21 de Outubro de 2018

Clareamento de Pele

Edicao Atual - Clareamento de Pele

Editorial

Voltamos a crescer

Após dois anos seguidos de queda – de 6% em 2015 e 9% em 2016 –, o setor cosmético voltou a registrar crescimento em 2017. A receita, descontados impostos e inflação, cresceu 2,77%, segundo informações da Abihpec. No entanto, a entidade destaca que, apesar de uma pequena recuperação nas vendas, o resultado está mais relacionado ao otimismo do consumidor do que a uma retomada consistente das empresas do setor.

Em entrevista à Cosmetics & Toiletries Brasil em dezembro do ano passado, João Carlos Basílio, presidente-executivo da Abihpec, ressaltou que o histórico do setor – com exceção das retrações de 2015 e 2016 – é registrar um desempenho superior ao PIB do país. Para este ano, a entidade projeta um crescimento real para o setor, fora a inflação, de 5%. Ele também destacou que a grande preocupação – e que pode estagnar a tendência de recuperação – continua sendo a carga tributária e a possibilidade de elevação de tributos.

Outra boa notícia para o setor neste início de ano foi o superávit comercial de US$ 9,6 milhões nos primeiros dois meses do ano. Segundo a associação, em janeiro e fevereiro, a indústria brasileira do setor exportou US$ 109,9 milhões, um crescimento de 16,5% ante o mesmo período do ano anterior. Já as importações alcançaram US$ 100,3 milhões, uma queda de 0,8% na mesma base de comparação. O último superávit do setor havia sido registrado em maio de 2017, de US$ 3,9 milhões.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil traz, na seção Enfoque, os cosméticos antipoluição. Na forma de séruns, loções, máscaras ou protetores solares, esses produtos têm a missão de prevenir ou minimizar os efeitos dos agentes poluentes na pele. Em Persona, apresentamos a trajetória de Tânia Cristina de Sá Dias.

Os artigos técnicos destacam as preocupações com a proteção solar mais segura; a recuperação da barreira epidérmica e o clareamento da pele com um extrato de grãos de café verde; e a importância da avaliação do comportamento de ingredientes utilizados para a proteção térmica dos cabelos; entre outros assuntos.

Hamilton dos Santos
Publisher

Proteção Solar mais Segura Parte 1 - John Stakek (CoValence Laboratories, Inc. Chandler, AZ, EUA); Shyam Gupta, PhD (Bioderm Research, Scottsdale, AZ, EUA)

Tem havido cada vez mais preocupação com a segurança dos tradicionais protetores solares em relação à pele humana e ao meio ambiente. Este artigo analisa essas preocupações. O conhecimento dessas dúvidas levanta novos conceitos e abordagens em relação aos protetores solares. A Parte II irá destacar essas ideias.

Se han expresado preocupaciones sobre la seguridad de los protectores solares tradicionales para la piel humana y el medio ambiente. Estos son revisados aquí. Comprender estas preocupaciones proporciona una idea de los nuevos conceptos y
enfoques para los protectores solares. La Parte II resaltará estas ideas.

Concerns have been raised over the safety of traditional sunscreens to human skin and the environment. These are reviewed here. Understanding these concerns provides insight on new concepts and approaches for sunscreens. Part II will highlight these ideas.

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Recuperação e Clareamento da Pele - C Zappelli, F Cicotti (Vitalab srl, Nápoles, Itália); A Tito, A Carola, A De Lucia, L Sena, A Tortora, M Bimonte (Arterra Bioscience, Nápoles, Itália); M Cucchiara (Intercos SpA, Agrate Brianza, Milão, Itália); F Apone, G Colucci, (Vitalab srl e Arterra Bioscience srl, Nápoles, Itália)

A recuperação da barreira epidérmica e a descamação de corneócitos mortos revigoram a pele envelhecida. A hiperpigmentação também se acumula à medida que a pele envelhece. Um extrato de grãos de café verde foi testado e indicado para resolver esses problemas.

La recuperación de la barrera epidérmica y la descamación de los corneocitos muertos revigorizan la piel envejecida. La hiperpigmentación también se acumula a medida que la piel envejece. Se probó y se encontró un extracto de grano de café verde para abordar estos problemas.

Epidermal barrier recovery and desquamation of dead corneocytes reinvigorate aged skin. Hyperpigmentation also accumulates as skin ages. A green coffee bean extract was tested and found to address these issues.

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Proteção Térmica Capilar - C Rosana Ribeiro de Castro Lima, T Batello Freire, A Rolim Baby, MV Robles Velasco, J do Rosário Matos (Universidade de São Paulo USP, São Paulo SP, Brasil)

Este trabalho demonstra a importância do estudo de pré-formulações de protetores térmicos empregados em cabelos. Ingredientes isolados e incorporados a diferentes veículos foram caracterizados por termogravimetria e espectroscopia na região do infravermelho. Foi constatada a importância da avaliação do comportamento térmico de ingredientes direcionados para a proteção térmica dos cabelos.

Este artículo muestra la importancia del estudio de las preformulaciones de protectores térmicos para el cabello. Los ingredientes aislados e incorporados en diferentes vehículos se caracterizaron por termogravimetría y espectroscopía infrarroja. Se verificó la importancia de la evaluación del comportamiento térmico de los ingredientes dirigidos a la protección térmica del cabello.

This paper shows the importance of the preformulations study of thermal protectors for hair. Isolated and incorporated ingredients into different vehicles were characterized by thermogravimetry and infrared spectroscopy. It was verifi ed the importance of the evaluation of the thermal behavior of ingredients directed to the thermal protection of hair.

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Folato Natural na Pele Humana - Steven W. Bailey e June E. Ayling (University of South Alabama, Mobile, AL, EUA)

O folato natural predominante na pele, o 5-MTHF, é intrinsecamente estável sob UV, mas pode degradar se os fotosensibilizadores estiverem presentes. O 5-MTHF submicromolar protege o DNA contra a oxidação, e os níveis de ascorbato presentes na pele ajudam a manter o folato nela. Níveis de folato diminuídos infl uenciam a taxa de dano do DNA. Este artigo explora como o reforço de folatos antes da exposição à UV pode proteger a pele contra danos ao DNA.

El folato natural predominante en la piel, 5-MTHF, es intrínsecamente estable bajo la radiación ultravioleta, pero puede degradarse si los fotosensibilizadores están presentes. El 5-MTHF submicromolar protege el ADN contra la oxidación y los niveles de ascorbato en la piel ayudan a mantener este ácido fólico. La disminución de los niveles de folato afecta la tasa de daño en el ADN, por lo que este artículo explora cómo reforzar los folatos, antes de la exposición a los rayos UV, podría proteger la piel contra el daño del ADN.

The predominant natural folate in skin, 5-MTHF, is intrinsically stable under UV but can degrade if photosensitizers are present. Sub-micromolar 5-MTHF protects DNA against oxidation, and ascorbate levels in skin help maintain this folate. Diminished folate levels impact the rate of DNA damage, thus this article explores how reinforcing skin folates prior to UV exposure could protect against DNA damage.

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John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

The new luxury

No ms de maro, tivemos em Bogot o evento Luxury Beauty Day, que foi um dia dedicado a apresentaes, conceitos e novidades no segmento de luxo. Como convidada principal, esteve conosco Karen Young, do The Young Group, de Nova York, que fez uma interessante apresentao sobre o futuro do luxo.

A percepo do luxo tem mudado nos ltimos 20 anos e, no entanto, sua definio tambm est em um processo de transformao. Antes, o luxo estava envolvido num conceito de exclusividade, rendimento superior, prazer, suntuosidade, indulgncia, sofisticao, desenho esttico, finos detalhes e mo de obra... Agora, o novo luxo est relacionado tambm com experincias, alta sensorialidade, transparncia, bem-estar, benefcios holsticos e qualidade de vida. precisamente nestes ltimos parmetros que as marcas de luxo esto concentrando os esforos para ter novos focos que possam cumprir os desejos dos novos consumidores.

On-line luxury: O segmento do luxo nos cosmticos muito interessante porque est crescendo desde 2016. De fato, diversas novas marcas dedicadas ao luxo esto crescendo muito e ganhando participao no mercado, acima de tudo porque o consumidor tem uma alta oferta de produtos que podem ser adquiridos on-line.

Baby brands: As marcas tradicionais esto perdendo participao no mercado, j que as novas marcas de luxo baby brands e indie brands esto atingindo um crescimento anual de dois dgitos.

Millenial luxury: Os millenials esto revolucionando o conceito de luxo, j que exigem um consumo mais tico. Antes, em alguns casos, o luxo no levava em conta os assuntos ambientais e, agora, os valores so outros e as marcas precisam se adaptar.

Prosumerism: Est relacionado com a conscincia das pessoas de fazer as coisas por si mesmas e cuidar do meio ambiente ao mesmo tempo. Esta tendncia est relacionada com tudo que se pode fazer mo, no que as redes sociais tm um papel importante, j que ensinam, por meio de tutoriais, e geram conexes com outras pessoas com os mesmos interesses. Finalizaes nicas e exclusivas como se observam nas tendncias nail care, tambm produtos como shampoos que podem ser feitos em casa com ingredientes nicos e raros que fornecem um toque exclusivo e diferente versus outros produtos do mercado.

Ecofashion: Os consumidores querem valor agregado em produtos como sabonetes feitos mo, com fragrncias e extratos nicos misturados com arte, j que os desenhos tm a tendncia de ser vanguardistas e comunicam personalizao, muitas horas de trabalho, criao e um toque individual.

Package free: Produtos que conceitualmente so mais luxuosos, no tm embalagem - um enfoque alinhado a tendncias veganas e orgnicas.

Provocation: Durante o simpsio, Alejandra Ortega apresentou uma interessante conferncia, que tinha como ttulo O luxo na era da provocao. Foi muito criativa porque ela evidenciou como as marcas do luxo se esforam para criar conceitos que provoquem o consumidor e apresentou os mandamentos do luxo no sculo XXI: exclusividade; preciso nos detalhes; alta qualidade; enriquecer a inovao; apostar na criatividade; e comunicar sobre a provocao.

Bifurcation: Essa uma tendncia muito interessante. Um recente estudo feito nos Estados Unidos mostrou que, durante os ltimos cinco anos, as marcas low-price e as marcas luxury tm tido um alto crescimento, enquanto as marcas de preo mdio se estagnaram. Esse comportamento tambm est relacionado com um recente estagnao da classe mdia em alguns pases. As marcas esto fazendo grandes esforos para se ajustar aos segmentos de hard-discount e ultra-luxury. Na Amrica Latina, comum ver que as lojas low-price se encontram ao lado das lojas de produtos luxuosos. Esses dois segmentos esto ganhando bastante participao no mercado nas lojas de preos tradicionais.

Luxury for rent: Para qu comprar o luxo se podemos alugar? Esta uma tendncia emergente, e as razes no so somente econmicas.

Luxury genderless: Na perfumaria, estamos vendo como os conceitos genderless esto em fervor no lanamento de fine fragrances. A no distino de gneros a nova norma. His e Her comeam a desaparecer nos conceitos. Essa tendncia tambm comea a estar presente em skin care e color cosmetics.

O luxo um conceito social que muda com o tempo. errado consider-lo esttico. Ele se adapta s correntes sociais e s tendncias. Os millenials tm sobrevivido democratizao do luxo. Por isso, muitas marcas esto se adaptando para oferecer mais experincias e bem-estar. Esse o novo luxo. De fato, esse ano a associao espanhola dos empresrios das marcas de luxo, Fortuny, pediu Real Academia Espanhola que modificasse a aceitao do vocbulo, aproximando-o mais ao emocional e ao acessvel que ao material e ao excesso.

A cosmtica na Amrica Latina tem uma grande oportunidade para inovar no mercado do luxo.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

A radiografia da cor

No faltam evidncias de que o brasileiro se relaciona mal com nossas verdades incmodas, e o racismo uma delas. Em uma nao de pouco mais de 500 anos de idade, quase 400 foram marcados pela escravido. H indcios de que aqui chegaram a partir de 1531, com a vinda de Martim Afonso de Souza, somando-se a 3,6 milhes quando foram libertos em 1888 com a Lei urea. Fomos a ltima nao americana a acabar com a escravido. No entanto, o objetivo da lei deveria ter sido pr fi m herana escravocrata e no apenas liberdade desestruturada que fez os mesmos se amotinarem em quilombos permanecendo margem da sociedade at hoje.

Para qualquer indicador que olhemos, veremos que os negros ficaram onde estavam em 1888, ou seja, na base da pirmide. assustador o abismo entre brancos e negros, seja em qualidade de vida ou perspectiva futura. De acordo com o IBGE, em 2015, a renda mdia do trabalhador branco era 1,8% maior que a do negro. O estrato dos 10% mais ricos composto por 70% de brancos, enquanto os 10% mais pobres formado por 74% de negros.

No se pode dizer que a massa de pobres do Brasil atinge brancos e negros igualmente. Dois indicadores revelam isto: a taxa de mortalidade infantil de filhos de mes negras 30% maior do que a de mes brancas. Entre os estratos mais desfavorecidos, enquanto 8% dos privados de acesso a saneamento bsico so brancos, 22% dos negros sofrem da mesma privao. Do ponto de vista educacional, a taxa de anos de estudo da populao branca 20% superior quando comparada com a dos negros (7,5 anos para os brancos x 6,2 para os negros), e o analfabetismo dos negros 34% maior. O sistema de cotas universitrias melhorou a situao, porm mesmo assim o nmero de negros matriculados apenas 27% do total. A representao da populao carcerria indica que 2/3 so formados por negros, e apenas 4,7% dos altos executivos so constitudos por negros. Nem na esfera pblica esta realidade diferente. Cerca de 20% do Congresso Nacional composto por negros e somente 15% do Judicirio Federal e Estadual contam com negros em suas cadeiras.

De acordo com um estudo feito pelo Instituto Ethos, aps uma sntese de vrios indicadores matematicamente martelados, a caminhar na velocidade em que vamos, sero necessrios 150 anos para atingirmos uma igualdade racial. Por que tamanha dificuldade na obteno do equilbrio? Estudiosos do assunto apontam a negao do racismo como um elemento que freia a velocidade da mudana. Diferentemente da nao norte-americana, que se intitula admitidamente racista e, por consequncia, luta abertamente contra tal, a nao brasileira nega o fato, o que no s o minimiza como impede que o mesmo ganhe corpo.

Diferentemente dos Estados Unidos, onde a miscigenao foi menor e os conflitos so mais acirrados, nosso racismo mais brando e de natureza mais discursiva do que prtica. Por mais curioso que parea, a miscigenao, que deveria ser uma das armas mais fortes contra o racismo, pouco eficaz naquilo que o nosso prprio Cdigo Penal imputa como crime. De acordo com Fernando Henrique Cardoso ex-presidente o melhor seria combater a indiferena ao invs do preconceito, pois no se elimina aquilo que no se aceita. Somos um pas racista onde ningum se assume como tal.

Como as empresas do segmento cosmtico podem contribuir para aumentar a velocidade da mudana? Talvez comeando a olhar primeiro para dentro de casa. Avaliar indicadores de empregabilidade, equidade salarial, os incentivos educao continuada e outras polticas que no dependem em nada do poder pblico.

Desta forma, estariam mudando o microuniverso para influenciarem o macro. Do ponto de vista externo, poderiam ajudar muito por incentivar a mudana cultural pelas campanhas publicitrias, por meio de seus institutos, alm de associar uma marca forte a uma causa estruturada, pois mais que uma campanha de marketing, o objetivo seria uma causa humanitria.

Sem dvida, entre as grandes causas a serem defendidas no futuro prximo est a da igualdade racial, que anda de mos dadas com a igualdade de gnero. Assim como a bandeira da sustentabilidade ambiental alavancou a imagem de muitas empresas e marcas nas dcadas passadas, com certeza estas duas novas cumpriro o mesmo papel, arregimentando novos consumidores que se identifi carem com elas.

O estmulo ao dilogo de que expor essa questo no um problema, mas a possibilidade de uma soluo - fator chave nesta mudana sociocultural.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Inteligncia artificial e qualidade

As tecnologias de inteligncia artificial esto para nossos dias como as redes sociais se apresentavam no ano 2000. O futuro indica que todas as empresas tero que utiliz-las se quiserem permanecer no mercado.

O prezado leitor deve, com certeza, j ter ouvido falar na indstria 4.0, que tem por embasamento a inteligncia artificial.

Quando iniciei minhas pesquisas sobre os conceitos da indstria 4.0, verifi quei que todos os processos envolvidos nesta estavam fortemente relacionados existncia de um processo de qualidade total na empresa.

E qual a razo para tal fato?

A indstria 4.0 aplica os mais variados processos e sistemas interligados. O propsito disso agilizar e atuar de modo seguro no atendimento dos objetivos, em alguns casos, conectando clientes e fornecedores da empresa. Nessa conexo, as informaes esto baseadas na existncia de dados confiveis sem que ocorra a necessidade de retrabalhos ou ajustes, provenientes de no conformidades.

Como em qualquer processo da qualidade, a participao do elemento humano tem papel fundamental, especialmente quanto ao comprometimento com esse processo.

Uma das questes que me tem sido apresentada se os seres humanos sero substitudos por mquinas.

A resposta que, obviamente, algumas atividades sero extintas ou substitudas, mas o tempo que se passar para que isso ocorra vai depender da soluo de problemas atualmente existentes, relativos ao desenvolvimento dos processos de interao de sistemas. Por exemplo: adequar o planejamento e a programao da produo com base nas informaes provenientes das vendas, em tempo real. J d para imaginar a economia que ser gerada com isso no processo, com a reduo de falhas, a reduo de perdas, a eliminao de produtos obsoletos etc.

Feitas essas breves consideraes, o prezado leitor ainda pode estar curioso quanto ao impacto da qualidade nesse processo de transformao.

Repito que, para que esse processo funcione, na empresa no deve existir desvio de informaes nem registros operacionais que no espelhem a realidade, ou seja, no devem existir os conhecidos quebragalhos.

O conceito de qualidade tem que estar implantado efetivamente e incorporado por todos os setores da organizao, em todos os nveis, e ser praticado por todos os colaboradores. Caso contrrio, esforos e investimentos sero perdidos.

Devemos lembrar cada vez mais do conceito de machine learning, ou seja, que as mquinas aprendem com a reprodutibilidade dos processos, os quais sero executados milhares de vezes, sem a possibilidade de falhas, como ocorre atualmente com as operaes controladas por humanos.

Outra considerao a ser feita que, a partir de agora, a alta direo no ter alternativa, a no ser optar por fazer essa transformao. Se ela no o fizer, com certeza vai constatar que ficou anos-luz atrs de seus principais concorrentes.

O medo de que a informtica somente para iniciados, vai gradualmente sendo superado.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Interao dos setores tcnicos

Continuando a falar sobre as interfaces do P&D, assunto que comeamos a tratar na edio anterior, abordando o relacionamento com os setores de marketing, financeiro e com fornecedores, importante relembrar sua relevncia. Como um produto resultado do trabalho de vrias pessoas e diferentes departamentos, o encaminhamento do assunto nas diversas intercesses de grande importncia.

No Brasil, na maioria dos casos, o setor de Assuntos Regulatrios ainda atua depois do P&D e tem, culturalmente, um procedimento mais operacional do que estratgico, o que uma perda considervel. claro que um entrosamento maior seria muito proveitoso. Se o pessoal de Assuntos Regulatrios operasse desde o incio do projeto, os excessos que podem acontecer por causa da empolgao com um novo produto seriam resolvidos antes que qualquer esforo ou trabalho fosse realizado. Neste formato, o relacionamento com o P&D poderia ser similar ao que acontece entre a produo e a qualidade. O acompanhamento do trabalho do laboratrio de desenvolvimento, a superviso na formao e atualizao do cadastro tcnico para mant-lo em conformidade com a legislao sanitria e as diretrizes tecnolgicas, a participao efetiva nas anlises de resultados e, ainda, o acompanhamento da criao das peas que iro compor a embalagem podem representar um ganho expressivo.

Como o P&D gera a tecnologia que ser aplicada na produo, o relacionamento entre estes dois setores deve ser estreito e constante. No desenvolvimento de uma formulao, os recursos da planta de produo devem ser considerados basicamente por dois motivos. Primeiro, para saber se existem condies adequadas para fabricar o novo produto em todas as suas etapas, incluindo envase e estocagem final. Depois, para verificar se o produto preparado pela produo ter o perfil de eficcia, segurana e estabilidade igual ou similar quele preparado no laboratrio. Por exemplo, emulses com agentes reolgicos podem ter viscosidades na faixa especifi cada e variar muito na distribuio e no tamanho das micelas, o que pode determinar um comportamento funcional diferente. O caminho inverso tambm deve ser considerado. A aquisio de novos equipamentos de produo deve ter a participao do P&D.

O papel da Qualidade na implantao de um novo produto ou processo deve ir alm de receber e at, eventualmente, criticar as suas especificaes. preciso que o P&D opere junto da Qualidade para avaliar se os mtodos analticos usados no desenvolvimento e na verifi cao da qualidade de lotes so eficazes e adequados. Tem ainda que elaborar, juntamente com a produo, o protocolo de validao de processo.

Quem acha que o trabalho do desenvolvimento acaba quando se entrega o novo produto para a produo est enganado. Saber como o produto se comporta no mundo real - que pode ser bem diferente do comportamento em laboratrio - decisivo, porque ele foi desenvolvido e fabricado para o consumidor.

preciso desenvolver metodologias para reduzir esta diferena, e quem deve fazer isto o P&D. Os relatos de cosmetovigilncia, junto com as pesquisas de satisfao, so as melhores fontes de consulta.

O mais importante saber que o trabalho de interface deve ser realizado com inteno e disposio colaborativas. Debates e discusses so esperados e at saudveis. O que deve ser evitado so os enfrentamentos e as disputas, com o objetivo de fazer prevalecer pontos de vista puramente pessoais, porque isso no faz parte do roteiro do sucesso.

Pelo contrrio, enfrentamentos deste tipo so vetores do custo invisvel, causam perda de competitividade e uma inevitvel reduo do nvel de satisfao profissional, o que pode comprometer o desempenho das pessoas e at da empresa.

Uma boa maneira de promover a interao e melhorar a eficincia dos diversos setores que compem a rea tcnica compilar indicadores especficos em um demonstrativo, que deve ser avaliado peridica e formalmente pelos responsveis de cada rea envolvida e tambm pelos gestores. Uma indstria em uma atividade de base tecnolgica no pode se limitar a se avaliar somente por demonstrativos financeiros, porque estes s representam parte do negcio. As concluses e as decises baseadas somente nestes relatrios podem ter um alto grau de risco ou ineficincia, porque so estabelecidas a partir de uma anlise incompleta.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Eles ainda esto por a... previna-se!

Nos ltimos dias de maro, o Ministrio da Sade voltou s manchetes, dessa feita da deciso de ampliar a vacinao contra a febre amarela para o todo pas, independentemente de a origem do foco ser urbana, provocada pela conhecida fmea do Aedes aegypti, responsvel pela dengue, ou silvestre, causada pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes.

Segundo as ltimas informaes dos noticirios, em 2018, alguns estados ainda faro a aplicao da dose fracionada da vacina e, a partir de 2019, a imunizao ser com a dose regular.

At o presente momento, no Brasil, foram verificados 900 casos comprovados de febre amarela, com 300 mortes, fato que justifica a ao de imunizao geral, considerando que esses casos ocorreram em reas diversas.

A baixa nfase inicial dos governos, federal e estaduais, no chamamento para a vacinao nas reas onde foram verificados macacos mortos pela doena e ocorrncias de casos isolados desse mal, bem como as dvidas trazidas pela imprensa quanto eficcia da vacina fracionada e, aos possveis efeitos colaterais da vacina e a restrio inicial da aplicao da vacina em idosos, pacientes com baixa imunidade e crianas menores que 9 meses, contrapem-se nova ordem, que prev uma ao ampla de vacinao da populao, de norte a sul do pas, fato que sinaliza a preocupao das autoridades quanto ao alastramento do surto de febre amarela.

Como sabido, a febre amarela uma velha conhecida da comunidade, de sanitaristas e de governantes no Brasil. Ao longo de 5 sculos essa doena est presente no pas, sendo que sua primeira manifestao urbana foi registrada em 1685, no Grande Recife, Pernambuco, onde permaneceu por 10 anos.

Uma nova atividade da doena foi verificada no incio do sculo XX, sendo erradicada em 1942. Sua forma silvestre foi identificada em 1932, e sua ltima ocorrncia foi no incio da dcada de 1940.

At ento, o combate da doena era feito unicamente nos ambientes internos das casas, nas galerias de guas e nos bueiros e esgotos a cu aberto. Para esse combate, eram utilizadas substncias hoje consideradas txicas, que eram rejeitadas pela prpria populao, temerosa de seus efeitos, assim como dos efeitos da prpria vacina.

O mosquito cosmopolita Aedes aegypti retornou ao Brasil no final da dcada de 1970. Apesar de intensos reforos do governo para conscientizar a populao, no foi possvel erradicar o mosquito e essa espcie trouxe consigo o vrus da dengue, da zica e da chicungunha.

Hoje, no nos protegemos dessas doenas somente com a vacina, os domissanitrios especficos e o fumac para a fumigao das reas urbanas. Passamos a ter a importante disponibilidade dos repelentes de uso direto e seguro sobre a pele. Esses repelentes, fabricados pelo nosso setor industrial, so reconhecidos como eficazes, fazem parte dos programas do Ministrio da Sade e gozam de prioridade analtica pela Anvisa. Os repelentes se tornaram importante ferramenta na preveno de doenas carreadas por esses vetores voadores, inconvenientes e perigosos.

Muitos repelentes com atividade comprovada contra o inseto causador da dengue, da zica e da chicungunha so igualmente eficazes contra os vetores da febre amarela. Entretanto, os fabricantes desses repelentes somente podero promover essa propriedade na rotulagem de seus produtos aps a comprovao da eficcia da proteo dos produtos contra essas doenas, por meio de testes que seguem protocolo atualizado e especfico para esse fim. Os laudos resultantes desses testes devem ser encaminhados Anvisa, para anlise e deferimento da nova propriedade, seguindo as demais formalidades.

Para a populao, da mesma forma que preciso constatar a eficcia desses produtos e o tempo de durao de repelncia dos vetores por eles, necessrio aumentar a reduo da carga tributria sobre esses produtos, que, segundo a Abihpec, j ocorreu em parte com impostos federais (IPI 0%) e estaduais, a exemplo da ICMS-ST. Entretanto, uma nova ao ainda se faz necessria para a eliminao dos demais tributos incidentes nos repelentes.

Os ingredientes ativos da composio dos repelentes so importados e representam a maior parcela do custo (60%) total desse tipo de produto.

Vamos agir rpido para sensibilizar as autoridades constitudas da rea de sade, bem como as responsveis pela TEC (tarifa externa comum) quanto necessidade de reduzir a alquota de impostos incidentes na importao desses ingredientes, tratando o caso como exceo, mesmo que temporariamente, devido singularidade do momento.

Trata-se de uma desonerao da qual o beneficirio ser, verdadeiramente, o consumidor final.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Melasma: o que importante saber?

O melasma uma mancha acastanhada que aparece principalmente em mulheres adultas de pele miscigenada. uma doena crnica no contagiosa e tambm sem gravidade, porm afeta a autoestima de maneira contundente.

Hoje sabemos que muitas clulas esto envolvidas com o aparecimento do melasma. O melancito (que a clula principal envolvida com o melasma) produz a melanina; o queratincito (que a clula da superfcie cutnea) informa o melancito sobre os estmulos externos; e o fibroblasto e o mastcito (que so clulas da parte mais profunda da pele) tambm comunicam e provocam o melancito com mais estmulos internos. Portanto, muitos fatores desencadeiam e pioram o melasma, tais como: sol, calor, estresse, alteraes hormonais, traumas locais e medicaes.

A gravidez um perodo em que o melasma pode aparecer ou piorar por causa do hormnio melancito estimulante, que aumenta muito. A plula anticoncepcional e o DIU Mirena tambm podem contribuir para a piora do melasma. Produtos cidos, como o cido retinoico, podem irritar a pele e piorar o melasma. A hidroquinona (que um timo clareador) pode causar alergia quando usada por bastante tempo e pode causar efeitos colaterais como ocronose e leucadermia (manchas brancas). Fazer depilao com cera pode irritar a pele e piorar o melasma.

O uso constante e frequente do filtro solar fundamental. Ele precisa ser um filtro fsico ou fsico/qumico com ampla proteo, ou seja, com FPS superior a 50 e PPD maior que 10. FPS a proteo em relao radiao UVB, e PPD o nome da proteo em relao ao UVA.

O filtro pode ter antioxidante e precisa ter alta cobertura e cor. A cor (base) fundamental para proteger e evitar o melasma. A cor do filtro protege da radiao visvel que est presente nas lmpadas e nos computadores e mancha a pele. Tambm usamos clareadores com cido kgico, arbutin, vitamina C e cido gliclico, entre outros. A pele precisa de hidratao constante, pois, caso contrrio, pode descamar, avermelhar e piorar o melasma.

O laser de NDyag o Qswiched o laser padro ouro para o tratamento do melasma, pois libera energia baixa e tem o pulso muito rpido e, dessa forma, no provoca queimadura ou irritao. So necessrias vrias sesses (de 10 a 15) para conseguir a melhora desejada. O tratamento deve ser feito entre os meses de abril e outubro, para evitar o excesso de sol. O microagulhamento e a microinfuso de medicamentos tambm so interessantes para tratar o melasma e podem ser feitos em combinao com o laser.

Hoje utilizamos tambm o cido tranexmico para o tratamento do melasma. Trata-se de uma substncia que consegue inibir os inmeros estmulos que provocam o aumento da produo de melanina. uma medicao usada para outros fins e que est sendo estudada para ser aprovada como tratamento do melasma. Esse medicamento precisa ser receitado pelo mdico dermatologista, pois h necessidade de exames prvios e avaliaes das possveis contraindicaes.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Cabelos e poluio

Dados da Organizao Mundial da Sade (OMS) mostram que aproximadamente 90% da populao mundial vive em cidades onde a qualidade do ar considerada m ou pssima.

Esta medida parte do princpio das quantidades de poluentes encontrados no ar. Esta medio feita atravs de aparelhos sofi sticados localizados em estaes epaciais que captam amostras de ar a cada 5 segundos e fazem 17 mil leituras por dia.

Medidores automticos tm um feixe de luz que atravessa a amostra de ar. Essa luz reala as partculas em suspenso e permite a identificao de tudo que est contido no ar. A amostra ento comparada a gases puros e certificados pela Agncia de Proteo Ambiental dos Estados Unidos, a EPA. A anlise ento processada e d um resultado numrico de partculas encontradas por metro cbico de ar.

Alm da poluio gasosa, o material particulado fino mais prejudicial pele e aos cabelos, causando um dano oxidativo no bulbo capilar e levando possibilidade de queda dos fios.

Ainda em relao pele do couro cabeludo, podemos ter, por conta das partculas encontradas no ar, agresses do tipo dermatite de contato por sensibilizao ou por irritante primrio, deixando-o mais sensvel e menos saudvel.

Como o folculo piloso uma via de fcil acesso corrente sangunea adjacente, podemos ter tambm a influncia de gases txicos no ar, como os do fumo (nicotina) ou outros elementos nocivos sade.

Cientistas da University of London acreditam que as toxinas encontradas no ar poludo e na fumaa do cigarro podem fazer com que o cabelo pare de crescer ao bloquear as protenas que produzem os fios.

Os pesquisadores confi rmaram que a calvcie hereditria, mas que fatores ambientais podem exacerb-la.

Para confirmar sua tese, eles retiraram folculos capilares de amostras de cabelo de homens com calvcie e os analisaram em laboratrio.

Estes cientistas identificaram deficincias no processo de crescimento dos fios, causadas por estresse oxidativo - que resulta no acmulo de radicais livres, danificando as clulas.

O estresse oxidativo agravado pelos efeitos da fumaa do cigarro e da poluio do ar, acrescentaram os especialistas.

Qualquer poluente que entre na corrente sangunea, na pele ou no folculo capilar pode causar algum tipo de estresse e interferir na capacidade do cabelo de construir a fibra capilar.

Conclui-se que, alm da base hereditria para a perda de cabelo, existem fatores ambientais que tambm devem ser considerados.

Com esses resultados do estudo, aumentam a esperana de novos tratamentos para a calvcie, que podem incluir o desenvolvimento de cremes para atuar localmente no combate aos efeitos dos poluentes.

Alm desses dados que podem afetar internamente os fios, temos os efeitos externos da poluio, pois as partculas em suspenso no ar tm uma capacidade muito grande de aderncia e entram em contato direto com as cutculas dos fios, alterando o brilho e a penteabilidade.

Como sabemos, brilho reflexo de luz, e uma cutcula no ntegra no reflete a luz. Outro agravante o excesso de oleosidade que acaba aparecendo pelo estmulo de alguns gases poluentes. Isso leva a uma maior sujidade e diminuio do brilho, alm de uma aparncia de menor volume.

Como resolver este problema? Como mudar de cidade e viver no campo no parece ser uma opo, temos que enfrentar a poluio da melhor maneira possvel, atravs da preveno e da correo dos danos, para que eles no sejam cumulativos e levem a uma situao sem volta.

Pode parecer simples, mas o segredo manter os cabelos sempre limpos, atravs de uma lavagem adequada, com produtos indicados para cada tipo de cabelos (shampoos, condicionadores, finalizadores), com tcnica correta e, eventualmente, a ajuda de produtos especialmente desenvolvidos para isso com a inteno no apenas de limpar os fios mas eliminar todos os vestgios da poluio.

Alguns truques simples: antes de lavar, deve-se escovar bem os cabelos, pois esta atitude vai fazer com que eliminemos grande parte das partculas e de sujidades ambientais maiores.

Depois, deve-se molhar os cabelos e o couro cabeludo com gua a uma temperatura entre 22 e 24C e aplicar o shampoo, fora da ao da gua, massageando a rea com as polpas digitais, com movimentos circulares, por cerca de trs minutos.

Aps esta etapa, deve-se proceder o enxague com gua corrente, de cima para baixo, de forma abundante, sem esfregar os fios ou o couro cabeludo, diminuindo-se a temperatura at a ambiente, para melhorar a penteabilidade e o brilho.

Pentear os fios com pentes que no provoquem eletricidade esttica (madeira ou osso) pode ajudar a finalizao.

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