19 de Outubro de 2018

Cosméticos com DNA

Edicao Atual - Cosméticos com DNA

Editorial

 

Viver mais e melhor

Continuamos contabilizando saldos positivos para o setor, mesmo ante as dificuldades impostas pelo cenário de desempenho econômico fraco e aumento nos níveis de inflação, que se configurou no ano passado. O setor cosmético segue mantendo o crescimento na casa dos dois dígitos, como atestam os dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Em 2012, houve crescimento de 15,62% (10,5%, descontando-se o IPCA) no mercado de produtos de higiene pessoal, perfumes e cosméticos.

No ano passado, o setor registrou faturamento de aproximadamente R$ 34 bilhões em valores ex-factory (sem impostos) – contra R$ 29,4 bilhões em 2011. O mercado cosmético vem crescendo na faixa dos 10% há 17 anos, apesar de problemas como o aumento do déficit na balança comercial do setor.

Assim como acontece no setor cosmético, o fator “expectativa de vida” está impulsionando a diversificação de vários segmentos de mercado. A expectativa de vida da população brasileira chegará a 80 anos em 2040 (segundo o IBGE) e queremos não apenas viver mais: queremos ter qualidade de vida. Ao arsenal de ferramentas existentes para assegurar essa premissa, somam-se as terapias genéticas. As informações contidas nos genomas podem ser utilizadas em ampla gama de tratamentos médicos, assim como na formulação de medicamentos e na elaboração de dietas personalizadas. A análise genética como aliada no combate aos sinais do envelhecimento da pele é o tema da matéria de capa desta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil. A reportagem aborda os tratamentos dermatológicos customizados, que oferecem cremes formulados com base na análise dos genes dos pacientes.

A seção “Persona” faz uma homenagem a Antonio Celso Sampaio, cujo nome transformou-se em sinônimo de competência e credibilidade no setor cosmético.

Os artigos técnicos trazem importantes informações sobre os aspectos sensoriais em cosméticos, um mecanismo para acabar com as pontas duplas dos cabelos, métodos rápidos para o controle microbiológico e um estudo sobre o efeito da depilação na hidratação da pele e na diminuição dos pelos. Na seção “Fundamentos da Cosmetologia” é apresentada uma revisão bibliográfica sobre a histologia e a fisiologia da pele.

Boa leitura!

 

Hamilton dos Santos
Publisher

 

 

 

 

 

Aspectos Sensoriais em Cosméticos - Luigi Rigano, PhD (Studio Rigano Industrial Consulting Laboratories, Milão, Itália)

Cada vez mais consumidores incorporam hábitos de acordo com suas avaliações sensoriais. Neste artigo, o autor mostra como os formuladores de cosméticos devem interpretar essas percepções dos consumidores.

Cada vez más consumidores incorporan hábitos de acuerdo con sus evaluaciones sensoriales. En este artículo el autor muestra cómo el formulador de cosméticos deben interpretar estas percepciones de los consumidores.

Increasingly, consumers incorporate habits according to their sensory evaluations. In this article, the author shows how the cosmetic formulators must understand these consumer perceptions.

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Encerrando o Ciclo das Pontas Abertas - Michael Wright, Margaret Szerszen - Alberto Culver Co. (Grupo Unilever N.V.), Roterdã, Holanda

O reparo de pontas abertas é uma necessidade significativa do consumidor no mercado de cuidados com o cabelo. Novas pesquisas mostram descobertas adicionais na formação de pontas abertas, composições contendo complexos de polieletrólitos usados para repará-las e técnicas microscópicas que são usadas para comunicar ao consumidor os benefícios descobertos.

La reparación de las puntas abiertas es una necesidad significativa del consumidor en el mercado de cuidado del cabello. Nuevas investigaciones muestran descubiertas adicionales en la formación de las puntas abiertas, composiciones que contienen complejos de polielectrólitos utilizados para reparar los cabellos y técnicas de microscopia que son usadas para comunicar al consumidor los beneficios descubiertos.

Split end maintenance is a significant consumer need in the hair care market. New research shows additional discovers in the formation of the split ends, composition containing polyelectrolytes complexes used to repair them and microscopy techniques to communicate the breakthrough benefit to the consumer.

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Métodos Rápidos para Análise Microbiológica - Gisele Takahashi Tomazella, Patrícia Santos Lopes, Vânia Rodrigues Leite e Silva (Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas, Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, Diadema SP, Brasil)

O controle microbiológico é essencial para que a indústria cosmética possa garantir a segurança de seus produtos. Este artigo tem por objetivo mostrar, por meio de uma pesquisa de caráter bibliográfico, os métodos rápidos de análise microbiológica que podem ser aplicados em produtos cosméticos.

El control microbiológico es esencial para la industria cosmética para garantizar la seguridad de sus productos. En este artículo se pretende mostrar, a través de una investigación bibliográfica, los métodos rápidos de análisis microbiológico que se puede aplicar a los productos cosméticos.

The microbiological control is essential for the cosmetic industry to ensure the safety of its products. This article aims to show, through a bibliographical research, the rapid methods of microbiological analysis that can be applied to cosmetic products.

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Efeito da Depilação na Hidratação da Pele e na Diminuição dos Pelos - Maria Eugenia Marum de Freitas, Catia Rita Contoli Isoldi, Flavia Lorena Palitó Melo, Lia Sasso de Medeiros, Janine Mailho Gimenis (Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo SP, Brasil)

Este artigo relata uma pesquisa para comparar a hidratação da pele e a diminuição do número de pelos após o uso de duas ceras depilatórias à base de mel, aplicadas pelo método roll on. Uma cera é comercial e comumente encontrada no mercado e a outra é à base de mel 100% natural e artesanal.

Este artículo presenta un estudio para comprar La hidratación de la piel y la disminución del número de pelos después del uso de dos ceras depilatorias a base de miel, aplicadas por método roll-on. Una cera es comercial encontrada comúnmente en el mercado y la otra artesanal, hecha de miel 100% natural.

This article reports a study to compare the hydration of the skin and the decrease of the number of hair after using two types of depilatory waxes honey-based, applied by roll-on method. One wax is commonly found on the market abd another is handmade, of 100% natural honey.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

O poder de uma marca

Qual é a sua “marca”? Você já deve ter escutado essa frase. Fora essa conotação popular, no mundo empresarial “marca” é definida pela lei nº 9.279 de 14/5/1996, conhecida como Lei da Propriedade Industrial, como “todo sinal distintivo, visualmente perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços, bem como certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou especificações técnicas”.

Contemporaneamente, embora a distinção continue sendo a base sobre a qual repousa a função das marcas, esse caráter distintivo passou a considerar não só os elementos gráficos constitutivos das marcas, mas também o conjunto das impressões delas decorrentes, que atue individualizando, distinguindo ou certificando produtos e serviços, conforme preconizam as Diretrizes de Análises de Marcas, atualizadas em 2012 pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Dessa forma, a marca registrada garante ao seu proprietário o direito de uso exclusivo desta no território nacional, em seu ramo de atividade econômica. Ao mesmo tempo, a percepção da marca pelo consumidor pode resultar em agregação de valor aos produtos ou serviços.

A marca pode ser uma “Marca de produto ou de serviço” (denominação usada para distinguir um produto ou serviço de outros idênticos, semelhantes ou afins, de origem diversa), como é o caso, por exemplo, das marcas Lux, Phebo e Sundown.

Também pode ser uma “Marca coletiva” (destinada a identificar e distinguir, no mercado, um produto ou serviço proveniente de membros de uma pessoa jurídica representativa de uma coletividade, ou destinada a distinguir um produto ou serviço de outros iguais, semelhantes ou afins e de procedências diversas, com a finalidade distinta de identificar, para o consumidor, a origem proprietária daquele produto ou serviço). Exemplos dessas marcas são: Natura, Unilever e Hypermarcas. A marca também pode ser uma “Marca de certificação”, utilizada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas, padrões ou especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, à natureza, ao material utilizado e à metodologia empregada, com a finalidade de indicar ao consumidor que o produto ou serviço está de acordo com as normas ou os padrões técnicos específicos. Esse é o caso, por exemplo, das marcas ISO 9000 de diversas certificadoras.

A marca pode apresentar-se na “forma nominativa ou verbal”, por meio de um sinal constituído por uma ou mais palavras no sentido amplo do alfabeto romano, compreendendo também os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos, desde que esses elementos não se apresentem em uma forma fantasiosa ou figurativa. Existe também a apresentação da marca na “forma figurativa ou emblemática”. Nesse caso, a marca é apresentada por meio de um sinal constituído de uma imagem (desenho, figura e/ou símbolo). A forma fantasiosa ou figurativa de uma letra ou de um algarismo é apresentada isoladamente ou acompanhada por um desenho, uma imagem, uma figura ou um símbolo.

Nos casos em que a marca é apresentada por meio de palavras compostas por letras de alfabetos distintos da língua vernácula, como hebraico, cirílico ou árabe, juntamente com ideogramas, por exemplo, japoneses ou chineses, a proteção legal recai sobre a representação gráfica das letras e do ideograma em si, e não sobre a palavra ou a expressão que eles representam. Nesse caso, ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representar, desde que este seja compreensível por uma parcela significativa do público consumidor, a marca será interpretada como “Marca mista ou composta”. (Nesse caso, o sinal constituído pela combinação de elementos nominativos e figurativos ou mesmo apenas por elementos nominativos cuja grafia se apresente em uma forma fantasiosa ou estilizada.

Por último, a marca pode ser apresentada como uma “Marca tridimensional”, quando o sinal for constituído pela forma plástica distintiva do produto ou do seu acondicionamento ou da sua embalagem. Nesse caso, para poder ser registrada, a forma tridimensional distintiva de produto ou serviço deverá estar dissociada de seu efeito técnico.

O assunto marcas e patentes exige a orientação de especialistas no setor, pois a normativa é complexa, uma vez que as variáveis de classificação das marcas e de verificação se estas colidem também são complexas.

No entanto, todo cuidado com uma marca bem posicionada é um esforço válido, pois é na marca que o consumidor pensa primeiro, no momento de satisfazer uma necessidade.

John Jimenez
Tendências por John Jimenez

Cosmetinsights

As estatísticas indicam que 94% dos processos de inovação fracassam e a cada dez campanhas publicitárias que são realizadas somente quatro cumprem as expectativas dos clientes. Essa não é uma realidade distante para algumas empresas cosméticas. Então, qual é o segredo do sucesso? Para responder a essa pergunta, vamos nos inspirar em algumas das frases mais célebres de algumas personalidades.

A estilista Coco Chanel disse: “Para ser insubstituível, devemos procurar sempre ser diferentes”.

Steve Jobs, um dos fundadores da Apple, disse: “As pessoas não sabem o que querem até mostrarmos a elas”.

Jürgen Klaric, famoso especialista em neuromarketing, descobriu que: “Se alguma coisa caracteriza o consumidor de hoje é sua capacidade de se tornar vários e diferentes consumidores em um só ano”.

A verdade é que nunca havíamos tido um consumidor mais inteligente e complexo do que o atual e, para enfrentar esse desafio, a indústria conta com duas ferramentas poderosas em tendência: reposicionamento e insights.

Em 1969, Jack Trout e Al Ries criaram o termo “posicionamento” e escreveram um livro clássico de marketing sobre esse tema que se entende como “a percepção mental que um cliente tem sobre a marca”. Quarenta anos depois, Trout criou a teoria de reposicionamento, na qual apresenta elementos para competir em um ambiente oscilante, de crise e de hiperconcorrência. Algumas das propostas mais relevantes que as marcas devem considerar são: a) o poder da simplicidade; b) vencer a concorrência por meio da diferenciação; c) possibilidade de reposicionar commodities; d) buscar debilidades próprias para torná-las fortalezas; e) reposicionar um competidor em seu próprio contexto; e f) um “novo valor” é a chave para ganhar; entre outras.

Outra oportunidade é ter novos insights. Estes se referem à compreensão dos aspectos ocultos no jeito de pensar, sentir e agir dos consumidores, gerando rotas de inovação e a criação de novos produtos que cheguem ao coração das pessoas.

Onde estão os insights? Na rua, na web, nos livros, nas festas, no cinema, no trabalho, em casa e em qualquer outro lugar, já que fazem parte de nosso cotidiano e saber encontrá-los supõe o mergulho em novos oceanos azuis.

O que veremos no mercado? Quando as empresas misturam atividades de reposicionamento com novos insights podem criar tendências como as seguintes, planejadas para este ano por empresas especializadas e nas quais, sem dúvida, as marcas cosméticas podem encontrar inspiração:

• Cosmic couture: desenho inspirado em temas galácticos e no amor pela ficção científica que se materializará em novos conceitos cosméticos e em roupas e acessórios.

• Dystopia fascination: atração pela imitação do mundo do futuro.

• Luxurious baby perfumes: fragrâncias livres de álcool e que oferecem incomparável cheiro, mesmo quando o bebê tiver de ser trocado.

• Manufactured addiction: desenvolvimento de emoções no momento de fazer a compra on-line, com estratégias de tempo limitado, compra “contra” o relógio e recompensas.

• Cosmetweens: o poder do segmento tween que atualmente desfruta de mais poder aquisitivo e influência sobre as compras feitas por seus pais.

• Wearable multitasking: a era dos i-watches ou relógios inteligentes, com conexão à internet, à nuvem etc. Esses acessórios poderão ter aplicações cosméticas.

• Fashionising: personalização de produtos populares para atrair consumidores centrados na moda e na beleza.

• Micro innovation: pensar no “pequeno” é a nova vantagem competitiva. É uma macrotendência, em particular para as indústrias com produtos que apresentem risco de se converter em commodities. Interessante para cosmética do mercado de massa.

• Shoppertainment: desenvolvimento de experiências emocionantes no varejo, no momento da compra, como exposições, festas na loja, noite de filmes, manicure gratuita e degustação de bebidas e coquetéis.

• Über luxury: o novo hiperluxo. A máxima expressão do luxo, só para poucos. Há produtos cosméticos que chegam a ter preços antes impensáveis.

• Wellness gaming: melhorar a saúde, a aparência e facilitar os tratamentos cosméticos por meio dos jogos.

Cosmetinsights = repositioning + insights. Essa é uma ferramenta para encontrar oportunidades de mercado mais originais, divertidas, arriscadas e rentáveis.

Artur João Gradim
Assuntos Regulatórios por Artur João Gradim

Pibão? Deste jeito não vai dar

Em geral, a atividade industrial é regulada pelo consumo e/ou por suas perspectivas de crescimento.

Em nosso setor, neste momento, vivemos algo inusitado, na contramão de suas perspectivas. Por causa da retração de consumo causada pela crise europeia, dos esforços internos para a retomada da economia norte-americana e do potencial existente para a evolução tecnológica do setor, em algumas categorias de produtos, fabricantes locais têm buscado otimizar seus processos. Para isso, eles estão incorporando aos produtos inovações que permitam atender às expectativas dos consumidores.

Essa adequação, na maioria das vezes, envolve remodelações prediais, novas construções, importação de equipamentos e montagem das novas instalações de que os fabricantes precisam para seu “start”, ou seja, para que sua unidade industrial seja aprovada pelos órgãos sanitários. Atualmente, o período de espera do fabricante até a aprovação pelo órgão federal é de no mínimo seis meses. São necessários mais seis meses para o fabricante realizar os demais procedimentos prévios requeridos pelos órgãos municipais e/ou estaduais. Dessa forma, para que sua unidade industrial seja aprovada, o fabricante precisa esperar, no mínimo, 12 meses. Pelo menos, durante a metade desse período (seis meses), a unidade industrial deverá estar pronta, para receber a inspeção sanitária local. Depois, caso a unidade seja aprovada, o processo será encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para a concessão da autorização de funcionamento.

Somente após esse período, após a Anvisa expedir a autorização de funcionamento, o fabricante poderá requerer o registro de produtos que pretende produzir na nova unidade.

Associado às incertezas econômicas do momento e acrescidas de pendências do passado, mais de 3.100 processos em análise, dentre esses, novos registros e alterações, estão aguardam aprovação na Anvisa. A Anvisa, no que se refere à área de HPPC, retornou ao histórico de lentidão nos seus procedimentos, o que pensávamos pertencer a um passado distante e ter sido superado. Agora colapsou de vez, em um momento no qual temos a oportunidade de crescer, de reduzir importações e de nos livramos do velho “custo Brasil” que carregamos há muito tempo.

Em recente palestra no Grupo de Líderes Empresariais (Lide), publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em 26 de março, o Ministro da Saúde Alexandre Padilha comentou que a Anvisa vai reduzir o tempo de análise para o registro de medicamentos, que cairá de 2 anos para 6 meses, como faz a Food and Drug Administration (FDA), agência de medicamentos, alimentos e cosméticos dos Estados Unidos. Como também se mostrou indignado porque, no Brasil, a demora para aprovar um medicamento, é a mesma para se aprovar um produto cosmético.

Nosso ministro talvez não saiba que a FDA não registra 99% dos cosméticos existentes no mercado dos Estados Unidos. E talvez ele também desconheça que, na Europa, esses tipos de produto não sofrem prévia aprovação antes de ser colocados no mercado, devido às suas características, que, por definição e prática, os tornam seguros e adequados ao uso.

Por causa desse cenário e dessa performance da agência regulatória, as estratégias e a previsão de lançamentos pelas empresas são comprometidas por razões que não se devem ao processo produtivo. Investimentos, aquisições de materiais, logística e produtos, já pagos, ficam em depósitos ou nas unidades industriais dos fornecedores, à espera de sua liberação para que a produção seja iniciada, da mesma forma que as campanhas publicitárias ficam à espera de ser veiculadas.

Hoje, se inovarem com produtos diferenciados, as empresas terão, em contrapartida, o comprometimento de seus resultados.

No momento, tendo em vista que a previsão de melhora operacional do processo de aprovação na Anvisa somente acontecerá de fato no próximo ano, resta-nos, em 2013, pensar só em produtos notificáveis. As empresas que não têm esses itens vão conviver mais um ano com seus “velhos” produtos, que estão defasados e perdendo mercado. Contudo, elas não se comprometerão em níveis preocupantes, em relação a um futuro próximo.

Atuamos e atuaremos sempre em um mercado dinâmico, o de HPPC que, devido às suas características, tem um calendário de lançamentos com datas fixas e sazonalidades. Nosso calendário tem datas relacionadas às estações do ano e datas associadas à moda pré-definida, e ambas não são sujeitas à pré-aprovação da Anvisa, simplesmente elas acontecem e passam.

Não adianta termos alcançado um alto índice de regulamentação técnica juntamente com nossos parceiros do Mercosul e em relação aos demais países latino-americanos. Eles conseguem operacionalizar na sua dimensão de mercado, mas nós não!

Wallace Magalhães
Gestão em P&D por Wallace Magalhães

Guia para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos

Em dezembro de 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a 2ª edição do “Guia de Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos” – uma publicação de leitura obrigatória para todo o pessoal técnico. Farei algumas considerações sobre o guia sem, no entanto, ter a pretensão de esgotar o assunto.

Essa edição do guia certamente é melhor que a anterior e traz novidades, como a acertada inclusão da cosmetovigilância no âmbito do estudo de segurança. Esta, de agora em diante, deverá ser tratada com mais critério por empresas e pela fiscalização. Mas existem outros pontos interessantes a serem abordados no guia. Na página 10, o guia ressalta a responsabilidade que fabricantes e importadores têm de garantir que todos os produtos comercializados são seguros “para os consumidores, nas condições normais ou razoavelmente previsíveis de uso”. Por si só, essa colocação é altamente impactante porque muita gente acredita que somente produtos de grau 2 devem ter a segurança avaliada, o que é inaceitável no Brasil, que é o terceiro (e quase o segundo) mercado do planeta. Logo em seguida, o guia reforça a consideração de “que a ausência de risco não existe e, dadas as dificuldades para estabelecer conceitos relativos a uma condição razoavelmente previsível de uso, o responsável por um produto cosmético deve empregar recursos técnicos e científicos suficientemente capazes de reduzir possíveis danos aos usuários”. Em outras palavras: todo produto, seja de grau 1, seja de grau 2, tem potencial de risco que deve ser estudado e bem conhecido pelo responsável por sua colocação no mercado. E essa não é uma tarefa fácil.

Avançando, na página 12 está registrado que a “maioria das informações necessárias na avaliação do risco potencial de um produto cosmético resulta do conhecimento dos ingredientes que compõem sua fórmula”. Essa afirmação reforça a necessidade de fazer um consistente cadastro técnico de matérias-primas, da maneira que este é exigido para a montagem do dossiê, pela RDC nº 211/2005. E o dossiê deve ser montado na hora certa (muitos o montam depois de o desenvolvimento ter sido finalizado). Uma amostra só deve ser liberada para ser utilizada em novas formulações se tiver sido feito seu cadastro técnico completo. É necessário também usar recursos adequados para manter esses dados arquivados de forma segura e acessível.

A avaliação de segurança baseada na semelhança de produtos também é tratada no guia de maneira mais detalhada. Contudo, os trechos a seguir, presentes no guia, configuram certa divergência porque a avaliação de segurança de uma formulação com base nos resultados obtidos no estudo de um “pool” utiliza o princípio da semelhança. São eles:

“A elaboração de um dossiê de segurança baseada no princípio de semelhança é um exercício particularmente complexo, uma vez que alterações qualitativas ou quantitativas de qualquer um dos ingredientes podem modificar as características da nova fórmula” (página 42).

“A avaliação em ‘pool’ tem sido utilizada como um recurso que permite analisar a semelhança entre amostras formadas a partir da mistura equitativa de produtos de mesmo grupo, com uma base de igual composição qualitativa e variação nos pigmentos e corantes. Esse recurso pode ser utilizado para as seguintes categorias de produto: maquiagens, esmaltes, tinturas capilares” (página 46).

Para resolver a questão da segurança, os seguintes pontos devem ser observados:

A não realização do estudo de segurança para todos os produtos representa grande risco econômico porque, além das penalidades regulatórias, podem ocorrer outros tipos de penalidade.

Um teste único não configura um estudo de segurança.

Um estudo de segurança deve abranger a avaliação criteriosa de cada ingrediente e de sua concentração, do processo de fabricação e da especificação do produto (que podem alterar o comportamento de algum ingrediente e tornar o produto mais agressivo).

Devem ser realizados testes rotineiros nos laboratórios da empresa, além de testes em institutos especializados, quando for o caso.

A cosmetovigilância deve estar bem implantada.
Os técnicos precisam perder o receio de desenvolver métodos que possam colaborar para a avaliação de segurança. Um teste simples para avaliar a perda de resistência à tração, realizado por meio do uso de relaxante ou coloração aplicado em fios de cabelo, é um exemplo. Para que tenha valor, basta ter critério científico e avaliar os resultados em um contexto mais amplo.

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Distúrbios psicológicos x alterações da pele

Existem muitos distúrbios psicológicos que estão associados a alterações da pele. Levantamentos feitos por vários centros dermatológicos dos Estados Unidos, na década passada, mostraram estatísticas variáveis que indicavam que, entre as pessoas que procuravam os serviços de dermatologia, de 40% a 70% tinham também algum tipo de distúrbio psicológico.

Há algumas alterações específicas, um pouco mais determinadas e que são consideradas mais graves. Uma delas é chamada, no jargão dermatológico, de “ilusão de parasitose”. Nesse caso, a pessoa acha que existe um bichinho caminhando em sua pele. Ao procurar o dermatologista, ela afirma, por meio de um depoimento rico em detalhes, que o bichinho está caminhando em sua pele, e mostra os locais por onde ele já passou. Geralmente, ela apresenta algum tipo de lesão nesses locais. Muitas vezes, a pessoa traz na consulta até um vidrinho com restos de sua pele, dizendo que neles está o agente que a está perturbando. Esse é um quadro considerado grave, uma vez que está associado a uma psicose, e o dermatologista, apesar das evidências, muitas vezes encontra muita dificuldade para concluir o diagnóstico. Outro tipo de problema que pode surgir na área dermatológica é o distúrbio obsessivo compulsivo. A pessoa tem a obsessão de fazer determinada ação e sente a compulsão (falta de controle) de fazê-la. Pode-se citar como exemplo desse distúrbio o ato de roer as unhas. Esse é quadro que a pessoa não consegue controlar. Ela não percebe o que está fazendo e, quando se dá conta, está roendo as unhas compulsivamente.

Outro exemplo de distúrbio obsessivo compulsivo, considerado mais grave, é quando a pessoa arranca os cabelos da cabeça ou os pelos da sobrancelha e, em alguns casos, arranca até os cílios. Trata-se de um quadro difícil, pois, nesse caso, o dermatologista tem de analisar muito bem o aspecto clínico para poder ou não excluir todas as possibilidades de estar ocorrendo um problema dermatológico real.
Nesse caso, após realizar um exame clínico detalhado, o médico constatará que existem áreas sem cabelo na cabeça do paciente, mas também há regiões com aspecto normal e áreas com alguns fios de cabelo quebrados ou com fios de vários tamanhos. Isso porque alguns fios terão sido arrancados inteiros, outros, quebrados, e alguns estarão crescendo, e não existe outro tipo de alteração no couro cabeludo, como escamação. A única alteração percebida será a diferença de tamanho dos fios.

Geralmente, é difícil explicar para a pessoa que é ela quem está causando o problema. Quanto menos consciência disto a pessoa tiver, mais grave será o seu caso, pois, embora ela esteja fazendo mal a si mesma, não admite esse fato. Esse quadro pode também ocorrer em crianças pequenas que engolem cabelos. Há geralmente associação desse quadro com um ambiente familiar tenso, que torne a criança confusa e ansiosa.

Ainda há outro quadro que faz parte do distúrbio obsessivo compulsivo: quando a pessoa se machuca, cutucando-se constantemente. Geralmente, a pessoa que se machuca dessa forma tem tendência a ter “bolinhas” na pele do braço ou pelos encravados na perna. Isso porque ela pega aquela mínima lesão como ponto de partida e começa a machucar-se e, de tanto cutucar-se, provoca a formação de feridas. Nesse caso, a paciente (trata-se de um distúrbio mais comum em mulheres) apresenta vários tipos de lesão ao mesmo tempo – algumas em forma de manchas, outras, de feridas –, quase todas causadas pela manipulação da pele.

Para o dermatologista, é nítida a diferença entre uma lesão que a pessoa tenha provocado e outros tipos de lesão, porque no primeiro caso ocorrem cicatrizes profundas, verdadeiras depressões, principalmente se a lesão tiver sido causada na perna. No caso da lesão provocada, o tratamento dermatológico é mais difícil, complicado e em alguns casos nem existe porque a cicatriz é um processo definitivo da pele, é a maneira como esta se recompõe.

Dependendo do estado da paciente, o dermatologista a encaminha ao psiquiatra que, algumas vezes, indica-lhe, além de um tratamento à base de medicamentos, uma terapia. Portanto, em se tratando de distúrbio obsessivo compulsivo, o medicamento via oral, antidepressivo, é muito importante e eficaz, porque vai agir na raiz do problema, de fundo psíquico.

Concluindo, a abordagem desse tema é relevante porque tem-se observado aumento no número de casos de distúrbios obsessivos compulsivos, que chegam aos consultórios dermatológicos e aos ambulatórios de serviços públicos. Trata-se de um quadro difícil porque é autodestrutivo. E, como o primeiro pedido de socorro do paciente é feito ao dermatologista, é importante que nós, profissionais da área, tenhamos consciência da grande responsabilidade que temos. Essa responsabilidade consiste em conseguirmos que o paciente adquira confiança em nós, para que o tratamento seja feito de maneira completa e tenha o sucesso esperado.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Crescimento das embalagens importadas com estoque local

Há muito tempo, venho falando das dificuldades que as empresas de cosméticos vêm enfrentando para encontrar boas embalagens para produtos de maquiagem no mercado nacional. Quantos projetos deixaram de caminhar porque não foi encontrada a embalagem que tivesse a “cara” dos bons produtos que foram desenvolvidos? Quantas horas foram perdidas na avaliação dos fornecedores locais pelas empresas e essas não encontravam o que procuravam?

Todo mundo sabe a resposta para essas questões, porém a China não é logo ali.

Foi-se o tempo em que se torcia o nariz quando alguém dizia que a embalagem era chinesa. Tanto lá como aqui, existem os fornecedores bons e os péssimos, os sérios e os trambiqueiros, os comprometidos e os descompromissados.

O que aconteceu, no entanto, foi que descobrimos, na China, fornecedores aos quais só podemos atribuir os adjetivos positivos citados acima) e, assim, o mercado brasileiro está começando a falar mandarim nas embalagens para produtos de maquiagem.

Alguns empresários ou candidatos a empresário logo perceberam essa oportunidade e trataram de buscar na China o que o mercado cosmético tanto precisava. Outros, por impossibilidade financeira e/ou por conhecerem bem esse mercado, procuraram quem já tinha experiência e conhecimento sobre empresas chinesas e uniram forças a essas empresas.

De uma maneira ou de outra, o resultado disso foi a paulatina disponibilidade de boas embalagens chinesas no mercado brasileiro, a pequenas empresas.

Hoje, já é possível receber a visita dos importadores dessas embalagens chinesas e maravilhar-se com a disponibilidade e a beleza destas. E o que é melhor: são embalagens que têm bons preços, qualidade confiável e sua entrega é rápida. Essas empresas importadoras, além de se responsabilizar pela importação das embalagens, responsabilizam-se pela qualidade destas, recebendo-as de volta se apresentarem algum desvio de qualidade.

Algumas empresas trazem as embalagens da China já com a decoração anteriormente solicitada pelo cliente. Outras vão além: elas têm parcerias com empresas de decoração brasileiras que fazem a decoração após receberem as embalagens.

Decoradas lá ou aqui, as embalagens chinesas realmente destacam-se das nacionais.
Para que isso seja comprovado, vejam as linhas de maquiagem de empresas que estão nascendo agora ou os lançamentos e as novas embalagens de tradicionais empresas do mercado. Elas são diferentes e bonitas, fazendo frente às marcas importadas, que tem preços proibitivos para o bolso da nossa sofrida classe média.

Digo isso, lembrando-os que não ficamos nada a dever a nenhum outro país quando falamos dos produtos, o que, antes, não se podia dizer das embalagens.

Mas quem são essas empresas importadoras?
Na verdade, elas não são fábricas que passaram pelas dificuldades relativas à regularização dos órgãos governamentais brasileiros, nem grandes galpões com as superinjetoras, a ferramentaria e equipes de profissionais especializados. Essas empresas são fruto da coragem, da iniciativa e da visão de mercado de algumas – ainda poucas – pessoas. Com um galpão, um parceiro confiável para tratar da importação e, o mais importante, conhecimento sobre as boas empresas chinesas, essas pessoas foram à luta. É óbvio que não posso deixar de colocar que nada disso seria possível sem uma boa quantia financeira para “bancar” a primeira importação e fazer o estoque local. Além de ser necessário que essas empresas tenham conhecimento sobre as empresas chinesas, elas também têm uma difícil missão: selar uma parceria que garanta a entrega com a qualidade assegurada das embalagens. Isso não é fácil, pois a desconfiança dos chineses em relação aos empresários brasileiros ainda é grande. Tenho ouvido isso de empresários que importam da China.

O lado negativo de tudo isso chama-se exclusividade. As empresas que importam disponibilizam os produtos que têm em estoque para quem chega primeiro e não se comprometem em vender determinado modelo com exclusividade para um só cliente. Elas somente fazem isso se a quantidade dos produtos for grande e, assim, justifique uma importação exclusiva – o que não é uma característica dessas empresas.

Por causa disso há a necessidade de diversificar na decoração e caprichar no cartucho para que a embalagem, mesmo sendo a mesma do concorrente, acaba passando despercebida pela consumidora.

Ainda são poucas as empresas que fazem importação e disponibilizam em estoques locais. Contudo, seu sucesso começa a chamar a atenção de outros empresários. Assim vamos ter, muito em breve, uma grande oferta de boas embalagens de produtos para maquiagem.

O lado negativo de tudo isso é que, mais uma vez, a empresa nacional fabricante de embalagem está perdendo. E, mais uma vez, essa perda se deve a esta não investir nem acreditar no potencial do mercado.

Luis Antonio Paludetti
Manipulação Cosmética por Luis Antonio Paludetti

Túnel do tempo

Para quem era criança na década de 1970, a televisão era uma diversão equivalente aos videogames para a criançada de hoje. Como muitas crianças da época, eu dedicava uma parte do meu tempo a estudar, outra a brincar na rua com bolinhas de gude, carrinhos de rolimã e, é claro, assistir à TV.

Uma das minhas séries preferidas na época era Túnel do tempo. Na série, dois cientistas (Doug e Tony) acidentalmente entraram em uma máquina do tempo da qual não conseguiam sair. Por meio dela, eles viajavam pelo tempo na esperança de retornar à sua época de origem. Mas, por que estou me lembrando de tudo isso? Porque às vezes eu me sinto como se estivesse numa espécie de “túnel do tempo”.

Recentemente, eu estava acompanhando uma sequência de bate-papo numa rede social em que se comentavam as vantagens da manipulação de cosméticos na farmácia com manipulação.

No fluxo da conversa, vários comentários e colocações diziam que os cosméticos manipulados em farmácia poderiam oferecer diferenciais impossíveis de os cosméticos industrializados também proporcionarem. Por exemplo, os cosméticos manipulados em farmácia poderiam ser preparados com concentrações maiores de ativos e com veículos mais adequados à pele do paciente, e ter preços muito inferiores aos dos cosméticos industrializados equivalentes a eles.

Foi nesse momento que eu entrei no “túnel do tempo” e retornei a meados dos anos 1990.
Naquela época, as farmácias magistrais utilizavam uma estratégia muito semelhante para a comercialização dos medicamentos: procuravam estabelecer uma concorrência baseada em preço.

Essa estratégia era bem simples: como o acesso da população a medicamentos era bem mais difícil do que é atualmente e a renda desta era menor, as farmácias magistrais conseguiam oferecer alternativas mais baratas aos medicamentos industrializados, principalmente no caso dos medicamentos de alto custo e dos recém-lançados.

Durante certo tempo, essa estratégia funcionou muito bem, até que, em dado momento, os medicamentos genéricos foram adotados no Brasil.

Esse fato, por mais estranho que pareça - pois deveria afetar as drogarias -, acabou atingindo também as farmácias com manipulação porque derrubou a vantagem competitiva destas em relação àquelas, baseada em preço. Ou seja, para manter a vantagem baseada em preço, as farmácias com manipulação só poderiam optar por reduzir ainda mais seus preços e, consequentemente, suas margens de lucro, uma estratégia que se revelaria devastadora para o faturamento dessas empresas.

Só agora, passados mais de dez anos, é que as farmácias com manipulação estão começando - ainda que tardiamente - a procurar diferenciar-se por meio de exclusividades que atendam às necessidades específicas dos pacientes, e não apenas por intermédio do preço.

Uma das atitudes mais importantes para nossa evolução espiritual, pessoal e empresarial é aprender com os erros do passado. Se a estratégia de diferenciar o medicamento manipulado por meio do preço revelou-se, no mínimo, pouco eficaz (para não dizer prejudicial), por que deveríamos adotar novamente essa estratégia para os cosméticos manipulados?

Acredito que explorar os diferenciais de individualização, as associações de ativos não disponíveis na indústria e a adequação do produto às necessidades do paciente sejam estratégias muito mais perenes e eficazes que se basear em preço.

Caso contrário, como os protagonistas de Túnel do tempo, corremos o risco de ficar aprisionados a um passado que não desejamos e do qual não poderemos mais sair.


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