Produtos de Vero

Edicao Atual - Produtos de Vero

Editorial

A palavra é simples: relacionamento

 

No mundo corporativo, uma discussão que se faz cada vez mais presente gira em torno da palavra “relacionamento”. Redes sociais não constituem, em sua essência, uma novidade – elas já existiam quando nossos ancestrais se reuniam em torno de fogueiras. Contudo, graças ao ambiente virtual, nós nos tornamos agentes ativos nas relações de consumo: nossas opiniões e críticas, nossos elogios ou recomendações pesam diretamente na reputação de marcas, produtos e serviços. No entanto, a desenvoltura com que usuários transitam, engajam-se, agrupam-se e informam-se no ambiente virtual ainda não encontra contrapartida nas empresas. Pesquisa da Vocalcom, fornecedora de soluções para contact centers, aponta que apenas 5% das empresas (em nível mundial) utilizam as mídias sociais para relacionar-se com os clientes.

Outro levantamento, o Consumer Views of Live Help Online 2012, produzido pela Oracle, levantou informações sobre hábitos de uso referentes a canais de atendimento como call centers, chats ao vivo, “clique para chamar” e e-mails. Foram entrevistados mais de 3 mil consumidores no mundo todo. Segundo o relatório, mais da metade dos usuários do Twitter espera uma resposta pessoal em até duas horas, após tuitar uma pergunta ou reclamação. Entre os que utilizam o Facebook para postar dúvidas ou queixas, 51% esperam respostas no mesmo dia. Nesse contexto, empresa alguma (independentemente do porte ou segmento de atuação) pode ficar de fora dessa “festa”, como dizem os especialistas em marketing. Só não vale ser o convidado chato, mais interessado em falar do que ouvir.

E por falar em festa, chegamos à estação mais celebrada do ano: o verão. Nesta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil, a matéria de capa aborda as tendências e oportunidades de mercado que chegam com a nova estação. A variedade de produtos desenvolvidos para proteger e hidratar a pele ganha atributos variados e multifuncionais, em sintonia com as demandas do consumidor.

Em “Persona”, João Hansen conta um pouco de sua história de vida e de sua trajetória profissional, construída em mais de 30 anos de atuação na Avon do Brasil. Os artigos técnicos abordam as microemulsões, a evolução dos dentifrícios, o uso de óleos essenciais no tratamento da celulite, os antimicrobianos em sabonetes íntimos e muito mais.

Nesta edição, quero também agradecer ao prof. Dermeval de Carvalho, que, durante mais de seis anos, ilustrou nosso quadro de colunistas e agora está fazendo uma pausa. Ele prometeu retornar brevemente. Prof. Dermeval, as portas continuam abertas. Volte quando puder.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher 

Sistemas de Microemulsão - Peter Tsolis (The Estée Lauder, New York, NY, EUA), Christopher Heisig (Steries Corp., Mentor, OH, EUA)

O objetivo deste artigo é revisar os princípios da química básica, das técnicas de aplicação e dos tópicos de formulação usando microemulsões.

El de este artículo es revisar los principios de química básica, de las técnicas de aplicación de de los temas de formulación utilizando las microemulsiones.

The aim of this article is review the basic chemistry principles, the application techniques and the topics of formulation, using the microemulsions.

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Dentifrícios: Memória de Décadas Passadas - Maria Aparecida Nicoletti (Faculdade de Ciências Farmacêuticas USP, São Paulo SP, Brasil), Andre Rinaldi Fukushima (Curso de Farmácia UnG (Universidade Guarulhos), Guarulhos SP, Brasil), Mariano Valio Dominguez Gonzalez (Accord Farmacêutica Ltda., São Paulo SP, Brasil), Evandro Luiz Siqueira (Faculdade de Odontologia USP, São Paulo SP, Brasil)

Este artigo traz um apanhado histórico da utilização de produtos para a higienização bucal e os principais momentos que contribuíram para o desenvolvimento dos dentifrícios que estão atualmente disponíveis no mercado.

El artículo presenta una visión histórica de la utilización de productos para la higiene bucal y los momentos claves que han contribuido al desarrollo de las pastas de dientes que están actualmente disponibles.

The article presents a historical overview of the use of products for oral hygiene and the key moments that contributed to the development of toothpastes that are currently available.

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Óleos Essenciais no Tratamento de FEG - Daniela S Carvalho, Ana Cláudia da C Depaoli, Maria Inês MV Simionato, Cristina Maria Franzini (Faculdade de Farmácia, Centro Universitário Hermínio Ometto - Uniararas, Araras SP, Brasil)

O objetivo deste trabalho foi desenvolver e avaliar a efi cácia de um cosmético contendo óleos essenciais de Cupressus sempervirens L. e Boswellia carteri Birdw incorporados em cosméticos emulsionados, no tratamento do fibro edema geloide.

El objetivo de este estudio fue desarrollar y evaluar la efi cacia de un cosmético que contiene aceites esenciales para el tratamiento de fibro edema gelóide.

The objective of this work was to develop and evaluate the effi cacy of cosmetic, containing essential oils aimed to edema geloid fiber treatment.

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Atividade Antimicrobiana de Óleo de Eucalipto e de Melaleuca em Sabonete Íntimo - Larissa Rodrigues Morais, Paula Cressoni Martini, Daniele Carvalho Michelin (Curso de Farmácia do Centro Universitário Hermínio Ometto Uniararas, Araras SP, Brasil)

O objetivo deste estudo foi avaliar a atividade antimicrobiana dos óleos essenciais de Eucalyptus globulus e de Melaleuca alternifolia frente a vários micro-organismos. Os testes microbiológicos foram satisfatórios com os óleos e com o sabonete íntimo líquido.

El objetivo de este estudio fue evaluar la actividad antimicrobiana de los aceites esenciales de Eucalipto globulus y de Melaleuca alternifolia contra varios microorganismos. Los análisis microbiológicos fueron satisfactorios con el óleo y con el jabón líquido íntimo.

This study evaluated the antimicrobial activity of essential oils of Eucalyptus globulus and Melaleuca alternifolia was used against various microorganisms. The microbiological tests were satisfactory with both oil and with liquid soap.

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Ação Umectante de PG e PD em Sabonetes em Barra - Adriana Aparecida Trevisan Malagoli, Andréa Cristina de Lima (Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba SP, Brasil)

Este trabalho avaliou a ação umectante de um glicol bioderivado e do propilenoglicol em sabonetes em barra, por meio dos seguintes testes: rachaduras, volume e estabilidade de espuma, perda de massa, resistência à água e estabilidade acelerada. Os resultados indicam que o propilenoglicol, na concentração testada, apresentou melhores resultados em relação aos critérios avaliados.

Este estudio evaluó la acción humectante de un glicol bioderivado y glicol de propileno en los jabones de barra, por las siguientes pruebas: grietas, volumen y estabilidad de
espuma, pérdida de masa, resistencia al agua y de estabilidad acelerada. Los resultados indican que el propilenoglicol mostro mejores resultados en términos de los criterios evaluados.

This study evaluated the wetting action of a bio-derived glycol and propylene glycol in bar soaps, by the following tests: cracks, volume and foam stability, mass loss, water resistance and accelerated stability. The results indicate that the propylene glycol showed better results in terms of the criteria evaluated.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Seja bem-vindo o novo luxo

H poucos dias, li uma matria no jornal DCI (Dirio Comrcio Indstria & Servios) de 6/11/2012, na pgina 8, cujo tema, embora no se trate de uma novidade, ainda impressiona: o crescimento do mercado de luxo no pas. A expectativa de crescimento desse mercado, em cinco anos, de acordo com a consultoria Bain & Company, de algo em torno de 15% a 25%. No mundo, nos ltimos trs anos, esse mercado cresceu dois dgitos, consecutivamente, sobre uma base de faturamento em 2011 de mdicos US$ 1,4 trilho.

Exatos cinco meses antes da publicao daquela matria, outro importante peridico, o The Wall Street Journal Americas, trazia um estudo que qualificava esses nmeros. O estudo mostrava que um pouco mais da metade da cifra que foi gasta nesse mercado em 2011 destinava-se obteno de experincias em vez de aquisio de produtos (segundo a Boston Consulting Group). No mundo ocidental, a modalidade experincia vem crescendo dois ou trs pontos percentuais acima da modalidade produtos.

Sendo assim, melhor comearmos a entender o qu, de fato, vem a ser uma experincia e, consequentemente, quais so os mecanismos de compra.

A diferena bsica entre comprar uma experincia e comprar um produto est no papel que o consumidor desempenha em relao ao bem consumido. Vou exemplificar a seguir. No mercado de luxo, quando algum compra uma Ferrari adquire um produto de luxo e desempenha um papel passivo no processo de compra pois o carro est l e outro consumidor de mesmo poder aquisitivo pode tambm t-lo. Por outro lado, quando compra uma experincia, como uma visita personalizada a alguma vinha na regio de Rhne, na Frana, o consumidor passa a ser um agente ativo, pois a experincia adquirida individual e desse bem ele leva mais do que algo concreto, prtico: leva sensaes e lembranas. Isso decorre de experincias como voar em um balo, pilotar um carro de corrida ou assistir a um show com direito a jantar com o pop star.

No entanto, por que dar tanta nfase ao consumo da experincia em vez do produto? A maior parte do pblico-alvo do mercado de luxo composta de pessoas que esto entrando ou j esto na terceira idade. So pessoas que j passaram da fase de desejar ter produtos, seja porque j os tenham, seja porque descobriram a efemeridade do prazer que estes proporcionam. Por isso, fazer uma visita ao ateli de um estilista renomado, falar com ele e conhecer seu modelo mental sero uma experincia mais prazerosa do que apenas comprar um vestido.

A verdade que a idade, em geral, deixa os seres humanos menos apegados s coisas concretas e faz que estes valorizem mais o intangvel, as sensaes, ou seja, as experincias.

Outro fator que vem contribuindo para o aumento do consumo da experincia em vez do produto o conhecimento, a informao que vem mudando a noo do que vem a ser um produto de luxo. O conceito de politicamente correto vem incomodando a conscincia de muitos, tpico da personalidade das pessoas dessa faixa de idade. No nada confortvel saber que uma bolsa de luxo feita com mo de obra escrava e infantil em algum canto do planeta, ou que se mata uma grande quantidade de animais para a obteno de uma latinha de especiarias. A flexibilizao das empresas de produtos de luxo no sentido de terem marcas ou submarcas para mercados populares tem manchado a imagem do que vem a ser um produto de luxo, exclusivo, nico. A compra de experincias, que na verdade uma evoluo do setor de servios, parece no causar dor e assume uma forma limpa de se gastar o dinheiro, o que caminha na direo de um prazer considerado mais puro. A autora de Deluxe como o luxo perdeu o brilho, Dana Thomas, explora bem essa crise de conscincia.

Estamos comeando a ver o novo luxo em detrimento do velho luxo, a ver o luxo desmaterializado, o luxo simples.

Dessa forma, no ser raro, daqui h pouco tempo, que vejamos empresas cosmticas voltadas para o luxo investirem em agregar experincias a seus produtos. Quem sabe, por exemplo, proporcionar passeios a reservas florestais para que o consumidor conhea espcies exticas usadas em seus perfumes seja uma ideia nesse sentido. Outros exemplos: visitas a centros tcnicos, para os mais cartesianos; conversas com chefes de cozinha sobre ativos naturais usados em alguns nutracuticos; e reunies com pintores para descobrir a relao deles com as cores, cores essas usadas em cosmticos etc.

Convm estar preparado para no ser pego de surpresa.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Balano Geral

Com intensa atividade desenvolvida no decorrer do ano que se encerra, mas com resultados aqum do esperado, tudo indica que de novo deixaremos para o novo ano a finalizao de importantes propostas para o aprimoramento regulatrio da legislao aplicada aos produtos de HPC comercializados no Brasil. Entre essas propostas est aquela aplicvel aos produtos infantis, cuja regulamentao atual est defasada, no aplicvel aos demais pases do Mercosul, assim como no consta das legislaes de referncia (da Europa e dos Estados Unidos), nem mesmo nas legislaes de pases vizinhos ao Brasil, como o Chile e os pases da Comunidade Andina e nas dos demais pases latino-americanos.

Essa singularidade e a demora em sua atualizao tm bloqueado o crescimento de parte do setor, pois a nova regulao atualiza critrios tcnicos e inclui novos produtos at ento proibidos para comercializao no pas, porm permitidos para comercializao no exterior.

Enfim, o balano de 2012 nos traz como atividades concludas, com abrangncia no Mercosul: a reviso da lista de substncias que os produtos cosmticos no devem conter, exceto em condies e restries estabelecidas (RDC n. 3, de 18/1/12); a reviso da lista de substncias de ao conservante, (RDC n. 29, de 1/6/12); e a reviso da lista de corantes, internalizada pela RDC n. 44, de 9/8/12. Todas vlidas a partir da data de sua publicao.

O regulamento tcnico sobre os protetores solares (RDC n. 30, de 1/6/12) ser vigente a partir de 1/6/14, sendo permitida, at sua vigncia plena, a fabricao e a revalidao de produtos com base na RDC n. 237/2002. As empresas tambm podem, nesse perodo, modificar e/ou registrar novos produtos com fundamento no novo regulamento.

Ficou pendente internalizar a reviso do regulamento tcnico relativo s Boas Prticas de Fabricao, cujo principal impedimento reside na indefi nio, por parte da autoridade sanitria, do prazo de adequao a ser estabelecido. O perodo
solicitado, de 12 (doze) meses, pelo setor privado, tem o objetivo de permitir, principalmente s microempresas e s pequenas empresas produtoras, que se adaptem a tempo.

Como se sabe, as microempresas e as pequenas empresas produtoras, em sua grande maioria, no dispem de tcnicos e/ou de recursos locados especifi camente para as atividades que requerem mudanas expressivas, a exemplo da validao
de processos elas tm, em geral, um nico profi ssional na unidade industrial.

Quanto reviso da lista negativa de substncias, ainda em processo de discusso nas rodadas do SGT-11 do Mercosul, est prevista uma substancial alterao para maior na quantidade de ingredientes proibidos (~ 1400), assim como o critrio de sua aplicao. Constaro da lista substncias que, com concentrao superior ao limite estabelecido, sero
consideradas vetadas para uso. Substncias com concentraes inferiores tero seu uso permitido, desde que seja comprovada essa condio.

Outros assuntos de interesse regulatrio em desenvolvimento, especficos para o Brasil, a exemplo dos produtos naturais e ou orgnicos em discusso, para que sejam regulamentados pela Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa), pelo Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa) e pelo setor privado, tem sua evoluo a passos lentos. Os conceitos e as definies aplicveis ainda esto em fase de discusso, devido a divergncias verificadas
nos critrios existentes nos pases que j permitem esses tipos de produtos, ainda proibidos no Brasil.

Finalizo esse breve retrospecto regulatrio, porm sem ter conseguido desenhar um cenrio plausvel para os leitores da Cosmetics & Toiletries Brasil, conforme prometi na edio anterior da revista. O assunto que falta tem relao com as clamorosas e milionrias multas aplicadas pelo CGEM (Conselho de Gesto do Patrimnio Gentico) aos idneos produtores e usurios de insumos da flora brasileira.
Esse fato nos leva a repensar a respeito, igualmente aqueles produtores que ainda no utilizam os insumos da flora brasileira. Fica aqui meu compromisso de voltar a esse assunto
na prxima edio.

Ao leitor, meus votos de Feliz Natal e, como sempre, o desejo de um Ano Novo com muito trabalho e bons resultados.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

O novo velho desafio

Estamos novamente chegando a um final de ano e, como sempre, parece que este chegar mais rpido do que planejamos.

O pas vive um momento econmico bom, com boas perspectivas para o ano que vem e, segundo estudos de uma importante consultoria, alcanaremos a posio de segundo mercado mundial de Higiene Pessoal e Cosmticos (HPC).

Seremos promovidos segunda potncia mundial de cosmticos! Se essa previso concretizar-se, deveremos comemorar? Sim, deveremos, mas no poder ser s uma comemorao. Ter de haver muito trabalho.

Quando atingimos o terceiro lugar houve, naturalmente, muita celebrao, mas talvez tenha faltado um pouco de trabalho.

Ser que somos, tecnologicamente, a terceira fora cosmtica do Planeta? Estamos preparados para assumir a segunda posio? Precisamos, todos, fazer e responder a essas perguntas. Como fabricantes, devemos tambm estar preparados para a concorrncia de produtos importados.

Estruturalmente, temos um mercado concentrado, com uma enorme fatia do faturamento nas mos de poucas empresas. No quero dizer com isso que elas devam crescer menos, pelo contrrio. Mas as pequenas e mdias empresas precisam crescer mais e, para isso, tero de trabalhar mais e de investir mais. Ser necessrio mudar alguns conceitos e praxes utilizados atualmente. Em P&D, a simples replicao de formulaes, com troca de essncia, corante ou ativo - normalmente em baixas concentraes s para justificar o apelo de mercado - precisa dar lugar a uma busca real por inovaes, por meio da realizao de um trabalho de pesquisa e desenvolvimento completo, com o objetivo de obter produtos eficazes, competitivos e, consequentemente, mais lucrativos. H de se avaliar se a rea tcnica tem condies para realizar esse trabalho e se os recursos disponveis so adequados. Em outra frente, deve-se buscar uma aproximao maior e mais efetiva com fornecedores que desenvolvam trabalhos cientficos consistentes ou solues tecnolgicas especficas, para aproveitar os esforos e investimentos realizados por eles. Isso reduzir o tempo e o desembolso que so necessrios para desenvolver e regularizar novos produtos. Mas preciso ter cuidado para no se tornar uma simples replicadora da tecnologia de terceiros.

Cada indstria, independentemente de seu tamanho, precisa empenhar-se para desenvolver e aprimorar sua prpria tecnologia para definir os diferenciais de seus produtos.

Ser necessrio tambm investir e evoluir a capacitao dos profissionais de P&D. Ainda hoje h muita nfase em bancada e quase nada em gesto e inovao. inconcebvel imaginar que aproximadamente 35% do tempo desses profissionais sejam gastos com montagem de relatrios e documentos pelo simples fato de usarem recursos inadequados de informtica.

Por outro lado, temos uma legislao sanitria bem desenvolvida, porm nem sempre bem compreendida e, o que pior, muitas vezes descumprida. Primeiro por desconhecimento o que no aceitvel.

Segundo, pela falsa ideia de que seu cumprimento s representa custo ou no to necessrio assim. O atendimento legislao sanitria muito bom para a sade financeira e econmica das empresas porque garante a fabricao de produtos seguros, estveis e eficazes, e isso indica que o negcio slido, com maior possibilidade de sucesso. A inadequao regulatria, por si s, j representa enorme risco de prejuzo. Imagine uma indstria que fabrica sem saber se seus produtos so estveis, sem saber se so seguros, sem saber se funcionam ou no, e ainda negligencia a documentao obrigatria. Voc investiria nela?

Temos de lembrar que o mercado e a legislao sanitria so iguais para todos, e o porte da indstria no justifica o desconhecimento nem a desconsiderao de seus princpios.

Com a perspectiva de crescimento do mercado, pequenas e mdias indstrias devem preparar-se e usar sua agilidade de forma inteligente e responsvel, enquanto as grandes companhias devem empenhar-se para aperfeioar seus processos internos, eliminando o excesso de burocracia. E tudo isso deve ser feito em um ambiente de plena normalidade regulatria.

Assim, temos de volta um velho desafio: a inevitvel
necessidade de elevar os nveis tecnolgico e regulatrio de nossas indstrias a um patamar que faa jus importncia de seu mercado. O certo que, se o fizermos, teremos produtos e empresas mais competitivos, com profissionais mais capacitados e muito mais chances de sucesso. A, se vier mesmo, o posto de segunda potncia estar em boas mos. E em boas contas tambm.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

A arte da comunicao: a ferramenta do progresso

Junho de 2006. Um honroso convite do editor da Cosmetics & Toiletries Brasil, convidava-me para ser colunista dessa conceituada revista. A experincia me dizia do trabalho que estava a nossa frente, do tempo que seria dedicado na triagem de publicaes cientficas, na capacidade de resumi-las e agreg-las, em pouco espao, e formatadas como colunas cientficas.

A segurana do usurio est em primeiro lugar.
Na medida do possvel, tenho me manifestado em seminrios, publicaes e eventos cientficos , a respeito do crescimento de publicaes cientficas e regulatrias associadas avaliao de segurana de ingredientes cosmticos, mas, tristemente, ainda to carentes no Brasil.

Sem grandes discusses semnticas, mtodos alternativos tem se apresentado de forma muito tmida, acanhada ou mesmo despercebida por boa parte da comunidade cientfica, especialmente nos cursos de ps-graduao em toxicologia, nos rgos regulatrios e no setor regulado.

Qual a razo de tanta preocupao?

Essa pergunta acalenta sonhos, sinaliza horizontes, fortalece a unio de esforos e contempla a cincia na busca de uma deciso que pede urgncia: a validao de mtodos alternativos para substituir aqueles que, embora devam ser lembrados e valorizados, pedem socorro.

A experincia tem me ensinado a lutar e a, sempre que possvel, manter acesa a luz que me tem feito acreditar em pensamentos positivos, mesmo enfrentando convergncias e divergncias da cincia e fatos alheios minha vontade. Continuo acreditando, jamais me deixarei levar pelo descrdito do impossvel, e permanecerei confiante de que os mtodos alternativos j esto a caminho do Brasil.

Uma deciso acertada e que veio para ficar.
Foi publicada a Chamada MCTI/CNPq (Ministrio de Cincia Tecnologia e Inovao/Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico) n 25/2012 - Apoio a projetos para estruturao da Rede Nacional de Mtodos Alternativos (Remana).

Essa chamada tem por objetivo selecionar propostas para apoio financeiro a projetos que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento cientfico e tecnolgico e a inovao no pas [...].

A importncia da chamada dispensa comentrios, mas sua conduo e seu rumo devem ser cautelosos.

Assim penso: a ponderao por parte da comunidade cientfica na busca dos recursos financeiros deve ser a mais interativa possvel. Boas estradas j foram construdas na Europa e nos Estados Unidos, onde reas de interesses comuns se agruparam e os resultados obtidos tm sido promissores e produtivos.

Recente publicao (Cosm & Toil Brasil 24(4):30, 2012), destacou a programao cientfica do evento ESTIV2012, patrocinado pela Sociedade Europeia de Toxicologia in Vitro e pela Associao Portuguesa de Toxicologia, que nos motivou a ir para Lisboa para participarmos do referido encontro cientfico.

Para destacar a importncia da toxicologia, a todos os temas que foram apresentados durante as mesas-redondas foi acrescentada a expresso toxicity, que os qualificava de acordo com os assuntos apresentados, que foram seguidos de intensas discusses. Cerca de 200 trabalhos cientficos foram expostos e outros 50, apresentados em viva-voz.

Outra boa notcia foi que, to logo retornamos, tivemos a oportunidade de acessar duas excelentes publicaes: Regulatory Acceptance and use of 3R models: a multilevel perspective, Altex-Alternatives to Animal Experimentation 28(3):287-300, 2012; e Inconsistencies in data requirements of EU Legislation involving test on animal, Altex-Alternatives to Animal Experimentation 28(3):302-332, 2012.

O peridico logo acima referido, salvo melhor juzo, deve estar sempre ao alcance do pesquisador que se interesse por mtodos alternativos.

Notcias boas, dessa feita, no esto faltando: o Workshop internacional em mtodos alternativos ao uso de animais, com nfase em alergenicidade, previsto para ser realizado nos dias 12 e 13 de novembro de 2012, em So Paulo SP, embora seja de natureza especfica, trar excelente programao cientfica e a participao de representantes do Ministrio da Sade, do Centro Brasileiro de Validao de Mtodos Alternativos (Bracvam) e de pesquisadores do Brasil e do exterior. Outros dois encontros com foco em temas similares ainda sero realizados este ano no Brasil.

Um deles, Perspectivas sobre mtodos alternativos utilizao de animais para a avaliao de segurana de produtos cosmticos, est programado para ser realizado nos dias 29 e 30 de novembro, em Braslia DF. Lembraram-se dos cosmticos.

O ltimo pargrafo. Chegou o momento para uma trgua. Esperamos voltar. Meus agradecimentos e o nosso muito obrigado queles que, por curiosidade, leram os ttulos de nossas publicaes, queles que perguntaram e queles que sugeriram ou guardaram seus comentrios para juzo prprio.

Por 32 vezes estivemos em Cosmetic & Toiletries Brasil.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Exames genticos, clulas-tronco, cultura de clulas

A busca por criar cabelos e pelos onde eles no existem mais ou esto ficando muito ralos vem perseguindo os pesquisadores e tcnicos que trabalham com a tricologia.

Atualmente, no campo da gentica existem alguns testes disponveis no pas que, segundo cientistas, um indivduo pode ter mais propenso calvcie que outros, por meio da avaliao de uma simples amostra de sangue, tanto para homens como para mulheres.

A avaliao clnica e uma boa anamnese com a histria familiar bem destrinchada podem levar o mdico especialista a concluir que os fatores genticos podem estar presentes. Vale lembrar: hoje sabemos que a modalidade de herana gentica que est relacionada aos cabelos a herana polignica. Nesta, esto envolvidos vrios genes que podem advir de qualquer um dos antepassados, de qualquer sexo (h uma lenda urbana segundo a qual a calvcie estaria ligada apenas me!). Exames bioqumicos de sangue podem afastar outros fatores que levam rarefao dos cabelos, como doenas do metabolismo ou relacionadas aos hormnios.

Assim, antes de fazer um teste para avaliar as probabilidades genticas de se ter ou no uma inclinao a determinado problema, o ideal ter a assessoria de um bom profissional para que no ocorram custos desnecessrios.

Outras novidades foram a descoberta das clulas da rea do bulge, regio do folculo piloso onde o msculo eretor do pelo se insere, e das suas caractersticas de clulas totipotentes e desencadeadoras do ciclo capilar. Isso levou uma legio de cientistas e pesquisadores a acreditar que haveria a possibilidade de multiplicar essas clulas, por meio de tcnicas de cultivo, e depois replant-las nas reas em que se quisesse.

Infelizmente, esse processo no se mostrou to simples quanto essas palavras pareciam torn-lo!
Em vrias partes do mundo, inclusive aqui no Brasil, em nosso prprio grupo de estudos, logrou-se a multiplicao, com sucesso, dessas clulas. Mas, ao implant-las, no resultaram em novos pelos, como se queria! Faltava algo. Essa teoria baseava-se no fato de que, quando em seu estado de origem, as clulas da rea do bulge teriam a funo de estimular o nascimento de um novo fio de cabelo, assim que o anterior entrasse na fase telgena, de queda. Essas clulas mandariam um sinal papila drmica, que, por sua vez, mandaria estmulos rea do bulbo capilar e iniciaria uma nova haste capilar. Possivelmente, a parte drmica da estrutura folicular no se forma pelo simples estmulo das clulas-tronco do cabelo, devendo ser tambm clonada.

Essa parte, que tem se mostrado essencial para que se tenha resultado positivo nessa empreitada, chama-se papila drmica. Ela fica mergulhada na derme e, na embriognese, tem o papel de dar o gatilho inicial no processo de invaginao dos queratincitos que formaro o folculo pilossebceo.

No processo de miniaturizao dos fios, que acontece na alopecia androgentica, essa parte da derme fica fibrtica, sendo vista na anatomia patolgica como um processo estelar, denominado stelae.

Mister se faz, portanto, avanar na cultura dessas clulas que formam a papila drmica, o que tem sido o objetivo de alguns centros de pesquisa espalhados pelo mundo.

Muito recentemente, tivemos a notcia de que a cultura de fibroblastos no s um processo totalmente j completado, como j existe mais de um laboratrio que est colocando em prtica essa tcnica.

Apesar da papila no ser constituda apenas de fibroblastos, este pode ser um caminho aberto para o cultivo de outras clulas drmicas e uma luz na produo de uma nova estrutura essencial para a formao de um novo fio.

Brevemente, espero escrever aqui, nesta coluna, que estamos cultivando o folculo piloso inteiro e o processo de calvcie foi controlado por meio da cultura e da reimplantao dos folculos multiplicados na rea calva, ultrapassando assim a ltima fronteira nos transplantes capilares.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Embalagens para cosmticos, um ano difcil

O ano est prestes a encerrar-se e seu balano bem diferente dos anteriores. Empresas em dificuldades, empresrios sem entender o que est acontecendo, vendas que no obedeceram conhecida regra de meses fracos e meses fortes, ao longo do ano.

Em resumo, o que diz a regra que no incio do ano as vendas normalmente so menores em relao ao demais meses do ano, fato que se reverte no segundo semestre, recuperando esses chamados meses fracos. Mais do que isso: superando as expectativas e trazendo a conhecida euforia to comum nesse nosso setor. Isso o que estvamos acostumados a ver ano a ano, com o Brasil galgando postos, a caminho de ser o terceiro do mundo em consumo de cosmticos, e era questo de pouco tempo para que o pas superasse o Japo, se tornasse o segundo e ficasse atrs somente dos Estados Unidos. Talvez tenhamos de esperar um pouquinho mais para que isso acontea, efetivamente.

Mas o que ser que aconteceu este ano? Por que no se repetiu o sucesso dos anos anteriores? Por que muitas empresas querem passar uma rgua e esquecer 2012, ou melhor, esquecer que esse ano aconteceu. Ser que a marola citada pelo nosso ex-presidente acabou virando tsunami?

Muitas so as provveis respostas para o fracasso desse ano. A invaso dos importados sempre citada como uma delas pela maioria. Outro fator, no entanto, talvez seja realmente o grande causador do problema: o endividamento das classes C e E. notrio que depois de um boom de consumo essas classes tenham se retrado e percebido que as dvidas vencem e precisam ser pagas.

Seja o que for que tenha acontecido, a verdade que essas dificuldades vividas pelas empresas de cosmticos se refletiram no desempenho e no resultado dos fabricantes de embalagens. Algumas empresas se mudaram para galpes menores, reduzindo seu tamanho e dispensando funcionrios, na tentativa de adequar-se nova realidade.

Outras se uniram a concorrentes como forma de unir foras e sobreviver crise.

O que se percebe, no entanto, que o setor de plsticos talvez tenha sido o mais afetado, com exceo de uma grande empresa fabricante de tampas que, devido a problemas de limitao de molde, no conseguiu atender demanda.

Outro setor que sentiu o problema foi o de cartonagem.

Em meio a tantas reclamaes de empresrios, o setor vidreiro no uma voz que se ouve no mesmo tom e na mesma altura que a do setor plstico, talvez porque as poucas empresas nacionais ainda tenham dificuldades para atender emanda do mercado, notadamente as empresas de menor porte.

No me lembro da ltima vez que isso aconteceu. Na verdade, j estvamos acostumados a comemorar o fechamento do ano sempre com metas superadas.

importante ressaltar que no atuo diretamente na rea comercial, que conhece e convive com os altos e baixos do setor. Mas basta um encontro qualquer com representantes de empresas do setor para se perceber que o foco da conversa sempre a dificuldade que o setor est passando, com raras excees. O que descrevo aqui, portanto, fruto do que ouo e vejo quando estou em contato, principalmente, com fabricantes de embalagens, seja no papel de cliente pela empresa que trabalho, seja representando a Associao Brasileira de Cosmetologia (ABC).

Diante desse quadro, fica a preocupao com o prximo ano. Vamos recuperar o terreno perdido? Ou o setor vai acomodar-se e igualar-se aos outros, com crescimento normal?

Particularmente, no acredito em acomodao e um bom sinal so as ferramentarias: um termmetro importante que adianta o crescimento do setor. J se percebe certo movimento na cotao de novos moldes.

S nos resta esperar que comece logo 2013 e o que aconteceu em 2012 tenha sido apenas um pesadelo que passou.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

Eu desejo...

Um farmacutico caminhava por uma rua quando, sem querer, desequilibrou-se e caiu para frente. Ele pensou que tivesse cado em um dos infinitos buracos das caladas de sua cidade, mas daquela vez, no.

A ponta de um obtuso objeto dourado reluzia um pouco acima do concreto rachado; um brilho cintilante e cristalino, como ele nunca vira antes.

Levantou-se retirando o p dos joelhos e lamentou a cala esgarada pela queda. Voltou sua ateno novamente para a calada e, forando um pouco, conseguiu retirar o objeto que estava enterrado no cho.

Reconheceu imediatamente aquele formato, tantas vezes imaginado em histrias infantis e tantas vezes visto em filmes das mil e uma noites: era uma lmpada mgica. Ser uma lmpada verdadeira ou mais umas dessas imitaes chinesas baratas?, ele indagou. A lmpada era leve como o vento e brilhante como uma estrela.

O farmacutico pensou ento em tirar a prova dos nove. Procurou um pequeno pedao de tecido que sempre guardava para limpar seus culos e esfregou a lmpada que, quase imediatamente, exalou pelo bico uma fumaa branca que se avolumou no ar, tomando uma forma conhecida.

- Pois no, amo. Eu sou Sharaf al-Mulk, gnio da lmpada, ao seu dispor. Em gratido minha liberdade, posso lhe conceder um desejo. Mas lembre-se: apenas UM.

Gnio da lmpada! Quem diria!, pensou o farmacutico, quase incrdulo, mas que, diante do que via, teve de acreditar no que estava acontecendo.

- Bem gnio, como voc vai me conceder a realizao de apenas um desejo, preciso refletir sobre qual ser esse desejo pediu o farmacutico.

- Pois no, amo. Tenho toda a eternidade para lhe atender, mas talvez o senhor no tenha...
Esperto esse gnio, pensou o farmacutico. Ele vai tentar me pressionar para eu escolher errado. Mas no vou me abalar.

O farmacutico pensou ento que no poderia pedir um desejo bobo, por exemplo, a paz no mundo, ser o homem mais rico do mundo ou no ter mais de trabalhar.

N-na-ni-na-no. Se fizesse algum desses desejos, ele sabia que o gnio facilmente o enganaria. Por exemplo, se pedisse para ser o homem mais rico do mundo, o gnio seria capaz de exterminar toda a humanidade e o deixar s no mundo. Assim ele seria o homem mais rico, mas tambm a nica pessoa na face da Terra.
O desejo teria de ser mais do que esse.

Seu primeiro impulso foi pedir o fim da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria, a Anvisa. Sim, imagine no ter mais de fazer POP, Procedimento Operacional Padro, no ter mais nenhuma limitao para manipular medicamentos, no ter mais de passar as madrugadas lanando dados de medicamentos no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, SNGPC, no ter mais de fazer autoinspeo, no ter mais de ficar usando meu tempo para trabalhar tanto para atender a tantas legislaes..., pensou ele.

Mas logo esse desejo saiu de sua cabea: Afinal de contas, se no existisse a Anvisa, quem estabeleceria as regras to necessrias para que meu estabelecimento funcionasse perfeitamente?

Foi o cumprimento das inmeras regras que fez de minha farmcia um modelo de qualidade e de boas prticas de manipulao. Tambm sem a Anvisa, meus concorrentes poderiam fazer o que bem entendessem sem qualquer regra, e isso s me prejudicaria, refletiu ele. Nesse ponto, pensou: O problema no a Anvisa. J sei, vou pedir ao gnio para que me livre dos concorrentes.

Desistiu, depois do lampejo, de fazer esse desejo. Meus concorrentes no poderiam, num estalar de dedos, ser riscados do mapa da existncia. Definitivamente, no! Eles impulsionam minha criatividade para, todos os dias, eu inovar com produtos e servios diferenciados. Meus concorrentes me fazem acordar cedo, para cada dia tentar melhorar, no s para super-los, mas tambm para que eu me supere. Meus concorrentes, na verdade, so a mola-mestra da minha motivao.

Estava ficando difcil. Ah, a indstria farmacutica e a cosmtica! Vou pedir ao gnio para acabar com elas! A poderei manipular o que eu quiser! Outra vez, ele desistiu do desejo. Pensando bem, a indstria farmacutica e a cosmtica no me atrapalham. Desde que minha farmcia iniciou as atividades, sempre procurei trabalhar com terapias individualizadas, que no concorram diretamente com a indstria, da a razo do meu sucesso. Alm disso, sem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos frmacos e ingredientes cosmticos, em pouco tempo as matrias-primas de que disponho se tornariam ineficazes. No, acabar com essas indstrias no definitivamente uma boa ideia. Como farmacutico, eu, e meus pacientes precisamos da inovao que s a indstria pode proporcionar.

Tudo isso passou pela sua mente em poucos instantes. Refletindo um pouco sobre sua vida, ele percebeu que tinha tudo o que precisava para ser feliz. Uma boa farmcia, uma boa esposa, uma boa casa.

Por fim, decidiu-se e pediu ento ao gnio:

- J sei o que desejo. Desejo poder fazer melhor, com mais dedicao e com mais amor, tudo aquilo que j fao.

- Sbia deciso, meu amo. Seu desejo uma ordem.
E, ao toque de um dedo, o desejo do farmacutico se realizou.

Eu sou feliz, pensou. Eu sou feliz!


* * * * *

Desejo a todos, todos os seus desejos. Boas festas e at o ano que vem!

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