19 de Outubro de 2018

Produtos de Verão

Edicao Atual - Produtos de Verão

Editorial

A palavra é simples: relacionamento

 

No mundo corporativo, uma discussão que se faz cada vez mais presente gira em torno da palavra “relacionamento”. Redes sociais não constituem, em sua essência, uma novidade – elas já existiam quando nossos ancestrais se reuniam em torno de fogueiras. Contudo, graças ao ambiente virtual, nós nos tornamos agentes ativos nas relações de consumo: nossas opiniões e críticas, nossos elogios ou recomendações pesam diretamente na reputação de marcas, produtos e serviços. No entanto, a desenvoltura com que usuários transitam, engajam-se, agrupam-se e informam-se no ambiente virtual ainda não encontra contrapartida nas empresas. Pesquisa da Vocalcom, fornecedora de soluções para contact centers, aponta que apenas 5% das empresas (em nível mundial) utilizam as mídias sociais para relacionar-se com os clientes.

Outro levantamento, o Consumer Views of Live Help Online 2012, produzido pela Oracle, levantou informações sobre hábitos de uso referentes a canais de atendimento como call centers, chats ao vivo, “clique para chamar” e e-mails. Foram entrevistados mais de 3 mil consumidores no mundo todo. Segundo o relatório, mais da metade dos usuários do Twitter espera uma resposta pessoal em até duas horas, após tuitar uma pergunta ou reclamação. Entre os que utilizam o Facebook para postar dúvidas ou queixas, 51% esperam respostas no mesmo dia. Nesse contexto, empresa alguma (independentemente do porte ou segmento de atuação) pode ficar de fora dessa “festa”, como dizem os especialistas em marketing. Só não vale ser o convidado chato, mais interessado em falar do que ouvir.

E por falar em festa, chegamos à estação mais celebrada do ano: o verão. Nesta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil, a matéria de capa aborda as tendências e oportunidades de mercado que chegam com a nova estação. A variedade de produtos desenvolvidos para proteger e hidratar a pele ganha atributos variados e multifuncionais, em sintonia com as demandas do consumidor.

Em “Persona”, João Hansen conta um pouco de sua história de vida e de sua trajetória profissional, construída em mais de 30 anos de atuação na Avon do Brasil. Os artigos técnicos abordam as microemulsões, a evolução dos dentifrícios, o uso de óleos essenciais no tratamento da celulite, os antimicrobianos em sabonetes íntimos e muito mais.

Nesta edição, quero também agradecer ao prof. Dermeval de Carvalho, que, durante mais de seis anos, ilustrou nosso quadro de colunistas e agora está fazendo uma pausa. Ele prometeu retornar brevemente. Prof. Dermeval, as portas continuam abertas. Volte quando puder.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher 

Sistemas de Microemulsão - Peter Tsolis (The Estée Lauder, New York, NY, EUA), Christopher Heisig (Steries Corp., Mentor, OH, EUA)

O objetivo deste artigo é revisar os princípios da química básica, das técnicas de aplicação e dos tópicos de formulação usando microemulsões.

El de este artículo es revisar los principios de química básica, de las técnicas de aplicación de de los temas de formulación utilizando las microemulsiones.

The aim of this article is review the basic chemistry principles, the application techniques and the topics of formulation, using the microemulsions.

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Dentifrícios: Memória de Décadas Passadas - Maria Aparecida Nicoletti (Faculdade de Ciências Farmacêuticas – USP, São Paulo SP, Brasil), Andre Rinaldi Fukushima (Curso de Farmácia – UnG (Universidade Guarulhos), Guarulhos SP, Brasil), Mariano Valio Dominguez Gonzalez (Accord Farmacêutica Ltda., São Paulo SP, Brasil), Evandro Luiz Siqueira (Faculdade de Odontologia – USP, São Paulo SP, Brasil)

Este artigo traz um apanhado histórico da utilização de produtos para a higienização bucal e os principais momentos que contribuíram para o desenvolvimento dos dentifrícios que estão atualmente disponíveis no mercado.

El artículo presenta una visión histórica de la utilización de productos para la higiene bucal y los momentos claves que han contribuido al desarrollo de las pastas de dientes que están actualmente disponibles.

The article presents a historical overview of the use of products for oral hygiene and the key moments that contributed to the development of toothpastes that are currently available.

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Óleos Essenciais no Tratamento de FEG - Daniela S Carvalho, Ana Cláudia da C Depaoli, Maria Inês MV Simionato, Cristina Maria Franzini (Faculdade de Farmácia, Centro Universitário Hermínio Ometto - Uniararas, Araras SP, Brasil)

O objetivo deste trabalho foi desenvolver e avaliar a efi cácia de um cosmético contendo óleos essenciais de Cupressus sempervirens L. e Boswellia carteri Birdw incorporados em cosméticos emulsionados, no tratamento do fibro edema geloide.

El objetivo de este estudio fue desarrollar y evaluar la efi cacia de un cosmético que contiene aceites esenciales para el tratamiento de fibro edema gelóide.

The objective of this work was to develop and evaluate the effi cacy of cosmetic, containing essential oils aimed to edema geloid fiber treatment.

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Atividade Antimicrobiana de Óleo de Eucalipto e de Melaleuca em Sabonete Íntimo - Larissa Rodrigues Morais, Paula Cressoni Martini, Daniele Carvalho Michelin (Curso de Farmácia do Centro Universitário Hermínio Ometto – Uniararas, Araras SP, Brasil)

O objetivo deste estudo foi avaliar a atividade antimicrobiana dos óleos essenciais de Eucalyptus globulus e de Melaleuca alternifolia frente a vários micro-organismos. Os testes microbiológicos foram satisfatórios com os óleos e com o sabonete íntimo líquido.

El objetivo de este estudio fue evaluar la actividad antimicrobiana de los aceites esenciales de Eucalipto globulus y de Melaleuca alternifolia contra varios microorganismos. Los análisis microbiológicos fueron satisfactorios con el óleo y con el jabón líquido íntimo.

This study evaluated the antimicrobial activity of essential oils of Eucalyptus globulus and Melaleuca alternifolia was used against various microorganisms. The microbiological tests were satisfactory with both oil and with liquid soap.

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Ação Umectante de PG e PD em Sabonetes em Barra - Adriana Aparecida Trevisan Malagoli, Andréa Cristina de Lima (Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba SP, Brasil)

Este trabalho avaliou a ação umectante de um glicol bioderivado e do propilenoglicol em sabonetes em barra, por meio dos seguintes testes: rachaduras, volume e estabilidade de espuma, perda de massa, resistência à água e estabilidade acelerada. Os resultados indicam que o propilenoglicol, na concentração testada, apresentou melhores resultados em relação aos critérios avaliados.

Este estudio evaluó la acción humectante de un glicol bioderivado y glicol de propileno en los jabones de barra, por las siguientes pruebas: grietas, volumen y estabilidad de
espuma, pérdida de masa, resistencia al agua y de estabilidad acelerada. Los resultados indican que el propilenoglicol mostro mejores resultados en términos de los criterios evaluados.

This study evaluated the wetting action of a bio-derived glycol and propylene glycol in bar soaps, by the following tests: cracks, volume and foam stability, mass loss, water resistance and accelerated stability. The results indicate that the propylene glycol showed better results in terms of the criteria evaluated.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Seja bem-vindo o novo luxo

Há poucos dias, li uma matéria no jornal DCI (Diário Comércio Indústria & Serviços) de 6/11/2012, na página 8, cujo tema, embora não se trate de uma novidade, ainda impressiona: o crescimento do mercado de luxo no país. A expectativa de crescimento desse mercado, em cinco anos, de acordo com a consultoria Bain & Company, é de algo em torno de 15% a 25%. No mundo, nos últimos três anos, esse mercado cresceu dois dígitos, consecutivamente, sobre uma base de faturamento em 2011 de módicos US$ 1,4 trilhão.

Exatos cinco meses antes da publicação daquela matéria, outro importante periódico, o The Wall Street Journal Americas, trazia um estudo que qualificava esses números. O estudo mostrava que um pouco mais da metade da cifra que foi gasta nesse mercado em 2011 destinava-se à obtenção de “experiências” em vez de à aquisição de “produtos” (segundo a Boston Consulting Group). No mundo ocidental, a modalidade “experiência” vem crescendo dois ou três pontos percentuais acima da modalidade “produtos”.

Sendo assim, é melhor começarmos a entender o quê, de fato, vem a ser uma “experiência” e, consequentemente, quais são os mecanismos de compra.

A diferença básica entre comprar “uma experiência” e comprar um “produto” está no papel que o consumidor desempenha em relação ao bem consumido. Vou exemplificar a seguir. No mercado de luxo, quando alguém compra uma Ferrari adquire um produto de luxo e desempenha um papel passivo no processo de compra – pois o carro está lá e outro consumidor de mesmo poder aquisitivo pode também tê-lo. Por outro lado, quando compra uma “experiência”, como uma visita personalizada a alguma vinha na região de Rhône, na França, o consumidor passa a ser um agente ativo, pois a experiência adquirida é individual e desse bem ele leva mais do que algo concreto, prático: leva sensações e lembranças. Isso decorre de experiências como voar em um balão, pilotar um carro de corrida ou assistir a um show com direito a jantar com o pop star.

No entanto, por que dar tanta ênfase ao consumo da experiência em vez do produto? A maior parte do público-alvo do mercado de luxo é composta de pessoas que estão entrando ou já estão na terceira idade. São pessoas que já passaram da fase de desejar ter produtos, seja porque já os tenham, seja porque descobriram a efemeridade do prazer que estes proporcionam. Por isso, fazer uma visita ao ateliê de um estilista renomado, falar com ele e conhecer seu modelo mental serão uma experiência mais prazerosa do que apenas comprar um vestido.

A verdade é que a idade, em geral, deixa os seres humanos menos apegados às coisas concretas e faz que estes valorizem mais o intangível, as sensações, ou seja, as experiências.

Outro fator que vem contribuindo para o aumento do consumo da experiência em vez do produto é o conhecimento, a informação que vem mudando a noção do que vem a ser um produto de luxo. O conceito de politicamente correto vem incomodando a consciência de muitos, típico da personalidade das pessoas dessa faixa de idade. Não é nada confortável saber que uma bolsa de luxo é feita com mão de obra escrava e infantil em algum canto do planeta, ou que se mata uma grande quantidade de animais para a obtenção de uma latinha de especiarias. A flexibilização das empresas de produtos de luxo no sentido de terem marcas ou submarcas para mercados populares tem manchado a imagem do que vem a ser um produto de luxo, exclusivo, único. A compra de experiências, que é na verdade uma evolução do setor de serviços, parece não causar dor e assume uma forma limpa de se gastar o dinheiro, o que caminha na direção de um prazer considerado mais “puro”. A autora de Deluxe – como o luxo perdeu o brilho, Dana Thomas, explora bem essa crise de consciência.

Estamos começando a ver o “novo luxo” em detrimento do “velho luxo”, a ver o luxo desmaterializado, o luxo simples.

Dessa forma, não será raro, daqui há pouco tempo, que vejamos empresas cosméticas voltadas para o luxo investirem em agregar experiências a seus produtos. Quem sabe, por exemplo, proporcionar passeios a reservas florestais para que o consumidor conheça espécies exóticas usadas em seus perfumes seja uma ideia nesse sentido. Outros exemplos: visitas a centros técnicos, para os mais cartesianos; conversas com chefes de cozinha sobre ativos naturais usados em alguns “nutracêuticos”; e reuniões com pintores para descobrir a relação deles com as cores, cores essas usadas em cosméticos etc.

Convém estar preparado para não ser pego de surpresa.

Artur João Gradim
Assuntos Regulatórios por Artur João Gradim

Balanço Geral

Com intensa atividade desenvolvida no decorrer do ano que se encerra, mas com resultados aquém do esperado, tudo indica que de novo deixaremos para o novo ano a finalização de importantes propostas para o aprimoramento regulatório da legislação aplicada aos produtos de HPC comercializados no Brasil. Entre essas propostas está aquela aplicável aos produtos infantis, cuja regulamentação atual está defasada, não é aplicável aos demais países do Mercosul, assim como não consta das legislações de referência (da Europa e dos Estados Unidos), nem mesmo nas legislações de países vizinhos ao Brasil, como o Chile e os países da Comunidade Andina e nas dos demais países latino-americanos.

Essa singularidade e a demora em sua atualização têm bloqueado o crescimento de parte do setor, pois a nova regulação atualiza critérios técnicos e inclui novos produtos até então proibidos para comercialização no país, porém permitidos para comercialização no exterior.

Enfim, o balanço de 2012 nos traz como atividades concluídas, com abrangência no Mercosul: a revisão da lista de substâncias que os produtos cosméticos não devem conter, exceto em condições e restrições estabelecidas (RDC nº. 3, de 18/1/12); a revisão da lista de substâncias de ação conservante, (RDC nº. 29, de 1º/6/12); e a revisão da lista de corantes, internalizada pela RDC nº. 44, de 9/8/12. Todas válidas a partir da data de sua publicação.

O regulamento técnico sobre os protetores solares (RDC nº. 30, de 1º/6/12) será vigente a partir de 1º/6/14, sendo permitida, até sua vigência plena, a fabricação e a revalidação de produtos com base na RDC nº. 237/2002. As empresas também podem, nesse período, modificar e/ou registrar novos produtos com fundamento no novo regulamento.

Ficou pendente internalizar a revisão do regulamento técnico relativo às Boas Práticas de Fabricação, cujo principal impedimento reside na indefi nição, por parte da autoridade sanitária, do prazo de adequação a ser estabelecido. O período
solicitado, de 12 (doze) meses, pelo setor privado, tem o objetivo de permitir, principalmente às microempresas e às pequenas empresas produtoras, que se adaptem a tempo.

Como se sabe, as microempresas e as pequenas empresas produtoras, em sua grande maioria, não dispõem de técnicos e/ou de recursos locados especifi camente para as atividades que requerem mudanças expressivas, a exemplo da validação
de processos – elas têm, em geral, um único profi ssional na unidade industrial.

Quanto à revisão da lista negativa de substâncias, ainda em processo de discussão nas rodadas do SGT-11 do Mercosul, está prevista uma substancial alteração para maior na quantidade de ingredientes proibidos (~ 1400), assim como o critério de sua aplicação. Constarão da lista substâncias que, com concentração superior ao limite estabelecido, serão
consideradas vetadas para uso. Substâncias com concentrações inferiores terão seu uso permitido, desde que seja comprovada essa condição.

Outros assuntos de interesse regulatório em desenvolvimento, específicos para o Brasil, a exemplo dos produtos naturais e ou orgânicos em discussão, para que sejam regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelo setor privado, tem sua evolução a passos lentos. Os conceitos e as definições aplicáveis ainda estão em fase de discussão, devido a divergências verificadas
nos critérios existentes nos países que já permitem esses tipos de produtos, ainda proibidos no Brasil.

Finalizo esse breve retrospecto regulatório, porém sem ter conseguido desenhar um cenário plausível para os leitores da Cosmetics & Toiletries Brasil, conforme prometi na edição anterior da revista. O assunto que falta tem relação com as clamorosas e milionárias multas aplicadas pelo CGEM (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético) aos idôneos produtores e usuários de insumos da flora brasileira.
Esse fato nos leva a repensar a respeito, igualmente aqueles produtores que ainda não utilizam os insumos da flora brasileira. Fica aqui meu compromisso de voltar a esse assunto
na próxima edição.

Ao leitor, meus votos de Feliz Natal e, como sempre, o desejo de um Ano Novo com muito trabalho e bons resultados.

Wallace Magalhães
Gestão em P&D por Wallace Magalhães

O novo velho desafio

Estamos novamente chegando a um final de ano e, como sempre, parece que este chegará mais rápido do que planejamos.

O país vive um momento econômico bom, com boas perspectivas para o ano que vem e, segundo estudos de uma importante consultoria, alcançaremos a posição de segundo mercado mundial de Higiene Pessoal e Cosméticos (HPC).

Seremos promovidos à segunda potência mundial de cosméticos! Se essa previsão concretizar-se, deveremos comemorar? Sim, deveremos, mas não poderá ser só uma comemoração. Terá de haver muito trabalho.

Quando atingimos o terceiro lugar houve, naturalmente, muita celebração, mas talvez tenha faltado um pouco de trabalho.

Será que somos, tecnologicamente, a terceira força cosmética do Planeta? Estamos preparados para assumir a segunda posição? Precisamos, todos, fazer e responder a essas perguntas. Como fabricantes, devemos também estar preparados para a concorrência de produtos importados.

Estruturalmente, temos um mercado concentrado, com uma enorme fatia do faturamento nas mãos de poucas empresas. Não quero dizer com isso que elas devam crescer menos, pelo contrário. Mas as pequenas e médias empresas precisam crescer mais e, para isso, terão de trabalhar mais e de investir mais. Será necessário mudar alguns “conceitos e praxes” utilizados atualmente. Em P&D, a simples replicação de formulações, com troca de essência, corante ou ativo - normalmente em baixas concentrações só para justificar o apelo de mercado - precisa dar lugar a uma busca real por inovações, por meio da realização de um trabalho de pesquisa e desenvolvimento completo, com o objetivo de obter produtos eficazes, competitivos e, consequentemente, mais lucrativos. Há de se avaliar se a área técnica tem condições para realizar esse trabalho e se os recursos disponíveis são adequados. Em outra frente, deve-se buscar uma aproximação maior e mais efetiva com fornecedores que desenvolvam trabalhos científicos consistentes ou soluções tecnológicas específicas, para aproveitar os esforços e investimentos realizados por eles. Isso reduzirá o tempo e o desembolso que são necessários para desenvolver e regularizar novos produtos. Mas é preciso ter cuidado para não se tornar uma simples replicadora da tecnologia de terceiros.

Cada indústria, independentemente de seu tamanho, precisa empenhar-se para desenvolver e aprimorar sua própria tecnologia para definir os diferenciais de seus produtos.

Será necessário também investir e evoluir a capacitação dos profissionais de P&D. Ainda hoje há muita ênfase em bancada e quase nada em gestão e inovação. É inconcebível imaginar que aproximadamente 35% do tempo desses profissionais sejam gastos com montagem de relatórios e documentos pelo simples fato de usarem recursos inadequados de informática.

Por outro lado, temos uma legislação sanitária bem desenvolvida, porém nem sempre bem compreendida e, o que é pior, muitas vezes descumprida. Primeiro por desconhecimento – o que não é aceitável.

Segundo, pela falsa ideia de que seu cumprimento só representa custo ou não é “tão necessário assim”. O atendimento à legislação sanitária é muito bom para a saúde financeira e econômica das empresas porque garante a fabricação de produtos seguros, estáveis e eficazes, e isso indica que o negócio é sólido, com maior possibilidade de sucesso. A inadequação regulatória, por si só, já representa enorme risco de prejuízo. Imagine uma indústria que fabrica sem saber se seus produtos são estáveis, sem saber se são seguros, sem saber se funcionam ou não, e ainda negligencia a documentação obrigatória. Você investiria nela?

Temos de lembrar que o mercado e a legislação sanitária são iguais para todos, e o porte da indústria não justifica o desconhecimento nem a desconsideração de seus princípios.

Com a perspectiva de crescimento do mercado, pequenas e médias indústrias devem preparar-se e usar sua agilidade de forma inteligente e responsável, enquanto as grandes companhias devem empenhar-se para aperfeiçoar seus processos internos, eliminando o excesso de burocracia. E tudo isso deve ser feito em um ambiente de plena normalidade regulatória.

Assim, temos de volta um velho desafio: a inevitável
necessidade de elevar os níveis tecnológico e regulatório de nossas indústrias a um patamar que faça jus à importância de seu mercado. O certo é que, se o fizermos, teremos produtos e empresas mais competitivos, com profissionais mais capacitados e muito mais chances de sucesso. Aí, se vier mesmo, o posto de segunda potência estará em boas mãos. E em boas contas também.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

A arte da comunicação: a ferramenta do progresso

Junho de 2006. Um honroso convite do editor da Cosmetics & Toiletries Brasil, convidava-me para ser colunista dessa conceituada revista. A experiência me dizia do trabalho que estava a nossa frente, do tempo que seria dedicado na triagem de publicações científicas, na capacidade de resumi-las e agregá-las, em pouco espaço, e formatadas como colunas científicas.

A segurança do usuário está em primeiro lugar.
Na medida do possível, tenho me manifestado – em seminários, publicações e eventos científicos –, a respeito do crescimento de publicações científicas e regulatórias associadas à avaliação de segurança de ingredientes cosméticos, mas, tristemente, ainda tão carentes no Brasil.

Sem grandes discussões semânticas, métodos alternativos tem se apresentado de forma muito tímida, acanhada ou mesmo despercebida por boa parte da comunidade científica, especialmente nos cursos de pós-graduação em toxicologia, nos órgãos regulatórios e no setor regulado.

Qual a razão de tanta preocupação?

Essa pergunta acalenta sonhos, sinaliza horizontes, fortalece a união de esforços e contempla a ciência na busca de uma decisão que pede urgência: a validação de métodos alternativos para substituir aqueles que, embora devam ser lembrados e valorizados, pedem socorro.

A experiência tem me ensinado a lutar e a, sempre que possível, manter acesa a luz que me tem feito acreditar em pensamentos positivos, mesmo enfrentando convergências e divergências da ciência e fatos alheios à minha vontade. Continuo acreditando, jamais me deixarei levar pelo descrédito do impossível, e permanecerei confiante de que os métodos alternativos já estão a caminho do Brasil.

Uma decisão acertada e que veio para ficar.
Foi publicada a Chamada MCTI/CNPq (Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) nº 25/2012 - Apoio a projetos para estruturação da Rede Nacional de Métodos Alternativos (Remana).

Essa chamada “tem por objetivo selecionar propostas para apoio financeiro a projetos que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação no país [...]”.

A importância da chamada dispensa comentários, mas sua condução e seu rumo devem ser cautelosos.

Assim penso: a ponderação por parte da comunidade científica na busca dos recursos financeiros deve ser a mais interativa possível. Boas estradas já foram construídas na Europa e nos Estados Unidos, onde áreas de interesses comuns se agruparam e os resultados obtidos têm sido promissores e produtivos.

Recente publicação (Cosm & Toil Brasil 24(4):30, 2012), destacou a programação científica do evento ESTIV2012, patrocinado pela Sociedade Europeia de Toxicologia in Vitro e pela Associação Portuguesa de Toxicologia, que nos motivou a ir para Lisboa para participarmos do referido encontro científico.

Para destacar a importância da toxicologia, a todos os temas que foram apresentados durante as mesas-redondas foi acrescentada a expressão “toxicity”, que os qualificava de acordo com os assuntos apresentados, que foram seguidos de intensas discussões. Cerca de 200 trabalhos científicos foram expostos e outros 50, apresentados em viva-voz.

Outra boa notícia foi que, tão logo retornamos, tivemos a oportunidade de acessar duas excelentes publicações: Regulatory Acceptance and use of 3R models: a multilevel perspective, Altex-Alternatives to Animal Experimentation 28(3):287-300, 2012; e Inconsistencies in data requirements of EU Legislation involving test on animal, Altex-Alternatives to Animal Experimentation 28(3):302-332, 2012.

O periódico logo acima referido, salvo melhor juízo, deve estar sempre ao alcance do pesquisador que se interesse por métodos alternativos.

Notícias boas, dessa feita, não estão faltando: o “Workshop internacional em métodos alternativos ao uso de animais, com ênfase em alergenicidade”, previsto para ser realizado nos dias 12 e 13 de novembro de 2012, em São Paulo SP, embora seja de natureza específica, trará excelente programação científica e a participação de representantes do Ministério da Saúde, do Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (Bracvam) e de pesquisadores do Brasil e do exterior. Outros dois encontros com foco em temas similares ainda serão realizados este ano no Brasil.

Um deles, “Perspectivas sobre métodos alternativos à utilização de animais para a avaliação de segurança de produtos cosméticos”, está programado para ser realizado nos dias 29 e 30 de novembro, em Brasília DF. Lembraram-se dos cosméticos.

O último parágrafo. Chegou o momento para uma trégua. Esperamos voltar. Meus agradecimentos e o nosso muito obrigado àqueles que, por curiosidade, leram os títulos de nossas publicações, àqueles que perguntaram e àqueles que sugeriram ou guardaram seus comentários para juízo próprio.

Por 32 vezes estivemos em Cosmetic & Toiletries Brasil.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Exames genéticos, células-tronco, cultura de células

A busca por criar cabelos e pelos onde eles não existem mais ou estão ficando muito ralos vem perseguindo os pesquisadores e técnicos que trabalham com a tricologia.

Atualmente, no campo da genética existem alguns testes disponíveis no país que, segundo cientistas, um indivíduo pode ter mais propensão à calvície que outros, por meio da avaliação de uma simples amostra de sangue, tanto para homens como para mulheres.

A avaliação clínica e uma boa anamnese com a história familiar bem destrinchada podem levar o médico especialista a concluir que os fatores genéticos podem estar presentes. Vale lembrar: hoje sabemos que a modalidade de herança genética que está relacionada aos cabelos é a herança poligênica. Nesta, estão envolvidos vários genes que podem advir de qualquer um dos antepassados, de qualquer sexo (há uma lenda urbana segundo a qual a calvície estaria ligada apenas à mãe!). Exames bioquímicos de sangue podem afastar outros fatores que levam à rarefação dos cabelos, como doenças do metabolismo ou relacionadas aos hormônios.

Assim, antes de fazer um teste para avaliar as probabilidades genéticas de se ter ou não uma “inclinação” a determinado problema, o ideal é ter a assessoria de um bom profissional para que não ocorram custos desnecessários.

Outras novidades foram a descoberta das células da área do bulge, região do folículo piloso onde o músculo eretor do pelo se insere, e das suas características de células totipotentes e desencadeadoras do ciclo capilar. Isso levou uma legião de cientistas e pesquisadores a acreditar que haveria a possibilidade de multiplicar essas células, por meio de técnicas de cultivo, e depois replantá-las nas áreas em que se quisesse.

Infelizmente, esse processo não se mostrou tão simples quanto essas palavras pareciam torná-lo!
Em várias partes do mundo, inclusive aqui no Brasil, em nosso próprio grupo de estudos, logrou-se a multiplicação, com sucesso, dessas células. Mas, ao implantá-las, não resultaram em novos pelos, como se queria! Faltava algo. Essa teoria baseava-se no fato de que, quando em seu estado de origem, as células da área do bulge teriam a função de estimular o nascimento de um novo fio de cabelo, assim que o anterior entrasse na fase telógena, de queda. Essas células mandariam um sinal à papila dérmica, que, por sua vez, mandaria estímulos à área do bulbo capilar e iniciaria uma nova haste capilar. Possivelmente, a parte dérmica da estrutura folicular não se forma pelo simples estímulo das células-tronco do cabelo, devendo ser também clonada.

Essa parte, que tem se mostrado essencial para que se tenha resultado positivo nessa empreitada, chama-se papila dérmica. Ela fica mergulhada na derme e, na embriogênese, tem o papel de dar o gatilho inicial no processo de invaginação dos queratinócitos que formarão o folículo pilossebáceo.

No processo de miniaturização dos fios, que acontece na alopecia androgenética, essa parte da derme fica fibrótica, sendo vista na anatomia patológica como um processo estelar, denominado stelae.

Mister se faz, portanto, avançar na cultura dessas células que formam a papila dérmica, o que tem sido o objetivo de alguns centros de pesquisa espalhados pelo mundo.

Muito recentemente, tivemos a notícia de que a cultura de fibroblastos não só é um processo totalmente já completado, como já existe mais de um laboratório que está colocando em prática essa técnica.

Apesar da papila não ser constituída apenas de fibroblastos, este pode ser um caminho aberto para o cultivo de outras células dérmicas e uma luz na produção de uma nova estrutura essencial para a formação de um novo fio.

Brevemente, espero escrever aqui, nesta coluna, que estamos cultivando o folículo piloso inteiro e o processo de calvície foi controlado por meio da cultura e da reimplantação dos folículos multiplicados na área calva, ultrapassando assim a última fronteira nos transplantes capilares.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Embalagens para cosméticos, um ano difícil

O ano está prestes a encerrar-se e seu balanço é bem diferente dos anteriores. Empresas em dificuldades, empresários sem entender o que está acontecendo, vendas que não obedeceram à conhecida regra de “meses fracos” e “meses fortes”, ao longo do ano.

Em resumo, o que diz a regra é que “no início do ano as vendas normalmente são menores em relação ao demais meses do ano”, fato que se reverte no segundo semestre, recuperando esses chamados “meses fracos”. Mais do que isso: superando as expectativas e trazendo a conhecida euforia tão comum nesse nosso setor. Isso é o que estávamos acostumados a ver ano a ano, com o Brasil galgando postos, a caminho de ser o terceiro do mundo em consumo de cosméticos, e era questão de pouco tempo para que o país superasse o Japão, se tornasse o segundo e ficasse atrás somente dos Estados Unidos. Talvez tenhamos de esperar um pouquinho mais para que isso aconteça, efetivamente.

Mas o que será que aconteceu este ano? Por que não se repetiu o sucesso dos anos anteriores? Por que muitas empresas querem passar uma régua e esquecer 2012, ou melhor, esquecer que esse ano aconteceu. Será que a marola citada pelo nosso ex-presidente acabou virando tsunami?

Muitas são as prováveis respostas para o fracasso desse ano. A invasão dos importados é sempre citada como uma delas pela maioria. Outro fator, no entanto, talvez seja realmente o grande causador do problema: o endividamento das classes C e E. É notório que depois de um boom de consumo essas classes tenham se retraído e percebido que as dívidas vencem e precisam ser pagas.

Seja o que for que tenha acontecido, a verdade é que essas dificuldades vividas pelas empresas de cosméticos se refletiram no desempenho e no resultado dos fabricantes de embalagens. Algumas empresas se mudaram para galpões menores, reduzindo seu tamanho e dispensando funcionários, na tentativa de adequar-se à nova realidade.

Outras se uniram a concorrentes como forma de unir forças e sobreviver à crise.

O que se percebe, no entanto, é que o setor de plásticos talvez tenha sido o mais afetado, com exceção de uma grande empresa fabricante de tampas que, devido a problemas de limitação de molde, não conseguiu atender à demanda.

Outro setor que sentiu o problema foi o de cartonagem.

Em meio a tantas reclamações de empresários, o setor vidreiro não é uma voz que se ouve no mesmo tom e na mesma altura que a do setor plástico, talvez porque as poucas empresas nacionais ainda tenham dificuldades para atender à emanda do mercado, notadamente as empresas de menor porte.

Não me lembro da última vez que isso aconteceu. Na verdade, já estávamos acostumados a comemorar o fechamento do ano sempre com metas superadas.

É importante ressaltar que não atuo diretamente na área comercial, que conhece e convive com os altos e baixos do setor. Mas basta um encontro qualquer com representantes de empresas do setor para se perceber que o foco da conversa é sempre a dificuldade que o setor está passando, com raras exceções. O que descrevo aqui, portanto, é fruto do que ouço e vejo quando estou em contato, principalmente, com fabricantes de embalagens, seja no papel de cliente pela empresa que trabalho, seja representando a Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC).

Diante desse quadro, fica a preocupação com o próximo ano. Vamos recuperar o terreno perdido? Ou o setor vai acomodar-se e igualar-se aos outros, com crescimento normal?

Particularmente, não acredito em acomodação e um bom sinal são as ferramentarias: um termômetro importante que adianta o crescimento do setor. Já se percebe certo movimento na cotação de novos moldes.

Só nos resta esperar que comece logo 2013 e o que aconteceu em 2012 tenha sido apenas um pesadelo que passou.

Luis Antonio Paludetti
Manipulação Cosmética por Luis Antonio Paludetti

Eu desejo...

Um farmacêutico caminhava por uma rua quando, sem querer, desequilibrou-se e caiu para frente. Ele pensou que tivesse caído em um dos infinitos buracos das calçadas de sua cidade, mas daquela vez, não.

A ponta de um obtuso objeto dourado reluzia um pouco acima do concreto rachado; um brilho cintilante e cristalino, como ele nunca vira antes.

Levantou-se retirando o pó dos joelhos e lamentou a calça esgarçada pela queda. Voltou sua atenção novamente para a calçada e, forçando um pouco, conseguiu retirar o objeto que estava enterrado no chão.

Reconheceu imediatamente aquele formato, tantas vezes imaginado em histórias infantis e tantas vezes visto em filmes das mil e uma noites: era uma lâmpada mágica. “Será uma lâmpada verdadeira ou mais umas dessas imitações chinesas baratas?”, ele indagou. A lâmpada era leve como o vento e brilhante como uma estrela.

O farmacêutico pensou então em tirar a prova dos nove. Procurou um pequeno pedaço de tecido que sempre guardava para limpar seus óculos e esfregou a lâmpada que, quase imediatamente, exalou pelo bico uma fumaça branca que se avolumou no ar, tomando uma forma conhecida.

- Pois não, amo. Eu sou Sharaf al-Mulk, gênio da lâmpada, ao seu dispor. Em gratidão à minha liberdade, posso lhe conceder um desejo. Mas lembre-se: apenas UM.

“Gênio da lâmpada! Quem diria!”, pensou o farmacêutico, quase incrédulo, mas que, diante do que via, teve de acreditar no que estava acontecendo.

- Bem gênio, como você vai me conceder a realização de apenas um desejo, preciso refletir sobre qual será esse desejo – pediu o farmacêutico.

- Pois não, amo. Tenho toda a eternidade para lhe atender, mas talvez o senhor não tenha...
“Esperto esse gênio”, pensou o farmacêutico. “Ele vai tentar me pressionar para eu escolher errado. Mas não vou me abalar.”

O farmacêutico pensou então que não poderia pedir um desejo bobo, por exemplo, a paz no mundo, ser o homem mais rico do mundo ou não ter mais de trabalhar.

“Nã-na-ni-na-não”. Se fizesse algum desses desejos, ele sabia que o gênio facilmente o enganaria. Por exemplo, se pedisse para ser o homem mais rico do mundo, o gênio seria capaz de exterminar toda a humanidade e o deixar só no mundo. Assim ele seria o homem mais rico, mas também a única pessoa na face da Terra.
O desejo teria de ser mais do que esse.

Seu primeiro impulso foi pedir o fim da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. “Sim, imagine não ter mais de fazer POP, Procedimento Operacional Padrão, não ter mais nenhuma limitação para manipular medicamentos, não ter mais de passar as madrugadas lançando dados de medicamentos no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, SNGPC, não ter mais de fazer autoinspeção, não ter mais de ficar usando meu tempo para trabalhar tanto para atender a tantas legislações...”, pensou ele.

Mas logo esse desejo saiu de sua cabeça: “Afinal de contas, se não existisse a Anvisa, quem estabeleceria as regras tão necessárias para que meu estabelecimento funcionasse perfeitamente?

Foi o cumprimento das inúmeras regras que fez de minha farmácia um modelo de qualidade e de boas práticas de manipulação. Também sem a Anvisa, meus concorrentes poderiam fazer o que bem entendessem sem qualquer regra, e isso só me prejudicaria”, refletiu ele. Nesse ponto, pensou: “O problema não é a Anvisa”. “Já sei, vou pedir ao gênio para que me livre dos concorrentes.”

Desistiu, depois do lampejo, de fazer esse desejo. “Meus concorrentes não poderiam, num estalar de dedos, ser riscados do mapa da existência. Definitivamente, não! Eles impulsionam minha criatividade para, todos os dias, eu inovar com produtos e serviços diferenciados. Meus concorrentes me fazem acordar cedo, para cada dia tentar melhorar, não só para superá-los, mas também para que eu me supere. Meus concorrentes, na verdade, são a mola-mestra da minha motivação.”

Estava ficando difícil. “Ah, a indústria farmacêutica e a cosmética! Vou pedir ao gênio para acabar com elas! Aí poderei manipular o que eu quiser!” Outra vez, ele desistiu do desejo. “Pensando bem, a indústria farmacêutica e a cosmética não me atrapalham. Desde que minha farmácia iniciou as atividades, sempre procurei trabalhar com terapias individualizadas, que não concorram diretamente com a indústria, daí a razão do meu sucesso. Além disso, sem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos e ingredientes cosméticos, em pouco tempo as matérias-primas de que disponho se tornariam ineficazes. Não, acabar com essas indústrias não é definitivamente uma boa ideia. Como farmacêutico, eu, e meus pacientes precisamos da inovação que só a indústria pode proporcionar.”

Tudo isso passou pela sua mente em poucos instantes. Refletindo um pouco sobre sua vida, ele percebeu que tinha tudo o que precisava para ser feliz. Uma boa farmácia, uma boa esposa, uma boa casa.

Por fim, decidiu-se e pediu então ao gênio:

- Já sei o que desejo. Desejo poder fazer melhor, com mais dedicação e com mais amor, tudo aquilo que já faço.

- Sábia decisão, meu amo. Seu desejo é uma ordem.
E, ao toque de um dedo, o desejo do farmacêutico se realizou.

“Eu sou feliz”, pensou. “Eu sou feliz!”


* * * * *

Desejo a todos, todos os seus desejos. Boas festas e até o ano que vem!

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