19 de Outubro de 2018

Tinturas de Cabelo

Edicao Atual - Tinturas de Cabelo

Editorial

Resistência e superação

A palavra resiliência vem sendo cada vez mais usada em diversas áreas, da psicologia à economia. Em seu significado original, define a capacidade de resistência de um material – submetido a algum tipo de deformação – de retornar ao estado original, sem danos. A resiliência psicológica, por sua vez, está relacionada à capacidade de recuperação emocional do indivíduo, ante as adversidades. A palavra tem origem latina, do verbo resilire, que significa “ricochetear, pular de volta”.

Em tempos tão difíceis, com quedas no Produto Interno Bruto (PIB) desde o segundo trimestre de 2014, a habilidade dos brasileiros de sacudir a poeira e dar a volta por cima vem sendo posta à prova. Esse panorama desafiador não está poupando o setor cosmético, historicamente resiliente. Em 2016, em um cenário de aumento das alíquotas tributárias e instabilidade política e econômica, a indústria sofreu nova retração, uma queda real de 6%. O resultado, no entanto, demonstra pequena melhora em relação a 2015, quando o recuo foi de 8%. Para este ano, a perspectiva é de ligeira evolução sobre 2016.

Um dos caminhos trilhados pelos brasileiros para “pular de volta” é o do empreendedorismo. Esta edição da revista Cosmetics & Toiletries Brasil aborda, na seção Enfoque, a força do contingente composto por profissionais como revendedores de cosméticos, cabeleireiros, manicures e maquiadores. A reportagem traz informações sobre o avanço no número de pequenos empreendedores no setor, as inovações que modernizam a venda direta e o que diz a lei que rege as parcerias entre profissionais e salões de beleza. A seção Persona apresenta a trajetória de Rose Ghachache.

Os artigos técnicos, dentre outros temas, abordam a coloração permanente dos cabelos, descrevendo o processo utilizado; os efeitos da poluição sobre o envelhecimento cutâneo; e os ingredientes proteanos que, dependendo do gatilho físico-químico, podem desempenhar diferentes funções na formulação cosmética. Nos Fundamentos da Cosmetologia, são apresentados produtos de maquiagem infantil.

Nesta edição, o leitor encontra o Programa Oficial do 30º Congresso Brasileiro de Cosmetologia.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher

Coloração Capilar Permanente por Oxidação - Carlos Pasta, Romina Yamamoto, Verónica Celdrán (Tecnocosmetics, Buenos Aires, Argentina)

O objetivo deste artigo é proporcionar os fundamentos da coloração permanente capilar, fazendo uma descrição do início da reação, dos agentes corantes oxidativos envolvidos e do seu mecanismo de difusão, e uma descrição da estrutura do cabelo relacionada com o processo da coloração.

El objetivo del presente artículo es brindar los fundamentos de la coloración capilar permanente, realizando una descripción del principio de la reacción, de los colorantes de oxidación que intervienen y de su mecanismo de difusión, y una descripción de la estructura del cabello relacionada con el proceso de la coloración.

The object of the present article is to provide the fundament of permanent hair coloration, making a description of the principle of the reaction, the oxidative dyes involved and its mechanism of diffusion, and a description of hair structure related to the process of hair coloration.

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Envelhecimento da Pele causado pela Poluição - Imke Meyer e William Johncock, PhD (Symrise AG, Hamburgo, Alemanha)

Estudos têm demonstrado que a exposição ao ar carregado de matérias particuladas (MP), devido à circulação de automóveis, está associada a sinais aumentados de envelhecimento extrínseco da pele. Utilizando partículas modelo como substitutos, os autores desenvolveram um modelo in vitro para avaliar o envelhecimento prematuro induzido via receptor aril-hidrocarboneto (AhR). Esses autores encontraram um novo antagonista de AhR que pode inibir o aumento reativo (up-regulation) de genes indicativos do envelhecimento prematuro.

Investigaciones han demostrado que la exposición al aire en presencia de materiales partículados (MP), relacionadas con el tráfico de autombiles, está asociada a sinales aumentados de envejecimiento extrínseco de la piel. Usando partículas modelo como sustitutos, los autores desarrollaron un modelo in vitro para evaluar el envejecimiento prematuro inducido por el receptor arilhidrocarburo (AhR). Eses autores encontraron un nuevo antagonista de AhR podrá inhibir el aumento reactivo (up-regulation) de genes indicativos de envejecimiento prematuro.

Studies have shown that exposure to airborne,traffi c-related particulate matter (MP) is associated with increased signs of extrinsic skin aging. Using model particles as surrogates, the autors developed an in vitro model to evaluate premature aging induced via the aryl hydrocarbon receptor (AhR) pathway. They found a new AhR antagonist could inhibit the up-regulation of genes indicative for premature aging.

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Ingredientes Proteanos para Cosméticos - Luigi Rigano, PhD (ISPE srl, Milão, Itália)

Neste artigo, o autor descreve certos ingredientes cosméticos que apresentam comportamento adaptável e desempenham diferentes funções nas formulações, conforme a temperatura, o pH, a concentração etc. Esses ingredientes são denominados proteanos.

En este artículo, el autor describe ciertos ingredientes cosméticos que tienen un comportamiento adaptativo y tienen diferentes papeles en las formulaciones, de acuerdo com temperatura, pH, concentración, etc. Estos ingredientes se denominan proteanos.

In this paper the author describes certain cosmetic ingredients that exhibit an adaptive behavior and perform different functions in the formulations according to temperature, pH, concentration, etc. These ingredients are called proteans.

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Fatores da Decisão de Compra de Protetores Solares - Raquel Shiroma (Centro de Pós-graduação e Pesquisa Oswaldo Cruz, São Paulo SP, Brasil)

O mercado de proteção solar possui ampla variedade de produtos no Brasil. Diante desse cenário, torna-se importante identificar quais são os fatores que influenciam o processo de decisão de compra. Esse estudo buscou entender o comportamento do consumidor por meio da utilização de um questionário eletrônico.

El mercado de protección solar tiene amplia variedad de productos en Brasil. En ese panorama, es importante identificar los factores que infl uencian el proceso de decisión de compra. Ese estudio busca entender el comportamiento de ese consumidor
utilizando una encuesta electrónica.

The sun care market has a huge diversity of products in Brazil. Before this scenario, it is important to identify what are the influential factors to the purchase decision. This study seek to understand the behavior of consumer and an electronic survey was used.

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Atividade Antimicrobiana do Óleo de Melaleuca - A Lussari, T Brasileiro Ferreira, F Flores Navarro, CM Franzini, D Michelin Paganotte (Curso de Farmácia da Fundação Hermínio Ometto FHO Uniararas, Araras SP); A M do Nascimento Pires (Centro Paula Souza Etec Prefeito Alberto Feres, Araras, SP)

O desenvolvimento e a avaliação da atividade antimicrobiana, in vitro e por meio da técnica de difusão em ágar, em relação à cepa-padrão de Propionibacterium acnes, de formulações cosméticas contendo o óleo volátil de melaleuca foi o objetivo deste trabalho, além da avaliação da estabilidade acelerada dessas formulações.

El desarrollo y la evaluación de la actividad antimicrobiana in vitro mediante la técnica de difusión en agar frente a la cepa estándar de Propionibacterium acnes, las formulaciones cosméticas que contienen el aceite volátil de melaleuca, fue el objetivo de este trabajo, además de la evaluación de la estabilidad acelerada estas formulaciones.

The development and evaluation of antimicrobial activity, in vitro, using agar diffusion technique against the standard strain of Propionibacterium acnes, of the cosmetics formulations containing the tea tree oil, was the objective of this study, besides the evaluation of accelerated stability of these formulations.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

4 Revoluo industrial

Os historiadores costumam classificar as revolues industriais em trs partes. A 1, de 1780 a 1830, foi marcada pela aplicao massiva do uso do vapor, principalmente nos teares das indstrias txteis e depois nas locomotivas. A 2, de 1870 a 1930, teve como principal caracterstica o largo desenvolvimento da indstria metalrgica e qumica, tendo como base a eletricidade e o petrleo como fontes energticas. Por ltimo, de 1970 em diante, consolidou-se a 3, com o avano da eletrnica, sendo o computador seu smbolo mximo, ao lado das inovaes biotecnolgicas desta poca.

No entanto, os economistas comeam a discutir um marco para uma 4 Revoluo Industrial (4RI). Da mesma maneira que as demais colocaram pases em vantagens competitivas e levaram outros ao ostracismo, seja pelo fato de serem obtusos na forma de enxergarem os tempos em que viviam, seja pela incapacidade de absorver as mudanas, a 4RI, se bem aproveitada, tambm pode modificar a geopoltica tecnolgica. Mas o que vem a ser a 4RI?

No se trata de um simples desdobramento de tecnologias anteriormente existentes, mas um encontro destes desdobramentos produzindo uma nova realidade. Desta forma, ela no marcada por uma nova tecnologia, como foram o vapor, a eletricidade ou a eletrnica, mas sim pela transformao que a era eletrnica nos trouxe - a transformao digital. O suporte a esta ideia baseia-se na velocidade, no alcance e no impacto sem precedentes que o conjunto destas transformaes nos causa. Exemplo: sistema de inteligncia artificial governando mquinas de cirurgia cardiovasculares automatizadas, moldando implantes produzidos em impressoras 3D sob medida e just-in-time, ao mesmo tempo em que administram precisas drogas de nanofrmacos, assistida por um grupo de mdicos espalhados em vrias partes do mundo. disto que estamos falando: tudo junto e ao mesmo tempo base de dados, robtica, biotecnologia, engenharia. Nada de novo, tudo j existente, mas organizado de uma nova forma.

Em razo disto, paralelamente ao WEF (World Economic Forum), h mais de 10 anos um grupo de vrios expoentes da sociedade discutem os riscos mundiais mais provveis e os maiores impactos na sociedade mundial nos prximos dez anos. Entre os vrios riscos mapeados, est o Risco Tecnolgico. Dentro deste grupo, existe a varivel Consequncias
negativas dos avanos tecnolgicos, que tem como definio as consequncias pretendidas ou no intencionais causadas pelos avanos tecnolgicos, tais como a inteligncia artificial, biologia sinttica e de geo-engenharia, causando danos humanos, ambientais e econmicos.

Apesar de longe dos olhares do cidado comum, os novos poderes das novas tecnologias viro da engenharia gentica e das neurotecnologias que j ardem nos pores dos pases de tecnologia de ponta e fortes economias.

O assunto ganhou tamanha prospeco que mereceu um captulo parte no relatrio do ano de 2017, em que acaba explorando com mais detalhes o relacionamento entre os demais riscos globais e as tecnologias emergentes da 4RI. Onde se encontra o sapo do desconforto nesta floresta de oportunidades?

Diferente do cenrio poltico que embalou as trs revolues anteriores, em um mundo globalizado, h a necessidade de uma governana neste assunto. Com a aplicao do vapor nos teares txteis, a Inglaterra no precisou da beno da comunidade internacional para desenvolv-los. No incio do sculo XX, as indstrias qumicas americanas no tinham o peso das leis ambientais que existem hoje. Nos primrdios do boom do Vale do Silcio, nem sindicatos existiam com leis que controlavam o home office. Estas novas tecnologias demandam urgentemente uma governana se vamos construir regras, normas, padres, incentivos, instituies e outros mecanismos que so necessrios para moldar o desenvolvimento e a implantao dessas tecnologias. O fato que a inrcia para estabelecer a governana poder chegar tarde frente s novas tecnologias, expondo-nos a seus riscos, ou ir emperrar os seus aproveitamentos. Atualmente j enfrentamos assimetrias na regulamentao de tecnologias emergentes, que vo do extremo rigor (ex.: produtos biotecnolgicos farmacuticos) at o quase descaso (ex.: o uso das inteligncias artificiais). No entanto, a velocidade com que se estabelece a governana para as novas tecnologias, ou a velocidade com que se avana sem o respeito a uma governana mnima, que faz o eixo geopoltico oscilar ou mudar de vez.

Administrar as novas tecnologias um desafio mais complicado e impactante para o mercado de trabalho do que os efeitos deletrios da globalizao. A cada mudana tecnolgica, velhos postos de trabalho deixam de existir e, ao mesmo tempo, outros surgem, porm em quantidades de oportunidades menores.

Estas so janelas de oportunidades que podem alavancar a posio econmica de um pas ou... lev-lo s trevas.

John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

A Bela Adormecida

A Bela Adormecida do Bosque um conto de fadas nascido na tradio oral e narra a histria de um rei e uma rainha que, depois de muito esforo, conseguem ter uma filha, a futura herdeira. Em homenagem criana, eles fazem uma grande festa, na qual vrias fadas e damas so convidadas. Mas, nesse dado momento, a celebrao interrompida por uma fada que no tinha sido convidada e, ento, muito ofendida, declara uma maldio para a criana, segundo a qual no dia em que completasse 15 anos, furaria o seu dedo com uma agulha, dessas que se usa para costurar, e morreria. Mas, ento, uma das fadas que tinha sido convidada combate essa maldio: a princesa furaria o dedo com uma agulha, mas, em vez de morrer, dormiria por um sculo. Apesar dos esforos do rei em proibir todas as agulhas do castelo, a princesa, ao completar seus 15 anos, encontra uma velhinha que estava costurando com uma agulha, ento fura o dedo e cai num profundo sono...

No sculo XXI, a realidade muito diferente. De fato, me inspirei para escrever essa coluna quando eu estava numa viagem de avio muito longa que fiz recentemente, na qual eu no conseguia dormir, e a revista da companhia area tinha um interessante artigo sobre esse assunto. Os problemas do sono esto se tornando uma epidemia e, de acordo com a organizao World Sleep Day, afetam em torno de 45% da populao mundial. O problema to grande que, nas grandes cidades os habitantes chegam a pagar at um dlar por minuto para conseguir um bom descanso depois do almoo. Um exemplo dessa tendncia Yelo Spa, que oferece esse descanso de 20 at 90 minutos com todas as condies para dormir, entre elas msica, sons e aromaterapia. Inclusive abriram novas sedes em So Paulo e San Juan de Porto Rico. H relatos de pessoas que afirmam que dormem no trabalho depois se sentem mais produtivas e com mais nimo.

A higiene do sono tendncia em 2017. J foi comprovado que a luz branca dos televisores e das lmpadas antes de dormir afeta o ritmo circadiano, alterando o ritmo do sono. Tambm h tipos de alimentos, realizar atividades fsicas algumas horas antes de dormir e algumas discusses devem ser evitados.

O mercado do sono alcanou em 2015 o valor de 35 bilhes de dlares. Um artigo do The New York Times de abril de 2017 refere-se a um dos Laboratrios de Mdia do MIT, que est pesquisando os contos para dormir.

Na Universidade da Califrnia, o professor de neurocincia Matthew P. Walker, diretor do Laboratrio do Sono, est trabalhando na estimulao do sono em pessoas adultas com corrente direta.

Sense um dispositivo lanado no ano passado. Essa aplicao analisa como cada um dorme e ajuda a melhorar o sono. Tem um software que analisa a temperatura, a qualidade do ar e o rudo, emite msica com propriedades relaxantes e estuda os movimentos da pessoa na cama. Pela manh, ele emite um relatrio de como a pessoa dormiu.

Na Frana, o engenheiro de computao Hugo Mercier est investigando o comportamento das ondas de som sobre o sono e est desenvolvendo uma faixa para ser usada na cabea e que induz a dormir. Provas iniciais tm sido realizadas em grupos de 500 pessoas e estaro prontas para venda no fi nal de 2017.

Por outro lado, tambm se descobriu que interromper o sono pode ser a cura do sono interrompido. Precisamente Ben Olsen, da Austrlia, espera lanar um dispositivo que se chama Thim, o qual usado num dedo e emite um som que desperta a pessoa a cada 3 minutos por uma hora. Logo, a pessoa pode conciliar o sono de forma mais fcil.

Este ano tambm vemos produtos que ajudam a dormir melhor no avio e a evitar o jet-lag. Trata-se do E-Sleeping, que um travesseiro anatmico que faz massagens no pescoo e que foi desenhado para a cadeira do avio.

Tambm estamos vendo no mercado travesseiros com desenhos especiais, que ajudam a reduzir algumas rugas e linhas de expresso. No Japo, foram lanados recentemente adesivos para o pescoo que ajudam a retirar as rugas e anis desta rea, diminuir a papada e tonificar a pele Tudo isso enquanto se dorme. As sleeping masks que viraram tendncia h trs anos seguem em crescimento em vrias regies do mundo.

Tambm tem as apps que prometem melhorar o estilo de vida do usurio, aumentando sua facilidade para conciliar o sono, seu monitoramento e a criao de um ambiente de sons favorveis como Pziz, Sllep Rate, Simply Noise, Calculadora do Sono, Sllep Cycle, Waken App e Glim mer, entre outras.

O dia mundial do sono recentemente celebrado em maro de 2017 (http://worldsleepday.org) foi um trendy topic no Twitter e no Facebook, de acordo com sua webpage.

E como aproveitar perfeitamente o sono? Passamos um tero das nossas vidas dormindo e, em algum momento, gostaramos que chegasse uma fada com poderes mgicos e nos desse um encantamento ou uma poo especial para cair nos braos de Morfeu e dormir melhor. Como descreveu o The New York Times nesse recente artigo: dormir a nova medida de
xito. As empresas cosmticas trabalharo em conjunto com as empresas de tecnologia e neurocincia e se transformaro nas fadas das fantasias que nos ajudaro a dormir mais e com melhor qualidade.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Desconhecimento e desinteresse

Possivelmente, o desconhecimento dos benefcios justifique o desinteresse que muitas pessoas, especialmente aquelas em posio de comando dentro das organizaes, tm pela Qualidade. A razo de eu abordar o tema vem de insights surgidos durante minha participao em inmeros eventos sobre o assunto.

Em algumas das vrias apresentaes que tive oportunidade de fazer, indagaes de participantes dirigidas a mim indicaram que os inquiridores no possuam embasamento prtico-terico mnimo sobre os conceitos da Qualidade. Existe a falsa crena de que todos ns temos a noo do que significa qualidade de que sabemos o que certo e o que errado e, portanto, de que nada mais precisa ser feito para que a Qualidade acontea. Fao essa afirmao com base no seguinte questionamento que me foi apresentado em palestra recente, realizada em uma das capitais do Brasil.

- Por que a Qualidade custa tanto?

Minha resposta foi esta: deve-se considerar que Qualidade um investimento, pois os resultados obtidos sempre proporcionam empresa uma melhor imagem dos produtos e o atendimento da expectativa dos clientes.

Alm disso, h necessidade de saber o que motiva a empresa a se interessar pela Qualidade. Ser que por imposio da legislao sanitria ou, o que seria mais louvvel, por visualizar uma melhoria do seu produto junto aos olhos dos clientes?

Independentemente da razo de a empresa se interessar pela Qualidade, o investimento na Qualidade, se for efetuado da forma correta, trar retorno garantido, traduzido em muitos benefcios para a empresa e para os produtos.

Outra observao que sempre fao que, infelizmente, nos eventos do setor, raro serem abordados temas da Qualidade em comparao a temas sobre novas matrias-primas, com enfoque em ativos, s vezes, milagrosos.

Muitas vezes me questiono sobre quais so as razes do desinteresse sobre o tema Qualidade. Essa falta de interesse acontece embora se saiba que, sem Qualidade, a empresa vai perceber, mais cedo ou mais tarde, que seu mercado est diminuindo e que, quando isso acontecer, ela vai tentar recuperar sua participao no mercado, mas talvez seja tarde.

O desinteresse pela Qualidade decorre tambm da ignorncia sobre as formas de implantar os processos da Qualidade.

Muitos empresrios pensam que essa implantao simples e rpida, e que qualquer profissional est apto a faz-la. Mas, ao serem informados dos requisitos necessrios para a implantao do processo da Qualidade e, principalmente, dos requisitos quanto ao fator humano, eles acabam desistindo. Muitos deles desistem no incio do processo de implantao, ou antes de come-lo, e outros, infelizmente, desistem algum tempo aps inici-lo. Estes ltimos sofrem prejuzos financeiros e prejuzos causados pela frustrao de expectativa dos colaboradores que porventura tenham se comprometidos com o processo.

Nas minhas palestras sobre motivao, sempre alerto para o fato de que quem faz a Qualidade so pessoas. Esse pode parecer um chavo, um clich, mas o fato que, sem a efetiva participao dos funcionrios ou colaboradores ou, mais modernamente, dos parceiros, a implantao de qualquer processo, e principalmente, do da Qualidade, ser fantasiosa e existir apenas no papel.

Uma estatstica particular, que fiz em meu trabalho de consultoria na rea da Qualidade, nesses quase 20 anos de atuao, a seguinte: de cada 10 empresas que se propem a implantar o processo da Qualidade, 6 interrompem nos primeiros 18 meses da implantao.

Espero que tenha ficado claro ao leitor que o desconhecimento pode trazer o desinteresse pela Qualidade.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

O especialista

Quando um msico ouve uma msica, ele naturalmente consegue ouvir ao mesmo tempo todos os instrumentos. No raro que identifique se o encordoamento do violo de nylon ou ao, ou mesmo que reconhea uma determinada marca de instrumento. O baixo Hofner que tem o formato de um violino - que o Paul McCartney usou em muitas gravaes dos Beatles tem um som relativamente fcil de ser identificado. Esta capacidade que o msico tem de ouvir de maneira diferente e de reconhecer timbres de instrumentos especficos acontece porque ele tem formao, conhecimento e treinamento especficos. Ele um especialista.

Olhando para o nosso setor, temos obrigatoriamente que reconhecer duas caractersticas bsicas. A primeira que somos uma atividade de base tecnolgica - complexa e diversificada. A segunda
que temos uma regulao especfica. Estes dois fatos j so suficientemente consistentes para exigirem a presena de um especialista, ou melhor, de especialistas na conduo dos assuntos e processos das reas tcnicas que ainda devem participar das decises estratgicas das empresas. Parece bvio, mas na prtica, nem sempre assim. O mercado brasileiro cresceu rpida e vigorosamente nos ltimos anos e, mesmo hoje, com os resultados dos ltimos dois anos, tem porte e representatividade respeitveis, o que estimulou, e continua estimulando, o aparecimento de muitas novas empresas. Neste movimento intenso, entraram e ainda devem continuar entrando no mercado muitos empreendedores que no tm a vivncia e nem a percepo das duas caractersticas bsicas citadas acima. Eles tm normalmente uma viso simplista e mercantilista da atividade. Esta realidade altamente impactante em vrios aspectos. O desprestgio do pessoal tcnico uma das consequncias. Em muitos casos, a rea tcnica vista erroneamente como um setor que consome muitos recursos. Uma das facetas desta viso a sobrecarga de tarefas. Muitas vezes, os tcnicos acumulam funes e obrigaes que so quase inconciliveis, o que pode comprometer seu desempenho e sua evoluo. Ficam esquecidas a bvia responsabilidade e a grande importncia do setor que quem cria e fabrica os produtos que ir gerar faturamento e definir o valor e a lucratividade da empresa.

Ainda h outra consequncia relevante. O desconhecimento e a no compreenso pelos gestores no especialistas das razes tcnicas e cientficas que fundamentam as normas e obrigaes regulatrias se expressam sob a forma de falso cumprimento ou mesmo de descumprimento das obrigaes regulatrias, o que uma situao crtica para todos. arriscada para a empresa, perigosa para consumidores e, sob o aspecto legal, especialmente grave para responsveis tcnicos e representantes legais.

Para resolver esta questo, que no tem absolutamente nada a ver com o carter dos empreendedores, e sim com uma percepo equivocada, aparece o especialista, que, no nosso caso, o profissional da rea tcnica, aquele que pode ter pouco prestgio nos primeiros instantes. Aqui encontramos a primeira dificuldade. A formao dos nossos tcnicos quase exclusivamente voltada para bancada e laboratrio. Para ir diretamente ao ponto, basta reconhecer que impossvel resolver no laboratrio ou na bancada todos os problemas e desafios que dizem respeito rea tcnica de uma indstria de cosmticos. Para um profissional se dizer um especialista, ele precisa conhecer muitas coisas alm da bancada e do laboratrio. A temos a segunda dificuldade. Ser necessrio sair da zona de conforto e se expor mais. Ousar com conscincia, estudar alm do bvio, enfrentar algumas resistncias, encarar com disposio e determinao dificuldades e desafios que podem parecer insolveis em um primeiro momento. Ter que reconhecer, assumir e mostrar aos seus pares a grande parcela de responsabilidade que tem no valor do produto e na competitividade da empresa. Internamente - isso mesmo, internamente, no laboratrio e na bancada -, ter que se empenhar para extrair o mximo possvel dos recursos e mtodos disponveis. Isto exige conhecer bem, pensar muito e ter uma viso crtica baseada em conhecimento cientfico de todos os procedimentos usados. No nvel gerencial, ter que identificar e apresentar todos os indicadores dos processos colocados sob sua responsabilidade. Quem conseguir fazer ou coordenar tudo isto, ser um especialista. Se conseguir fazer com brilho nos olhos, ser especial.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Controle da qualidade no recebimento

Cada vez mais nos deparamos com a falta de gente e as urgncias no dia a dia da fbrica. Como consequncia, deixamos de cumprir ou pulamos etapas nos projetos e acabamos fazendo somente o que achamos ser mais importante.

bvio que isso no o correto, mas, entre o que precisa ser feito e o que d para fazer, o abismo grande, principalmente quando falamos de embalagem nas pequenas e mdias empresas.

Novamente volto ao ponto de que sempre falo nos meus cursos e palestras, ou seja, toda a importncia dada ao produto, e a embalagem fica sempre para um segundo plano, mesmo sendo evidente que a embalagem, no raras vezes, tem custo maior que o produto, alm de ocupar um grande espao no estoque e ter lead time de entrega muito mais longo que as matrias-primas.

Precisamos entender o que o controle de qualidade de embalagem, como se faz, quem faz, o que necessrio.
A primeira resposta sobre qualidade a adequao s especificaes tcnicas, o que significa que, para controlar a qualidade das embalagens, preciso antes ter padres definidos, ter essas especificaes que podem ser fornecidas pelo fabricante da embalagem, tanto do aspecto dimensional quanto visual.

Como se faz o controle de qualidade? Seguindo exatamente essas especificaes acordadas entre o cliente e o fornecedor.

Quem faz o controle? Normalmente, so pessoas treinadas dentro da empresa, mesmo sendo de outras reas, considerando a escassez desse profissional.

Para fazer esse trabalho, alm das especifi caes e da pessoa treinada, preciso ter equipamentos e um espao destinado para essa operao. exatamente quando se fala em pessoas treinadas e equipamentos que o projeto morre, e no se implanta um controle de qualidade de embalagens nas empresas.

Para resolver o problema, se no tem uma pessoa treinada, pea ajuda a um dos consultores da rea. Embora sejam poucos, existem no mercado.

Com relao aos equipamentos, existe aqui um grande engano, pois diferentemente da montagem de um laboratrio qumico ou microbiolgico, o investimento muito pequeno. Estamos falando a princpio de equipamentos bsicos: paqumetro, rgua metlica e balana semianaltica. Com esses poucos itens, j possvel comear a fazer as inspees em
uma embalagem.

Entrando um pouquinho mais no assunto, no possvel fazer o controle de qualidade nas embalagens se voc no tem um plano de amostragem definido, assim como os respectivos NQAs (nvel de qualidade aceitvel).

No existe uma portaria da Anvisa ou do Inmetro ou alguma lei que diga qual plano deve-se usar ou qual o melhor NQA.

Em resumo, existe o que o mercado pratica. O plano utilizado o Military Standard 105 D. Para nvel de qualidade aceitvel, o mais praticado pelo mercado 0,25 para defeito crtico, 1,5 para defeitos graves ou maiores e 4,0 para defeitos mnimos ou leves.

importante salientar que o plano a ser utilizado, bem como os NQAs, devem ser acordados com o fornecedor. Nada adianta implantar um sistema de controle se o seu fornecedor no faz a mnima ideia do que isso. Para os fornecedores de maior porte, isso o dia a dia, o b--b.

Tambm importante salientar que, se a empresa no tem um sistema de controle de qualidade no seu recebimento e isso for de conhecimento do fornecedor, corre-se o risco de receber embalagens com mais problemas, principalmente aquelas em que o molde no exclusivo, ou seja, uma embalagem standard de mercado.

Mas, voltando ao problema das urgncias, se voc no faz controle de qualidade no recebimento de cada lote ou tem que pedalar as inspees (o que no recomendvel), exija do seu fornecedor o laudo de anlise do lote que est recebendo. Isso o mnimo que o fornecedor tem que fazer.

Tendo um sistema de controle implantado, aconselha-se fazer a inspeo no fornecedor, de maneira que o lote chegue aprovado e possa ir direto para a linha. Isso agiliza o processo e mata a urgncia.

Outro caminho ter, junto ao fornecedor, a chamada qualidade assegurada em que os lotes chegam e no passam por inspeo. Nesse caso, estamos falando aqui de outro captulo e, para chegar nesse nvel, preciso antes ter o controle de qualidade implantado e funcionando.

Como disse antes, esse assunto bem abrangente e aqui fica apenas um aperitivo, mas tambm fica a seguinte mensagem: implantar um controle de qualidade de embalagens na empresa no um bicho de sete cabeas.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Tingir ou no tingir: eis a questo

O hbito de tingir os cabelos to antigo quanto as civilizaes milenares conhecidas, como os chineses e os indianos, que se utilizavam de plantas, ervas e razes para esse fim. No nosso pas, h relatos de que os ndios se utilizavam de plantas como o jenipapo para cobrir os fios e dar a eles uma colorao avermelhada por muito tempo.

Os povos hebreus e persas, assim como os romanos e os gregos, tambm tinham este hbito. Os romanos usavam corantes para colorir os cabelos feitos com tinturas metlicas contendo acetato de chumbo, obtidos mergulhando pentes de chumbo em vinho azedo e, tambm desta poca, so conhecidos alguns remdios para a calvcie, que j no era muito bem vista.

Na Idade Mdia, o hbito era usar cabelos aloirados e, para tal, utilizava-se princpios ativos como o sulfureto de arsnico, a cal viva, unguentos feitos de cinza de ourio, sangue de morcego, asas de abelha, mercrio e baba de lesma associados coco de lagartos verdes no leo de noz e enxofre.

Em 1863, August Wilhelm von Hofmann provocou uma
verdadeira revoluo na indstria de cosmticos. O qumico descobriu as propriedades de colorao do PPD (parafenilenodiamina) - que domina o campo at os dias atuais, e suas pesquisas levaram criao das tinturas artificiais para cabelos.

A tcnica de descolorao dos cabelos com perxido de hidrognio apareceu na exposio de Paris, em 1867. Foi apresentada por dois criadores, um qumico ingls chamado E. H. Thillary e um cabeleireiro francs de nome Leon Hugot. Eles demonstraram que esta tcnica provocava menos agresses quando comparada a solues alcalinas.

Vrias tentativas foram feitas no sentido de encontrar um produto ideal para atingir o objetivo final, que era mudar a cor dos fios de uma maneira duradoura. Em 1883, o famoso pintor Monet patenteou um processo para colorao da pele usando a p-fenilenediamina e o perxido de hidrognio.

Seguindo a nossa linha do tempo, chegamos a 1907, quando um jovem qumico chamado Eugne Schueller criou suas primeiras frmulas para tinturas para cabelos, qual deu o nome de Oral, que apregoava ser sem produtos qumicos agressivos. Essas tinturas foram uma inovao na poca, pois apresentavam vrias cores com aspecto natural e no o artificial da henna e dos sais minerais at ento existentes. O hoje famoso grupo LOral foi fundado por ele dois anos mais tarde.

Em 1931, o shampoo tonalizante se tornou um sucesso logo ao ser lanado, e, em 1953, o creme tonalizante permanente ofereceu uma maneira mais rpida de transformar o visual.

As tinturas semipermanentes e temporrias no foram desenvolvidas at 1950, quando foram incorporadas na indstria txtil e na indstria de cosmticos. Em 1980, os nveis de ingredientes ativos de tinturas semipermanentes precisaram ser reduzidos para prevenir a descolorao excessiva e diminuir a penetrao do produto nos cabelos, de forma que a cor fosse formada apenas na superfcie da fibra capilar.

J no atual milnio, as inovaes no pararam. Em 2003, pesquisadores criaram um mtodo para reduzir os danos causados pela hidroxila e melhorar a formao da cor nos fios ao adicionar cido etilenodiamina dissuccnico aos produtos tonalizantes. A substncia quelante captura ons metlicos, de forma a prevenir a formao de cobre nos cabelos. Pouco tempo depois, em 2007, um novo descolorante foi desenvolvido. O produto diminuiu consideravelmente os danos causados fibra capilar, alm de reduzir o tempo necessrio para tonalizar as madeixas para apenas dez minutos.

Os trabalhos acadmicos mais recentes mostram que as tinturas modernas podem ser um agente protetor dos fios contra agresses como calor, vento ou poluio.

O fato de se usar uma tintura para cobrir os cabelos descoloridos pelo tempo tem uma justificativa bastante fcil de se entender e aceitar. Queremos parecer sempre mais jovens do que somos! As justificativas so muitas, como o mercado de trabalho, o apelo pelo jovem, o desprezo que a sociedade ocidental como um todo tem pelos mais velhos. Existem at alguns ditados populares que lembram esta situao, como aquele que diz que as mulheres no envelhecem, elas aloirecem!

Para quem gostar do tema, sugiro a leitura de um trabalho extenso desenvolvido no departamento de psicologia da Universidade da Califrnia em Berkeley chamado Por que os homens preferem as loiras. Neste artigo cientfico, os autores enumeram algumas das caractersticas que as mulheres com cabelos loiros tm que fariam com que, mesmo inconscientemente, os homens se sentissem atrados por elas.

Verdade ou no, as mulheres do mundo todo tm o hbito de mudar a cor dos seus cabelos naturais, devolvendo a eles a cor da juventude ou alterando a cor sempre com a inteno de melhorar a aparncia. O nosso trabalho procurar mtodos que possam atender essa necessidade dos usurios sem prejudicar os fios.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

Terapia individualizada: ser mesmo?

Recentemente, eu tenho visto muita gente falar sobre terapia individualizada. Ento tomei um caf e coloquei a cabea para pensar: at que ponto esse lance de terapia individualizada em farmcias com manipulao individualizado mesmo?

Ento, vamos l. O primeiro passo para entendermos isso tudo conceituar o que terapia individualizada e seu contraponto, a medicina baseada em evidncia.

Em 1966, o pesquisador David Sackett definiu como princpios da medicina baseada em evidncia o uso consciente, explcito e criterioso das melhores evidncias na tomada de decises para o tratamento de pacientes individuais. A prtica da medicina baseada em evidncia significa integrar a experincia clnica individual com as melhores evidncias clnicas externas disponveis na pesquisa sistemtica. Em outras palavras, as diretrizes clnicas devem servir como suporte para que o clnico possa estabelecer a
melhor teraputica para um paciente individual.

J a terapia individualizada compreende a examinao curativa, reabilitativa e preventiva, bem como tratamentos personalizados para um indivduo em particular para, ento, proporcionar uma abordagem integral e integrativa. A terapia individualizada tem como fundamento que a doena, seu curso e a resposta ao tratamento dependem no s de fatores relativos ao indivduo, como a sua idade, o gnero e sua herana gentica, mas tambm como de fatores ambientais, como seu estilo de vida, suas crenas e sua condio social. Para tanto, a terapia individualizada divide os pacientes em subgrupos clnicos relevantes.

Espera a. Quer dizer ento que a terapia individualizada no para um indivduo, mas sim para um grupo de indivduos?

Isso mesmo! De fato, o conceito de terapia individualizada nada mais que uma estratificao que individualiza a interveno generalizada em uma interveno especfica para um determinado grupo.

Isso nos leva a pensar sobre o que realmente as farmcias fazem no que se refere terapia individualizada. Ser que o simples fato de manipular o medicamento torna a terapia individualizada? Ser que podemos ir alm do individualizado e evoluir para o
personalizado?

Para tanto, vamos imaginar uma situao hipottica simples, mas totalmente verossmil: um mdico prescreve um determinado frmaco para o tratamento da psorase por via tpica e adota um creme base como veculo da preparao.

O paciente, ento, leva a prescrio at a farmcia que far o preparo da formulao.

Ao recepcionar a frmula, a farmcia verifica a dosagem (que est dentro das doses usuais), verifica as quantidades a serem preparadas e faz o oramento.

Uma vez aprovada, a prescrio ser enviada ao laboratrio, e os componentes sero pesados.

Provavelmente, o frmaco ser levigado ou solubilizado com um levigante ou solvente padro e incorporado a um creme base de uso geral, disponvel entre as bases dermatolgicas prontas na farmcia.

Como podemos ver, neste tipo de rotina, nada (mas nada mesmo) personalizado - nem sequer individualizado.

A meu ver, para que esse medicamento fosse personalizado de fato, a rotina deveria ser a seguinte:

O mdico verifica a condio do paciente e, com base nas evidncias cientficas e na sua experincia clnica, prescreve um frmaco em uma dose especfica para a necessidade do paciente e utiliza como veculo um creme que seja o mais efetivo e benfico sua condio que lhe cause os menores transtornos possveis (por exemplo, que o creme no contenha componentes que irritem a pele). Opcionalmente, o mdico poderia solicitar que a escolha do veculo fosse feita pela farmcia.

Ao recepcionar a formulao, o farmacutico consulta expressamente o paciente sobre suas necessidades, seu modo de vida etc. e, ento, escolhe uma tcnica de preparo adequada a ele (com solventes ou levigantes que no causaro irritao ou agravamento da leso) e um creme base compatvel com a condio clnica do paciente.

um paradoxo que os estabelecimentos farmacuticos que se destinam a personalizar os medicamentos estejam cada vez mais adotando a padronizao em todas as suas frentes, como, por exemplo, padronizao de excipientes, padronizao de veculos, padronizao de aromas, padronizao de atendimento e assim por diante.

Em outros artigos, eu pretendo conversar com vocs sobre como poderamos fazer mais terapia personalizada. Eu proponho que a farmcia com manipulao deixe de utilizar o termo terapia individualizada apenas como uma estratgia de marketing ou como um nome bonitinho, para abraarmos, como competncia e dedicao, a terapia personalizada.

Nossos pacientes iro agradecer.

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