19 de Outubro de 2018

Nanotecnologia em Cosméticos

Edicao Atual - Nanotecnologia em Cosméticos

Editorial

Apesar de...

O Balanço Econômico já se tornou tradicional na primeira edição do ano, no qual empresas fabricantes de cosméticos e de matérias-primas e insumos, do Setor e de diferentes portes, por seus representantes expressam júbilos ou frustrações com o ano que passou e, anseios e expectativas com o que inicia.

Mais uma vez conseguimos reunir parcela significativamente representativa de empresários. “Otimismo é a palavra de ordem em todos os depoimentos colhidos para esta matéria” destaca a jornalista Kátia Neves, responsável pelas entrevistas para compor o mosaico de opiniões desta matéria.

João Carlos Basílio da Silva, na coluna da Abihpec, revela que o Brasil está chegando ao market share de 15% no segmento de desodorantes, quase se aproximando do mercado líder, os Estados Unidos. Superamos a casa dos 2,1 bilhões de dólares em 2007. “Um número fantástico”, exclamou.

Entretanto, apesar de todas as estratégias do marketing, do avanço das pesquisas nos laboratórios e das eficazes técnicas de gestão para atingir resultados como esses, as empresas brasileiras e a sociedade em geral, vivem ameaçadas pelo imponderável: a “voracidade” do governo.

Para melhor explicar, recorro novamente ao texto do Joao Carlos Basílio. Para adquirir um desodorante corporal, produto de uso essencial do qual nos proclamamos vice- líderes mundiais em consumo, no Estado de São Paulo o consumidor paga 53,96% de impostos diretos (IPI, PIS, Cofins e ICMS), sem contar a série de outros indiretos.

É um absurdo!!

Nesta Cosmetics & Toiletries (Brasil) fazemos uma avaliação de nova tecnologia que deverá transformar os cosméticos e um sem número de produtos no futuro: a nanotecnologia. Falamos também de pesquisas que dão suporte aos novos produtos antiidade. Damos boas vindas à uma nova colaboradora, Carmita Magalhães, perfumista premiada, que passa a assinar a coluna Fragrâncias.

Boa leitura,
Hamilton dos Santos
Editor

Aspectos Moleculares da Ação dos Retinóides na Pele - Janete Silva1,2 e Carlos Maurício Barbosa1 1Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Porto, Portugal 2Tónico – Grupo Polimaia, Vila Nova da Telha, Maia, Portugal

Não obstante os mecanismos moleculares responsáveis pelas ações dos retinóides na pele ainda não estarem plenamente esclarecidos, nos últimos anos têm-se verificado grandes avanços neste domínio. No presente artigo é feita revisão dos aspectos moleculares envolvidos na ação cutânea dos diferentes compostos que integram a família dos retinóides.

Aunque los mecanismos moleculares responsables por las acciones de los retinóides a nivel de la piel todavía no se estén totalmente clarificados, en los últimos años se han verificado grandes adelantamientos en este dominio. El este artículo se presenta un resumen de los aspectos moleculares que influencian la acción cutánea de los diferentes compuestos que integran la familia de los retinóides.

Although the molecular mechanisms that are responsible for retinoids skin actions are still not fully cleared, in the last years there have been great advances in this domain. In the present article molecular aspects that are involved in cutaneous action of the different compounds that integrates retinoids family are reviewed.

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Recuperação do DNA e Fotoenvelhecimento - Mindy Goldstein, PhD The Estée Lauder Companies, Melville, NY, Estados Unidos

Neste artigo é apresentado o uso do gene MMP-1 como marcador em modelos in vitro para sinalizar a recuperaçao de danos ao DNA causados por radiaçao UV e que trazem como resultado o fotoenvelhecimento da pele e as rugas.

En este artículo es presentado el uso del gen MMP-1 como marcador en modelos in vitro para señalar la recuperación de daños al DNA causados por radiación UV y que traen como resultado el fotoenvejecimiento de la piel y las arrugas.

In this article the MMP-1 gene expression used as a marker in the in vitro models signaling the DNA damage causade by UV radiation recover which have as result the skin photo-aging and wrinkles

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Melhoria de Performance Sensorial em Shampoos - Ana Paula da Silva Clariant SA, São Paulo, Brasil

Este artigo relata a aplicação sinérgica de oleth-3 phosphate com polyquaternium-7 ou polyquaternium-10 em formulação básica de shampoo para avaliar perfomance do produto final

Este artículo relata la aplicación sinérgica de oleth-3 fosfato con polyquaternium-7 o polyquaternium-10 en la formulación básica de shampoo para evaluar la perfomance del producto final

In this article the synergic use of oleth-3 phosphate with polyquaternium-7 or polyquaternium-10 in shampoo basic formulation application for the finish product performance evaluation is reported

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Bioquímica Cutânea no Envelhecimento da Pele - Jeanette M. Walter e Howard I. Maibach M.D. University of California School of Medicine, San Francisco, CA, Estados Unidos

Com o envelhecimento cutâneo ocorrem importantes alterações na bioquímica da pele. Neste artigo os autores, avaliam o comportamento do colágeno, da elastina e da água, na pele fotodanificada.

Con el envejecimiento cutáneo ocurren importantes alteraciones en la bioquímica de la piel. En este artículo los autores han evaluado el comportamiento del colágeno, de la elastina y del agua en la piel fotoenvejecida.

Important cutaneous biochemistry changes occur with the skin aging. In this article, the authors evaluate the skin collagen, elastine and water behavior.

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Propriedades Físico-Químicas dos Tensoativos em Sabonete Líquido - Eloi A Silva Filho, Geovane L de Sena Depto. de Química – CCE, Universidade Federal do Espírito Santos – UFES, Vitória, ES, Brasil

Neste trabalho descreve-se detalhes sobre alguns dos principais componentes da composição dos sabonetes líquidos disponíveis no mercado, mostrando algumas das propriedades físico-químicas das moléculas de tensoativos e seus efeitos em relação a biodegradação ao meio ambiente, com o objetivo de fornecer informações da qualidade dos sabonetes líquidos.

En este trabajo se describen los detalles sobre algunos de los componentes principales de la composición de los jabones líquidos disponibles en el mercado, demostrando algunas de las características físico-químicas de las moléculas de tensioactivos y de su efecto en relación a la biodegradación hacia el medio ambiente con el objetivo de proporcionar información de la calidad de los jabones líquidos.

In this paper describes details on some of the main components of the composition of soaps liquid available in the market, showing some of the properties physico-chemical of molecules of surfactants and its effect in relation the biodegradation to the environment with the objective to supply information of the quality of soaps liquid.

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Luiz Brandão
Assuntos Regulatórios por Luiz Brandão

Dados do produto

Nesta oportunidade vamos falar da apresentação dos dados físico-químicos e microbiobológicos e da estabilidade do produto cuja apresentação correta é imprescindível para diminuir os indeferimentos no peticionamento eletrônico, junto a Anvisa.

Especificação físico-química de substâncias

A faixa da especificação de substâncias ou os limites mínimos e máximos estabelecidos pela empresa para as substâncias que possuem concentração máxima estabelecida na legislação não poderá ultrapassar o limite máximo permitido. No caso de especificação acima do limite máximo estabelecido na legislação, o processo será indeferido por estar em desacordo com o item 6 do Anexo III da RDC 211/05. A Resolução 215/05 deve ser consultada e analisada para que não se comentam equívocos na hora de declarar as especificações.

Exemplo de especificação que certamente será indeferida: ácido tioglicólico em um alisante de uso geral. Máximo permitido na RDC 215/05: 8%. Se for declarado faixa de concentração de 7,95 a 8,05%, o processo será indeferido.

Outro exemplo é a água oxigenada 40 volumes. Declaração de faixa entre 39,5 a 40,5% foi motivo de indeferimento.

Consultando a Farmacopéia Brasileira, verificamos que a faixa de concentração admitida para água oxigenada 10 volumes, varia de 10 a 11 volumes, tendo em vista a perda no decorrer do período de validade do produto.

Estabilidade do produto

O resumo dos Estudos de Estabilidade realizados no produto deve contemplar as condições de armazenamento das amostras, período de tempo ao qual o produto foi submetido e resultados encontrados. Esse resumo deve possuir uma conclusão correlacionando os resultados obtidos nos estudos com o prazo de validade estimado pela empresa. A ausência de conclusão do estudo garantindo o prazo de validade declarado no Formulário de Petição acarretará indeferimento do processo por estar em desacordo com o item 10 do Anexo III da RDC 211/05.

Parece óbvio, porém é sempre bom lembrar que a validade declarada no formulário tem que ser condizente com os resultados apresentados, não esquecendo nunca de colocar essa conclusão no item do Resumo dos dados de estabilidade. A seguir apresentamos dois exemplos:

Exemplo 1
O produto foi testado por prazo de 30 dias em diferentes temperaturas (ambiente, -4ºC e 45ºC, escuro, luz fluorescente) mantendo- se estável no decorrer do período do teste, o qual estabeleceu seu prazo de estabilidade de 24 meses.

Exemplo 2
- Tratamento Ambiente: deixar a amostra em temperatura ambi- ente (23°C) em estufa, durante 14 dias. Leituras: pH, viscosidade, cor, odor e aparência nos 7°., 14°. e 28°. dias.

- Tratamento em Estufa a 55°C: deixar a amostra em estufa a 55°C, durante 28 dias. Leituras: pH, viscosidade, cor, odor e aparência nos 7°., 14°. e 28°. dias. - Tratamento em Ciclos: deixar a amostra, durante 12 dias, alternadamente
24 horas em estufa a 45°C e 24 horas em freezer a -10°C. Leituras: pH, viscosidade, cor, odor e aparência no 12°. dia.

- Tratamento em Freezer: deixar a amostra no freezer a - 10°C, durante 7 dias. Leituras: pH, viscosidade, cor, odor e aparência no 7°. dia.

- Tratamento a Luz Solar: deixar a amostra exposta à luz solar durante 12 dias. Leituras de pH, viscosidade, cor, odor e aparência no 12°. dia.

Todos os tratamentos devem ser trazidos à temperatura ambiente (23°C), antes de se realizar a leitura. Estes dados permitem avaliar prazo de validade mínimo de 36 meses.

Dados Microbiológicos

A empresa deve apresentar dados microbiológicos em conformidade com os parâmetros estabelecidos na Resolução 481/99. Dados incompletos acarretarão indeferimento do processo.

No caso em que o produto for considerado não susceptível à contaminação, a empresa deverá enviar justificativa técnica sustentando a não susceptibilidade. Caso não seja enviada essa justificativa, o processo será indeferido.

Ponto a ser considerado:
- Produtos para uso infantil, produtos para área dos olhos e produtos para uso em contato com mucosas.

- Demais produtos cosméticos susceptíveis a contaminação microbiológica.

Sugestão de como apresentar os resultados:
Limite microbiológico: contagem total de microrganismos aeróbios menor que 100 UFC/g, com:

- Pseudomonas aeruginosa: ausente

- Staphylococcus aureus: ausente

- Coliformes totais e fecais: ausentes

Nunca esquecer que nos talcos tem-se que declarar também a ausência de clostrídios sulfito redutores em 1g.

E por fim, a justificativa técnica que sustenta a não-susceptibilidade deve ter embasamento técnico convincente. Declarar o produto não-susceptível não é suficiente e já foi motivo de indeferimento.

Tenho certeza que o leitor tem interesse em conhecer mais sobre o assunto, por isso sugiro que visite o website da Anvisa: http:/ /www.anvisa.gov.br/divulga/informes/2007/270407.htm E desejo boa sorte no próximo peticionamento.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Práticas por Carlos Alberto Trevisan

Contaminações: origens e soluções

Nas nossas atividades de consultoria, muitas vezes nos deparamos com casos de risco devido à constatação de contaminações sem que de início houvesse causas para tal. Nesta oportunidade abordaremos alguns tópicos que devem ser considerados sempre que nos deparemos com esse tipo de ocorrência.

A denominada presença de “materiais estranhos” pode ocorrer de duas maneiras:

- por contaminação de produtos ou,

- por contaminação do ambiente.

De forma esquemática podemos considerar:

A contaminação de produtos representa uma não-conformidade muito importante para a qualidade.

Tal contaminação pode ser decorrente de:

- Corpos estranhos: poeira, fibras, etc;

- Substâncias: outros produtos, resíduos de limpeza, etc;

- Causas orgânicas: microorganismos.

Em geral, toda a contaminação é exterior às características do produto, mas devemos distinguir entre contaminação cruzada e contaminação exterior.

A contaminação cruzada é definida como aquela que ocorre entre uma matéria-prima (produto intermediário, produto a granel ou produto acabado) por outra matéria-prima (produto intermediário, produto a granel ou produto acabado) durante o processo de produção.

A contaminação ambiental resulta das características dos produtos processados no meio ambiente da unidade, podendo ser: química, física ou biológica. Ao dividirmos em dois tipos fundamentais temos por objetivo definir as causas possíveis de contaminação e, portanto, decidir quais ações devem ser tomadas para controlar as mesmas.

Ressaltamos que, por outro lado, contaminação cruzada ou “cross contamination” pode ocorrer pela fabricação de produtos diferentes no mesmo equipamento ou local. Neste caso, a contaminação externa tem origem em matérias-primas, componentes de embalagens, materiais de serviço, etc.

Não deve ser esquecido que operações, pessoas, climatização e tratamento de ar também podem disseminar contaminação cruzada e contaminação exterior.

Esquematicamente, podemos representá-las como:

Somente para referência, para evitar o processo de contaminação não deve ser desconsiderada a possibilidade da troca de um dos itens abaixo por outro:

- Lotes diferentes de um mesmo produto;

- Etapas de fabricação;

- Inversão de fases.

Uma das mais eficientes formas de minimizar as contaminações está na segregação dos contaminantes externos e das etapas do processo.

Para que a segregação seja efetiva devemos partir de uma boa concepção, construção e distribuição interna do produto, pois uma boa concepção interna possibilita segregar e proteger os setores onde os produtos são fabricados.

Outra forma de evitar este problema é manter o perfeito controle dos equipamentos de tratamento e climatização do ar. Devemos, por todos os meios possíveis, abrigar sempre o menor número de pessoas no interior dos setores produtivos.

Durante o processo de atividades de consultoria é preciso avaliar as funções e atividades exercidas pelo pessoal para monitorar a presença de número excedente de pessoas nas áreas que devem ser segregadas ou de acesso restrito, pois muitas vezes isso ocorre devido à ausência de restrições na documentação ou pela falta de equipamento ou utensílio para a adequada execução das atividades.

O assunto é extenso e envolve outros aspectos que iremos abordar em uma próxima oportunidade.

Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

Saber usar para nunca faltar!

Talvez uma das maiores preocupações que o ano de 2007 nos deixou foi o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) – órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) – que revelou a grande preocupação que devemos ter com o aquecimento global do Planeta.

De acordo com esse relatório, o aumento da temperatura trará conseqüências desastrosas para o ecossistema, como aumento dos níveis de oceanos, inundações, ciclones mais violentos, ondas de calor mais freqüentes, entre outras.

Além da preocupação com as possíveis conseqüências ambientais, esse fato também interfere no modelo de desenvolvimento econômico adotado por muitos países – principalmente no desenvolvimento de países emergentes - e no padrão de consumo, exigindo postura mais consciente e responsável por parte dos consumidores.

Segundo o relatório, o Brasil é o quarto maior emissor de gases provocadores do efeito estufa, mais de 62% da taxa de gases emitidos é proveniente do desmatamento das florestas tropicais, principalmente a Amazônia.

Este cenário catastrófico revelou ao mundo que é imprescindível mudar nossas ações e modelos adotados para preservar o Planeta para as gerações futuras.

Assim, se deve adotar políticas para conciliar o crescimento econômico com a manutenção do equilíbrio com o meio ambiente.

Também é hora de resgatar, destacar e pôr em prática o conceito de consumo sustentável – proveniente do termo “desenvolvimento sustentável”.

O “consumo sustentável” poderia ser definido como uma forma de atender às necessidades de consumo de produtos e serviços da geração atual, sem prejudicar às futuras nem ao meio ambiente.

Através de ações simples, cada indivíduo pode contribuir com a preservação dos bens mais ricos que dispomos e amenizar as conseqüências que põem em risco a manutenção da vida em nosso Planeta.

O Ministério do Meio Ambiente em parceria com o IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) elaborou um “guia de boas práticas para o consumo sustentável” no qual algumas dicas são destacadas a seguir:

- Evitar banhos em horário de “pico” (18:00-20:30 h) e muito demorados

- Não deixar a torneira aberta quando escovar os dentes ou fazer a barba

- Instalar torneiras com aerador (dá a sensação de maior vazão de água, mas faz exatamente o contrário)

- Só utilizar máquina de lavar louça quando esta estiver com a capacidade total preenchida

- Usar a máquina de lavar roupa com a carga máxima e evitar excesso de sabão para não precisar de mais enxágüe

- Dar preferência a lâmpadas fluorescentes, compactas ou circulares e evitar acender lâmpadas durante o dia, aproveitando melhor a luz do sol

- Ar condicionado: na hora da compra, escolher um modelo adequado ao tamanho do ambiente em que será utilizado e dar preferência a aparelhos com controle automático de temperatura e às marcas de maior eficiência, segundo o selo Procel

- Dar preferência a produtos livres de agrotóxicos

- Evitar desperdício de alimentos. Para isso comprar e cozinhar apenas o necessário

- Não jogar lixo nenhum na rua

- Levar sacola própria para fazer suas compras, evitando pegar as sacolas plásticas fornecidas em supermercados

- Escolher produtos que utilizem pouca embalagem ou que tenham embalagens reutilizáveis ou recicláveis

- Separar o lixo e encaminhar os produtos para reciclagem - Utilizar os dois lados da folha de papel para escrever, rascunhar ou imprimir

Se adotarmos essas medidas podemos colaborar com o meio ambiente. Vamos fazer a nossa parte!

Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Incompatibilidades

Durante o processo de desenvolvimento de um produto, alguns testes são de fundamental importância. Segurança e eficácia são exigidos pela Anvisa e devem ser feitos em laboratórios credenciados (Reblas). E o teste de estabilidade, também exigido pela Anvisa, pode ser feito “in house”.

Tão importante quanto os demais é o teste de compatibilidade do produto-embalagem, mas que normalmente é deixado para segundo plano em função da conhecida urgência para lançar o produto. Como o próprio nome diz,
esse teste detecta possíveis problemas entre a embalagem e o produto, sendo realizado após a definição da formulação do produto e do projeto de embalagem.

Se durante o andamento do teste houver alteração de qualquer componente da formulação ou do material da embalagem, é necessário interromper o processo e reiniciar do zero.

A incompatibilidade pode ser química ou física, porém normalmente voltamos à atenção somente para as incompatibilidades químicas. Algumas dessas são conhecidas, mesmo assim, o teste deve ser realizado, pois pode ser exigido numa fiscalização ou mesmo para eliminar dúvidas, se houver um problema no futuro.

Exemplos freqüentes de incompatibilidades químicas:

- Palmitato ou miristato de isopropila com poliestireno (PS): matérias-primas largamente utilizadas para dar emoliência em maquilagens, principalmente em batons causam trincas no material de embalagem. Um dos exemplos mais conhecidos dessa incompatibilidade é a tampa transparente do estojo de baton. O contato com a bala no decorrer do uso causa trincas na base da tampa.

- Essência com OS: quando usada em altas concentrações, a essência também causa trincas no PS. Isto se dá em função dos solventes contidos na essência.

- Bandeja de folha de frandre em pancake ou coverture: essa é uma ocorrência de incompatibilidade também bastante conhecida. A esponja precisa ser umedecida para aplicação desses produtos. Com o tempo as bordas da bandeja enferrujam por causa da umidade. Para eliminar o problema, deve se usar bandeja de alumínio.

- Corantes com embalagens transparentes: alguns corantes não resistem à luz, principalmente solar. Shampoos, loções hidratantes, óleos de banho quando envasados em PET transparentes começam a descorar, se expostos a luz. Como solução, podemos usar um filtro solar/luz na formulação Isto não transforma o produto em Grau 2, porque o filtro está sendo usado para proteção da fórmula e não da pessoa. Um outro caminho é colocar filtro na própria embalagem. Quanto às incompatibilidades físicas, podemos citar:

- Decoração/gravação da embalagem com o produto: principal teste de compatibilidade é a resistência da gravação ao produto. A gravação (principalmente hot stamping) começa a soltar depois de algum tempo de uso do produto. Com certeza quando isto acontece é porque o teste não foi realizado. Na maioria dos casos a decoração solta por falta da flambagem ou “flambagem vencida” (necessária para abrir os poros da mbalagem)
antes da decoração.

- Polietileno (PE) com óleo mineral: como resultado desse conjunto temos o chamado “chupamento” da embalagem. Isto ocorre em bronzeadores e óleos de banho onde a concentração de óleo mineral é alta. O chupamento ocorre em função da migração do produto através dos poros da embalagem. Para solucionar o problema o material deve ser trocado por polipropileno (PP) ou PET, que têm poros menores e não permitem a migração do produto.

- Alta viscosidade do produto versus diâmetro da boca: se for pequeno, o produto não escoa

- Alta viscosidade versus diâmetro do pescante da válvula: se for pequeno, a válvula não irá funcionar.

- Válvula spray versus viscosidade: se o produto for muito viscoso, não irá funcionar.

- Válvula dosadora versus viscosidade: se o produto for fluido, não irá funcionar.

- Baixa gramatura do cartão versus peso do produto: embalagem irá amassar.

- Direção de fibra do cartão: se não estiver perpendicular aos vincos, a embalagem montada ficará abaulada.

- Baixa espessura de parede da embalagem versus peso do produto: irá amassar.

Na verdade existem inúmeras incompatibilidades já bem conhecidas com as quais cada empresa acaba construindo o seu histórico. Mesmo conhecendo esse histórico, repito, não se deve eliminar os testes, pois não existem tabela, livro ou legislação específica para esse assunto. O importante, no entanto, é dar a devida importância para um teste que pode prevenir problemas e até mesmo evitar recall de produtos.

Carmita  Magalhães
Fragrâncias por Carmita Magalhães

Papel do perfumista

Os perfumistas são os profissionais que combinam as matérias-primas odoríferas para compor as fragrâncias. Ele tem multifacetas, ou seja, tem que ser artista, técnico, professor e aluno para o resto da vida. Além dos fundamentos técnico-científicos em química, física e biologia, ele precisa ter conhecimento sobre moda, tendências, história e mesmo geografia, pois tudo isso amplia a criação.

Entretanto, o mais importante é que tenham “nariz”, isto é, habilidade para identificar olfativamente as mais de três mil matérias-primas aromáticas utilizadas e, principalmente, talento para compor harmonicamente - como se fosse numa partitura musical – fragrâncias que possam explodir, expandir e persistir na pele.

Ter “nariz” é um pré-requisito, para que ele possa treinar seu olfato. Mas isso é um trabalho a longo-prazo, é preciso 10 anos de formação para se tornar um perfumista.

É por isso que, no universo dos perfumistas costumase dizer que ao longo de sua carreira, o perfumista é um eterno aluno-professor. Aluno porque o mundo está sempre em evolução e a perfumaria segue essas evoluções de costumes. Professor porque para aprender mais é preciso ensinar o pouco que se sabe.

Os perfumistas têm que usar a criatividade e o nariz para criar fragrâncias que despertem sentimentos, relembrem momentos, elevem a auto-estima e destaquem a personalidade. Por essa razão, existe um número limitado de perfumistas de prestígio em todo o mundo. Vale mencionar Yves de Chiris, criador dos campeões de vendas: Angel, de Thierry Mugler, Fragile, de Jean-Paul Gaultier, e J´Adore, de Christian Dior.

Chiris representa a sétima geração de uma família que lida com o olfato desde 1768. Seu bisavô criou uma fragrância para a rainha Vitória e o próprio Chiris manteve a tradição de freqüentar a corte britânica e presenteou a princesa Lady Di com duas criações especiais, elaboradas de acordo com a infância, a dieta alimentar e o estilo de vestir de Diana.

A fragrância é componente importante das formulações cosméticas pelo efeito psicológico que causa ao consumidor. Com freqüência, determina o sucesso ou fracasso de um novo produto. Elas são criadas por empresas especializadas, conhecidas também como “casas de fragrâncias”. O perfumista e o químico, que trabalham nessas “casas”, formulam perfumes a partir de componentes individuais, adicionando um-a-um.

Para criar fragrâncias bem sucedidas, os perfumistas necessitam de certas informações do formulador do produto, em geral mencionadas na forma de um “brief de fragrância”. O processo de criação pode durar, em qualquer parte do mundo, de semanas a meses, dependendo da complexidade e das limitações do brief.

E, o papel desempenhado pelo perfumista é o de criar fragrâncias que satisfaçam todas as condições especificadas no brief.

Antigamente, criar um perfume era o trabalho de um único homem. Hoje é de uma equipe. Um trabalho complexo e apaixonante, onde a tecnologia é amiga da criatividade, mas isso é uma outra história...

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Preciosos fios

Dentro do setor cosmético, o segmento denominado “Cuidado com os Cabelos” que compreende os produtos shampoo, condicionador, tratamento capilar, fixador/modelador, tintura (incluindo os descolorantes), e os produtos permanentes e alisantes representou 27,1% do faturamento ex-work em 2006, contra 25,4% em 2005 e 25,3% considerando a média do período compreendido entre 2001/2005.

A variação de quase 2 pontos percentuais entre 2006/ 2005, ou um salto de 6,7%, apresenta tendência explícita no foco da produção de produtos voltados para este segmento por parte das empresas.

Em termos de volume, o segmento representa 32,3% do produzido em 2006, contra 31,4% em 2005 e 29,3% na média do período 2001/2005, apresentando também aumento significativo na tendência de produção do parque fabril.

A estratégia é acertada, pois uma vez instalado um quadro de estabilidade econômica, com mais dinheiro em circulação (em 2006 o Índice de Preço dos Produtos de Higiene foi 0,08% contra o índice geral 2,55%) é natural esperar que produtos de altíssima penetração ganhem espaço na cesta do consumidor.

Some-se aos fatos acima a população de 184 milhões de habitantes (estimativa recenseada para 2007), composta em boa parte de pessoas de baixa renda, teremos aí o cenário positivo para este segmento de produtos, apesar da expectativa de forte alta de inflação para 2008.

Como foram distribuídos os cerca de R$ 4,7 bilhões de faturamento do Setor em 2006? A maior parte, 28,7%, ficou com a classe dos shampoos. Esta parte do segmento, desde 2002, vem perdendo espaço frente a outras classes do mesmo segmento para o consumo de produtos com maior valor agregado, como por exemplo, produtos para tratamento capilar que representavam 16,7% em 2002 contra 19,7% em 2006, e tintura que passou de 27,1% para 28,1%. Este valores trazem evidências para uma mudança nos hábitos de compra. Não que o consumo per capita da classe shampoo tenha diminuído, mas sim que o consumo dos demais produtos, tido como não essenciais, aumentou. A classe dos condicionadores permaneceu estável na faixa de 16,8% e produtos permantes/alisantes e fixadores/modeladores ganharam peso inexpressivo no período (4,9% e 1,7% respectivamente).

A classe shampoo é composta de produtos para o público adulto, que representa 94% e também para público infantil. Para o público adulto, os produtos classificados como anticaspa foram os que apresentaram maior taxa de crescimento entre 2006/2005 (85,1%) graças aos apelos menos agressivos nos rótulos, características que incomodavam os usuários deste tipo de produto e a incorporação de outros apelos de performance como umectante, e agentes condicionantes.

Outra classe de expressivataxa de crescimento no período foi dos produtos classificados como afros- étnicos (49,7%). É inegável a diferença na anatomia e fisiologia capilar entre os descendentes caucasianos e os afro-descendentes. Graças ao avanço da pesquisa técnica e dos olhares atentos para um mercado consumidor crescente, produtos específicos para este público vêm podendo atender melhor a este nicho, embora ainda longe de ser um mercado devidamente mapeado. Por outro lado, como previsto há anos, a queda tanto no faturamento como no volume dos produtos 2-em-1 vem se confirmando. Em 2006 esta classe representou 1,4% contra os 3,2% em 2002.

Se nenhuma medida técnica venha resolver a percepção por parte do consumidor de que estes produtos não são tão bons shampoos e nem excelentes condicionadores, a tendência será o desaparecimento deste tipo de produto que sobrevive hoje praticamente entre o público masculino usuário de academias.

As empresas participantes deste mercado continuam sendo as líderes do segmento cosmético, como a gigante internacional Unilever e sua linha Seda. Com um mercado tão vasto, há espaço para empresas nacionais como EB Cosméticos, com a sua vasta linha conhecida como Ox, e Niasi com a marca Biocolor. A forte tendência do uso de apelos fitocosméticos em produtos capilares vai se confirmando ao longo dos anos, apesar das poucas evidências técnicas de efetividades destes ativos.

O mercado de produtos capilares deve apresentar taxa anual de crescimento no faturamento ao consumidor final de 4,4% para o período de 2005/2010. O Brasil na qualidade de 3ª maior economia cosmética mundial também é uma excelente fonte de fornecimento de produtos finais. Houve crescimento de quase 10% nas exportações de 2007 em relação ao ano anterior e com o aquecimento da economia Argentina, a América do Sul continua sendo o principal porto dos nossos produtos.

Notícias da Abihpec por João Carlos Basilio da Silva

O Mercado de desodorantes

O mercado de desodorantes corporais no ano de 2007 deverá fechar movimentando valores superiores a 14 bilhões de dólares em todo o mundo. Estes valores referem-se a preço ao consumidor e estão contabilizados em dólares para que haja a fácil compreensão e análise do desempenho dos diversos países que são analisados por esses estudos promovidos pelo Instituto Euromonitor.

Os valores das moedas estão tendo hoje no mundo uma grande volatilidade, tendo como conseqüência a desvalorização do dólar, contra valorização da grande maioria das moedas do resto do mundo, principalmente do euro e do nosso real, uma das mais valorizadas, talvez até a mais valorizada nesses últimos anos.

A desvalorização do dólar mexe com o ranking mundial, podendo ocorrer mudanças expressivas no quadro dos países que compõem os dez maiores mercados do mundo, pois esses dez países representam 65% do consumo mundial de desodorantes corporais.

O Brasil por ocupar o segundo lugar no ranking mundial já detém uma posição consolidada nesse mercado.

Neste ano de 2007 manteremos nossa posição no ranking e estamos nos aproximando, a passos largos, do primeiro colocado que são os Estados Unidos. O Brasil vai superar a casa dos dois bilhões e 100 milhões de dólares, ampliando o nosso market share. Projetamos ainda que ele chegue muito próximo da casa dos 15% de participação do mercado mundial, sendo este um número fantástico.

Números que deixam toda nossa indústria muito satisfeita e revelam para todas as nossas autoridades e também para sociedade a essencialidade no uso que a população brasileira dá aos desodorantes corporais.

Infelizmente, tendo o Estado de São Paulo como referência, a carga tributária que a sociedade brasileira paga ao adquirir um desodorante chega hoje a 53,96%. Atentem bem, estamos falando somente dos impostos diretos, IPI, PIS, Cofins e ICMS, fora uma série de outros impostos indiretos que todas as indústrias pagam também em números absurdos.

Para que fique bem claro o que estamos falando, para cada R$ 10,00 (dez reais) pagos por nós consumidores, R$ 5,40 (cinco reais e quarenta centavos) vão para o bolso da viúva federal e da viúva estadual – é possível acontecer um absurdo desses? Até quando vamos suportar esses abusos? Quando em período eleitoral os políticos tudo prometem, mas ao tomar posse mudam suas posições e passam a discutir só e unicamente o aumento da carga tributária. Particularmente estou cansado dessa gente e você o que diz sobre o assunto?

Somos um povo de esperanças. E espero que elas se renovem em 2008. Mas ainda que vejamos nossa sociedade se mobilizar mais, e mais, e mais em prol de uma melhor qualidade de vida para todos os brasileiros.

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Terapia fotodinâmica

O envelhecimento ocorre indiferente aos apelos humanos de tentar evitá-lo. Existem várias teorias para explicar o envelhecimento, desde a genética, aquela relacionada à oxidação e também a causada pela baixa de hormônios, doenças, fumo e sol.

As células da cútis vão têm desgaste decorrente da somatória de todos estes eventos.

A terapia fotodinâmica, surgida na década dos anos 70 nos Estados Unidos, faz uso terapêutico de reações
fotoquímicas. Preconiza o uso de creme ou loção sensibilizantes que deixam as estruturas da pele mais sensíveis à ação da luz.

Utilizada inicialmente para o tratamento de lesões pré-cancerosas e também para o próprio câncer de
pele, passou a ser utilizada para o tratamento de peles envelhecidas.

Notou-se que após estes tratamentos, a pele ficava com textura e aspectos melhorados. A explicação é que
sensibilizantes, como o ácido aminolevulínico, têm afinidade com as camadas desgastadas da pele que estão em outras estruturas, como vasos, fibras e as próprias células da pele. Esse creme ou loção permanece por cerca de 30 minutos quando então ocorre a impregnação.

Em seguida é utilizado o laser ou luzes especiais (azul) que penetram na pele e jogam o calor nas estruturas marcadas. É um processo que elimina o que está desgastado e envelhecido, provocando renovação das estruturas da pele. Se antes se podia fazer uma limpeza superficial, agora também se pode limpar na profundidade.

O procedimento é especialmente indicado para peles mais claras e danificadas pelo sol.

Peles sensíveis, avermelhadas e oleosas também se beneficiam da ação da terapia fotodinâmica. O procedimento é feito no consultório, onde o produto é espalhado na pele limpa.

Após permanecer cerca de meia hora sob exposição à luz vermelha ou azul que também pode ser trocada por aquela do laser ou luz pulsada. Tudo depende de que alvo que se está querendo atingir e, portanto, qual o comprimento de onda que vai dar melhor resultado.

O procedimento é doloroso, na ocasião da aplicação da luz. A pele fica vermelha e sensível por 24 horas e pode descamar.

Quando ocorre descamação, esta é bem seca e parece uma segunda pele. O resultado final aparece no máximo em 4 dias.

A pele fica macia, homogênea, com menos oleosidade e rugas.

Não há contra indicação a não ser evitar o sol durante 48 horas.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Teste de Draize: 64 anos de bons serviços

Teste de Draize: a primeira mensagem que chega ao nosso todo poderoso sistema nervoso central, através de milhares de sinapses, informa que o assunto refere-se aos testes de irritação da pele e mucosas – predominantemente a ocular. A mensagem recebida, ricamente atrelada a fundamentos técnicos e científicos, pode levar ao esquecimento de importantes nomes que dedicaram parte de suas vidas a iniciativas relevantes à saúde, a exemplo de John H. Draize.

John H. Draize (1900- 1992) nasceu em Brussel, Wisconsin, Estados Unidos, aos 22 anos graduou-se Bacharel em Ciências, Título outorgado pela University of Wisconsin. E após os trabalhos iniciais em sua cidade natal, retornou à mesma Universidade. Em de 1931, obteve o seu Doutorado (PhD) em Farmacologia, desenvolvendo estudos experimentais em hipertireoidismo (Survey of Ophthalmology 45(6):493-515, 2001). Após o doutorado trabalhou 4 anos junto ao Agricultural Experiment Station-The University of Wyoming investigando plantas tóxicas para os animais e homens. Em 1935 foi recrutado pelo USA Army, integrando a equipe Edgewwood Arsenal-Chemical Warfare Service (Maryland), tempo suficiente para que pudesse avaliar os danos ocasionados ao sistema ocular por substâncias químicas (http://www.ezonline.com/jveahh/ nbchist.htm).

Dr. John H. Draize de reconhecida capacidade na avaliação dos perigos ao sistema ocular ocasionados pelas substâncias químicas, certamente estava a poucos passos para se juntar às equipes do FDA, fato que aconteceu em 1939, em que assumiu a chefia do Dermal and Ocular Toxicity Branch - Division of Pharmacology. Ao contratado foi confiado o desenvolvimento de testes de segurança de produtos cosméticos, face emenda legislativa (Clark GR. “John H. Draize, the man and the scientist”, J Soc Cosmetic Chem 9:120-1, 1958).

O aumento do número de ingredientes cosméticos de uso tópico e a aplicação da legislação aguçaram o apetite científico da equipe liderada pelo Dr. Draize. Depois de pormenorizada discussão a respeito das múltiplas alterações (funcionais, orgânicas e sistêmicas) envolvidas na avaliação de toxicidade das substâncias químicas, na pele e mucosas, Draize JH, Woodard G e Calvery HO publicaram “Methods for the study of irritation and toxicity of substances applied topically to the skin and mucous membranes”, J Pharmacol Exp Therap 82:377-390, 1944), validado pela OECD (Test Guideline 404 – adopted 24 april 2001; 45:493-515).

A importância do teste de Draize e a sua integração com outras áreas envolvidas: bioestatística (Toxic in Vitro 9(4):549-556, 1995), validação de métodos (Toxic in Vitro 13:73-98, 1999), interpretação dos possíveis danos ao sistema ocular (Reg Toxicol Pharmacol 45:206-213, 2006), mecanismo de ação das substâncias irritantes (Toxic in vitro 18:231-243, 2004), relação estrutura/ atividade (Toxic in vitro 14:79-84, 2000), possíveis intercorrências laboratoriais resultantes das diferenças anátomo-fisiológica do olho humano e do animal de experimentação (Survey of Ophthal 45(6):493-515), representam alto valor científico agregado, tudo isto sem falar na constante busca de métodos alternativos.

O editorial “Is there a replacement for the Draize Test?” (Cutaneous and ocular Toxicology 24(3): 147- 148, 2005) certamente vem ao encontro dos questionamentos acima levantados. Outra contribuição que valoriza o teste de Draize afirma que a ele tem sido apresentadas inúmeras alterações, entretanto
não significativas. (Curr Opinion Allergy Clin Immunol 6:367-372, 2006).

O teste de Draize, de reconhecido valor técnico-científico- regulatório, tem sido objeto de críticas. Pretendemos voltar ao assunto, comentá-las e, se possível, conduzir o nosso pensamento permeando passagens e comentários relativos aos métodos alternativos, participação dos 3R, emprego e proibição do uso de animais de experimentação e parâmetros que exigem a aferição diária, pois milhares de moléculas estão à espera de testes pré-clínicos destinados à avaliação de irritação ocular.

Após 64 anos, mundialmente conhecido como Teste de Draize, tem sido citação obrigatória quando se fala em irritação ocular.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Cabelos, envelhecimento e envelhecimento dos cabelos

O envelhecimento tem se tornado uma preocupaçãoconstante atualmente. No início do século, a longevidade era bem menor, sendo a média de vida do homem 50 anos. Hoje, vive-se até 80 anos tranqüilamente, e por isso, envelhecer é mais problemático porque um número maior de pessoas chega à terceira idade.

Ao mesmo tempo que cresce a expectativa de vida, valoriza-se cada vez mais a juventude. O jovem e o belo são cultuados como ideal e as pessoas sofrem muito em decorrência do envelhecimento.

O envelhecimento é caracterizado pelo desgaste dos vários setores do organismo, gerando alterações no seu funcionamento, pois estes desgastes vão se somando até tornarem-se incompatíveis com a vida.

Muitas teorias existem para tentar explicar o envelhecimento. Sabe-se que há uma participação genética, observada em certas raças e famílias onde características próprias são observadas em relação ao envelhecimento e à longevidade, uma vez que são os gens que determinam quando se inicia o processo de envelhecimento. Mas os radicais livres também participam da gênese do processo, originando reações químicas
que acarretam em envelhecimento, principalmente a oxidação. Estas reações desencadeiam processos nocivos ao organismo e são influenciadas por radiações, doenças, fumo e estresse. Além disso, as alterações hormonais, a falência ou deficiência do sistema endócrino participam nas alterações próprias do envelhecimento.

O sistema imunológico, responsável pelo processamento das defesas do organismo também se desgasta com o passar do tempo. São as funções imunológicas, principalmente aquelas ligadas à imunidade celular que ao tornarem-se ineficientes, propiciam ao idoso um maior número de processo infecciosos, inflamatórios e carcinogênicos.

A pele, como maior órgão do corpo humano, também apresenta sinais de envelhecimento que se tornam evidentes devido à sua característica de envoltório. A esse respeito, o envelhecimento cutâneo pode ser dividido em envelhecimento intrínseco e fotoenvelhecimento. O primeiro representa aquele comum aos órgãos, e o segundo, mais intenso e evidente, é o que ocorre devido aos danos causados pela radiação ultravioleta.

O envelhecimento causado pela idade é mais suave, lento e gradual, causando danos estéticos menores. Já o fotoenvelhecimento é mais danoso e agressivo à superfície da pele, sendo responsável por modificações como rugas, espessamentos, manchas e o próprio câncer de pele.

No caso do couro cabeludo, uma parte específica da pele humana, percebe-se que este fica mais fino e com menos irrigação sanguínea com o passar do tempo, causando, uma diminuição na quantidade de fios (rarefação). Com a rarefação sofrida, o couro cabeludo fica mais exposto ao sol e às radiações ultravioleta (UVR), podendo levar ao desencadeamento de tumores nesta área.

Outra ocorrência notada no couro cabeludo é a aparição da canície (embranquecimento dos fios) que começa ao redor dos 35 anos na raça branca (caucasóides), aos 45 nos amarelos (mongolóides) e após os 55 nos da raça negra (negróides).

Nesta fase da vida o mais comum é ocorrer queda por motivos metabólicos e nutricionais. Como o indivíduo sente menos fome nesta faixa etária, menos nutrientes chegam ao couro cabeludo. Como a circulação também diminui, menos nutrientes chegam através da corrente sangüínea.

Faz parte da prevenção no processo da queda a alimentação equilibrada e rica em ferro, zinco e vitamina B12. Os alimentos mais indicados para sanar esta deficiência são as carnes, leites e frutos do mar.

A alimentação saudável e os cuidados gerais com os cabelos são essenciais, tais como não abusar dos tratamentos químicos e de aparelhos que agridam demais as hastes capilares.

Com relação ao gênero masculino e feminino, existe uma diferença quanto às queixas; os homens se queixam mais do desaparecimento dos fios, isto é, da rarefação. Já as mulheres, além dessa queixa, reclamam também da mudança da qualidade dos fios, como afinamento e quebra mais fácil (fragilização). Para prevenir estes problemas, cuidados básicos devem levar em consideração pequenos procedimentos.

Lavar os cabelos em dias alternados e com água fria (temperatura ao redor dos 24oC). Usar produtos de boa qualidade (shampoo e cremes). Evitar o uso de tratamentos químicos agressivos como escova progressiva ou definitiva.

Usar produtos que tenham filtro solar toda vez que se expuser ao sol. Manter os cabelos o mais soltos possíveis para evitar problemas com tração.

Com relação aos produtos tópicos antienvelhecimento, além dos shampoos, de cremes com filtro solar e impermeabilizantes derivados dos silicones, podemos ter loções que estimulem a vascularização do couro cabeludo e que a mantenham hidratada e com mais capacidade regenerativa.






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