21 de Outubro de 2018

Somos os terceiros e os melhores

Edicao Atual - Somos os terceiros e os melhores

Editorial

Somos os terceiros e os melhores

Recentemente, o Euromonitor divulgou dados preliminares de sua pesquisa mundial do mercado cosmético em 2007. O Brasil, 3º colocado no ranking, atrás de Estados Unidos e Japão, no ano passado foi o país que mais cresceu em todo o mundo e o responsável por levar o crescimento mundial à marca de 6,6%. Ainda, e mais importante, o Brasil desbancou a China dessa posição, após registrar por 5 anos consecutivos o índice de maior crescimento.

Se as estimativas se confirmarem, o mercado brasileiro de cosméticos, produtos de higiene e perfume em 2007 deve ter alcançado quase R$ 20 bilhões em preço ao consumidor.

A revista Veja (2 de abril) trouxe uma ótima notícia: a classe C ganhou 23,5 milhões de consumidores e transformou-se no mais numeroso estrato econômico da população brasileira, com 86 milhões de consumidores.

Como mostram esses dados, não há dúvidas de que o mercado interno deverá ser a grande opção para manter o crescimento da economia brasileira em 2008, e criar a blindagem aos efeitos da recessão nos Estados Unidos e da forte valorização do real. E, com certeza, a indústria de cosméticos irá dar a sua contribuição!

Esta Cosmetics & Toiletries (Brasil) chega até você, recheada de assuntos de grande interesse. A Toxicologia, como ferramenta para atestar a segurança de produtos cosméticos, é a nossa matéria de capa. Esse mesmo assunto foi o tema de seminário da ABC, também presente nesta edição. Como destaque para artigos, o leitor encontrará um trabalho interessante sobre maquilagem “cremosa” em forma de pó, uma forma cosmética muito útil para nos dias de hoje com a forte restrição ao porte de produtos cosméticos em viagens aéreas. Conceitos de ética e moral são explicados na coluna Mercado de Carlos Alberto Pacheco. O Embale Certo traz duas entrevista, uma com Luiz Fernando Garcia sobre inovação e outra com Salomão Quadro, economista da FGV, sobre mercado de embalagens.

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Creme em Forma de Pó: Um Novo Conceito em Maquilagem - Emilie Desmarthon LCW Sensient Cosmetic Technologies, Saint Ouen L’Aumône, França

Este trabalho descreve uma tecnologia de cosméticos baseada no mais novo conceito de formulação – creme em forma de pó. A formulação final pode ser obtida por meio de dois diferentes processos técnicos, para produzir cosméticos à base de água ou de óleo. Em cada caso, a escolha dos ingredientes adequados determina a estabilidade dos produtos acabados.

Este trabajo describe una tecnología de cosméticos basada en el más nuevo concepto de formulación – crema en forma de polvo. La formulación final puede ser obtenida por medio de dos diferentes procesos técnicos, para producir cosméticos basados en agua o aceite. En cada caso, la selección de los ingredientes determina la estabilidad de los productos terminados.

The present work describes a cosmetics technology base don a newer formulating concept – cream in powder forma. The final formulation can be created by two different technical processes to produce either water-or oil-based cosmetics. In each case, the proper selection of ingredients determines the stability of the finished products.

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Novos Rumos para Pesquisas de Pele Sensível - Jennifer A. Davis R Randall Wickett, PhD, College of Pharmacy, University of Cincinnati, Cincinnati, Estados Unidos

Esta breve revisão traz um informe sobre a atual situação das pesquisas de pele sensível, incluindo achados recentes sobre o possível papel do fator de crescimento dos nervos como mecanismo subjacente e instrumento de previsão para pele sensível.

Este breve estudio de revisión proporciona información sobre la situación actual de las investigaciones sobre la piel sensible, incluyendo hallazgos recientes sobre el posible papel del factor de crecimiento de los nervios como mecanismo subyacente e instrumento de predicción para la piel sensible.

This brief review provides an insight into the current standing of sensitive skin research, including recent findings on the possible role of nerve growth factor as an underlying mechanism and predictive tool for sensitive skin.

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Benzotriazóis como Estabilizantes de Cor em Perfume - Cíntia Witt, Temis Weber Furlanetto Corte, Liamara Andrade, Andrea Adams Schvan Faculdade de Farmácia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, Porto Alegre, RS, Brasil

Foram preparadas formulações de perfumes, com e sem o Benzotriazolyl Dodecyl p-Cresol, com a finalidade de testar sua atividade como estabilizante de cor. Os resultados obtidos mostraram que o ingrediente, quando presente nas formulações, protegeu a cor dos perfumes e, na sua ausência, o perfume sofreu mudanças significativas na coloração.

Fueron preparadas formulaciones de perfumes con y sin Benzotriazolyl Dodecyl p-Cresol, con la finalidad de probar su actividad como una forma de estabilizar el color. Los resultados obtenidos mostraron que esta sustancia cuando estuvo presente en la formulación, protegió el color de los perfumes y que en su ausencia, el perfume sufrió una modificación significativa en la coloración.

Perfume formulations with and without Benzotriazolyl Dodecyl p-Cresol had been prepared with the purpose of testing its activity as color stabilizer. The results reached had shown that ingredient when added to formulation protected the color of perfumes and in the absence of it the perfume suffered a significant color change.

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Estabilidade Térmica e Compatibilidade da Hidroquinona - Monika Piazzon Tagliari Universidade do Vale do Itajaí – Univali, Itajaí, SC, Brasil Hellen Karine Stulzer, Regina Gendzelevski Kelmann, Gislaine Kuminek e Marcos Antonio Segatto Silva Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Floria

A hidroquinona é o agente despigmentante mais utilizado para o tratamento de hiperpigmentação da pele. Contudo, ainda é problemático estabilizar suas formulações contra a oxidação. Neste artigo foram avaliadas a compatibilidade e a estabilidade térmica da hidroquinona com diferentes agentes antioxidantes por meio de técnicas termoanalíticas.

La hidroquinona es el agente blanqueador más usado para la piel bajo condiciones de hiperpigmentación. Sin embargo, su estabilización en formulaciones es un desafío contra la oxidación. En este artículo fue evaluada la compatibilidad y la estabilidad térmica de la hidroquinona con diversos agentes antioxidantes por medio de técnicas analíticas térmicas.

Hydroquinone is the depigmenting agent most used for skin in hyperpigmentation conditions. However, its stabilization in cosmetic formulations is a challenge on preventing the oxidation. This article evaluates the compatibility and thermal stability of hydroquinone with different antioxidant agents by thermal analytical techniques.

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Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Compactadores: bandejas, moldes e estojos

Poucas empresas fabricam maquilagem, principalmente os pós (compactados). As principais causas dessa realidade são o alto investimento em equipamentos, as opções de baixo custo da terceirização, a dificuldade no acerto de cor e a baixa qualidade do produto final.

No entanto, existe, outra razão, que é a falta de conhecimento dos processos produtivos aliados à carência de profissionais que dominam essa tecnologia.

Para a fabricação dos pós (blush, sombra, pó compacto etc.), o equipamento mais utilizado para micronização é o moinho de martelos, que já está ultrapassado, pois não confere ao produto final maciez e sedosidade, características dos produtos fabricados nos micronizadores que trabalham sob alta pressão.

No primeiro caso, as partículas de pó têm formas pontiagudas e, no segundo, arredondadas. Conseqüentemente, há uma brutal diferença de qualidade entre os dois produtos. Para aprimorar a qualidade dos pós micronizados em moinhos de martelos existem opções de matérias-primas, que dão “acabamento” melhorando a textura.

Depois da fabricação, o pó será compactado, processo que ocorre em máquinas que pressionam o pó dentro de uma bandeja. Essa compactação é obtida por meio de ferramental (punções e bases), que é parte integrante das compactadeiras, que, por sua vez, pode trabalhar com formatos diferentes de punções e bases, de acordo com o formato da bandeja.

É exatamente sobre essa etapa do processo que vamos concentrar nossa atenção, pois aqui entra em cena um componente de embalagem conhecido como bandeja de folha de flandres, uma liga metálica de ferro-estanhado que não é encontrada na natureza, mas obtida mergulhando-se uma lâmina de ferro (isenta de ferrugem) em estanho fundido, o que a deixa revestida pela camada protetora do estanho.

A folha de flandres é largamente utilizada em embalagens de alimentos, tintas etc. Em cosméticos é utilizada para acondicionar maquilagens em pó compactadas.

Existem poucos tamanhos e modelos de bandejas em folhas de flandres para maquiagem disponíveis no mercado. Porém, o que pouca gente sabe é que fazer um novo formato de bandeja não custa caro e não demanda muito tempo, ou seja, é possível ter um formato diferente dos existentes no mercado sem gastar muito. Também é relativamente rápido e barato fazer o ferramental que será usado para compactação do pó no novo formato de bandeja.

O outro componente de embalagem, parte integrante deste conjunto, é o estojo de maquilagem, com poucas opções fabricadas no Brasil, porém com inúmeras variedades quando falamos de importados.

Resumindo, podemos dizer que é possível escolher um belo estojo importado de maquilagem sem a preocupação com o formato de bandeja que vai ser utilizado nesse estojo, pois se não existir no mercado interno um formato compatível com o espaço do estojo, em pouco tempo e com baixo investimento se faz uma nova bandeja e o respectivo ferramental para compactação.

A bandeja de folha de flandres só não pode ser utilizada em pancakes, pois normalmente (é comum) se utilizar uma esponja umedecida para retirar o pó para uso.

A umidade da esponja vai enferrujar a bandeja de flandres. Nesse caso, usa-se o alumínio, que é mais caro que o flandres, mas não enferruja.

Integrante da família das embalagens metálicas, a bandeja de folha de flandres é o componente mais barato do conjunto de embalagem para maquilagem e passa despercebida pela consumidora; porém, para o fabricante de cosmético, tem a mesma importância dos demais componentes.

Luiz Brandão
Assuntos Regulatórios por Luiz Brandão

Registro de produto grau de risco 2

Continuando com o tema sobre como “evitar indeferimento”, vamos falar sobre a documentação complementar que deve ser anexada ao pedido de registro grau de risco 2.

Testes de segurança e eficácia

Os testes de eficácia e segurança, apresentados no ato do registro ou de alteração de registro, devem possuir o nome do produto em conformidade com o declarado no Formulário de Petição. Quando o produto for identificado por código, o teste deve estar acompanhado da formulação testada e de declaração assinada pelo responsável pela sua realização, informando que o código declarado no teste se refere ao produto. Quando o nome do produto, no teste, for diferente do produto pleiteado, deverá ser apresentada declaração, acompanhada da formulação testada, devidamente assinada, informando que se trata do mesmo produto. Os testes apresentados devem conter, no mínimo, objetivo, metodologia, resultados e conclusão e as cópias do original serem assinadas por seu responsável. Essa assinatura também deve constar no caso de produto importado, a cópia do teste original e, quando se tratar de tradução, pelo responsável técnico e pelo representante legal da empresa.

Similaridade

O Guia para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos (http://www.anvisa.gov.br/cosmeticos/guia/index.htm) prevê a possibilidade de comprovação de segurança baseada na semelhança de produtos. Considerando que esse tipo de avaliação não está previsto para os casos de testes de eficácia, as empresas que apresentarem avaliações de eficácia realizadas em produtos similares ao pleiteado e de segurança fora das condições estabelecidas no Guia, deverão apresentar uma justificativa assinada pelo responsável pela realização do teste, que assegure que as divergências entre a fórmula testada e a formulação do produto não interferem no desempenho do produto nem no resultado do teste, considerando- se a metodologia utilizada, a finalidade do produto e da formulação testada e o teste envolvido, de forma a sustentar a alegação de similaridade do produto.

Ausência de testes estabelecidos na legislação

Para o registro das categorias de produtos contempladas na RDC 38/01 (Regulamento Técnico para Produtos Cosméticos de Uso Infantil), no ato do pedido de registro ou da alteração de registro, caso ainda não o tenham, deverão ser apresentados os testes de comprovação de segurança de uso. A ausência dos testes acarretará indeferimento do processo. Para os produtos contemplados pela Resolução 237/ 02 (Regulamento Técnico sobre Protetores Solares em Cosméticos), deverá ser apresentado o Teste de FPS no ato da solicitação do registro, bem como o de Resistência à Água e o de Proteção UVA, quando esses benefícios são atribuídos ao produto. A ausência do teste de FPS acarretará indeferimento do processo e, no caso de Resistência à Água e de Proteção UVA, os benefícios serão excluídos do rótulo.

Documento sem assinatura

Conforme Art. 10 da RDC 211/05, toda documentação a ser encaminhada para a ANVISA deve estar assinada pelo representante legal e responsável técnico da empresa. A ausência de assinaturas nos documentos causará indeferimento do processo. Pode parece óbvio, porém ainda ocorrem casos de processos em que falta pelo menos uma assinatura. O processo é indeferido com a perda do valor da taxa.

Arte-final

A arte-final do produto deve ser apresentada no ato do pedido de registro ou da alteração de registro, caso ainda não o tenha. A ausência desse documento acarreta indeferimento do processo por estar em desacordo com o estabelecido no item 12 do Anexo III da RDC 211/05. Deve ser apresentada a arte-final para todas as apresentações solicitadas e essas devem estar devidamente identificadas no processo. Na ausência de identificação, ou caso não esteja claro no processo, será feita exigência à empresa.

Ausência de documentos

A ausência de documentos estabelecidos na legislação vigente causará indeferimento do processo.

Mais informações consultar site: http://www.anvisa. gov.br/divulga/informes/2007/270407.htm

Carlos Alberto Trevisan
Boas Práticas por Carlos Alberto Trevisan

Informação e qualidade

Durante todos esses anos, escrevemos sobre vários temas das Boas Práticas de Fabricação e Controle (BPFeC), abordando os mais variados aspectos de sua implantação.

Devemos ressaltar a ênfase dada à máxima de que “quem faz qualidade são pessoas” e, portanto, somente pessoas praticam as BPFeC.

Nesta oportunidade, abordaremos uma faceta das BPFeC totalmente desconsiderada, por alguns especialistas, quando se pensa em processo de implantação.

Trata-se da informação (escrita ou verbal) que, em virtude do uso diário, disfarça a importância que tem. A justificativa para esse conceito é de que o resultado da informação é imediato.

Os processos da Qualidade não podem desconsiderar a importância fundamental da informação.

O desnível da formação técnica dos profissionais da qualidade na indústria, na maioria dos casos, dificulta o entendimento e a administração dos princípios da informação entre os colaboradores.

É bastante comum que ao planejar a implantação de processo da Qualidade, diretores e gerentes realizem visitas ao exterior e pesquisas de bench marking local, que se estendem por vários meses, sem que o motivo destas atividades e justificativas para isso tenham sido informados aos demais colaboradores da empresa.

Conseqüentemente, quando da apresentação do processo para o restante dos colaboradores, o sentimento geral é de que o projeto pertence a privilegiados.

Não devemos esquecer da máxima de que sua falta de informação sobre determinado fato resulta no aumento da especulação e no surgimento de boatos.

Os processos da Qualidade têm fundamentalmente que sensibilizar os colaboradores pela difusão das informações, lembrando-se de que a obviedade gera o esquecimento e que a continuidade na informação deve ser mantida seja qual for o contexto.

O conhecimento das formas de comunicação é indispensável para a implantação dos processos da Qualidade; a sua ausência acarreta desconhecimento.

A constância e a persistência da repetição são essenciais para a obtenção dos resultados, enfatizando-se que deve ser valorizada todo o auxílio advindo de colaboradores da empresa.

Os processos de informação exigem a participação de todos, a repetição da informação fundamenta e solidifica o conhecimento. A informação ganha um caráter estrutural e aparece como direção de convergência de todas as mudanças.

A organização deve ser construída sobre uma sólida base de informação e comunicação, e não apenas sobre uma hierarquia de autoridade.

As pessoas, sem distinção - desde a base até a cúpula da organização -, devem assumir suas responsabilidades por meio da disseminação da informação.

Todas as empresas necessitam de sistemas de informação para lidar com a complexidade ambiental interna e transformar seus colaboradores em parceiros e agentes ativos da mudança e inovação.

A ênfase na informação entre os componentes da organização é imprescindível, pois é o meio primário de conduzir as atividades do grupo, e também a ferramenta básica para satisfazer as necessidades humanas dos funcionários.

Consideramos que as seguintes premissas devem ser observadas quanto à informação:

- abertura da administração é essencial;

- otimizar a participação;

- envolver para obter as informações.

Importante também considerar que para a individualização do processo é necessário:

- nível de conhecimento;

- limite de interesse;

- motivação;

- estabelecer o momento da ocorrência.

Na próxima edição concluiremos esse assunto.

Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

As campeãs do Procon

Recentemente a Fundação Procon-SP – órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Cidadania – divulgou o ranking das empresas mais reclamadas em 2007.

De acordo com o Procon, a lista foi concluída em 31 de dezembro de 2007 e contém apenas reclamações fundamentadas – demandas de consumidores que necessitaram de abertura de processo administrativo, pois não foram solucionadas com a primeira intervenção da entidade.

Nesse relatório, o critério utilizado para facilitar a leitura de dados pelo consumidor foi o de agrupar as empresas fornecedoras de uma mesma marca, verificando-se como essa empresa é apresentada ao público – pois, sabemos que, ao contratar um serviço ou adquirir um produto, a confiança gerada por uma marca é fator decisivo na escolha do consumidor.

Em termos absolutos, as cinco primeiras empresas colocadas no ranking de 2007 foram Telefonica, Itaú, Benq (celulares Siemens), Vivo e Mitsubish/Aiko/Evadin.

Das 22.831 reclamações registradas, a área de serviços essenciais (água, luz, gás, telefonia etc.) foi a que teve maior número: 7.106, o que representou 31% das reclamações. O serviço de telefonia foi o campeão da área – ainda mais porque em 2007 houve uma mudança estrutural na cobrança, passando de pulsos para minutos, e, em geral, nem os consumidores nem os representantes das empresas de telefonia foram bem informados sobre a mudança, o que gerou maiores problemas. Além da Telefonica, empresas como Vivo, Embratel, TIM e Claro também apareceram na lista.

Com 30% das reclamações, a área de produtos (vestuário, móveis, eletrônicos etc.) foi a segunda do ranking. Nesta área, as empresas de eletro-eletrônicos foram as que se destacaram, quais sejam, Benq (celulares Siemens), Mitsubishi/ Aiko/Evadin, Motorola, LG e Samsung. Os maiores problemas relatados pelos consumidores foram vícios em aparelhos celulares, falta de peça de reposição e assistência técnica ineficiente.

A área de assuntos financeiros registrou 25% das reclamações – liderada por problemas com cartões de crédito. Itaú, Santander/Banespa, Bradesco/Finasa, Banco Fininvest e Cartão C&A foram os destaques desse segmento.

Os serviços de TV por assinatura foram os que mais se destacaram na área de serviços privados (escolas, clubes etc) – área que registrou 10% das reclamações. Dentre as empresas que configuram a lista, aparecem NET, TVA e a companhia aérea Gol.

A área de saúde, na qual se encontra o setor de cosméticos, medicamentos e planos de saúde, registrou 3% das reclamações. Nenhuma empresa do ramo cosmético ou farmacêutico apareceu na lista, apenas as do ramo de assistência médica e odontológica, como Avimed Saúde/Aviccena Assistência Médica, Samcil, Medial Saúde, Cartão C&A (plano odontológico) e Amil Assistência Médica.

Finalizando, as áreas de habitação e alimentos obtiveram, respectivamente, 0,6% e 0,22% das reclamações.

Esse relatório, divulgado pelo Procon, atende ao disposto no artigo 44 do Código de Defesa do Consumidor que determina a divulgação dessas informações para auxiliar os consumidores no mercado de consumo na hora de suas escolhas, que na sua íntegra diz: “Os órgãos públicos de defesa do consumidor manterão cadastros atualizados de reclamações fundamentadas contra fornecedores de produtos e serviços, devendo divulgá-los públicamente. A divulgação indicará se a reclamação foi atendida ou não pelo fornecedor. § 1º - É facultado o acesso às informações lá constantes para orientação e consulta por qualquer interessado (...).”

O leitor interessando em mais informações poderá acessar o www.procon.sp.gov.br

Carmita  Magalhães
Fragrâncias por Carmita Magalhães

Interpretação dos sentimentos

É muito interessante como a óptica de interpretação de determinados fatos depende do olhar que temos sobre eles.

Um exemplo: a mudança de estação

- No Brasil: o verão acabou, entramos no outono.

- Na França: a primavera chegou, mas como ainda está nevando, diria que daqui a pouco o inverno acabará e que a primavera está por chegar. Ou seja, no mês de abril, para uns será a chegada dos dias frios e para outros a chegada do calor. Da mesma forma que as pessoas vivem o mesmo momento, apesar de viverem em lugares diferentes e experiências diferentes, as interpretações de cada um se tornarão pessoais e até paradoxais.

Como a interpretação dos perfumes é fundamental no nosso mercado abordarei três temas:

- Emocional: minha interpretação pessoal sobre a rosa

- Histórico: sobre a criação do Chanel N°5

- Etimológico/técnico: a genealogia dos perfumes

Notem que a complexidade crescerá à medida que passarmos por cada um desses temas.

Uma flor: a rosa

Por definição, na perfumaria, a rosa é considerada a rainha das flores. Ela é a encarnação da beleza e da perfeição.

“Hedonisticamente” (ligado ao prazer) eu diria que a rosa por si só é um perfume harmonioso e completo.

Pensando em cores, mencionaria: vermelho, rosa, laranja, amarelo, branco, o jardim da minha infância.

E você, leitor, qual é a sua interpretação?

“Perfumisticamente” as interpretações são mais amplas. Para cada tipo de rosa, daria uma definição:

- Rosa vermelha: paixão, sedução, intensidade, feminilidade, misteriosa, força.

- Rosa cor-de-rosa: romantismo, delicadeza, serenidade, refinamento, descrição.

- Rosa selvagem: inocência, suavidade, transparência, aérea, tranqüilidade.

Com esse exemplo fica claro que as interpretações podem ser diferentes, pois cada um tem suas próprias lembranças, relacionadas à sua memória.

Na história da perfumaria, a rosa tem presença marcante, em toques sutis ou em acordes principais. Nesse segundo caso, pessoalmente acredito que o perfumista homenageia esta “grande dama” da perfumaria, que é interpretada através dos tempos.

Se fosse escolher um perfume em homenagem à rosa, escolheria o Paris d´Yves Saint Laurent. Nesse perfume, a rosa se une a uma outra flor, a violeta. Vale ressaltar que este acorde rosa-violeta é um dos mais belos clássicos da perfumaria moderna.

Um produto: Chanel N° 5

Para falar da interpretação na perfumaria é quase inevitável não escolher a famosa Coco Chanel e seu N° 5, com o qual ela entraria para a posteridade olfativa.

A historia é simples (quando olhamos para trás, sempre achamos que foi simples): o perfume mais famoso do século passado teria nascido de um erro, do uso excessivo de uma matéria-prima sintética (um aldeído) transformando na época um “comum”, mas rico, bouquet floral em um acorde olfativo inusitado.

Um erro para muitos? Será?! Muitos diriam que foi uma sorte das grandes. Será mesmo?! Eu diria que foi uma oportunidade.

Sorte? Sim, por uma assistente ter cometido um erro de diluição.

Oportunidade? Também, por Gabrielle Chanel ter cheirado esta fragrância e ter tido a ousadia de lançar um bouquet floral com fortes toques aldeídicos, responsável por uma “virada” na perfumaria.

E, assim, a famosa estilista, que tinha o número 5 como “fetiche”, com sua interpretação pessoal da moda, das mulheres e do mundo, lançou o Chanel N° 5, que se tornaria o best-seller dos perfumes do século passado:

- um dos perfumes mais vendidos no mundo até hoje;

- um precursor da perfumaria fina;

- uma inspiração primordial para a perfumaria técnica, sobretudo na perfumação dos sabonetes em barra.

Uma palavra: genealogia

O melhor meio da perfumaria para resumir interpretação é a genealogia dos perfumes.

Genealogia, palavra de origem grega, significa genos (origem) e logos (ciência). Por definição, é a lista dos membros de uma família, a ciência que tem por foco a pesquisa das origens e estuda a composição da família.

A genealogia dos perfumes é, por conseqüência, o estudo dos perfumes através dos tempos. É dividida em feminina e masculina e são classificados em famílias e subfamílias, como as pessoas, com seus sobrenomes e nomes.

As genealogias são interpretações criadas por grupos de pessoas/ empresas. Dessa forma, pode-se encontrar diferentes estruturas, com pequenas variações, mas todas as interpretações foram/são baseadas num tronco comum, uma realidade coletiva, reflexo da história e da evolução econômica, social, cultural, geográfica e política. Por esse motivo, diz-se que a perfumaria está em constante evolução.

Essa é a razão pela qual cada Casa de Perfumaria ter genealogias próprias e, dependendo das características de cada mercado, pode-se encontrar genealogias adaptadas, como é o caso da perfumaria brasileira, mas esse será o assunto da próxima edição.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Que tal um pouco de Filosofia?

Talvez seja interessante abordarmos a ética. Como todas as coisas abstratas, a ética também é de difícil definição. Embora seja um assunto antigo, as palavras vão tomando e perdendo as formas e assumindo conceitos diferentes ao longo do tempo. Apesar disto, a necessidade do exercício da ética continua presente na sociedade em que vivemos, embora cada vez mais rara onde é mais urgente: nas pessoas.

A ética é uma tentativa de reflexão em estudar e compreender as relações entre humanos e seu modo de ser e pensar. Sendo assim, à primeira vista, não existe ética boa ou má, pois ela apenas descreve comportamentos. Os comportamentos sim podem ser bons ou maus, e a isto denominamos moral. Enquanto a ética é atemporal, pois não depende de nenhum julgamento de juízo, apenas dos meios que cada um usa para construir os seus raciocínios, a moral é temporal, pois depende de um referencial para ser classificada. Como é de conhecimento geral, o referencial muda de acordo com região, época, costumes e todas as outras variáveis humanas que se pode imaginar. Mas, principalmente, neste século, a palavra “moral” vem assumindo o mesmo sentido da palavra “ética” e, em breve, poderemos obter consenso entre os lingüistas que, dependendo do contexto da aplicação do conceito, ambas as palavras passem a ser sinônimas.

Desfeito o imbróglio, vem a pergunta: o que isto tem a ver com uma coluna que se propõem a falar de mercado? A princípio tudo! Uma vez que a ética se destina ao estudo das relações humanas com o meio, não podemos deixar de lado o aspecto mercadológico da questão. Imagine que o profissional de Marketing da sua empresa identifique um nicho de mercado de pessoas que valorizam a vida em todos os seus aspectos e vertentes.

Faria sentindo usar um filtro químico que fosse suspeito de causar alterações hormonais a mulheres gestantes quando em contato com a corrente sanguínea em um protetor solar? Imagine um nicho de mercado formado por homens de negócios que levam a sério pesos e medidas em seus produtos e serviços. Qual seria a reação deles ao descobrirem que são consumidores de um produto com embalagem que induz ao erro, ou até mesmo com menos produto do que indica no rótulo? Sim, a ética pode ajudar neste sentido, em determinar o que as pessoas esperam de si mesmas e daqueles que os servem ou simplesmente com quem se relacionam.

A moral também deve ser avaliada. Quais são os valores morais vigentes hoje nas várias gerações presentes na sociedade em que vivemos? Será que um adolescente tem o mesmo valor moral que um casal sem filhos? Quais são os valores morais de uma dona de casa, na terceira idade e viúva, que aplica as suas economias na caderneta de poupança em comparação com um jovem empresário solteiro que investe
na bolsa? Embora a moral seja relativa a um referencial, sempre há um padrão moral, mesmo que temporal, a ser atingido pela maioria.

O caso é que a falta de um estímulo maior em estabelecer uma rotina de pensamento ético pelo sistema educacional e familiar, aliado a uma série de fatores sociais, tecnológicos e mercadológicos, vem fazendo
com que seja cada vez mais desafiador reconhecer e estabelecer um padrão moral.

Por exemplo, uma vez, presenciei um empresário alertando seu filho sobre como era incorreto dar e receber “cola” nos exames escolares, mas ao mesmo tempo ele defendia a idéia de que não era errado oferecer “bola” a compradores de matérias-primas, embora julgasse inadmissível receber “bola” por prestação de qualquer serviço. Note que não fiz nenhum julgamento da moral das ações, porém você consegue perceber a incongruência do pensamento ético? Caso tenha dificuldade, apenas imagine as razões que o levaram a emitir uma mensagem ao filho e outra diferente ao mercado.

Em uma outra situação, após uma conversa com um empresário sobre desvio de verbas públicas por parte do governo, percebi que a sua indignação era apenas para se redimir da sonegação praticada contra a Receita, o Fisco, o Ministério do Trabalho, as leis de licença de software e o hábito de comprar mercadorias roubadas.

Como se a discrepância não bastasse, parou numa banca de CD pirata e se vangloriou ao realizar o que julgou ser um bom negócio sem se importar com os direitos autorais do artista. Dois pesos, duas medidas. Você consegue ver algum problema na escala de valor moral?

Na outra ponta, o fabricante se questiona se, com um mercado consumidor sem pensamento ético e com escala de moral de difícil entendimento, onde, por exemplo, uma grande empresa de auditoria não se importa em fraudar laudos contra a sociedade consumidora, ele deve realmente se importar caso um produto com peso nominal de 20 g contenha apenas 18 g (10% a menos)?

Esta coluna não visa corrigir o mundo, mas apenas trazer uma reflexão do quanto somos honestos em nossas reivindicações e saber se a moral de alguns justifica a nossa, lembrando, por fim, que a sociedade somos nós, e não eles.

Notícias da Abihpec por

Tenho esperança

Em época de crise política, exatamente como esta pela qual passa nosso país, temos a necessidade de colocar nossa inteligência para refletir, procurar emergir profundamente e avaliar bem nossas decisões, procurando enxergar o que há por trás de toda essa crise e suas conseqüências, para que, ao planejar nossos investimentos, possamos defini-los bem, sem que tenhamos de nos arrepender de decisões precipitadas.

Tenho uma visão otimista de que nossa economia continuará blindada, longe da crise, e que continuaremos avançando com modestos crescimentos do PIB – acredito que em função do tempo que esta crise está durando e do tempo que ainda durará, sejam perspectivas bem positivas.

Apesar de nossa sociedade ter modestas experiências democráticas, vivenciadas há pouco mais de duas décadas, nossas instituições se fortalecem e avançam no processo de sua consolidação, procurando uma constante melhoria.

Todos nós temos de ter a consciência que o quadro político atual é que impede um maior desenvolvimento de nossa economia, esta absolutamente claro que esta crise política institucional não é de agora, já se arrasta há vários anos.

Hoje minha grande preocupação é com a nossa juventude, que na sua grande maioria depositou nesse governo a esperança das mudanças. Esta era a sua grande bandeira: as mudanças. O sistema burocrático corrupto que temos no Judiciário, no Legislativo e no Executivo era a esperança das tais “grandes mudanças” que nossos jovens tinham e esperavam que esse governo promovesse. Consolidar esses três poderes em instituições mais sólidas e mais fortes: este é o grande desafio. O mesmo fenômeno que vive hoje a nossa economia, blindando esses poderes de verdadeiros ataques, que constantemente vêm sofrendo e não sendo respeitados e tratados, cada um deles, como se fosse a verdadeira “casa da Maria Joana”.

Converso com os jovens e percebo uma visão pessimista, achando que definitivamente não temos solução e que estamos à beira do caos... Sinto-os desiludidos e enganados. Eu, ao contrário, aprendi que quando nos defrontamos com novas crises, nossa sociedade precisa e deve agir, promovendo mudanças e aperfeiçoando nossas instituições. Verificar seus pontos falhos e procurar eliminá-los, estabelecer regras que possam evitar os descalabros - que estão dizendo e provando que existem há muitos anos e que nada foi feito para mudá-los - não venham a fazer parte da nova sociedade na qual todos nós, cidadãos brasileiros, queremos viver. Precisamos nos unir para exigir estas mudanças.

Tenho a esperança, dentro de mim, de que todos nós juntos saberemos sair ainda mais fortalecidos desta enorme crise política que estamos presenciando e que está nos deixando, a todos, totalmente estarrecidos.

Mas espero que nossa fé e nossa esperança – que, acredito, sejam da grande maioria do povo brasileiro - nos tornem cada vez mais confiantes nos destinos do nosso país, tornando- o cada vez mais amado, respeitado e admirado, sendo administrado seriamente, como uma grande nação.

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Cuidados com a pele

A pele nos protege, acalenta e reflete nossas emoções. Ela pode e deve ser protegida de forma inteligente e equilibrada.

Para tratar bem da sua pele é importante identificá-la:

- Pele normal é considerada a pele ideal, apresenta espessura mediana, secreção equilibrada, cor rosada, tônus e elasticidade uniformes, superfície lisa e aveludada, brilho normal e poros não perceptíveis.

- Pele oleosa tem espessura aumentada, caracteriza-se pela produção excessiva de óleo (são mais suscetíveis à seborréia) que lhe confere maior brilho e provoca a abertura dos poros, principalmente na zona central (testa, nariz e queixo). Em geral, é bem resistente, tolerando melhor as agressões e envelhecendo mais lentamente.

- Pele seca apresenta pouca produção sebácea, costuma ser opaca, sem brilho e desidratada. A falta de água da pele seca se intensifica pela falta de óleo, que evita sua evaporação. Sua espessura é bem fina, os poros diminuídos, o aspecto descamativo. Sendo pouco elástica, a pele seca mostra finas rugas e tendência ao envelhecimento precoce.

- Pele mista é um tipo de pele muito comum. Sua zona central tem características de pele oleosa e as partes laterais, de pele seca.

- Pele sensível é fina, seca, avermelhada e sensível. Apresenta vasos dilatados, os quais podem ser chamados telangectosias ou “couper rose”.

A pele sensível fica vermelha com mais facilidade. Em geral, esta reação ocorre com a maioria dos cosméticos, podendo ser irritação ou mesmo alergia. A pele sensível reage mais aos cosméticos.

Alguns cuidados diários contribuem para a saúde da pele, podendo-se citar:

- Limpeza: é necessária, pois a pele elimina permanentemente sebo e gorduras, além do suor, formando uma película de proteção. Esta emulsão é fundamental para a lubrificação, proteção da pele. A glândula sebácea é uma estrutura localizada na derme que tem como função a produção de sebo, o qual desemboca na superfície cutânea. Quando produzem mais sebo do que é necessário, a pele se torna oleosa e seborréica. Para manter a pele com aparência saudável, é necessária a limpeza diária, para remover as células mortas, gordura e impurezas.

Usar apenas água não é o suficiente, é preciso desengordurá- la com um sabonete específico para o rosto, elaborado com substâncias que não irritem nem ressequem a pele.

A pele deve ser limpa duas vezes ao dia: pela manhã e à noite. A limpeza também é importante para a melhor penetração do filtro solar e tratamento antienvelhecimento.

- Hidratação é importante para manter o viço da pele. A falta de água (ressecamento) e a diminuição da elasticidade da cútis ocorrem quando há perda de água da camada mais superficial da pele (estrato córneo).

Além disso, com o processo de envelhecimento, o teor de água da pele vai diminuindo. Por isso é comum ver idosos com a pele ressecada. O fumo e outros poluentes também ocasionam maior perda de água.

Uma pele seca e desidratada fica opaca, áspera, sem elasticidade e com tendência à descamação.

- Filtro solar: num país tropical, o uso diário é importante para prevenir queimaduras, evitar o envelhecimento precoce e o câncer de pele.

As peles são classificadas de I a VI conforme a sua coloração e resposta ao Sol.

A pele tipo I é aquela que sempre queima e nunca bronzeia, e a pele tipo VI sempre bronzeia e nunca queima.

Hoje é importante o uso de filtro que também proteja em relação à UVA. O FPS deve ser pelo menos 15, mesmo para pessoas de pele morena, devendo ser aplicado em quantidade suficiente para deixar uma camada espessa e protetora. Deve ser utilizado 20 a 30 minutos antes do início da exposição, e a cada duas horas, ou após contato com a água ou suor excessivo.

As pessoas que se expõem de forma intensa por praticar esportes ao ar livre devem usar bloqueadores solar (proteção mais ampla) e também resistentes à água.

A pele não é uma simples camada de células inertes; é, antes de tudo, um órgão que regula um centro nervoso receptor de sensações, e além disso, uma barreira seletiva.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Escova progressiva e alisamentos

O escova progressiva é uma técnica de alisamento ou suavização de cachos e ondas que tem por objetivo quebrar temporariamente a estrutura dos cabelos e reconstruí- la na forma desejada.

Como o próprio nome diz, é progressiva, isto é, quanto mais vezes for feita, mais lisos ficarão os cabelos. Em alguns casos, as concentrações também serão progressivas, aumentando a cada escova.

Para alterar a forma do cabelo, é preciso romper as ligações de dissulfetos, “amolecendo” o cabelo para dar-lhe a forma desejada e, em seguida, refazer essas ligações para fixar o novo formato. Os pocedimentos ou métodos para o alisamento capilar não são registrados pela Anvisa, somente os produtos. Entretanto, todos os salões de beleza devem ser licenciados pela vigilância sanitária local. Os alisantes contêm ingredientes ativos que podem ser empregados em sua composição, tais como: ácido tioglicólico, hidróxidos de sódio, potássio, cálcio, lítio, guanidina, entre outros.

O processo da escova progressiva consiste basicamente em lavar os cabelos, aplicar o produto alisante (para “amolecer” o cabelo), fazer escova (passar escova sob calor de secador para esticar), passar a chapinha/prancha (para fechar as cutículas), aguardar o tempo de espera e neutralizar o alisante. Não é algo difícil, mas para se obter um bom resultado é bastante trabalhoso.

O fio de cabelo, livre de agressões e químicas, tem pH entre 4,5 e 6,5 (ligeiramente ácido) e suas cutículas estão fechadas. Para abri-las é necessário um álcali forte, como o hidróxido de guanidina que permite relaxamento sem sódio, lítio, tioglicolato ou qualquer outro produto químico, mais agressivo aos cabelos.

O produto é formado por uma base cremosa contendo hidróxido de cálcio e um líquido ativador com carbonato de guanidina. Ao misturar a base cremosa com o líquido ativador, ocorre uma reação química com a formação do hidróxido de guanidina, que é o relaxante. O pH elevado da mistura ativada (12,0 – 12,5) proporciona a abertura das cutículas permitindo que o hidróxido de guanidina quebre as ligações de dissulfeto (-S-S-), amolecendo o cabelo. Com uma boa técnica, trabalha- se todos os fios dando o formato desejado.

O cabelo, com alto teor de enxofre (-S-), indica que há mais ligações de dissulfeto para serem quebradas e, portanto, necessita de um tempo maior para o processamento. O ideal é ir acompanhando o comportamento e o grau de curvatura dos fios, à medida que o tempo for passando e que as mechas forem trabalhadas.

A vantagem da escova progressiva sobre os outros processos de alisamento está na variação de pH muito baixa. O alisamento feito com tioglicolato de amônia utiliza níveis de pH entre 7 e 9. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para produtos de uso profissional, na concentração máxima do tioglicolato de amônia (11%) o pH deve estar entre 7 e 9,5.

Entretanto, com freqüência surgem os exageros do modismo. No caso das escovas progressivas, se deu com o uso indevido do formol, conforme amplamente noticiado pela mídia. O formol, ou formalina, a solução aquosa concentrada do aldeído fórmico - ou aldeído fórmico -, é uma substância permitida na legislação de cosméticos apenas para preservar produto cosmético (RDC 1620/01) e como agente endurecedor de unhas (RDC 79/00- Anexo). Em ambos os casos, esse ingrediente faz parte da fórmula e é adicionado aos produtos durante o processo de fabricação, na indústria.

O uso do formol em procedimentos de escova progressiva se dá pela adição ao produto alisante comercial, com conseqüente alteração da composição de fábrica. Essa operação se constitui numa infração sanitária (adulteração ou falsificação) e num crime classificado pela legislação penal brasileira como hediondo (Art. 273 do Código Penal).

O uso indevido do formol pode causar reações adversas variadas com sérios riscos à saúde do profissional que aplica e do cliente que utiliza.

Quando a exposição é leve ou moderada, essas reações são: irritação, coceira, queimadura, inchaço, descamação e vermelhidão do couro cabeludo, queda do cabelo, ardência e lacrimejamento dos olhos, falta de ar, tosse, dor de cabeça, ardência e coceira no nariz, devido ao contato direto com a pele ou com vapor. Entretanto, exposições sucessivas podem causar também boca amarga, dores abdominais, enjôo, vômitos,
desmaios, feridas na boca, narina e olhos, e câncer das vias aéreas superiores (nariz, faringe, laringe, traquéia e brônquios), podendo levar à morte.

O processo de alisamento químico ou “relaxamento de cabelo” não acarreta danos para a saúde da população, desde que o produto atenda às exigências estabelecidas na legislação sanitária e o procedimento seja realizado seguindo as orientações do fabricante e por profissionais competentes.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Segurança de produtos cosméticos: um constante desafio

T indústria cosmética vem utilizando na produção de suas formulações cerca de 13.000 substâncias químicas com mais de 30.000 diferentes denominações comerciais. Com o mercado em franca expansão, graças ao uso mais difundido, a indústria cosmética tem peso no valor da balança comercial de alguns países (Pharmacological Research 53:16-21, 2006).

Na avaliação de segurança de ingredientes e produtos cosméticos tem pesado aqueles eventos relacionados: à toxicidade do ingrediente, ao produto acabado, ao usuário e ao meio ambiente. Dos fatores acima alinhados, quando desmembrados, de 30 a 35 variáveis seguramente participam de um programa de avaliação de segurança interativo - químico/biológico/ regulatório - que exige rigoroso protocolo e delineamento científico que garanta as boas práticas de fabricação, laboratoriais e clínicas. Mesmo com as exigências pressupostamente requeridas, e cercada de tantos cuidados, risco zero aos usuários está fora de cogitação.

Outra importante abordagem a respeito da segurança pós-comercialização está relacionada às reações adversas (RA), consideradas de incidências relativamente baixas, atribuídas à fragilidade de diagnósticos médicos e pela falta de sistemas de notificação, os quais não podem ser ignorados, (Acta Venearol 84:291-295, 2004), exceção feita a perfumes e fragrâncias (Am J Clin Dermatol 4(11):789-98, 2003), tinturas capilares (Int J Câncer 91:575-9, 2001, Critical Reviews in Toxicology 37:521-536, 2007) e desodorantes (J Appl Toxicol 23:89-95, 2003).

A segurança de produtos cosméticos se sustenta quando informações precisas a respeito da exposição são conhecidas. Loretz e cols. (Food and Chemical Toxicology 43:279- 291, 2005) avaliaram 360 mulheres de 19 a 65 anos, de 10 áreas geográficas dos Estados Unidos, quando expostas às seguintes preparações: batom, loção para o corpo e creme facial. Para tanto, quantidades utilizadas, número de aplicações, área corpórea, compilação dos dados obtidos e análise estatística foram apreciados. Os autores concluíram que os dados obtidos poderão ser utilizados na avaliação do risco. Ainda na mesma linha de trabalho, Loretz e cols. (Food and Chemical Toxicology 2007-Accepted Manuscript) relataram a exposição a condicionadores capilares, produto de limpeza facial e sombra para os olhos.

Hall e cols. (Food and Chemical Toxicology 45:2097- 2108, 2007) desenvolveram um estudo em parceria com fabricantes cosméticos na Europa com a finalidade de construir um modelo populacional probabilístico que pudesse ser utilizado na avaliação da exposição. Os autores concluíram que o modelo poderá servir para futuras avaliações na exposição populacional às substâncias químicas e produtos cosméticos.

Revisão da literatura, utilizando-se palavras-chave “exposição e Cosmetovigilância” permite recolher milhares de publicações cujo foco pode atender às diferentes áreas na avaliação de segurança como, por exemplo, os trabalhos “Cosmetovigilance survey: are cosmetic considered safe by the consumers?” e “A Cosmetovigilance Survey in Europe”, publicados em Pharmacology Research (53:16-27, 2006 e 55:455-460, 2007), respectivamente. O último deles é importante, pois comenta sobre países com sistemas de notificação e projetos futuros.

Isto dito, pergunta-se: qual deve ser a participação do setor produtivo e regulado para a implantação de sistemas para o monitoramento de possíveis RA aos usuários de produtos cosméticos? Para a pergunta formulada, a resposta ficaria facilitada se o Brasil já contasse com um sistema de Cosmetovigilância atuante. Mas a Anvisa, conforme referido no Art.1º da resolução RDC nº 322/05, determina que “as empresas fabricantes e/ou importadoras de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, instaladas no território nacional, deverão implementar um Sistema de Cosmetovigilância, a partir de 31 de dezembro de 2005”. Verdade seja dita: o resto do mundo não está tão a frente do nosso País.

Melhor sistema de divulgação através da mídia, abertura direta de canais de comunicação, envolvendo os setores produtivo/regulatório/usuário, deve mostrar dados robustos em relação à RA.






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