19 de Outubro de 2018

Microbioma Cutâneo

Edicao Atual - Microbioma Cutâneo

Editorial

Sobre encantar o consumidor

Em tempos de imediatismo e velocidade em todos os tipos de relacionamento, consumidores anseiam por respostas cada vez mais rápidas e assertivas. Grande parte das mudanças observados no perfil do consumidor nos últimos anos foi impulsionada pelo uso de novas tecnologias. Nesse contexto, ganha força o conceito de experiência de compra.

As companhias brasileiras perderam, apenas em 2017, cerca de R$ 400 bilhões com o mau atendimento, ou a falta de ofertas adequadas às necessidades dos consumidores. Os dados são da pesquisa Global Consumer Pulse, feita pela Accenture Strategy. O estudo também mostrou que 65% dos consumidores se dizem frustrados quando as empresas deixam de entregar experiências de compras relevantes e personalizadas e que, por isso, 47% deles acabam optando por um concorrente. O estudo ouviu 25 mil consumidores no mundo todo – 1300 no Brasil.

A jornada para encantar o consumidor passa por ações de personalização, conectividade, interações sensoriais e outras ferramentas que ajudam a aprimorar experiências em lojas físicas e on-line. Além de inovações tecnológicas, o escopo de ações das marcas para falar de perto com os consumidores também inclui as parcerias com influenciadores digitais.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil traz, na seção Enfoque, um panorama sobre a aproximação entre marcas e blogueiras. A espontaneidade e a capacidade de atrair seguidores fez dessas formadoras de opinião um valioso meio de divulgação para as marcas, que investem em diversos modelos de parceria. Em Persona, apresentamos a trajetória de Maria Luiza Arruda Mortara Batistic, a Bilu.

Os artigos técnicos destacam o microbioma cutâneo e a importância de seu equilíbrio para a saúde da pele. Uma nova abordagem às tinturas capilares é também apresentada, agora com a classificação desses produtos, baseada no mecanismo de ação e nos ingredientes utilizados. Nesta edição iniciamos a publicação dos abstracts dos pôsteres apresentados ao 31º. Congresso de Brasileiro de Cosmetologia realizado em São Paulo, no mês de maio. Todos os abstracts estarão publicados até a última edição deste ano.

Hamilton dos Santos
Publisher

 

O Movimento do Microbioma - Travis Whitfi ll (Azitra Inc., Farmington, CT, e Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, New Haven, CT, EUA)

Vários fatores determinam a forma do microbioma cutâneo de um indivíduo, com efeitos importantes na aparência e na saúde da pele. Este artigo descreve esses fatores, além das possibilidades para o desenvolvimento de produtos cosméticos, considerando o tipo do microbioma.

Varios factores determinan la forma del microbioma cutáneo de un individuo, con efectos importantes en la apariencia y la salud de la piel. Este artículo describe estos factores, además de las posibilidades para el desarrollo de productos cosméticos, considerando el tipo del microbioma.

Various factors shape an individual´s skin microbiome, which has key effects on skin appearance and health. These are described herein, as is the potential to develop products in consideration of the microbiome.

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Tinturas Capilares: Classificação e Características - Carlos Pasta, Verónica Celdrán (Tecnocosmetics, Buenos Aires, Argentina)

O objetivo deste artigo é estabelecer uma classificação dos diversos tipos de tintura capilar, descrevendo o perfil dos produtos, seu mecanismo de ação para a formação da cor, seus componentes habituais e os resultados obtidos com sua aplicação.

El objetivo del presente artículo es establecer una clasificación de los distintos tipos de tinturas capilares, describiendo el perfil del producto, el mecanismo de acción para la formación del color, los componentes habituales y los resultados obtenidos por su aplicación.

The objective of this article is to establish a classification of the different types of hair dye, describing the product profile, the mechanism of action for color formation, the usual components and the results obtained by its application.

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Como o cabelo é danificado? – Parte 2 - Trefor A. Evens, PhD (TRI Princeton, Princeton, NJ, EUA)

Este é o segundo de uma série de três artigos sobre danos nos cabelos. Esta parte explica a estrutura do córtex interno dos cabelos, que não é facilmente visível, além dos vários testes mecânicos que podem gerar diferentes conclusões. Nela, também são descritos testes que podem mostrar alterações na estrutura do córtex interno e o impacto dessas mudanças nas propriedades mecânicas dos cabelos, como tensão, rigidez etc.

Este artículo es el segundo de una serie sobre el daño del cabello. Explica que la estructura interna de la corteza del cabello no es fácilmente visible, y que varias pruebas mecánicas pueden llevar a conclusiones diferentes. Aquí se describen pruebas que pueden mostrar cambios en la estructura de la corteza interna y su impacto en las propiedades mecánicas del cabello, como la fuerza, la rigidez, etc.

This article is the second of a series on hair damage. It explains the internal cortex structure of the hair is not easily visible, and that various mechanical tests can yield different conclusions. Here, tests are described that can show changes to the internal cortex structure and their impact on hair´s mechanical properties such as strength, stiffness, etc.

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Equilíbrio da Microbiota para Benefício da Pele - Stefan Hettwer, Emina Besic Gyenge, Brigit Suter, Sandra Breitenbach, Barbara Obermayer (Rahn AG, Zurique, Suíça)

A microbiota é uma parte importante da pele. O sebo, os corneócitos e o suor modulam a população dos microrganismos presentes na pele. Aqui, é apresentado um novo ingrediente ativo contendo bioflavonoides derivados de Maclura cochinchinensis, capaz de reequilibrar a microbiota danificada e de reduzir manchas da pele oleosa e propensa à acne.

La microbiota es una parte importante de la piel. El sebo, los corneócitos y el sudor modulan la población de los microorganismos presentes en la piel. Aquí se presenta un nuevo ingrediente activo que contiene biofl avonoides derivados de Maclura cochinchinensis, capaz de reequilibrar la microbiota dañada y reducir las manchas de la piel grasa, y propensa al acné.

The microbiota is an important part of the skin. Sebum, corneocytes and sweat modulate the population of the microorganisms present in the skin. Here is a new active ingredient containing biofl avonoids derived of Maclura cochinchinensis, which is able to rebalance the damaged microbiota and reduce oily, acne-prone skin spots.

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Géis Cosméticos - Luciana Amiralian, Claudia Regina Fernandes (Phisalia Produtos de Beleza Ltda., Osasco SP, Brasil)

Neste artigo serão abordados: características do produto, definição, mecanismo de atuação, formulação e função de ingredientes, assim como processo de fabricação de géis cosméticos.

En este artículo se abordarán características de producto, definición, mecanismo de actuación, formulación y función de ingredientes, así como proceso de fabricación de geles cosméticos.

In this article will be approached product characteristics, definition, mechanism of action, formulation and function of ingredients, as well as manufacturing process of cosmetic gels.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

A cara da violência

Assim reza a Constituição Federal da República do Brasil, art.5°: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, ...”. No entanto, parece que a sociedade, como instituição, na qualidade de um ser inanimado, desconhece esta premissa. Quando o assunto é violência parece que somos bem desiguais em gênero, raça, idade, classe social, região e em outras dimensões de acordo com os dados do último Atlas da Violência publicado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Mundialmente somos desiguais. Em 2016 foram aproximadamente 62,5 mil homicídios cometidos em solo nacional. Em outros termos é o mesmo que dizer que há uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes. Esta taxa representa 30 vezes a taxa europeia. Nos últimos dez anos mais de meio milhão de pessoas perderam a vida no Brasil. Analisando o assunto por diferentes fontes de dados (ONU, OMS ou FMI as quais possuem critérios de classificação diferentes) o Brasil sempre se destaca com dados acima da média mundial, ombreando na América do Sul com a Colômbia – país com sérios problemas de insurreições civis causadas pela FARC. De acordo com o estudo da OMS (Organização Mundial de Saúde), em 2013, a taxa mundial era de 7,9 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto a do Brasil registrava 28,6. A situação nos leva a perguntar se a desigualdade de renda se correlaciona positivamente com o aumento do número de homicídios (o Brasil é o país de maior desigualdade nesta dimensão econômica).

Somos desiguais internamente também. As regiões Norte e Nordeste foram as que apresentaram as maiores taxas de homicídios. Todos os estados com taxas acima de 50 homicídios por 100 mil habitantes se encontram nestas regiões, tendo Sergipe a maior taxa: 64,7. São Paulo e Santa Catarina são os que apresentaram as menores taxas de homicídios (10,9 e 14,2). Outro fator interessante a se observar é para onde apontam os números, os quais confirmam a tendência de desigualdade entre os Estados. Apesar da taxa de homicídio nacional indicar um aumento, no período de 2006/2016 a região Sudeste apresentou uma diminuição, enquanto as regiões Norte e Nordeste contribuíram para o aumento da mesma. Esta correlação espelha também a desigualdade do PIB por região. As regiões Norte e Nordeste são as de menor geração de PIB do país.

Quem são as vítimas? Em 2016 do total de homicídios cometidos 53,7% estão na faixa de 15 a 29 anos, e apresentam uma taxa duas vezes maior que a taxa nacional: 65,5 homicídios de jovens por 100 mil habitantes, considerando a população na mesma faixa etária, ou seja, 33.590 mil pessoas, que poderiam ter sido médicos, advogados, professores, cientistas, atletas, escritores, consumidores, contribuintes da providência, saíram do cenário econômico abruptamente. A maior parte destes jovens vítimas está nos Estados das regiões Norte e Nordeste. Destaque positivo para São Paulo e Santa Catarina que apresentam as menores taxas (19,0 e 27,2) de mortalidade juvenil. Estratificando esta população jovem por gênero o número de vítimas do sexo masculino é alarmante: 122,5 homicídios por 100 mil habitantes (94,6% do total de jovens) se perderam em brigas envolvendo armas de fogo e acidentes de carro. Curiosamente esta é a fatia mais representativa dos desempregados.

A violência tem cor. A faceta mais drástica da desigualdade da violência é evidente quando se leva em conta a dimensão raça/cor. Há uma forte concentração de homicídios na população negra. É como se, em relação à violência, negros e não negros vivessem em países completamente distintos. Em 2016, por exemplo, a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia superior a de não negros (16% contra 40,2%). Em uma década, entre 2006/2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%, enquanto a taxa entre os não negros teve uma redução de 6,8%.

A violência tem cara: é masculina, jovem, negra e habita as regiões Norte e Nordeste. Triste geração perdida.

Outras desigualdades neste estudo foram avaliadas, mas o pior de tudo é que ainda não se vê a curto/médio prazo nenhuma política pública voltada para a redução desta triste realidade. A violência continuará ceifando vidas apesar dos fortes e emocionados apelos de familiares nos telejornais perguntando “Até quando?”. A realidade é que as poucas ações de um poder de polícia incomunicável entre a esfera nacional, estadual e municipal, aliado a uma alta taxa de desemprego, além da falência moral de instituições básicas como família, escola e igreja nos deixam pouca esperança na mudança deste quadro.

Artur João Gradim
Assuntos Regulatórios por Artur João Gradim

Produtos infantis dispensados de registro

Em reunião da diretoria colegiada da Anvisa, realizada na primeira semana de julho, foi aprovada a simplificação da regularização dos produtos infantis. Essa simplificação será feita por meio da reclassificação dessa categoria de produtos quanto à condução do processo administrativo vigente e regulado pela RDC nº 7, de 10/2/15.

Sem dúvida, a decisão, conduzida pelo então diretor-presidente da Anvisa, dr. Jarbas Barbosa, em um dos seus últimos atos antes de sua saída do cargo, decorrente do término de sua gestão à frente desse órgão regulador, atende aos anseios do setor, representado pela Abihpec. Os novos procedimentos referentes a essa decisão que foram aprovados, aproximam nossa regulação de produtos infantis à das regulações internacionais de referência, dos Estados Unidos e da União Europeia.

A decisão deverá ser formalizada em breve com a publicação das alterações a serem realizadas na RDC nº 7/15. Pela nova regulação, os produtos infantis estarão isentos de registro, da mesma forma que já ocorre com a maioria dos produtos de HPPC, com exceção dos produtos alisantes de cabelos, dos protetores solares, dos repelentes de insetos e dos géis antissépticos para as mãos.

Para os protetores solares para uso infantil e para os repelentes de insetos será mantido o requerimento de registro prévio.

A RDC nº 15/15, que estabelece os requerimentos técnicos para os produtos infantis, não terá alteração. A alteração será apenas para adequá-la ao texto à nova condição.

Com a mudança na RDC nº 7/15, o sistema de peticionamento deverá ser igualmente alterado, ou seja, essa categoria de produto passará a ser peticionada no sistema SGAS (Sistema de Automação de Registro de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes), que já contempla os demais produtos de Grau 1 e 2, classificados como isentos de registro.

Isso indica que, obrigatoriamente, os produtos infantis já existentes deverão ser recadastrados sem custo e que, para os novos peticionamentos, o custo de regularização será inferior ao praticado atualmente.

Ressalto ao leitor que, a exemplo dos produtos de Grau 2 isentos de registro, não serão cobradas taxas referentes às alterações dos produtos infantis. Dessa forma, o monitoramento do mercado terá grande importância para o controle sanitário dos produtos de HPPC, o que é desejado por todos. Prova disso é que o dr. Willian Dib, responsável pela Diretoria de Controle e Monitoramento Sanitários (Dimon) e pela Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária (GGFIS), se comprometeu a acompanhar o monitoramento de mercado no decorrer de um ano e a apresentar os resultados, de forma a comprovar a segurança dos produtos infantis como produtos de baixo risco, como o é em sua atual forma de regularização.

O monitoramento dos produtos colocados no mercado que é realizado pelos órgãos de controle, é o mais eficaz instrumento de aferição da conformidade e segurança desses produtos, declaradas pelo fabricante, que é o único responsável pelo produto.

Espero que a operacionalidade das mudanças aprovadas seja praticável como está sendo proposto ou seja, que produtores e consumidores sejam, de fato, seus principais beneficiários.

Francine Leal Franco
Sustentabilidade por Francine Leal Franco

Repartição de benefícios

Como comentamos na coluna anterior, em novembro de 2017, o Ministério do Meio Ambiente publicou a Portaria 442/2017 com os modelos de Termo de Compromisso (TC) possíveis.

Assim, deverá se regularizar quem, no período entre 30 de junho de 2000 e 16 de novembro de 2015, tiver realizado alguma das seguintes atividades: acesso ao patrimônio genético; acesso ao conhecimento tradicional associado; acesso e exploração econômica de produto ou processo oriundo de acesso; remessa de amostra para o exterior; ou divulgação de informações sobre conhecimento tradicional associado.

Ressalta-se que, para o correto enquadramento das atividades, deve-se observar as atividades e os conceitos previstos na medida provisória e seus regulamentos - definições da época.

Já a repartição de benefícios considera as regras atuais. Isso porque, quando da assinatura do TC, o usuário deverá repartir os benefícios nos termos da nova legislação. Isso se aplica tanto para as situações “menos favoráveis” da legislação anterior quanto para as condições mais favoráveis ao usuário.

O que queremos dizer com isso é que, no passado, todos os elos da cadeia, inclusive os fabricantes de matérias-primas e ingredientes cosméticos, deveriam repartir benefícios (RB).

Com a nova regra, mesmo com a assinatura do TC, ele passa a ser isento da retroatividade de repartir benefícios. Já os fabricantes de produtos acabados passam a assumir esse ônus sozinhos, no montante de 0,75% ou 1% da receita líquida, conforme o tipo e a modalidade de RB escolhida. Ao mesmo tempo, aplicam-se as regras de exceção a repartição de benefícios para esses produtos acabados - só é devida quando o componente do patrimônio genético for um dos elementos principais de agregação de valor ao produto ou à marca.

Em outras palavras, se você utiliza a manteiga de cacau com a função hidratante em um batom, ela possui uma função específica nesta formulação e, portanto, caberá a repartição de benefícios, da mesma forma se o produto for comercializado como “manteiga de cacau”. Por outro lado, se este mesmo ingrediente possui apenas uma função de estruturante da sua formulação, para dar aderência à composição do produto, pode ser que ele esteja enquadrado nas regras de isenção da RB, cabendo ao usuário apenas as obrigações de regularização e cadastros, sem a repartição de benefícios.

Para entender melhor os casos em que você deve ou não repartir benefícios, você deve observar os registros dos seus produtos na Anvisa, conferindo a função de cada ingrediente.

Para saber se sua empresa usa ativos da biodiversidade brasileira, primeiramente, pergunte ao seu fornecedor da matéria-prima.

Caso ele não saiba informar, listamos cerca de 40 das espécies mais comuns utilizadas pelo setor de cosméticos.

Mas lembre-se: essa lista não pode ser considerada exaustiva, completa ou única. É só um guia (indicado apenas com nomes populares) que pode auxiliar os usuários nessa busca inicial.

Outras variáveis devem ser observadas, como o local de obtenção dessas amostras e o nome científico, pois em alguns casos pode ser que o nome popular seja utilizado para uma espécie nativa, mas o “primo” dela é exótico, como no caso das algas marinhas e do maracujá, por exemplo.

Outro ponto de atenção: leia esse artigo e essa lista como uma bula de medicamento. Em caso de dúvidas, o seu “médico” – ou melhor especialista no assunto - deverá ser consultado.

Espécies mais comuns: amora; andiroba; araucária; babaçu; bacuri; barbatimão; buriti; cacau; cajá; caju; cambuci; camu-camu; carnaúba; castanha-do-pará; copaíba; cupuaçu; erva-mate; guaco; guaraná; jaborandi; jabuticaba; jambu; jenipapo; macaúba; mandioca; maracujá; murumuru; palmito; patauá; pau-rosa; pequi; pimenta rosa; pitanga; pracaxi; tucumã; ucuuba; umbu; urucum; vitória-régia.

Por fim, para saber qual o passo a passo da regularização, faça a você mesmo as seguintes perguntas: você desenvolve produtos, sejam eles ingredientes (matérias-primas) ou produtos acabados ao consumidor final?; fabrica esses produtos?; explora
economicamente (comercializa) esses produtos?; utiliza ingredientes naturais?; eventualmente algum da lista acima?

Se a resposta for “sim” para pelo menos uma das perguntas acima, com certeza você deve se regularizar.

Se houver comercialização de produto acabado, verifique qual a função desses ingredientes na sua formulação.

Se houver apelo mercadológico, não há dúvidas: você deve repartir benefícios. Caso o ingrediente não exerça nenhuma função, verifique se está mesmo isento e siga com a assinatura do Termo de Compromisso adequado.

Depois faça o seu cadastro no SisGen, registre sua pesquisa e notifique o seu produto. Por fim, escolha a modalidade de repartição de benefícios e tenha a certeza de que o uso de ingredientes naturais brasileiros, além de ser um ótimo negócio para você, contribui para a conservação do meio ambiente e das comunidades tradicionais.

Wallace Magalhães
Gestão em P&D por Wallace Magalhães

O jogo dos sete erros

Quando eu era garoto, gostava muito de fazer os jogos dos sete erros que vinham em jornais e revistas. Mesmo imaginando que todos conheçam, cabe explicar que a brincadeira consiste em comparar dois desenhos aparentemente idênticos, mas que, na verdade, têm diferenças sutis. Faltava uma pétala em uma flor, o botão da camisa em um dos desenhos não tinha furos. Coisas deste tipo. Assim pensei em listar os “erros” em processos de P&D que tenho visto:

- Levar uma amostra de uma nova matéria-prima direto para a bancada: por incrível que pareça, é um erro primário, mas muito comum. Por razões tecnológicas, regulatórias e operacionais, é necessário ter a ficha técnica com a composição em INCI name, as especificações, o custo e a FISPQ para orientar a aplicação, a manipulação e a estocagem do material antes de usá-lo. Técnicos costumam solicitar a carta de alergênicos só na aprovação da essência, o que é um equívoco. O perfil de alergênicos é um parâmetro importante na seleção do perfume.

- Não revisar as características dos ingredientes selecionados para compor a formulação: faixa de sensibilidade a pH e ponto de fusão são fundamentais para ajustar modo de preparação e especificações. Como não dá para lembrar tudo, o melhor é mesmo revisar a documentação, que, obviamente, deve estar disponível de forma ordenada.

- Escrever a formulação sem modo de preparação detalhado e sem as especificações: uma formulação é um documento composto por composição, modo de preparação e especificações. Se o resultado final depende destes três itens, mesmo na fase de desenvolvimento, eles devem estar escritos.

- Preparar amostra sem verifi cação prévia do custo e da composição consolidada em INCI name: conhecer o custo de uma formulação é essencial para não gastar tempo e dinheiro com formulações de custo acima e abaixo do objetivo. Também não se pode correr o risco de exceder a concentração máxima permitida de materiais de lista restritiva,nem contrariar algum claim. Já vi produtos “paraben free” que, na verdade, tinham parabenos nos blends usados.

- Não acompanhar visualmente o processo durante todo o tempo de preparação: se em alguma etapa aparece um evento diferente, como turvação ou “aspecto caseoso”, isto deve ser registrado para que não haja surpresas ou sustos adiante.

- Não compreender os fundamentos dos protocolos de teste: conhecer bem a fundamentação dos protocolos é básico para definir os critérios e interpretar os resultados. A temperatura do teste de estufa, por exemplo, deve ser estabelecida de forma a não submeter a amostra a uma condição que possa promover alteração do estado físico ou a deterioração de algum de seus componentes.

- Não realizar estudos de segurança e efi cácia: todos os produtos devem ser submetidos a estudos de segurança. A não realização é, no mínimo, uma situação de irregularidade sanitária. É importante avaliar também a eficácia do novo produto de alguma forma, mesmo que seja obrigatória só em alguns casos. Esta tarefa é mais difícil em produtos para a pele, mas não pode ser negligenciada por isso, porque é uma exigência do mercado cada vez mais decisiva.

- Não montar o dossiê de produtos à medida que o trabalho se desenvolve: um dos prováveis objetivos da obrigatoriedade é a garantia de que a formulação ou o produto tenham sido desenvolvidos com a observância de todos os parâmetros técnicos e regulatórios cabíveis.

- Não participar da validação do processo na fase industrial: a passagem da tecnologia desenvolvida da bancada para a planta de produção é uma etapa crítica porque pode gerar alterações estruturais, que podem causar mudança de comportamento do produto. No caso de emulsões, a homogeneidade na composição e o tamanho médio dos glóbulos da fase interna devem ser verificados de alguma maneira. Neste processo, a participação de quem desenvolveu a tecnologia é fundamental.

- Não acompanhar o resultado do produto no mercado: um produto é desenvolvido para ser usado. Saber como ele se comporta no mundo real também é uma obrigação do P&D. Avaliar os números de venda e os relatos de cosmetovigilância é um procedimento que pode mostrar se os processos usados no laboratório são eficientes.

Como pôde ser visto, aqui até o título foi um “erro”, porque foram listados dez, e não sete erros. Não importa. Certamente existem outros. Como a revisão é a etapa inicial para evoluir qualquer processo, o que conta mesmo é a possibilidade de poder ajudar alguém a aprimorar os seus procedimentos de P&D, porque não existe competitividade que se sustente sem melhoria contínua.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Práticas por Carlos Alberto Trevisan

Avaliação de riscos

No mês passado participei de um evento cujo tema era: “Gestão de riscos na indústria cosmética”. Foi extremamente frustrante constatar que, a maioria dos participantes, todos técnicos da área de cosméticos, não tinham a menor ideia do que significa risco.

Durante os intervalos da apresentação, em conversas com os participantes, tentei avaliar o nível de conhecimento que possuíam sobre o assunto. Infelizmente, a verdade é que não tinham informação alguma que, efetivamente, fosse válida.

Em razão disso decidi, nesta coluna. apresentar os conceitos básicos sobre o que é risco e como pode ser avaliado.

Risco pode ser designado como a combinação entre a probabilidade de ocorrência de um determinado evento e a gravidade dos efeitos gerados por ele. Esse evento pode ser aleatório, futuro e independente da vontade dos agentes, enquanto que os efeitos gerados, caso ele ocorra, podem ser negativos ou positivos.

A avaliação de riscos deve ser suportada em estudos científicos. Os esforços, formalidade e os dados do processo de gestão de risco têm que ser proporcionais ao risco envolvido.

As premissas para o processo de gestão de riscos baseiam-se em fontes de informação, como dados históricos, experiencia, retorno de percepções pós mudanças, e observações, previsões e pareceres de especialistas. No entanto, convém que os gestores se informem, e convém que levem em consideração quaisquer limitações de dados ou de modelagem utilizados, ou a possibilidade de divergências entre os especialistas.

O envolvimento apropriado e oportuno das partes interessadas e, em particular, dos gestores, em todos os níveis da organização, assegura que a gestão de riscos permaneça relevante e atualizada. O envolvimento também permite que as partes interessadas sejam devidamente representadas e tenham suas opiniões consideradas na determinação dos critérios de risco.

A gestão de riscos é dinâmica, percebe continuamente as mudanças e responde às elas. Como eventos podem ser externos ou internos, o contexto e o conhecimento mudam, acompanhamento e revisão dos riscos ocorrem, novos riscos surgem, alguns mudam e outros desaparecem.

Devemos ressaltar que a gestão de riscos é um processo de todas as organizações e, portanto, envolve todos os setores delas.

A aplicação do processo de gestão de riscos implica que os componentes, que têm maior probabilidade de mudar, sejam identificados. Convém que eles sejam cuidadosamente monitorados para a mudança. Qualquer alteração pode exigir uma reavaliação de todos ou de alguns dos riscos documentados.

Convém que os colaboradores sejam encorajados a reportar preocupações com o status quo (acomodação).

Convém que as empresas desenvolvam e implementem estratégias para melhorar a sua experiencia na gestão de riscos em conjunto com todos os demais aspectos da empresa.

A melhoria contínua no desempenho da organização é inter-relacionada à melhoria contínua do desempenho da gestão de riscos. Uma melhor gestão de riscos com base na tomada de decisão baseada no risco, reduz a incerteza no atingimento dos objetivos, minimizando a volatilidade e aumentando a agilidade.

A gestão de riscos deve estar incorporada à política da qualidade da empresa e, portanto, em todas as decisões e totalmente comunicada aos seus colaboradores.

Concluindo, deixo uma provocação para o leitor: Estará a sua organização preparada para gerir os riscos?

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Colorir ou não colorir, eis a questão!

A canície (nome científico dado ao embranquecimento dos fios) é mediada por vários fatores, sendo o genético o mais preponderante. Grosso modo podemos dizer que os brancos caucasianos começam a apresentar fios brancos entre os 35 e 45 anos. Os amarelos entre os 45 e 55 e os negros após os 55. Claro que isso depende de fatores pessoais e familiares, sendo que, em algumas famílias esse evento ocorre bem mais cedo.

Uma informação interessante é como esse processo se manifesta. Nos homens a sequencia é primeiro barba e bigode, depois lateral da cabeça seguida pela cabeça toda, região torácica e, finalmente a região pubiana. Nas mulheres, primeiro temos os cabelos e depois a região pubiana - vale lembrar que existem produtos específicos para colorir essa última região.

Sabe-se que na antiguidade, persas, hebreus, gregos e romanos, assim como chineses e hindus já utilizavam tinturas capilares de origem vegetal ou mineral. No entanto, um crescimento exponencial do comércio da coloração surgiu apenas após o desenvolvimento da química orgânica sintética e seu atrelamento à estética no final do século XIX - crescimento esse que rendeu ao século XX o título de “século das tinturas”.

A partir da terceira dinastia faraônica, os egípcios utilizavam um extrato de Lawsonia ineris (henna) em água quente para conferir ao cabelo um tom avermelhado. A henna misturada à Indigofera tinctoria (índigo) atribuía aos fi os um tom escuro. Henna, camomila e índigo formam tintas de origem vegetal que são utilizadas até hoje.

Os romanos aplicavam uma solução aquosa oxidante de acetato de chumbo ao pentear os cabelos diariamente, garantindo tons escuros que mascaravam o cinza. Galegos e saxões, por sua vez, usavam cores vibrantes para marcar status e intimidar inimigos no campo de batalha.

Os cabelos ruivos surgiram pela primeira vez como resultado de uma mutação genética na Idade das Trevas. Até o reino de Elizabeth I, os ruivos eram perseguidos por suspeita de bruxaria, e, por isso, muitos tingiam os cabelos de tons escuros.

O peróxido de hidrogênio, em solução aquosa a água oxigenada, foi mencionado inicialmente pelo químico francês L. Thénard. O composto passou a ser utilizado para descolorir os cabelos a partir de 1879.

Em busca da cura para a malária, W. Perkin, químico inglês, acidentalmente criou a primeira tinta sintética, de cor malva. Seu professor, A. Hoffman, derivou dessa cor o p-fenilenodiamino, que até hoje serve como base para muitas tinturas capilares permanentes.

Em 1880 a primeira patente mundial para coloração de cabelos foi concedida ao alemão E. Erdmann, que adicionou diaminas e aminofenois à base oxidante de p-fenilenodiamino. Nos 30 anos seguintes, mais de 150 outros compostos foram usados como variantes em 75 outras patentes.

A primeira tintura capilar segura foi desenvolvida com base no p-fenilenodiamino por E. Schueller, químico francês, que a chamou de Aureole. No ano seguinte, Schueller renomeou a tinta e criou uma empresa de mesmo nome: L’Oréal.

G. Boudou, renomado cabeleireiro de Paris, lançou a primeira linha de coloração, Inecto, com 11 cores.

Avanços no ramo da síntese orgânica permitiram o desenvolvimento mais padronizado de novas cores, com várias nuances elaboradas para reforçar os tons naturais do cabelo e encobrir os cabelos brancos. A primeira tinta de clareamento sem descoloração foi lançada pela empresa Clairol, oferecendo uma alternativa aos danos do peróxido de hidrogênio e amônia. A coloração em casa tornou-se um grande sucesso entre mulheres, que na época preferiam não divulgar que tingiam os cabelos.

Os punks ingleses da década de 70 impulsionaram o uso da tintura como expressão de estilo e subsequentemente a aceitação pública de colorações mais arrojadas. Colorantes passaram também a exercer função de tratamento do cabelo com adição de hidratantes e condicionadores.

Apesar da crescente popularidade das tinturas capilares e dos avanços científicos no ramo nos séculos XX e XXI, tinturas não são inofensivas. Por isso, alguns compostos utilizados em tintura devem ter concentração regulada, como é o caso dos parabenos, dos corantes metálicos, do formaldeído, do alcatrão, entre outros.

Então, voltando a questão inicial: colorir ou não? Vários trabalhos científicos estão sendo publicados mostrando que as tinturas, quando bem elaboradas, servem como protetor da haste capilar. As tinturas protegem contra as agressões climáticas, ambientais, do calor e da perda proteica.

Sendo assim o fato de colorir os cabelos ou deixa-los embranquecidos vai depender apenas do gosto individual.

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Microbiota e pele

A palavra microbioma signifi ca o conjunto de microrganismos vivos que habitam nosso corpo e interagem com o mesmo, tendo efeitos positivos ou negativos conforme sua composição e equilíbrio. Temos a companhia constante de trilhões desses agentes, convivendo pacificamente em nossos órgãos como, intestino, mucosas e a pele.

Por que isso é importante? Na realidade, assim como temos os nossos genes e nos tornamos indivíduos únicos, nossas bactérias também têm suas características específicas e próprias. O projeto “Human Microbioma Project” vem estudando através de técnicas muito avançadas a característica do microbioma humano. O mais interessante é que o microbioma de cada um funciona como uma impressão digital, sendo único e específico.

Muitos fatores interferem no tipo e comportamento desses microrganismos em nossa pele. A alimentação, o clima, a saúde de uma maneira geral, a raça, o local do corpo e principalmente remédios, como os antibióticos que modificam a característica desta microbiota, mudam o comportamento e aparência da pele.

A pele tem um papel muito importante em interagir com o meio-ambiente, protegendo-nos das agressões externas, inclusive da entrada de microrganismos agressivos ou de substâncias tóxicas. Para cumprir esse papel, a pele necessita manter sua microbiota equilibrada e funcionante, além de manter o pH e também o seu grau de hidratação.

As doenças da pele vêm sendo estudadas sob o ponto de vista do microbioma. Entre elas, uma em particular, que os estudos estão mais aprofundados, é a dermatite atópica. Nesse caso, foi observado que quando a pele do indivíduo atópico está inflamada o microbioma torna-se menos diversificado com aumento excessivo do staphylococcus aureus. Por outro lado, quando a pele se acalma e melhora o microbioma volta a ficar diversificado.

Há estudos sobre a relação do microbioma com outras doenças da pele, como acne, psoríase, rosácea, entre outras. Essa é uma nova perspectiva de conhecimento trazendo opções terapêuticas inovadoras.

Hoje vários nutricosméticos têm na sua composição microrganismos vivos (probióticos) que ajudam na recomposição e equilíbrio da microbiota natural. Em várias doenças dermatológicas, como acne, eczema atópico, psoríase e também na prevenção do envelhecimento já temos produtos que auxiliam nessa recuperação. Além de nutracêuticos, também já existem cosmecêuticos com prebióticos que são elementos positivos para o equilíbrio e melhor desempenho do microbioma cutâneo. Esses produtos trazem perspectivas de controle e equilíbrio para os microrganismos que convivem com nossa pele, sendo inovadores no auxilio do tratamento das doenças inflamatórias.

O estudo sistemático do microbioma cutâneo trará, com certeza, muitas contribuições terapêuticas no controle das doenças da pele.

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