19 de Outubro de 2018

Hair Care

Edicao Atual - Hair Care

Editorial

Compasso de espera

Um contingente de mil empresas brasileiras fez pedidos de falência de credores no período de janeiro a junho de 2016. O número representa um aumento de 26,5% ante o primeiro semestre do ano passado, segundo dados da Boa Vista SCPC. Apenas no mês de junho, houve um aumento de 20,2% no número de empresas que quebraram em relação a maio.

O crescimento dos pedidos de falência no primeiro semestre de 2016 é assustador e supera signifi cativamente o percentual observado no primeiro semestre de 2015, quando os pedidos acumulavam alta de 9,2%.

A fraca atividade econômica e os custos elevados penalizaram os caixas das empresas em 2015. A situação se repete neste ano, ante a ausência de mudanças expressivas no cenário macroeconômico e com indicadores alarmantes como este, que dão a dimensão do tamanho do problema.

Por outro lado, índices como os divulgados pela Fundação Getúlio Vargas demonstram uma tímida retomada do otimismo em alguns setores da economia – mais relacionado às expectativas para o futuro do que à situação atual. Antes da votação defi nitiva a respeito do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, esperada para agosto, medidas de estímulo à economia e o ânimo para investimentos continuam em compasso de espera – em meio a notícias negativas, estagnação e algumas faíscas de otimismo ante ao que virá.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil aborda, na seção Enfoque, a relação entre indústria e academia no Brasil. A reportagem traz um panorama das parcerias entre empresas e universidades, abrangendo os avanços, as barreiras, a legislação, as ferramentas de fomento à inovação e as iniciativas de aproximação empreendidas por ambos os lados. A seção Persona apresenta a trajetória de Jean Luc Morineau.

Na seção tecnologia, um artigo técnico aborda a penetração de ativos nos cabelos, questionando se de fato isso ocorre; outro artigo faz uma revisão da regulação dos nanos. O assunto água para cosméticos volta ao foco nesta edição. Na seção ABC News, nesta edição iniciamos a publicação dos pôsteres apresentados ao 29º. Congresso Brasileiro de Cosmetologia.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher

Modificando a Estrutura dos Cabelos de Dentro para Fora - Trefor A. Evans, PhD (TRI-Princeton, Princeton NJ, Estados Unidos)

Alterar as propriedades dos cabelos é a função primordial dos tratamentos diários. Mas quais outros métodos podem ser usados? Alterar a estrutura interna dos cabelos pode ser o próximo passo para que essas mudanças sejam conseguidas.

Cambio de las propiedades del cabello es una función regular de tratamientos de uso diario. Pero ¿qué otros métodos se pueden utilizar? La alteración de las estructuras internas del cabello puede ser la siguiente manera de lograr estos cambios.

Changing hair properties is a regular function of daily-use treatments. But what other methods can be used? Altering the hair´s internal structures may be the next way to achieve these changes.

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O uso de Água em Cosméticos - Sebastião D. Gonçalves (ProServ Química Ltda./Bio Center, São Paulo SP, Brasil)

Neste artigo o autor descreve as características da água e suas formas de tratamento para uso na indústria de cosméticos. Destaques são dados à formação de biofilme e a adequação da água à RDC 48/13.

En este artículo, se describe las características del agua y las formas de tratamiento para su uso en la industria cosméticos. Son destacados aspectos sobre la formación de biopelículas y la adecuación del sistema de tratamiento de água a la regulación brasileña RDC 48/13.

In this article the author describes the characteristics of water and how to treat the water for use in the cosmetics industry. Highlights are given to the formation of biofi lms and how adequacte the water treatment to the Brazilian regulation DRC 48/13.

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Nanotecnologia: Um Grande Desafio em Pequena Embalagem - Robert Ross-Fichtner e Claire Robichaud (Focal Point Research Inc., Mississauga, Ontário, Canadá)

As perspectivas de uso de produtos de nanotecnologia ainda não foram completamente avaliadas. Por apresentarem propriedades diferentes das dos ingredientes em dimensões maiores, os nanomateriais representam grande desafio para a indústria e para as agências reguladoras. Neste artigo, os autores fazem uma revisão das recentes atualizações na regulação do uso de nanomateriais em produtos cosméticos nos principais mercados.

Las perspectivas de uso de productos de la nanotecnología no se han evaluado completamente. Debido a que tienen diferentes propiedades de los ingredientes de más grandes, los nanomateriales representan un desafío para la industria y para los organismos reguladores. En este artículo, los autores revisan los recientes cambios en la regulación del uso de nanomateriales en los productos cosméticos en los principales mercados.

The use perspectives of nanotechnology products have not been fully evaluated. Because they have different properties of the ingredients in larger nanomaterials represent a challenge to industry and regulatory agencies. In this article, the authors review the recent changes in the regulation of the use of nanomaterials in cosmetic products in key markets.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Mulher e mercado de trabalho: uma viso da desigualdade

"A insero das mulheres no mundo do trabalho constitui-se em tema de grande interesse quando se trata de discutir a igualdade de gnero na sociedade brasileira. Assim comea o texto de um estudo elaborado pelo IPEA, lanado em maro deste ano, com base nas PNADs (Pesquisas Nacionais por Amostra de Domiclios, do IBGE), intitulado Mulheres e trabalho: breve anlise do perodo 2004-2014.

O ttulo sugestivo em um momento de crise, que tambm atinge o at ento intocvel mercado cosmtico. Uma vez que inegvel a participao da mulher neste segmento da economia nacional, vale a pena fazer essa radiografia.

As mulheres brasileiras conquistaram espao no mercado de trabalho. Em especial a partir da dcada de 1970, entraram nele com bastante fora. Dados dos censos demogrficos apontam que, em 1970, apenas 18,5% das mulheres eram economicamente ativas contra os quase 50% alcanados em 2010. Vale lembrar que a populao economicamente ativa serve como base para o indicador de taxa de atividade, que aponta a quantidade de pessoas de uma determinada faixa etria que est disponvel para o mercado de trabalho (ocupada ou procurando uma ocupao) em relao a toda a populao da mesma faixa etria. Portanto, quanto maior o valor nominal do indicador, maior a participao daquele extrato na economia ativa do pas. A mulher mais bem qualificada, gasta mais tempo que os homens estudando e ainda d conta dos trabalhos no lar, mas, apesar disso, ela ganha em mdia 30% menos que o homem. Essa realidade, que j foi pior - h uma dcada, a mulher tinha um desfalque de 37% nos seus rendimentos -, assusta e preocupa.

A publicao d destaque posio das mulheres negras e pobres, que ocupam uma posio desfavorvel no mercado de trabalho brasileiro. Elas no chegam a ganhar 40% do valor do contracheque de um homem branco. Em 2014, o homem branco no topo da pirmide contava com um rendimento mdio de R$ 2.393; a mulher branca, de R$ 1.831; e a negra, de apenas R$ 946. O estudo mostra um movimento de aproximao dos rendimentos entre as classes, porm atesta que ele ocorre em velocidades lentas e que geralmente desigual entre os grupos. mais rpido entre o homem branco/mulher branca do que entre o homem branco/mulher.

As mulheres negras tm a maior taxa de desocupao. Esto submetidas s situaes mais precrias de trabalho, com baixos salrios e sem carteira assinada. No Brasil, a maior parte do contingente de domsticas negra. Mas h muito mais trabalhadoras domsticas brancas com carteira assinada.

O mundo do trabalho a dimenso mais importante da vida social, tanto do ponto de vista da produo de bens e servios para as coletividades, como tambm do ponto de vista da autonomia econmica e de realizao individual, destaca o IPEA.

Os atuais sinais de reverso de um ciclo de crescimento do emprego formal so, portanto, preocupantes, na medida em que esse extrato da sociedade est mais propenso a sentir primeiro os efeitos de uma conjuntura desfavorvel, cujos contornos ainda no esto muito bem definidos.

H muito a se dizer sobre as desigualdades entre homens e mulheres neste espao to valorizado nas sociedades capitalistas contemporneas. E, em especial, h muito a se dizer sobre as desigualdades existentes entre as prprias mulheres. Mesmo que exista um marcador comum que as coloque em piores condies no espao do trabalho, existem muitos outros marcadores que as separam e as hierarquizam. Atacar essas diferenas de gnero tem que ser objeto de poltica de Estado.

*Para os interessados no assunto, o estudo completo est no link
http://www.mtps.gov.br/images/Documentos/Noticias/Mulher_e_trabalho_marco_2016.pdf

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Valores negativos na indstria de cosmticos

Na edio de julho/agosto de 2015 da Cosmetics & Toiletries Brasil, tratei do tema Gerao de valor em P&D, com o objetivo principal de elucidar a enorme parcela de responsabilidade que o setor de Pesquisa e Desenvolvimento tem nos resultados da empresa. Apesar de parecer uma bvia e incontestvel expresso da verdade, na prtica, no fica claro que isto seja tratado desta forma nas empresas. A impresso que se tem de que o assunto no diz respeito ao P&D, e isto um enorme equvoco.

Cabe aos gestores e aos tcnicos do desenvolvimento consolidar esta responsabilidade. Para isto, os tcnicos precisam no s participar da anlise objetiva de dados de resultado, mas tambm colaborar ativa e efetivamente na montagem de estratgias, com informaes sobre comportamento de produtos - que devem ser sistematicamente buscadas - e avaliaes sobre tecnologias recentes. A ausncia da tica do especialista do desenvolvimento na anlise de resultados ou na elaborao de estratgias pode representar uma perda da capacidade de gerar valor.

Quando se pergunta O que gerar valor?, se pensa sempre em valor positivo, e as respostas mais comuns so (no obrigatoriamente nesta ordem): vender mais, reduzir custo, comprar matria-prima mais barata e baratear formulaes. Ser que estas respostas esto certas? Vamos analisar.

Resposta 1: Vender mais!
Nem sempre vender mais significa gerar valor positivo. A venda de produtos com problemas de estabilidade, segurana ou eficcia pode ter efeito contrrio. Produtos desenvolvidos sem considerar bem a demanda do consumidor alvo tambm podem encalhar. Produtos fabricados sem o respeito aos critrios de BPF ou mesmo sem um bom planejamento tambm podem gerar prejuzos.

Resposta 2: Reduzir custo!
Pode gerar valor se for um processo bem planejado e bem executado. Reduzir custo simplesmente cortando etapas, pessoal ou procedimentos tem muito mais chance de gerar problemas do que resultado.

Resposta 3: Comprar matria-prima mais barata!
Somente vai gerar valor se as especificaes forem respeitadas - e no somente no papel. Deve-se ter comprovao feita em laboratrio. Quantidades adquiridas devem estar adequadas capacidade de pagamento e de estocagem segura tambm.

Resposta 4: Baratear formulaes!
Normalmente, significa reduo de percentuais de ativos. Pode funcionar, desde que no comprometa os atributos bsicos do produto (estabilidade, segurana e eficcia). Talvez o custo da verificao e regularizao da nova formulao frente ao risco de no funcionar indique que esta no uma boa estratgia.

A partir da anlise das respostas, nota-se claramente o papel da rea tcnica, com destaque para aquele que pode ser atribudo ao P&D. Assim, ao se tratar de gerao de valores, deve-se tomar cuidado para no gerar valores negativos. H outros eventos bem comuns que podem gerar valor negativo. Podemos citar:

Acmulo de funes na rea tcnica
Baixa integrao dos departamentos
Baixo investimento no desenvolvimento
Desenvolvimento s com estudo de estabilidade
Profissional com perfil inadequado ou incompatvel com a funo
Desenvolvimento de cpias ou rplicas de produtos
Equipamentos, solues e recursos inadequados ou ultrapassados
Produtos inadequados ao mercado alvo
Dificuldade ou receio de inovar
Desconhecer ou desconsiderar obrigaes regulatrias
Ignorar custos invisveis
Organograma e POPs pra ingls ver
Decises sem conhecimento de causa

Especificamente nas grandes indstrias, pode-se acrescentar lista de gerao de valores negativos:

O grande fracionamento dos projetos. Quem est no meio do processo pode no ter a noo do todo
O distanciamento entre tcnicos. O fato da bancada estar muito distante da produo pode ser um problema ou difi culdade
A rigidez dos procedimentos e a consequente difi culdade para mud-los podem causar acomodao do pessoal e tambm inibir a inovao
Incompatibilidade de procedimentos e normas internas de setores diferentes
Previso oramentria inadequada
Disputa por prestgio de pessoal
Preenchimento de cargos importantes feitos por convenincia e no por mrito
Postura rgida de gestores que, ao apresentar um nmero elevado de pr-requisitos e exigncias, acabam inviabilizando novos projetos e ideias
A ideia de que produtos, processos, procedimentos, padres, solues e lgicas atuais so suficientes para garantir no futuro o porte alcanado no presente

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Um olho no peixe e outro no gato

O aumento crescente do tempo necessrio para a anlise tcnica de novos registros (210 dias), suas alteraes ou incluses (270 dias) e suas revalidaes (300 dias), segundo avaliao do status de entrada dos peticionamentos disponvel no site da Anvisa em 24/6/16, incompreensvel. Esse aumento do prazo se d na mesma progresso que cresce o valor das taxas impostas pelo rgo ao setor regulado. Considere-se que, desde 31 de agosto passado, os servios prestados pela agncia tiveram suas taxas majoradas em aproximadamente 190%, aumentos muito superiores realidade dos ndices econmicos oficiais. A justificativa para esse aumento a autonomia administrativa financeira da agncia, que, respaldada pela lei que criou essa e outras autarquias especiais, permite liberdade na remunerao pelos trabalhos oferecidos.

Segundo est disposto no Artigo 5, da Constituio brasileira, a lei no excluir da apreciao do Poder Judicirio sobre leso ou ameaa ao direito, devendo ser respeitada a constitucionalidade dos atos praticados. Apesar de ser um conceito clssico dos livros de Direto, esse artigo no faz referncia s agncias reguladoras. Contudo, isso no tem impedido o xito do setor regulado, mesmo que por meio de decises liminares, como no caso dos preos pblicos praticados pela agncia e da prioridade analtica exigida pelo setor regulado, no que se refere ao registro de produtos.

Lamentavelmente, a grande maioria dos produtores nacionais no alcanou esses benefcios e hoje estes esto pagando valores absurdos pelos servios da agncia. O fato que aes impetradas pela Abihpec no tiveram nmero expressivo de adeses por conta da inobservncia dos gestores de pequenas e mdias empresas, ou por falta de recursos humanos ou financeiros, ou diante das diversas dinamites detonadas simultaneamente na poca.

At metade da segunda dcada aps a criao das agncias reguladoras, foram raros os casos que impactaram as empresas do setor e motivaram demandas judiciais no mbito da vigilncia sanitria. A exceo o caso, ainda no encerrado referente ao civil pblica do Ministrio Pblico quanto obrigatoriedade da descrio dos dados de composio na rotulagem dos produtos igualmente em lngua portuguesa, sem a eliminao da descrio dos ingredientes na nomenclatura INCI. Sabemos que o texto de rotulagem segue regulamentao oriunda do Mercosul incorporada regulamentao brasileira, portanto, impossvel de no ser praticada. Alm disso, sabidamente, o texto do rtulo em portugus em nada representa ganho para o consumidor. Essa ao est suspensa, temporariamente, graas a um recurso obtido pela Abihpec.

Diante disso, vale a pena citar uma frase singular que diz como qualquer hbito, o senso de urgncia funciona melhor quando entra na rotina.

Finalizando, relembro uma vez mais que em outubro prximo termina o prazo para a execuo das validaes compulsrias de Sistemas e Processos previstos no caput da RDC n 48/13 Boas Prticas de Fabricao para Produtos de Higiene Pessoal, Cosmticos e Perfumes. Sobre o assunto, em junho passado, a Abihpec solicitou aos seus membros associados que se posicionassem quanto ao status de adequao aos novos requisitos estabelecidos por essa RDC e/ou que apresentassem, se necessrio, justificativas que contribuam para a elaborao de pedido de postergao do prazo estabelecido para atender a essas exigncias. Razes cabveis para postergar o prazo no faltaro, tenho certeza, mesmo porque tal exigncia no prevista no regulamento tcnico, salvo se for identificada como imprescindvel pelo fabricante.

Como consequncia da grave crise econmica que assola o pas desde o final de 2014, se for mantida a data de adequao RDC n 48/13, haver grande incidncia de desconformidades nesse requisito.

Vamos luta!

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Uma grande oportunidade

Vencer, em outubro prximo, o prazo para atender as exigncias da RDC n 48/13. Esse fato tem me levado a algumas constataes pelo seguinte motivo: muitas empresas iniciaram os trabalhos de validao, entretanto, os resultados ainda no foram alcanados. A razo para isso? Muitas vezes no se sabe, e em alguns casos, essa falta de presteza nunca ficar claro.

As causas do insucesso de um projeto so variadas e tm diferentes naturezas. Entre elas, esto os componentes de ordem material, financeira, organizacional e humana.

A experincia tem mostrado que o componente humano um dos fatores mais importantes para se alcanar quaisquer objetivos. Se os colaboradores no estiverem motivados, sero mnimas as chances de se chegar aos resultados almejados.

Isso me inspirou a relembrar alguns conceitos empregados pelas tcnicas motivacionais. A propsito, a palavra motivao tem origem na palavra latina movere, ou seja, mover.

Vamos recordar o que disseram os principais expoentes da administrao moderna sobre a motivao de pessoas.

Motivao vista como uma fora propulsora cujas origens se encontram na maior parte do tempo ocultas no interior do indivduo, disse Patrick James Pat Riley, o atual presidente do Miami Heat e que est na lista dos 10 melhores tcnicos da histria da NBA dos Estados Unidos.

A motivao uma chama interior. Se outra pessoa tentar acender essa chama, provvel que ela arda por um perodo muito breve, definiu Stephen Richards Covey, escritor norte-americano, autor do best-seller administrativo Os 7 hbitos das pessoas altamente eficazes, classificado por alguns como um livro de autoajuda.

Aprendi que, sempre que algo realizado isso feito por algum obcecado por uma misso e a tarefa do gestor tornar as pessoas capazes de desempenhar atividades em conjunto, tornar suas foras eficazes e suas fraquezas irrelevantes, so os conceitos citados por Peter Drucker, escritor, professor e consultor administrativo de origem austraca, considerado o pai da administrao moderna e o mais reconhecido pensador do fenmeno dos efeitos da globalizao na economia em geral e, em particular, nas organizaes.

Ainda no encontrei algum, por mais elevado que seja o cargo, que no tenha feito um trabalho melhor ou se esforado mais sob um esprito de aprovao do que sob um esprito de crtica disse Peter Drucker, empresrio e investidor norte-americano.

A motivao a arte de conseguir que as pessoas faam o que voc quer porque elas desejam faz-lo, definiu Dwight D. Eisenhower, ex-presidente dos Estados Unidos.

Para motivar as pessoas, necessrio envolver suas mentes e seus coraes. Um bom negcio fazer com que um funcionrio se sinta parte de todo o esforo. por meio do meu exemplo, acredito, que motivo as pessoas, revelou Rupert Murdoch, empresrio ustralo-americano, acionista majoritrio da News Corporation, um dos maiores grupos miditicos do mundo.

Os funcionrios so a fora motriz por traz da Macintosh. Meu trabalho criar um espao para eles e remover os obstculos do restante da empresa, disse Steve Jobs, o enigmtico inventor, empresrio e magnata norte-americano do setor da informtica, que se notabilizou como cofundador, presidente e diretor executivo da Apple Inc.

As estratgias mais inteligentes e as tecnologias mais avanadas no so nada efi cazes sem grandes pessoas para coloc-las em ao disse Jack Welch, executivo norte-americano e autor de vrios livros.

Gesto nada mais do que motivar outras pessoas, definiu Lee Iacocca, executivo norte-americano clebre por ter lanado o Mustang e o malfadado Ford Pinto, e por ter sido demitido da Ford (em 1978) e ter reerguido a Chrysler Corporation nos anos 1980. Iacocca tambm um conhecido autor de best-sellers de negcios, liderana e governana corporativa.

Com base em todos esses pensamentos, devemos considerar a importncia da motivao na implantao de qualquer processo e da responsabilidade dos gestores em sensibilizar e motivar seus colaboradores, o que de suma importncia para que os objetivos sejam alcanados.

O treinamento necessrio para a realizao de todas as tarefas, mesmo as rotineiras e deve ser integrado aos novos processos e procedimentos, podendo auxiliar na motivao das pessoas.

Ainda d tempo de voc rever seus conceitos no sentido de motivar seu pessoal e de ficar em dia com os requisitos da RDC n 48/13, se voc ainda no o fez.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

A academia deveria ir at a indstria ou vice-versa?

Antes de discorrer sobre esse tema to estimulante, quero registrar que, nos meus pouco mais de 60 anos de vida, sempre transitei muito bem nestes dois ambientes, muitas vezes to distantes o que considero um privilgio. Depois da minha graduao em medicina, na Universidade de So Paulo, pude fazer meu mestrado e, depois, meu doutorado em medicina, na Universidade de Campinas. No obstante, continuei meus estudos num curso de ps-doutorado, nos Estados Unidos.

Durante todos esses anos, mantive um estreito relacionamento com a indstria, sempre na forma de assessoria tcnica pontual. Pude, tambm neste tempo todo, perceber o grande afastamento que existia entre esses dois mundos, cada um deles com seus argumentos irrefutveis.

Uma das abordagens que podemos ter para tentar entender esse fenomeno est nas definies dos termos que permeiam ambos os mundos.

A palavra investigao tem um significado bem diferente para cada um deles, e h divergncias at mesmo dentro deles. Buscando definies, encontrei um trabalho postado por Luis Sarmento no blog Academia e Indstria. Para a academia, trabalho de investigao ampliar as fronteiras do conhecimento, produzindo novas teorias, pondo-as em prtica, percebendo suas falhas e corrigindo-as quando necessrio. O objetivo a pesquisa em si, no havendo, como falam os cientistas norte-americanos, cincia intil, pois todos os trabalhos cientficos, em algum momento, serviro para o aumento do conhecimento humano. Pode-se aguardar o tempo que for necessrio para que esta informao torne-se til e relevante.

Para tanto, o que se mede a produo cientfica que determinada instituio produz, onde ela consegue publicar seus feitos e quantos so os professores doutores envolvidos na pesquisa.

At bem recentemente, pelo menos aqui no Brasil, no era objetivo da academia produzir patentes que revertessem lucros para a instituio, e isso era visto at como antitico!

A investigao para a indstria a parte que envolve a resoluo de problemas que aparecem e atrapalham a evoluo dos negcios, no importando quem trouxe a soluo.

O que relevante que a investigao na indstria permite incorporar conhecimento novo na organizao, o que pode acontecer por um simples estudo de material j existente, pela sua evoluo por meio da adaptao aos desafios concretos que se vivem na indstria em causa.

O objetivo da investigao na indstria no passa necessariamente pela expanso do conhecimento da humanidade: apenas pretende expandir o conhecimento da organizao de forma a acelerar a sua progresso e ganhar vantagens competitivas. Ou seja, ao contrrio do que acontece na academia, a investigao na indstria no tem um carter universal.

Por um lado, muito frequente que, perante a limitao de recursos para o efeito na maior parte da indstria, grande parte daquilo que se chama de investigao se concentre apenas na importao e aplicao quase direta e o mais rpida possvel de conhecimento. Na verdade, este tipo de atividade est mais prximo da engenharia do que da cincia. Por outro lado, precisamente em indstrias mais poderosas, que se fazem tambm algumas das investigaes cientficas de fundo mais avanadas.

A medio do sucesso da investigao na indstria est essencialmente indexada ao seu potencial econmico em curto ou longo prazo. Como se procura uma vantagem competitiva, muito raramente se publicam os ltimos resultados. Alis, mesmo que haja um avano do conhecimento universal da humanidade, esse conhecimento fica restrito ao interior da empresa que o alcanou, para sua converso econmica.

Em resumo, a investigao na indstria tem um carcter essencialmente local, em que se procura uma vantagem competitiva, sem que isso torne obrigatria a expanso do conhecimento universal da humanidade.

Em algumas instituies acadmicas brasileiras, encontramos, h tempos, embries de empresas onde os alunos mimetizam o que vo encontrar em seu futuro profissional. J nas instituies pblicas, isso s comeou a acontecer mais recentemente, com a criao de empresas de informtica, como as chamadas startups, cuja funo reunir interessados em projetos econmicos e, por meio dessa parceria, tentar arrecadar o montante de dinheiro necessrio para a execuo desse projeto.

Nas grandes universidade pblicas, este modelo ainda muito incipiente, havendo pouco estmulo para a criao de patentes e sua utilizao comercial.

Falta ainda uma massa crtica suficientemente grande para impactar os dirigentes e gestores das universidades, de modo que eles entendam e aceitem a ideia de que a associao entre a indstria e a academia pode ser muito produtiva para ambos os lados, escolhendo modelos que j existem - especialmente nas universidades norte-americanas - ou, eventualmente, criando modelos prprios que se adaptem melhor realidade nacional.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Embalagens para cosmticos: carncia de legislao

J abordei esse assunto outras vezes, mas percebo que cada vez mais ele precisa ser discutido para alinhar a linguagem, principalmente no que diz respeito ao controle de qualidade das embalagens.

No se pode admitir que a principal ferramenta de venda de um cosmtico, a parte do produto que muitas vezes custa muito mais caro que o prprio produto (bulk) e que ocupa o maior espao na fbrica no tenha uma legislao que todos possam seguir e trabalhar, tendo como parmetro o que o mercado dos fornecedores aos clientes - pratica.

Quando vamos avaliar e qualificar um fornecedor, a principal pergunta a ser feita deve ser qual plano de amostragem e NQAs (nvel de qualidade aceitvel) voc pratica?. Isso deveria ser uma regra, que deveria ser conhecida por todos da cadeia. Sem contar que as divergncias entre uma empresa e outra so de toda ordem, a comear pelo uso de NQAs diferentes para diferentes famlias de embalagens. comum que haja, em uma mesma categoria de defeitos, a prtica de certo NQA para a famlia de plsticos, por exemplo, e de outro NQA para vidros. O que quero dizer com isso que se usa, por exemplo, NQA 1,5 para plsticos e 2,0 para vidros e, com isso, teoricamente admite-se uma abertura e uma aceitao maior em termos de defeitos na embalagem para a famlia de vidros.

O que mais dificulta a implantao de um sistema de controle de qualidade em uma empresa, alm dos problemas na classificao de um defeito e a falta de tcnicos especializados, essa falta de alinhamento.

Quem mais sofre com a falta de uma legislao especfica so as empresas que fabricam para terceiros. Em um contrato full service, o terceirista quem compra todos os insumos, inclusive as embalagens. Esse contrato contempla tambm a anlise dos insumos no recebimento pelo terceirista. Imagine a confuso na cabea do inspetor de qualidade se, para cada cliente, houver a exigncia de um plano de amostragem e NQA completamente diferente para os diversos tipos de defeito.

O lado bom que, para amenizar o problema, existe no mercado uma prtica (no oficial) na qual o plano de amostragem utilizado normalmente o Militay Standard 105 D, tambm conhecido como NBR 5426. Para os NQAs, o que normalmente se usa 1,5 para defeitos crticos, 0,25 para defeitos maiores ou graves e 4,0 para defeitos mnimos ou menores.

fundamental para uma empresa, principalmente a de produto acabado, ter bem definidos esses nmeros de NQA, pois so eles que determinam o nvel de qualidade que a empresa quer ter nas suas embalagens.

Comparo o NQA com uma rede colocada em um rio de lado a lado. Por ser pescador, embora no use rede, disso eu entendo bem! Se no houver essa rede, passar todo tipo de detritos trazidos pela correnteza. Por outro lado, essa rede vai limitar a passagem desses detritos, e o tamanho do detrito que passar ser exatamente o mesmo da malha da rede. Isso quer dizer que quanto maior for a malha da rede, maior ser o detrito que ir passar. Comparando ento com o NQA, quanto maior o NQA, maiores so os defeitos que a empresa admite como aprovados.

Em resumo, realmente o NQA define o nvel de qualidade da empresa e a cara que ela quer ter no mercado.

Uma notcia boa que esse assunto est sendo tratado por um grupo de especialistas em embalagem - do qual eu fao parte -, que acabou de ser formado. Vamos identificar no grupo quais profissionais tm mais conhecimento sobre esse assunto e convidar os rgos pertinentes para, ento, comearmos a discutir a harmonizao e a regularizao to necessrias.

Outro dado importante que, quando abordei esse assunto no grupo, as respostas foram imediatas, e todas convergiram para essa carncia de legislao e a necessidade da criao de um grupo de trabalho para discutir e propor normas que atendessem a essa ansiedade do mercado.

Tratamos aqui do assunto legislao/controle de qualidade, mas, obviamente, junto dele vm outras carncias no que diz respeito a embalagens para cosmticos. S para comear a discusso, diversos tipos de resinas plsticas so usados em embalagens para shampoo, por exemplo. Mas qual a mais indicada? Qual a ecologicamente mais correta? Qual a mais compatvel? E qual deveria ser exigida pelos rgos legais? Da mesma forma, o questionamento da foscao por ataque de cido nos frascos de vidro.

Fica aqui uma amostragem do que precisa ser discutido e alinhado para evitar a torre de babel que existe hoje em termos de legislao referente a embalagens para cosmticos.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

X, xu, cada macaco no seu galho

Algum sabe como surgiu o dito que d ttulo coluna desta edio?
Quem respondeu um samba de Riacho acertou. Riacho sambista de velha guarda escreveu esta cano h mais de 70 anos. E com ela que pretendo faz-lo refletir sobre prescrio farmacutica.

Todo mundo sabe que o mundo contemporneo um mundo de reinveno. Assim, como todas as coisas, as profisses tambm precisam se reinventar.

Pense na reinveno sofrida pela nutrio (at uns 15 anos atrs, ser nutricionista era sinnimo de trabalhar em restaurante ou empresas de catering), por exemplo. Bilogos eram fatalmente destinados ao magistrio e hoje podem trabalhar com sequenciamento gentico e gerenciamento ambiental). E os educadores fsicos ampliaram seu leque para os cuidados pessoais e a integrao em equipes multidisciplinares de sade.

E a voc me pergunta: e o farmacutico? Bem, tambm estamos nos reinventando.

Bill Gates, em seu livro A Estrada para o Futuro, ensina que a melhor forma de prever o futuro invent-lo. Nesse sentido, a prescrio farmacutica seria um dos passos a ser dado pelo menos em parte para reinventar a profisso farmacutica.

Mas seria isso totalmente verdade? Seria a prescrio farmacutica (que, resumidamente, consiste em o farmacutico prescrever medicamentos isentos de prescrio mdica ou alguns medicamentos de ateno primria sade, conforme protocolos claramente definidos) uma reinveno para a profisso ou ela nos traria mais prejuzos que benefcios? Vejamos:

O principal fundamento da prescrio farmacutica que existem inmeras pessoas afetadas por doenas ou problemas crnicos de sade (asma, enxaqueca, hipertenso, hipercolesteremia, acne, alergias, micoses etc.) que no esto sendo tratadas.

Devido a um comportamento secular e pelas dificuldades de acesso sade, ns sabemos que, no Brasil, os primeiros estabelecimentos de sade a ser lembrados e procurados pela populao so as farmcias e drogarias. Tambm sabemos que um hbito (no muito recomendvel) o brasileiro se automedicar e o quo comum a dispensao de medicamentos tarjados sem a devida prescrio e, muitas vezes, sem o aconselhamento profissional do farmacutico. Por estes motivos, muito comum (para no dizer intuitivo) que as pessoas procurem as farmcias para obter medicamentos, sejam eles de prescrio ou no. No Brasil, a indicao de medicamentos em farmcias um fato que, infelizmente, na maioria das vezes, acontece sem o aconselhamento de um profissional farmacutico.

Como, ento, equacionar as necessidades de atendimento sade primria da populao e, ao mesmo tempo, eliminar a automedicao e estimular o uso racional de medicamentos?

A resposta est na prescrio farmacutica. muito melhor que um farmacutico, baseado em protocolos adequados, possa prescrever um medicamento de venda livre para asma que deixar eventuais pacientes merc de servios de sade inacessveis e que muito provavelmente faro uso do mesmo recurso teraputico que o farmacutico teria prescrito.

Mas existe um problema nisso tudo: a linha que separa o que pode ser prescrito por um farmacutico e o que deve ser prescrito exclusivamente por um mdico muito tnue e no muito ntida. Vrias doenas exigem um diagnstico diferencial difcil de resolver, e determinadas classes de frmacos podem obscurecer uma doena mais grave ou ser perigosas para certos grupos de pacientes com mltiplas enfermidades.

Durante muito tempo, a prtica indiscriminada da indicao de medicamentos por parte das farmcias foi uma realidade. Sabiamente, a regulamentao da prescrio farmacutica pelo Conselho Federal de Farmcia tornou clara e ntida a linha que separa o que pode ser prescrito por farmacuticos e o que no pode. Foram estabelecidos protocolos e normas para o atendimento e a prescrio e, se isto for respeitado, tudo ser melhor para a sade no Brasil.

Ns, farmacuticos, devemos ter uma profunda conscincia profissional e estar plenamente cientes dos nossos limites. Infelizmente, alguns profissionais veem na prescrio apenas uma forma de sobressair e acabam ultrapassando limites, oferecendo servios que invadem a competncia legal de outros profissionais.

Nossa competncia exclusiva , sempre foi e sempre ser o medicamento. Desde o sculo XV, medicina e farmcia andam separadas como profisses, mas unidas pela teraputica medicamentosa. Uma no pode existir sem a outra. A medicina clnica uma arte, tal qual o preparo de medicamentos. Ambas so indispensveis, mas cada qual em seu mbito. Ultrapassar limites e pular para o galho vizinho pode trazer muitos problemas.

Ah, e afinal: voc sabia que cada macaco no seu galho foi eternizado pelo Riacho?

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