19 de Outubro de 2018

Biodiversidade Brasileira

Edicao Atual - Biodiversidade Brasileira

Editorial

Tempo de fazer mais e melhor

O ano começa com prognósticos pouco animadores a respeito do cenário econômico e dos baixos índices de confi ança por parte de empresários e consumidores. O que fazer diante de indicadores e fatos que minam a ideia de um feliz ano novo? Talvez um dos caminhos seja fazer mais e melhor, buscando inspiração, formas de inovação e usando a criatividade.

No terreno das inspirações, informações sobre tendências e comportamento do consumidor são sempre bem-vindas. A consultoria Trendwatching elaborou um relatório com tendências de negócios para as Américas do Sul e Central em 2015.

Algumas das tendências listadas pela consultoria sugerem servir os consumidores no lugar certo e na hora certa; oferecer “recompensas” divertidas; que as marcas colaborem para integrar pessoas; e que as marcas que estejam presentes nos deslocamentos diários dos consumidores; dentre outras. Com certeza essa será uma pauta interessante a ser desenvolvida pelo nosso colunista de Mercado, John Jiménez.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil traz na matéria de capa informações sobre a biodiversidade brasileira e sua importância para o mercado cosmético. O país que contabiliza mais de 200 mil espécies registradas em seus biomas é fonte de conhecimento e de novas matérias-primas para a indústria cosmética, que investe no uso sustentável dos recursos da biodiversidade. A reportagem também aborda a legislação que regula o acesso aos recursos da biodiversidade, bem como um novo Projeto de Lei, que deve trazer benefícios a empresas e pesquisadores.

Nesta edição você também confere o Balanço Econômico, com a avaliação de profissionais do setor sobre o ano que passou e suas expectativas para 2015. A seção Persona apresenta a trajetória de José Armando Camargo Amarante.

Os artigos técnicos abordam os novos ativos que utilizam a nanotecnologia, incluindo um guideline publicado pela FDA, agência regulatória dos Estados Unidos. Na seção Fundamentos da Cosmetologia, nesta edição iniciamos uma série de artigos sobre o projeto de uma planta de fabricação de cosméticos, apresentando os fundamentos das Boas Prática de Fabricação.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher

Guideline de Segurança de Nanomateriais em Produtos Cosméticos - Equipe da Division of Dockets Management - FDA (Food and Drug Administration), Fishers Lane, MD, Estados Unidos

FDA com orientações e recomendações à indústria de cosméticos quanto aos aspectos de avaliação de segurança, com uso de ingredientes na forma de nanomateriais.

Este articulo es una reproducción de una guía publicada por el FDA con recomendaciones y orientaciones para la industria de cosméticos, con relación a los parámetros de evaluación de seguridad, en torno al uso de ingredientes en forma de nanomateriales.

This article is a reproduction of the guidelines published by the FDA with suggestions and recommendations for the cosmetics industry, related to the parameters set forth to evaluate the safety in terms of the use of nanomaterials as ingredients.

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Quebrando Paradigmas com a Nanotecnologia - Betina G Zanetti-Ramos (Nanovetores Tecnologia, Florianópolis SC, Brasil)

A aplicação da nanotecnologia em cosméticos faz parte do desenvolvimento de produtos de alto desempenho. Este artigo aborda as vantagens e os desafios encontrados no uso de insumos nanotecnológicos, que vão além das definições regulatórias e passam pela adequação de protocolos clínicos e de metodologias para a quantificação desta nova classe de ativos.

La aplicación de la nanotecnología en cosméticos es parte del desarrollo de productos de alto rendimiento. Este artículo describe las ventajas y los desafíos que enfrentan los científicos en el uso de insumos nanotecnológicos, que van más allá de las definiciones normativas y pasan por la adecuación de los protocolos clínicos y de metodologías para la cuantificación de esa nueva clase de activos.

The application of nanotechnology in cosmetics is part of the development of high performance products. This article discusses the advantages and the challenges faced by the cosmetics chemists in this task to use the nanomaterials that go beyond the regulatory definitions, they are in the clinical protocols adaptation and in the development of new methodologies to measure this new kind of active ingredients.

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Avanços e Desafi os para a Nanotecnologia na Indústria de Proteção Solar - Dr Paul Staniland, Dr Ian Tooley, Dr Robert Sayer, Elizabeth Ryder, Hannah Craney (Croda, Widnes, Cheshire, Reino Unido)

Apesar de serem usadas em aplicações cosméticas há cerca de 30 anos, as nanoformas de TiO2 e ZnO têm sido minuciosamente examinadas com relação aos seus aspectos de segurança. Este artigo aborda os avanços recentes na regulamentação e propostas de recomendações que resultam na melhor compreensão da segurança de certos nanomateriais em aplicações cosméticas.

A pesar de su uso en aplicaciones cosméticas durante casi 30 años, las nano-formas de TiO2 y ZnO se han examinado a fondo en relación con sus aspectos de seguridad. Este artículo describe los recientes avances en la regulación y recomendaciones propuestas que resultan en una mejor comprensión de la seguridad de determinados nanomateriales en aplicaciones cosméticas.

Despite its use in cosmetic applications for nearly 30 years, TiO2 and ZnO nano-forms have been thoroughly examined in relation to their safety aspects. This article discusses recent advances in regulation and proposed recommendations that result in better understanding of the safety of certain nanomaterials in cosmetic applications.

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Doseamento de Formaldeído e Parâmetros Físico-Químicos de Esmaltes de Unha - AD de Aguiar Marques, MG Batista de Azevedo, J de Souza Alencar Falcão (Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande PB, Brasil)

Este trabalho teve por objetivo identificar e validar o método analítico para doseamento do formaldeído em esmaltes de unha e determinar os parâmetros físico-químicos desses produtos.
Os esmaltes analisados foram o padrão Revlon e similares de qualidade desconhecida (tons vermelhos e tons claros).

El estudio objetivó identificar y validar el método analítico para el ensayo de formaldehído en el esmalte de uñas y determinar sus parámetros físico-químicos. Los esmaltes de uñas analizados eran estándar Revlon y similares de calidad desconocida (tonos rojos y tonos claros).

The paper aimed identify and validate the analytical method for assay of formaldehyde in nail polish and determine their physicochemical parameters. The nail polish analyzed were standard Revlon and similar of unknown quality (red shades and light shades).

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Hbitos

Chegou a hora de dar adeus para 2014, um ano intenso, sobretudo por causa do cenrio poltico-social (falta de gua em So Paulo, crise da Ucrnia/Rssia, eleies, Copa do Mundo...). No entanto, no antes de darmos uma ltima olhada no que hoje j passado, mas que sem dvida ir asfaltar o futuro.

No meio de dezembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) nos trouxe dados estatsticos valiosos sobre o perfil dos domiclios, que, se bem aproveitados, podem nos ajudar a evitar algumas armadilhas escondidas no cenrio de 2015.

Uma vez que a famlia continua sendo a entidade principal do mundo em que vivemos, vale a pena analisar a evoluo dos seus padres de organizao em termos de composio e pensar sobre o reflexo que isto pode ter em nossas estratgias.

Um dado que chama a ateno no perodo estudado, de 2004 a 2013 (10 anos), que o perfil das famlias mudou definitivamente.

Novas formas de organizao esto surgindo, passando a coexistir de maneira mais significativa com formaes familiares do tipo tradicional (casal com filhos). Os fatores apontados na pesquisa que contribuem para a transformao na organizao das famlias brasileiras so: a queda da fecundidade, o envelhecimento populacional, o aumento do nmero de divrcios, o adiamento dos casamentos e da maternidade, o crescimento do nmero de pessoas que moram sozinhas - bem como o de casais que optam por no ter fi lhos-, o aumento da participao da mulher no mercado de trabalho e o aumento do grau de escolarizao da populao.

O estudo indica que o arranjo familiar mais expressivo o arranjo familiar com parentesco, ou seja, de pessoas que vivem juntas no mesmo domiclio (86,2%, em 2013), seguido pelo arranjo familiar unipessoal, ou seja, famlias formadas somente por uma pessoa por domiclio (13,5%).

Nos arranjos familiares com parentescos, percebe-se no perodo uma queda de 13,7% no nmero de casais com filhos e um aumento de 32,9% na quantidade de casais que optam por no ter filhos. O Rio Grande do Sul o estado que tem o maior percentual de casais que optam por no ter filhos (23,9%), embora a regio Norte tenha sido a que apresentou o maior percentual de variao nos ltimos 10 anos (43,1%). O alto percentual evidencia uma dinmica j mais amadurecida nas demais regies, que h anos j vinham apresentando esta tendncia.

Nos arranjos familiares unipessoais, percebe-se um aumento de 35% no perodo. Estes arranjos so formados principalmente em virtude do aumento da longevidade, o que acarreta um nmero maior de indivduos vivos. Em 2013, dos 9.230 domiclios com esta formao (13,5% do total), 61,7% eram compostos por pessoas com 50 anos de idade ou mais, e, destes, 50,4% eram mulheres.

A taxa de fecundao nacional indica que o nmero de filhos por mulher no perodo caiu 26%, passando dos 2,4 filhos/mulher para apenas 1,8. Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, So Paulo e Minas Gerais apresentam taxas menores que a mdia nacional: apenas 1,6%.

Alm deste decrscimo relevante, o mesmo estudo indica o aumento do nmero de mulheres sem filhos entre 25 e 29 anos, que passou de 32,5% para 40,4%, sendo expressivo o percentual de mulheres declaradas brancas e sem filhos (48,1%) em comparao aos 33,8% das declaradas negras/pardas. A escolaridade tambm influencia na deciso de ter ou no ter filhos: quanto maior o nvel de escolarizao, menor o percentual de mulheres que optam por t-los. Na mesma faixa etria, somente 16,3% das menos escolarizadas optaram por no ter filhos, contra 45,5% das mais escolarizadas.

A gerao canguru (termo usado para designar as pessoas entre 25 e 34 anos que ainda moram com os pais) aumentou de 21,2% para 24,6%. A razo para o fenmeno est mais ligada ao prolongamento dos estudos desta gerao - mais escolarizada que a gerao anterior do que com o desemprego, j que a taxa de ocupao destes jovens alta. Uma vez que a regio Sudeste apresenta a maior taxa de ocupao e o maior nvel de escolaridade dos jovens nesta faixa de idade, a proporo desta gerao canguru mais expressiva na regio: 26,8%, enquanto a mdia nacional de 24,6%.

Os hbitos mudaram e o mercado tambm. O imperador Jlio Csar (100 a.C. a 44 a.C.), em um momento de reflexo, havia dito: Hbitos, hbitos, hbitos... O que pode melhor explicar um povo? Hbitos! Parafraseando-o, eu diria: O que pode mais pode explicar o mercado? Hbitos!

John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

2015 Trends

O ano de 2015 ser marcado pelas consequncias das crises econmicas, sociais, polticas e ambientais dos ltimos anos. Uma das principais tendncias de 2015, Less is more fruto de uma nova forma de pensar, a partir da qual se aceita a existncia com menos objetos, espaos reduzidos e altos nveis de conectividade e mobilidade.

De millenial a teen. Os millenials j esto entrando na idade adulta e, portanto, o foco das marcas para o segmento mais jovem ser dado aos teens. Veremos novas estratgias de marketing e posicionamento para esse nicho.

Antiaging menu. Imagine que voc est em um jantar especial, em um novo restaurante. Quando o garom lhe oferece o cardpio, voc l todas as opes e escolhe como entrada um prosciutto de parmeso, tmaras e molho hidratante acompanhado de baguete antioxidante. Em seguida, pede uma sopa de tomate detox e, como prato principal, um corte entrecot no ponto, coberto por cinco espcies boosters de colgeno e uma salada cobb com temperos despigmentantes. Finalmente, de sobremesa, voc pede um creme brule anti-proteasa. Em 2015, veremos o auge dos Beauty Restaurants.

Chinese luxury. Um estudo feito em 2014 mostrou que 84% dos consumidores chineses de luxo esto de acordo com que no futuro, as marcas de luxo chinesas sero to boas quanto as ocidentais. A China ser a prxima capital do luxo e, portanto, no Ocidente, comearemos a ver marcas de luxo e de alto prestgio em cosmtica com conceitos orientais made in China.

Beard or not beard. A rebelio da barba. Estar com a barba feita no significa estar bem-arrumado. Neste ano, veremos a volta do homem das cavernas. Os homens esto dizendo adeus s mquinas de barbear e lminas. Desde a dcada de 1970, no vamos tanta barba na televiso e na publicidade. Tambm veremos um crescimento importante nessa categoria com produtos como condicionadores para a barba.

Lumbersexual. Esta tendncia est relacionada anterior. a volta dos homens rudes e com barba. Eles projetam uma imagem desleixada, muito longe do j extinto metrossexual. Usualmente vestem cala jeans e camisa xadrez, como se tivessem sado do meio da floresta. o novo modelo do urban boy, hippie e amante da natureza. O termo vem da palavra lumberkack, que significa lenhador.

Marsala: cor pantone de 2015. A Marsala um vinho produzido na Siclia e que conseguiu a Denominao de Origem Protegida em 1969. A cor um tom marrom terra avermelhado siciliano que d relevo ao tom orqudea radiante de 2014. J foi vista em desfiles de moda recentes e aparecer em muitos produtos cosmticos neste ano. uma cor unissex, que transmite cordialidade e tem estilo, alm de ser atrativa e favorecer todos os tipos de pele. Tem tom, corpo e razes, assim como o vinho que lhe d nome.

Men glow: Um recente relatrio da Mintel indica que o consumo de autobronzeadores em homens est aumentando consideravelmente. S no Reino Unido, o mercado se aproxima de 60 milhes de libras.

Pro-ageing the beauty of being old: Esta tendncia procura liberar as mulheres da presso pela beleza. No mercado veremos uma diminuio dos claims anti no segmento adulto, j que h estudos que dizem que essas mulheres no querem se ver mais jovens, mas se ver mais saudveis. Ser o nascimento de um novo idioma cosmtico.

SPF Canino: Neste ano, veremos um aumento no lanamento de protetores solares para ces, que tm como objetivo evitar as queimaduras e o amarelamento de seu pelo.

Face-massaging beauty tools: As marcas asiticas esto inovando em formas, tamanhos e benefcios.

Hair color trends: O vermelho em tons brilhantes e de diferentes tonalidades ser tendncia em 2015. Crazy red no cabelo ser comum em desfiles e apresentaes. Os cabelos curtos tambm continuaro na moda, bem como o corte mdio repicado.

Surgery trends: No mbito das cirurgias, em 2015 estaro em alta o transplante capilar e de sobrancelhas e a blood therapy para benefcios anti-idade em tratamentos faciais.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Boas novas no estilo So Tom

Enfim uma boa noticia para o setor, se o sistema eletrnico assim o permitir: foi publicada a RDC 7/15 que altera a RDC 4/14 e d novas providncias para produtos de HPPC.

Precisamos agora entender, de forma objetiva, o que isento de registro, ou seja, o que ser necessrio para tal, como proceder, os custos envolvidos e a partir de quando, considerando que os requisitos sanitrios no sero alterados para os graus de risco.

necessrio deixar explcito, em boa escrita e na amplitude requerida, a nova condio. Ou seja, alm dos novos produtos, como ficam aqueles represados? Aqueles produtos retidos e no liberados, seja por alterao de composio, seja por alterao de frmula, seja por alterao da embalagem ou na sua apresentao. Ou, ainda, a qualquer outro servio aplicvel aos produtos isentos de grau 1 (j que no existe mais a notificao) e tambm para aqueles de grau 2 que agora esto isentos. Para o grau 2, a exceo para: protetores solares, repelentes de insetos, produtos infantis, alisantes capilares e o multipropsito lcool gel que ainda devero ser registrados e publicados no DOU (Dirio Oficial da Unio), previamente sua comercializao.

Outras dvidas:

Como ir ficar o novo procedimento diante do sofrvel sistema eletrnico que, aps um ano de atividade, apresenta mltiplas deficincias tcnicas-operacionais incontrolveis por parte de seus usurios?

Qual o prazo para regularizao do sistema adotado, diante da nova situao e das pendncias represadas por questes simples, mas que impedem a liberao destes produtos sua produo e comercializao?

Como ficaro aqueles produtos que foram registrados sob a condio do recadastramento no novo sistema, e que agora, em sua maioria, tornam-se isentos de registro e tiveram suas taxas pagas?

Isento de registro ser isento de taxa? ou somente a iseno da publicar sua aprovao no DOU, cujo custo cabia Anvisa?

Como ser incrementada a fiscalizao ou monitoramento interno e externo para que no sejam ainda mais privilegiados os fabricantes mal intencionados, que concorrem livremente nas prateleiras com aqueles em conformidade?

Tendo em vista que o antigo processo de registro ser mantido para as cinco categorias de produtos, haver tempo definido para manifestao da autoridade sanitria e ou seu deferimento? Haver pessoal tcnico para atender demanda ou fica como est, sem previso, sem tcnico suficiente, sem sistema operacional adequado gerando enormes hiatos aos produtores destas categorias, principalmente das sazonais, a exemplo dos protetores solares, como tambm aos seus consumidores, privados de acesso s novas tecnologias de proteo na poca certa?

Paralelo a essa almejada desburocratizao, se faz necessrio um novo entendimento, igualmente sobre o trato das pendncias de regulamentao que se arrastam a longa data (tais como: produtos infantis, testes alternativos, cido glioxlico, entre outras). Como os novos adendos e regulamentaes que surgem e para s quais temos recebido como resposta que a Agncia ainda no tm posio sobre o assunto embora sejam aplicados nos mercados que temos como referncia (base) de nossa regulamentao como o caso do cido glioxlico utilizado como alisante, j incorporado a finalidade desta matria prima no CosIng.

A inovao e a atualizao so partes fundamentais dos negcios na rea de HPPC e, se h uma exigncia legal para produo de produtos e ingredientes regulamentados, que esta siga em regime de atualizao diferenciado do atualmente existente, cujo atraso lamentvel, como tem sido no Mercosul.

Se o Mercado do Cone Sul + Venezuela no funciona ou se mantm em um descompasso inaceitvel, pelos enormes problemas vividos por nossos parceiros, deveramos ao menos merecer o mesmo critrio de tratamento adotado pela Anvisa quando deseja regulamentar de maneira diferente da regulao desse mercado comum: faz e implementa, como foi o caso dos clareadores dentais, agora, com prescrio mdica.

Diferentemente do que se pensa, no estamos to em linha com as legislaes de referncia.

Ficar esperando a boa vontade de parceiros no industrializados na rea para definies comuns, atualmente, s emperra a evoluo do mercado brasileiro.

O Brasil tem o segundo maior mercado mundial de consumo do ocidente e investe forte em inovao, tecnologia de produto e em sua produo, apesar de ter a maior carga tributria e sofrer contnuas ameaas de novos aumentos de impostos diretos e indiretos, geradores de receita para tapar os buracos das contas pblicas.

Sempre tivemos o esprito crtico de crer para ver, entretanto, depois de tanta decepo penso hoje como So Tom, ver o que vai acontecer, para crer que vai funcionar o que foi estabelecido.

Um 2016 fantstico, considerando que 2015 ser muito difcil pelo que j estamos vendo e sentindo.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

APPCC como Ferramenta para a Melhoria das BPFeC

O ttulo desta coluna pode causar sensao de descrdito em algumas pessoas, pois, como se sabe, na indstria de HPPC (Higiene Pessoal, Perfumes e Cosmticos), algumas tcnicas e alguns processos da qualidade so considerados impossveis de implantar por causa da diversidade de produtos e das caractersticas das empresas.

Sabe-se que os rgos de vigilncia sanitria, cada vez mais, tm enfatizado a necessidade de que a segurana dos clientes seja a preocupao maior de todas as empresas.

Como de conhecimento geral, as BPFeC (Boas Prticas de Fabricao e Controle) so a melhor ferramenta da Qualidade para possibilitar que, quando aplicadas de forma adequada, seja obtido o melhor nvel de qualidade dos produtos. Adicionalmente, para que as BPFeC assegurem um nvel de qualidade maior, h necessidade de utilizar o sistema APPCC (Anlise de perigos e pontos crticos de controle), o qual possibilita obter maior confiana quanto qualidade dos produtos.

Devo tambm ressaltar que as pequenas indstrias, ao implantar essa metodologia, podem oferecer produtos com melhores padres de qualidade.

A implantao do APPCC tem por base aplicar princpios preventivos, proporcionando maior segurana na produo e no transporte dos produtos.

Para a implantao do APPCC deve ser adotada a seguinte metodologia:

Criar uma equipe.
Estabelecer a finalidade da anlise.
Elaborar o fluxograma.
Verificar perigos e preveno.
Estabelecer pontos crticos de controle.
Estabelecer os limites de criticidade.
Elaborar aes preventivas.
Criar a documentao do sistema.

Inicialmente devemos conhecer os insumos, do ponto de vista fsico-qumico, as embalagens e os processos envolvidos. Devemos tambm realizar uma avaliao fsica do local da operao. A identificao dos potenciais perigos de cada etapa do processo deve ser realizada pelos componentes da equipe, criando uma tabela na qual constem perigos e o grau de risco de cada um, fato que implica na classificao destes em crticos ou no.

Os controles que por ventura j existam e que possam ser aplicados devem ser considerados. Em algumas circunstncias, necessrio fazer mais de um tipo de controle para possibilitar que determinado risco seja controlado.

Na indstria cosmtica, os processos considerados crticos pem em risco a qualidade dos produtos. No devemos deixar de considerar que a estocagem tambm, em alguns casos, pode constituir um ponto crtico, seja pela ao da temperatura e da umidade, seja pelo tipo de empilhamento e de arrumao empregados.

O APPCC no poder ser efetivo se os processos no estiverem corretamente documentados, pois do procedimento decorre a perfeita compreenso de como cada etapa do processo se relaciona com a anterior e com a seguinte, e qual o impacto de cada etapa na segurana do processo como um todo.

Eu poderia exemplificar citando o procedimento de limpeza e sanitizao, que, se no for implantado objetivando a segurana da qualidade, poder efetivamente ser um grande ponto crtico de controle.

O procedimento de pesagem tambm representa um ponto crtico de controle, pois qualquer no conformidade acarreta risco imediato para a qualidade do produto.

Devo ressaltar que os exemplos citados so apenas indicativos de alguns dos possveis pontos crticos de controle, entre os inmeros existentes nas empresas de HPPC, pois cada uma tem suas prprias caractersticas, as quais impactam diretamente no processo de avaliao de possveis pontos crticos e de pontos crticos de controle.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Nutracuticos em cosmecuticos

Uma das causas do envelhecimento a oxidao provocada pelos radicais livres, que so molculas instveis e reativas.

Para atingir a estabilidade, essas molculas captam eltrons de membranas e protenas celulares do DNA e de estruturas citoesquelticas, causando vrios danos irreversveis, como inflamao e carcinognese.

A perioxidao lipdica uma das sequelas geradas pela ao dos radicais livres e destri as membranas celulares, danificando a superfcie cutnea.

Os cremes com substncias antioxidantes, como as vitaminas C, E e B, so usados para o tratamento da pele fotoenvelhecida.

Existe uma correlao entre a deficincia de vitamina E e o aumento do estresse oxidativo e, por isso, acredita-se em seu alto poder oxidante. As formas de vitamina E tipicamente utilizadas em cosmticos so o acetato de alfa tocoferila e o linoneato de alfa tocoferila. Esses compostos apresentam menor probabilidade de desencadear dermatites de contato e so mais estveis em temperatura ambiente.

Entre os antioxidantes solveis apenas em gua, h grande destaque para a vitamina C. Atualmente, a vitamina C, tambm conhecida como cido ascrbico, est sendo extensamente estudada em relao a sua atividade antioxidante. Sua aplicao tpica usada para prevenir contra os danos causados pelo sol para o tratamento de melasma, estrias e eritema ps-operatrio em pacientes tratados com laser.

Quando as preparaes de vitamina C so expostas aos raios ultravioletas ou ao ar, a molcula rapidamente se oxida e se torna inativa, inutilizando a preparao. A vitamina C se tornou um aditivo popular de muitos produtos ps-sol, pois ela interfere na gerao de espcies de oxignio reativo induzida pelos raios UV pela reao com o nion superxido ou o radical hidroxila. A vitamina C, um forte antioxidante por si s, tambm reduz - e, portanto, recicla - a vitamina E oxidada de volta sua forma ativa, de modo que as capacidades antioxidantes da vitamina E so amplificadas.

As preparaes tpicas de cido ascrbico podem ser formuladas em base aquosa ou lipdica. O palmitato de ascorbila tpico, uma forma lipdica, no causa irritao e comprovadamente fotoprotetor e anti-infl amatrio. O maior problema das formulaes com cido ascrbico, entretanto, sua instabilidade frente exposio ao ar e radiao UV, o que as torna inativas horas aps a abertura do frasco.

Vitaminas do complexo B, existentes em muitos alimentos, tambm so utilizadas em cosmecuticos com propriedades antioxidantes.

A niacimida (B3) tem propriedades anti-inflamatria e fotoprotetora, sendo usada em produtos para tratamento de acne e melasma. A vitamina B3 bem tolerada na pele, e seu uso prolongado melhora rugas faciais.

O pantenol (B5) utilizado de forma tpica para o tratamento de feridas e queimaduras. Seu mecanismo de ao est relacionado com a produo de coenzima A, que um poderoso antioxidante.

Entre os novos antioxidantes, o ch verde tornou-se popular nos pases ocidentais devido ao seu provvel efeito antioxidante e anticarcinognico. Os efeitos esto relacionados aos compostos polifenlicos em seu contedo, tambm conhecidos como epicatequinas. Muitos estudos ainda esto sendo realizados, mas acredita-se que o componente polifenlico responsvel pelos efeitos bioqumicos ou farmacolgicos seja o (-) epigalocatequina-3-galato.

As isoflavonas que derivam da soja (nutracutico) tambm so utilizadas no tratamento da pele. Este alimento, atravs de vrias fraes, pode provocar o clareamento da ctis, alm de hidratar e estimular o colgeno. O mecanismo de ao explicado pela ocupao dos receptores estrognicos, substituindo sua ao hormonal. As peles envelhecidas e no ps-menopausa so beneficiadas por este ativo sem efeitos colaterais.

Finalizando, percebemos uma relao muito interessante entre os outros nutracuticos e cosmecuticos agindo tanto de forma interna (nutrientes) como de forma externa, cremes com antioxidantes para o benefcio da pele fotoenvelhecida.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Carncia de eventos sobre embalagens

Mais um ano se foi. Outro chega e nele depositamos todas as nossas expectativas e esperanas, mesmo com certo desapontamento e certa desconfiana depois dos resultados das eleies. Para o nosso setor, tnhamos e temos a impresso de que, se o resultado fosse outro, estaramos agora respirando um pouco melhor. Mas poltica no o nosso foco e tampouco entendemos o que se passa na cabea de nossos representantes.

Fazendo um balano do nosso mercado, vendo os eventos que acontecem ao longo do ano e pensando tecnicamente nas carncias e oportunidades, deparei-me com algo que sempre comento, porm que no tinha tido ainda a oportunidade de me aprofundar um pouco mais. Achei ento que agora era a hora de abordar esse tema.

Trata-se dos eventos tcnicos sobre embalagens, na forma de palestras, seminrios e congressos ou mesmo de um curso especfico.

Antes, vamos dar uma olhada no que acontece no dia a dia de um desenvolvimento de produtos: o briefing (definido pela rea de marketing), a sequncia do desenvolvimento, passando pela escolha de ativos, fragrncias, conservantes, sensorial, testes de segurana, estabilidade, eficcia e tantas outras etapas importantes.

Onde entra o teste de compatibilidade com a embalagem? Tenham a certeza de que essa preocupao est bem no final e, em muitas empresas, ela nem existe.

Foi pensando nisso que cheguei concluso de que o pessoal de pesquisa e desenvolvimento de produtos (P&D), precisava ter mais contato com os fabricantes de embalagem.

O foco dos eventos que temos atualmente quase cem por cento voltado para matrias-primas. No entanto, a parte mais cara do produto, que a embalagem, fica em segundo plano, inclusive em eventos especficos.

Seria muito importante se o pessoal de P&D pudesse ter acesso aos profissionais de embalagem, e estes, representando suas respectivas empresas, falassem, por exemplo, sobre os diferentes tipos de plsticos, suas caractersticas e incompatibilidades, o processo de injeo e sopro... Tambm valeria a pena falar sobre a questo da decorao, abordando o que um hot stamping, quais so as possibilidades e restries e que universo esse que embeleza uma embalagem. Seria interessante, ainda, abordar as mesmas questes referentes ao silk screen e serigrafia.

O prprio teste de compatibilidade, que um dos mais importantes entre os que tm a embalagem como foco, mereceria mais destaque: como feito? Quais so os parmetros? possvel terceirizar?

Bisnaga outra embalagem que no sai de moda, mas houve um tempo em que fugamos dela por carncia de fornecedores, o que no acontece hoje, porm as quantidades mnimas e a as restries na decorao ainda assustam.

Destaco que acabou de entrar no mercado um fabricante que veio para suprir essa necessidade, e seu ponto forte a diversidade de tipos e de aplicadores e a beleza das decoraes, com quantidades mnimas que atendem pequena empresa.

Rtulos autoadesivos compem outro item que merece sempre uma ateno especial e um contato mais estreito entre o fornecedor e o pessoal de desenvolvimento de produtos, por serem usados na embalagem primria com riscos de incompatibilidades, de descolar, desbotar, apagar a gravao etc

Mais uma grande carncia um evento que fale sobre registro e patentes para embalagens. Seria interessante abordar como so feitos, quem faz, quanto custa, quanto tempo demora, quais so os riscos de no patentear uma embalagem e tambm os prs e contras de usar uma embalagem standard (padro) de mercado.

Vale lembrar tambm dos problemas com as embalagens para maquiagens e da invaso dos fornecedores asiticos.

No poderia deixar de citar aqui os caminhos para desenvolver uma embalagem: marketing, criao e design.

O controle de qualidade de embalagens, que muitas empresas no fazem por no saber nem por onde comear, seria assunto para um curso mais especfico e com mais tempo de durao.

importante enfatizar que precisam estar no contexto o pessoal de marketing, os prprios profissionais de embalagem e tambm os compradores. Nas empresas de pequeno porte, o comprador precisa ter uma noo tcnica, mesmo que bsica, sobre as embalagens que sua empresa utiliza, j que ele precisa orar e comprar.

A carncia existe, e o pblico tambm. Resta focar e preparar um bom e profissional seminrio sobre nossas embalagens para cosmticos.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

Farmcias e drogarias renovam esperanas

No seria maravilhoso ler o ttulo de uma notcia como: Farmcias passaro fazer assistncia primria sade no Brasil?

Sempre que um novo ano se inicia, renovam-se nossas esperanas por um mundo melhor, um pas melhor, uma cidade melhor e uma famlia melhor... Enfim, por nos tornarmos pessoas melhores.

Por pior que seja o cenrio econmico que os analistas preveem, esta esperana parece estar conosco desde o primeiro brinde do ano novo e pelo menos at o carnaval.

Em 2015, os cenrios se apresentam, no mnimo, nebulosos. Falta de chuva, racionamento de gua e de energia, dificuldades para obter crdito, corrupo generalizada e impune... Enfim, tudo se parece com uma imensa nuvem negra.

Nem tudo! Em meio s dezenas de notcias e e-mails que leio diariamente, uma notcia publicada em 13/01/2015 na newsletter da Cosmetics & Toiletries despertou minha ateno: Farmcias e drogarias lideram ranking sobre experincia do consumidor.

A est uma notcia realmente boa para comear o ano.

Segundo nota publicada, a Consultoria Sax realizou o estudo CX Index Brasil, que analisou as experincias dos clientes com empresas do ramo de servios. Foram avaliados bancos, lojas, restaurantes, eletroeletrnicos, drogarias e farmcias, telefonia fixa e mvel, planos de sade, internet, companhias areas, hipermercados e TV por assinatura.

Os clientes avaliaram pontos como eficincia no atendimento, facilidade e cortesia no relacionamento, satisfao no contato, inteno de continuidade no relacionamento e predisposio para indicar a empresa a amigos e conhecidos.

O mais interessante de tudo so os resultados: o setor de farmcias e drogarias ficou em primeiro lugar na satisfao dos clientes (com uma mdia de 8,10), superando setores como restaurantes (7,89), bancos (7,27) e planos de sade (7,21). Das Top 20 empresas que proporcionam boas experincias aos clientes, o setor de farmcias e drogarias teve trs empresas citadas.

Quando pensamos no varejo farmacutico de 20 ou 30 anos atrs, fica um pouco difcil imaginar como este setor pode chegar ao nvel de profissionalismo de hoje.

Vrios fatores contriburam para que as farmcias e drogarias se tornassem ilhas de excelncia no atendimento: o elevado grau de concorrncia, a profissionalizao do setor, a regulamentao rigorosa e, principalmente, o aumento do nvel de exigncia do consumidor.

Vamos comparar o segmento de farmcias e drogarias com dois segmentos bem conhecidos e que ficaram em posies piores no ranking da pesquisa Sax: os planos de sade e o atendimento das empresas de telefonia.

Quando voc liga para uma empresa de telefonia para tentar resolver um problema, voc ouve uma gravao antiptica dizendo para voc digitar um monte de nmeros. Depois, quase sempre o atendimento automtico no resolve seu problema e voc transferido para uma atendente - s vezes simptica - que tambm no consegue resolver seu problema. Ou seja, o atendimento at existe, mas ele no resolve o problema.

Quando voc liga para um plano de sade, voc atendido, mas, quase sempre, sero necessrios diversos procedimentos burocrticos ou a espera de liberaes, autorizaes e peritagens para que o plano autorize procedimentos aos quais voc tem direito legal. Ou seja, o atendimento existe, mas ele demora para resolver seu problema.

Analise agora o setor de farmcias ou drogarias. Voc se dirige ao balco (ou s gndolas), solicita seus medicamentos ou outros itens e, rapidamente, tem aquilo que precisa. Mesmo nos casos em que h certa burocracia, como os medicamentos controlados ou aqueles previstos em programas de acesso a medicamentos (como o Farmcia Popular), o atendimento sempre rpido.

Se analisarmos profundamente, veremos que o setor de farmcias e drogarias faz aquilo que deve ser feito por qualquer empresa ou entidade que atua com o pblico: atende com a devida ateno.

Infelizmente, no Brasil muitas empresas e entidades pblicas esqueceram-se de fazer o bsico, que atender bem seus clientes, resolvendo seus problemas ou encaminhando-os para solues efetivas. Em alguns casos, parece que, aps a venda do servio, atender o cliente passa a ser um transtorno sem fim.

So de empresas como as do setor de farmcias e drogarias que o Brasil precisa. Empresas assim renovam as nossas esperanas de que podemos transformar o cenrio do ano de 2015, de tenebroso para radiante.

Parabns ao segmento de farmcias e drogarias! Quem sabe, ao continuarmos nos aprimorando em nosso atendimento e profissionalismo, possamos um dia dar a notcia que abre esta coluna.

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