Cosmticos com DNA

Edicao Atual - Cosmticos com DNA

Editorial

 

Viver mais e melhor

Continuamos contabilizando saldos positivos para o setor, mesmo ante as dificuldades impostas pelo cenário de desempenho econômico fraco e aumento nos níveis de inflação, que se configurou no ano passado. O setor cosmético segue mantendo o crescimento na casa dos dois dígitos, como atestam os dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Em 2012, houve crescimento de 15,62% (10,5%, descontando-se o IPCA) no mercado de produtos de higiene pessoal, perfumes e cosméticos.

No ano passado, o setor registrou faturamento de aproximadamente R$ 34 bilhões em valores ex-factory (sem impostos) – contra R$ 29,4 bilhões em 2011. O mercado cosmético vem crescendo na faixa dos 10% há 17 anos, apesar de problemas como o aumento do déficit na balança comercial do setor.

Assim como acontece no setor cosmético, o fator “expectativa de vida” está impulsionando a diversificação de vários segmentos de mercado. A expectativa de vida da população brasileira chegará a 80 anos em 2040 (segundo o IBGE) e queremos não apenas viver mais: queremos ter qualidade de vida. Ao arsenal de ferramentas existentes para assegurar essa premissa, somam-se as terapias genéticas. As informações contidas nos genomas podem ser utilizadas em ampla gama de tratamentos médicos, assim como na formulação de medicamentos e na elaboração de dietas personalizadas. A análise genética como aliada no combate aos sinais do envelhecimento da pele é o tema da matéria de capa desta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil. A reportagem aborda os tratamentos dermatológicos customizados, que oferecem cremes formulados com base na análise dos genes dos pacientes.

A seção “Persona” faz uma homenagem a Antonio Celso Sampaio, cujo nome transformou-se em sinônimo de competência e credibilidade no setor cosmético.

Os artigos técnicos trazem importantes informações sobre os aspectos sensoriais em cosméticos, um mecanismo para acabar com as pontas duplas dos cabelos, métodos rápidos para o controle microbiológico e um estudo sobre o efeito da depilação na hidratação da pele e na diminuição dos pelos. Na seção “Fundamentos da Cosmetologia” é apresentada uma revisão bibliográfica sobre a histologia e a fisiologia da pele.

Boa leitura!

 

Hamilton dos Santos
Publisher

 

 

 

 

 

Aspectos Sensoriais em Cosméticos - Luigi Rigano, PhD (Studio Rigano Industrial Consulting Laboratories, Milão, Itália)

Cada vez mais consumidores incorporam hábitos de acordo com suas avaliações sensoriais. Neste artigo, o autor mostra como os formuladores de cosméticos devem interpretar essas percepções dos consumidores.

Cada vez más consumidores incorporan hábitos de acuerdo con sus evaluaciones sensoriales. En este artículo el autor muestra cómo el formulador de cosméticos deben interpretar estas percepciones de los consumidores.

Increasingly, consumers incorporate habits according to their sensory evaluations. In this article, the author shows how the cosmetic formulators must understand these consumer perceptions.

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Encerrando o Ciclo das Pontas Abertas - Michael Wright, Margaret Szerszen - Alberto Culver Co. (Grupo Unilever N.V.), Roterdã, Holanda

O reparo de pontas abertas é uma necessidade significativa do consumidor no mercado de cuidados com o cabelo. Novas pesquisas mostram descobertas adicionais na formação de pontas abertas, composições contendo complexos de polieletrólitos usados para repará-las e técnicas microscópicas que são usadas para comunicar ao consumidor os benefícios descobertos.

La reparación de las puntas abiertas es una necesidad significativa del consumidor en el mercado de cuidado del cabello. Nuevas investigaciones muestran descubiertas adicionales en la formación de las puntas abiertas, composiciones que contienen complejos de polielectrólitos utilizados para reparar los cabellos y técnicas de microscopia que son usadas para comunicar al consumidor los beneficios descubiertos.

Split end maintenance is a significant consumer need in the hair care market. New research shows additional discovers in the formation of the split ends, composition containing polyelectrolytes complexes used to repair them and microscopy techniques to communicate the breakthrough benefit to the consumer.

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Métodos Rápidos para Análise Microbiológica - Gisele Takahashi Tomazella, Patrícia Santos Lopes, Vânia Rodrigues Leite e Silva (Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas, Universidade Federal de São Paulo Unifesp, Diadema SP, Brasil)

O controle microbiológico é essencial para que a indústria cosmética possa garantir a segurança de seus produtos. Este artigo tem por objetivo mostrar, por meio de uma pesquisa de caráter bibliográfico, os métodos rápidos de análise microbiológica que podem ser aplicados em produtos cosméticos.

El control microbiológico es esencial para la industria cosmética para garantizar la seguridad de sus productos. En este artículo se pretende mostrar, a través de una investigación bibliográfica, los métodos rápidos de análisis microbiológico que se puede aplicar a los productos cosméticos.

The microbiological control is essential for the cosmetic industry to ensure the safety of its products. This article aims to show, through a bibliographical research, the rapid methods of microbiological analysis that can be applied to cosmetic products.

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Efeito da Depilação na Hidratação da Pele e na Diminuição dos Pelos - Maria Eugenia Marum de Freitas, Catia Rita Contoli Isoldi, Flavia Lorena Palitó Melo, Lia Sasso de Medeiros, Janine Mailho Gimenis (Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo SP, Brasil)

Este artigo relata uma pesquisa para comparar a hidratação da pele e a diminuição do número de pelos após o uso de duas ceras depilatórias à base de mel, aplicadas pelo método roll on. Uma cera é comercial e comumente encontrada no mercado e a outra é à base de mel 100% natural e artesanal.

Este artículo presenta un estudio para comprar La hidratación de la piel y la disminución del número de pelos después del uso de dos ceras depilatorias a base de miel, aplicadas por método roll-on. Una cera es comercial encontrada comúnmente en el mercado y la otra artesanal, hecha de miel 100% natural.

This article reports a study to compare the hydration of the skin and the decrease of the number of hair after using two types of depilatory waxes honey-based, applied by roll-on method. One wax is commonly found on the market abd another is handmade, of 100% natural honey.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

O poder de uma marca

Qual a sua marca? Voc j deve ter escutado essa frase. Fora essa conotao popular, no mundo empresarial marca definida pela lei n 9.279 de 14/5/1996, conhecida como Lei da Propriedade Industrial, como todo sinal distintivo, visualmente perceptvel, que identifica e distingue produtos e servios, bem como certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou especificaes tcnicas.

Contemporaneamente, embora a distino continue sendo a base sobre a qual repousa a funo das marcas, esse carter distintivo passou a considerar no s os elementos grficos constitutivos das marcas, mas tambm o conjunto das impresses delas decorrentes, que atue individualizando, distinguindo ou certificando produtos e servios, conforme preconizam as Diretrizes de Anlises de Marcas, atualizadas em 2012 pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Dessa forma, a marca registrada garante ao seu proprietrio o direito de uso exclusivo desta no territrio nacional, em seu ramo de atividade econmica. Ao mesmo tempo, a percepo da marca pelo consumidor pode resultar em agregao de valor aos produtos ou servios.

A marca pode ser uma Marca de produto ou de servio (denominao usada para distinguir um produto ou servio de outros idnticos, semelhantes ou afins, de origem diversa), como o caso, por exemplo, das marcas Lux, Phebo e Sundown.

Tambm pode ser uma Marca coletiva (destinada a identificar e distinguir, no mercado, um produto ou servio proveniente de membros de uma pessoa jurdica representativa de uma coletividade, ou destinada a distinguir um produto ou servio de outros iguais, semelhantes ou afins e de procedncias diversas, com a finalidade distinta de identificar, para o consumidor, a origem proprietria daquele produto ou servio). Exemplos dessas marcas so: Natura, Unilever e Hypermarcas. A marca tambm pode ser uma Marca de certificao, utilizada para atestar a conformidade de um produto ou servio com determinadas normas, padres ou especificaes tcnicas, notadamente quanto qualidade, natureza, ao material utilizado e metodologia empregada, com a finalidade de indicar ao consumidor que o produto ou servio est de acordo com as normas ou os padres tcnicos especficos. Esse o caso, por exemplo, das marcas ISO 9000 de diversas certificadoras.

A marca pode apresentar-se na forma nominativa ou verbal, por meio de um sinal constitudo por uma ou mais palavras no sentido amplo do alfabeto romano, compreendendo tambm os neologismos e as combinaes de letras e/ou algarismos romanos e/ou arbicos, desde que esses elementos no se apresentem em uma forma fantasiosa ou figurativa. Existe tambm a apresentao da marca na forma figurativa ou emblemtica. Nesse caso, a marca apresentada por meio de um sinal constitudo de uma imagem (desenho, figura e/ou smbolo). A forma fantasiosa ou figurativa de uma letra ou de um algarismo apresentada isoladamente ou acompanhada por um desenho, uma imagem, uma figura ou um smbolo.

Nos casos em que a marca apresentada por meio de palavras compostas por letras de alfabetos distintos da lngua verncula, como hebraico, cirlico ou rabe, juntamente com ideogramas, por exemplo, japoneses ou chineses, a proteo legal recai sobre a representao grfica das letras e do ideograma em si, e no sobre a palavra ou a expresso que eles representam. Nesse caso, ressalvada a hiptese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representar, desde que este seja compreensvel por uma parcela significativa do pblico consumidor, a marca ser interpretada como Marca mista ou composta. (Nesse caso, o sinal constitudo pela combinao de elementos nominativos e figurativos ou mesmo apenas por elementos nominativos cuja grafia se apresente em uma forma fantasiosa ou estilizada.

Por ltimo, a marca pode ser apresentada como uma Marca tridimensional, quando o sinal for constitudo pela forma plstica distintiva do produto ou do seu acondicionamento ou da sua embalagem. Nesse caso, para poder ser registrada, a forma tridimensional distintiva de produto ou servio dever estar dissociada de seu efeito tcnico.

O assunto marcas e patentes exige a orientao de especialistas no setor, pois a normativa complexa, uma vez que as variveis de classificao das marcas e de verificao se estas colidem tambm so complexas.

No entanto, todo cuidado com uma marca bem posicionada um esforo vlido, pois na marca que o consumidor pensa primeiro, no momento de satisfazer uma necessidade.

John Jimenez
Tendncias por John Jimenez

Cosmetinsights

As estatsticas indicam que 94% dos processos de inovao fracassam e a cada dez campanhas publicitrias que so realizadas somente quatro cumprem as expectativas dos clientes. Essa no uma realidade distante para algumas empresas cosmticas. Ento, qual o segredo do sucesso? Para responder a essa pergunta, vamos nos inspirar em algumas das frases mais clebres de algumas personalidades.

A estilista Coco Chanel disse: Para ser insubstituvel, devemos procurar sempre ser diferentes.

Steve Jobs, um dos fundadores da Apple, disse: As pessoas no sabem o que querem at mostrarmos a elas.

Jrgen Klaric, famoso especialista em neuromarketing, descobriu que: Se alguma coisa caracteriza o consumidor de hoje sua capacidade de se tornar vrios e diferentes consumidores em um s ano.

A verdade que nunca havamos tido um consumidor mais inteligente e complexo do que o atual e, para enfrentar esse desafio, a indstria conta com duas ferramentas poderosas em tendncia: reposicionamento e insights.

Em 1969, Jack Trout e Al Ries criaram o termo posicionamento e escreveram um livro clssico de marketing sobre esse tema que se entende como a percepo mental que um cliente tem sobre a marca. Quarenta anos depois, Trout criou a teoria de reposicionamento, na qual apresenta elementos para competir em um ambiente oscilante, de crise e de hiperconcorrncia. Algumas das propostas mais relevantes que as marcas devem considerar so: a) o poder da simplicidade; b) vencer a concorrncia por meio da diferenciao; c) possibilidade de reposicionar commodities; d) buscar debilidades prprias para torn-las fortalezas; e) reposicionar um competidor em seu prprio contexto; e f) um novo valor a chave para ganhar; entre outras.

Outra oportunidade ter novos insights. Estes se referem compreenso dos aspectos ocultos no jeito de pensar, sentir e agir dos consumidores, gerando rotas de inovao e a criao de novos produtos que cheguem ao corao das pessoas.

Onde esto os insights? Na rua, na web, nos livros, nas festas, no cinema, no trabalho, em casa e em qualquer outro lugar, j que fazem parte de nosso cotidiano e saber encontr-los supe o mergulho em novos oceanos azuis.

O que veremos no mercado? Quando as empresas misturam atividades de reposicionamento com novos insights podem criar tendncias como as seguintes, planejadas para este ano por empresas especializadas e nas quais, sem dvida, as marcas cosmticas podem encontrar inspirao:

Cosmic couture: desenho inspirado em temas galcticos e no amor pela fico cientfica que se materializar em novos conceitos cosmticos e em roupas e acessrios.

Dystopia fascination: atrao pela imitao do mundo do futuro.

Luxurious baby perfumes: fragrncias livres de lcool e que oferecem incomparvel cheiro, mesmo quando o beb tiver de ser trocado.

Manufactured addiction: desenvolvimento de emoes no momento de fazer a compra on-line, com estratgias de tempo limitado, compra contra o relgio e recompensas.

Cosmetweens: o poder do segmento tween que atualmente desfruta de mais poder aquisitivo e influncia sobre as compras feitas por seus pais.

Wearable multitasking: a era dos i-watches ou relgios inteligentes, com conexo internet, nuvem etc. Esses acessrios podero ter aplicaes cosmticas.

Fashionising: personalizao de produtos populares para atrair consumidores centrados na moda e na beleza.

Micro innovation: pensar no pequeno a nova vantagem competitiva. uma macrotendncia, em particular para as indstrias com produtos que apresentem risco de se converter em commodities. Interessante para cosmtica do mercado de massa.

Shoppertainment: desenvolvimento de experincias emocionantes no varejo, no momento da compra, como exposies, festas na loja, noite de filmes, manicure gratuita e degustao de bebidas e coquetis.

ber luxury: o novo hiperluxo. A mxima expresso do luxo, s para poucos. H produtos cosmticos que chegam a ter preos antes impensveis.

Wellness gaming: melhorar a sade, a aparncia e facilitar os tratamentos cosmticos por meio dos jogos.

Cosmetinsights = repositioning + insights. Essa uma ferramenta para encontrar oportunidades de mercado mais originais, divertidas, arriscadas e rentveis.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Pibo? Deste jeito no vai dar

Em geral, a atividade industrial regulada pelo consumo e/ou por suas perspectivas de crescimento.

Em nosso setor, neste momento, vivemos algo inusitado, na contramo de suas perspectivas. Por causa da retrao de consumo causada pela crise europeia, dos esforos internos para a retomada da economia norte-americana e do potencial existente para a evoluo tecnolgica do setor, em algumas categorias de produtos, fabricantes locais tm buscado otimizar seus processos. Para isso, eles esto incorporando aos produtos inovaes que permitam atender s expectativas dos consumidores.

Essa adequao, na maioria das vezes, envolve remodelaes prediais, novas construes, importao de equipamentos e montagem das novas instalaes de que os fabricantes precisam para seu start, ou seja, para que sua unidade industrial seja aprovada pelos rgos sanitrios. Atualmente, o perodo de espera do fabricante at a aprovao pelo rgo federal de no mnimo seis meses. So necessrios mais seis meses para o fabricante realizar os demais procedimentos prvios requeridos pelos rgos municipais e/ou estaduais. Dessa forma, para que sua unidade industrial seja aprovada, o fabricante precisa esperar, no mnimo, 12 meses. Pelo menos, durante a metade desse perodo (seis meses), a unidade industrial dever estar pronta, para receber a inspeo sanitria local. Depois, caso a unidade seja aprovada, o processo ser encaminhado Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa), para a concesso da autorizao de funcionamento.

Somente aps esse perodo, aps a Anvisa expedir a autorizao de funcionamento, o fabricante poder requerer o registro de produtos que pretende produzir na nova unidade.

Associado s incertezas econmicas do momento e acrescidas de pendncias do passado, mais de 3.100 processos em anlise, dentre esses, novos registros e alteraes, esto aguardam aprovao na Anvisa. A Anvisa, no que se refere rea de HPPC, retornou ao histrico de lentido nos seus procedimentos, o que pensvamos pertencer a um passado distante e ter sido superado. Agora colapsou de vez, em um momento no qual temos a oportunidade de crescer, de reduzir importaes e de nos livramos do velho custo Brasil que carregamos h muito tempo.

Em recente palestra no Grupo de Lderes Empresariais (Lide), publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em 26 de maro, o Ministro da Sade Alexandre Padilha comentou que a Anvisa vai reduzir o tempo de anlise para o registro de medicamentos, que cair de 2 anos para 6 meses, como faz a Food and Drug Administration (FDA), agncia de medicamentos, alimentos e cosmticos dos Estados Unidos. Como tambm se mostrou indignado porque, no Brasil, a demora para aprovar um medicamento, a mesma para se aprovar um produto cosmtico.

Nosso ministro talvez no saiba que a FDA no registra 99% dos cosmticos existentes no mercado dos Estados Unidos. E talvez ele tambm desconhea que, na Europa, esses tipos de produto no sofrem prvia aprovao antes de ser colocados no mercado, devido s suas caractersticas, que, por definio e prtica, os tornam seguros e adequados ao uso.

Por causa desse cenrio e dessa performance da agncia regulatria, as estratgias e a previso de lanamentos pelas empresas so comprometidas por razes que no se devem ao processo produtivo. Investimentos, aquisies de materiais, logstica e produtos, j pagos, ficam em depsitos ou nas unidades industriais dos fornecedores, espera de sua liberao para que a produo seja iniciada, da mesma forma que as campanhas publicitrias ficam espera de ser veiculadas.

Hoje, se inovarem com produtos diferenciados, as empresas tero, em contrapartida, o comprometimento de seus resultados.

No momento, tendo em vista que a previso de melhora operacional do processo de aprovao na Anvisa somente acontecer de fato no prximo ano, resta-nos, em 2013, pensar s em produtos notificveis. As empresas que no tm esses itens vo conviver mais um ano com seus velhos produtos, que esto defasados e perdendo mercado. Contudo, elas no se comprometero em nveis preocupantes, em relao a um futuro prximo.

Atuamos e atuaremos sempre em um mercado dinmico, o de HPPC que, devido s suas caractersticas, tem um calendrio de lanamentos com datas fixas e sazonalidades. Nosso calendrio tem datas relacionadas s estaes do ano e datas associadas moda pr-definida, e ambas no so sujeitas pr-aprovao da Anvisa, simplesmente elas acontecem e passam.

No adianta termos alcanado um alto ndice de regulamentao tcnica juntamente com nossos parceiros do Mercosul e em relao aos demais pases latino-americanos. Eles conseguem operacionalizar na sua dimenso de mercado, mas ns no!

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Guia para Avaliao de Segurana de Produtos Cosmticos

Em dezembro de 2012, a Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa) publicou a 2 edio do Guia de Avaliao de Segurana de Produtos Cosmticos uma publicao de leitura obrigatria para todo o pessoal tcnico. Farei algumas consideraes sobre o guia sem, no entanto, ter a pretenso de esgotar o assunto.

Essa edio do guia certamente melhor que a anterior e traz novidades, como a acertada incluso da cosmetovigilncia no mbito do estudo de segurana. Esta, de agora em diante, dever ser tratada com mais critrio por empresas e pela fiscalizao. Mas existem outros pontos interessantes a serem abordados no guia. Na pgina 10, o guia ressalta a responsabilidade que fabricantes e importadores tm de garantir que todos os produtos comercializados so seguros para os consumidores, nas condies normais ou razoavelmente previsveis de uso. Por si s, essa colocao altamente impactante porque muita gente acredita que somente produtos de grau 2 devem ter a segurana avaliada, o que inaceitvel no Brasil, que o terceiro (e quase o segundo) mercado do planeta. Logo em seguida, o guia refora a considerao de que a ausncia de risco no existe e, dadas as dificuldades para estabelecer conceitos relativos a uma condio razoavelmente previsvel de uso, o responsvel por um produto cosmtico deve empregar recursos tcnicos e cientficos suficientemente capazes de reduzir possveis danos aos usurios. Em outras palavras: todo produto, seja de grau 1, seja de grau 2, tem potencial de risco que deve ser estudado e bem conhecido pelo responsvel por sua colocao no mercado. E essa no uma tarefa fcil.

Avanando, na pgina 12 est registrado que a maioria das informaes necessrias na avaliao do risco potencial de um produto cosmtico resulta do conhecimento dos ingredientes que compem sua frmula. Essa afirmao refora a necessidade de fazer um consistente cadastro tcnico de matrias-primas, da maneira que este exigido para a montagem do dossi, pela RDC n 211/2005. E o dossi deve ser montado na hora certa (muitos o montam depois de o desenvolvimento ter sido finalizado). Uma amostra s deve ser liberada para ser utilizada em novas formulaes se tiver sido feito seu cadastro tcnico completo. necessrio tambm usar recursos adequados para manter esses dados arquivados de forma segura e acessvel.

A avaliao de segurana baseada na semelhana de produtos tambm tratada no guia de maneira mais detalhada. Contudo, os trechos a seguir, presentes no guia, configuram certa divergncia porque a avaliao de segurana de uma formulao com base nos resultados obtidos no estudo de um pool utiliza o princpio da semelhana. So eles:

A elaborao de um dossi de segurana baseada no princpio de semelhana um exerccio particularmente complexo, uma vez que alteraes qualitativas ou quantitativas de qualquer um dos ingredientes podem modificar as caractersticas da nova frmula (pgina 42).

A avaliao em pool tem sido utilizada como um recurso que permite analisar a semelhana entre amostras formadas a partir da mistura equitativa de produtos de mesmo grupo, com uma base de igual composio qualitativa e variao nos pigmentos e corantes. Esse recurso pode ser utilizado para as seguintes categorias de produto: maquiagens, esmaltes, tinturas capilares (pgina 46).

Para resolver a questo da segurana, os seguintes pontos devem ser observados:

A no realizao do estudo de segurana para todos os produtos representa grande risco econmico porque, alm das penalidades regulatrias, podem ocorrer outros tipos de penalidade.

Um teste nico no configura um estudo de segurana.

Um estudo de segurana deve abranger a avaliao criteriosa de cada ingrediente e de sua concentrao, do processo de fabricao e da especificao do produto (que podem alterar o comportamento de algum ingrediente e tornar o produto mais agressivo).

Devem ser realizados testes rotineiros nos laboratrios da empresa, alm de testes em institutos especializados, quando for o caso.

A cosmetovigilncia deve estar bem implantada.
Os tcnicos precisam perder o receio de desenvolver mtodos que possam colaborar para a avaliao de segurana. Um teste simples para avaliar a perda de resistncia trao, realizado por meio do uso de relaxante ou colorao aplicado em fios de cabelo, um exemplo. Para que tenha valor, basta ter critrio cientfico e avaliar os resultados em um contexto mais amplo.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Distrbios psicolgicos x alteraes da pele

Existem muitos distrbios psicolgicos que esto associados a alteraes da pele. Levantamentos feitos por vrios centros dermatolgicos dos Estados Unidos, na dcada passada, mostraram estatsticas variveis que indicavam que, entre as pessoas que procuravam os servios de dermatologia, de 40% a 70% tinham tambm algum tipo de distrbio psicolgico.

H algumas alteraes especficas, um pouco mais determinadas e que so consideradas mais graves. Uma delas chamada, no jargo dermatolgico, de iluso de parasitose. Nesse caso, a pessoa acha que existe um bichinho caminhando em sua pele. Ao procurar o dermatologista, ela afirma, por meio de um depoimento rico em detalhes, que o bichinho est caminhando em sua pele, e mostra os locais por onde ele j passou. Geralmente, ela apresenta algum tipo de leso nesses locais. Muitas vezes, a pessoa traz na consulta at um vidrinho com restos de sua pele, dizendo que neles est o agente que a est perturbando. Esse um quadro considerado grave, uma vez que est associado a uma psicose, e o dermatologista, apesar das evidncias, muitas vezes encontra muita dificuldade para concluir o diagnstico. Outro tipo de problema que pode surgir na rea dermatolgica o distrbio obsessivo compulsivo. A pessoa tem a obsesso de fazer determinada ao e sente a compulso (falta de controle) de faz-la. Pode-se citar como exemplo desse distrbio o ato de roer as unhas. Esse quadro que a pessoa no consegue controlar. Ela no percebe o que est fazendo e, quando se d conta, est roendo as unhas compulsivamente.

Outro exemplo de distrbio obsessivo compulsivo, considerado mais grave, quando a pessoa arranca os cabelos da cabea ou os pelos da sobrancelha e, em alguns casos, arranca at os clios. Trata-se de um quadro difcil, pois, nesse caso, o dermatologista tem de analisar muito bem o aspecto clnico para poder ou no excluir todas as possibilidades de estar ocorrendo um problema dermatolgico real.
Nesse caso, aps realizar um exame clnico detalhado, o mdico constatar que existem reas sem cabelo na cabea do paciente, mas tambm h regies com aspecto normal e reas com alguns fios de cabelo quebrados ou com fios de vrios tamanhos. Isso porque alguns fios tero sido arrancados inteiros, outros, quebrados, e alguns estaro crescendo, e no existe outro tipo de alterao no couro cabeludo, como escamao. A nica alterao percebida ser a diferena de tamanho dos fios.

Geralmente, difcil explicar para a pessoa que ela quem est causando o problema. Quanto menos conscincia disto a pessoa tiver, mais grave ser o seu caso, pois, embora ela esteja fazendo mal a si mesma, no admite esse fato. Esse quadro pode tambm ocorrer em crianas pequenas que engolem cabelos. H geralmente associao desse quadro com um ambiente familiar tenso, que torne a criana confusa e ansiosa.

Ainda h outro quadro que faz parte do distrbio obsessivo compulsivo: quando a pessoa se machuca, cutucando-se constantemente. Geralmente, a pessoa que se machuca dessa forma tem tendncia a ter bolinhas na pele do brao ou pelos encravados na perna. Isso porque ela pega aquela mnima leso como ponto de partida e comea a machucar-se e, de tanto cutucar-se, provoca a formao de feridas. Nesse caso, a paciente (trata-se de um distrbio mais comum em mulheres) apresenta vrios tipos de leso ao mesmo tempo algumas em forma de manchas, outras, de feridas , quase todas causadas pela manipulao da pele.

Para o dermatologista, ntida a diferena entre uma leso que a pessoa tenha provocado e outros tipos de leso, porque no primeiro caso ocorrem cicatrizes profundas, verdadeiras depresses, principalmente se a leso tiver sido causada na perna. No caso da leso provocada, o tratamento dermatolgico mais difcil, complicado e em alguns casos nem existe porque a cicatriz um processo definitivo da pele, a maneira como esta se recompe.

Dependendo do estado da paciente, o dermatologista a encaminha ao psiquiatra que, algumas vezes, indica-lhe, alm de um tratamento base de medicamentos, uma terapia. Portanto, em se tratando de distrbio obsessivo compulsivo, o medicamento via oral, antidepressivo, muito importante e eficaz, porque vai agir na raiz do problema, de fundo psquico.

Concluindo, a abordagem desse tema relevante porque tem-se observado aumento no nmero de casos de distrbios obsessivos compulsivos, que chegam aos consultrios dermatolgicos e aos ambulatrios de servios pblicos. Trata-se de um quadro difcil porque autodestrutivo. E, como o primeiro pedido de socorro do paciente feito ao dermatologista, importante que ns, profissionais da rea, tenhamos conscincia da grande responsabilidade que temos. Essa responsabilidade consiste em conseguirmos que o paciente adquira confiana em ns, para que o tratamento seja feito de maneira completa e tenha o sucesso esperado.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Crescimento das embalagens importadas com estoque local

H muito tempo, venho falando das dificuldades que as empresas de cosmticos vm enfrentando para encontrar boas embalagens para produtos de maquiagem no mercado nacional. Quantos projetos deixaram de caminhar porque no foi encontrada a embalagem que tivesse a cara dos bons produtos que foram desenvolvidos? Quantas horas foram perdidas na avaliao dos fornecedores locais pelas empresas e essas no encontravam o que procuravam?

Todo mundo sabe a resposta para essas questes, porm a China no logo ali.

Foi-se o tempo em que se torcia o nariz quando algum dizia que a embalagem era chinesa. Tanto l como aqui, existem os fornecedores bons e os pssimos, os srios e os trambiqueiros, os comprometidos e os descompromissados.

O que aconteceu, no entanto, foi que descobrimos, na China, fornecedores aos quais s podemos atribuir os adjetivos positivos citados acima) e, assim, o mercado brasileiro est comeando a falar mandarim nas embalagens para produtos de maquiagem.

Alguns empresrios ou candidatos a empresrio logo perceberam essa oportunidade e trataram de buscar na China o que o mercado cosmtico tanto precisava. Outros, por impossibilidade financeira e/ou por conhecerem bem esse mercado, procuraram quem j tinha experincia e conhecimento sobre empresas chinesas e uniram foras a essas empresas.

De uma maneira ou de outra, o resultado disso foi a paulatina disponibilidade de boas embalagens chinesas no mercado brasileiro, a pequenas empresas.

Hoje, j possvel receber a visita dos importadores dessas embalagens chinesas e maravilhar-se com a disponibilidade e a beleza destas. E o que melhor: so embalagens que tm bons preos, qualidade confivel e sua entrega rpida. Essas empresas importadoras, alm de se responsabilizar pela importao das embalagens, responsabilizam-se pela qualidade destas, recebendo-as de volta se apresentarem algum desvio de qualidade.

Algumas empresas trazem as embalagens da China j com a decorao anteriormente solicitada pelo cliente. Outras vo alm: elas tm parcerias com empresas de decorao brasileiras que fazem a decorao aps receberem as embalagens.

Decoradas l ou aqui, as embalagens chinesas realmente destacam-se das nacionais.
Para que isso seja comprovado, vejam as linhas de maquiagem de empresas que esto nascendo agora ou os lanamentos e as novas embalagens de tradicionais empresas do mercado. Elas so diferentes e bonitas, fazendo frente s marcas importadas, que tem preos proibitivos para o bolso da nossa sofrida classe mdia.

Digo isso, lembrando-os que no ficamos nada a dever a nenhum outro pas quando falamos dos produtos, o que, antes, no se podia dizer das embalagens.

Mas quem so essas empresas importadoras?
Na verdade, elas no so fbricas que passaram pelas dificuldades relativas regularizao dos rgos governamentais brasileiros, nem grandes galpes com as superinjetoras, a ferramentaria e equipes de profissionais especializados. Essas empresas so fruto da coragem, da iniciativa e da viso de mercado de algumas ainda poucas pessoas. Com um galpo, um parceiro confivel para tratar da importao e, o mais importante, conhecimento sobre as boas empresas chinesas, essas pessoas foram luta. bvio que no posso deixar de colocar que nada disso seria possvel sem uma boa quantia financeira para bancar a primeira importao e fazer o estoque local. Alm de ser necessrio que essas empresas tenham conhecimento sobre as empresas chinesas, elas tambm tm uma difcil misso: selar uma parceria que garanta a entrega com a qualidade assegurada das embalagens. Isso no fcil, pois a desconfiana dos chineses em relao aos empresrios brasileiros ainda grande. Tenho ouvido isso de empresrios que importam da China.

O lado negativo de tudo isso chama-se exclusividade. As empresas que importam disponibilizam os produtos que tm em estoque para quem chega primeiro e no se comprometem em vender determinado modelo com exclusividade para um s cliente. Elas somente fazem isso se a quantidade dos produtos for grande e, assim, justifique uma importao exclusiva o que no uma caracterstica dessas empresas.

Por causa disso h a necessidade de diversificar na decorao e caprichar no cartucho para que a embalagem, mesmo sendo a mesma do concorrente, acaba passando despercebida pela consumidora.

Ainda so poucas as empresas que fazem importao e disponibilizam em estoques locais. Contudo, seu sucesso comea a chamar a ateno de outros empresrios. Assim vamos ter, muito em breve, uma grande oferta de boas embalagens de produtos para maquiagem.

O lado negativo de tudo isso que, mais uma vez, a empresa nacional fabricante de embalagem est perdendo. E, mais uma vez, essa perda se deve a esta no investir nem acreditar no potencial do mercado.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

Tnel do tempo

Para quem era criana na dcada de 1970, a televiso era uma diverso equivalente aos videogames para a crianada de hoje. Como muitas crianas da poca, eu dedicava uma parte do meu tempo a estudar, outra a brincar na rua com bolinhas de gude, carrinhos de rolim e, claro, assistir TV.

Uma das minhas sries preferidas na poca era Tnel do tempo. Na srie, dois cientistas (Doug e Tony) acidentalmente entraram em uma mquina do tempo da qual no conseguiam sair. Por meio dela, eles viajavam pelo tempo na esperana de retornar sua poca de origem. Mas, por que estou me lembrando de tudo isso? Porque s vezes eu me sinto como se estivesse numa espcie de tnel do tempo.

Recentemente, eu estava acompanhando uma sequncia de bate-papo numa rede social em que se comentavam as vantagens da manipulao de cosmticos na farmcia com manipulao.

No fluxo da conversa, vrios comentrios e colocaes diziam que os cosmticos manipulados em farmcia poderiam oferecer diferenciais impossveis de os cosmticos industrializados tambm proporcionarem. Por exemplo, os cosmticos manipulados em farmcia poderiam ser preparados com concentraes maiores de ativos e com veculos mais adequados pele do paciente, e ter preos muito inferiores aos dos cosmticos industrializados equivalentes a eles.

Foi nesse momento que eu entrei no tnel do tempo e retornei a meados dos anos 1990.
Naquela poca, as farmcias magistrais utilizavam uma estratgia muito semelhante para a comercializao dos medicamentos: procuravam estabelecer uma concorrncia baseada em preo.

Essa estratgia era bem simples: como o acesso da populao a medicamentos era bem mais difcil do que atualmente e a renda desta era menor, as farmcias magistrais conseguiam oferecer alternativas mais baratas aos medicamentos industrializados, principalmente no caso dos medicamentos de alto custo e dos recm-lanados.

Durante certo tempo, essa estratgia funcionou muito bem, at que, em dado momento, os medicamentos genricos foram adotados no Brasil.

Esse fato, por mais estranho que parea - pois deveria afetar as drogarias -, acabou atingindo tambm as farmcias com manipulao porque derrubou a vantagem competitiva destas em relao quelas, baseada em preo. Ou seja, para manter a vantagem baseada em preo, as farmcias com manipulao s poderiam optar por reduzir ainda mais seus preos e, consequentemente, suas margens de lucro, uma estratgia que se revelaria devastadora para o faturamento dessas empresas.

S agora, passados mais de dez anos, que as farmcias com manipulao esto comeando - ainda que tardiamente - a procurar diferenciar-se por meio de exclusividades que atendam s necessidades especficas dos pacientes, e no apenas por intermdio do preo.

Uma das atitudes mais importantes para nossa evoluo espiritual, pessoal e empresarial aprender com os erros do passado. Se a estratgia de diferenciar o medicamento manipulado por meio do preo revelou-se, no mnimo, pouco eficaz (para no dizer prejudicial), por que deveramos adotar novamente essa estratgia para os cosmticos manipulados?

Acredito que explorar os diferenciais de individualizao, as associaes de ativos no disponveis na indstria e a adequao do produto s necessidades do paciente sejam estratgias muito mais perenes e eficazes que se basear em preo.

Caso contrrio, como os protagonistas de Tnel do tempo, corremos o risco de ficar aprisionados a um passado que no desejamos e do qual no poderemos mais sair.


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