Somos os terceiros e os melhores

Edicao Atual - Somos os terceiros e os melhores

Editorial

Somos os terceiros e os melhores

Recentemente, o Euromonitor divulgou dados preliminares de sua pesquisa mundial do mercado cosmético em 2007. O Brasil, 3º colocado no ranking, atrás de Estados Unidos e Japão, no ano passado foi o país que mais cresceu em todo o mundo e o responsável por levar o crescimento mundial à marca de 6,6%. Ainda, e mais importante, o Brasil desbancou a China dessa posição, após registrar por 5 anos consecutivos o índice de maior crescimento.

Se as estimativas se confirmarem, o mercado brasileiro de cosméticos, produtos de higiene e perfume em 2007 deve ter alcançado quase R$ 20 bilhões em preço ao consumidor.

A revista Veja (2 de abril) trouxe uma ótima notícia: a classe C ganhou 23,5 milhões de consumidores e transformou-se no mais numeroso estrato econômico da população brasileira, com 86 milhões de consumidores.

Como mostram esses dados, não há dúvidas de que o mercado interno deverá ser a grande opção para manter o crescimento da economia brasileira em 2008, e criar a blindagem aos efeitos da recessão nos Estados Unidos e da forte valorização do real. E, com certeza, a indústria de cosméticos irá dar a sua contribuição!

Esta Cosmetics & Toiletries (Brasil) chega até você, recheada de assuntos de grande interesse. A Toxicologia, como ferramenta para atestar a segurança de produtos cosméticos, é a nossa matéria de capa. Esse mesmo assunto foi o tema de seminário da ABC, também presente nesta edição. Como destaque para artigos, o leitor encontrará um trabalho interessante sobre maquilagem “cremosa” em forma de pó, uma forma cosmética muito útil para nos dias de hoje com a forte restrição ao porte de produtos cosméticos em viagens aéreas. Conceitos de ética e moral são explicados na coluna Mercado de Carlos Alberto Pacheco. O Embale Certo traz duas entrevista, uma com Luiz Fernando Garcia sobre inovação e outra com Salomão Quadro, economista da FGV, sobre mercado de embalagens.

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Creme em Forma de Pó: Um Novo Conceito em Maquilagem - Emilie Desmarthon LCW Sensient Cosmetic Technologies, Saint Ouen LAumône, França

Este trabalho descreve uma tecnologia de cosméticos baseada no mais novo conceito de formulação creme em forma de pó. A formulação final pode ser obtida por meio de dois diferentes processos técnicos, para produzir cosméticos à base de água ou de óleo. Em cada caso, a escolha dos ingredientes adequados determina a estabilidade dos produtos acabados.

Este trabajo describe una tecnología de cosméticos basada en el más nuevo concepto de formulación crema en forma de polvo. La formulación final puede ser obtenida por medio de dos diferentes procesos técnicos, para producir cosméticos basados en agua o aceite. En cada caso, la selección de los ingredientes determina la estabilidad de los productos terminados.

The present work describes a cosmetics technology base don a newer formulating concept cream in powder forma. The final formulation can be created by two different technical processes to produce either water-or oil-based cosmetics. In each case, the proper selection of ingredients determines the stability of the finished products.

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Novos Rumos para Pesquisas de Pele Sensível - Jennifer A. Davis R Randall Wickett, PhD, College of Pharmacy, University of Cincinnati, Cincinnati, Estados Unidos

Esta breve revisão traz um informe sobre a atual situação das pesquisas de pele sensível, incluindo achados recentes sobre o possível papel do fator de crescimento dos nervos como mecanismo subjacente e instrumento de previsão para pele sensível.

Este breve estudio de revisión proporciona información sobre la situación actual de las investigaciones sobre la piel sensible, incluyendo hallazgos recientes sobre el posible papel del factor de crecimiento de los nervios como mecanismo subyacente e instrumento de predicción para la piel sensible.

This brief review provides an insight into the current standing of sensitive skin research, including recent findings on the possible role of nerve growth factor as an underlying mechanism and predictive tool for sensitive skin.

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Benzotriazóis como Estabilizantes de Cor em Perfume - Cíntia Witt, Temis Weber Furlanetto Corte, Liamara Andrade, Andrea Adams Schvan Faculdade de Farmácia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, Porto Alegre, RS, Brasil

Foram preparadas formulações de perfumes, com e sem o Benzotriazolyl Dodecyl p-Cresol, com a finalidade de testar sua atividade como estabilizante de cor. Os resultados obtidos mostraram que o ingrediente, quando presente nas formulações, protegeu a cor dos perfumes e, na sua ausência, o perfume sofreu mudanças significativas na coloração.

Fueron preparadas formulaciones de perfumes con y sin Benzotriazolyl Dodecyl p-Cresol, con la finalidad de probar su actividad como una forma de estabilizar el color. Los resultados obtenidos mostraron que esta sustancia cuando estuvo presente en la formulación, protegió el color de los perfumes y que en su ausencia, el perfume sufrió una modificación significativa en la coloración.

Perfume formulations with and without Benzotriazolyl Dodecyl p-Cresol had been prepared with the purpose of testing its activity as color stabilizer. The results reached had shown that ingredient when added to formulation protected the color of perfumes and in the absence of it the perfume suffered a significant color change.

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Estabilidade Térmica e Compatibilidade da Hidroquinona - Monika Piazzon Tagliari Universidade do Vale do Itajaí Univali, Itajaí, SC, Brasil Hellen Karine Stulzer, Regina Gendzelevski Kelmann, Gislaine Kuminek e Marcos Antonio Segatto Silva Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, Floria

A hidroquinona é o agente despigmentante mais utilizado para o tratamento de hiperpigmentação da pele. Contudo, ainda é problemático estabilizar suas formulações contra a oxidação. Neste artigo foram avaliadas a compatibilidade e a estabilidade térmica da hidroquinona com diferentes agentes antioxidantes por meio de técnicas termoanalíticas.

La hidroquinona es el agente blanqueador más usado para la piel bajo condiciones de hiperpigmentación. Sin embargo, su estabilización en formulaciones es un desafío contra la oxidación. En este artículo fue evaluada la compatibilidad y la estabilidad térmica de la hidroquinona con diversos agentes antioxidantes por medio de técnicas analíticas térmicas.

Hydroquinone is the depigmenting agent most used for skin in hyperpigmentation conditions. However, its stabilization in cosmetic formulations is a challenge on preventing the oxidation. This article evaluates the compatibility and thermal stability of hydroquinone with different antioxidant agents by thermal analytical techniques.

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Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Compactadores: bandejas, moldes e estojos

Poucas empresas fabricam maquilagem, principalmente os ps (compactados). As principais causas dessa realidade so o alto investimento em equipamentos, as opes de baixo custo da terceirizao, a dificuldade no acerto de cor e a baixa qualidade do produto final.

No entanto, existe, outra razo, que a falta de conhecimento dos processos produtivos aliados carncia de profissionais que dominam essa tecnologia.

Para a fabricao dos ps (blush, sombra, p compacto etc.), o equipamento mais utilizado para micronizao o moinho de martelos, que j est ultrapassado, pois no confere ao produto final maciez e sedosidade, caractersticas dos produtos fabricados nos micronizadores que trabalham sob alta presso.

No primeiro caso, as partculas de p tm formas pontiagudas e, no segundo, arredondadas. Conseqentemente, h uma brutal diferena de qualidade entre os dois produtos. Para aprimorar a qualidade dos ps micronizados em moinhos de martelos existem opes de matrias-primas, que do acabamento melhorando a textura.

Depois da fabricao, o p ser compactado, processo que ocorre em mquinas que pressionam o p dentro de uma bandeja. Essa compactao obtida por meio de ferramental (punes e bases), que parte integrante das compactadeiras, que, por sua vez, pode trabalhar com formatos diferentes de punes e bases, de acordo com o formato da bandeja.

exatamente sobre essa etapa do processo que vamos concentrar nossa ateno, pois aqui entra em cena um componente de embalagem conhecido como bandeja de folha de flandres, uma liga metlica de ferro-estanhado que no encontrada na natureza, mas obtida mergulhando-se uma lmina de ferro (isenta de ferrugem) em estanho fundido, o que a deixa revestida pela camada protetora do estanho.

A folha de flandres largamente utilizada em embalagens de alimentos, tintas etc. Em cosmticos utilizada para acondicionar maquilagens em p compactadas.

Existem poucos tamanhos e modelos de bandejas em folhas de flandres para maquiagem disponveis no mercado. Porm, o que pouca gente sabe que fazer um novo formato de bandeja no custa caro e no demanda muito tempo, ou seja, possvel ter um formato diferente dos existentes no mercado sem gastar muito. Tambm relativamente rpido e barato fazer o ferramental que ser usado para compactao do p no novo formato de bandeja.

O outro componente de embalagem, parte integrante deste conjunto, o estojo de maquilagem, com poucas opes fabricadas no Brasil, porm com inmeras variedades quando falamos de importados.

Resumindo, podemos dizer que possvel escolher um belo estojo importado de maquilagem sem a preocupao com o formato de bandeja que vai ser utilizado nesse estojo, pois se no existir no mercado interno um formato compatvel com o espao do estojo, em pouco tempo e com baixo investimento se faz uma nova bandeja e o respectivo ferramental para compactao.

A bandeja de folha de flandres s no pode ser utilizada em pancakes, pois normalmente ( comum) se utilizar uma esponja umedecida para retirar o p para uso.

A umidade da esponja vai enferrujar a bandeja de flandres. Nesse caso, usa-se o alumnio, que mais caro que o flandres, mas no enferruja.

Integrante da famlia das embalagens metlicas, a bandeja de folha de flandres o componente mais barato do conjunto de embalagem para maquilagem e passa despercebida pela consumidora; porm, para o fabricante de cosmtico, tem a mesma importncia dos demais componentes.

Luiz Brando
Assuntos Regulatrios por Luiz Brando

Registro de produto grau de risco 2

Continuando com o tema sobre como evitar indeferimento, vamos falar sobre a documentao complementar que deve ser anexada ao pedido de registro grau de risco 2.

Testes de segurana e eficcia

Os testes de eficcia e segurana, apresentados no ato do registro ou de alterao de registro, devem possuir o nome do produto em conformidade com o declarado no Formulrio de Petio. Quando o produto for identificado por cdigo, o teste deve estar acompanhado da formulao testada e de declarao assinada pelo responsvel pela sua realizao, informando que o cdigo declarado no teste se refere ao produto. Quando o nome do produto, no teste, for diferente do produto pleiteado, dever ser apresentada declarao, acompanhada da formulao testada, devidamente assinada, informando que se trata do mesmo produto. Os testes apresentados devem conter, no mnimo, objetivo, metodologia, resultados e concluso e as cpias do original serem assinadas por seu responsvel. Essa assinatura tambm deve constar no caso de produto importado, a cpia do teste original e, quando se tratar de traduo, pelo responsvel tcnico e pelo representante legal da empresa.

Similaridade

O Guia para Avaliao de Segurana de Produtos Cosmticos (http://www.anvisa.gov.br/cosmeticos/guia/index.htm) prev a possibilidade de comprovao de segurana baseada na semelhana de produtos. Considerando que esse tipo de avaliao no est previsto para os casos de testes de eficcia, as empresas que apresentarem avaliaes de eficcia realizadas em produtos similares ao pleiteado e de segurana fora das condies estabelecidas no Guia, devero apresentar uma justificativa assinada pelo responsvel pela realizao do teste, que assegure que as divergncias entre a frmula testada e a formulao do produto no interferem no desempenho do produto nem no resultado do teste, considerando- se a metodologia utilizada, a finalidade do produto e da formulao testada e o teste envolvido, de forma a sustentar a alegao de similaridade do produto.

Ausncia de testes estabelecidos na legislao

Para o registro das categorias de produtos contempladas na RDC 38/01 (Regulamento Tcnico para Produtos Cosmticos de Uso Infantil), no ato do pedido de registro ou da alterao de registro, caso ainda no o tenham, devero ser apresentados os testes de comprovao de segurana de uso. A ausncia dos testes acarretar indeferimento do processo. Para os produtos contemplados pela Resoluo 237/ 02 (Regulamento Tcnico sobre Protetores Solares em Cosmticos), dever ser apresentado o Teste de FPS no ato da solicitao do registro, bem como o de Resistncia gua e o de Proteo UVA, quando esses benefcios so atribudos ao produto. A ausncia do teste de FPS acarretar indeferimento do processo e, no caso de Resistncia gua e de Proteo UVA, os benefcios sero excludos do rtulo.

Documento sem assinatura

Conforme Art. 10 da RDC 211/05, toda documentao a ser encaminhada para a ANVISA deve estar assinada pelo representante legal e responsvel tcnico da empresa. A ausncia de assinaturas nos documentos causar indeferimento do processo. Pode parece bvio, porm ainda ocorrem casos de processos em que falta pelo menos uma assinatura. O processo indeferido com a perda do valor da taxa.

Arte-final

A arte-final do produto deve ser apresentada no ato do pedido de registro ou da alterao de registro, caso ainda no o tenha. A ausncia desse documento acarreta indeferimento do processo por estar em desacordo com o estabelecido no item 12 do Anexo III da RDC 211/05. Deve ser apresentada a arte-final para todas as apresentaes solicitadas e essas devem estar devidamente identificadas no processo. Na ausncia de identificao, ou caso no esteja claro no processo, ser feita exigncia empresa.

Ausncia de documentos

A ausncia de documentos estabelecidos na legislao vigente causar indeferimento do processo.

Mais informaes consultar site: http://www.anvisa. gov.br/divulga/informes/2007/270407.htm

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Informao e qualidade

Durante todos esses anos, escrevemos sobre vrios temas das Boas Prticas de Fabricao e Controle (BPFeC), abordando os mais variados aspectos de sua implantao.

Devemos ressaltar a nfase dada mxima de que quem faz qualidade so pessoas e, portanto, somente pessoas praticam as BPFeC.

Nesta oportunidade, abordaremos uma faceta das BPFeC totalmente desconsiderada, por alguns especialistas, quando se pensa em processo de implantao.

Trata-se da informao (escrita ou verbal) que, em virtude do uso dirio, disfara a importncia que tem. A justificativa para esse conceito de que o resultado da informao imediato.

Os processos da Qualidade no podem desconsiderar a importncia fundamental da informao.

O desnvel da formao tcnica dos profissionais da qualidade na indstria, na maioria dos casos, dificulta o entendimento e a administrao dos princpios da informao entre os colaboradores.

bastante comum que ao planejar a implantao de processo da Qualidade, diretores e gerentes realizem visitas ao exterior e pesquisas de bench marking local, que se estendem por vrios meses, sem que o motivo destas atividades e justificativas para isso tenham sido informados aos demais colaboradores da empresa.

Conseqentemente, quando da apresentao do processo para o restante dos colaboradores, o sentimento geral de que o projeto pertence a privilegiados.

No devemos esquecer da mxima de que sua falta de informao sobre determinado fato resulta no aumento da especulao e no surgimento de boatos.

Os processos da Qualidade tm fundamentalmente que sensibilizar os colaboradores pela difuso das informaes, lembrando-se de que a obviedade gera o esquecimento e que a continuidade na informao deve ser mantida seja qual for o contexto.

O conhecimento das formas de comunicao indispensvel para a implantao dos processos da Qualidade; a sua ausncia acarreta desconhecimento.

A constncia e a persistncia da repetio so essenciais para a obteno dos resultados, enfatizando-se que deve ser valorizada todo o auxlio advindo de colaboradores da empresa.

Os processos de informao exigem a participao de todos, a repetio da informao fundamenta e solidifica o conhecimento. A informao ganha um carter estrutural e aparece como direo de convergncia de todas as mudanas.

A organizao deve ser construda sobre uma slida base de informao e comunicao, e no apenas sobre uma hierarquia de autoridade.

As pessoas, sem distino - desde a base at a cpula da organizao -, devem assumir suas responsabilidades por meio da disseminao da informao.

Todas as empresas necessitam de sistemas de informao para lidar com a complexidade ambiental interna e transformar seus colaboradores em parceiros e agentes ativos da mudana e inovao.

A nfase na informao entre os componentes da organizao imprescindvel, pois o meio primrio de conduzir as atividades do grupo, e tambm a ferramenta bsica para satisfazer as necessidades humanas dos funcionrios.

Consideramos que as seguintes premissas devem ser observadas quanto informao:

- abertura da administrao essencial;

- otimizar a participao;

- envolver para obter as informaes.

Importante tambm considerar que para a individualizao do processo necessrio:

- nvel de conhecimento;

- limite de interesse;

- motivao;

- estabelecer o momento da ocorrncia.

Na prxima edio concluiremos esse assunto.

Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

As campes do Procon

Recentemente a Fundao Procon-SP rgo vinculado Secretaria da Justia e da Cidadania divulgou o ranking das empresas mais reclamadas em 2007.

De acordo com o Procon, a lista foi concluda em 31 de dezembro de 2007 e contm apenas reclamaes fundamentadas demandas de consumidores que necessitaram de abertura de processo administrativo, pois no foram solucionadas com a primeira interveno da entidade.

Nesse relatrio, o critrio utilizado para facilitar a leitura de dados pelo consumidor foi o de agrupar as empresas fornecedoras de uma mesma marca, verificando-se como essa empresa apresentada ao pblico pois, sabemos que, ao contratar um servio ou adquirir um produto, a confiana gerada por uma marca fator decisivo na escolha do consumidor.

Em termos absolutos, as cinco primeiras empresas colocadas no ranking de 2007 foram Telefonica, Ita, Benq (celulares Siemens), Vivo e Mitsubish/Aiko/Evadin.

Das 22.831 reclamaes registradas, a rea de servios essenciais (gua, luz, gs, telefonia etc.) foi a que teve maior nmero: 7.106, o que representou 31% das reclamaes. O servio de telefonia foi o campeo da rea ainda mais porque em 2007 houve uma mudana estrutural na cobrana, passando de pulsos para minutos, e, em geral, nem os consumidores nem os representantes das empresas de telefonia foram bem informados sobre a mudana, o que gerou maiores problemas. Alm da Telefonica, empresas como Vivo, Embratel, TIM e Claro tambm apareceram na lista.

Com 30% das reclamaes, a rea de produtos (vesturio, mveis, eletrnicos etc.) foi a segunda do ranking. Nesta rea, as empresas de eletro-eletrnicos foram as que se destacaram, quais sejam, Benq (celulares Siemens), Mitsubishi/ Aiko/Evadin, Motorola, LG e Samsung. Os maiores problemas relatados pelos consumidores foram vcios em aparelhos celulares, falta de pea de reposio e assistncia tcnica ineficiente.

A rea de assuntos financeiros registrou 25% das reclamaes liderada por problemas com cartes de crdito. Ita, Santander/Banespa, Bradesco/Finasa, Banco Fininvest e Carto C&A foram os destaques desse segmento.

Os servios de TV por assinatura foram os que mais se destacaram na rea de servios privados (escolas, clubes etc) rea que registrou 10% das reclamaes. Dentre as empresas que configuram a lista, aparecem NET, TVA e a companhia area Gol.

A rea de sade, na qual se encontra o setor de cosmticos, medicamentos e planos de sade, registrou 3% das reclamaes. Nenhuma empresa do ramo cosmtico ou farmacutico apareceu na lista, apenas as do ramo de assistncia mdica e odontolgica, como Avimed Sade/Aviccena Assistncia Mdica, Samcil, Medial Sade, Carto C&A (plano odontolgico) e Amil Assistncia Mdica.

Finalizando, as reas de habitao e alimentos obtiveram, respectivamente, 0,6% e 0,22% das reclamaes.

Esse relatrio, divulgado pelo Procon, atende ao disposto no artigo 44 do Cdigo de Defesa do Consumidor que determina a divulgao dessas informaes para auxiliar os consumidores no mercado de consumo na hora de suas escolhas, que na sua ntegra diz: Os rgos pblicos de defesa do consumidor mantero cadastros atualizados de reclamaes fundamentadas contra fornecedores de produtos e servios, devendo divulg-los pblicamente. A divulgao indicar se a reclamao foi atendida ou no pelo fornecedor. 1 - facultado o acesso s informaes l constantes para orientao e consulta por qualquer interessado (...).

O leitor interessando em mais informaes poder acessar o www.procon.sp.gov.br

Carmita  Magalhes
Fragrncias por Carmita Magalhes

Interpretao dos sentimentos

muito interessante como a ptica de interpretao de determinados fatos depende do olhar que temos sobre eles.

Um exemplo: a mudana de estao

- No Brasil: o vero acabou, entramos no outono.

- Na Frana: a primavera chegou, mas como ainda est nevando, diria que daqui a pouco o inverno acabar e que a primavera est por chegar. Ou seja, no ms de abril, para uns ser a chegada dos dias frios e para outros a chegada do calor. Da mesma forma que as pessoas vivem o mesmo momento, apesar de viverem em lugares diferentes e experincias diferentes, as interpretaes de cada um se tornaro pessoais e at paradoxais.

Como a interpretao dos perfumes fundamental no nosso mercado abordarei trs temas:

- Emocional: minha interpretao pessoal sobre a rosa

- Histrico: sobre a criao do Chanel N5

- Etimolgico/tcnico: a genealogia dos perfumes

Notem que a complexidade crescer medida que passarmos por cada um desses temas.

Uma flor: a rosa

Por definio, na perfumaria, a rosa considerada a rainha das flores. Ela a encarnao da beleza e da perfeio.

Hedonisticamente (ligado ao prazer) eu diria que a rosa por si s um perfume harmonioso e completo.

Pensando em cores, mencionaria: vermelho, rosa, laranja, amarelo, branco, o jardim da minha infncia.

E voc, leitor, qual a sua interpretao?

Perfumisticamente as interpretaes so mais amplas. Para cada tipo de rosa, daria uma definio:

- Rosa vermelha: paixo, seduo, intensidade, feminilidade, misteriosa, fora.

- Rosa cor-de-rosa: romantismo, delicadeza, serenidade, refinamento, descrio.

- Rosa selvagem: inocncia, suavidade, transparncia, area, tranqilidade.

Com esse exemplo fica claro que as interpretaes podem ser diferentes, pois cada um tem suas prprias lembranas, relacionadas sua memria.

Na histria da perfumaria, a rosa tem presena marcante, em toques sutis ou em acordes principais. Nesse segundo caso, pessoalmente acredito que o perfumista homenageia esta grande dama da perfumaria, que interpretada atravs dos tempos.

Se fosse escolher um perfume em homenagem rosa, escolheria o Paris dYves Saint Laurent. Nesse perfume, a rosa se une a uma outra flor, a violeta. Vale ressaltar que este acorde rosa-violeta um dos mais belos clssicos da perfumaria moderna.

Um produto: Chanel N 5

Para falar da interpretao na perfumaria quase inevitvel no escolher a famosa Coco Chanel e seu N 5, com o qual ela entraria para a posteridade olfativa.

A historia simples (quando olhamos para trs, sempre achamos que foi simples): o perfume mais famoso do sculo passado teria nascido de um erro, do uso excessivo de uma matria-prima sinttica (um aldedo) transformando na poca um comum, mas rico, bouquet floral em um acorde olfativo inusitado.

Um erro para muitos? Ser?! Muitos diriam que foi uma sorte das grandes. Ser mesmo?! Eu diria que foi uma oportunidade.

Sorte? Sim, por uma assistente ter cometido um erro de diluio.

Oportunidade? Tambm, por Gabrielle Chanel ter cheirado esta fragrncia e ter tido a ousadia de lanar um bouquet floral com fortes toques aldedicos, responsvel por uma virada na perfumaria.

E, assim, a famosa estilista, que tinha o nmero 5 como fetiche, com sua interpretao pessoal da moda, das mulheres e do mundo, lanou o Chanel N 5, que se tornaria o best-seller dos perfumes do sculo passado:

- um dos perfumes mais vendidos no mundo at hoje;

- um precursor da perfumaria fina;

- uma inspirao primordial para a perfumaria tcnica, sobretudo na perfumao dos sabonetes em barra.

Uma palavra: genealogia

O melhor meio da perfumaria para resumir interpretao a genealogia dos perfumes.

Genealogia, palavra de origem grega, significa genos (origem) e logos (cincia). Por definio, a lista dos membros de uma famlia, a cincia que tem por foco a pesquisa das origens e estuda a composio da famlia.

A genealogia dos perfumes , por conseqncia, o estudo dos perfumes atravs dos tempos. dividida em feminina e masculina e so classificados em famlias e subfamlias, como as pessoas, com seus sobrenomes e nomes.

As genealogias so interpretaes criadas por grupos de pessoas/ empresas. Dessa forma, pode-se encontrar diferentes estruturas, com pequenas variaes, mas todas as interpretaes foram/so baseadas num tronco comum, uma realidade coletiva, reflexo da histria e da evoluo econmica, social, cultural, geogrfica e poltica. Por esse motivo, diz-se que a perfumaria est em constante evoluo.

Essa a razo pela qual cada Casa de Perfumaria ter genealogias prprias e, dependendo das caractersticas de cada mercado, pode-se encontrar genealogias adaptadas, como o caso da perfumaria brasileira, mas esse ser o assunto da prxima edio.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Que tal um pouco de Filosofia?

Talvez seja interessante abordarmos a tica. Como todas as coisas abstratas, a tica tambm de difcil definio. Embora seja um assunto antigo, as palavras vo tomando e perdendo as formas e assumindo conceitos diferentes ao longo do tempo. Apesar disto, a necessidade do exerccio da tica continua presente na sociedade em que vivemos, embora cada vez mais rara onde mais urgente: nas pessoas.

A tica uma tentativa de reflexo em estudar e compreender as relaes entre humanos e seu modo de ser e pensar. Sendo assim, primeira vista, no existe tica boa ou m, pois ela apenas descreve comportamentos. Os comportamentos sim podem ser bons ou maus, e a isto denominamos moral. Enquanto a tica atemporal, pois no depende de nenhum julgamento de juzo, apenas dos meios que cada um usa para construir os seus raciocnios, a moral temporal, pois depende de um referencial para ser classificada. Como de conhecimento geral, o referencial muda de acordo com regio, poca, costumes e todas as outras variveis humanas que se pode imaginar. Mas, principalmente, neste sculo, a palavra moral vem assumindo o mesmo sentido da palavra tica e, em breve, poderemos obter consenso entre os lingistas que, dependendo do contexto da aplicao do conceito, ambas as palavras passem a ser sinnimas.

Desfeito o imbrglio, vem a pergunta: o que isto tem a ver com uma coluna que se propem a falar de mercado? A princpio tudo! Uma vez que a tica se destina ao estudo das relaes humanas com o meio, no podemos deixar de lado o aspecto mercadolgico da questo. Imagine que o profissional de Marketing da sua empresa identifique um nicho de mercado de pessoas que valorizam a vida em todos os seus aspectos e vertentes.

Faria sentindo usar um filtro qumico que fosse suspeito de causar alteraes hormonais a mulheres gestantes quando em contato com a corrente sangunea em um protetor solar? Imagine um nicho de mercado formado por homens de negcios que levam a srio pesos e medidas em seus produtos e servios. Qual seria a reao deles ao descobrirem que so consumidores de um produto com embalagem que induz ao erro, ou at mesmo com menos produto do que indica no rtulo? Sim, a tica pode ajudar neste sentido, em determinar o que as pessoas esperam de si mesmas e daqueles que os servem ou simplesmente com quem se relacionam.

A moral tambm deve ser avaliada. Quais so os valores morais vigentes hoje nas vrias geraes presentes na sociedade em que vivemos? Ser que um adolescente tem o mesmo valor moral que um casal sem filhos? Quais so os valores morais de uma dona de casa, na terceira idade e viva, que aplica as suas economias na caderneta de poupana em comparao com um jovem empresrio solteiro que investe
na bolsa? Embora a moral seja relativa a um referencial, sempre h um padro moral, mesmo que temporal, a ser atingido pela maioria.

O caso que a falta de um estmulo maior em estabelecer uma rotina de pensamento tico pelo sistema educacional e familiar, aliado a uma srie de fatores sociais, tecnolgicos e mercadolgicos, vem fazendo
com que seja cada vez mais desafiador reconhecer e estabelecer um padro moral.

Por exemplo, uma vez, presenciei um empresrio alertando seu filho sobre como era incorreto dar e receber cola nos exames escolares, mas ao mesmo tempo ele defendia a idia de que no era errado oferecer bola a compradores de matrias-primas, embora julgasse inadmissvel receber bola por prestao de qualquer servio. Note que no fiz nenhum julgamento da moral das aes, porm voc consegue perceber a incongruncia do pensamento tico? Caso tenha dificuldade, apenas imagine as razes que o levaram a emitir uma mensagem ao filho e outra diferente ao mercado.

Em uma outra situao, aps uma conversa com um empresrio sobre desvio de verbas pblicas por parte do governo, percebi que a sua indignao era apenas para se redimir da sonegao praticada contra a Receita, o Fisco, o Ministrio do Trabalho, as leis de licena de software e o hbito de comprar mercadorias roubadas.

Como se a discrepncia no bastasse, parou numa banca de CD pirata e se vangloriou ao realizar o que julgou ser um bom negcio sem se importar com os direitos autorais do artista. Dois pesos, duas medidas. Voc consegue ver algum problema na escala de valor moral?

Na outra ponta, o fabricante se questiona se, com um mercado consumidor sem pensamento tico e com escala de moral de difcil entendimento, onde, por exemplo, uma grande empresa de auditoria no se importa em fraudar laudos contra a sociedade consumidora, ele deve realmente se importar caso um produto com peso nominal de 20 g contenha apenas 18 g (10% a menos)?

Esta coluna no visa corrigir o mundo, mas apenas trazer uma reflexo do quanto somos honestos em nossas reivindicaes e saber se a moral de alguns justifica a nossa, lembrando, por fim, que a sociedade somos ns, e no eles.

Notcias da Abihpec por

Tenho esperana

Em poca de crise poltica, exatamente como esta pela qual passa nosso pas, temos a necessidade de colocar nossa inteligncia para refletir, procurar emergir profundamente e avaliar bem nossas decises, procurando enxergar o que h por trs de toda essa crise e suas conseqncias, para que, ao planejar nossos investimentos, possamos defini-los bem, sem que tenhamos de nos arrepender de decises precipitadas.

Tenho uma viso otimista de que nossa economia continuar blindada, longe da crise, e que continuaremos avanando com modestos crescimentos do PIB acredito que em funo do tempo que esta crise est durando e do tempo que ainda durar, sejam perspectivas bem positivas.

Apesar de nossa sociedade ter modestas experincias democrticas, vivenciadas h pouco mais de duas dcadas, nossas instituies se fortalecem e avanam no processo de sua consolidao, procurando uma constante melhoria.

Todos ns temos de ter a conscincia que o quadro poltico atual que impede um maior desenvolvimento de nossa economia, esta absolutamente claro que esta crise poltica institucional no de agora, j se arrasta h vrios anos.

Hoje minha grande preocupao com a nossa juventude, que na sua grande maioria depositou nesse governo a esperana das mudanas. Esta era a sua grande bandeira: as mudanas. O sistema burocrtico corrupto que temos no Judicirio, no Legislativo e no Executivo era a esperana das tais grandes mudanas que nossos jovens tinham e esperavam que esse governo promovesse. Consolidar esses trs poderes em instituies mais slidas e mais fortes: este o grande desafio. O mesmo fenmeno que vive hoje a nossa economia, blindando esses poderes de verdadeiros ataques, que constantemente vm sofrendo e no sendo respeitados e tratados, cada um deles, como se fosse a verdadeira casa da Maria Joana.

Converso com os jovens e percebo uma viso pessimista, achando que definitivamente no temos soluo e que estamos beira do caos... Sinto-os desiludidos e enganados. Eu, ao contrrio, aprendi que quando nos defrontamos com novas crises, nossa sociedade precisa e deve agir, promovendo mudanas e aperfeioando nossas instituies. Verificar seus pontos falhos e procurar elimin-los, estabelecer regras que possam evitar os descalabros - que esto dizendo e provando que existem h muitos anos e que nada foi feito para mud-los - no venham a fazer parte da nova sociedade na qual todos ns, cidados brasileiros, queremos viver. Precisamos nos unir para exigir estas mudanas.

Tenho a esperana, dentro de mim, de que todos ns juntos saberemos sair ainda mais fortalecidos desta enorme crise poltica que estamos presenciando e que est nos deixando, a todos, totalmente estarrecidos.

Mas espero que nossa f e nossa esperana que, acredito, sejam da grande maioria do povo brasileiro - nos tornem cada vez mais confiantes nos destinos do nosso pas, tornando- o cada vez mais amado, respeitado e admirado, sendo administrado seriamente, como uma grande nao.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Cuidados com a pele

A pele nos protege, acalenta e reflete nossas emoes. Ela pode e deve ser protegida de forma inteligente e equilibrada.

Para tratar bem da sua pele importante identific-la:

- Pele normal considerada a pele ideal, apresenta espessura mediana, secreo equilibrada, cor rosada, tnus e elasticidade uniformes, superfcie lisa e aveludada, brilho normal e poros no perceptveis.

- Pele oleosa tem espessura aumentada, caracteriza-se pela produo excessiva de leo (so mais suscetveis seborria) que lhe confere maior brilho e provoca a abertura dos poros, principalmente na zona central (testa, nariz e queixo). Em geral, bem resistente, tolerando melhor as agresses e envelhecendo mais lentamente.

- Pele seca apresenta pouca produo sebcea, costuma ser opaca, sem brilho e desidratada. A falta de gua da pele seca se intensifica pela falta de leo, que evita sua evaporao. Sua espessura bem fina, os poros diminudos, o aspecto descamativo. Sendo pouco elstica, a pele seca mostra finas rugas e tendncia ao envelhecimento precoce.

- Pele mista um tipo de pele muito comum. Sua zona central tem caractersticas de pele oleosa e as partes laterais, de pele seca.

- Pele sensvel fina, seca, avermelhada e sensvel. Apresenta vasos dilatados, os quais podem ser chamados telangectosias ou couper rose.

A pele sensvel fica vermelha com mais facilidade. Em geral, esta reao ocorre com a maioria dos cosmticos, podendo ser irritao ou mesmo alergia. A pele sensvel reage mais aos cosmticos.

Alguns cuidados dirios contribuem para a sade da pele, podendo-se citar:

- Limpeza: necessria, pois a pele elimina permanentemente sebo e gorduras, alm do suor, formando uma pelcula de proteo. Esta emulso fundamental para a lubrificao, proteo da pele. A glndula sebcea uma estrutura localizada na derme que tem como funo a produo de sebo, o qual desemboca na superfcie cutnea. Quando produzem mais sebo do que necessrio, a pele se torna oleosa e seborrica. Para manter a pele com aparncia saudvel, necessria a limpeza diria, para remover as clulas mortas, gordura e impurezas.

Usar apenas gua no o suficiente, preciso desengordur- la com um sabonete especfico para o rosto, elaborado com substncias que no irritem nem ressequem a pele.

A pele deve ser limpa duas vezes ao dia: pela manh e noite. A limpeza tambm importante para a melhor penetrao do filtro solar e tratamento antienvelhecimento.

- Hidratao importante para manter o vio da pele. A falta de gua (ressecamento) e a diminuio da elasticidade da ctis ocorrem quando h perda de gua da camada mais superficial da pele (estrato crneo).

Alm disso, com o processo de envelhecimento, o teor de gua da pele vai diminuindo. Por isso comum ver idosos com a pele ressecada. O fumo e outros poluentes tambm ocasionam maior perda de gua.

Uma pele seca e desidratada fica opaca, spera, sem elasticidade e com tendncia descamao.

- Filtro solar: num pas tropical, o uso dirio importante para prevenir queimaduras, evitar o envelhecimento precoce e o cncer de pele.

As peles so classificadas de I a VI conforme a sua colorao e resposta ao Sol.

A pele tipo I aquela que sempre queima e nunca bronzeia, e a pele tipo VI sempre bronzeia e nunca queima.

Hoje importante o uso de filtro que tambm proteja em relao UVA. O FPS deve ser pelo menos 15, mesmo para pessoas de pele morena, devendo ser aplicado em quantidade suficiente para deixar uma camada espessa e protetora. Deve ser utilizado 20 a 30 minutos antes do incio da exposio, e a cada duas horas, ou aps contato com a gua ou suor excessivo.

As pessoas que se expem de forma intensa por praticar esportes ao ar livre devem usar bloqueadores solar (proteo mais ampla) e tambm resistentes gua.

A pele no uma simples camada de clulas inertes; , antes de tudo, um rgo que regula um centro nervoso receptor de sensaes, e alm disso, uma barreira seletiva.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Escova progressiva e alisamentos

O escova progressiva uma tcnica de alisamento ou suavizao de cachos e ondas que tem por objetivo quebrar temporariamente a estrutura dos cabelos e reconstru- la na forma desejada.

Como o prprio nome diz, progressiva, isto , quanto mais vezes for feita, mais lisos ficaro os cabelos. Em alguns casos, as concentraes tambm sero progressivas, aumentando a cada escova.

Para alterar a forma do cabelo, preciso romper as ligaes de dissulfetos, amolecendo o cabelo para dar-lhe a forma desejada e, em seguida, refazer essas ligaes para fixar o novo formato. Os pocedimentos ou mtodos para o alisamento capilar no so registrados pela Anvisa, somente os produtos. Entretanto, todos os sales de beleza devem ser licenciados pela vigilncia sanitria local. Os alisantes contm ingredientes ativos que podem ser empregados em sua composio, tais como: cido tiogliclico, hidrxidos de sdio, potssio, clcio, ltio, guanidina, entre outros.

O processo da escova progressiva consiste basicamente em lavar os cabelos, aplicar o produto alisante (para amolecer o cabelo), fazer escova (passar escova sob calor de secador para esticar), passar a chapinha/prancha (para fechar as cutculas), aguardar o tempo de espera e neutralizar o alisante. No algo difcil, mas para se obter um bom resultado bastante trabalhoso.

O fio de cabelo, livre de agresses e qumicas, tem pH entre 4,5 e 6,5 (ligeiramente cido) e suas cutculas esto fechadas. Para abri-las necessrio um lcali forte, como o hidrxido de guanidina que permite relaxamento sem sdio, ltio, tioglicolato ou qualquer outro produto qumico, mais agressivo aos cabelos.

O produto formado por uma base cremosa contendo hidrxido de clcio e um lquido ativador com carbonato de guanidina. Ao misturar a base cremosa com o lquido ativador, ocorre uma reao qumica com a formao do hidrxido de guanidina, que o relaxante. O pH elevado da mistura ativada (12,0 12,5) proporciona a abertura das cutculas permitindo que o hidrxido de guanidina quebre as ligaes de dissulfeto (-S-S-), amolecendo o cabelo. Com uma boa tcnica, trabalha- se todos os fios dando o formato desejado.

O cabelo, com alto teor de enxofre (-S-), indica que h mais ligaes de dissulfeto para serem quebradas e, portanto, necessita de um tempo maior para o processamento. O ideal ir acompanhando o comportamento e o grau de curvatura dos fios, medida que o tempo for passando e que as mechas forem trabalhadas.

A vantagem da escova progressiva sobre os outros processos de alisamento est na variao de pH muito baixa. O alisamento feito com tioglicolato de amnia utiliza nveis de pH entre 7 e 9. Segundo a Anvisa (Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria), para produtos de uso profissional, na concentrao mxima do tioglicolato de amnia (11%) o pH deve estar entre 7 e 9,5.

Entretanto, com freqncia surgem os exageros do modismo. No caso das escovas progressivas, se deu com o uso indevido do formol, conforme amplamente noticiado pela mdia. O formol, ou formalina, a soluo aquosa concentrada do aldedo frmico - ou aldedo frmico -, uma substncia permitida na legislao de cosmticos apenas para preservar produto cosmtico (RDC 1620/01) e como agente endurecedor de unhas (RDC 79/00- Anexo). Em ambos os casos, esse ingrediente faz parte da frmula e adicionado aos produtos durante o processo de fabricao, na indstria.

O uso do formol em procedimentos de escova progressiva se d pela adio ao produto alisante comercial, com conseqente alterao da composio de fbrica. Essa operao se constitui numa infrao sanitria (adulterao ou falsificao) e num crime classificado pela legislao penal brasileira como hediondo (Art. 273 do Cdigo Penal).

O uso indevido do formol pode causar reaes adversas variadas com srios riscos sade do profissional que aplica e do cliente que utiliza.

Quando a exposio leve ou moderada, essas reaes so: irritao, coceira, queimadura, inchao, descamao e vermelhido do couro cabeludo, queda do cabelo, ardncia e lacrimejamento dos olhos, falta de ar, tosse, dor de cabea, ardncia e coceira no nariz, devido ao contato direto com a pele ou com vapor. Entretanto, exposies sucessivas podem causar tambm boca amarga, dores abdominais, enjo, vmitos,
desmaios, feridas na boca, narina e olhos, e cncer das vias areas superiores (nariz, faringe, laringe, traquia e brnquios), podendo levar morte.

O processo de alisamento qumico ou relaxamento de cabelo no acarreta danos para a sade da populao, desde que o produto atenda s exigncias estabelecidas na legislao sanitria e o procedimento seja realizado seguindo as orientaes do fabricante e por profissionais competentes.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Segurana de produtos cosmticos: um constante desafio

T indstria cosmtica vem utilizando na produo de suas formulaes cerca de 13.000 substncias qumicas com mais de 30.000 diferentes denominaes comerciais. Com o mercado em franca expanso, graas ao uso mais difundido, a indstria cosmtica tem peso no valor da balana comercial de alguns pases (Pharmacological Research 53:16-21, 2006).

Na avaliao de segurana de ingredientes e produtos cosmticos tem pesado aqueles eventos relacionados: toxicidade do ingrediente, ao produto acabado, ao usurio e ao meio ambiente. Dos fatores acima alinhados, quando desmembrados, de 30 a 35 variveis seguramente participam de um programa de avaliao de segurana interativo - qumico/biolgico/ regulatrio - que exige rigoroso protocolo e delineamento cientfico que garanta as boas prticas de fabricao, laboratoriais e clnicas. Mesmo com as exigncias pressupostamente requeridas, e cercada de tantos cuidados, risco zero aos usurios est fora de cogitao.

Outra importante abordagem a respeito da segurana ps-comercializao est relacionada s reaes adversas (RA), consideradas de incidncias relativamente baixas, atribudas fragilidade de diagnsticos mdicos e pela falta de sistemas de notificao, os quais no podem ser ignorados, (Acta Venearol 84:291-295, 2004), exceo feita a perfumes e fragrncias (Am J Clin Dermatol 4(11):789-98, 2003), tinturas capilares (Int J Cncer 91:575-9, 2001, Critical Reviews in Toxicology 37:521-536, 2007) e desodorantes (J Appl Toxicol 23:89-95, 2003).

A segurana de produtos cosmticos se sustenta quando informaes precisas a respeito da exposio so conhecidas. Loretz e cols. (Food and Chemical Toxicology 43:279- 291, 2005) avaliaram 360 mulheres de 19 a 65 anos, de 10 reas geogrficas dos Estados Unidos, quando expostas s seguintes preparaes: batom, loo para o corpo e creme facial. Para tanto, quantidades utilizadas, nmero de aplicaes, rea corprea, compilao dos dados obtidos e anlise estatstica foram apreciados. Os autores concluram que os dados obtidos podero ser utilizados na avaliao do risco. Ainda na mesma linha de trabalho, Loretz e cols. (Food and Chemical Toxicology 2007-Accepted Manuscript) relataram a exposio a condicionadores capilares, produto de limpeza facial e sombra para os olhos.

Hall e cols. (Food and Chemical Toxicology 45:2097- 2108, 2007) desenvolveram um estudo em parceria com fabricantes cosmticos na Europa com a finalidade de construir um modelo populacional probabilstico que pudesse ser utilizado na avaliao da exposio. Os autores concluram que o modelo poder servir para futuras avaliaes na exposio populacional s substncias qumicas e produtos cosmticos.

Reviso da literatura, utilizando-se palavras-chave exposio e Cosmetovigilncia permite recolher milhares de publicaes cujo foco pode atender s diferentes reas na avaliao de segurana como, por exemplo, os trabalhos Cosmetovigilance survey: are cosmetic considered safe by the consumers? e A Cosmetovigilance Survey in Europe, publicados em Pharmacology Research (53:16-27, 2006 e 55:455-460, 2007), respectivamente. O ltimo deles importante, pois comenta sobre pases com sistemas de notificao e projetos futuros.

Isto dito, pergunta-se: qual deve ser a participao do setor produtivo e regulado para a implantao de sistemas para o monitoramento de possveis RA aos usurios de produtos cosmticos? Para a pergunta formulada, a resposta ficaria facilitada se o Brasil j contasse com um sistema de Cosmetovigilncia atuante. Mas a Anvisa, conforme referido no Art.1 da resoluo RDC n 322/05, determina que as empresas fabricantes e/ou importadoras de Produtos de Higiene Pessoal, Cosmticos e Perfumes, instaladas no territrio nacional, devero implementar um Sistema de Cosmetovigilncia, a partir de 31 de dezembro de 2005. Verdade seja dita: o resto do mundo no est to a frente do nosso Pas.

Melhor sistema de divulgao atravs da mdia, abertura direta de canais de comunicao, envolvendo os setores produtivo/regulatrio/usurio, deve mostrar dados robustos em relao RA.






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