Microbioma Cutneo

Edicao Atual - Microbioma Cutneo

Editorial

Sobre encantar o consumidor

Em tempos de imediatismo e velocidade em todos os tipos de relacionamento, consumidores anseiam por respostas cada vez mais rápidas e assertivas. Grande parte das mudanças observados no perfil do consumidor nos últimos anos foi impulsionada pelo uso de novas tecnologias. Nesse contexto, ganha força o conceito de experiência de compra.

As companhias brasileiras perderam, apenas em 2017, cerca de R$ 400 bilhões com o mau atendimento, ou a falta de ofertas adequadas às necessidades dos consumidores. Os dados são da pesquisa Global Consumer Pulse, feita pela Accenture Strategy. O estudo também mostrou que 65% dos consumidores se dizem frustrados quando as empresas deixam de entregar experiências de compras relevantes e personalizadas e que, por isso, 47% deles acabam optando por um concorrente. O estudo ouviu 25 mil consumidores no mundo todo – 1300 no Brasil.

A jornada para encantar o consumidor passa por ações de personalização, conectividade, interações sensoriais e outras ferramentas que ajudam a aprimorar experiências em lojas físicas e on-line. Além de inovações tecnológicas, o escopo de ações das marcas para falar de perto com os consumidores também inclui as parcerias com influenciadores digitais.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil traz, na seção Enfoque, um panorama sobre a aproximação entre marcas e blogueiras. A espontaneidade e a capacidade de atrair seguidores fez dessas formadoras de opinião um valioso meio de divulgação para as marcas, que investem em diversos modelos de parceria. Em Persona, apresentamos a trajetória de Maria Luiza Arruda Mortara Batistic, a Bilu.

Os artigos técnicos destacam o microbioma cutâneo e a importância de seu equilíbrio para a saúde da pele. Uma nova abordagem às tinturas capilares é também apresentada, agora com a classificação desses produtos, baseada no mecanismo de ação e nos ingredientes utilizados. Nesta edição iniciamos a publicação dos abstracts dos pôsteres apresentados ao 31º. Congresso de Brasileiro de Cosmetologia realizado em São Paulo, no mês de maio. Todos os abstracts estarão publicados até a última edição deste ano.

Hamilton dos Santos
Publisher

 

O Movimento do Microbioma - Travis Whitfi ll (Azitra Inc., Farmington, CT, e Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, New Haven, CT, EUA)

Vários fatores determinam a forma do microbioma cutâneo de um indivíduo, com efeitos importantes na aparência e na saúde da pele. Este artigo descreve esses fatores, além das possibilidades para o desenvolvimento de produtos cosméticos, considerando o tipo do microbioma.

Varios factores determinan la forma del microbioma cutáneo de un individuo, con efectos importantes en la apariencia y la salud de la piel. Este artículo describe estos factores, además de las posibilidades para el desarrollo de productos cosméticos, considerando el tipo del microbioma.

Various factors shape an individual´s skin microbiome, which has key effects on skin appearance and health. These are described herein, as is the potential to develop products in consideration of the microbiome.

Comprar

Tinturas Capilares: Classificação e Características - Carlos Pasta, Verónica Celdrán (Tecnocosmetics, Buenos Aires, Argentina)

O objetivo deste artigo é estabelecer uma classificação dos diversos tipos de tintura capilar, descrevendo o perfil dos produtos, seu mecanismo de ação para a formação da cor, seus componentes habituais e os resultados obtidos com sua aplicação.

El objetivo del presente artículo es establecer una clasificación de los distintos tipos de tinturas capilares, describiendo el perfil del producto, el mecanismo de acción para la formación del color, los componentes habituales y los resultados obtenidos por su aplicación.

The objective of this article is to establish a classification of the different types of hair dye, describing the product profile, the mechanism of action for color formation, the usual components and the results obtained by its application.

Comprar

Como o cabelo é danificado? Parte 2 - Trefor A. Evens, PhD (TRI Princeton, Princeton, NJ, EUA)

Este é o segundo de uma série de três artigos sobre danos nos cabelos. Esta parte explica a estrutura do córtex interno dos cabelos, que não é facilmente visível, além dos vários testes mecânicos que podem gerar diferentes conclusões. Nela, também são descritos testes que podem mostrar alterações na estrutura do córtex interno e o impacto dessas mudanças nas propriedades mecânicas dos cabelos, como tensão, rigidez etc.

Este artículo es el segundo de una serie sobre el daño del cabello. Explica que la estructura interna de la corteza del cabello no es fácilmente visible, y que varias pruebas mecánicas pueden llevar a conclusiones diferentes. Aquí se describen pruebas que pueden mostrar cambios en la estructura de la corteza interna y su impacto en las propiedades mecánicas del cabello, como la fuerza, la rigidez, etc.

This article is the second of a series on hair damage. It explains the internal cortex structure of the hair is not easily visible, and that various mechanical tests can yield different conclusions. Here, tests are described that can show changes to the internal cortex structure and their impact on hair´s mechanical properties such as strength, stiffness, etc.

Comprar

Equilíbrio da Microbiota para Benefício da Pele - Stefan Hettwer, Emina Besic Gyenge, Brigit Suter, Sandra Breitenbach, Barbara Obermayer (Rahn AG, Zurique, Suíça)

A microbiota é uma parte importante da pele. O sebo, os corneócitos e o suor modulam a população dos microrganismos presentes na pele. Aqui, é apresentado um novo ingrediente ativo contendo bioflavonoides derivados de Maclura cochinchinensis, capaz de reequilibrar a microbiota danificada e de reduzir manchas da pele oleosa e propensa à acne.

La microbiota es una parte importante de la piel. El sebo, los corneócitos y el sudor modulan la población de los microorganismos presentes en la piel. Aquí se presenta un nuevo ingrediente activo que contiene biofl avonoides derivados de Maclura cochinchinensis, capaz de reequilibrar la microbiota dañada y reducir las manchas de la piel grasa, y propensa al acné.

The microbiota is an important part of the skin. Sebum, corneocytes and sweat modulate the population of the microorganisms present in the skin. Here is a new active ingredient containing biofl avonoids derived of Maclura cochinchinensis, which is able to rebalance the damaged microbiota and reduce oily, acne-prone skin spots.

Comprar

Géis Cosméticos - Luciana Amiralian, Claudia Regina Fernandes (Phisalia Produtos de Beleza Ltda., Osasco SP, Brasil)

Neste artigo serão abordados: características do produto, definição, mecanismo de atuação, formulação e função de ingredientes, assim como processo de fabricação de géis cosméticos.

En este artículo se abordarán características de producto, definición, mecanismo de actuación, formulación y función de ingredientes, así como proceso de fabricación de geles cosméticos.

In this article will be approached product characteristics, definition, mechanism of action, formulation and function of ingredients, as well as manufacturing process of cosmetic gels.

Comprar
Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

A cara da violncia

Assim reza a Constituio Federal da Repblica do Brasil, art.5: Todos so iguais perante a lei, sem distino de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pas a inviolabilidade do direito vida, liberdade, igualdade, segurana e propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres so iguais em direitos e obrigaes, .... No entanto, parece que a sociedade, como instituio, na qualidade de um ser inanimado, desconhece esta premissa. Quando o assunto violncia parece que somos bem desiguais em gnero, raa, idade, classe social, regio e em outras dimenses de acordo com os dados do ltimo Atlas da Violncia publicado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada).

Mundialmente somos desiguais. Em 2016 foram aproximadamente 62,5 mil homicdios cometidos em solo nacional. Em outros termos o mesmo que dizer que h uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes. Esta taxa representa 30 vezes a taxa europeia. Nos ltimos dez anos mais de meio milho de pessoas perderam a vida no Brasil. Analisando o assunto por diferentes fontes de dados (ONU, OMS ou FMI as quais possuem critrios de classificao diferentes) o Brasil sempre se destaca com dados acima da mdia mundial, ombreando na Amrica do Sul com a Colmbia pas com srios problemas de insurreies civis causadas pela FARC. De acordo com o estudo da OMS (Organizao Mundial de Sade), em 2013, a taxa mundial era de 7,9 homicdios por 100 mil habitantes, enquanto a do Brasil registrava 28,6. A situao nos leva a perguntar se a desigualdade de renda se correlaciona positivamente com o aumento do nmero de homicdios (o Brasil o pas de maior desigualdade nesta dimenso econmica).

Somos desiguais internamente tambm. As regies Norte e Nordeste foram as que apresentaram as maiores taxas de homicdios. Todos os estados com taxas acima de 50 homicdios por 100 mil habitantes se encontram nestas regies, tendo Sergipe a maior taxa: 64,7. So Paulo e Santa Catarina so os que apresentaram as menores taxas de homicdios (10,9 e 14,2). Outro fator interessante a se observar para onde apontam os nmeros, os quais confirmam a tendncia de desigualdade entre os Estados. Apesar da taxa de homicdio nacional indicar um aumento, no perodo de 2006/2016 a regio Sudeste apresentou uma diminuio, enquanto as regies Norte e Nordeste contriburam para o aumento da mesma. Esta correlao espelha tambm a desigualdade do PIB por regio. As regies Norte e Nordeste so as de menor gerao de PIB do pas.

Quem so as vtimas? Em 2016 do total de homicdios cometidos 53,7% esto na faixa de 15 a 29 anos, e apresentam uma taxa duas vezes maior que a taxa nacional: 65,5 homicdios de jovens por 100 mil habitantes, considerando a populao na mesma faixa etria, ou seja, 33.590 mil pessoas, que poderiam ter sido mdicos, advogados, professores, cientistas, atletas, escritores, consumidores, contribuintes da providncia, saram do cenrio econmico abruptamente. A maior parte destes jovens vtimas est nos Estados das regies Norte e Nordeste. Destaque positivo para So Paulo e Santa Catarina que apresentam as menores taxas (19,0 e 27,2) de mortalidade juvenil. Estratificando esta populao jovem por gnero o nmero de vtimas do sexo masculino alarmante: 122,5 homicdios por 100 mil habitantes (94,6% do total de jovens) se perderam em brigas envolvendo armas de fogo e acidentes de carro. Curiosamente esta a fatia mais representativa dos desempregados.

A violncia tem cor. A faceta mais drstica da desigualdade da violncia evidente quando se leva em conta a dimenso raa/cor. H uma forte concentrao de homicdios na populao negra. como se, em relao violncia, negros e no negros vivessem em pases completamente distintos. Em 2016, por exemplo, a taxa de homicdios de negros foi duas vezes e meia superior a de no negros (16% contra 40,2%). Em uma dcada, entre 2006/2016, a taxa de homicdios de negros cresceu 23,1%, enquanto a taxa entre os no negros teve uma reduo de 6,8%.

A violncia tem cara: masculina, jovem, negra e habita as regies Norte e Nordeste. Triste gerao perdida.

Outras desigualdades neste estudo foram avaliadas, mas o pior de tudo que ainda no se v a curto/mdio prazo nenhuma poltica pblica voltada para a reduo desta triste realidade. A violncia continuar ceifando vidas apesar dos fortes e emocionados apelos de familiares nos telejornais perguntando At quando?. A realidade que as poucas aes de um poder de polcia incomunicvel entre a esfera nacional, estadual e municipal, aliado a uma alta taxa de desemprego, alm da falncia moral de instituies bsicas como famlia, escola e igreja nos deixam pouca esperana na mudana deste quadro.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Produtos infantis dispensados de registro

Em reunio da diretoria colegiada da Anvisa, realizada na primeira semana de julho, foi aprovada a simplificao da regularizao dos produtos infantis. Essa simplificao ser feita por meio da reclassificao dessa categoria de produtos quanto conduo do processo administrativo vigente e regulado pela RDC n 7, de 10/2/15.

Sem dvida, a deciso, conduzida pelo ento diretor-presidente da Anvisa, dr. Jarbas Barbosa, em um dos seus ltimos atos antes de sua sada do cargo, decorrente do trmino de sua gesto frente desse rgo regulador, atende aos anseios do setor, representado pela Abihpec. Os novos procedimentos referentes a essa deciso que foram aprovados, aproximam nossa regulao de produtos infantis das regulaes internacionais de referncia, dos Estados Unidos e da Unio Europeia.

A deciso dever ser formalizada em breve com a publicao das alteraes a serem realizadas na RDC n 7/15. Pela nova regulao, os produtos infantis estaro isentos de registro, da mesma forma que j ocorre com a maioria dos produtos de HPPC, com exceo dos produtos alisantes de cabelos, dos protetores solares, dos repelentes de insetos e dos gis antisspticos para as mos.

Para os protetores solares para uso infantil e para os repelentes de insetos ser mantido o requerimento de registro prvio.

A RDC n 15/15, que estabelece os requerimentos tcnicos para os produtos infantis, no ter alterao. A alterao ser apenas para adequ-la ao texto nova condio.

Com a mudana na RDC n 7/15, o sistema de peticionamento dever ser igualmente alterado, ou seja, essa categoria de produto passar a ser peticionada no sistema SGAS (Sistema de Automao de Registro de Produtos de Higiene Pessoal, Cosmticos e Perfumes), que j contempla os demais produtos de Grau 1 e 2, classificados como isentos de registro.

Isso indica que, obrigatoriamente, os produtos infantis j existentes devero ser recadastrados sem custo e que, para os novos peticionamentos, o custo de regularizao ser inferior ao praticado atualmente.

Ressalto ao leitor que, a exemplo dos produtos de Grau 2 isentos de registro, no sero cobradas taxas referentes s alteraes dos produtos infantis. Dessa forma, o monitoramento do mercado ter grande importncia para o controle sanitrio dos produtos de HPPC, o que desejado por todos. Prova disso que o dr. Willian Dib, responsvel pela Diretoria de Controle e Monitoramento Sanitrios (Dimon) e pela Gerncia-Geral de Inspeo e Fiscalizao Sanitria (GGFIS), se comprometeu a acompanhar o monitoramento de mercado no decorrer de um ano e a apresentar os resultados, de forma a comprovar a segurana dos produtos infantis como produtos de baixo risco, como o em sua atual forma de regularizao.

O monitoramento dos produtos colocados no mercado que realizado pelos rgos de controle, o mais eficaz instrumento de aferio da conformidade e segurana desses produtos, declaradas pelo fabricante, que o nico responsvel pelo produto.

Espero que a operacionalidade das mudanas aprovadas seja praticvel como est sendo proposto ou seja, que produtores e consumidores sejam, de fato, seus principais beneficirios.

Francine Leal Franco
Sustentabilidade por Francine Leal Franco

Repartio de benefcios

Como comentamos na coluna anterior, em novembro de 2017, o Ministrio do Meio Ambiente publicou a Portaria 442/2017 com os modelos de Termo de Compromisso (TC) possveis.

Assim, dever se regularizar quem, no perodo entre 30 de junho de 2000 e 16 de novembro de 2015, tiver realizado alguma das seguintes atividades: acesso ao patrimnio gentico; acesso ao conhecimento tradicional associado; acesso e explorao econmica de produto ou processo oriundo de acesso; remessa de amostra para o exterior; ou divulgao de informaes sobre conhecimento tradicional associado.

Ressalta-se que, para o correto enquadramento das atividades, deve-se observar as atividades e os conceitos previstos na medida provisria e seus regulamentos - definies da poca.

J a repartio de benefcios considera as regras atuais. Isso porque, quando da assinatura do TC, o usurio dever repartir os benefcios nos termos da nova legislao. Isso se aplica tanto para as situaes menos favorveis da legislao anterior quanto para as condies mais favorveis ao usurio.

O que queremos dizer com isso que, no passado, todos os elos da cadeia, inclusive os fabricantes de matrias-primas e ingredientes cosmticos, deveriam repartir benefcios (RB).

Com a nova regra, mesmo com a assinatura do TC, ele passa a ser isento da retroatividade de repartir benefcios. J os fabricantes de produtos acabados passam a assumir esse nus sozinhos, no montante de 0,75% ou 1% da receita lquida, conforme o tipo e a modalidade de RB escolhida. Ao mesmo tempo, aplicam-se as regras de exceo a repartio de benefcios para esses produtos acabados - s devida quando o componente do patrimnio gentico for um dos elementos principais de agregao de valor ao produto ou marca.

Em outras palavras, se voc utiliza a manteiga de cacau com a funo hidratante em um batom, ela possui uma funo especfica nesta formulao e, portanto, caber a repartio de benefcios, da mesma forma se o produto for comercializado como manteiga de cacau. Por outro lado, se este mesmo ingrediente possui apenas uma funo de estruturante da sua formulao, para dar aderncia composio do produto, pode ser que ele esteja enquadrado nas regras de iseno da RB, cabendo ao usurio apenas as obrigaes de regularizao e cadastros, sem a repartio de benefcios.

Para entender melhor os casos em que voc deve ou no repartir benefcios, voc deve observar os registros dos seus produtos na Anvisa, conferindo a funo de cada ingrediente.

Para saber se sua empresa usa ativos da biodiversidade brasileira, primeiramente, pergunte ao seu fornecedor da matria-prima.

Caso ele no saiba informar, listamos cerca de 40 das espcies mais comuns utilizadas pelo setor de cosmticos.

Mas lembre-se: essa lista no pode ser considerada exaustiva, completa ou nica. s um guia (indicado apenas com nomes populares) que pode auxiliar os usurios nessa busca inicial.

Outras variveis devem ser observadas, como o local de obteno dessas amostras e o nome cientfico, pois em alguns casos pode ser que o nome popular seja utilizado para uma espcie nativa, mas o primo dela extico, como no caso das algas marinhas e do maracuj, por exemplo.

Outro ponto de ateno: leia esse artigo e essa lista como uma bula de medicamento. Em caso de dvidas, o seu mdico ou melhor especialista no assunto - dever ser consultado.

Espcies mais comuns: amora; andiroba; araucria; babau; bacuri; barbatimo; buriti; cacau; caj; caju; cambuci; camu-camu; carnaba; castanha-do-par; copaba; cupuau; erva-mate; guaco; guaran; jaborandi; jabuticaba; jambu; jenipapo; macaba; mandioca; maracuj; murumuru; palmito; patau; pau-rosa; pequi; pimenta rosa; pitanga; pracaxi; tucum; ucuuba; umbu; urucum; vitria-rgia.

Por fim, para saber qual o passo a passo da regularizao, faa a voc mesmo as seguintes perguntas: voc desenvolve produtos, sejam eles ingredientes (matrias-primas) ou produtos acabados ao consumidor final?; fabrica esses produtos?; explora
economicamente (comercializa) esses produtos?; utiliza ingredientes naturais?; eventualmente algum da lista acima?

Se a resposta for sim para pelo menos uma das perguntas acima, com certeza voc deve se regularizar.

Se houver comercializao de produto acabado, verifique qual a funo desses ingredientes na sua formulao.

Se houver apelo mercadolgico, no h dvidas: voc deve repartir benefcios. Caso o ingrediente no exera nenhuma funo, verifique se est mesmo isento e siga com a assinatura do Termo de Compromisso adequado.

Depois faa o seu cadastro no SisGen, registre sua pesquisa e notifique o seu produto. Por fim, escolha a modalidade de repartio de benefcios e tenha a certeza de que o uso de ingredientes naturais brasileiros, alm de ser um timo negcio para voc, contribui para a conservao do meio ambiente e das comunidades tradicionais.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

O jogo dos sete erros

Quando eu era garoto, gostava muito de fazer os jogos dos sete erros que vinham em jornais e revistas. Mesmo imaginando que todos conheam, cabe explicar que a brincadeira consiste em comparar dois desenhos aparentemente idnticos, mas que, na verdade, tm diferenas sutis. Faltava uma ptala em uma flor, o boto da camisa em um dos desenhos no tinha furos. Coisas deste tipo. Assim pensei em listar os erros em processos de P&D que tenho visto:

- Levar uma amostra de uma nova matria-prima direto para a bancada: por incrvel que parea, um erro primrio, mas muito comum. Por razes tecnolgicas, regulatrias e operacionais, necessrio ter a ficha tcnica com a composio em INCI name, as especificaes, o custo e a FISPQ para orientar a aplicao, a manipulao e a estocagem do material antes de us-lo. Tcnicos costumam solicitar a carta de alergnicos s na aprovao da essncia, o que um equvoco. O perfil de alergnicos um parmetro importante na seleo do perfume.

- No revisar as caractersticas dos ingredientes selecionados para compor a formulao: faixa de sensibilidade a pH e ponto de fuso so fundamentais para ajustar modo de preparao e especificaes. Como no d para lembrar tudo, o melhor mesmo revisar a documentao, que, obviamente, deve estar disponvel de forma ordenada.

- Escrever a formulao sem modo de preparao detalhado e sem as especificaes: uma formulao um documento composto por composio, modo de preparao e especificaes. Se o resultado final depende destes trs itens, mesmo na fase de desenvolvimento, eles devem estar escritos.

- Preparar amostra sem verifi cao prvia do custo e da composio consolidada em INCI name: conhecer o custo de uma formulao essencial para no gastar tempo e dinheiro com formulaes de custo acima e abaixo do objetivo. Tambm no se pode correr o risco de exceder a concentrao mxima permitida de materiais de lista restritiva,nem contrariar algum claim. J vi produtos paraben free que, na verdade, tinham parabenos nos blends usados.

- No acompanhar visualmente o processo durante todo o tempo de preparao: se em alguma etapa aparece um evento diferente, como turvao ou aspecto caseoso, isto deve ser registrado para que no haja surpresas ou sustos adiante.

- No compreender os fundamentos dos protocolos de teste: conhecer bem a fundamentao dos protocolos bsico para definir os critrios e interpretar os resultados. A temperatura do teste de estufa, por exemplo, deve ser estabelecida de forma a no submeter a amostra a uma condio que possa promover alterao do estado fsico ou a deteriorao de algum de seus componentes.

- No realizar estudos de segurana e efi ccia: todos os produtos devem ser submetidos a estudos de segurana. A no realizao , no mnimo, uma situao de irregularidade sanitria. importante avaliar tambm a eficcia do novo produto de alguma forma, mesmo que seja obrigatria s em alguns casos. Esta tarefa mais difcil em produtos para a pele, mas no pode ser negligenciada por isso, porque uma exigncia do mercado cada vez mais decisiva.

- No montar o dossi de produtos medida que o trabalho se desenvolve: um dos provveis objetivos da obrigatoriedade a garantia de que a formulao ou o produto tenham sido desenvolvidos com a observncia de todos os parmetros tcnicos e regulatrios cabveis.

- No participar da validao do processo na fase industrial: a passagem da tecnologia desenvolvida da bancada para a planta de produo uma etapa crtica porque pode gerar alteraes estruturais, que podem causar mudana de comportamento do produto. No caso de emulses, a homogeneidade na composio e o tamanho mdio dos glbulos da fase interna devem ser verificados de alguma maneira. Neste processo, a participao de quem desenvolveu a tecnologia fundamental.

- No acompanhar o resultado do produto no mercado: um produto desenvolvido para ser usado. Saber como ele se comporta no mundo real tambm uma obrigao do P&D. Avaliar os nmeros de venda e os relatos de cosmetovigilncia um procedimento que pode mostrar se os processos usados no laboratrio so eficientes.

Como pde ser visto, aqui at o ttulo foi um erro, porque foram listados dez, e no sete erros. No importa. Certamente existem outros. Como a reviso a etapa inicial para evoluir qualquer processo, o que conta mesmo a possibilidade de poder ajudar algum a aprimorar os seus procedimentos de P&D, porque no existe competitividade que se sustente sem melhoria contnua.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Avaliao de riscos

No ms passado participei de um evento cujo tema era: Gesto de riscos na indstria cosmtica. Foi extremamente frustrante constatar que, a maioria dos participantes, todos tcnicos da rea de cosmticos, no tinham a menor ideia do que significa risco.

Durante os intervalos da apresentao, em conversas com os participantes, tentei avaliar o nvel de conhecimento que possuam sobre o assunto. Infelizmente, a verdade que no tinham informao alguma que, efetivamente, fosse vlida.

Em razo disso decidi, nesta coluna. apresentar os conceitos bsicos sobre o que risco e como pode ser avaliado.

Risco pode ser designado como a combinao entre a probabilidade de ocorrncia de um determinado evento e a gravidade dos efeitos gerados por ele. Esse evento pode ser aleatrio, futuro e independente da vontade dos agentes, enquanto que os efeitos gerados, caso ele ocorra, podem ser negativos ou positivos.

A avaliao de riscos deve ser suportada em estudos cientficos. Os esforos, formalidade e os dados do processo de gesto de risco tm que ser proporcionais ao risco envolvido.

As premissas para o processo de gesto de riscos baseiam-se em fontes de informao, como dados histricos, experiencia, retorno de percepes ps mudanas, e observaes, previses e pareceres de especialistas. No entanto, convm que os gestores se informem, e convm que levem em considerao quaisquer limitaes de dados ou de modelagem utilizados, ou a possibilidade de divergncias entre os especialistas.

O envolvimento apropriado e oportuno das partes interessadas e, em particular, dos gestores, em todos os nveis da organizao, assegura que a gesto de riscos permanea relevante e atualizada. O envolvimento tambm permite que as partes interessadas sejam devidamente representadas e tenham suas opinies consideradas na determinao dos critrios de risco.

A gesto de riscos dinmica, percebe continuamente as mudanas e responde s elas. Como eventos podem ser externos ou internos, o contexto e o conhecimento mudam, acompanhamento e reviso dos riscos ocorrem, novos riscos surgem, alguns mudam e outros desaparecem.

Devemos ressaltar que a gesto de riscos um processo de todas as organizaes e, portanto, envolve todos os setores delas.

A aplicao do processo de gesto de riscos implica que os componentes, que tm maior probabilidade de mudar, sejam identificados. Convm que eles sejam cuidadosamente monitorados para a mudana. Qualquer alterao pode exigir uma reavaliao de todos ou de alguns dos riscos documentados.

Convm que os colaboradores sejam encorajados a reportar preocupaes com o status quo (acomodao).

Convm que as empresas desenvolvam e implementem estratgias para melhorar a sua experiencia na gesto de riscos em conjunto com todos os demais aspectos da empresa.

A melhoria contnua no desempenho da organizao inter-relacionada melhoria contnua do desempenho da gesto de riscos. Uma melhor gesto de riscos com base na tomada de deciso baseada no risco, reduz a incerteza no atingimento dos objetivos, minimizando a volatilidade e aumentando a agilidade.

A gesto de riscos deve estar incorporada poltica da qualidade da empresa e, portanto, em todas as decises e totalmente comunicada aos seus colaboradores.

Concluindo, deixo uma provocao para o leitor: Estar a sua organizao preparada para gerir os riscos?

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Colorir ou no colorir, eis a questo!

A cancie (nome cientfico dado ao embranquecimento dos fios) mediada por vrios fatores, sendo o gentico o mais preponderante. Grosso modo podemos dizer que os brancos caucasianos comeam a apresentar fios brancos entre os 35 e 45 anos. Os amarelos entre os 45 e 55 e os negros aps os 55. Claro que isso depende de fatores pessoais e familiares, sendo que, em algumas famlias esse evento ocorre bem mais cedo.

Uma informao interessante como esse processo se manifesta. Nos homens a sequencia primeiro barba e bigode, depois lateral da cabea seguida pela cabea toda, regio torcica e, finalmente a regio pubiana. Nas mulheres, primeiro temos os cabelos e depois a regio pubiana - vale lembrar que existem produtos especficos para colorir essa ltima regio.

Sabe-se que na antiguidade, persas, hebreus, gregos e romanos, assim como chineses e hindus j utilizavam tinturas capilares de origem vegetal ou mineral. No entanto, um crescimento exponencial do comrcio da colorao surgiu apenas aps o desenvolvimento da qumica orgnica sinttica e seu atrelamento esttica no final do sculo XIX - crescimento esse que rendeu ao sculo XX o ttulo de sculo das tinturas.

A partir da terceira dinastia faranica, os egpcios utilizavam um extrato de Lawsonia ineris (henna) em gua quente para conferir ao cabelo um tom avermelhado. A henna misturada Indigofera tinctoria (ndigo) atribua aos fi os um tom escuro. Henna, camomila e ndigo formam tintas de origem vegetal que so utilizadas at hoje.

Os romanos aplicavam uma soluo aquosa oxidante de acetato de chumbo ao pentear os cabelos diariamente, garantindo tons escuros que mascaravam o cinza. Galegos e saxes, por sua vez, usavam cores vibrantes para marcar status e intimidar inimigos no campo de batalha.

Os cabelos ruivos surgiram pela primeira vez como resultado de uma mutao gentica na Idade das Trevas. At o reino de Elizabeth I, os ruivos eram perseguidos por suspeita de bruxaria, e, por isso, muitos tingiam os cabelos de tons escuros.

O perxido de hidrognio, em soluo aquosa a gua oxigenada, foi mencionado inicialmente pelo qumico francs L. Thnard. O composto passou a ser utilizado para descolorir os cabelos a partir de 1879.

Em busca da cura para a malria, W. Perkin, qumico ingls, acidentalmente criou a primeira tinta sinttica, de cor malva. Seu professor, A. Hoffman, derivou dessa cor o p-fenilenodiamino, que at hoje serve como base para muitas tinturas capilares permanentes.

Em 1880 a primeira patente mundial para colorao de cabelos foi concedida ao alemo E. Erdmann, que adicionou diaminas e aminofenois base oxidante de p-fenilenodiamino. Nos 30 anos seguintes, mais de 150 outros compostos foram usados como variantes em 75 outras patentes.

A primeira tintura capilar segura foi desenvolvida com base no p-fenilenodiamino por E. Schueller, qumico francs, que a chamou de Aureole. No ano seguinte, Schueller renomeou a tinta e criou uma empresa de mesmo nome: LOral.

G. Boudou, renomado cabeleireiro de Paris, lanou a primeira linha de colorao, Inecto, com 11 cores.

Avanos no ramo da sntese orgnica permitiram o desenvolvimento mais padronizado de novas cores, com vrias nuances elaboradas para reforar os tons naturais do cabelo e encobrir os cabelos brancos. A primeira tinta de clareamento sem descolorao foi lanada pela empresa Clairol, oferecendo uma alternativa aos danos do perxido de hidrognio e amnia. A colorao em casa tornou-se um grande sucesso entre mulheres, que na poca preferiam no divulgar que tingiam os cabelos.

Os punks ingleses da dcada de 70 impulsionaram o uso da tintura como expresso de estilo e subsequentemente a aceitao pblica de coloraes mais arrojadas. Colorantes passaram tambm a exercer funo de tratamento do cabelo com adio de hidratantes e condicionadores.

Apesar da crescente popularidade das tinturas capilares e dos avanos cientficos no ramo nos sculos XX e XXI, tinturas no so inofensivas. Por isso, alguns compostos utilizados em tintura devem ter concentrao regulada, como o caso dos parabenos, dos corantes metlicos, do formaldedo, do alcatro, entre outros.

Ento, voltando a questo inicial: colorir ou no? Vrios trabalhos cientficos esto sendo publicados mostrando que as tinturas, quando bem elaboradas, servem como protetor da haste capilar. As tinturas protegem contra as agresses climticas, ambientais, do calor e da perda proteica.

Sendo assim o fato de colorir os cabelos ou deixa-los embranquecidos vai depender apenas do gosto individual.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Microbiota e pele

A palavra microbioma signifi ca o conjunto de microrganismos vivos que habitam nosso corpo e interagem com o mesmo, tendo efeitos positivos ou negativos conforme sua composio e equilbrio. Temos a companhia constante de trilhes desses agentes, convivendo pacificamente em nossos rgos como, intestino, mucosas e a pele.

Por que isso importante? Na realidade, assim como temos os nossos genes e nos tornamos indivduos nicos, nossas bactrias tambm tm suas caractersticas especficas e prprias. O projeto Human Microbioma Project vem estudando atravs de tcnicas muito avanadas a caracterstica do microbioma humano. O mais interessante que o microbioma de cada um funciona como uma impresso digital, sendo nico e especfico.

Muitos fatores interferem no tipo e comportamento desses microrganismos em nossa pele. A alimentao, o clima, a sade de uma maneira geral, a raa, o local do corpo e principalmente remdios, como os antibiticos que modificam a caracterstica desta microbiota, mudam o comportamento e aparncia da pele.

A pele tem um papel muito importante em interagir com o meio-ambiente, protegendo-nos das agresses externas, inclusive da entrada de microrganismos agressivos ou de substncias txicas. Para cumprir esse papel, a pele necessita manter sua microbiota equilibrada e funcionante, alm de manter o pH e tambm o seu grau de hidratao.

As doenas da pele vm sendo estudadas sob o ponto de vista do microbioma. Entre elas, uma em particular, que os estudos esto mais aprofundados, a dermatite atpica. Nesse caso, foi observado que quando a pele do indivduo atpico est inflamada o microbioma torna-se menos diversificado com aumento excessivo do staphylococcus aureus. Por outro lado, quando a pele se acalma e melhora o microbioma volta a ficar diversificado.

H estudos sobre a relao do microbioma com outras doenas da pele, como acne, psorase, roscea, entre outras. Essa uma nova perspectiva de conhecimento trazendo opes teraputicas inovadoras.

Hoje vrios nutricosmticos tm na sua composio microrganismos vivos (probiticos) que ajudam na recomposio e equilbrio da microbiota natural. Em vrias doenas dermatolgicas, como acne, eczema atpico, psorase e tambm na preveno do envelhecimento j temos produtos que auxiliam nessa recuperao. Alm de nutracuticos, tambm j existem cosmecuticos com prebiticos que so elementos positivos para o equilbrio e melhor desempenho do microbioma cutneo. Esses produtos trazem perspectivas de controle e equilbrio para os microrganismos que convivem com nossa pele, sendo inovadores no auxilio do tratamento das doenas inflamatrias.

O estudo sistemtico do microbioma cutneo trar, com certeza, muitas contribuies teraputicas no controle das doenas da pele.

Novos Produtos