Percepo do Consumidor

Edicao Atual - Percepo do Consumidor

Editorial

 

Todos na grande “teia”

 

Há 20 anos, o projeto World Wide Web (WWW, criado por cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear) deixou de ser usado exclusivamente por universidades e se tornou público. A criação do World Wide Web foi decisiva para a expansão da utilização da internet, e a iniciativa de torná-la pública é um marco histórico, uma vez que possibilitou o desenvolvimento da plataforma web. 

O impacto causado pela evolução da internet, a “superautoestrada da informação”, como definiu o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, dispensa maiores comentários. Isso porque somos testemunhas da transformação de hábitos, da criação de novas formas de consumo e de disseminação do conhecimento, do surgimento de novas profissões, novas expressões, novas formas de relacionamento.... 

No que se refere às relações de consumo, a internet trouxe inovações pontuais não apenas na forma como compramos, mas, sobretudo, na maneira como obtemos informações a respeito dos produtos. Qual é o “peso”, por exemplo, de uma crítica ou recomendação a respeito de um produto feita por um formador de opinião em um blog ou em uma rede social? A “revolução” que ganhou impulso há duas décadas acarretou esta e outras tantas perguntas, cujas respostas vêm apontando desafios e oportunidades para a relação entre marcas e consumidores. 

A construção da noção de valor de um produto é o tema explorado pela matéria de capa desta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil. A qualidade do artigo ou serviço oferecido, a embalagem, o atendimento e a imagem que é associada à marca são alguns dos elementos constantes no “pacote” entregue pelas empresas aos consumidores. A reportagem aborda as estratégias de marketing voltadas à percepção do consumidor, bem como os aspectos técnicos relacionados ao valor do produto. 

A seção “Persona” apresenta a trajetória de empreendedorismo e inovação da empresária Cristiana Arcangeli.

Nesta edição, publicamos o terceiro capítulo da série “Fundamentos de Cosmetologia”, enfocando a fisiologia dos cabelos. O creme dental é o tema do primeiro artigo técnico, e o seguinte trata do dimeticone, um dos polímeros de silicone mais utilizados em produtos de cuidado pessoal. A permeação cutânea e a capacidade antioxidante do BHT em emulsões são os temas dos demais artigos.

Esta edição também traz o programa oficial e os abstracts de palestras e pôsteres do XXI Congresso Latino-americano e Ibérico de Químicos Cosméticos, que, pela quarta vez, está sendo realizado no Brasil.

Boa leitura!

 

Hamilton dos Santos
Publisher

 

Creme Dental - Luigi Rigano, PhD (Studio Rigano Industrial Consulting Laboratories, Milão, Itália)

Neste artigo o autor faz ampla abordagem sobre os cremes dentais, como a forma física, a formulação, as propriedades, os ingredientes utilizados, os procedimentos de produção e, a inovação e o futuro desse tipo de produto.

En este artículo el autor hace un amplio enfoque de las pastas de dientes, como la forma física, la formulación, los ingredientes utilizados, los procedimientos de producción y, la innovación y el futuro de este tipo de producto.

In this article, the author makes a broad approach on the toothpastes such as physical form, formulation, properties, ingredients used, production procedures and, innovation and the future of this kind of products.

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Polímeros em Cosméticos: Dimeticone - Michael J. Fevola, PhD (Johnson & Johnson, Skilman NJ, EUA)

O dimenticone é um dos polímeros de silicone mais utilizados em produtos de cuidado pessoal. Neste artigo, o autor apresenta ampla descrição sobre o ingrediente, incluindo aspectos como sua estrutura química, seu processo de fabricação, suas propriedades e suas aplicações em cosméticos.

La dimeticona es uno de los polímeros de silicona más utilizados em los productos de cuidado personal. En este artículo, el autor presenta una descripción completa del ingrediente, incluyendo aspectos tales como su estructura química, el proceso de fabricación, propiedades y aplicaciones en cosméticos.

The dimethicone is the most widely utilized silicone material in cosmetics and personal care. In this article, the author presents comprehensive description of the ingredient, including aspects such as its chemical structure, manufacturing process, properties and applications in cosmetic products.

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Permeação Cutânea e Ação de Fármacos Tópicos - Sílvia Helena Mussolini de Oliveira (Bacharel em Química pelas Faculdades Oswaldo Cruz, São Paulo SP, Brasil)

Este artigo traz conclusões acerca da permeação e da ação de fármacos dermatológicos tópicos com finalidades estéticas ou terapêuticas, enfocando os alfa-hidróxi-ácidos (AHA). Foram estudadas também tecnologias que auxiliam a permeação cutânea (a fonoforese e a iontoforese) e outras classes de ácidos, como os beta-hidróxi-ácidos e os poli-hidróxi-ácidos.

Conclusiones sobre la penetración y temas de lucha contra la droga dermatológicos con fines estéticos o terapias, con especial atención a los AHA (AHA). Las tecnologías han sido estudiados que contribuyen a la permeabilidad cutánea (phono y iontoforesis) y otras clases de ácidos tales como los ácidos beta-hidroxi y ácidos poli-hidroxi.

Conclusions on the permeation and drug action dermatologic topics for aesthetic purposes or therapies, with special focus on the alpha-hydroxy acids (AHA). Technologies have been studied which assist in skin permeation (phono and iontophoresis) and other classes of acids such as beta-hydroxy acids and poly-hydroxy acids.

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Capacidade Antioxidante do BHT em Emulsões - Juliana da Silva Favero, Ivana Giazzon, Mirian Salvador, Fabiana A. de Oliveira, Valeria Weiss Angeli (Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul RS, Brasil)

Os antioxidantes são necessários nas emulsões para evitar processos oxidantes. Os escopos deste artigo são avaliar a capacidade de o BHT evitar a oxidação de emulsões submetidas a diferentes condições de armazenamento, bem como determinar a capacidade de o BHT evitar a oxidação da essência utilizada no preparo das emulsões.
Por meio dos resultados, verificou-se que o BHT fornece pouca proteção para formulações armazenadas em condições de estresse.

Los antioxidantes son necesarios en las emulsiones por la gran cantidad de sustancias lipofílicas contenidas. Por lo tanto, el alcance de este artículo fue evaluar la capacidad de protección contra la oxidación del BHT de emulsiones en diferentes condiciones de almacenamiento. A través de los resultados mostró que BHT ofrece poca protección en situaciones de estrés.

Antioxidants are needed in emulsions by the large amount of lipophilic substances contained. Therefore, the scope of this article was to evaluate the protective capability of BHT against oxidation of emulsions in different storage conditions. Through the results showed that BHT provides little protection in situations of stress

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John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

Cosmewines

Uma tendncia definida como a direo na qual se pode mover um mercado por determinado perodo de tempo. Tendncias so correntes de mudanas que nascem, evoluem e morrem. Ao entend-las, conhecemos as sementes do futuro que esto semeadas no presente, como Vernica Massonnier expe em seu livro Tendncias de mercado.

Associar tendncias cosmticas a tendncias enolgicas pode ser um desafio muito interessante.
Tive essa ideia depois de ver o inspirador e belssimo filme Comme un chef, de Daniel Cohen. Degustar um bom vinho pode ser equivalente a degustar um elaborado perfume ou uma gostosa textura. O aspecto, o corpo, o aroma e o sabor de um Cabernet Sauvignon grande reserva podem relacionar-se ao pick up, ao rub out e ao after feel de uma nutritiva de luxo. Ernest Hemingway disse, no livro Morte na tarde, que entre os prazeres puramente sensoriais, o que proporciona apreciar um vinho ocupa, quem sabe, o grau mais alto. Coco Chanel, em uma das suas famosas frases, disse que o perfume anuncia a chegada de uma mulher e prolonga sua partida. evidente que, sensorialmente, os cosmticos e os vinhos proporcionam um deleite de emoes aos sentidos e, portanto, podem compartilhar tendncias.

Aumento de resveratrol nos vinhos: algumas bodegas europeias conseguiram aumentar (em 79% o contedo desse ativo nos vinhos, sendo que o Pinot Noir um vinho feito com uma das uvas que apresenta maior quantidade de resveratrol.

Sede de beleza. Em cosmtica, temos a tendncia Beauty Drinks, que inclui o uso de conhecidos ativos anti-idade, como colgeno, cido hialurnico, resveratrol, vitaminas, antioxidantes, entre outros.
Vinhos alemes Eiswein e ice wines canadenses: os vinhos do gelo. H 200 anos, descobriu-se que tambm se pode fazer um bom vinho com uvas congeladas. As uvas que atingiram o amadurecimento antes do inverno podem ficar nas videiras em baixas temperaturas. Os frutos desidratam, congelam-se, concentram seus elementos e no perdem a acidez. Esses vinhos figuram entre os mais desejados e caros do mundo.

Em cosmtica, h a tendncia Icemetic (Ice + Cosmetic), que inclui novos conceitos, novas aplicaes e tecnologias inspiradas no frio e no gelo.

Late Harvest trend: so os vinhos de sobremesa ou de colheita tardia feitos com uvas sobremaduradas. Nessas uvas, os acares ficam concentrados, o que permite a fabricao de vinhos doces que so cobiados pelo seu buqu (do francs bouquet) e pelos seus sabores.

Glicotrend: no mercado da beleza, estamos presenciando a evoluo do acar e de seus derivados os monossacardeos, os polissacardeos, os oligossacardeos, entre outros como novos ativos.

Wines for younger: so propostas de vinhos adaptadas a pessoas que so iniciantes no mundo do vinho. Esses vinhos so feitos com tempranillo, viura, syrah, garnacha, petit verdot e menca, com amplo domnio floral de campo, floral silvestre e frutal.

Flower boys: essa uma forte tendncia na Coreia do Sul, adotada por homens de 18 a 30 anos, que tm a obsesso de ficar com a pele perfeita. So homens viciados nas tendncias e que querem ter uma pele luminosa. Constituem o novo pblico-alvo, preferido pelas empresas de beleza globais. Esses homens so os principais consumidores de cosmtica masculina do planeta.

Black wines: novas experincias com vinhos tintos modernos. Tm alta concentrao de polifenis e taninos, suas cores tradicionais, o vermelho-rubi e o vermelho-cereja, migraram para o quase preto, e possuem um sabor mais intenso e maior adstringncia.

Fashion black: o preto est na moda. Tendncia em perfumes femininos nos quais a cor dominante o preto.

Engenharia gentica: interessante tendncia que consiste em manipular geneticamente as uvas para que tenham mais cor, e leveduras, e para que o vinho tenha um aroma mais afrutado e mais intenso.

Em cosmtica, a engenharia gentica e a biotecnologia permitem obter ativos mais potentes alinhados tendncia turbo beauty.

Cosmewines = wine trends + cosmetic trends. A escolha de um cosmtico, assim como a opo por determinado vinho, reflete o tipo de personalidade. Com certeza, na prxima vez em que voc for ao supermercado, pensar que escolher um bom cosmtico como escolher um bom vinho.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

O agridoce salgado regulatrio

Dezessete anos atrs, enfrentamos uma situao parecida que vivemos hoje, no que diz respeito ao travamento no processo de aprovao de novos registros de produtos do setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosmticos (HPPC), na Anvisa.

Tambm vivemos uma situao semelhante que vivemos atualmente no que tange s modificaes e adequaes dos produtos, previstas pelo contnuo aprimoramento regulatrio, seja por causa de exigncias do Mercosul, seja por causa de demandas internas, como formas de cumprirmos a regulamentao internacional.

Diante do caos vivido naquela poca e graas competncia e boa vontade de servidores bem-intencionados e antenados ao cenrio internacional, mesmo com as limitaes advindas do defasado Decreto n 79.094, de 1977, foi possvel que estes dessem vazo ao represamento de processos de registros, pendentes de anlise tcnica, reclassificando os produtos em grupos com base em uma anlise preliminar quanto ao seu grau de risco.

Tomando como referncia a regulamentao tcnica recm estabelecida e praticada, em bases internacionais, internalizada no pas por meio das resolues aprovadas pelo Mercosul, em sua maioria, permitiram poca a adoo das medidas aplicadas e a retomada da atividade industrial do setor em bases seguras. Essas resolues eram fundamentadas igualmente no histrico existente de ocorrncias registradas em bancos de dados dos centros de intoxicao de referncia nacional e internacional, que garantiram a segurana dessas medidas.

Naquele tempo, apesar dos questionamentos de alarmistas e de pessoas mal informadas, a regulamentao implementada (Portaria n 71/1976) no impactou negativamente na sade dos consumidores nem a colocou em risco. Com a adoo da nova regulamentao, esses consumidores puderam acompanhar, em seu dia a dia, a evoluo tecnolgica traduzida em produtos brasileiros que se equipararam aos produtos de nvel internacional, com a mesma segurana e eficcia requeridas pelas regulamentaes. Isso ajudou a colocar o Brasil em posio de destaque no cenrio mundial desse mercado.

Hoje, por causa de questes igualmente relativas ao trmite burocrtico, associadas falta de pessoal operacional, o setor novamente est diante de uma situao insustentvel para atender o mercado consumidor. O mercado de HPPC caracterizado pela sazonalidade de grande parte de seus produtos e pela dinmica de lanamento, o que incompatvel com o andamento dos trabalhos realizados pelo rgo regulador e fiscalizador, que est em total descompasso com a realidade. Esse fato reconhecido pelos gestores da Anvisa, cujas aes e cuja dedicao, por mais que empenhadas que sejam, e embora utilizem os instrumentos atuais, no acompanham essa dinmica do mercado, comprometendo a inovao e a competitividade, to fomentadas hoje em outros setores do governo, objetivando reaquecer o setor produtivo.

Independentemente do trabalho em andamento, relativo ao desenvolvimento de novas ferramentas que, em mdio prazo, possam solucionar esse represamento insustentvel, de pleno conhecimento das autoridades sanitrias responsveis pelo setor o que pode ser feito de imediato, de modo a regularizar a situao.

Independentemente da implementao do novo sistema informatizado, as providncias imediatas tero a segurana requerida para esse fim, pois nossos parceiros do Mercosul e a maioria dos rgos de referncia internacional j o praticam, h muito tempo, para esse grupo de produtos. Essas providncias no exigem a vinculao de nmeros de autorizao para produtos ou qualquer outro, que sabidamente no conferem referncia de qualidade, a exemplo dos produtos de grau 1.

Dessa forma, independentemente do perptuo decreto e, hoje, sobre as bases regulatrias existentes, atualizadas e consistentes, temos total suporte para a adoo dessas medidas emergenciais, antecedendo a informatizao plena do processo de registro. Enquanto isso, aguardamos que os servidores responsveis e de viso tenham o mesmo esprito que fomos contemplados com a adoo da Portaria n 71. Ficamos aguardando para o mdio prazo, como est previsto, a adoo das novas ferramentas e a disponibilizao de um nmero suficiente de servidores para realizarem a anlise tcnica de um grupo restrito de produtos (principalmente infantis e alisantes) que, de fato, necessitam dessa ao. Com isso, estar sendo atendida a demanda contnua pelos servios necessrias a esse dinmico e produtivo setor, que hoje tem a liderana na Amrica Latina e a terceira posio no mercado mundial em consumo.

Estamos confiantes de que, em breve, seremos atendidos, considerando os requisitos de segurana pertinentes a cada tipo de produto, ao bem-estar e sade do consumidor.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Compras e aquisies

No processo da qualidade, as compras e aquisies tm um captulo parte. As compras e aquisies devem ter dados que descrevam de modo claro o que estiver sendo pedido e, quando o que vem a seguir for aplicvel, considerar:

a) Tipo, grau, classe ou outra forma precisa de identificao de bens, produtos ou servios que estiverem sendo adquiridos;

b) Ttulo ou outra identificao clara e edies aplicveis de especificaes, desenhos, requisitos de processos, instrues para inspeo e outros dados tcnicos relevantes, inclusive os requisitos para a aprovao ou a qualificao de produtos, de procedimentos e de equipamentos de processo ou mesmo de pessoal;

c) Ttulo, nmero e edio da norma do sistema da qualidade a ser aplicada;

d) O fornecedor deve analisar de modo crtico e aprovar os documentos de aquisio quanto adequao dos requisitos especificados, antes da sua liberao.

As normas do sistema da qualidade devem conter: ttulo, nmero e edio. Enquanto a adequao aos requisitos deve conter: verificao e aprovao.

Quando parte do item for fornecida pelo cliente tomador do produto final ou servio, devem existir procedimentos para assegurar que esta seja aceitvel, adequada ao propsito para o qual se destinar e segura. Se, por alguma razo, no for adequada, isto dever ser registrado e o cliente, informado.

Pode-se citar como exemplo dessa situao uma lavanderia na qual os produtos so fornecidos pelo cliente. Outros exemplos so as atividades de reparos.

Uma das consideraes mais importantes que deve ser feita em relao s compras e aquisies o transtorno gerado para as empresas que negociam com seus fornecedores de forma verbal, realizando compras por telefone, sem haver um documento que demonstre o que efetivamente est sendo adquirido.

Deve-se determinar que, mesmo nas compras realizadas por telefone, seja obrigatria a emisso de documento que formalize a negociao. Esse documento, geralmente denominado pedido de compra, deve conter todas as informaes comentadas nos itens anteriores, alm das informaes de carter comercial e legal, e de todos os requisitos de qualidade exigidos para o produto que estiver sendo adquirido.

Pode-se considerar que a existncia de especificaes completas requisito fundamental para que as aquisies cumpram com os objetivos do processo da qualidade.

Tambm deve ser reforada a necessidade de que o fornecedor sempre tenha uma cpia atualizada da especificao do item. Esta deve incluir desenhos, esquemas e todas as caractersticas que possibilitem o perfeito conhecimento do que ser fornecido.

Outra informao importante que o cliente e o fornecedor devem dispor de metodologias analticas similares para avaliar os itens. Isso vai possibilitar a obteno de resultados analticos compatveis, evitando conflito entre os resultados devido ao uso de diferentes metodologias analticas.

necessrio tambm levar em considerao a frequncia com que o cliente e o fornecedor mantm contato para esclarecer dvidas, apresentar seus planos de expanso etc. Esses contatos devem ser constantes.

Outra considerao extremamente importante a necessidade de que a implantao do processo da qualidade seja comunicada a todos os parceiros internos e externos, pois estes devero adequar suas atividades focando a qualidade. O fornecedor que ainda no estiver engajado no processo dever tomar providncias para no correr o risco de ser descredenciado pelo cliente.

Lembre-se sempre que a qualidade de um produto ou servio resultante de vrios fatores. Basta que um deles no tenha as caractersticas necessrias para atender aos requisitos da qualidade para que o resultado final no seja alcanado.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Guia de Segurana

Dando sequncia aos comentrios sobre o Guia de Avaliao de Segurana de Produtos Cosmticos, publicado pela Anvisa em dezembro de 2012, vou abordar o tpico Critrios a serem observados na avaliao de segurana (pgina 8). Nesse tpico, est registrado: A maioria das informaes necessrias na avaliao do risco potencial de um produto cosmtico resulta do conhecimento dos ingredientes que compem sua frmula. Essa colocao denota a necessidade da montagem e da manuteno de um cadastro tcnico completo de matrias-primas. Esses procedimentos impem mais um desafio: proteger os dados e estabelecer recursos de acessibilidade. De nada vale arquivar grande nmero de informaes e no ter ferramentas que garantam sua integridade e acesso rpido e seguro a elas. A tecnologia atual disponibiliza essas ferramentas em um software especfico.

Ainda nesse tpico, o guia cita os parmetros que devem ser considerados na avaliao de segurana, subdivididos em: Condies de uso, Composio do produto e Histrico e conhecimento do produto. Esse conjunto de informaes muito valioso para a montagem ou para a reviso da estratgia usada na empresa. No entanto, no item Frmula qualiquantitativa, desse tpico do guia, faltou ressaltar que a formulao deve estar em padro centesimal e com os ingredientes expressos em teor de ativo, o que faz toda a diferena. muito comum o uso de blends ou solues que podem ser constitudos de um ou vrios ingredientes. Alguns desses materiais so constitudos de um nico ingrediente solubilizado, com a finalidade de facilitar o processo de produo, como o caso de tensoativos usados na fabricao de shampoos.

Existem tambm os blends que so fornecidos com vrios ingredientes ativos para formar uma mistura funcional de espectro mais abrangente, como os blends de conservantes. A melhor opo obter a composio centesimal desses blends, para assim poder escrever a frmula em teor de ativos. Essa necessidade pode criar um impasse, pois nem sempre o fornecedor abre a composio quantitativa de seus blends. No h o que fazer. Dependendo do tipo de blend, voc ter de negociar com o seu fornecedor antes mesmo de utiliz-lo no desenvolvimento de seus produtos. Para tentar facilitar essa tarefa, veja algumas consideraes a seguir.

Blends de Corantes e Pigmentos: voc precisa, obrigatoriamente, conhecer a concentrao dos ingredientes para os quais existem limites de uso.

Blends de Emulsionantes, Emolientes e Manteigas: sob o ponto de vista regulatrio, voc no precisa saber a composio centesimal. Contudo, altamente recomendvel que a literatura disponibilizada pelo fornecedor traga dados de segurana referentes ao blend. Quando no houver itens que constem em lista restritiva, voc poder registrar todos os ingredientes como um item na frmula qualiquantitativa.

Blends de Tensoativos para Shampoos, Sabonetes Lquidos e Condicionadores: como, na maioria das vezes, esses materiais tm teor de ativo menor que 50%, voc precisa saber qual o teor de ativo para escrever sua formulao corretamente. No caso de mistura com mais de um componente, como o das bases perolizadas, aceitvel que voc use o teor percentual da mistura.

Blends de Ativos de Performance: novamente, o melhor conhecer a composio centesimal, mas nem sempre ela ser fornecida, principalmente nos blends complexos, com muitos ingredientes. Nesse caso, vale a diretriz citada para blends de emulsionantes no tocante a informaes toxicolgicas das misturas. Nos casos de blends com a solubilizao de um nico ingrediente, como o caso dos poliquatrnios, conhecer o teor de ativo interessante no somente por causa da segurana, mas tambm para avaliar a eficcia. Muitos formuladores usam blends com baixos teores, na faixa de 5% a 10%, sem se dar conta disso.

Blends de Conservantes e Blends de Filtros Solares: nesses casos, inevitvel ter a composio centesimal, j que so substncias que tm limites de uso estabelecidos, sendo que, para conservantes, as quantidades so bem pequenas.

Nos processos de notificao e registro at se aceita que no seja aberta a composio, mas a quantidade declarada ser considerada a quantidade usada para cada um dos componentes. Contudo, em casos como esses, fica uma lacuna na avaliao da segurana do produto. Muitas vezes, a concentrao fornecida em faixa centesimal (48%, por exemplo). E agora? Devo usar a mdia ou a mxima? Voc deve estabelecer qual faixa usar e considerar essa deciso nos estudos que sero realizados. recomendvel que, nas formulaes, seja aplicada uma quantidade que no atinja o mximo permitido para cada conservante, e seja mantida documentao para o caso de justificativas.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Das cavernas s clulas-tronco

Costuma-se dizer que os cabelos no tem nenhuma funo fisiolgica vital, isto , pode-se viver normalmente sem eles. claro que no estamos falando do aspecto emocional envolvido nessa questo!

Os cabelos so estruturas proteicas e, como todas as protenas, compostas da juno de aminocidos, vitaminas, sais minerais e cofatores. Toda vez que algum desses nutrientes falta no corpo de uma pessoa, ela pode ter um problema com os cabelos. Eles podem cair, podem no nascer ou podem ficar frgeis e quebradios. s vezes, eles podem mudar de aspecto, de textura e at de forma (ficar mais lisos ou mais encaracolados), conforme sua fisiologia mudar.

Ao contrrio do que a maioria das pessoas pensa, a vitamina A no entra na composio dos cabelos. As vitaminas mais importantes para os cabelos so aquelas do grupo do complexo B. Portanto, alimentos que contenham essas vitaminas so sempre bem-vindos, como o leite e seus derivados e a maioria dos vegetais.

Com relao aos nutrientes derivados dos sais minerais, h o ferro, encontrado nas carnes vermelhas, no feijo e em alguns vegetais verde-escuros, como brcolis e couve. O ferro considerado o metal mais importante da fisiologia do crescimento dos cabelos. Acredita-se, numa forma livre de explicao, que o ferro abra as portas do queratincito formador do fio para outras substncias. Assim, quando o ferro est baixo no organismo, no h resultado positivo com nenhum tratamento. O zinco, encontrado nos frutos do mar com casca, como ostras e mariscos, e o cobre, encontrado no chocolate amargo, completam o time dos metais.

importante lembrar que esses nutrientes tm de estar em grande quantidade no nosso corpo (em um percentual maior que 50% para cada forma de avaliao), para que sejam usados nos cabelos.

Tambm se deve ressaltar que grandes deficincias desses nutrientes, como as que ocorrem em quadros de desnutrio grave, podem levar fragilidade da haste e at perda de cor nos cabelos (kwashiokor).

Um dado relevante a informao, que parece no ser muito permeada, de que o cido flico tem de estar em concentrao normal para que os cabelos cresam naturalmente. Se ele estiver muito alto ou muito baixo, afetar a fisiologia normal dos fios.

claro que ainda exitem todos os hormnios envolvidos nesse processo, mas falarei sobre isso em uma prxima edio.

As clulas-tronco do cabelo so as mais disponveis no corpo humano. Para corroborarmos essa informao, basta que nos lembremos que temos aproximadamente 5 milhes de folculos pilosos espalhados pelo corpo e as clulas-tronco esto presentes em todas as unidades, localizadas na rea do bulge, regio onde se insere o msculo eretor do pelo. As clulas-tronco podem transformar-se em outras clulas, como as musculares, e at em clulas do sistema nervoso, os neurnios. Mas, infelizmente, elas ainda no se transformam em outros cabelos. Pode-se at cultiv-las, mas, ao voltarem para o couro cabeludo, elas no logram fazer um novo fio. O que se conjectura que falta algo para que se consiga esse feito. Acredita-se que em 5 anos poderemos ter sucesso nessa empreitada.

Por ora, o que temos uma inovao no processo de transplante dos fios, que pode ser feito com as clulas-tronco. Nesse procedimento, as clulas da rea doadora (nuca) so tiradas cirurgicamente e com a ajuda de lupas e microscpios, e plantadas na rea receptora, uma a uma. O resultado do transplante fica muito mais natural, sem aquele aspecto do passado, que lembrava cabelo de boneca.

Antonio Celso da Silva
Boas Prticas por Antonio Celso da Silva

Moldes para embalagens

Este texto tem o objetivo de mostrar as vantagens e desvantagens da aquisio de um molde, as facilidades e dificuldades, o melhor caminho e, acima de tudo, quando essa aquisio necessria.

Primeiro, considero que nem todos sabem do que estou falando e, por isso, necessrio dizer que o molde a ferramenta ou o equipamento por meio do qual se consegue fabricar uma pea de embalagem.
Por outro lado, para os especialistas em embalagens, principalmente as plsticas, os informes a seguir so parte do seu dia a dia, o feijo com arroz do seu trabalho.

Estou falando em embalagens plsticas que so, na verdade, o principal material usado para o acondicionamento de produtos cosmticos. Essas embalagens consistem em frascos, potes, tampas, bisnagas etc.

importante reunir os moldes e os processos de fabricao das embalagens em duas categorias principais: sopro e injeo.

O molde no qual realizado o processo de injeo serve para fabricar ou injetar peas rgidas, como tampas e estojos de maquiagem. um molde relativamente caro, se comparado ao molde de sopro, e sua confeco muito demorada.

Nesse processo, a mquina (injetora) mistura o componente plstico (polmero), aquecida em determinada temperatura?), e na forma lquida injeta na cavidade ou nas cavidades do molde. Aps passar por um processo de resfriamento, o material plstico endurece, tomando a forma da cavidade do molde. A injetora expele a pea, que vem acompanhada de excessos (galhos). Estes devem ser retirados e so, na maioria das vezes, reaproveitados, retornando ao incio do processo como matria-prima.

importante salientar que, em funo do preo, so fabricados poucos moldes exclusivos de injeo.
Essa pequena fabricao tambm se deve ao fato de que uma embalagem muitas vezes composta por diversas peas e cada uma delas requer um molde de injeo, o que torna a compra de moldes ainda mais proibitiva.

Um exemplo disso a embalagem de batom, composta de base, elevador, tampa, mecanismo etc. Cada uma dessas peas requer um molde. Por causa disso, no h tantas opes, principalmente de embalagens de maquiagem. O mercado acaba usando as embalagens standards disponveis, alterando, nestas, apenas caractersticas como: cor, hot stamping, silk etc. Essa talvez seja a principal razo da invaso de embalagens asiticas no Brasil.

O outro processo de fabricao de embalagens plsticas realizado por meio do sopro. Nesse caso, a mquina tambm aquece o material em determinada temperatura. Esse material, na forma lquida, direcionado, na forma de uma mangueira, para o molde. O molde ento se movimenta, abraa essa mangueira, fecha-se e, em seguida, um bico de ar sopra o material plstico aquecido contra as paredes do molde. O resfriamento permite que a mquina faa a expulso da pea j no seu formato definitivo.

bvio que esses processos de fabricao no so to simples assim. Realizar controles da temperatura de aquecimento e resfriamento, do peso da pea, da espessura de parede, do ponto de injeo, dos ciclos de processo, entre vrios outros , fundamental para a qualidade final da pea produzida.

O molde de sopro bem mais barato que o molde de injeo e fabricado em menos tempo que este. Tambm usado apenas um molde de sopro para fazer um frasco. Assim, os resultados so: pontos de venda e catlogos de empresas porta a porta apresentando uma infinidade de bonitos frascos de shampoos, loes, leos de banho, desodorantes etc.

Diante desse quadro, o que se aconselha evitar a fabricao de moldes de injeo, mas abusar de formatos exclusivos para moldes de sopro.

A vantagem em adquirir um molde exclusivo ter uma embalagem com a cara que o cliente imaginar e que diferente de outras apresentaes do mercado.

importante fazer o registro do desenho industrial da embalagem no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), evitando, assim, que outra embalagem exatamente igual seja feita. Digo exatamente igual porque, quando uma embalagem agrada, qualquer empresa pode praticamente copi-la, desde que no a faa exatamente igual.

A desvantagem de molde prprio a quantidade mnima de embalagens que o fabricante destas pede para colocar o molde em mquina.

O caminho mais curto para mandar fabricar um molde atravs de fornecedores de embalagens, que indicam os fabricantes e oferecem a assessoria necessria, e, obviamente, tm a expectativa de que as embalagens sero compradas deles.

O que foi exposto aqui apenas um apanhado superficial desse universo de moldes, embalagens, preos, prazos etc.

Se a empresa quiser mandar fabricar um molde prprio e tiver pouco conhecimento sobre o assunto, aconselho-a a ter sempre a assessoria de um consultor especializado.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

As farmcias magistrais e a economia criativa

Recentemente, chamou minha ateno um artigo do Dirio do Comrcio, sobre uma tal de economia criativa.

O que ser isso?, perguntei-me. Ser que as farmcias com manipulao poderiam fazer parte da economia criativa?

Se voc tiver um pouquinho de pacincia de continuar comigo ao longo desta coluna, certamente ter as respostas para essas perguntas.

Em 2001, o escritor ingls John Howkins definiu que a expresso economia criativa se refere s atividades nas quais indivduos exercitam sua imaginao e exploram o valor econmico advindo dessa imaginao. A economia criativa tambm pode significar os processos que envolvem a criao, a produo e a distribuio de produtos e servios, usando o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como recursos produtivos primordiais.

Embora no haja nenhuma limitao imposta diretamente por esse escritor, a economia criativa passou a ser identificada com empresas de capital imaterial, como softwares houses, agncias de publicidade, escritrios de arquitetura, empresas de teatro, de moda, de cinema, de televiso, de msica e de artes, e com atividades artesanais.

Mas, como tudo se transforma, esse conceito tambm evoluiu e no est mais restrito a esses tipos de empresa. As empresas da economia criativa atuam em reas em que a qualidade e o valor do trabalho dependem principalmente do talento e da criatividade das pessoas envolvidas. As criaes que desenvolvem so transformadas em produtos e servios seja por elas mesmas, seja por empresas da economia convencional.

Como as farmcias com manipulao poderiam enquadrar-se na florescente economia criativa? A resposta simples e reside na palavra artesanal.

Talvez voc no acredite, mas existem dezenas (talvez centenas) de farmcias com a denominao artesanal. Segundo o Dicionrio Priberam da Lngua Portuguesa, o termo artesanal significa o que fabricado por arteso, e a palavra arteso, pessoa que fabrica manualmente determinadas peas ou produtos [...]. Assim, pode-se afirmar que as farmcias magistrais preparam artesanalmente medicamentos para atender s necessidades teraputicas individuais dos pacientes.

Pode parecer pouco, mas no : diferentemente da indstria, as farmcias magistrais trabalham sob medida, identificando, com criatividade e talento, necessidades teraputicas latentes que ainda no so atendidas por aquela, desenvolvendo e preparando medicamentos para suprir essas lacunas.

Pois bem, agora que j sabemos como a farmcia com manipulao pode enquadrar-se nessa nova economia, vou tentar lanar alguma luz sobre esse assunto para sabermos como tirar algum proveito disso. A maioria dos consultores desse tipo de negcio faz algumas recomendaes fundamentais.
So elas:

1) Tenha uma finalidade clara: entenda as necessidades teraputicas dos pacientes e dos prescritores e oferea-lhes um servio que tenha relevncia. No pense primeiro se voc vai ou no lucrar de imediato. Na economia criativa, a farmcia tem de oferecer medicamentos ou servios que facilitem, melhorem ou impactem positivamente na qualidade de vida das pessoas.

2) Execute suas ideias: o que diferencia a inovao da criatividade? A inovao sai do papel. Ser criativo gerar ideias, ser inovador, pegar essas ideias e transform-las em produtos e servios.
De nada adianta ter uma boa ideia se ela ficar s no papel. preciso implement-la. Para isso, as farmcias com manipulao podem contar com recursos prprios para auxiliar na execuo ou na elaborao de produtos.

3) Divulgue suas ideias para seus prescritores e pacientes: uma vez que sua inovao for desenvolvida, ser preciso divulg-la para essas pessoas. O mais importante criar um material de comunicao cuja linguagem esteja sintonizada com o pblico-alvo.

4) Avalie os resultados: mea o resultado de seu trabalho por meio de pesquisas de satisfao, que devem ser realizadas com seus clientes e prescritores. Mensurar as vendas pode ser um bom comeo.

Inovar no fcil, mas tambm no difcil. Quando se fala em ideias, a criatividade pode gerar constantemente novos espaos de mercado. Na atual realidade hipercompetitiva da farmcia com manipulao no Brasil, a criatividade pode ser a chave para tirar seu negcio da competio predatria e do lugar comum da disputa por preo e qualidade.

A parte mais difcil a mais importante: entender e antecipar as necessidades de clientes ou consumidores. Nesse ponto, empresas de consultoria ou publicidade (que tambm fazer parte da economia criativa), podem ajudar a implementar as amostras e o material cientfico necessrios para a divulgao de suas ideias.

No sculo 20, os farmacuticos brasileiros inovaram no preparo de medicamentos, por meio do resgate das farmcias magistrais, o que agora est sendo copiado por pases como os Estados Unidos, o Canad, a Espanha e a Austrlia.

Agora chegou a hora de ns subirmos mais um degrau e levarmos as farmcias com manipulao brasileiras ao sculo 21, e isso passa, obrigatoriamente, pelo entendimento e pela aplicao da economia criativa.

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