19 de Outubro de 2018

Maquiagem

Edicao Atual - Maquiagem

Editorial

O lado bom das coisas

Já virou clichê afirmar que períodos de crise também podem ser oportunidades. É como ensinava o prof. Carlos Marmo, de geometria analítica: “desenhe a solução e isso vai ajudar a resolver o problema” – e funcionava. Pensar em explorar oportunidades e acreditar no poder da criatividade faz ainda mais sentido quando recebemos os primeiros bons ventos da crise econômica.

Em julho, o crescimento nas vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria – ante o mesmo mês de 2014 – teve desempenho superior aos demais segmentos na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com alta de 1,6%. Em 12 meses até julho, a categoria acumula taxa positiva de 6,1%.

De acordo com um estudo realizado pela Nielsen, o valor das vendas da cesta de higiene e beleza teve uma alta nominal (sem descontar a inflação) de 7,5% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2014 – enquanto a média total das outras cestas foi de 6,5%.

A categoria Cosméticos, Perfumaria, Cuidados Pessoais e Saúde foi a mais vendida em volume de pedidos via dispositivos móveis em 2014, representando 16,2% das vendas, segundo dados da e-bit.

Números positivos continuarão permeando o setor. A retração econômica, ao menos no curto e médio prazo, também. Vale a reflexão, com mais uma pérola do chavão: o copo está meio vazio ou meio cheio?

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil traz na matéria de capa as tendências, inovações e destaques da indústria em produtos para maquiagem. A categoria ganha força no mercado e faz parte da rotina das brasileiras, aliando tecnologia ao cuidado com a saúde da pele.

A seção Persona apresenta a trajetória de Emiro Khury. Nos artigos técnicos, você confere como controlar o frizz dos cabelos e o uso de extrato de raízes em formulações de cosméticos, dentre outros assuntos.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher

Definição e Controle do Frizz - Trefor Evans, PhD (TA Evans Inc., Princeton, NJ, Estados Unidos)

Provavelmente existe uma variedade de fatores que contribuem para o impreciso termo frizz usado pelos consumidores. Este artigo tenta moldar uma definição única e depois avançar para um exame dos fatores causadores do frizz. Essas análises concentram-se nos métodos para quantifi car as propriedades dos cabelos e para avaliar o impacto positivo de produtos existentes no mercado para o tratamento dos cabelos.

Es probable que haya una variedad de causas y de contribuyentes para el consumidor usar el nebuloso término frizz. En este artículo se intenta elaborar una definición universal y entonces avanzar el analysis más a fondo los factores que impactan. Estas discusiones se centran en los métodos para cuantificar las propiedades del cabello y la evaluar los efectos positivos de los productos comerciales de cuidado del cabello.

There is likely a variety of causes and contributors to the nebulous consumer term frizz. This article attempts to craft a universal definition and then progresses to further examine impacting factors. These discussions focus on methods for quantifying hair properties and assessing the positive impact of commercial hair care products.

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Uso Cosmético de Raízes de Maca Peruana e Ginseng Brasileiro - Giorgio DellAcqua, PhD (DellAcqua Consulting, Jersey City, NJ Estados Unidos)

Nos últimos anos, o interesse por fontes de raízes vegetais como ingredientes ativos para uso cosmético vem crescendo significantemente. Raízes de plantas como maca peruana e ginseng brasileiro são ricas em metabólitos secundários e, conforme está descrito neste artigo, podem exercer ações específicas sobre a pele, aumentando sua vitalidade e as respostas aos estresses ambientais.

En los últimos años, el interés en las raíces de plantas como ingredientes activos para uso cosmético ha crecido enormemente. Las raíces tales como la maca peruana y ginseng brasileño son ricas en metabolitos secundarios y, tal como se describe en este artículo, pueden tener acciones específi cas sobre la piel para aumentar su vitalidad y la respuesta los estreses ambientales.

In recent years, interest in sourcing plant roots as active ingredients for cosmetic use has grown tremendously. Roots such as Peruvian maca and Brazilian ginseng are rich in secondary metabolites and, as described here, can have specific actions on skin to increase its vitality and response to environmental stresses.

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Régua de Pele: Linha de Maquiagem para a Mulher Brasileira - Doraci Aleixo Maciel, Dilene Foggi Bet, Edilson Luiz Rocha, Flavia Bogo Ribas, Valéria Maria Di Mambro (Grupo Boticário, São José dos Pinhais, Brasil); Érica de Oliveira Monteiro (E M Dermatologia, São Paulo, Brasil)

A maquiagem é um artifício importante para adornar, iluminar ou disfarçar imperfeições da pele e para elevar a autoestima. Um estudo com voluntárias, com diferentes fototipos, foi realizado para entender os tons de pele das mulheres brasileiras e para desenvolver uma linha de maquiagem que atendesse às suas necessidades.

Maquillaje es un artificio importante para adornar, iluminar o disfrazar imperfecciones de la piel, e también para mejorar la autoestima. Un estudio con voluntarias con diferentes fototipos se llevó a cabo para entender los tonos de piel de las mujeres brasileñas y para desarrollar una línea de maquillaje que cubra sus necesidades.

Daily makeup or camouflage is an important artifice not simply to ornament, brighten and disguise skin imperfections, but also to improve self-steem. An exploratory study with volunteers with different phototypes was conducted to understand Brazilian women skin tones and to develop a makeup line that meets consumers needs.

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Uso Tópico de Vitamina C no Fotoenvelhecimento - Cristina Petersen (Centro Universitário Barão de Mauá, Ribeirão Preto SP, Brasil; Centro Universitário de Araraquara (Uniara), Araraquara SP, Brasil); Thalita Pilon, Bruna Chiari-Andréo (Centro Universitário de Araraquara (Uniara), Araraquara SP, Brasil)

A vitamina C tem sido muito utilizada em produtos cosméticos com função antioxidante por apresentar comprovadamente efeitos benéficos para a pele no combate ao fotoenvelhecimento. Este trabalho teve como objetivo oferecer uma nova fonte de informação a respeito dos cosméticos contendo vitamina C, explicando seu mecanismo de ação e seus efeitos na prevenção e na amenização do fotoenvelhecimento.

La vitamina C se ha usado ampliamente en productos cosméticos debido a sus funciones antioxidantes con efectos beneficiosos probados para la piel en la prevención del fotoenvejecimiento. Este estudio tuvo como objetivo proporcionar una nueva fuente de información sobre los cosméticos que contienen vitamina C que describe su mecanismo de acción y sus efectos en la prevención y mitigación del fotoenvejecimiento.

Vitamin C has been widely used in cosmetic products due to its antioxidant functions with proved beneficial effects for the skin in the prevention of photoaging. This study aimed to provide a new source of information about cosmetics containing vitamin C describing its mechanism of action and its effects on the prevention and mitigation of photoaging.

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Estabilidade e Atividade Antioxidante do Chá Verde - Gabriela Cervi, Ângela Gerhardt, Bárbara P da Silva, Eduardo M Ethur, Luísa S Ely, Carla Kauffmann, Luís Cesar de Castro, Marinês PM Rigo (Centro Universitário Univates, Lajeado RS, Brasil)

O objetivo deste trabalho foi avaliar a estabilidade e a atividade antioxidante do extrato de chá verde incorporado a um creme não iônico, comparadas a um creme não iônico contendo BHT, um antioxidante sintético.

El objetivo de este estudio fue evaluar la estabilidad y la actividad antioxidante de extracto de té verde incorporados en una crema no iónico, en comparación con una crema no iónico que contiene BHT, un antioxidante sintético.

The objective of this study was to evaluate the stability and antioxidant activity of green tea extract incorporated into a non-ionic cream, compared to a non-ionic cream containing BHT, a synthetic antioxidant.

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Óleo de Melaleuca e Argila Verde em Dermatite Seborreica - Marlene Gabriel Damazio, Josélia Alencar Lima, Janaina da Silva Fernandes, Karla Cristina Ferreira dos Santos (Curso Superior de Estética e Cosmética, Universidade Grande Rio Unigranrio, Rio de Janeiro RJ, Brasil)

O presente artigo é um estudo de caso que se baseia na aplicação da argila verde associada ao óleo essencial de Melaleuca alternifolia (Tea tree) para equilibrar as alterações na produção de sebo causadoras da dermatite seborreica. A dermatite seborreica é uma doença também conhecida pelos nomes seborreia, caspa ou eczema.

El presente trabajo es un estudio de caso basado en la aplicación de arcilla verde asociado con el aceite esencial de Melaleuca alternifolia (árbol del té) para equilibrar los cambios en la producción de sebo causa de la dermatitis seborreica. La dermatitis seborreica es una enfermedad, también conocida por los nombres de seborrea, caspa o eczema.

This article is a case study based on the application of green clay, associated with the essential oil of Melaleuca alternifolia (tea-tree), to balance the changes in the production of sebum which cause of seborrheic dermatitis. Seborrheic dermatitis is a disease also known by the names of seborrhea, dandruff or eczema.

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Correlação Instrumental e Sensorial de Composição Aromática no Ciclo Menstrual - C Silva Cortez Pereira, A Rolim Baby, MV Robles Velasco (Departamento de Farmácia, Universidade de São Paulo, São Paulo SP, Brasil); MH Van Kampen, PR Hrihorowitsch Moreno (Instituto de Química, Universidade de São Paulo, São Paulo SP, Brasil); M Tullius Scotti (Centro de Ciências Aplicadas e Educação Campus IV, Litoral Norte, Universidade da Paraíba, Rio Tinto PB, Brasil)

A fim de conhecer as variáveis que podem influenciar a relação perfume-substrato e a percepção olfativa do consumidor no ciclo menstrual, e colaborar com o desenvolvimento de fragrâncias, realizou-se um estudo correlacionando as análises sensorial e instrumental (medidas biomecânicas e cromatográficas) em função do ciclo menstrual.

Con el fin de conocer las variables que pueden influir en la interfaz de aroma-sustrato y la percepción del consumidor en el ciclo menstrual, y contribuir al desarrollo de fragancias, hubo un estudio que correlaciona el análisis sensorial e instrumentales (medidas biomecánicas y cromatográficas) dependiendo del ciclo menstrual.

In order to know the variables that may influence the fragrance-substrate interface and consumer perception in the menstrual cycle, and contribute to the development of fragrances, there was a study correlating the sensory analysis and instrumental (biomechanical and chromatographic measurements) as a function of the cycle menstrual.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

No h como esconder!

H algum que acredite ainda que no estamos em recesso? Antes de responder, seria bom dar uma olhada no signifi cado do termo que tem afetado tantos de ns. Um perodo de recesso um momento da vida econmica, por exemplo, de um pas (pois pode ser aplicado a uma empresa ou at mesmo a uma famlia), caracterizado por uma conjuntura de fatores. Fatores como um grande declnio na taxa de crescimento econmico, que resulta na diminuio da produo e do trabalho, dos salrios e dos benefcios das empresas. Do ponto de vista dos empresrios, recesso significa restringir as importaes, produzir menos e aumentar a capacidade ociosa. Para o consumidor, significa restrio de crdito, juros altos e desestmulo para compras. Para o trabalhador, baixos salrios e desemprego.

Do ponto de vista tcnico, para que a economia de um pas entre em recesso, so necessrios dois trimestres consecutivos de queda no PIB; alguns especialistas mais conservadores falam em trs trimestres. Se o PIB crescer pouco, pode-se falar at em estagnao econmica, mas no em recesso. E, embora caracterizada por uma reduo expressiva das atividades comerciais e industriais, a recesso considerada uma fase normal do ciclo econmico, sendo bem menos severa que a depresso. De acordo com o que foi exposto acima, sim, estamos em recesso econmica quando todos os critrios mencionados so avaliados.

Vamos avaliar um deles a ttulo de exemplo: a balana comercial, pois os demais critrios so mais facilmente perceptveis no dia a dia.

Este indicador nos mostra a atividade econmica de uma sociedade. Quando se exporta mais do que se importa, dizemos que temos uma balana comercial favorvel, pois se vende mais do que se compra. No entanto, mais importante do que saber o saldo, o relevante saber o volume negociado (se aumenta ou diminui) e a grandeza deste volume. Um olhar crtico sobre estes dois aspectos nos mostra um quadro preocupante.

No acumulado do ano (at agosto, ou seja, mais de dois trimestres), as exportaes atingiram US$ 128,347 bilhes e as importaes, US$ 121,045 bilhes garantindo uma balana comercial positiva, portanto. No entanto, no mesmo perodo de 2014, as exportaes registraram retrao de 16,7% e as importaes, de 21,3%. Em outras palavras, o volume negociado diminuiu de US$ 307,835 bilhes para US$ 249,232, ou seja, houve uma expressiva reduo, de 19%. Um olhar sobre os ltimos 12 meses leva mesma constatao: uma expressiva reduo de 16,9%. Em um horizonte mais prximo, entre julho e agosto de 2015 houve uma queda de 10,7%.

Olhando especificamente os parceiros comercais de exportao, observa-se no acumulado do ano uma queda no nvel das negociaes com todos os blocos econmicos. O mercado asitico reduziu as exportaes em 18,9%, tendo a China que o principal destino comercial do bloco, com 19,9% do volume gerado apresentado uma queda de 19,7%.

As exportaes para o Mercosul recuaram 16,2%, tendo a Argentina que o principal destino, com 33,5% do volume gerado apresentado queda de 11,3%.

E, por ltimo, as exportaes para os Estados Unidos (segundo maior pas em termos de volume negociado, com 12,8% do volume gerado) retrocederam 8,1%.

Sendo assim, por qualquer corte que se analise - nos ltimos 12 meses, no acumulado do ano ou na variao do ms anterior , os indicadores mostram uma reduo de dois dgitos, o que muito e, embora uma recesso seja considerada uma fase normal do ciclo econmico de um pas, a questo o nvel do mal-estar provocado e o perodo que se demora para retornar a um nvel aceitvel de crescimento. Vale destacar que a febre pela qual passamos hoje, se no cuidada, pode muito bem nos levar a uma estagnao, ou pior, a uma depresso.

Um pas uma estrutura muito pesada e a economia um ente lento a se mover. Toda e qualquer ao exige muito esforo para ser posta em movimento, e os resultados nunca so sentidos de imediato. O ano que vem j ser comprometido em termos de crescimento. Os especialistas indicam que um sinal positivo de tudo isto s poder ser sentido em 2017, se medidas forem tomadas ainda neste terceiro trimestre. E, para um bom planejamento estratgico, estas so variveis que no podem ficar de fora.

No h como esconder!

John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

Funmetics

Diante da grande quantidade de publicidade existente no mercado, temos de saber diferenciar os produtos que so lanados. Por isso, uma forma de criar uma emoo positiva e um maior vnculo com o consumidor incluir o
humor na publicidade.

O objetivo obter um maior impacto ao atingir o consumidor final, j que a publicidade que inclui humor chega mais facilmente ao pblico-alvo. Um recente estudo constatou que mais de 90% dos consumidores preferem ver produtos e anncios divertidos. Contudo, se a publicidade no for implementada corretamente, pode afetar a imagem da empresa ou da marca.

A risada um ingrediente fundamental, que ajuda a aumentar as vendas, porque proporciona ao cliente um maior sentido de pertencimento. O humor relaxa e pode liberar os hormnios da felicidade. contagioso e pode aumentar o boca-a-boca sobre os benefcios e as propriedades do produto e da marca.

Ao usar o humor no branding, a publicidade torna-se afetiva, chamativa, inesquecvel e sedutora: O que estamos vendo na web?

- Modelos bonitas que fazem caretas. Voc se lembra da famosa Betty, la fea?

- Lees, tigres e animais selvagens com jubas belas e lisas.

- Cosmticos para cachorros divulgados nos novos apps sociais. a era do Tinder canino.

- Velas aromticas com mensagens de humor negro.

- Uma divertida publicidade sobre ceras depilatrias ntimas
masculinas vinculada a uma campanha de preveno de cncer nos testculos.

- Humorous Hygiene. Um desejo de novidade nessa categoria faz com que os usurios queiram provar um toque de humor em seu uso. Estamos vendo no mercado pastas de dentes com sabor de wasabi e chocolate ou em forma de tablete que, ao ser mastigado, forma uma espuma que limpa os dentes; escovas de dentes com forma de crnio humano; gis de banho verde fluorescente para zumbis, vendidos em forma de bolsa de sangue, entre outros produtos curiosos.

- Desenho de princesas da Disney peludas em campanhas de depilao.

- Comedic aging. uma aceitao divertida do surgimento dos sinais de envelhecimento e seu tratamento cosmtico. H campanhas que esto sendo focadas na ideia de manter a prpria exuberncia durante toda a vida, o que inclui o humor refletido em situaes comuns do dia a dia. Essa estratgia proporciona uma viso mais positiva do envelhecimento.

- Para os amantes da pizza, esmaltes com conceitos, aromas e nomes de pizzas, lanados por uma conhecida marca.

- No Japo, foi lanado o conceito de ginstica de seios, que pode ser feita em casa com um massageador em forma de mo.

- Monster masks. As mscaras faciais continuam na moda e agora as vemos em forma de monstros, caveiras, duendes, zumbis, vampiros, esqueletos, homens-lobo, Frankenstein e outros personagens. H algumas que tm leos essenciais de alecrim para afastar os maus espritos. como um halloween para o skin care. Com certeza, os atores de The Walking Dead podem aproveitar essa tendncia para cuidar de sua pele enquanto filmam a srie. Tenha cuidado ao usar essas mscaras para no assustar algum!

- Shampoos de cerveja que incluem, em sua composio, cevada, fermento e lpulo, junto com aromas e embalagens relacionados com essa bebida.

- Neste ano, esto na moda os protetores solares para os animais de estimao.

- Na sia, estamos vendo o boom das extenses de clios para homens.

- Tambm estamos observando no mercado a presena de sabo para roupas masculinas, que tem aromas e benefcios especiais divulgados por meio de comerciais divertidos.

- Cerveja anti-idade. No Japo, foi lanada, neste ano, uma linha de cervejas que tm dois gramos de colgeno por lata e prometem benefcios anti-idade. Com certeza, os bares nas grandes cidades comearo, em pouco tempo, a oferecer noites de festa e de benefcios anti-idade, com drinks que diminuam as rugas e as manchas.

- Tambm na sia, so comuns os produtos para desenhar olheiras e dar uma forma arredondada aos olhos.

- Vendas faciais anti-idade. So vendas elsticas que cobrem metade do rosto, o que proporciona um aspecto muito parecido ao do Hanibbal Lecter num spa, mas que aperfeioam o desenho das bochechas e do contorno facial.

Funmetics = Fun + Cosmetics. O que acham de criar uma estratgia que faa o consumidor rir at dar dor na barriga e, assim, potencializar os resultados dos produtos para slimming abdominais? Mais sorriso, mais inspirao! Uma forma divertida de inovar.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Ingredientes naturais

H muito tempo os produtos naturais ganharam um enorme prestgio junto s pessoas. E, como esta uma importante tendncia de mercado, muitas empresas a assimilaram, sendo que algumas at incluram a expresso produtos naturais em sua razo social. Esta grande valorizao deve ter partido da noo de que os produtos sintticos ou artificiais so malficos e fazem mal sade, e sua obteno polui e depreda o planeta. Em contrapartida, os produtos naturais - por serem naturais - seriam isentos de efeitos indesejados, s fariam o bem sade, e sua obteno no traria nus ao meio ambiente.

Tecnicamente sabemos que isto no verdade. A natureza est repleta de substncias venenosas, como sulfeto de hidrognio, arsnico e metano. Existem inmeras espcies vegetais venenosas, algumas com efeitos urticantes importantes. Sabemos que o aproveitamento industrial de ingredientes vegetais, se feito de maneira inadequada, pode comprometer e perturbar o meio ambiente. Portanto, no uma verdade cientfica, mas um forte valor de mercado. O que cabe aos fabricantes de cosmticos especialmente aos pesquisadores e responsveis pelo desenvolvimento de formulaes interpretar esta noo e traduzi-la de forma honesta e efetiva.

Das muitas definies encontradas nos dicionrios, a que parece mais se aplicar a este caso a que diz que natural tudo aquilo produzido pela natureza, ou de acordo com suas leis. Esta definio j bastante complexa e inespecfica por si s, e, se a considerarmos ao p da letra, cosmticos no so produtos naturais, mas esta no a melhor via para tratar do tema. Ficaramos horas e mais horas discutindo o assunto sem sair do lugar. O trabalho, ento, compreender bem e usar corretamente os ingredientes naturais para obter produtos eficazes, seguros e honestos. O uso de ingredientes naturais visando exclusivamente aproveitar seu apelo de marketing uma estratgia de pouco ou curto valor. Produtos de tecnologia consistente devem ser desenvolvidos a partir da compreenso de que o grande diferencial dos ingredientes naturais que foram criados por um complexo processo biolgico que foi submetido apurao e ao refinamento, superando as severas provas representadas pela seleo natural.

Ao usar um extrato vegetal, um bom caminho para estudo considerar onde a planta se desenvolveu e quais foram os desafios vencidos por ela para sobreviver. A Aloe vera, por exemplo, tem alta capacidade regenerativa e hidratante porque originada em ambientes desrticos e hostis, com baixa disponibilidade de umidade. Para sobreviver, a espcie teve de desenvolver uma alta capacidade de obteno e reteno de gua, aliada a uma grande capacidade regenerativa ou cicatrizante, porque perder gua seria fatal. Estas caractersticas so muito adequadas para o aproveitamento em cosmticos.

Tambm necessrio e decisivo verificar se o processo extrativo foi adequado. Temperatura, processo e lquido extrator devem ser avaliados com muito critrio. A escolha de um extrato que s facilita a aplicao e garante a estabilidade do produto no o bastante. mandatrio garantir a manuteno da ao pretendida. necessrio usar critrios cientficos para definir o percentual dos ingredientes naturais a ser usado na formulao final. Pequenas quantidades podem no ter a ao desejada, enquanto quantidades excessivas podem encarecer o produto sem agregar ganho de atividade. As substncias tm concentrao tima de aproveitamento.

Os extratos vegetais so um complexo blend com inmeras substncias, que aparecem em concentrao relativa determinada por processo biolgico validado pela seleo natural e, presumivelmente, este equilbrio o responsvel por sua ao.

Na montagem da formulao, os outros ingredientes, o modo de preparao e as especificaes da nova formulao devem ser criteriosamente estabelecidos para garantir a manuteno da atividade do pool de substncias responsveis pela ao do extrato. Mistura de extratos vegetais tambm no garante que os efeitos benficos sero somados ou potencializados.

A utilizao de ingredientes naturais recomendvel por estes refletirem uma expectativa de consumidores, por serem originados em processos biolgicos e por terem reconhecidamente efeitos benficos sobre pele e cabelos. O que se exige um bom trabalho de desenvolvimento, com a realizao de estudos de eficcia para identificar, dimensionar e comprovar os seus benefcios.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Paulada na nuca

A aplicao de 187% (cento e oitenta e sete por cento!!!) de aumento das taxas dos servios da Anvisa (Portaria Interministerial no 701), de uma nica vez, um assunto sobre o qual realmente fica difcil dizer alguma coisa razovel, que no sejam imprprias.

Mais de 90% das indstrias de higiene pessoal, perfumaria e cosmticos, habilitadas no Brasil, so classificadas como micro e pequenas empresas, segundo critrio estabelecido quanto ao seu nvel de faturamento. Assim, as indstrias sofrem mais um duro golpe em seus esforos para a sobrevivncia, considerando que o setor caracterizado pela sazonalidade e pela dinmica de lanamentos frequentes de produtos, o que requerido pelo consumidor. Por isso, os novos valores causam forte impacto.

No adianta aplicar as benesses quanto extenso do prazo de validade do registro para aqueles produtos sujeitos a registro, bem como para os isentos de registro (hoje vlido por 5 anos) como vem sendo discutido. Considerando-se que um produto de HPPC atualizado, em mdia, a cada 2 anos e que a essas atualizaes e/ou modificaes sero aplicadas as novas taxas com valores absurdamente majorados, fora quaisquer imprevistos de percurso, o custo de manuteno desses produtos ser bastante representativo.

Com os novos regulamentos em vigor, referentes a produtos sob o controle da Anvisa, foram reduzidos os servios tcnicos de anlise das peties, foi eliminada a maioria das publicaes e seus custos na Imprensa Oficial (DOU), foi reduzido o nmero de funcionrios e, consequentemente, esse fato vai retardar a liberao de produtos peticionados, com graves consequncias de ordem econmica para as empresas. Tudo isso est ocorrendo em um momento no qual a inrcia do mercado vai comprometer igualmente os resultados do prximo ano.

Nos ltimos trs anos, a grande maioria das micro e pequenas empresas vem fazendo das tripas corao para se adequar enxurrada regulatria advinda dos novos regulamentos implementados. Esses regulamentos abrangem os produtos (adequao ao novo sistema) e as unidades industriais onde so produzidos (revalidao de sistemas e reconstruo da estrutura documental para uma adequada prtica de gesto da qualidade). Nas micro e pequenas empresas, os poucos e escassos recursos financeiros e a disponibilidade de recursos humanos tecnicamente capacitados se esgotam diante do volume desse trabalho adicional imposto ao dia a dia dessas empresas para atender aos novos regulamentos.

certo tambm que existem estabelecimentos produtores, se assim podemos cham-los, que no esto nem a para tudo isso. Considerando que no h fiscalizao adequada e/ou efetivo monitoramento de mercado como est previsto pela nova regulamentao (RDC n 7/15), esses estabelecimentos seguem, portanto, livres, praticando suas desconformidades e aproveitando-se dessa crnica fragilidade dos rgos fiscalizadores que ocorre em todos os nveis de governo (federal, estadual e municipal). Diante desse cenrio, muitos micros e pequenos empreendedores do setor j ponderam quanto a sua continuidade nesse mercado. Isto porque sentem que seu empenho na construo de seus estabelecimentos, no desenvolvimento de produtos e na elaborao de estratgias de permanncia ruiu como um castelo de cartas diante desse quadro poltico e econmico, carregado de leviandades.

de Paracelso, mdico e fsico suo do sculo XVI, a afirmao de que a diferena entre o remdio e o veneno
a dose. No caso presente, com o aumento das taxas, erraram feio na dose em um momento tambm inoportuno,
pois h outras medidas amargas que esto prestes a serem tomadas. Espero que essa somatria no destrua a importante participao dessa faixa de produtores em nosso segmento, como estamos prenunciando.

Com paulada na nuca se vai para frente, mas no se anda!

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Fatores de crescimento como princpios cosmecuticos

O envelhecimento cutneo mediado por uma combinao de efeitos do tempo (envelhecimento intrnseco) e fatores ambientais (envelhecimento extrnseco), com alterao na infraestrutura celular e extracelular. So dois processos independentes, clinicamente e biologicamente distintos, que afetam estrutura e funo simultaneamente. Os mecanismos comuns aos dois processos podem fornecer uma oportunidade nica para o desenvolvimento de novas terapias antienvelhecimento.

A exposio radiao ultravioleta gera leses cumulativas, que aceleram o envelhecimento cronolgico normal e exacerbam as injrias do tecido cutneo, resultando em fotoenvelhecimento. O interesse dos consumidores em corrigir os sinais do fotoenvelhecimento, como rugas, alteraes de pigmentao, flacidez e irregularidades da superfcie, aumenta medida que a populao envelhece.

Na ltima dcada, os pesquisadores tm focado na fisiopatologia do fotoenvelhecimento e encontraram correlaes com alguns aspectos da cicatrizao de feridas agudas e crnicas. De interesse especfico para os fabricantes de cosmecuticos so os efeitos dos fatores de crescimento no processo de cicatrizao de feridas. Os fatores de crescimento so protenas reguladoras que mediam as vias de sinalizao entre as clulas e dentro delas. Depois que uma ferida produzida, uma srie de fatores de crescimento chegam ao stio da mesma e interagem sinergicamente para iniciar e coordenar cada fase da cicatrizao.

Centenas de fatores de crescimento foram identificados. Os
que tm importncia na cicatrizao de feridas so citocinas envolvidas na resposta imunolgica e na fagocitose e fatores de crescimento que provocam a sntese de colgeno, elastina e GAGs, componentes da matriz extracelular drmica que so afetados pela radiao ultravioleta.

A cicatrizao das feridas dependente da interao sinrgica, entre muitos fatores de crescimento. Aps a injria, citocinas e outros fatores de crescimento inundam o stio da ferida para mediar a resposta inflamatria, promover o crescimento celular e diminuir a contrao e formao do tecido cicatricial. O processo cicatricial comumente dividido em quatro fases, que se sobrepem e representam a resposta fisiolgica injria. Essas fases incluem hemostasia, inflamao, proliferao e remodelao.

Durante a hemostasia, as plaquetas liberam vrias citocinas e outros fatores de crescimento no stio da ferida para promover a quimiotaxia e a mitognese. Na fase inflamatria, neutrfilos e moncitos migram para o stio da ferida, em resposta a citocinas e fatores de crescimento especficos, para iniciar a fagocitose e liberar fatores de crescimento adicionais, que atrairo fibroblastos.

A fase de proliferao marcada pela epitelizao, angiognese, formao de tecido de granulao e deposio de colgeno. Durante a proliferao, os queratincitos restauram a funo de barreira da pele e secretam fatores de crescimento adicionais, que estimulam a expresso de novas protenas queratina. Este ciclo de produo de colgeno e secreo de fatores de crescimento se mantm graas a uma forma de feedback autcrino, que promove a reparao contnua da ferida.

A fase de remodelao o passo final no processo de reparao da ferida e tipicamente leva vrios meses. Durante a remodelao, a matriz extracelular reorganizada, o tecido cicatricial formado, e a ferida reforada. O colgeno tipo III se deposita durante a fase de proliferao e gradualmente substitudo pelo colgeno tipo I, o qual apresenta ligaes cruzadas mais firmes e proporciona maior fora de tenso matriz do que o colgeno tipo III. As clulas no stio da ferida secretam diversos fatores de crescimento, que funcionam especificamente remodelando e formando a matriz.

Determinados fatores de crescimento iniciam de maneira direta a atividade que promove a cicatrizao de feridas, bem como modificam a atividade de clulas da matriz extracelular e outros fatores de crescimento.

O estudo do papel dos fatores de crescimento na cicatrizao de feridas permitiu que fossem demonstrados resultados cosmticos e clnicos positivos para o tratamento da pele fotoenvelhecida.

Apesar da utilizao tpica de fatores de crescimento ser uma abordagem emergente, os estudos iniciais sugerem que a produo de colgeno drmico e a melhora clnica da pele fotoenvelhecida, so substanciais. Os fatores de crescimento desempenham um papel importante para reverter os efeitos do envelhecimento da pele devido ao cronolgica e aos fatores ambientais. O aumento do colgeno drmico induzido pelos fatores de crescimento pode ser mensurado por meio de bipsia. Apesar da funo dos fatores de crescimento no processo natural de cicatrizao de feridas ser complexa e no totalmente esclarecida, parece que depende da interao sinrgica de muitos fatores de crescimento. A aplicao tpica de fatores de crescimento humanos em mltiplos estudos clnicos tem demonstrado reduzir os sinais e sintomas do envelhecimento da pele. O emprego de mltiplos fatores de crescimento em formulaes tpicas parece proporcionar um tratamento promissor de primeira linha para a pele com fotoenvelhecimento leve a moderado.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Quando a embalagem realmente faz a diferena

As etapas do desenvolvimento de um produto so fruto de um bom e necessrio briefing, seja em uma empresa de pequeno, mdio ou grande porte. Obviamente, nas pequenas empresas, o briefing substitudo pela presena fsica de cada um dos envolvidos no projeto, inclusive - e principalmente - o dono.

O produto que est nascendo tem seu apelo e seu foco bem definidos, nos quais trabalham fortemente as equipes de P&D e MKT. O marketing precisa vender a ideia da melhor forma possvel para a rea comercial, para que o novo produto seja um sucesso.

Para o departamento comercial, muito importante que o produto tenha apelos vendveis, porm, mais importante que isso que a embalagem no seja o complemento, mas talvez a parte mais importante desse apelo, para que a venda efetivamente acontea.

A grande pergunta : o que fazer para que a embalagem venda o produto? E, indo mais alm, o que fazer para que a embalagem seja realmente o grande diferencial do produto? importante lembrar que, quando falamos de produto, precisamos considerar que ele composto pela embalagem primria e pela secundria, e o que causa impacto no ponto de venda ou no primeiro olhar do consumidor a embalagem secundria - exceto quando o produto no tem embalagem secundria, como shampoos, condicionadores e outros produtos. Nesses casos, a primria precisa ser bem trabalhada.

Mas o grande desafio dos embalageiros de planto (como diz a minha amiga Assunta Napolitano) criar uma embalagem cujo diferencial esteja na embalagem primria, mais especificamente na aplicao, no uso do produto. Nesse aspecto, entram as boas cabeas criativas com grandes ideias, o que tem sido chamado ultimamente de inovao. Inovar, ser diferente, ser melhor.

Pensando dessa forma, algumas embalagens nos vm cabea. Uma delas a tradicional vlvula pump, que entrega a espuma do produto, originalmente na forma lquida dentro do frasco. A eliminao das travas de fechamento nos estojos de maquiagem, substitudas pelos ms, outro exemplo. Tambm vale destacar os maravilhosos frascos air less, que acabaram com a dor de cabea dos formuladores, que precisavam usar uma matria-prima sensvel oxidao pela presena do ar contido nos espaos vazios da embalagem, espao esse que surge com o uso do produto. Os potinhos de blush com a esponja aplicadora j colocada na parte superior da embalagem, facilitando muito o uso, foram outra boa soluo. Mais recentemente, a bisnaga com aplicador que simula a forma e a textura da ponta do dedo indicador tambm se destacou.

Enfim, so muitas as embalagens que realmente fazem a diferena.

Em minha opinio, nos ltimos anos o que ocorreu de mais inovador em uma embalagem para cosmtico - e transformou-se no grande diferencial do produto, a ponto de tornar produtos de mesma frmula diferentes na sua aplicao - foi o surgimento das escovinhas para aplicao das mscaras para clios, tambm chamadas de rmel. A infinidade de modelos, formas, texturas, formatos e tipos de material que existem para esse pequeno componente de embalagem de assustar at os mais experientes embalageiros.

A comear pelos tipos de cerdas que compem essas escovinhas, dentre os quais o silicone um dos mais presentes. Mas o que chama mesmo a ateno a criatividade nos formatos, que sempre visam resultados diferentes na aplicao: alongar, espessar, curvar, dar volume, separar os clios, facilitar a aplicao e melhorar a ergonomia, entre outros. So algumas das dezenas, talvez centenas de diferentes apelos e resultados para um mesmo produto, levando-se em considerao que existem escovinhas que podem agrupar e gerar dois ou at trs resultados diferentes ao mesmo tempo.

Em contato com uma empresa que importa essa embalagem e a revende aqui no Brasil - e que agora est montando sua fbrica na cidade de Cotia, localizada na Grande So Paulo -, vi que pelos menos 300 tipos diferentes de escovas para mscaras compem o portflio dessa empresa.

A inovao na verdade no est na simples criao de uma nova e revolucionria embalagem, mas na observao diria das necessidades do mercado, mais especificamente no que a consumidora sonha para sua embalagem de cosmtico. Feito isso, j meio caminho andado para o sucesso dessa embalagem.

Enfim, existem embalagens que realmente fazem a diferena e alavancam as vendas de um produto. Se o produto contido nessa embalagem for de boa qualidade, temos o casamento perfeito e o sucesso de vendas garantido.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

Um pouco de epistemologia cosmtica

Achei interessante falar sobre fatos que ocorrem diariamente em todas as farmcias magistrais brasileiras e que esto relacionados cosmtica, filosofia e cincia.

Atualmente, muito comum observarmos casos em que as farmcias adquirem determinados ativos cosmticos para as mais variadas utilizaes. Mas ser que isso garante a sua efetividade para a finalidade para a qual so geralmente prescritos, ou seja, como cosmticos dermatolgicos ou como medicamentos de uso tpico?

a que entra a epistemologia. Em uma de suas definies, a epistemologia trata das condies em que o conhecimento cientfico produzido e suas relaes com os resultados obtidos.

Para ficar mais simples, vamos tratar de um caso concreto. Imagine que o material tcnico de um determinado ativo cosmtico apresente a seguinte declarao: O ativo X apresenta efeito redutor das rugas por reduzir a degradao de colgeno em culturas de fibroblastos.

Para um leitor desavisado, este tipo de declarao soa como mgica e o induz a acreditar que o ativo X capaz de reduzir as rugas. Mas ser? Passemos ento a analisar a situao sob um ponto de vista cientfico. Se destrincharmos a declarao acima, perceberemos que ela traz embutida um sofisma:

I - Em parte, as rugas so causadas pelo aumento da degradao do colgeno pelos fibroblastos.
II - O ativo X reduz a degradao do colgeno em culturas de fibroblastos.
III - O ativo X reduz as rugas.

Um sofisma (quando intencional) ou uma falcia (quando no intencional) pode ser definido como um argumento ou raciocnio concebido com o objetivo de produzir a iluso da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lgica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, deliberadamente enganosa ou incorreta (falcia).

Todo profissional que atua no segmento cosmtico sabe (ou deveria saber) que as rugas so, em parte, causadas pela degradao das estruturas epiteliais das quais o colgeno faz parte. Esta uma afirmao consolidada no saber cientfico da histologia, da fisiologia e da cosmtica. Assim, se um determinado ativo puder evitar esta degradao, ento, hipoteticamente, poderemos reduzir as rugas.

O ativo X reduz a degradao do colgeno em culturas de fibroblastos. Vamos considerar que esta uma afirmao que foi obtida por meio de experimentao adequadamente planejada e executada. Ento, se os dados experimentais forem adequadamente obtidos e os resultados submetidos a uma anlise estatstica correta, podemos afirmar que o ativo X realmente reduz a degradao do colgeno em culturas de fibroblastos, ou seja, a afirmao tambm verdadeira.

Agora vamos analisar a terceira informao: o ativo X reduz as rugas. Podemos perceber que esta concluso nos induzida pela afirmao II a partir da afirmao I, mas a induo da concluso falha.

Mas por qu? O motivo simples: o ativo foi testado em culturas de fibroblastos (in vitro) e no em sujeitos humanos experimentais. Assim sendo, no possvel declarar categoricamente que o ativo X ir reproduzir um efeito semelhante em culturas celulares e na pele in vivo.

Quando avaliamos um material cientfico ou promocional de um determinado ativo, produto ou formulao e principalmente aqueles que se propem a tratar uma condio patolgica , devemos atentar para este tipo de afirmao, ou seja, devemos verificar se ela um sofisma ou no.

O mtodo cientfico prev que as concluses de um determinado experimento s podem ser verdadeiras se os resultados experimentais puderem ser submetidos lgica do silogismo. Um silogismo uma argumentao formada de trs proposies: a maior, a menor (premissas) e a concluso, deduzida da maior, por intermdio da menor.

Como seria, ento, o nosso exemplo, se ele seguisse rigorosamente o silogismo? Seria assim:

I - Uma reduo da profundidade e da quantidade de sulcos na pele um indicativo da reduo das rugas.
II Um creme contendo o ativo X reduziu a profundidade e a quantidade de sulcos na pele de um grupo controlado de pacientes quando comparado com um creme sem o ativo.
III - O ativo X reduz as rugas.

Como podemos perceber, este tipo de raciocnio no d margem a qualquer suposio; ele est baseado em premissas incontestveis e suficientemente comprovadas (I e II). Dessa forma, como a premissa I verdadeira e a segunda tambm, a concluso (premissa III) s pode estar correta.

Todo e qualquer material tcnico (cosmtico ou no) que alega uma determinada propriedade deve sempre ser submetido a uma anlise lgica, para verificao das afirmaes que nos so apresentadas.

No nosso exemplo, no considero um problema em si o fato de o ativo ter apenas propriedades demonstradas in vitro, nem que ele seja utilizado em produtos antirrugas. O que no pode ser feito atribuir ao ativo um efeito decorrente de uma concluso baseada em uma lgica imperfeita.

A lgica imperfeita no se sustenta com uma simples avaliao dos fatos. Mas a cincia, esta sim permanece slida at que novos fatos, tambm logicamente perfeitos, faam com que ela seja suplantada ou aperfeioada. Convido a todos a mergulhar no maravilhoso mundo da cincia.

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