquela parte da cincia que se atm a partculas muito pequenas, qualquer que seja a rea de atuao, desde a informtica at os cosmticos.

Alguns estudos mostram que, num futuro no muito distante, poderemos ter micro robs que podero ser introduzidos no corpo humano com a funo de reparar defeitos microscpicos que at hoje no puderam ser corrigidos.

Mas, deixando a fico cientfica de lado e pensando no que j temos em desenvolvimento, de se acreditar que muito em breve teremos produtos na rea da tricologia baseados nesta nova tcnica.

Trabalhos realizados em alguns centros de pesquisa e desenvolvimento na rea capilar mostram que produtos usados para colorao e para modificao qumica da forma dos cabelos (alisamentos ou permanentes) podero contar com esta tecnologia.

J temos no mercado instrumentos de trabalho (secadores e chapinhas) que foram desenvolvidos com uma pelcula interna composta de nanoparticulas de dixido de titnio, transformando estes aparelhos em agentes bactericidas, considerando que existem estudos mostrando o poder de purificao do ar dessas partculas.

No Brasil, foi lanado em 2005, pelo Ministrio da Cincia e Tecnologia MCT o Programa Nacional de Nanotecnologia, que visa o desenvolvimento desta rea. A Universidade Federal de So Carlos tambm tem desenvolvido linhas de pesquisa na direo da utilizao de nanos na cosmetologia.

Quando se fala de pigmentos para colorao dos cabelos tem-se sempre que pensar em interaes fsicas e qumicas com a estrutura da haste capilar. Os elementos orgnicos interagem com a queratina e melanina prprias do cabelo e podem alteram as nuances de cores que se quer obter. O fato da necessidade de se abrir muito as cutculas dos fios para se promover a oxidao da melanina e depois o aporte de um novo pigmento, tambm leva a eventual dano maior. Inevitavelmente o fio perde gua, ficando mais ressecado e, quando no se promove o fechamento adequado, a cutcula no colocada no seu devido lugar leva perda de brilho e a prejuzo na penteabilidade, levando, s vezes, fragilizao da haste e conseqente quebra dos fios. A naonotecnologia poderia evitar estes efeitos colaterais indesejados.

Outra aplicao poderia ser nos filtros solares especiais para os cabelos, que certamente se beneficiariam com esta nova tecnologia.

A incorporao de nanos nos shampoos e nos condicionadores levar maior interao dos produtos com a haste, fazendo com que os princpios ativos cheguem realmente ao seu destino.

Hidrataes, queratinizaes e recuperao de danos haste podero encontrar neste mtodo um avano muito importante.

Como este permitiria abertura mnima da cutcula, o dano ser muito pequeno, fazendo, por exemplo, que se introduzisse elementos na crtex, capazes de alterar as pontes qumicas que mantm a forma dos cabelos, sem danific-las.

Onde residiria o nico risco desta aparente maravilhosa evoluo?

Como as partculas so microscpicas, estas poderiam migrar para camadas da pele que no estavam programadas e at eventualmente cair na circulao, e seguir um curso que no previsvel.

Para isso fundamental que as pesquisas sigam com muito cuidado, especialmente no que concerne segurana de qualquer produto que seja desenvolvido com esta tecnologia e que seja destinado ao uso humano.






Novos Produtos