19 de Outubro de 2018

Perspectivas Favoráveis

Edicao Atual - Perspectivas Favoráveis

Editorial

Enfim, 2007. Tão natural ao brasileiro, o otimismo – ou a disposição para começar o ano com o pé direito – dá o tom às primeiras semanas do ano, embaladas por muito calor e pelos preparativos para a folia.

Felizmente, mais do que a contagem regressiva para o carnaval, o ano começa com uma boa nova: o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), pacote de medidas anunciado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva.

“Diminuir diferenças entre pessoas e regiões”; “arrancar as travas e colocar o país num ritmo mais adequado as suas forças” foram algumas das frases usadas pelo presidente. A meta é crescer 5% ao ano, entre 2008 e 2010 – contra média de crescimento de 2% a 2,5% nas duas últimas décadas. O pacote – que prioriza os investimentos na infra-estrutura pública – não propõe mudanças quanto aos impostos e encargos, nem reforma trabalhista ou previdenciária. A esperada reforma tributária deverá tardar um pouco mais.

Contudo, vale observar de perto a iniciativa, que promete um forte incremento nas rodovias, hidrovias, ferrovias, além de projetos de investimento em portos, aeroportos, energia elétrica, gás e petróleo. Agora é esperar por empenho e trabalho, para que os objetivos propostos sejam atingidos. Sejamos, mais uma vez, otimistas.

Boas perspectivas também são esperadas por profissionais do setor cosmético, que fechou 2006 com ótimos resultados (leia Notícias da Abihpec). Em mais um Balanço Econômico, você confere as opiniões de empresários – acerca dos desafios e dos bons frutos colhidos em 2006 - e o que eles esperam para 2007.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries (Brasil) também aborda o uso da água na indústria de cosméticos, os produtos antiidade, além de shampoos e condicionadores.

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Validação de Sistemas de Purificação de Água - A. P. Nunes Peixoto, V. Sakai Pereira, P. Lopes, PhD e G. Alécio de Oliveira, PhD Farmácia Industrial da Univ. Anhembi-Morumbi, São Paulo SP, Brasil

O objetivo deste trabalho foi demonstrar, para indústrias cosméticas e farmácias magistrais, como validar sistema para obtenção de água purificada garantindo qualidade do produto para o consumidor final.

El objectivo dese trabajo fué demuestrar la validación de sistema para obtención de agua purificada, garantizando calidad para el producto terminado fabricado por industria de cosmeticos e farmacias galénica.

The objective of this paper was to demonstrate how to validate a water system to obtain purified water that could guarantee the quality of final products manufactured by cosmetic industries and compound pharmacies.

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Elastômero de Silicone em Pó para Mascarar Rugas e Realçar o Sensorial da Pele - Ingrid Vervier e Bénédicte Courel Dow Corning Europe, Seneffe, Bélgica

Os autores descrevem um elastômero de silicone em pó, revestido com sílica, que pode ser incorporado em produtos cosméticos para o cuidado da pele e cosméticos pigmentados, para mascarar rugas e introduzir propriedades de controle de sebo, bem como para criar novas texturas e características sensoriais.

Los autores discriben un elastomero de silicone en polvo revestido con sílica que pude ser incorporado en productos cosméticos para el cuidado de la piel y cosméticos pigmentados, para mascarar arrugas y introducir propiedades de control del sebo, asin como para crear nuevas texturas y características sensoriales.

The authors describe a sílica-coated silicone elastomer powder that can be incorporated into skin care and color cosmetic applications for wrinkle-masking and sebum control properties, as well as to create novel textures and sensorial characteristics.

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Cultivo de Fibroblastos Humanos com DMAE - Fabiana Bocci Giannoccaro, Alfredo Gragnani Filho, Lydia Masako Ferreira Laboratório de Cultura de Células da Pele, Cirurgia Plástica, EPM - Universidade Federal de São Paulo UNIFESP, São Paulo SP, Brasil

Os autores reportam estudo para avaliar a proliferação de fibroblastos humanos cultivado, através da adição de DMAE ao meio de cultura
Los autores reportan estudio para evaluar la proliferación de fibroblastos humanos cultivados, por medio de la adición de DMAE al medio de cultura
The authors report research for evaluating the cultured human fibroblasts proliferation by adding DMAE to culture media

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Polímeros para Shampoos-condicionadores - Robert Y. Lochheade Lisa R. Huisinga School of Polymers & High Performance Materials – University of Southern Mississippi, Hattiesburg, Miss, Estados Unidos

O mecanismo de deposição-diluição é o núcleo do moderno shampoo-condicionador. Aqui este está descrito juntamente com os novos desenvolvimentos em polímeros que realçam os benefícios e permitem condicionamento a partir de shampoos que não contêm um polímero catiônico.

El mecanismo de deposición-dilución es el núcleo del moderno champú-acondicionador. En este articulo, él esta descrito conjuntamente con los nuevos desarrollos en polímeros que acentúan los beneficios y permiten un acondicionamiento a partir de champúes que no contienen un polímero catiónico.

The dilution-deposition mechanism is the core of the modern conditioning shampoo. It is described here along with polymer inventions that enhance benefits and improve the clarity of conditioning shampoos, and enable conditioning from shampoos that do not contain cationic polymer.

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A vez da Qualidade por Friedrich Feuss e Maria Lia A. V. Cunha

Em Detrimento da Natureza

OS NASCIDOS APÓS 1950 VIRAM MAIS PESSOAS nascerem durante suas vidas que nos 4 milhões nascidos nos anos precedentes. Entre 1950 e 2000 a população mundial aumentou de 2,5 para 6,1 bilhões. É uma realidade que poucas pessoas se dão conta, pois nos falta a visão de conjunto.

Este crescimento absurdo nos faz perguntar até que ponto a natureza tem capacidade de absorver tal interferência. A taxa de crescimento é completamente diferente comparando países desenvolvidos e com os em desenvolvimento. Se em 1950 havia 0,8 bilhões de pessoas em países desenvolvidos e 1,7 bilhões de pessoas em países em desenvolvimento, estes números em 2001 passam a 1,3 e de 5,9 bilhões, ou seja,
crescimento muito maior para a população dos países em desenvolvimento.

As preocupações com o meio ambiente são muito recentes e muito mais concentradas nos países desenvolvidos. Tradicionalmente, esses países se preocupam mais com o equilíbrio global de meio ambiente e da segurança.

Esse crescimento logarítmico da população tem dizimado as riquezas da natureza. Na mesma proporção cresceu a economia, que também se desenvolve em ritmo galopante. A capacidade de produção do meio ambiente está chegando ao limite, pois desde 1950 o consumo de grãos triplicou, o consumo de frutos do mar quintuplicou, fazendo com que o limite sustentável da pesca já esteja atingido. O consumo de água, da carne e da lenha triplicou. O consumo de papel, a despeito dos computadores e dos registros eletrônicos, sextuplicou e o consumo de combustíveis fósseis quadruplicou.

A pergunta é onde chegaremos se as coisas continuarem dessa forma. O consumo de combustíveis fósseis, a geração de gás carbônico e a redução das florestas trazem o aumento das temperaturas. Temperaturas recordes dos últimos anos podem ter exterminado grande parte dos corais do Oceano Índico, que são a proteção da vida e a proteção das marés e tempestades. A Antártida, em cerca de uma década perdeu uns 10.000 quilômetros quadrados de cobertura de gelo, que aliada a outras perdas de gelo poderão aumentar significativamente o nível do mar.

A outra preocupação é com a água. A água não se perde, apenas muda de lugar. De toda a água existente na terra, 97% está nos mares. Dos 3% de água doce 99% estão em geleiras e em águas subterrâneas. O 1% restante, apenas a metade está disponível em rios e lagos. Da imensidão de água que conhecemos apenas parte ínfima está disponível para o uso humano, sem falar das águas poluídas e sem condição de uso. Muitos dos países superpopulosos já fazem uso nãosustentável da água. Se imaginarmos que para a produção de uma tonelada de grãos são necessárias mil toneladas de água começamos a nos preocupar com as conseqüências de sua falta. Algumas centenas de milhões de toneladas de grãos são produzidas com o uso não-sustentável da água. Costumamos dizer: “a natureza vai se vingar”. A cobertura de florestas continua diminuindo uns 20 milhões de hectares por ano e uma das conseqüências é a extinção de 10% a 20% das espécies de pássaros, animais e peixes. O excesso de áreas devastadas ou agrícolas e a falta de florestas ciliares nas margens dos rios fazem com que se percam dezenas de bilhões de toneladas de terras agriculturáveis no Brasil, correspondentes a uma Suíça por ano. Toda esta terra, rica em nutrientes, vai para os rios, onde provoca assoreamento e dificulta a navegação, como o vimos recentemente na seca em Manaus.

Em muitos países desenvolvidos já há algumas ações no sentido do controle da agressão ao meio ambiente. Porém, em outros países esta consciência ainda está muito longe e é exatamente lá que está o grande crescimento populacional. Nos países desenvolvidos a consciência já é no sentido de que “devemos fazer o que tiver de ser feito”, ao passo que nos países em desenvolvimento o grau de consciência ainda se situa no pensamento retrógrado: “o meio ambiente não é importante, o que importa é produzir”.

Enquanto esta mentalidade não for alterada, não haverá salvação para a terra e a pergunta final é a seguinte: como conscientizar toda uma população, que constantemente é bombardeada com propaganda de venda de produtos cada vez mais industrializados? É um trabalho que deveria ser iniciado nas escolas, mas é nos países em desenvolvimento que a qualidade e a freqüência nas escolas é a pior possível.

Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

O Caos Aéreo

MUITO PROVAVELMENTE A AVIAÇÃO CIVIL brasileira não guardará boas recordações dos últimos meses de 2006, período no qual este setor enfrentou literalmente o caos.

Este caos foi resultado de uma operação padrão de controladores de vôos em Brasília – categoria profissional que exerce atividade essencial e que, teoricamente, não permite paralisação - e que acabou afetando os principais aeroportos do país, como os de São Paulo e do Rio de Janeiro, somada à falta de habilidade por parte do governo em prever problemas iminentes e gerenciar crises.

Como conseqüência, diversos consumidores foram vítimas desta “crise aérea” e sofreram prejuízos de ordem moral e material.

Ao adquirir uma passagem aérea, o consumidor estabelece um contrato com a companhia área, no qual esta deve cumprir e garantir a qualidade do serviço oferecido e atingir a expectativa gerada a esse consumidor.

Sendo assim, qualquer prejuízo sofrido pelo consumidor em decorrência do descumprimento parcial ou total do serviço deve ser reparado por parte da empresa fornecedora.

Este caso específico da “crise aérea” ultrapassou os limites da relação de consumo, tornando-se caso de segurança nacional, já que a União não providenciou medidas efetivas para evitar o problema e, conseqüentemente, as companhias aéreas - ainda que estivessem preparadas para prestar o serviço - tiveram seus vôos impedidos pela Aeronáutica à qual os controladores de vôo (militares e civis) estão subordinados. Em decorrência desta crise e das situações vivenciadas por diversos consumidores, que sofreram prejuízos, algumas recomendações foram divulgadas pela Fundação Procon-SP, em casos de atraso ou cancelamento de vôo, e valem a pena serem destacadas:

De acordo com o artigo 741, do Código Civil: “Interrompendo- se a viagem por qualquer motivo alheio à vontade do transportador, ainda que em conseqüência de evento imprevisível, fica ele obrigado a concluir o transporte contratado em outro veículo da mesma categoria, ou, com a anuência do passageiro, por modalidade diferente, à sua custa, correndo também por sua conta as despesas de estada e alimentação do usuário, durante a espera de novo transporte.” Logo, as companhias aéreas têm a obrigação de dar plena assistência (alimentação, hospedagem, condução etc) aos passageiros, independentemente do tempo de atraso.

Nos casos de cancelamento de vôo, o Código Brasileiro de Aeronáutica, em seu artigo 229, estabelece que “O passageiro tem direito ao reembolso do valor já pago do bilhete se o transportador vier a cancelar a viagem”.

O art. 6º inciso III do Código de Defesa do Consumidor determina que é direito básico do consumidor receber informações “adequadas e claras sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem.” Assim, havendo qualquer situação de espera, o passageiro deve procurar imediatamente a companhia aérea para que preste informações sobre o vôo.

É fundamental guardar comprovantes que provem a espera. No próprio bilhete emitido no momento do check in consta o horário e data, mas, este apenas indica o horário em que o passageiro deve se apresentar no portão de embarque, que nos casos de atraso, não é o mesmo horário do embarque efetivo.

Nestes casos, dificilmente as empresas aéreas emitem um novo bilhete apontando o novo horário. As que emitem, recolhem o bilhete antigo. Por isso, é necessário ficar atento e produzir provas do atraso.

Sendo assim, após estar com o bilhete em mãos, é necessário que o passageiro tenha um documento com o tempo de sua permanência no aeroporto. Para tanto, recomenda- se guardar os tickets de compra em lanchonetes no aeroporto, recibo de táxis, estacionamento etc.

Felizmente, no fechamento desta coluna, a situação do setor aéreo já havia sido normalizada. Espera-se que este “caos” não se repita no Carnaval...

Antonio Celso da Silva
Embalagens por Antonio Celso da Silva

Embalagem na Perfumaria

NA MAIORIA DOS PRODUTOS COSMÉTICOS, a embalagem tem como função proteger, armazenar, transportar, facilitar o uso, informar etc.

Existe uma família de produtos na qual a embalagem precisa ser muito mais que isso, precisa traduzir sonho, emoção, personalidade, desejo, bem estar. É a família dos perfumes. Importado ou nacional, caro ou barato, forte ou fraco, masculino ou feminino, ninguém fica sem o agradável “cheirinho” dos perfumes.

Melhor ainda quando é fruto de presente. Quem presenteia, ou mesmo quem compra para si, busca antes de tudo algo que tenha ótima aparência. Por isso, a grande importância da embalagem nos produtos de perfumaria.

O perfume é um tipo de cosmético que na maioria das vezes, a embalagem, ou melhor, as embalagens têm custo maior do que o próprio líquido (produto).

O diferencial da qualidade e da apresentação se encontra no detalhe de cada um dos itens que compõem o conjunto da embalagem. Frasco, válvula, sobre-tampa, cartucho (caixinha), berço, protetor do frasco e lacre são os principais componentes de embalagem de um perfume.

Frasco - nele pode estar a grande diferença e o segundo motivo da compra (o primeiro é a fragrância) de um perfume.

Pode ser um frasco padrão de mercado (de uso comum a várias empresas) ou exclusivo, isto é, feito sob encomenda para determinada e única empresa.

Pode ser transparente, colorido, pintado ou foscado. A foscação, que deixa o frasco com aquela aparência de “geladinho”, pode ser feita por jateamento, ou por ataque de ácido. A diferença entre um e outro processo é uma foscação mais lisa ou mais áspera. De uma maneira ou de outra, a maior preocupação do fabricante de frascos nesse processo é evitar que a foscação ocorra na parte interna. Existem no Brasil muitas opções de frascos foscados, mas o mesmo não acontece com coloridos, pois os fabricantes só vendem grandes quantidades, que diferencia dos perfumes importados, nos quais o uso de frascos coloridos é muito comum.

Recurso usado pelas pequenas empresas – sem cacife para comprar grandes quantidades de frascos coloridos - é colorir o produto, cujo custo passa a ser infinitamente menor.

Cartucho - é a “caixinha” que acomoda o frasco. É também um forte apelo de compra. Pode ser de papel (cartão), plástico, fosco, metalizado etc.

A quantidade de cores impressas num cartucho não representa diferença muito grande de custo – é possível encomendar cartuchos em quantidades bem menores que os frascos coloridos.

Válvula - também conhecida como bomba, é componente fundamental para o uso de um perfume. Plástica, metalizada, incolor ou colorida, a válvula, além da importância funcional, é o complemento de beleza da embalagem de um perfume.

Sobre-tampa - metálica, plástica, em madeira ou Surlyn, é como se fosse a cabeça com um belo penteado num corpo bonito, representado pelo frasco.

Berço - componente quase despercebido pelo consumidor. É a embalagem que fica dentro do cartucho e com a função de proteger o frasco e evitando sua quebra no transporte. Pode ser de papel ou mesmo plástico.

Lacre – tem a função de garantir segurança, para que o consumidor não abra e experimente esse “objeto do desejo” dentro da loja. Para isso existem os frascos provadores, normalmente sem cartucho, berço e tampa.

Fita olfativa – embora não faça parte do conjunto da embalagem de um perfume, a fita olfativa também é considerada componente de embalagem. É a tira normalmente de papel (cartão) branco, necessariamente sem cheiro na qual o perfume é borrifado para o consumidor sentir a fragrância.

Com a fita, o perfume não é demonstrado no braço ou no corpo do consumidor. Por essa descrição e diversidade de cada um dos itens da embalagem de um perfume, pode-se entender a grande variedade de preços desses produtos no mercado, além de compreender a missão de cada um desses itens num produto que é o sonho de consumo, principalmente, entre as mulheres.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

O Desempenho Econômico versus o Social

O CRESCIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO continua anêmico, mas há uma parcela da população para a qual a renda cresceu a taxas muito superiores às da economia. Ao contrário dos anos 70 e até 80, quando o Brasil crescia ou se estagnava concentrando riqueza, os anos 2000 inauguraram um período de crescimento que vamos chamar aqui de “pró-pobres”.

Entre 2001 e 2004, a renda dos mais pobres cresceu a ritmo muito superior ao da renda per capita nacional, tendência que se repetiu em 2005 e, provavelmente, nos próximos anos do atual governo, conforme aponta os dados do IBGE.

Os números apontam que, apesar da economia claudicante, a população de baixa renda se saiu melhor em relação ao todo. Entre 2001 e 2004 a taxa de crescimento da renda per capita “pró-pobre” (os de baixa renda), foi em média de 3,1% a.a. contra uma queda na renda per capita geral de 1,35% a.a.

Um exemplo que corrobora com o mencionado acima pode ser visto no mercado de telefonia celular. Apenas em 2004 foram vendidos cerca de 25 milhões de aparelhos, sendo 14 milhões para novos usuários.

A contradição entre o desempenho ruim do ponto de vista econômico e o bom desempenho do ponto de vista social é perfeitamente explicado pelo constante destino de verbas do governo aos programas sociais implantado (“Fome Zero”, “Bolsa Escola”...), que de uma maneira ou outra aumentam a renda dos mais pobres. Ponto para o governo, pois isso indica que os gastos sociais têm sido importantes para a redução das desigualdades.

Essa realidade nos mostra a queda na desigualdade de renda brasileira, já que o abismo que os separa dos mais ricos foi reduzido, porém ainda um abismo quando olhamos aspectos como a inclusão digital, o acesso ao saneamento básico, o sistema de saúde e ensino e outros fatores de seguridade social. Em 2005 a renda dos mais pobres cresceu 8,5% contra 6% da renda média, e a previsão para o biênio 2006/2007 é que continuemos experimentando melhor distribuição de renda entre as classes sociais.

No entanto vale lembrar que a economia ainda reflete a velha máxima “o bolo precisa crescer para ser dividido” (Delfim Netto). É fato que a tendência de uma economia crescente tende a uma concentração de renda, a menos que o Estado aja de maneira a torná-lo mais justo. Vale lembrar que o Estado no Brasil é muito mais representado pelo governo do que do povo, pois a participação deste último na discussão dos assuntos macroeconômicos é simplesmente nula.

Acredito também que diminuir a diferença na renda per capita apenas crescendo o poder de consumo das classes mais pobres não seja a única saída para a solução do problema. Há necessidade do aumento de renda das classes mais ricas para que a geração de emprego esteja assegurada a fim de garantir o giro de capital, pois do contrário teremos uma involução social. A promessa nesse sentido são o PAC e a redução dos juros.

Como isso reflete no mercado cosmético? No Brasil sempre que há mais dinheiro em mãos há mais expectativa de consumo, diferente da cultura nipônica, que procura poupar. Sendo assim, a perspectiva do setor é de um consumo maior nesse segmento. O crescimento de 12,3% no ano passado (faturamento ex-works, ainda estimativa) em relação a 2005 é animador. O segmento tem a característica de movimentar uma grande força de trabalho feminina, principalmente no social que vem experimentando ganho na renda per capita.

Produtos voltados para essa classe tenderão a ser o foco dos lançamentos, principalmente os itens com apelos de manutenção do bem-estar. Acredito numa enxurrada de propaganda sinalizando a elitização de alguns produtos, com o intuito de fomentar o mercado, uma vez que os produtos cosméticos se prestam a mais do que apenas embelezar ou tratar, mas também a posicionar as pessoas na sociedade.

A participação da mulher no mercado de trabalho continuará alimentando dois grandes nichos: o de maquiagem e o infantil. Empresas fortes nestes segmentos deverão continuar disputando a atenção das consumidoras com produtos que mostrem brilho, hidratação, corretivos faciais, enquanto para as crianças a suavidade e segurança deverão ser as palavras de ordem.

Sem dúvida será um ano promissor em termos de taxa de crescimento.

Notícias da Abihpec por João Carlos Basílio da Silva

Conquistamos a Medalha de Bronze em 2006

COM COPA DO MUNDO E ELEIÇÕES, A SENSAÇÃO é de que o ano passado foi mais curto. Mesmo assim, nosso setor encerrou 2006 cheio de motivos para comemorar: as projeções apontam para o faturamento de R$ 17,3 bilhões no ano, 12,3% maior do que em 2005, e cerca de 1,4 milhão de tonelada vendida, o que representa aumento de volume produzido de 7,6%.

Para dar conta dessa produção é preciso gente e, de acordo com dados fornecidos por empresas do setor, que representam cerca de 60% do mercado, em 2006, os postos de trabalho diretos cresceram 5,8%, índice superior ao crescimento do emprego na economia. A indústria da beleza é um dos setores que mais usa mão-de-obra feminina e as oportunidades de trabalho se aproximam da casa dos três milhões.

Sob o guarda-chuva da Abihpec, o setor tem se organizado cada vez mais, pois saber quantos somos, o que representamos e o quanto faturamos torna mais fácil discutir com as autoridades governamentais nossas reivindicações. Tenho convicção de que essa organização é a base para o crescimento significativo que vivemos há 11 anos. Hoje existem no Brasil 1.415 empresas atuando no setor, sendo que 15 são de grande porte, com faturamento líquido de impostos acima dos R$ 100 milhões.

Nas exportações, mesmo com o câmbio desfavorável, nossos produtos chegaram a 132 países, e essas vendas apontam aumento de 20% em relação a 2005, aproximando- se dos US$ 500 milhões. Ou seja, em três anos, dobramos o valor das vendas externas. Em 2006, o crescimento das exportações superou a média internacional, o que indica que aumentamos nossa participação no mercado mundial. As importações, também em alta, devem crescer 35%, chegando a US$ 285,4 milhões.

Em 2005, o Brasil consumiu cerca de US$ 13,8 bilhões (preço ao consumidor) em produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, segundo dados do instituto de pesquisa Euromonitor. Com isso, conquistamos o quarto lugar no pódio mundial e desbancamos mercados tradicionais, como Alemanha e Inglaterra. Como mantivemos o ritmo de crescimento, não será surpresa figurar no terceiro lugar do ranking, superando a França.

Vários fatores têm contribuído para esse excelente desempenho e, entre eles, podemos destacar a participação crescente da mulher no mercado de trabalho; o uso de tecnologia de ponta e o conseqüente aumento da produtividade, o que favorece os preços praticados pelo setor; lançamentos constantes, atendendo cada vez mais às necessidades do mercado e o aumento da expectativa de vida do brasileiro, que cria a necessidade de conservar uma impressão de juventude.

Entre projetos e conquistas do ano passado, podemos citar o Itehpec, um instituto tecnológico criado para aproximar a indústria de universidades e centros de pesquisas, a fim de estimular a inovação e aumentar a competitividade das empresas.

Para aprimorar nossa cadeia produtiva, firmamos parceria com Sebrae e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) a fim de oferecer suporte técnico e administrativo às micro e pequenas empresas do setor. Com esse mesmo objetivo, lançamos o prêmio de qualificação Abihpec/Innova Quality, em parceria com a Fundação Vanzolini. Em outubro, entregamos certificados de qualidade a 12 empresas fornecedoras do setor, que foram avaliadas por seus clientes.

Também ganhamos o prêmio Destaque Ambiental, oferecido pela Câmara Brasil-México pelo projetopiloto de coleta pós-consumo, “Dê a Mão para o Futuro”, implantado em quatro cidades de Santa Catarina.

Ao fazer o balanço, 2006 foi um ano ótimo. Esperamos que 2007 seja muito melhor (vamos trabalhar por isso).

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Envelhecimento Cutâneo e Filtros Solares

A PELE É O ÚNICO ÓRGÃO DO CORPO HUMANO com dois tipos de envelhecimentos: o cronológico (ou intrínseco) e o fotoenvelhecimento.

O primeiro é regido pelo relógio biológico, havendo mudanças genéticas, químicas e hormonais, e o segundo é causado pela exposição cumulativa à radiação solar.

O fotoenvelhecimento causa agressões mais intensas à pele, pela diferença das áreas cobertas e não cobertas da cutis.

Diferenças marcantes entre o envelhecimento intrínseco e o fotoenvelhecimento são coerentes com as alterações bioquímicas e moleculares. No envelhecimento pela idade, a textura da pele é lisa, homogênea e suave, com atrofia da epiderme e derme, menor número de manchas e discreta formação de rugas. No fotoenvelhecimento, a superfície da cútis é áspera, nodular, espessada, com inúmeras manchas e rugas profundas bem demarcadas.

Histologicamente, atrofia e retificação da epiderme no envelhecimento cronológico são constatadas com a acantose da pele actínica. Os queratinócitos são normais na primeira e displásicos na pele fotoexposta. Os melanócitos vão diminuindo conforme a idade, mas aumentam em número e distribuem irregularmente o pigmento na pele lesada pela UV. A pele envelhecida tem menor quantidade de elastina e colágeno e vascularização normal. As fibras de colágeno têm maior desorganização e as elásticas se transformam em massas amorfas (elastose), enquanto os vasos têm paredes duplicadas e infiltrado linfohistiocitário ao seu redor, caracterizando a heliodermatite.

As radiações UVA e UVB causam danos progressivos às várias estruturas da pele como: queratinócitos, melanócítos, vasos, fibras, glândulas entre outras. São responsáveis por cerca de 80–90% do envelhecimento observado na pele. A agressão crônica e progressiva vai acumulando até se tornar perceptível em forma manchas, rugas, flacidez e também cânceres de pele.

A proteção solar constitui importante medida para prevenir e tratar o envelhecimento cutâneo. Substâncias com ação de filtro solar, utilizados como ingredientes em produtos cosméticos, protegem a pele dos danos agudos como a queimadura, assim como dos crônicos como envelhecimento e cânceres de pele.

Há controvérsias a respeito do mecanismo de absorção das substâncias químicas dos filtros solares pela pele. Recentemente circularam pela imprensa e internet informações “terroristas” sobre a absorção de ativos do protetor solar.

Essas notícias afirmavam que filtros com proteção maior que 30 ao serem absorvidos produziam efeitos estrogênicos em mulheres como: endometriose, cisto uterino, doença fibrocística nos seios, predisposição ao câncer uterino, dor de cabeça, tensão pré-menstrual, alterações no ciclo menstrual.

Já no caso dos homens poderia ocorrer a diminuição na quantidade de esperma, feminilização, desenvolvimento dos seios, tamanho de pênis menor que o normal, maior incidência de câncer testicular, bloqueio ou redução de características do comportamento masculino no cérebro fetal.

Tais notícias e informações foram acompanhadas pela propaganda de novo princípio ativo para impedir a absorção química dos ativos existentes nos filtros solares.

Imediatamente, a comunidade científica se mobilizou e órgãos como o comitê cientifico para cosméticos e produtos alimentares do FDA (Food and Drug Administration), dos Estados Unidos, se posicionou contra essas informações sensacionalistas.

A comissão analisou detalhadamente os estudos, encontrando problemas metodológicos básicos e emitiu parecer formal concluindo esses ativos isentos de efeitos estrogênicos com potencial de afetar a saúde humana.

As metodologias utilizadas para a análise de produtos devem ser padronizadas para evitar conclusões informações falsas ou sensacionalistas.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Práticas por Carlos Alberto Trevisan

Água e as BPFeC

É DE AMPLO CONHECIMENTO QUE DE TODAS AS matérias-primas utilizadas na indústria cosmética, a água é a mais importante. É a mais importante não somente por sua participação majoritária em todas as composições, mas principalmente porque é a única sobre a qual a indústria atua para adequá-la a necessidades específicas. Muito se escreve e se publica sobre a facilidade com que a matéria-prima água está sujeita a riscos de contaminação e, conseqüentemente, destes riscos serem transferidos para os produtos e processos nos quais é utilizada. Mas raramente se discute a importância efetiva dos cuidados com a água desde o início do projeto da indústria.

As dificuldades surgem já na escolha do local para a localização física da planta, pois muitas vezes não são levados em conta parâmetros de sazonalidade, períodos de estiagem, uso do solo anteriormente à localização da planta etc.

Outro parâmetro não considerado é o volume a ser consumido na totalidade considerando-se: reserva técnica, consumo humano, consumo industrial, requisitos de higiene e limpeza e, finalmente, a quantidade de água efetivamente a ser incorporada ao produto. Outra importante consideração é referente ao processo de adequação da água obtida às especificações das formulações.

Os inúmeros processos disponíveis para adequação da água, muitas vezes confundem os menos experientes, pelo impacto técnico e econômico que a escolha do processo acarreta.

Complementando essas considerações iniciais, note que é de crucial importância conhecer previamente o consumo estimado de água nos anos seguintes, pois a empresa com certeza expandirá o seu volume de produção e o consumo de água irá crescer na mesma proporção.

Feitas essas considerações gostaria de focar pontos que na maioria dos casos são negligenciados no projeto da planta e impactam significativamente o processo de obtenção e tratamento da água.

O primeiro a ser considerado é o local e a forma da captação, pois dependendo da localização e da origem, exemplo água de poço artesiano: a retirada de amostra e a segregação antes da incorporação ao estoque de água bruta exigem equipamentos e espaço.

Partindo deste ponto de vista, a localização da instalação de tratamento tem importância fundamental na preservação da qualidade da água.

Muitas empresas investem capital em instalações de tratamento sofisticadas, porém localizam as instalações em área que não atende aos requisitos de segurança tanto com operação e instalações quanto com transporte e armazenagem da água.

Desnecessário ressaltar que a qualidade e as características do material empregado, como tubulações, devem sempre possibilitar a limpeza e sanitização constantes - o mesmo se aplica às bombas e aos demais equipamentos do sistema de tratamento.

A localização deve possibilitar que tanto a operação do sistema de tratamento, incluindo a armazenagem da água, quanto às operações de limpeza, sanitização e manutenção sejam realizadas com a maior segurança quanto à contaminação.

O local deve ser segregado das demais áreas e sempre que possível protegido contra o acúmulo de pó, especialmente aquelas localizadas em ambiente sobre forros e coberturas, por necessidade de aproveitar os efeitos da gravidade no abastecimento da linha.

As aberturas do sistema para o ambiente, como entrada de soluções de regeneração, devem ser preservadas para evitar que permaneçam abertas após a sua utilização por esquecimento ou inabilidade do manipulador.

Para concluir: nenhuma água é melhor que a qualidade da instalação de tratamento na qual foi produzida.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Toxicologia e P&D de Ingredientes Cosméticos

MICHAEL A. GALO, EM TOXICOLOGY: THE basic science of poisons – 2nd edition 1980, conceituou toxicologia como o estudo de efeitos adversos/ toxicidade ocasionados por substâncias químicas em organismos vivos. Apresentada de forma bastante simples, a toxicologia vem recebendo contribuições para o desenvolvimento de testes de toxicidade, na elucidação de mecanismos de ação pelos quais as substâncias químicas exercem seus efeitos e na proposição de atos regulatórios para o atendimento de órgãos institucionais. A bem da verdade, conceitos e mais conceitos são apresentados, sem medo de exagero, diariamente.

Como os efeitos adversos/toxicidade acontecem? Imaginemos um triângulo, com lados extremamente flexíveis, no qual cada um dos vértices assume características próprias, respectivamente, o agente químico, o sistema biológico e o meio pelo qual se interagem, resultando num sistema integrado e dinâmico, cuja manifestação, através de sinais e sintomas, representa a toxicidade/reação adversa do agente químico que, independentemente da finalidade, deve ser rigorosamente avaliada.

Estudos de reatividade química (SAR), apresentados por volta dos anos 30 permitiram a Hammett, em 1960, a sua aplicação à toxicologia utilizando-se combinação de algoritmos, incorporando-se dados relativos aos aspectos físicos das estruturas moleculares, à solubilidade, às características das membranas biológicas e à reatividade química (QSAR)

Além da busca incessante de novas moléculas ainda mantém-se praticamente intocável (não se trata de preciosismo verbal) do outro lado da bancada da investigação científica, a rica flora brasileira, ainda muito pouco explorada pela comunidade científica e pelo setor produtivo.

Recente publicação destacou os estudos já realizados com 70 espécies botânicas empregadas na produção de produtos cosméticos, outra se referiu às espécies potencialmente perigosas. Mas a complexidade dos extratos e os bons resultados já conseguidos no desenvolvimento de novos produtos cosméticos têm motivado a comunidade científica e o setor produtivo, embora tênues, no desdobramento do conhecimento físico-químico dos mesmos, especialmente hoje quando os recursos analíticos disponíveis são altamente versáteis, permitindo análise qualitativa e quantitativa com precisão e alta sensibilidade. Mesmo com os recursos disponíveis, prontos para a avaliação de segurança, o crescimento do uso de extratos botânicos tem evidenciado aumento de registro de incidências de reações adversas/toxicidade.

Em face de tantas implicações toxicológicas, certamente adicionadas àquelas que virão ao longo do processo de desenvolvimento, o setor de pesquisa e desenvolvimento não deve, de forma alguma, postergar a avaliação toxicológica à etapa conclusiva, fato já destacado por Salminen WF (Int J of Cosm Scien 24:217-224, 2002), mas buscar informações através da literatura especializada, banco de dados, órgãos de regulamentação e, paralelamente, trabalhar com módulos toxicológicos previamente delineados a saber: ensaios pré-clinicos básicos: toxicidade oral, toxicidade dérmica, irritação cutânea primária, irritação ocular, sensibilização e mutagênese.

O recente trabalho “How Cosmetic Science can Contribute to the Improvement of Society” publicado na International Federation of Societies of Cosmetic Chemist Magazine 9(4), 2006 pode, também, se constituir como pilastra de sustentação para o desenvolvimento da toxicologia aplicada a cosméticos, de forma integrada, de caráter multiprofissional e disciplinar, reunindo na mesma sala de trabalho pesquisadores e setor produtivo. Certamente, ao lado dos intrincados mecanismos já conhecidos, não se pode deixar de lado uma análise crítica dos resultados divulgados em recentes publicações, as quais discutiram os aspectos psico-farmacológicos dos cosméticos, conceitos em cosmetologia molecular, influência dos cosméticos no estado emocional, sistemas autônomos e endocrinológicos, além daqueles envolvidos em reações auto-imunes.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Proteção contra o Envelhecimento Capilar

COM A IDADE, OCORRE DIMINUIÇÃO DAS camadas de células da cutícula que enfraquece, se torna frágil e perde o brilho

O processo de envelhecimento ainda não está totalmente esclarecido. Especula-se que a teoria mais provável seja aquela na qual o telômero (parte terminal do cromossomo) vai se encurtando, fazendo com que as células-filhas fiquem diferentes das células-mães.

Com os cabelos o que ocorre é que estes vão se tornando mais frágeis, pois a queratina, a proteína que dá a dureza aos cabelos, perde as qualidades com a ação do tempo, do sol e das agressões dos produtos químicos aplicados durante toda a vida.

A quantidade de fios também diminui. Ao nascer temos aproximadamente 600 fios por cm2 e se chegarmos aos 80 anos teremos aproximadamente 300 fios apenas na mesma área!

Este é um processo natural do envelhecimento.

Outra dádiva do envelhecimento são os fios brancos. Aparecem quando ocorre a apoptose (morte celular programada) do melanócito, levando o cabelo a deixar de produzir melanina, proteína que dá cor - esse pigmento é substituído pelo ar. No início, o fio branco fica mais grosso (por causa do ar). No entanto, como são mais frágeis e quebradiços, após a saída do ar, os cabelos brancos ficam mais finos que os coloridos.

A textura do fio também se altera. Fica mais áspera especialmente por causa da perda da proteína. Como brilho é devido ao reflexo da luz, a limpeza do fio e a qualidade da haste dos cabelos podem alterar essa propriedade.

A cutícula, parte mais externa dos cabelos, é formada por até oito camadas de células quando se é jovem. À medida que envelhecemos estas camadas diminuem, tornando a cutícula mais frágil. Cutícula não íntegra tem como conseqüência a falta de brilho.

Portando pode-se concluir que os cabelos realmente envelhecem e um tratamento pode retardar esse processo. E aí os shampoos e condicionadores têm papel relevante.

Considerando que a função do shampoo é essencialmente limpar os fios e o couro cabeludo, acrescentando ativos adequados é possível prevenir o envelhecimento e minimizar os danos causados ao longo do tempo, devido a escovação, tratamentos etc.

Para evitar a deterioração causada pelo sol, especialmente em países tropicais como o Brasil, a adição de um filtro solar (quaternizado) à formulação do shampoo e do condicionador é uma boa medida.

Ativos que tenham a função de recuperar a cutícula, como os silicones e derivados, podem ser adicionados aos condicionadores do tipo sem enxágüe e, nanoqueratina ou queratina vegetal (polímeros) nos produtos para recuperação de danos mecânicos.

Estimulantes da produção natural da queratina e estimulantes da velocidade de crescimento dos cabelos também podem ser acrescidos às fórmulas dos produtos de limpeza.

Pigmentos adicionados aos shampoos (tonalizantes) - que lavam colorindo - têm a função de neutralizar o efeito deletério da canície, mas infelizmente não se tem notícia de nenhum ativo capaz de reverter o processo de embranquecimento dos fios.

É claro que não devemos esquecer os tratamentos coadjuvantes para recuperar os fios danificados que transcendem aos shampoos e aos condicionadores: são os banhos de óleo, as hidratações e as cauterizações com os mais diversos produtos, todos com a perspectiva de devolver aos cabelos sua estrutura sadia e a aparência jovem.






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