Proteo Solar

Edicao Atual - Proteo Solar

Editorial

Tempos de incerteza

Em face da crise política e do enfraquecimento do governo Michel Temer, a sensação é de que os pequenos sinais de recuperação econômica divulgados nos últimos meses – como o avanço de 1% no PIB do 1º semestre do ano, após oito trimestres seguido de queda – não tenham como se sustentar.

Sabemos que em momentos de incerteza, consumidores e investidores tendem a se retrair. No entanto, apesar dos índices de confiança de alguns agentes econômicos registrarem pequenas quedas desde o mês de maio, há especialistas que acreditam no descolamento entre crise política e panorama econômico. O terremoto político que veio à tona no mês de maio interrompeu a recuperação da confi ança na economia. Há, contudo, a percepção de que fatores como o abrandamento da infl ação e a queda da taxa básica de juros devem evitar a piora do cenário econômico.

Segundo um estudo da Tendências Consultoria, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, a retomada tende a se consolidar nos próximos meses – com ou sem a permanência do presidente Michel Temer no cargo. Segundo o estudo, que abrange 28 indicadores, a melhora do cenário não representa apenas um resultado pontual, mas uma tendência que vem crescendo desde o fi nal de 2016.

Esta edição da revista Cosmetics & Toiletries Brasil traz, na seção Enfoque, o conceito de cosmetogenética. A reportagem destaca os benefícios da aproximação entre ciência cosmética e mapeamento genético, o que permitirá o desenvolvimento de produtos e tratamentos mais efi cientes e direcionados às necessidades de cada pessoa. A seção Persona apresenta a trajetória de Maria Inês Harris.

Os artigos técnicos abordam os requisitos regulatórios em cinco grandes mercados para os produtos com fi ltro, e os repelentes de insetos, com destaque para os ativos permitidos no Brasil, as formas cosméticas e os produtos disponíveis. Os abstracts dos postêres apresentados ao 30º. Congresso Brasileiro de Cosmetolgia serão publicados nesta e nas próximas duas edições.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher

 

Diretrizes Mundiais sobre Filtros Solares - Ricardo Azzini (HallStar South America, São Paulo SP, Brasil)

Os produtos com filtros solares têm classificações e exigências específicas de acordo com cada mercado. Neste artigo, são apresentados os requisitos regulatórios em vigor na Comunidade Europeia, nos Estados Unidos, na Austrália, no Canadá e no Mercosul.

Los productos con filtros solares tienen clasificaciones y requisitos específicos de acuerdo con cada mercado. En este artículo se presentan los requisitos reglamentarios vigentes en Comunidad Europea, Estados Unidos, Australia, Canadá y Mercosur.

The sunscreens products have specific classifications and requirements according to each market. This article presents the regulatory requirements in force in the European Community, United States, Australia, Canada and Mercosur.

Comprar

Repelentes de Insetos: Formulações - Cristal dos Santos Cerqueira Pinto, Elisabete Pereira dos Santos, Eduardo Ricci Júnior (Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro RJ, Brasil)

Neste artigo, os autores apresentam uma revisão bibliográfica dos principais ativos repelentes de insetos, sintéticos e naturais, atualmente utilizados. Também são abordadas as diferentes formas cosméticase os métodos para avaliar a segurança e a eficácia desses produtos.

En este artículo, los autores presentan una revisión bibliográfica de los principales activos repelentes de insectos, sintéticos y naturales, actualmente utilizados. También se abordan las diferentes formas cosméticas y los métodos para evaluar la seguridad y la eficacia de estos productos.

In this article, the authors present a review of the main repellent active insects, synthetic and natural, currently used. Also are discussed the different cosmetic forms and methods for assesment the safety and effi cacy of these products.

Comprar

Repelente de Insetos de Uso Diário - Silvana Kitadai Nakayama (Merck S.A., Barueri SP, Brasil)

Este artigo apresenta informações da avaliação de eficácia e segurança dos três ativos químicos sintéticos, autorizados pela Anvisa, para uso em cosméticos com ação repelente de insetos.

Este artículo presenta informaciones de la evaluación de eficacia y seguridad de los tres activos químicos sintéticos, autorizados en Brasil, para uso en cosméticos con acción repelente de insectos.

This article presents information on the efficacy and safety assesment of the three synthetic chemical ingredients, authorized in Brazil, for use in cosmetics with insect repellent action.

Comprar

Gordura Facial como Alvo Antienvelhecimento - Tomonobu Ezure, PhD (Shiseido Research Center, Yokohama, Japão)

A morfologia facial está associada ao tecido adiposo subcutâneo (sFAT), à elasticidade da derme e à estrutura da camada dérmica. Foi desenvolvida uma co-cultura de fibroblasto/adipócito para examinar as interações entre essas entidades. Depois de serem identificados seus mecanismos, foi testado um extrato de tien-cha ou chá doce para conhecer seus efeitos sobre adipócitos e seu potencial para melhorar a morfologia da pele facial.

La morfología facial se asocia con el tejido adiposo subcutáneo (sFAT), con la elasticidad dérmica y con la estructura de la capa dérmica. Por lo tanto, un co-cultivo de fibroblastos/adipocitos se desarrolló para evaluar las interacciones entre estas entidades. Una vez que sus mecanismos fueron identificados, un té de tien-cha o té-dulce, fue probado por sus efectos sobre los adipocitos y el potencial para mejorar la morfología de la piel facial.

Facial morphology is associated with subcutaneous adipose tissue (sFAT), dermal elasticity and the dermal layer structure. Thus, a fibroblast/adipocyte co-culture was developed to examine the interactions between these entities. Once their mechanisms were identified, a tien-cha or sweet tea, extract was tested for its effects on adipocytes and potential to improve facial morphology.

Comprar
Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Os nmeros so bons, mas no to bons

Temos escutado boas novidades do lado da balana comercial (diferena em dlares entre os valores referentes s exportaes e importaes). De fato, o aumento de 19,3% nas exportaes registrado no primeiro semestre do ano (em relao ao mesmo perodo de 2016) uma boa notcia, pois, se for mantido, deixar em caixa um supervit positivo na faixa de 36,2 bilhes (recorde na srie histrica dos ltimos 20 anos). No entanto, importante avaliar a composio do nmero e o seu significado, pois os nmeros esto a sempre a nos enganar.

Infelizmente, este crescimento nas exportaes se d sobre uma base podre o ano ruim de 2016. Se fizermos a mesma anlise em relao mdia das exportaes dos ltimos cinco anos 2012/2016 , este aumento ser de apenas 2,2%, ou 11,3% no decnio 2007/2016.

Do lado das importaes, a outra ponta da balana comercial, o primeiro semestre deste ano apresentou um crescimento de 5,8% em relao ao mesmo perodo do ano passado. Porm, note que, em relao aos ltimos cinco anos, houve um decrscimo de 28,6% ou um decrscimo de 18,3% para o decnio.

mesma concluso se chega analisando a Corrente de Comrcio, que mede a quantidade de valor transacionada (soma das exportaes e importaes): um grande aumento em relao ao ano passado (14,3%), porm grandes decrscimos se comparados com a mdia dos ltimos cinco anos (-12,7%) ou no decnio (-2,7%). Na verdade, o que os nmeros parecem indicar um retorno aos antigos nveis.

Olhando desta forma, temos um saldo percentual positivo na balana comercial no semestre em relao ao ano passado, ou mesmo em relao aos ltimos cinco anos ou no decnio, porm custa de uma grande diminuio das importaes e no de um significativo aumento das exportaes.

O que isto significa? Se a diminuio nas importaes estivesse ocorrendo em um ambiente de aquecimento econmico, o indicador teria mais probabilidade de apontar para uma boa notcia, pois poderia indicar que bens essenciais importados estariam sendo substitudos pelos fabricados internamente. Mas ns sabemos que a economia no est aquecida. Portanto, muito provvel que a diminuio das importaes esteja ocorrendo pelo fato de que estamos produzindo menos em razo da recesso.

O que estamos exportando e importando neste primeiro semestre?

Os produtos so divididos em grupos: bsicos (commodities agrcolas e minerais de baixo valor agregado), semimanufaturados e manufaturados (produtos acabados, em geral com alto valor agregado). Sendo assim, do supervit obtido no primeiro semestre de 2017, qual o percentual de produtos manufaturados exportados? Somente 35% correspondem a este grupo, que composto por produtos como automveis e avies, enquanto o percentual de produtos bsicos representou 48,7% formados pelas exportaes de soja, minrio de ferro e petrleo. Do lado das importaes, vemos que importamos mais produtos manufaturados (84,5% - medicamentos, circuitos eletrnicos) do que produtos bsicos (11,2% - peixes, trigo, arroz). No perodo, os nmeros revelam que os produtos exportados manufaturados cresceram apenas 10,1% em relao ao mesmo perodo do ano anterior, enquanto os produtos bsicos cresceram 27,2%.

Os nmeros abertos mostram que ainda temos uma economia fortemente voltada para a venda de matrias-primas de baixo valor agregado e compra de produtos acabados de alto valor agregado
caracterstica esta de pases em desenvolvimento.

Em relao indstria cosmtica, as exportaes cresceram (4,2%) mais que as importaes (2,4%), porm o faturamento das importaes em dlares 30% maior. Em outras palavras, a balana comercial dos produtos cosmticos apresenta um dficit de 53,5 milhes neste semestre em relao ao ano anterior.

Em tempo, uma viso geopoltica nos mostra que, em relao aos BRICS, no geral vamos bem. As exportaes totais para o bloco aumentaram 37,4% no perodo e este ano representam 29,2% do faturamento das exportaes, e as importaes aumentaram 13,4% e representam 21,1% do faturamento, deixando ainda um supervit de 16,4 milhes. Individualmente, a China representa o maior parceiro comercial, com 25% das exportaes, e responsvel por 40,6% do supervit da balana comercial (14,7 bilhes). Esta forte dependncia em relao a um nico parceiro, principalmente por ser um pas de economia semiaberta como a China, preocupante, uma vez que qualquer abalo geopoltico (variveis ambientais, ataques cibernticos, indisposies polticas, como avanos nucleares da Coreia do Norte etc.) pode mudar radicalmente o nosso cenrio.

Portanto, os nmeros so bons, mas no to bons quanto se alardeia. Muito tem que ser feito na economia para uma real comemorao pelo crescimento.

John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

Fitmetics

Apesar do ritmo acelerado em que vivemos e da falta de tempo, todos ns queremos fazer mais exerccios porque somos conscientes dos benefcios que eles trazem para a nossa sade, nosso bem-estar e a preveno de alguns sinais da idade. Algumas prticas tradicionais, como correr, nadar, andar de bicicleta e ir academia, alm de crossfit, zumba e outros exerccios mais complexos que esto na moda - como k-box, tai-ski, acrogym e Fit-45 (uma variedade de HIIT - treino com intervalos de alta intensidade)-, entre outros, esto apagando a fina linha que separa o esporte e a beleza.

Essa tendncia ficou em evidncia nas Olimpadas Rio 2016. Usar maquiagem no esporte no novidade se pensarmos na disciplina que encontramos na ginstica rtmica e no nado sincronizado, mas foi novidade quando apareceu em quase todas as modalidades, incluindo a equipe de hockey feminino, as atletas e a ginstica esportiva. As atletas estavam perfeitamente maquiadas, com mscaras impecveis, sombras nos olhos e batons, que se mantiveram perfeitos durante o tempo que durou a competio.

Um recente estudo revelou que 59% dos consumidores chineses esto dispostos a fazer mais exerccios para ter uma pele mais saudvel, 30% dos britnicos que procuram as academias utilizam o servio de spa e os tratamentos do club, 39% dos norte-americanos sentem frustrao ao utilizarem maquiagem que no seja duradoura, e 53% dos consumidores italianos esto interessados em produtos corporais que reforcem e prolonguem os efeitos da atividade fsica.

Portanto, estamos no auge de uma srie de produtos cosmticos criados especialmente para satisfazer as necessidades desse grupo de usurios. Na continuao, apresentaremos algumas das tendncias e alguns termos interessantes:

Athleisure: As roupas esportivas j no so reservadas somente para a academia. Esta tendncia se v refletida pela necessidade de ir academia ou das aulas de yoga e em seguida sair com os amigos. O estilo sporty se consolida com um novo streetstyle, no qual vemos como apressados desenhistas esto combinando sneakers, leggings e bombers com camisas quadriculadas e tambm vemos como as sapatilhas esportivas esto substituindo os sapatos de salto alto. Os cosmticos so fundamentais nesse mix esportivo e na moda prt--porter.

Active Beauty: Essa resume a mistura entre cosmticos e esporte e tomar um lugar permanente no mercado mundial da beleza. interessante ver como as marcas de cosmticos esto criando inovaes para que os produtos sejam usados antes, durante e depois da atividade fsica. Produtos adaptveis ao esporte e com benefcios reais para a sade so os novos claims que esto crescendo.

Termo-Beauty: Novas formas de cremes e leos que so ativados com a temperatura, na gua e com o suor, graas a tecnologias de microencapsulamento sensveis ao calor. Esta tendncia tambm inclui peas esportivas que revelam a temperatura corporal e transmitem sinais sobre a taxa de hidratao da pele, de forma que seja possvel usar o produto apropriado no momento em que for necessrio.

Activewear: Segundo a Euromonitor, um sexto do total dos gastos com peas de vesturio no mundo corresponde a peas esportivas. interessante ver como todo o conceito de cosmetotextiles est gerando um novo mundo de claims cosmticos nas peas esportivas.

Gym-friendly: A maquiagem para o gym prova de suor est no auge e consolidando uma importante tendncia. Muitas mulheres querem fazer exerccios maquiadas, de forma que possam conseguir a selfi e perfeita em frente ao espelho. Tambm estamos vendo cremes hidratantes com cores e proteo solar para esportistas que se exercitam ao ar livre, mscaras e ps compactos resistentes ao suor, delineadores waterproof com a promessa de que no escorrem nem sequer em atividades esportivas mais intensas.

Skin Fitness: Este ano algumas marcas lanaram produtos especiais para a pele dos esportistas, incluindo cremes com ao tonifi cante que ajudam na recuperao muscular com o aval de especialistas em medicina esportiva. Outra marca anunciou recentemente o lanamento de uma linha com mais de 30 referncias adaptadas ao treino fsico, incluindo guas micelares que hidratam a pele depois do exerccio. Os produtos para homens esto tendo claims interessantes, como os protetores solares antigua, antivento e resistentes a altas temperaturas.

Fragrncias esportivas: Especificamente criadas para serem usadas antes, durante e depois de praticar esporte. Geralmente so frescas e ctricas para transmitir uma sensao de limpeza, podem seguir trabalhando baixo o efeito do suor e tambm de produtos relaxantes que se usam logo em seguida do exerccio. Vemos tecnologias de encapsulamento que so ativadas com o suor, o movimento e a temperatura.

Fitmetics = Fitness + Cosmetics, interessante mix entre esporte e beleza. Estamos diante da nova era dos cosmticos esportivos. Agora estar maquiada para ir academia ou sair para correr trendy, e somos testemunhas de como a inovao em conceitos e em frmulas permite que as pessoas faam esporte sem deixar de tirar partido do seu rosto.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Mixrdia & Miscelnea

Aurlio Buarque de Holanda, em seu Novo Aurlio: O dicionrio da lngua portuguesa sculo XXI, descreve mixrdia como (1) mistura desordenada de coisas diversas; (2) confuso. J o Novo Michaelis: Dicionrio Ilustrado refere-se miscelnea como confuso; amontoamento.

Pois , essas palavras refletem o que vivemos hoje e nossa expectativa do que est por vir no que se refere rotulagem dos produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosmticos.

Recentemente (em novembro de 2016), em reunio da Gerncia de Controle Sanitrio de Produtos e Empresas em Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados (GCPAF) com as reas tcnicas da Anvisa, ficou definido que deveria constar da rotulagem dos produtos, nos casos de importaes terceirizadas, o texto a seguir: Importado por (nome da empresa terceira/trading), em nome de (nome do detentor do registro). A justificativa da exigncia desse texto na rotulagem foi a de que a forma de harmonizar o entendimento entre a Anvisa e a Receita Federal sobre a figura do importador.

Essa deciso tem causado grande impacto nas empresas importadoras que passaram a ser obrigadas a alterar a informao que constava da rotulagem de seus produtos, como prevista na regulamentao sanitria vigente, que estabelece a figura do importador como a detentora do registro do produto no Brasil.

No houve comunicado oficial s entidades representativas do setor a respeito dessa mudana, assim como no ocorreu alterao na resoluo pertinente, a RDC n 7/15.

Agora estamos prestes a conhecer o teor de uma nova Consulta Pblica (CP) sobre a rotulagem de produtos, no s dos sujeitos a registro, bem como para aqueles que so isentos desse procedimento. Essa consulta ter os objetivos de regulamentar alteraes e incluses e estabelecer condies para a coexistncia de mais de uma arte grfica para um mesmo produto, com cores diferentes, incluso de personagens, entre outros diferenciais que a Anvisa entender que representem baixo risco sanitrio.

A viabilizao dessa proposta ser sustentada pela criao de um novo assunto de petio no sistema Datavisa.

A Consulta Pblica vai propor igualmente para quais alteraes ou incluses de rotulagem, por exemplo, de cor, de logomarca, de responsvel tcnico (?), de endereo da sede etc., a empresa estar dispensada de submeter solicitao de mudana.

Apenas alteraes consideradas de alto risco sanitrio -
modo de uso, advertncias e composio -, entre outras relevantes, devero estar previstas no teor da CP. Essas alteraes, em produtos sujeitos a registro, sero objeto de peticionamento e anlise.

At a tudo bem, se no fosse a contrapartida proposta pela Anvisa, para essas magras benesses: o pagamento de taxas para alteraes e incluses de rotulagem no contempladas com iseno. Tudo isso a despeito da RDC n 222/06 e da Portaria n 45/17, referentes aos preos pblicos de servios prestados pela Anvisa no contemplarem a cobrana para quaisquer alteraes e/ou incluses de rotulagem em produtos de HPPC.

Hoje, observamos no mercado grande nmero de produtos com rotulagens inadequadas quanto finalidade e aos atributos, ou que no atendem requisitos bsicos, como dizeres gerais e especficos.

Prova contundente dessa afirmao foi citada nas estatsticas apresentadas por ocasio da reunio da Dicol, realizada no dia 4 de julho, entre elas a de que 80% dos rtulos avaliados no monitoramento de mercado apresentavam alguma irregularidade.

Outra estatstica a de que, das solicitaes de registro ou de alteraes, 43% entram em exigncia, sendo que 60% destas so referentes rotulagem.

No momento em que escrevia esta coluna, consultei o controle que estima os tempos de espera na fila para a anlise de novos registros. Os tempos previstos de espera so: pouco mais de 3 meses para a manifestao da rea tcnica da Anvisa; 6 meses para a realizao de alteraes de produtos sujeitos a registro; e, pasmem, 17 meses para sua revalidao! Esses dados no so nada animadores para a maioria das empresas, considerando que somente grupo reduzido possui recursos econmicos para abreviar esses tempos de espera por meio de aes judiciais, para assim obrigar a Anvisa a priorizar a anlise de produtos peticionados. Tudo isso comprova a carncia de pessoal tcnico para anlise. O tempo de espera vem sendo reduzido a passos ainda lentos, entretanto, continua afetando a comercializao de muitas empresas que no conseguem colocar seus produtos a tempo no mercado, a exemplo dos produtos sazonais, atualizaes tcnicas e/ou mercadolgicas necessrias e peridicas nesse dinmico setor.

O pagamento de taxa para alterao de rotulagem, a meu ver, assim como para a maioria das empresas, carece de consistncia, da mesma forma com o que passou com outros pleitos nesse sentido, recentemente.

Dessa forma, embora essa Consulta Pblica tenha um curto espao de tempo (30 dias) para manifestaes, importante que voc participe dela.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Elevao cosmetodinmica

A expresso cosmetodinmica uma adaptao de farmacodinmica, que a parte da farmacologia que estuda os efeitos das drogas ou frmacos nos organismos, seus mecanismos de ao e a relao entre a dose do frmaco e efeito (Goodman & Gilman, 2005). Como no se fala em dose para uso tpico, podemos definir cosmetodinmica como a parte da cosmetologia que estuda os mecanismos de ao dos cosmticos e a relao entre a concentrao de ingredientes e seus efeitos. O assunto ainda no tem um tratamento de destaque, mas certamente ter em um futuro prximo. Esta uma situao diferente da que existia h algum tempo, quando se avaliava tecnicamente somente o aspecto, o sensorial e a estabilidade do produto, negligenciando completamente a avaliao da segurana e da eficcia. E isto estranho porque estes so os atributos mais importantes para os consumidores.

Um importante fenmeno cosmetodinmico a elevao da concentrao dos ingredientes da formulao que ocorre com a dinmica do uso de uma grande categoria de produtos, como emulses
marcadamente as do tipo O/A-, solues e gis aquosos ou hidroalcolicos. Esta elevao pode ser expressiva e provavelmente o gatilho fundamental a partir do qual um produto expressar todos os seus efeitos, incluindo os indesejveis. Para compreender melhor o que ocorre, vamos raciocinar utilizando uma formulao genrica de um creme O/A que contm em sua composio um conservante hipottico, que chamaremos de Conservante C, que permitido se usado no mximo a 1%.

Se considerarmos que, na aplicao do produto, 95% da gua vai evanescer, a concentrao dos outros ingredientes vai aumentar no filme que se formar sobre a pele. O nosso Conservante C cujo mximo permitido 1% - nesta nova confi gurao atinge a concentrao de 2,68%, bem acima do mximo, o que pode ser uma preocupao. Vamos analisar outra situao. Imaginemos que este produto foi um sucesso, no gerou nenhum efeito indesejvel e, assim, o fabricante resolveu lanar a verso em loo cremosa com a formulao ao lado.

Aplicando o mesmo raciocnio, a concentrao do nosso conservante atingir impressionantes 6,17% no filme que restar sobre a pele, ou seja, mais de seis vezes o mximo permitido.

Se a nova loo cremosa comear a causar reclamao de irritao, esta pode ser a causa. A situao pode ser ainda mais crtica nos gis e nas solues aquosas, em que a quantidade que evanesce normalmente muito alta.

A voc pode pensar duas coisas. A primeira que a lista de conservantes permitidos, que tambm estabelece a concentrao mxima permitida, foi para o brejo. No bem assim. Esta lista importante, mas precisa ser usada considerando a sua relatividade. Assim questionvel a ideia de usar o mximo da concentrao permitida do conservante para evitar problemas. O segundo pensamento Como se resolve?. Esta resposta mais difcil, mas certamente passa pelo estudo prvio dos ingredientes que iro compor a formulao, definindo criteriosamente a concentrao daqueles que podem ser agressivos, como os conservantes, por exemplo: por um estudo de segurana consistente que possa avaliar o potencial de irritao da formulao; pelas boas prticas de fabricao; e, finalmente, por um sistema de cosmetovigilncia efetivo e competente.


*Tabelas ilustrativas disponveis nas edies impressa e digital

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

A importncia do batoque

As embalagens se dividem por famlias, sendo que a mais usada nos cosmticos a dos plsticos. Encontramos os plsticos em praticamente todo produto cosmtico.

Se falarmos de shampoos, todas as peas so plsticas: frasco, tampa e rtulo. Em um perfume, o frasco de vidro, mas a vlvula tem componentes plsticos, assim como a tampa, e at mesmo a caixinha (cartucho) pode ser de plstico. Nas embalagens de maquiagem, encontramos o plstico em quase tudo.

Enfim, o plstico realmente tem uma importncia muito grande no mundo cosmtico, seja ele usado em um processo de sopro (frascos, potes etc.), seja em um processo de injeo (tampas, estojos etc.), no qual as peas so rgidas.

Na verdade, plstico o nome genrico que damos a essas resinas derivadas do petrleo, mas j com a opo do plstico ecolgico, chamado plstico verde, derivado de vegetais, ainda pouco usado em funo do seu alto preo.

Na embalagem de um produto cosmtico, encontramos vrios subcomponentes. Todos tm sua funo e importncia. Uma pea que passa despercebida pelo consumidor e no se d muita importncia o batoque.

O consumidor no identifi ca essa pea, a no ser que ela no funcione ou tenha algum defeito, principalmente de ordem dimensional.

Batoque na verdade o nome que se d quela pecinha que encontramos normalmente na parte interna do gargalo de um frasco.

O batoque tem vrias funes. No gargalo de um tubo de rmel, encontramos o batoque que tem a funo de tirar o excesso de produto que fica na escovinha. uma pea de fundamental importncia nesse produto. As cerdas da escovinha de um rmel tm seu tamanho (dimetro) bem maior que o furo da boca do tubo. Ao passar pelo batoque, o excesso de produto fica retido no batoque e volta para dentro do tubo, de maneira que na escovinha fique uma quantidade suficiente para uso nos clios sem o risco de borrar.

Outra funo importante do batoque reduzir a quantidade de produto que sai do frasco. Em um leo de banho, por exemplo, a boca do frasco tem um dimetro grande. Se no houvesse o batoque, seria bem difcil seu uso. Nesse caso, o batoque tem um pequeno furo no meio, por onde passa uma quantidade limitada de produto, ideal para colocar na mo e passar no corpo ou mesmo passar direto no corpo, sem desperdcio.

Existe o chamado batoque cego, que exatamente igual aos demais, porm no tem furo. Esse tipo de batoque tem a importante funo de vedar a embalagem para evitar o vazamento do produto.

Nessa mesma famlia dos batoques, existe o cascaseal, que uma espcie de tampa sem rosca colocada na boca dos potes de creme com a funo de evitar que o produto tenha contato direto com a tampa. Nesse caso, ao usar o produto, necessrio retirar essa pea. muito usado nos dermocosmticos e em produtos com possibilidade de contaminao microbiolgica.

No podemos deixar de falar tambm do disco de polexan, pea fundamental para evitar vazamento em produtos lquidos tais como colnias (inserida no interior da vlvula) e loes (inserida na parte interna superior da tampa).

Essa pea pouco conhecida pelos consumidores chamada batoque no tem tanta importncia quando falamos do seu aspecto visual, pois ela fica escondida no conjunto da embalagem, porm ela tem uma importncia gigante quando falamos do aspecto dimensional. Quero dizer com isso que praticamente no pode haver variao no tamanho dessa pea, sob pena de comprometer toda a sua funo, por conta da vedao e do aspecto limitador de uso da quantidade do produto.

Por ser uma pea injetada, quase no existe variao de tamanho, considerando as diversas cavidades do molde. Porm, variao de temperatura para mais ou para menos alm do permitido durante o processo de injeo, assim como o desgaste do molde, pode causar problemas que comprometam o dimensional da pea.

Para agravar o problema, existem poucos fabricantes especializados na produo dessa pea.

O PP, sigla do plstico polipropileno, o material usado para injetar o batoque.

Enfim, s vezes numa embalagem de cosmtico, damos total importncia para o frasco e a tampa e no raras vezes o que vai nos tirar o sono um tal de batoque!

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

O que voc ainda precisa saber sobre repelentes

Existem vrias doenas que so transmitidas por insetos, causando danos irreversveis e at morte. Infelizmente, a dengue j comprometeu mais de 50 milhes de pessoas e, agora, o zica est provavelmente associado microcefalia, tornando a gravidez um grande risco nesse momento. Portanto, enquanto no existe vacina ou tratamento especfico, muito importante usar repelentes que evitem picadas de insetos.

Os repelentes tpicos atuam formando uma camada de vapor acima da pele, que tem odor repulsivo para os insetos. Eles podem ter vrias apresentaes como aerossol, gel, loo e spray.

Muitos fatores diminuem a eficcia dos repelentes, como presena de inflamao e alergia na pele, ingesto de lcool, vestimentas coloridas e escuras, umidade, calor e perfumes florais, entre outros. Sendo assim, importante ressaltar que o repelente no protege igualmente todos os seus usurios. Cada 10C a mais na temperatura ambiente pode diminuir em at 50% a eficcia do repelente. No Brasil, em certas regies muito quentes, este fato muito relevante, deixando as pessoas desprotegidas. Existem basicamente trs substncias que tm ao cientificamente comprovada contra o mosquito. So elas: DEET-concentrao 6-14% - tempo de durao de 2 horas, Icaridina concentrao 25-50% - tempo de durao de 5 a 10 horas, IR 3535 - durao de at 4 horas e leo de citronela - concentrao de 1,8% - durao de at 2 horas.

Estas substncias so efi cazes para proteger a pele e tambm em relao ao Aedes aegypti, porm a durao de cada componente diferente.

O uso do repelente em crianas menores de 6 meses contraindicado formalmente. Em crianas de 6 a 24 meses, ele deve ser usado apenas em situaes de risco. As crianas de 2 a 12 anos devem usar o produto de preferncia com a especificao para esta idade. Os trabalhos cientficos advertem que, em crianas, melhor utilizar a menor concentrao efetiva.

Em relao aos ativos existentes, a Icaridina, em concentraes de 10%, confere proteo de 3 a 5 horas e com 20% de 8 a 10 horas, sendo recomendvel para crianas e grvidas, pelo tempo menor de durao. Sua reaplicao pode ter intervalos maiores. A potncia dessa substncia, em relao ao Aedes aegypt de 1,1 a 2 vezes mais potente que o DEET. O IR3535 um biopesticida sinttico usado h mais de 20 anos em concentrao de 10% e protege de 4 a 6 horas, sendo seguro para gestantes e crianas.

Outros repelentes com leos naturais, como de soja ou citronela, tm durao menor e precisam ser reaplicados muitas vezes.

Sempre bom lembrar que, alm de usar repelentes, a proteo tambm deve ser feita com mosquiteiro, telas e roupas de tecidos claros e tramas fechadas. O mosquito atrado pelas cores mais escuras e tambm por aromas como perfumes. As telas e os mosqueteiros podem ser impregnados de permetrina.

Durante a noite, intil usar repelentes, pois o lenol ou cobertor anulam sua ao. Tambm no adianta passar repelente e colocar roupa por cima, mas ele pode ser usado por cima da roupa.

Orientaes de uso: passar uma quantidade suficiente para cobrir a pele. Evitar o uso em qualquer mucosa (nariz, lbios e olhos), pois so irritantes.

A ao do repelente limita-se a um raio de 2 centmetros e, por isso, deve-se fazer uma boa distribuio do produto. A proteo ocorre at 4 centmetros acima da pele.

Deve-se repetir o uso conforme a orientao do fabricante. Evite usar mais do que 3 vezes ao dia.

Quando h necessidade de usar filtro solar ou hidratante, o repelente sempre o ltimo a ser usado.

No deve ser usado em crianas menores de 6 meses. Em crianas de 6 meses a 2 anos, s aplicar 1 vez ao dia. Em crianas de 2 a 12 anos e grvidas, aplicar at 3 vezes ao dia. Os pais devem passar nas crianas e no permitir que elas manipulem o produto.

As grvidas devem seguir a mesma orientao e os mesmos cuidados que as crianas.

Todos os repelentes com DEET, Icaridina e IR3535 funcionam contra o Aedes aegypti, porm tm durao diferente.

Fatores ambientais e genticos podem influenciar a durao do repelente.

Cada 10C a mais diminui drasticamente a ao do repelente.

Todas as protees, alm do repelente, so importantes e interessantes.

Aps o trmino do tempo de durao do repelente, a pele deve ser lavada com gua e sabo.

Evitar protetores solares com repelentes, pois so ineficazes. Lave sempre as mos aps manipular os repelentes. No durma com repelente.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

Mais uma jabuticaba

O ms de agosto est chegando e, com ele, j podemos encontrar a pequena frutinha negra.

Embora existam mais de 12 espcies de jabuticaba e o vegetal esteja presente no Brasil e em outros pases, sabe-se l por que a jabuticaba est associada com coisas singulares e que s acontecem no Brasil.

Citada pela primeira vez pelo economista Prsio Arida para explicar o porqu das taxas de juros brasileiras, a teoria da jabuticaba consiste na existncia de fatos e costumes que s existem no Brasil - uma jabuticaba brasileira.

Se no bastassem as mazelas da nossa poltica, da nossa justia e da nossa sociedade como um todo, recentemente o Congresso Nacional conseguiu fazer amadurecer mais uma jabuticaba: a autorizao da produo, da comercializao e do consumo de medicamentos anorexgenos.

A recente publicao da Lei 13454, de 23 de junho de 2017, veio definir uma queda de brao que h anos se arrastava, a permisso do uso de anorexgenos.

No pretendo aqui entrar na polmica sobre a efetividade ou no dos ditos compostos anorexgenos, mesmo porque esta uma revista sobre cosmticos. Mas o precedente criado pelo Congresso Nacional, ao instituir por meio de lei uma autorizao para o uso de substncias, pode gerar preocupaes para todos os setores que so regulados pela Anvisa, incluindo o de cosmticos.

Para que possamos entender claramente o perigo que foi criado, precisamos entender primeiramente alguns trmites legais.

Sempre que a sociedade necessita institucionalizar, ratificar ou retificar um conjunto de valores ticos e morais, ela faz uso das leis. Entre outros aspectos, as leis existem para criar, regulamentar ou modificar comportamentos e atitudes, tornando possvel a vida em sociedades democrticas.

As leis so, ento, um reflexo dos desejos da sociedade. Cabe s casas legislativas o processo de elaborao, redao final e aprovao das leis, num processo denominado trmite.

Leis so mecanismos difceis de serem mudados e, por esse motivo, no podem e no devem ser utilizados para regular ou regulamentar a dinmica de mtodos e processos, mas para lanar bases slidas sobre determinados valores. Entretanto, uma legislao bem elaborada deve prever que outras entidades normativas possam regular os aspectos particulares e dinmicos do setor ao qual se aplica a lei.

Por este motivo, existem as agncias reguladoras, como Anvisa, Anac, Anatel etc. As agncias reguladora s existem em todos os pases desenvolvidos e foram criadas como uma forma de tornar dinmico o relacionamento dos vrios atores do segmento regulado, em particular a sociedade, os produtores e as polticas pblicas definidas por leis.

Vejamos alguns casos interessantes. A mais importante
regra do setor farmacutico no Brasil a Lei 5991/73. Esta lei lana as bases para quase tudo que se refere a medicamentos e cosmticos. Sabiamente, ela no determina, por exemplo, quais substncias so permitidas e nem como devem ser os formulrios de controle especial. Todos estes detalhes so delegados Anvisa, tornando o processo mais gil e mais independente.

A publicao da Lei 13454/17 modifica radicalmente essa relao. Eu lido com legislao h mais de 20 anos e, como professor e consultor, posso afirmar que certamente a Lei 13454/17 uma das menores leis que conheo. Com apenas dois artigos e em menos de 5 linhas, ela lanceta a autoridade da Anvisa e pode criar alguns problemas para o futuro. Reza a lei:

Art. 1 Ficam autorizados a produo, a comercializao e o consumo, sob prescrio mdica no modelo B2, dos anorexgenos sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol.

O primeiro problema que a lei omissa quanto importao e ao registro. Assim, a Anvisa ainda detm o direito de apenas permitir a importao e o registro dos insumos se apresentadas evidncias cientficas suficientes.

O segundo problema que a prescrio, a partir de agora e at que se mude a lei, s pode ser feita no modelo B2. A est um crasso erro de legislao: a receita mdica no no modelo B2, mas sim a notificao que o . A receita mdica uma receita comum, acompanhada de uma notificao. Dizer que a receita a ser usada em modelo B2 torna impossvel a prescrio, pois no existe tal modelo.

E o terceiro e mais importante: se, algum dia, descobrir-se malefcios que inviabilizem o tratamento com estas substncias, elas s podero deixar de ser comercializadas por fora de lei.

No tenho a inteno de avaliar os motivos ou os desejos que levaram os deputados a redigir tal lei, mas, independentemente de quais tenham sido, eles nos trouxeram insegurana em relao ao futuro do setor regulado. Hoje so os anorexgenos, amanh podem ser outras substncias.

Num pas onde a compra de leis, normas e medidas provisrias parece ser prtica corriqueira, todos os que atuam nos setores farmacutico, cosmtico e de alimentos tambm tm muitos motivos para ficar preocupados com mais essa jabuticaba.

Novos Produtos