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Edicao Atual - Fotoproteo

Editorial

Um dia de cada vez

Velha inimiga da economia brasileira, a infl ação mina o poder de compra da população. No ambiente de incertezas em que estamos vivendo, com a crise política inevitavelmente produzindo reflexos na atividade econômica.

A atividade industrial no país registrou queda de mais de 13% em 2015 (IBGE) e o desemprego já atinge mais de 10% da população brasileira, mais de 20% entre jovens. Apesar dos índices de atividade e de inflação, e do superávit comercial, entre outros, mostrarem resultados positivos, na realidade são indicativos indiretos da estagnação da economia.

As peças estão se movendo no tabuleiro, resta aguardar pelo xeque-mate.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil traz, na seção Enfoque, uma reportagem sobre claims e rotulagem de produtos. A matéria aborda os aspectos regulatórios e de marketing relacionados às informações que chegam ao consumidor, bem como as ferramentas científicas utilizadas pela indústria para comprovar os diferenciais do produto. A seção Persona apresenta a trajetória de Clélia Angelon.

Os artigos técnicos trazem interessantes trabalhos sobre proteção solar, sobre o uso de tensoativos em produtos de limpeza facial e corporal, e sobre problemas de estabilidade em base faciais, entre outros assuntos. Esta edição é especial, traz o Programa Oficial do 29º Congresso Brasileiro de Cosmetologia, sob o tema “Criatividade e Inspiração – o poder da transformação”, e será distribuída a todos os congressistas.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher

Proteção Solar: Passado, Presente e Futuro - John Jiménez (Departamento de Inovação e Desenvolvimento da Belcorp, Bogotá, Colômbia)

O passado mostra o esforço do ser humano para se proteger da radiação solar. Atualmente, existem muitos avanços científicos e faltam ações de harmonização da legislação e a garantia de acesso às melhores tecnologias. No futuro, as empresas vão destinar esforços para compreender os efeitos da radiação UVC e vamos ver as novas tendências guiando a inovação.

El pasado muestra el esfuerzo humano para protegerse de la radiación solar. En el presente hay muchos avances científicos aunque faltan acciones para armonizar las legislaciones y garantizar acceso a las mejores tecnologías. En el futuro las empresas destinarán esfuerzos para entender los efectos de la radiación UVC y veremos nuevas tendencias que direccionarán la innovación.

The past shows the human effort to protect themselves from solar radiation. At present there are many scientific advances but there are not enough actions to harmonize legislation and ensure access to the best technologies. In the future companies will make efforts to understand the effects of UVC radiation and we see new trends that will guide innovation.

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Tensoativos na Limpeza Facial e Corporal - Eric Abrutyn (TPC2 Advisors Ltd., Inc. - Delray Beach, FL, Estados Unidos)

Os produtos de limpeza facial e corporal representam um segmento importante na indústria de cuidado pessoal. Neste artigo o autor aborda o uso de tensoativos em formulações desse tipo de produtos.

Los productos de limpieza facial y corporal es un importante segmento de la industria del cuidado personal. En este artículo, el autor describe el uso de tensioactivos en formulaciones de tales productos.

The facial and body cleansing products is an important segment in the personal care industry. In this article the author discusses the use of surfactants in the formulation of such products.

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Problemas de Estabilidade e Uniformidade em Bases Faciais - Peter Tsolis, John Castro (The Estée Lauder Companies, New York, NY, Estados Unidos)

As bases faciais representam, em valor, mais do que um terço do mercado de maquiagem, e têm atributos perfeitamente percebidos pelo consumidor. Neste artigo, os autores fazem uma compilação dos principais passos a serem seguidos no desenvolvimento desses produtos, de modo a assegurar os benefícios e a performance durante a sua vida útil.

Las bases faciales representan, en valor, más de un tercio del mercado de maquillaje y tienen atributos bien percibidos por el consumidores. En este artículo los autores hacen una recopilación de los principales pasos a seguir en el desarrollo de estos productos, con el fin de garantizar los benefi cios y el performance durante su vida útil.

The foundations represent, in value, more than a third of the makeup market and their attributes are well perceived by the consumer. In this article the authors make a compilation of the main steps to be followed in developing these products, in order to ensure the benefits and the performance over its useful life.

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Análise Sensorial na Avaliação de Performance e Qualidade - Suélyn Féderle, Mariana Cristina Marcolini, Juliana Teixeira Bueno, Dayane Seco Carrari Budie, Márcio Lorencini, Valéria Maria Di Mambro (Grupo Boticário, São José dos Pinhais PR, Brasil)

Um dos importantes fatores para o desenho de um estudo sensorial é a escolha da escala apropriada para a coleta dos dados. As escalas mais utilizadas são a categórica e a linear, sendo que a seleção deve considerar aspectos técnicos. A escolha também afeta o tipo de análise estatística aplicada aos dados.

Uno de los puntos importantes del diseño experimental de un estudio sensorial es elegir la escala apropiada para recopilar los datos. Las escalas más utilizadas son lineal y categórica y la selección debe tener en cuenta aspectos técnicos. La selección también afecta el tipo de estadística que se aplicará.

One of the important points of a sensory study design is to choose the appropriated scale for data collecting. The most used scales are categorical and linear and the selection must take into account several technical aspects. The choice also affects the type of statistic analyzed applied to the data.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Diferenciao sempre, mais em tempos de crise

As empresas esto constantemente tentando diferenciar sua oferta de mercado da de seus concorrentes. Elas sonham com a prioridade de suas marcas na mente dos consumidores por meio de servios e produtos diferenciados oferecidos aos clientes fiis. Quando as empresas obtm com sucesso este sonho dourado, a concorrncia logo copia o modelo, neutralizando em pouco tempo as vantagens competitivas obtidas. Com isso, o ciclo recomea.

Portanto, no incomum - o que at saudvel- que, durante o ciclo de vida do produto, as estratgias de marketing diferenciem-se a fim de estender ao mximo a vida do produto e sua lucratividade, e fundamental entender desde o incio que o produto no durar para sempre.

Mas como fazer a diferenciao contnua? Em primeiro lugar, vamos definio: diferenciar-se desenvolver um conjunto de diferenas significativas para distinguir a oferta da empresa da oferta da concorrncia. Note que diferenciar no o mesmo que inovar. Inovar um assunto para outro artigo.

O nmero de oportunidades de diferenciao varia de acordo com o setor da empresa. Os setores podem ser agrupados numa matriz de competitividade de duas dimenses: Tamanho da vantagem x Quantidade de maneiras diferentes para conseguir a vantagem. Cada setor oferece tamanhos de vantagens diferentes, e a quantidade de abordagens para conseguir estas vantagens pode ser maior ou menor. Costuma-se dividir os setores em quatro tipos de vantagem competitiva:

- Setor de volume: composto por empresas que podem obter grandes vantagens competitivas em virtude do volume total do mercado, porm so poucas as maneiras de obt-las e, em geral, essas vantagens competitivas so facilmente imitveis pelos concorrentes.

- Setor estagnado: so as empresas que atuam basicamente com commodities e, por conta disso, podem obter apenas pequenas vantagens competitivas e de pouqussimas maneiras diferentes, podendo ser plagiadas a qualquer momento e sem esforo.

- Setor fragmentado: corresponde s empresas que encontram uma grande quantidade de formas de se diferenciar, porm a vantagem competitiva que qualquer uma delas pode trazer ser sempre pequena, o que no fundo no maximiza tanto o seu mercado.

- Setor especializado: aqui encontramos as empresas que possuem um grande nmero de possibilidades de diferenciao e todas elas tm um alto retorno, sendo, em geral, diferenciaes que dificilmente so copiadas ou que so plagiadas muito lentamente pelas concorrentes. Em outras palavras, essas empresas conseguem ter uma efetiva maximizao dos lucros por meio da diferenciao.

E onde se encontra o setor cosmtico nas definies acima?
Onde sua empresa se encaixa?

Acredito que est claro que as empresas do setor cosmtico podem se encaixar nos quatro casos acima, pois, neste segmento, existem empresas consideradas 100% seguidoras, ou seja, que apenas seguem as tendncias lanadas por outras, e empresas mistas, que operam simultaneamente linhas de produtos consideradas commodities e linhas de produtos premium. E, obviamente, h as empresas que operam fortemente no mercado especializado.

Se transportarmos o conceito de setor mencionando anteriormente para o de linha de produto, isto , se considerarmos que a linha uma empresa individual, ser fcil perceber que, no raro, dentro da prpria empresa coexistem as quatro realidades dos conceitos mencionados. Tambm comum que linhas de produtos nasam com um vis de setor especializado e, ao longo do ciclo de vida do produto, passem para a categoria setor de volume.

O importante a destacar aqui que a diferenciao algo que faz parte do DNA das empresas do setor de cosmticos e que o profissional de marketing, dentro de um grupo multidisciplinar, deve saber identificar quando os produtos esto dentro de cada um dos conceitos acima, para ento preparar ou determinar o momento de vida do produto de acordo com as possibilidades de diferenciao que cada momento pode oferecer.

No uma tarefa fcil, mas ela necessria para quem visa maximizar os lucros e se diferenciar significativamente
da concorrncia.

John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

Sensploration

A palavra luxo vem do latim luxus, procedente do campo agrcola, e significa crescer em excesso. Com o passar do tempo, esse termo foi se convertendo em sinnimo de excesso em geral. Logo, esse excesso se converteu numa gentica premium, a qual determina que cada produto deve ter uma diferena intrnseca, tecnolgica ou de desenho que contribua com um desempenho funcional ou sensorial superior mdia, conseguindo impactar emocionalmente os consumidores que o compram, por meio de histrias, experincias e valores. Uma recente publicao indica que 56% das vendas do setor de luxo nos Estados Unidos para os natais anteriores estiveram dirigidas a experincias de luxo mais do que a produtos concretos. A sensploration a tendncia que est impulsionando o desenvolvimento dessa categoria.

Essa tendncia comeou no mundo dos coquetis. Esse termo foi criado para descrever uma viagem multissensorial - no mais restrita ao sabor no decorrer da experincia do coquetel. A sensploration nasceu na psicologia no final dos anos 1990 por meio de estudos que buscavam determinar como os sentidos interagem entre si e com o meio. Est impulsionada por aqueles consumidores curiosos que no esto preocupados com a marca, mas que tm muitas expectativas em relao experincia com o produto. A ideia que o consumidor abandone o pensamento racional para que sinta prazer com a estimulao dos sentidos, desbloqueie as papilas e experimente sabores com novas intensidades, texturas e imagens associadas a notas olfativas.

Um recente estudo realizado pela Oxford University constatou que a forma do recipiente do coquetel pode influenciar a percepo do sabor. Esse estudo tambm demonstrou que o contexto, o ambiente no qual a bebida consumida, tambm pode melhorar o sabor e a degustao dos coquetis em at 20%. Alm disso, a pesquisa mostrou que 56% dos consumidores esto dispostos a investir mais nesse tipo de experincias. O desafio explorar os aspectos emocionais das bebidas.

A aparncia, as cores, os sons, a msica e o olfato podem influenciar a forma que os coquetis so percebidos, e isso pode ser aplicado tambm aos cosmticos.

A realidade virtual e a realidade aumentada so as aliadas dessa tendncia, j que potencializam as sensaes e as experincias vivenciadas pelos clientes. Estima-se que o mercado de realidade virtual passar dos 90 milhes de dlares de 2015 a 5,2 bilhes em 2018. Por essa razo, restaurantes, bares e barmen esto desenvolvendo inovadoras formas de consumo de coquetis e da gastronomia em geral, por meio de elementos sensoriais cada vez mais complexos e elaborados.

Um exemplo dessa tendncia em cosmtica foi feito no ano passado por um famoso hotel na Europa, que abriu um bar onde as bebidas so inspiradas em fragrncias cones do mundo dos luxuosos e tm seu sabor, convidando os consumidores a utilizarem no somente o paladar, mas tambm o tato e o olfato, por meio de coquetis que so autnticas obras de arte.

Graas sensploration, as marcas de luxo esto formando uma identidade icnica, sustentada por uma comunicao coerente em todos os seus pontos, com matrias-primas diferenciadas, esttica sofisticada e pontos de venda exclusivamente desenhados, que oferecem novas experincias multissensoriais. Como resultado, os consumidores esto sendo arrastados magneticamente a esse novo mundo de experincias irresistveis, porque a emoo o argumento contra a racionalidade na hora de comprar.

Henry ser um dos grandes usurios de produtos influenciados pela tendncia sensploration, porque representa o futuro dos consumidores na categoria de luxo. De fato, todas as marcas querem conhec-lo e querem entend-lo. Mas quem Henry? As High-Earners-Not-Yet-Rich (Henry) so pessoas com salrio alto, mas que ainda no so ricas, traduzindo a expresso para o portugus. Elas tm renda familiar entre 200 e 500 mil dlares por ano e idade entre 25 e 34 anos. O nmero de lares de Henry est crescendo em muitos pases e, embora no cheguem ao gasto excessivo em bens de luxo, seu potencial muito alto.

Ao contrrio dos hbitos de consumo tradicionais, tais como investir numa propriedade ou economizar para um casamento, os Henrys preferem gastar seu dinheiro em experincias e produtos para um estilo de vida melhor. Esses resultados indicam uma mudana na mentalidade dos consumidores, que esto valorizando mais as experincias do que produto.

Sensploration = Sense + Exploration. Ser o prximo caminho que transformar o mundo de bens e servios de luxo, proporcionando uma experincia alm dos sentidos. Aqui, o que importa viver algo realmente nico. Inspirao para a inovao em cosmtica prestigie, na qual o objetivo proporcionar aos consumidores experincias que apelam a todos os sentidos.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Eu quero explodir a Anvisa

H um tempo, ao visitar uma empresa, o diretor me recebeu dizendo isto: Eu quero explodir a Anvisa. Claro que ele estava com problemas regulatrios, mas penso que nem uma situao dessa no justificaria tamanho descabimento. Nem como desabafo. Um aborrecimento aqui, uma discordncia ali, mas nunca tinha me ocorrido que algum pudesse ter uma ideia dessa. Por curiosidade, inseri a frase em um slide na abertura de um tpico do curso Gerao de Valor na Indstria de Cosmticos. Em todas as apresentaes, a reao foi de uma concordncia quase silenciosa, e isto me fez refletir mais detalhadamente sobre o assunto.

Uma das razes fundamentais para se viver em sociedade poder ter acesso a uma condio de bem-estar. No existe bem-estar sem sade, e no possvel ter sade sem um sistema de vigilncia sanitria minimamente competente. Ao se organizar sob a forma de Estado, a sociedade elege seus governantes como representantes legtimos (existem outras maneiras, mas esta a melhor). Estes, por sua vez, em condio ideal, organizam sua administrao e estrutura para proteger e dar condies para esta sociedade de evoluir, gerar riqueza e promover bem-estar s pessoas. A vigilncia sanitria, com suas normas, seus procedimentos e sua atuao, faz parte deste sistema.

Como uma sociedade organizada d origem a um mercado consumidor, surgem empresas e profissionais interessados em atend-lo, mas estes devem faz-lo obedecendo s suas regras, que, no caso, so estabelecidas pela vigilncia sanitria, legtima representante desta sociedade. Especificamente no caso de cosmticos, a desobedincia um fato grave e pode se configurar como crime. Resumindo: mais simples e mais fcil funcionar sem estas regras, mas no vlido e ponto final.

Por outro lado, necessrio que as autoridades responsveis pela vigilncia sanitria compreendam que no existir bem-estar nem sade sem as empresas e os profissionais que atuam no setor, e que, sozinha, ela incapaz de realizar esta tarefa. A burocracia excessiva e improdutiva que herdamos de nossas origens latinas, a desconsiderao do papel de empresas e profissionais na gerao da sade, a lentido operacional dos rgos pblicos, as auditorias com foco desviado, o desprezo pelo resultado financeiro positivo que os empreendimentos almejam e o no reconhecimento dos compromissos dos responsveis tcnicos que imperam na lgica das instituies de vigilncia sanitria brasileiras, na verdade, so fatores que fazem com que elas contrariem a sua prpria razo de ser porque criam dificuldades a quem efetivamente produz sade. O ideal que os dois lados se enxerguem como complementares e no como antagnicos. Assim, a melhor situao quando este sistema est em equilbrio.

Dito isso, vou me permitir fazer trs sugestes:

Ter o responsvel tcnico como uma fi gura efetiva de vigilncia sanitria. Quando no houver possibilidade de uma vistoria em prazo razovel, deveria ser aceita sua declarao assinada, considerando ainda a possibilidade do uso de vdeos neste processo. muito comum projetos esperarem muito tempo para receber uma vistoria pelo fato de a vigilncia no ter viaturas disponveis. Empresas e profissionais devem merecer esta prerrogativa.

Eliminar conduta agressiva, que infelizmente ainda existe, e exigncias baseadas na opinio do auditor sanitrio. Elas devem estar fundamentadas nas normas. Quando no forem claramente identificadas, que se faa justificativa fundamentada das exigncias, enumerando todos os fatores considerados em sua formalizao.

Implantar, por meio das entidades representativas, um programa de autorregulamentao consistente e esclarecedor, com treinamento sistemtico de tcnicos e empresrios. Para isso, deve haver esforo contnuo de ambas as partes, alm da necessidade de quebrar certos paradigmas. Talvez estas sejam as duas maiores dificuldades. Temos que lembrar que, quando vamos a um supermercado, uma farmcia ou uma perfumaria, compramos produtos e os consumimos sem receio, devemos isso a esta estrutura, que garante a qualidade e a adequao do que estamos consumindo.

Em outras palavras: a vigilncia sanitria essencial, imprescindvel e de valor incalculvel para todos. E eu, por razes bvias, estou torcendo para que no ocorra nenhum sinistro parecido com exploso ou incndio na Anvisa. O certo que todos temos de pensar assim.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Est chegando a hora

Que o leitor no se perca vendo o ttulo desta coluna, pois no falarei de acontecimentos polticos que esto por vir. Recordarei o que foi estabelecido pela RDC n 48, de 23/10/2016, sobre a qual a seguir vou comentar e procurar enfatizar seus tpicos mais importantes.

Como sabemos, a RDC n 48/13 estabeleceu o regulamento tcnico das Boas Prticas de Fabricao para Produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosmticos.

Essa RDC incorporou ao ordenamento jurdico nacional a Resoluo GMC Mercosul n 19/11, que aprovou o regulamento tcnico das BPF para produtos de HPPC. A RDC revogou as disposies em contrrio, em especial a Portaria n 348, de 18 de agosto de 1997.

Pelo artigo 4 da RDC, ficou institudo o prazo mximo de trs anos para a concluso dos estudos de validao, a partir da publicao da Resoluo.

No inciso 1 desse artigo, foi institudo o prazo de um ano, para a empresa elaborar todos os protocolos e outros documentos necessrios para a validao de operaes de limpeza e metodologia analtica e dos sistemas informatizados e de gua de processo que j estivessem instalados.

J o inciso 2 esclareceu que, para a metodologia analtica, a elaborao dos protocolos e a validao do mtodo devem ser realizadas apenas quando se trata de metodologias no codificadas em normas ou bibliografia conhecidas. Portanto, se essas metodologias constarem na farmacopeia, no haver necessidade de serem validadas.

Por outro lado, o inciso 3 determinou que, para os sistemas, mtodos ou equipamentos adquiridos a partir da data de publicao da RDC, a validao deve ser realizada antes de eles serem colocados em uso rotineiro.

Uma advertncia vem no artigo 5, informando que o descumprimento das disposies contidas nessa RDC e no regulamento por ela aprovado constituir infrao sanitria, nos termos da lei no 6.437, de 20/8/1977, sem prejuzo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabveis.

Estamos em maio de 2016, portanto faltam menos de 5 meses de prazo para que sejam concludas todas as validaes.

Durante esses quase trs anos no trabalho de consultoria, tive a oportunidade de visitar muitas empresas e verifiquei que poucas realmente se prepararam para concluir essas tarefas dentro do prazo estabelecido.

O argumento para justificar o no cumprimento dos prazos, em geral, o desconhecimento do que e de como fazer.

Culturalmente, j foi incorporado o hbito de deixar para o ltimo momento a concluso de qualquer tarefa. Mas existe ainda outro mau costume do jeitinho brasileiro: sempre ser dado um jeito para acomodar a situao. Como a inspeo sanitria no consegue atingir a todas as empresas ao mesmo tempo, muitas delas ainda contam com aquele prazo extra se, por ventura, receberem a inspeo da autoridade sanitria e no estiverem com as validaes em dia.

Pesquisa informal, com aproximadamente 100 empresas, apresentou o seguinte resultado quanto s validaes concludas:

- Metodologia analtica: 75%.

- Sistemas informatizados: 40%.

- Procedimentos de limpeza: 40%.

- Sistemas de gua: 50%.

Com base nesses dados, pode-se concluir que muito trabalho ainda precisa ser feito, entretanto, espero que os quase cinco meses que restam sejam suficientes para o cumprimento do que foi estabelecido na RDC n 48/13.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Estabilidade... ao menos para os produtos

Deixando de lado as incertezas que temos vivido e que nos trazem instabilidade na poltica e na economia, com consequncias desastrosas para o pas, pego esse gancho para traar um paralelo da importncia da continuidade no dia a dia da empresa em comparao ao que se obtm no estudo de estabilidade realizado para determinado produto.

O estudo de estabilidade tem o propsito de avaliar a qualidade do desenvolvimento de um produto que vai ao mercado para consumo, com a expectativa de atender os anseios daqueles consumidores que vo escolh-lo influenciados por sua campanha de mdia, por suas propriedades e finalidades, de modo a usufruir dos benefcios do produto no perodo de validade estabelecido pela prpria empresa.

Ora, se o perodo de validade de um produto determinado pela prpria empresa que o desenvolveu, porque problemas ocorrem com o produto no mercado? Considerando que a formulao (ingredientes, concentraes, especificaes, processo industrial, compatibilidade com a embalagem)
deveria ser projetada para uma adequada interao com fatores externos, de modo a suportar oscilaes oriundas da degradao qumica, assim como de suas caractersticas fsicas, quando submetida a extremos de variaes climticas, inclusive de transporte e armazenagem inadequados, mantendo-se ntegra no decorrer de sua validade, por que ocorrem problemas nas mos do consumidor?

Vejamos ento, a seguir, algumas causas que no tm relao com a avaliao tcnica da estabilidade:

- troca de fornecedores e/ou de ingredientes que no foram tecnicamente avaliados;

- alteraes no processo produtivo buscando agilidade;

- armazenagem inadequada devido a condies ambientais e ao pessoal no ser treinado para o manuseio do produto;

- m qualidade da documentao existente.

Esses so fatores que podem ocorrer em contraponto fatal ao produto (constatado no shelflife), comparados ao resultado de um ensaio de conformidade como planejado.

Essas mudanas de rota no so passveis de avaliaes regulatrias, tampouco so submetidas ao rgo regulador. So mudanas internas e expem uma grande fragilidade da eficcia do sistema de Gesto da Qualidade.

A disperso de esforos em uma empresa facilmente verificada quando a Gesto da Qualidade capenga. Nessa circunstncia, todos os colaboradores sempre fazem o melhor, porm de maneira no convergente. Todos esto focados no timing das atividades e no em sua interao.

Quando a Gesto da Qualidade no funciona de forma adequada, muito frequentemente, em empresas de pequeno porte, os produtos produzidos so verdadeiros Frankensteins, cujos lotes, quando avaliados pelo monitoramento dos rgos sanitrios, causam uma surpresa prevista.

Nunca adiantou a formao de comits pontuais com a finalidade de descobrir onde falhamos. Simplesmente falhamos pela existncia de uma poltica de Gesto da Qualidade no sustentada. Isso traz como consequncias a retirada de produtos do mercado, os gastos adicionais com o recolhimento, a insatisfao e a perda do consumidor
seguida pela perda de mercado.

No foi por acaso que a RDC n 48/13 estabeleceu, em seu artigo 3, sobre a Gesto da Qualidade, no subitem 3.3.4, alnea i, bem como nos subitens 3.6.1 e 3.6.2, os requisitos desse estudo, de modo a produzi-lo com qualidade, quando operado sob as Boas Prticas de Fabricao.

No nada fcil conquistar, porm muito fcil perder e no recuperar.

Portanto, se o estudo de estabilidade no for conduzido como deveria e no refletir a realidade proclamada, o resultado tambm j sabemos qual ser, no ?

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Teste de compatibilidade

O tema central desta edio a estabilidade de produtos, o que j me faz comear esse texto com um esclarecimento aqui necessrio.

O que na verdade essa estabilidade? um teste, ou melhor, uma srie de testes necessrios e exigidos pela Anvisa para a regularizao do produto, nos quais a indstria faz simulaes e submete o produto a condies anlogas s que estaro nos diversos tipos de PDV (ponto de venda), seja qual for o canal de venda em que a empresa opera.

Os produtos tambm so submetidos a temperaturas severas de transporte - dentro de um caminho ba, por exemplo, ou mesmo em uma vitrine de loja com luz natural ou com incidncia direta da luz do sol.

sabido que no canal de venda porta a porta (venda direta) o produto fica menos exposto a condies drsticas se comparado com o canal varejo (perfumarias, farmcias etc.). Isso no muda as condies de laboratrio em que os produtos so testados. O teste padronizado em condies que simulam temperaturas maiores, como no Nordeste (estufa), e temperaturas menores, como no Sul (geladeira), alm da tradicional temperatura ambiente e tambm da janela, at porque comum o consumidor manter seus produtos em janelas de banheiro, principalmente shampoos e outros produtos capilares.

importante ressaltar tambm que o teste de estabilidade visa acima de tudo determinar o prazo de validade do produto.

Em resumo, esse o teste de estabilidade feito a partir do bulk (produto fabricado e ainda no envasado) colocado em um pote de vidro de aproximadamente 250 gramas ou em quantidade suficiente para a realizao dos testes, principalmente quando se trata de um teste de viscosidade, que requer uma quantidade maior.

Voltando ao esclarecimento que citei no incio desse texto, vamos falar de testes, porm daqueles que so feitos nas embalagens, especificamente nas primrias, aquelas que entram em contato direto com o produto.

Esse teste denominamos compatibilidade, pois trata da observao de reaes que podem ocorrer no produto ou mesmo na embalagem pelo contato de um com o outro.

Mas o que exatamente pode ocorrer numa incompatibilidade produto/embalagem? Na verdade, essa incompatibilidade pode ser qumica ou mesmo fsica. Por exemplo, quando o produto migra atravs da embalagem, isso mostra que ele passou pela sua parede, o que no deveria ocorrer. Mas por que isso acontece?

Esse fenmeno no se d em embalagens de vidro, mas sim nas plsticas, porque o plstico e a resina plstica tm, em suas paredes, poros parecidos com os da nossa pele. Alguns tipos de plsticos tm esses poros mais abertos; outros, mais fechados. Essa migrao ocorre quando esses poros so mais abertos, o que indica que o produto deve ser colocado em um tipo de plstico que tenha esses poros mais fechados. Nesse quesito, o PET o mais indicado e o mais usado se comparado com o PEAD (polietileno de alta densidade), tambm muito utilizado.

Uma comprovao da existncia desses poros nas embalagens plsticas pode ser observada dentro das fbricas que fazem decorao (silk screen, por exemplo). Antes de aplicar a tinta na superfcie da embalagem, necessrio realizar uma flambagem, ou seja, faz-la passar na frente de bicos de gs, onde o aquecimento dilata os poros, facilitando a penetrao da tinta e melhorando sua fixao.

Uma incompatibilidade clssica que podemos destacar a existente entre o leo mineral contido em bronzeadores e leos de banho e as embalagens PEAD.

Por outro lado, a incompatibilidade qumica tambm acontece, e talvez a mais clssica seja o uso de bandeja de folha de flandres em um pancake. Isso porque, para aplicar o pancake, a consumidora umedece a esponja e a movimenta sobre o produto. A oxidao (ferrugem) da bandeja ocorrer gradativamente devido ao contato com a gua. Nesse caso, deve-se usar uma bandeja de alumnio, que um pouco mais cara, mas no oxida.

A experincia do tcnico de embalagem ou do profissional de desenvolvimento de produto fundamental para evitar essas clssicas incompatibilidades, porm isso no elimina a necessidade de sempre executar o teste de compatibilidade.

Ele deve ser feito depois do desenvolvimento do produto e da definio do material de embalagem a ser usado. Se houver qualquer alterao na formulao ou no material de embalagem aps o incio do teste, este deve ser desprezado e refeito imediatamente, contemplando essas alteraes.

Vale ressaltar que o teste de compatibilidade no deve ser feito no ato de recebimento dos lotes de embalagens (controle de qualidade), mas sim e apenas no desenvolvimento do produto. No recebimento, deve-se comprovar que o material da embalagem o descrito na especificao tcnica.

As condies de temperatura e ambiente de teste so basicamente as mesmas do teste de estabilidade, porm com o produto dentro da embalagem a ser testada.

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