19 de Outubro de 2018

Percepção do Consumidor

Edicao Atual - Percepção do Consumidor

Editorial

 

Todos na grande “teia”

 

Há 20 anos, o projeto World Wide Web (WWW, criado por cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear) deixou de ser usado exclusivamente por universidades e se tornou público. A criação do World Wide Web foi decisiva para a expansão da utilização da internet, e a iniciativa de torná-la pública é um marco histórico, uma vez que possibilitou o desenvolvimento da plataforma web. 

O impacto causado pela evolução da internet, a “superautoestrada da informação”, como definiu o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, dispensa maiores comentários. Isso porque somos testemunhas da transformação de hábitos, da criação de novas formas de consumo e de disseminação do conhecimento, do surgimento de novas profissões, novas expressões, novas formas de relacionamento.... 

No que se refere às relações de consumo, a internet trouxe inovações pontuais não apenas na forma como compramos, mas, sobretudo, na maneira como obtemos informações a respeito dos produtos. Qual é o “peso”, por exemplo, de uma crítica ou recomendação a respeito de um produto feita por um formador de opinião em um blog ou em uma rede social? A “revolução” que ganhou impulso há duas décadas acarretou esta e outras tantas perguntas, cujas respostas vêm apontando desafios e oportunidades para a relação entre marcas e consumidores. 

A construção da noção de valor de um produto é o tema explorado pela matéria de capa desta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil. A qualidade do artigo ou serviço oferecido, a embalagem, o atendimento e a imagem que é associada à marca são alguns dos elementos constantes no “pacote” entregue pelas empresas aos consumidores. A reportagem aborda as estratégias de marketing voltadas à percepção do consumidor, bem como os aspectos técnicos relacionados ao valor do produto. 

A seção “Persona” apresenta a trajetória de empreendedorismo e inovação da empresária Cristiana Arcangeli.

Nesta edição, publicamos o terceiro capítulo da série “Fundamentos de Cosmetologia”, enfocando a fisiologia dos cabelos. O creme dental é o tema do primeiro artigo técnico, e o seguinte trata do dimeticone, um dos polímeros de silicone mais utilizados em produtos de cuidado pessoal. A permeação cutânea e a capacidade antioxidante do BHT em emulsões são os temas dos demais artigos.

Esta edição também traz o programa oficial e os abstracts de palestras e pôsteres do XXI Congresso Latino-americano e Ibérico de Químicos Cosméticos, que, pela quarta vez, está sendo realizado no Brasil.

Boa leitura!

 

Hamilton dos Santos
Publisher

 

Creme Dental - Luigi Rigano, PhD (Studio Rigano Industrial Consulting Laboratories, Milão, Itália)

Neste artigo o autor faz ampla abordagem sobre os cremes dentais, como a forma física, a formulação, as propriedades, os ingredientes utilizados, os procedimentos de produção e, a inovação e o futuro desse tipo de produto.

En este artículo el autor hace un amplio enfoque de las pastas de dientes, como la forma física, la formulación, los ingredientes utilizados, los procedimientos de producción y, la innovación y el futuro de este tipo de producto.

In this article, the author makes a broad approach on the toothpastes such as physical form, formulation, properties, ingredients used, production procedures and, innovation and the future of this kind of products.

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Polímeros em Cosméticos: Dimeticone - Michael J. Fevola, PhD (Johnson & Johnson, Skilman NJ, EUA)

O dimenticone é um dos polímeros de silicone mais utilizados em produtos de cuidado pessoal. Neste artigo, o autor apresenta ampla descrição sobre o ingrediente, incluindo aspectos como sua estrutura química, seu processo de fabricação, suas propriedades e suas aplicações em cosméticos.

La dimeticona es uno de los polímeros de silicona más utilizados em los productos de cuidado personal. En este artículo, el autor presenta una descripción completa del ingrediente, incluyendo aspectos tales como su estructura química, el proceso de fabricación, propiedades y aplicaciones en cosméticos.

The dimethicone is the most widely utilized silicone material in cosmetics and personal care. In this article, the author presents comprehensive description of the ingredient, including aspects such as its chemical structure, manufacturing process, properties and applications in cosmetic products.

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Permeação Cutânea e Ação de Fármacos Tópicos - Sílvia Helena Mussolini de Oliveira (Bacharel em Química pelas Faculdades Oswaldo Cruz, São Paulo SP, Brasil)

Este artigo traz conclusões acerca da permeação e da ação de fármacos dermatológicos tópicos com finalidades estéticas ou terapêuticas, enfocando os alfa-hidróxi-ácidos (AHA). Foram estudadas também tecnologias que auxiliam a permeação cutânea (a fonoforese e a iontoforese) e outras classes de ácidos, como os beta-hidróxi-ácidos e os poli-hidróxi-ácidos.

Conclusiones sobre la penetración y temas de lucha contra la droga dermatológicos con fines estéticos o terapias, con especial atención a los AHA (AHA). Las tecnologías han sido estudiados que contribuyen a la permeabilidad cutánea (phono y iontoforesis) y otras clases de ácidos tales como los ácidos beta-hidroxi y ácidos poli-hidroxi.

Conclusions on the permeation and drug action dermatologic topics for aesthetic purposes or therapies, with special focus on the alpha-hydroxy acids (AHA). Technologies have been studied which assist in skin permeation (phono and iontophoresis) and other classes of acids such as beta-hydroxy acids and poly-hydroxy acids.

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Capacidade Antioxidante do BHT em Emulsões - Juliana da Silva Favero, Ivana Giazzon, Mirian Salvador, Fabiana A. de Oliveira, Valeria Weiss Angeli (Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul RS, Brasil)

Os antioxidantes são necessários nas emulsões para evitar processos oxidantes. Os escopos deste artigo são avaliar a capacidade de o BHT evitar a oxidação de emulsões submetidas a diferentes condições de armazenamento, bem como determinar a capacidade de o BHT evitar a oxidação da essência utilizada no preparo das emulsões.
Por meio dos resultados, verificou-se que o BHT fornece pouca proteção para formulações armazenadas em condições de estresse.

Los antioxidantes son necesarios en las emulsiones por la gran cantidad de sustancias lipofílicas contenidas. Por lo tanto, el alcance de este artículo fue evaluar la capacidad de protección contra la oxidación del BHT de emulsiones en diferentes condiciones de almacenamiento. A través de los resultados mostró que BHT ofrece poca protección en situaciones de estrés.

Antioxidants are needed in emulsions by the large amount of lipophilic substances contained. Therefore, the scope of this article was to evaluate the protective capability of BHT against oxidation of emulsions in different storage conditions. Through the results showed that BHT provides little protection in situations of stress

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John Jimenez
Tendências por John Jimenez

Cosmewines

Uma tendência é definida como a direção na qual se pode mover um mercado por determinado período de tempo. Tendências são correntes de mudanças que nascem, evoluem e morrem. Ao entendê-las, conhecemos as sementes do futuro que estão semeadas no presente, como Verónica Massonnier expõe em seu livro Tendências de mercado.

Associar tendências cosméticas a tendências enológicas pode ser um desafio muito interessante.
Tive essa ideia depois de ver o inspirador e belíssimo filme Comme un chef, de Daniel Cohen. Degustar um bom vinho pode ser equivalente a degustar um elaborado perfume ou uma gostosa textura. O aspecto, o corpo, o aroma e o sabor de um Cabernet Sauvignon grande reserva podem relacionar-se ao pick up, ao rub out e ao after feel de uma nutritiva de luxo. Ernest Hemingway disse, no livro Morte na tarde, que “entre os prazeres puramente sensoriais, o que proporciona apreciar um vinho ocupa, quem sabe, o grau mais alto”. Coco Chanel, em uma das suas famosas frases, disse que “o perfume anuncia a chegada de uma mulher e prolonga sua partida”. É evidente que, sensorialmente, os cosméticos e os vinhos proporcionam um deleite de emoções aos sentidos e, portanto, podem compartilhar tendências.

Aumento de resveratrol nos vinhos: algumas bodegas europeias conseguiram aumentar (em 79% o conteúdo desse ativo nos vinhos, sendo que o Pinot Noir é um vinho feito com uma das uvas que apresenta maior quantidade de resveratrol.

Sede de beleza. Em cosmética, temos a tendência Beauty Drinks, que inclui o uso de conhecidos ativos anti-idade, como colágeno, ácido hialurônico, resveratrol, vitaminas, antioxidantes, entre outros.
Vinhos alemães Eiswein e ice wines canadenses: os vinhos do gelo. Há 200 anos, descobriu-se que também se pode fazer um bom vinho com uvas congeladas. As uvas que atingiram o amadurecimento antes do inverno podem ficar nas videiras em baixas temperaturas. Os frutos desidratam, congelam-se, concentram seus elementos e não perdem a acidez. Esses vinhos figuram entre os mais desejados e caros do mundo.

Em cosmética, há a tendência Icemetic (Ice + Cosmetic), que inclui novos conceitos, novas aplicações e tecnologias inspiradas no frio e no gelo.

Late Harvest trend: são os vinhos de sobremesa ou de colheita tardia feitos com uvas “sobremaduradas”. Nessas uvas, os açúcares ficam concentrados, o que permite a fabricação de vinhos doces que são cobiçados pelo seu buquê (do francês bouquet) e pelos seus sabores.

Glicotrend: no mercado da beleza, estamos presenciando a evolução do açúcar e de seus derivados – os monossacarídeos, os polissacarídeos, os oligossacarídeos, entre outros – como novos ativos.

Wines for younger: são propostas de vinhos adaptadas a pessoas que são iniciantes no mundo do vinho. Esses vinhos são feitos com tempranillo, viura, syrah, garnacha, petit verdot e mencía, com amplo domínio floral de campo, floral silvestre e frutal.

Flower boys: essa é uma forte tendência na Coreia do Sul, adotada por homens de 18 a 30 anos, que têm a obsessão de ficar com a pele perfeita. São homens viciados nas tendências e que querem ter uma pele luminosa. Constituem o novo público-alvo, preferido pelas empresas de beleza globais. Esses homens são os principais consumidores de cosmética masculina do planeta.

Black wines: novas experiências com vinhos tintos modernos. Têm alta concentração de polifenóis e taninos, suas cores tradicionais, o “vermelho-rubi” e o “vermelho-cereja”, migraram para o quase preto, e possuem um sabor mais intenso e maior adstringência.

Fashion black: o preto está na moda. Tendência em perfumes femininos nos quais a cor dominante é o preto.

Engenharia genética: interessante tendência que consiste em manipular geneticamente as uvas para que tenham mais cor, e leveduras, e para que o vinho tenha um aroma mais afrutado e mais intenso.

Em cosmética, a engenharia genética e a biotecnologia permitem obter ativos mais potentes alinhados à tendência turbo beauty.

Cosmewines = wine trends + cosmetic trends. A escolha de um cosmético, assim como a opção por determinado vinho, reflete o tipo de personalidade. Com certeza, na próxima vez em que você for ao supermercado, pensará que escolher um bom cosmético é como escolher um bom vinho.

Artur João Gradim
Assuntos Regulatórios por Artur João Gradim

O agridoce salgado regulatório

Dezessete anos atrás, enfrentamos uma situação parecida à que vivemos hoje, no que diz respeito ao travamento no processo de aprovação de novos registros de produtos do setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC), na Anvisa.

Também vivemos uma situação semelhante à que vivemos atualmente no que tange às modificações e adequações dos produtos, previstas pelo contínuo aprimoramento regulatório, seja por causa de exigências do Mercosul, seja por causa de demandas internas, como formas de cumprirmos a regulamentação internacional.

Diante do caos vivido naquela época e graças à competência e à boa vontade de servidores bem-intencionados e antenados ao cenário internacional, mesmo com as limitações advindas do defasado Decreto nº 79.094, de 1977, foi possível que estes dessem vazão ao represamento de processos de registros, pendentes de análise técnica, reclassificando os produtos em grupos com base em uma análise preliminar quanto ao seu grau de risco.

Tomando como referência a regulamentação técnica recém estabelecida e praticada, em bases internacionais, internalizada no país por meio das resoluções aprovadas pelo Mercosul, em sua maioria, permitiram à época a adoção das medidas aplicadas e a retomada da atividade industrial do setor em bases seguras. Essas resoluções eram fundamentadas igualmente no histórico existente de ocorrências registradas em bancos de dados dos centros de intoxicação de referência nacional e internacional, que garantiram a segurança dessas medidas.

Naquele tempo, apesar dos questionamentos de alarmistas e de pessoas mal informadas, a regulamentação implementada (Portaria nº 71/1976) não impactou negativamente na saúde dos consumidores nem a colocou em risco. Com a adoção da nova regulamentação, esses consumidores puderam acompanhar, em seu dia a dia, a evolução tecnológica traduzida em produtos brasileiros que se equipararam aos produtos de nível internacional, com a mesma segurança e eficácia requeridas pelas regulamentações. Isso ajudou a colocar o Brasil em posição de destaque no cenário mundial desse mercado.

Hoje, por causa de questões igualmente relativas ao trâmite burocrático, associadas à falta de pessoal operacional, o setor novamente está diante de uma situação insustentável para atender o mercado consumidor. O mercado de HPPC é caracterizado pela sazonalidade de grande parte de seus produtos e pela dinâmica de lançamento, o que é incompatível com o andamento dos trabalhos realizados pelo órgão regulador e fiscalizador, que está em total descompasso com a realidade. Esse fato é reconhecido pelos gestores da Anvisa, cujas ações e cuja dedicação, por mais que empenhadas que sejam, e embora utilizem os instrumentos atuais, não acompanham essa dinâmica do mercado, comprometendo a inovação e a competitividade, tão fomentadas hoje em outros setores do governo, objetivando reaquecer o setor produtivo.

Independentemente do trabalho em andamento, relativo ao desenvolvimento de novas ferramentas que, em médio prazo, possam solucionar esse represamento insustentável, é de pleno conhecimento das autoridades sanitárias responsáveis pelo setor o que pode ser feito de imediato, de modo a regularizar a situação.

Independentemente da implementação do novo sistema informatizado, as providências imediatas terão a segurança requerida para esse fim, pois nossos parceiros do Mercosul e a maioria dos órgãos de referência internacional já o praticam, há muito tempo, para esse grupo de produtos. Essas providências não exigem a vinculação de números de autorização para produtos ou qualquer outro, que sabidamente não conferem referência de qualidade, a exemplo dos produtos de grau 1.

Dessa forma, independentemente do “perpétuo” decreto e, hoje, sobre as bases regulatórias existentes, atualizadas e consistentes, temos total suporte para a adoção dessas medidas emergenciais, antecedendo a informatização plena do processo de registro. Enquanto isso, aguardamos que os servidores responsáveis e de visão tenham o mesmo espírito que fomos contemplados com a adoção da Portaria nº 71. Ficamos aguardando para o médio prazo, como está previsto, a adoção das novas ferramentas e a disponibilização de um número suficiente de servidores para realizarem a análise técnica de um grupo restrito de produtos (principalmente infantis e alisantes) que, de fato, necessitam dessa ação. Com isso, estará sendo atendida a demanda contínua pelos serviços necessárias a esse dinâmico e produtivo setor, que hoje tem a liderança na América Latina e a terceira posição no mercado mundial em consumo.

Estamos confiantes de que, em breve, seremos atendidos, considerando os requisitos de segurança pertinentes a cada tipo de produto, ao bem-estar e à saúde do consumidor.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Práticas por Carlos Alberto Trevisan

Compras e aquisições

No processo da qualidade, as compras e aquisições têm um capítulo à parte. As compras e aquisições devem ter dados que descrevam de modo claro o que estiver sendo pedido e, quando o que vem a seguir for aplicável, considerar:

a) Tipo, grau, classe ou outra forma precisa de identificação de bens, produtos ou serviços que estiverem sendo adquiridos;

b) Título ou outra identificação clara e edições aplicáveis de especificações, desenhos, requisitos de processos, instruções para inspeção e outros dados técnicos relevantes, inclusive os requisitos para a aprovação ou a qualificação de produtos, de procedimentos e de equipamentos de processo ou mesmo de pessoal;

c) Título, número e edição da norma do sistema da qualidade a ser aplicada;

d) O fornecedor deve analisar de modo crítico e aprovar os documentos de aquisição quanto à adequação dos requisitos especificados, antes da sua liberação.

As normas do sistema da qualidade devem conter: título, número e edição. Enquanto a adequação aos requisitos deve conter: verificação e aprovação.

Quando parte do item for fornecida pelo cliente tomador do produto final ou serviço, devem existir procedimentos para assegurar que esta seja aceitável, adequada ao propósito para o qual se destinar e segura. Se, por alguma razão, não for adequada, isto deverá ser registrado e o cliente, informado.

Pode-se citar como exemplo dessa situação uma lavanderia na qual os produtos são fornecidos pelo cliente. Outros exemplos são as atividades de reparos.

Uma das considerações mais importantes que deve ser feita em relação às compras e aquisições é o transtorno gerado para as empresas que negociam com seus fornecedores de forma verbal, realizando compras por telefone, sem haver um documento que demonstre o que efetivamente está sendo adquirido.

Deve-se determinar que, mesmo nas compras realizadas por telefone, seja obrigatória a emissão de documento que formalize a negociação. Esse documento, geralmente denominado “pedido de compra”, deve conter todas as informações comentadas nos itens anteriores, além das informações de caráter comercial e legal, e de todos os requisitos de qualidade exigidos para o produto que estiver sendo adquirido.

Pode-se considerar que a existência de especificações completas é requisito fundamental para que as aquisições cumpram com os objetivos do processo da qualidade.

Também deve ser reforçada a necessidade de que o fornecedor sempre tenha uma cópia atualizada da especificação do item. Esta deve incluir desenhos, esquemas e todas as características que possibilitem o perfeito conhecimento do que será fornecido.

Outra informação importante é que o cliente e o fornecedor devem dispor de metodologias analíticas similares para avaliar os itens. Isso vai possibilitar a obtenção de resultados analíticos compatíveis, evitando conflito entre os resultados devido ao uso de diferentes metodologias analíticas.

É necessário também levar em consideração a frequência com que o cliente e o fornecedor mantêm contato para esclarecer dúvidas, apresentar seus planos de expansão etc. Esses contatos devem ser constantes.

Outra consideração extremamente importante é a necessidade de que a implantação do processo da qualidade seja comunicada a todos os parceiros internos e externos, pois estes deverão adequar suas atividades focando a qualidade. O fornecedor que ainda não estiver engajado no processo deverá tomar providências para não correr o risco de ser descredenciado pelo cliente.

Lembre-se sempre que a qualidade de um produto ou serviço é resultante de vários fatores. Basta que um deles não tenha as características necessárias para atender aos requisitos da qualidade para que o resultado final não seja alcançado.

Wallace Magalhães
Gestão em P&D por Wallace Magalhães

Guia de Segurança

Dando sequência aos comentários sobre o “Guia de Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos”, publicado pela Anvisa em dezembro de 2012, vou abordar o tópico Critérios a serem observados na avaliação de segurança (página 8). Nesse tópico, está registrado: “A maioria das informações necessárias na avaliação do risco potencial de um produto cosmético resulta do conhecimento dos ingredientes que compõem sua fórmula.” Essa colocação denota a necessidade da montagem e da manutenção de um cadastro técnico completo de matérias-primas. Esses procedimentos impõem mais um desafio: proteger os dados e estabelecer recursos de acessibilidade. De nada vale arquivar grande número de informações e não ter ferramentas que garantam sua integridade e acesso rápido e seguro a elas. A tecnologia atual disponibiliza essas ferramentas em um software específico.

Ainda nesse tópico, o guia cita os parâmetros que devem ser considerados na avaliação de segurança, subdivididos em: Condições de uso, Composição do produto e Histórico e conhecimento do produto. Esse conjunto de informações é muito valioso para a montagem ou para a revisão da estratégia usada na empresa. No entanto, no item Fórmula qualiquantitativa, desse tópico do guia, faltou ressaltar que a formulação deve estar em padrão centesimal e com os ingredientes expressos em teor de ativo, o que faz toda a diferença. É muito comum o uso de blends ou soluções que podem ser constituídos de um ou vários ingredientes. Alguns desses materiais são constituídos de um único ingrediente solubilizado, com a finalidade de facilitar o processo de produção, como é o caso de tensoativos usados na fabricação de shampoos.

Existem também os blends que são fornecidos com vários ingredientes ativos para formar uma mistura funcional de espectro mais abrangente, como os blends de conservantes. A melhor opção é obter a composição centesimal desses blends, para assim poder escrever a fórmula em teor de ativos. Essa necessidade pode criar um impasse, pois nem sempre o fornecedor abre a composição quantitativa de seus blends. Não há o que fazer. Dependendo do tipo de blend, você terá de negociar com o seu fornecedor antes mesmo de utilizá-lo no desenvolvimento de seus produtos. Para tentar facilitar essa tarefa, veja algumas considerações a seguir.

Blends de Corantes e Pigmentos: você precisa, obrigatoriamente, conhecer a concentração dos ingredientes para os quais existem limites de uso.

Blends de Emulsionantes, Emolientes e Manteigas: sob o ponto de vista regulatório, você não precisa saber a composição centesimal. Contudo, é altamente recomendável que a literatura disponibilizada pelo fornecedor traga dados de segurança referentes ao blend. Quando não houver itens que constem em lista restritiva, você poderá registrar todos os ingredientes como um item na fórmula qualiquantitativa.

Blends de Tensoativos para Shampoos, Sabonetes Líquidos e Condicionadores: como, na maioria das vezes, esses materiais têm teor de ativo menor que 50%, você precisa saber qual é o teor de ativo para escrever sua formulação corretamente. No caso de mistura com mais de um componente, como o das bases perolizadas, é aceitável que você use o teor percentual da mistura.

Blends de Ativos de Performance: novamente, o melhor é conhecer a composição centesimal, mas nem sempre ela será fornecida, principalmente nos blends complexos, com muitos ingredientes. Nesse caso, vale a diretriz citada para blends de emulsionantes no tocante a informações toxicológicas das misturas. Nos casos de blends com a solubilização de um único ingrediente, como é o caso dos poliquatérnios, conhecer o teor de ativo é interessante não somente por causa da segurança, mas também para avaliar a eficácia. Muitos formuladores usam blends com baixos teores, na faixa de 5% a 10%, sem se dar conta disso.

Blends de Conservantes e Blends de Filtros Solares: nesses casos, é inevitável ter a composição centesimal, já que são substâncias que têm limites de uso estabelecidos, sendo que, para conservantes, as quantidades são bem pequenas.

Nos processos de notificação e registro até se aceita que não seja aberta a composição, mas a quantidade declarada será considerada a quantidade usada para cada um dos componentes. Contudo, em casos como esses, fica uma lacuna na avaliação da segurança do produto. Muitas vezes, a concentração é fornecida em faixa centesimal (4–8%, por exemplo). E agora? Devo usar a média ou a máxima? Você deve estabelecer qual faixa usar e considerar essa decisão nos estudos que serão realizados. É recomendável que, nas formulações, seja aplicada uma quantidade que não atinja o máximo permitido para cada conservante, e seja mantida documentação para o caso de justificativas.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Das cavernas às células-tronco

Costuma-se dizer que os cabelos não tem nenhuma função fisiológica vital, isto é, pode-se viver normalmente sem eles. É claro que não estamos falando do aspecto emocional envolvido nessa questão!

Os cabelos são estruturas proteicas e, como todas as proteínas, compostas da junção de aminoácidos, vitaminas, sais minerais e cofatores. Toda vez que algum desses nutrientes falta no corpo de uma pessoa, ela pode ter um problema com os cabelos. Eles podem cair, podem não nascer ou podem ficar frágeis e quebradiços. Ás vezes, eles podem mudar de aspecto, de textura e até de forma (ficar mais lisos ou mais encaracolados), conforme sua fisiologia mudar.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a vitamina A não entra na composição dos cabelos. As vitaminas mais importantes para os cabelos são aquelas do grupo do complexo B. Portanto, alimentos que contenham essas vitaminas são sempre bem-vindos, como o leite e seus derivados e a maioria dos vegetais.

Com relação aos nutrientes derivados dos sais minerais, há o ferro, encontrado nas carnes vermelhas, no feijão e em alguns vegetais verde-escuros, como brócolis e couve. O ferro é considerado o metal mais importante da fisiologia do crescimento dos cabelos. Acredita-se, numa forma livre de explicação, que o ferro “abra as portas” do queratinócito formador do fio para outras substâncias. Assim, quando o ferro está baixo no organismo, não há resultado positivo com nenhum tratamento. O zinco, encontrado nos frutos do mar com casca, como ostras e mariscos, e o cobre, encontrado no chocolate amargo, completam o time dos metais.

É importante lembrar que esses nutrientes têm de estar em grande quantidade no nosso corpo (em um percentual maior que 50% para cada forma de avaliação), para que sejam usados nos cabelos.

Também se deve ressaltar que grandes deficiências desses nutrientes, como as que ocorrem em quadros de desnutrição grave, podem levar à fragilidade da haste e até à perda de cor nos cabelos (kwashiokor).

Um dado relevante é a informação, que parece não ser muito permeada, de que o ácido fólico tem de estar em concentração normal para que os cabelos cresçam naturalmente. Se ele estiver muito alto ou muito baixo, afetará a fisiologia normal dos fios.

É claro que ainda exitem todos os hormônios envolvidos nesse processo, mas falarei sobre isso em uma próxima edição.

As células-tronco do cabelo são as mais disponíveis no corpo humano. Para corroborarmos essa informação, basta que nos lembremos que temos aproximadamente 5 milhões de folículos pilosos espalhados pelo corpo e as células-tronco estão presentes em todas as unidades, localizadas na área do bulge, região onde se insere o músculo eretor do pelo. As células-tronco podem transformar-se em outras células, como as musculares, e até em células do sistema nervoso, os neurônios. Mas, infelizmente, elas ainda não se transformam em outros cabelos. Pode-se até cultivá-las, mas, ao voltarem para o couro cabeludo, elas não logram fazer um novo fio. O que se conjectura é que falta algo para que se consiga esse feito. Acredita-se que em 5 anos poderemos ter sucesso nessa empreitada.

Por ora, o que temos é uma inovação no processo de transplante dos fios, que pode ser feito com as células-tronco. Nesse procedimento, as células da área doadora (nuca) são tiradas cirurgicamente e com a ajuda de lupas e microscópios, e plantadas na área receptora, uma a uma. O resultado do transplante fica muito mais natural, sem aquele aspecto do passado, que lembrava “cabelo de boneca”.

Antonio Celso da Silva
Boas Práticas por Antonio Celso da Silva

Moldes para embalagens

Este texto tem o objetivo de mostrar as vantagens e desvantagens da aquisição de um molde, as facilidades e dificuldades, o melhor caminho e, acima de tudo, quando essa aquisição é necessária.

Primeiro, considero que nem todos sabem do que estou falando e, por isso, é necessário dizer que o molde é a ferramenta ou o equipamento por meio do qual se consegue fabricar uma peça de embalagem.
Por outro lado, para os especialistas em embalagens, principalmente as plásticas, os informes a seguir são parte do seu dia a dia, o “feijão com arroz” do seu trabalho.

Estou falando em embalagens plásticas que são, na verdade, o principal material usado para o acondicionamento de produtos cosméticos. Essas embalagens consistem em frascos, potes, tampas, bisnagas etc.

É importante reunir os moldes e os processos de fabricação das embalagens em duas categorias principais: sopro e injeção.

O molde no qual é realizado o processo de injeção serve para fabricar ou injetar peças rígidas, como tampas e estojos de maquiagem. É um molde relativamente caro, se comparado ao molde de sopro, e sua confecção é muito demorada.

Nesse processo, a máquina (injetora) mistura o componente plástico (polímero), é aquecida em determinada temperatura?), e na forma líquida injeta na cavidade ou nas cavidades do molde. Após passar por um processo de resfriamento, o material plástico endurece, tomando a forma da cavidade do molde. A injetora expele a peça, que vem acompanhada de excessos (galhos). Estes devem ser retirados e são, na maioria das vezes, reaproveitados, retornando ao início do processo como matéria-prima.

É importante salientar que, em função do preço, são fabricados poucos moldes exclusivos de injeção.
Essa pequena fabricação também se deve ao fato de que uma embalagem muitas vezes é composta por diversas peças e cada uma delas requer um molde de injeção, o que torna a compra de moldes ainda mais proibitiva.

Um exemplo disso é a embalagem de batom, composta de base, elevador, tampa, mecanismo etc. Cada uma dessas peças requer um molde. Por causa disso, não há tantas opções, principalmente de embalagens de maquiagem. O mercado acaba usando as embalagens standards disponíveis, alterando, nestas, apenas características como: cor, hot stamping, silk etc. Essa talvez seja a principal razão da invasão de embalagens asiáticas no Brasil.

O outro processo de fabricação de embalagens plásticas é realizado por meio do sopro. Nesse caso, a máquina também aquece o material em determinada temperatura. Esse material, na forma líquida, é direcionado, na forma de uma mangueira, para o molde. O molde então se movimenta, “abraça” essa mangueira, fecha-se e, em seguida, um bico de ar sopra o material plástico aquecido contra as paredes do molde. O resfriamento permite que a máquina faça a “expulsão” da peça já no seu formato definitivo.

É óbvio que esses processos de fabricação não são tão simples assim. Realizar controles – da temperatura de aquecimento e resfriamento, do peso da peça, da espessura de parede, do ponto de injeção, dos ciclos de processo, entre vários outros –, é fundamental para a qualidade final da peça produzida.

O molde de sopro é bem mais barato que o molde de injeção e é fabricado em menos tempo que este. Também é usado apenas um molde de sopro para fazer um frasco. Assim, os resultados são: pontos de venda e catálogos de empresas porta a porta apresentando uma infinidade de bonitos frascos de shampoos, loções, óleos de banho, desodorantes etc.

Diante desse quadro, o que se aconselha é evitar a fabricação de moldes de injeção, mas abusar de formatos exclusivos para moldes de sopro.

A vantagem em adquirir um molde exclusivo é ter uma embalagem com a cara que o cliente imaginar e que é diferente de outras apresentações do mercado.

É importante fazer o registro do desenho industrial da embalagem no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), evitando, assim, que outra embalagem exatamente igual seja feita. Digo exatamente igual porque, quando uma embalagem agrada, qualquer empresa pode praticamente copiá-la, desde que não a faça exatamente igual.

A desvantagem de molde próprio é a quantidade mínima de embalagens que o fabricante destas pede para colocar o molde em máquina.

O caminho mais curto para mandar fabricar um molde é através de fornecedores de embalagens, que indicam os fabricantes e oferecem a assessoria necessária, e, obviamente, têm a expectativa de que as embalagens serão compradas deles.

O que foi exposto aqui é apenas um apanhado superficial desse universo de moldes, embalagens, preços, prazos etc.

Se a empresa quiser mandar fabricar um molde próprio e tiver pouco conhecimento sobre o assunto, aconselho-a a ter sempre a assessoria de um consultor especializado.

Luis Antonio Paludetti
Manipulação Cosmética por Luis Antonio Paludetti

As farmácias magistrais e a economia criativa

Recentemente, chamou minha atenção um artigo do Diário do Comércio, sobre uma tal de economia criativa.

“O que será isso?”, perguntei-me. “Será que as farmácias com manipulação poderiam fazer parte da economia criativa?”

Se você tiver um pouquinho de paciência de continuar comigo ao longo desta coluna, certamente terá as respostas para essas perguntas.

Em 2001, o escritor inglês John Howkins definiu que a expressão economia criativa se refere às atividades nas quais indivíduos exercitam sua imaginação e exploram o valor econômico advindo dessa imaginação. A economia criativa também pode significar os processos que envolvem a criação, a produção e a distribuição de produtos e serviços, usando o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como recursos produtivos primordiais.

Embora não haja nenhuma limitação imposta diretamente por esse escritor, a economia criativa passou a ser identificada com empresas de capital imaterial, como softwares houses, agências de publicidade, escritórios de arquitetura, empresas de teatro, de moda, de cinema, de televisão, de música e de artes, e com atividades artesanais.

Mas, como tudo se transforma, esse conceito também evoluiu e não está mais restrito a esses tipos de empresa. As empresas da economia criativa atuam em áreas em que a qualidade e o valor do trabalho dependem principalmente do talento e da criatividade das pessoas envolvidas. As criações que desenvolvem são transformadas em produtos e serviços – seja por elas mesmas, seja por empresas da economia convencional.

Como as farmácias com manipulação poderiam enquadrar-se na florescente economia criativa? A resposta é simples e reside na palavra “artesanal”.

Talvez você não acredite, mas existem dezenas (talvez centenas) de farmácias com a denominação “artesanal”. Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o termo “artesanal” significa “o que é fabricado por artesão”, e a palavra “artesão”, “pessoa que fabrica manualmente determinadas peças ou produtos [...]”. Assim, pode-se afirmar que as farmácias magistrais preparam “artesanalmente” medicamentos para atender às necessidades terapêuticas individuais dos pacientes.

Pode parecer pouco, mas não é: diferentemente da indústria, as farmácias magistrais trabalham sob medida, identificando, com criatividade e talento, necessidades terapêuticas latentes que ainda não são atendidas por aquela, desenvolvendo e preparando medicamentos para suprir essas lacunas.

Pois bem, agora que já sabemos como a farmácia com manipulação pode enquadrar-se nessa nova economia, vou tentar lançar alguma luz sobre esse assunto para sabermos como tirar algum proveito disso. A maioria dos consultores desse tipo de negócio faz algumas recomendações fundamentais.
São elas:

1) Tenha uma finalidade clara: entenda as necessidades terapêuticas dos pacientes e dos prescritores e ofereça-lhes um serviço que tenha relevância. Não pense primeiro se você vai ou não lucrar de imediato. Na economia criativa, a farmácia tem de oferecer medicamentos ou serviços que facilitem, melhorem ou impactem positivamente na qualidade de vida das pessoas.

2) Execute suas ideias: o que diferencia a inovação da criatividade? A inovação sai do papel. Ser criativo é gerar ideias, ser inovador, é pegar essas ideias e transformá-las em produtos e serviços.
De nada adianta ter uma boa ideia se ela ficar só no papel. É preciso implementá-la. Para isso, as farmácias com manipulação podem contar com recursos próprios para auxiliar na execução ou na elaboração de produtos.

3) Divulgue suas ideias para seus prescritores e pacientes: uma vez que sua inovação for desenvolvida, será preciso divulgá-la para essas pessoas. O mais importante é criar um material de comunicação cuja linguagem esteja sintonizada com o público-alvo.

4) Avalie os resultados: meça o resultado de seu trabalho por meio de pesquisas de satisfação, que devem ser realizadas com seus clientes e prescritores. Mensurar as vendas pode ser um bom começo.

Inovar não é fácil, mas também não é difícil. Quando se fala em ideias, a criatividade pode gerar constantemente novos espaços de mercado. Na atual realidade hipercompetitiva da farmácia com manipulação no Brasil, a criatividade pode ser a chave para tirar seu negócio da competição predatória e do lugar comum da disputa por preço e qualidade.

A parte mais difícil é a mais importante: entender e antecipar as necessidades de clientes ou consumidores. Nesse ponto, empresas de consultoria ou publicidade (que também fazer parte da economia criativa), podem ajudar a implementar as amostras e o material científico necessários para a divulgação de suas ideias.

No século 20, os farmacêuticos brasileiros inovaram no preparo de medicamentos, por meio do resgate das farmácias magistrais, o que agora está sendo copiado por países como os Estados Unidos, o Canadá, a Espanha e a Austrália.

Agora chegou a hora de nós subirmos mais um degrau e levarmos as farmácias com manipulação brasileiras ao século 21, e isso passa, obrigatoriamente, pelo entendimento e pela aplicação da economia criativa.

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