19 de Outubro de 2018

Cosméticos no Mundo Digital

Edicao Atual - Cosméticos no Mundo Digital

Editorial

Uma relação que promete

Sabemos que o panorama socioeconômico do Brasil vem passando por profundas transformações nos últimos anos. Nesse contexto, não é novidade destacar que a parcela de brasileiros pertencentes à classe C avança e aumenta vigorosamente seu poder de consumo. Entretanto, um dado especialmente interessante e que merece atenção é o crescimento da adesão desses brasileiros à internet como canal de compra, como apontam pesquisas recentes.

De acordo com o levantamento “O Observador 2012”, encomendado pela Cetelem BGN (empresa do grupo financeiro BNP Paribas) à Ipsos Public Affairs, a classe C incorporou mais de 2,7 milhões de pessoas, totalizando mais de 103 milhões em 2011. No período de 2005 a 2011, o número de pessoas pertencentes a essa classe passou de 34% para 54% da população. Some-se a esse contexto os dados de outro levantamento, feito pela e-bit, segundo o qual o setor de e-commerce no Brasil recebeu 9 milhões de novos consumidores no ano passado, sendo 61% destes pertencentes à classe C. O casamento entre a classe C e a internet pode, portanto, render bons frutos às marcas de segmentos variados.

Os caminhos digitais e as transformações que acarretam as relações entre marcas e consumidores constituem o foco da matéria de capa desta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil. A reportagem destaca a integração proporcionada pelos meios digitais, o avanço das redes sociais e os investimentos da indústria em ferramentas de interatividade com o consumidor – que agora assume o papel de produtor e transmissor de conteúdos.

Os artigos técnicos abordam o controle do frizz, um diferencial em produtos para cabelo; a forma de calcular a penetração percutânea de ingredientes cosméticos; a fonoforese e a iontoforese como formas de permeação; e a reologia e a distribuição de tamanho de partículas nas emulsões cosméticas.

A seção “Persona” apresenta a trajetória de Antonio Celso da Silva, dono de uma carreira de sucesso construída em mais de 30 anos de atuação no mercado cosmético.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos

Publisher

Controle de Frizz em Produtos para Cabelo - Eric S Abrutyn (TPC2 Advisors Ltd., Delray Beach, FL, EUA)

Produtos anti-frizz são indicados para evitar cabelos arrepiados, porém não devem deixar o cabelo esticado ou com cobertura que dá sensação de “sujidade”, resultando em brilho pouco natural ou tendência a absorver água. Neste artigo o autor revela as recentes patentes de ingredientes anti-frizz e desvenda a fórmula de produtos anti-frizz disponíveis no mercado.

Productos anti-frizz están indicados para previnir el pelo suelto, pero no deben dejar el lácio o com la cobertura que da la sensación de “suciedad”, lo que resulta en brillo poco natural o con tendencia a absorber agua. En este artículo, el autor revela las últimas patentes y los ingredientes anti-frizz presente en la formula de productos anti-frizz disponible en el mercado.

Anti-frizz products are indicated to prevent flyaway hair, but should not let the hair straightened or with coverage that gives feeling of “dirt”, resulting in unnatural brightness or able to absorb water. In this article the author reveals the latest patents ingredients and formula of anti-frizz products on the market.

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Predição da Penetração Percutânea de Ingredientes Cosméticos - Sara Farahmand, PhD (University of California School of Medicine, San Francisco, CA, EUA); Howard I. Maibach, MD (University of Cincinnati College of Pharmacy, Cincinnati, OH, EUA

Neste artigo, os autores descrevem o uso de dados in vivo em seres humanos para predizer a penetração de ingredientes cosméticos. Foram utilizadas 10 moléculas na tentativa de desenvolver um modelo matemático para a predição da concentração máxima de penetração.

En este artículo, los autores describen el uso de datos in vivo para predecir la penetración de ingredientes cosméticos. Foram utilizadas 10 moléculas en un intento de desarrollar un modelo matemático predictivo de la concentración máxima de penetración.

In this article, the authors describe the use of in vivo data in humans to predict the penetration of cosmetic ingredients. Ten molecules were used in an attempt to develop a mathematical model predictive of the maximum concentration of penetration.

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Permeação Cutânea: Fonoforese versus Iontoforese - Sineide Horst da Silva, Susan M. Malta Guedes, Marilen Pires (Universidade do Vale do Itajaí - Univali, Florianópolis SC, Brasil)

Este estudo tem por objetivo abordar as vias de permeação cutânea, bem como o mecanismo de ação dos promotores físicos iontoforese e fonoforese, a fim de recolher e analisar as principais contribuições sobre este tema na área cosmética. Concluímos que os métodos se mostram eficientes na permeação de cosméticos.

Este estudio tiene como objetivo abordar el proceso de impregnación de la piel y el mecanismo de acción de los promotores físicos fonoforesis e iontoforesis para recopilar y analizar las principales contribuciones sobre este tema en los cosméticos. Podemos concluir que el método fue eficaz para la penetración de los cosméticos.

This study aims to address the process of skin permeation, and the mechanism of action of promoters and physical iontophoresis phonophoresis to collect and analyze the major contributions on this issue in the cosmetics. We can conclude that the method was efficient in permeation of cosmetics.

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Reologia e Distribuição de Tamanho de Partículas - Aline Kalucz, Profa. Dra. Diana Thomé Fachin (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba PR, Brasil); Carlos Eduardo de Oliveira Praes (Grupo Boticário, São José dos Pinhais PR, Brasil)

O comportamento reológico de uma emulsão cosmética é dependente de sua distribuição granulométrica, além de outros fatores. Este estudo buscou avaliar esta relação de dependência, priorizando o fator viscosidade das propriedades reológicas existentes, a fim de gerar subsídio teórico que permita, a partir da distribuição de tamanho de partículas, prever qualitativamente a viscosidade de emulsões contendo o sistema emulsionante constituído por estearomacrogol-2 (steareth-2) e estearomacrogol-21 (steareth-21). Os resultados mostraram influência na variação da distribuição granulométrica, a partir de ciclos de homogeneização de alta pressão, e a viscosidade final de um produto.

El comportamiento reologico de una emulsión cosmética depende de la distribución del tamaño de partícula, y otros factores. Este estudio buscó evaluar esta relación de dependencia, haciendo énfasis en el factor viscosidad de las propiedades reologicas existentes, con el fin de generar base teórica para permitir, a partir da distribución del tamaño de partículas, cualitativamente predecir la viscosidad de emulsiones que contienen un sistema emulsionante que consiste en estearet-2 y estearet-21. Los resultados mostraron la influencia de la variación de la distribución de tamaño de partícula, el ciclo de la homogeneización a alta presión y la viscosidad de un producto final.


The rheological behavior of a cosmetic emulsion is dependent on size distribution, and other factors. This study sought to evaluate this dependency relationship, emphasizing the viscosity of the rheological factor existing in order to generate theoretical background to allow, from the size distribution of particles, qualitatively predict the viscosity of emulsions containing an emulsifier system consisting of steareth-2 and steareth-21. The results showed variation between the influence of particle size distribution, from cycles of high-pressure homogenization, and the viscosity of a final product.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

O agradável odor do mercado nacional

A história do perfume é bem antiga. Acredita-se que a primitiva perfumaria teve início com a queima de substâncias viscosas e resinas como incenso, em cerimônias religiosas. Em consequência disso, a palavra “perfume” vem do latim “per fumum”, que significa “pelo fumo”. Um dos primeiros registros sobre perfume vem do Egito. Quando foi aberta a tumba do faraó Tutancâmon, encontraram-se mais de 3.000 jarros de perfume que ainda preservavam um pouco de sua fragrância, depois de mais de 30 séculos.
“Os mais seletos perfumes” estavam incluídos na fórmula “dada” por Deus 1.500 anos antes da Era Comum e usada pelos sacerdotes israelitas para o óleo de santa unção, conforme descrito no livro bíblico Êxodo 30:23-33. Os hebreus usavam unguentos perfumados como cosméticos e para fins medicinais, bem como para preparar os mortos para o enterro, que conscientemente ou não, serviam como desinfetantes e desodorizantes, como pode ser observado no relato do escritor bíblico e médico Lucas 23:56 e 24:1. Outra evidência do uso de perfumes entre os hebreus é encontrada na prática da hospitalidade de untar os pés de um convidado com óleo perfumado quando este chegava de uma longa viagem.
Avançando um pouco, no primeiro século, relata-se que Roma usava cerca de 2.800 toneladas de olíbano e 550 toneladas de mirra por ano. O valor desses ingredientes aromáticos pode ser percebido pelo fato de terem sido ofertados como presentes a Jesus Cristo quando este ainda era criança. (Naquela época, esses presentes eram ofertados a pessoas importantes, como reis e autoridades. Em certa ocasião, o imperador Nero gastou o equivalente a 100.000 dólares para perfumar uma festa, em 54 da Era Comum. Nas salas de jantar, encanamentos escondidos borrifavam os convidados com brumas de água perfumada. A partir do sétimo século, os chineses começaram a usar fragrâncias, inclusive sachês perfumados. Na Idade Média, usavam-se perfumes na cultura islâmica, especialmente os aromas de rosa.
A indústria do perfume ficou tão bem estabelecida na França no século 17, que a corte de Luís XV foi chamada de “a corte perfumada”. Usavam-se fragrâncias não apenas sobre a pele, mas também nas roupas, nas luvas, nos leques e na mobília.
Como sempre, a beleza vem em primeiro lugar. O Brasil, hoje a terceira maior economia cosmética do planeta, tornou-se um dos principais polos de investimento de empresas francesas, entre elas, casas de fragrâncias e indústrias cosméticas, líderes na arte de criar marcas que aliam tradição e inovação. O setor de perfumaria no País representa 15,6% do consumo mundial, o que representa o maior mercado mundial desse setor.
A cifra é tão expressiva que faz (Ou: fez?) a L´Oréal, que completa 11 anos em solo nacional, ter (Ou: instalar?) a sua maior fábrica (em volume de produção) instalada aqui, entre as 38 outras fábricas espalhadas pelo mundo.
Atualmente conta com 22 linhas de produção que são responsáveis por 370 milhões de unidade/ano de produtos das marcas L´Oréal Paris (Elséve), Garnier (Fructis), Colorama, Maybeline NY, entre outras. A fábrica local goza do privilégio de suprir outros 14 países.
Outra empresa expressiva por seus produtos importados no mercado local é a L´Occitane, que lançou nada menos do que 190 produtos, como Calanques, Fleur Chérie, Flor de Ameixa, Chá-Verde com Jasmim e Verbena Soleil, além da linha facial completa Angélica, cujo ingrediente ativo foi patenteado pela empresa.
A recente chegada da empresa Biossentiel, especializada em aromaterapia, colocou no mercado local, desde outubro de 2011, nada menos que 66 produtos distribuídos em 10 diferentes linhas de tratamento, que contam com apelos orgânicos e de sustentabilidade.
Nessa onda de redescoberta das empresas francesas no mercado local, algumas empresas nacionais buscam parcerias, como no caso do laboratório Cristália com a empresa Uriage. A Cristália, que já tem em linha seus próprios produtos, como Kollagenase, Funtyl e Naderm, incorpora a marca Peptilys da Uriage, além de outros produtos da suíça Teosyal e da chinesa Prosigne.
A grande novidade no mercado é a expectativa da entrada da Sephora no mercado local em 2012. A empresa chega ao Brasil discretamente com a aquisição da Sacks e promete instalar 5 lojas, sendo 3 em São Paulo, a serem somadas às mais de 1.500 existentes em outros 25 países, com o objetivo de apresentar 20 marcas inéditas.
Da Antiguidade aos dias de hoje, a indústria direta e indireta do perfume vem escrevendo a história da humanidade, e, porque não dizer, uma agradável história não só sensitiva, mas também lucrativa.

Artur João Gradim
Assuntos Regulatórios por Artur João Gradim

Internalização: processo fora de controle no Mercosul

O requerido procedimento dinâmico de atualização dos regulamentos técnicos (Resoluções GMC) na área de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos segue o tradicional e lento rito previsto, no que se refere ao seu conteúdo técnico.
O vai e vem das propostas, as emendas, as discussões internas, os interesses, tudo isto somado à grande diferença de empenho entre os países-membros sobre os temas, contribuem para a baixa velocidade alcançada na harmonização dos assuntos discutidos. Entretanto, os temas são de pleno conhecimento de todos, em tempo real, até sua aprovação.
Neste processo de harmonização técnica, a posição brasileira tem sido praticada com responsabilidade e está evoluindo para o propósito de minimização de diferenças entre as partes. Exemplos disso são os critérios técnicos específicos (pareceres Catec) que ainda estão à margem das Resoluções GMC, condição tem sido criticada há longa data por nossos parceiros e países extrazona. Em função da revisão da lista negativa e objetivando incluir estes pareceres, o setor oficial brasileiro está propondo uma discussão para a elaboração de proposta para migrar os pareceres restritivos para a Resolução GMC correspondente, no que couber assim como os pareceres que dispõe sobre o uso proibido no país de algumas substâncias.
A fase seguinte, referente ao caminho percorrido pelas Resoluções GMC, aprovadas, pós a consulta pública e as adequações finais, fica a cargo de cada país – que determina o período de sua implementação. É nessa etapa que as empresas têm sofrido enorme dores de cabeça e, porque não dizer, prejuízos por causa do desconhecimento de quando irá iniciar a vigência da internalização dessas Resoluções em cada um dos países associados, salvo o país de origem.
A ausência de um sistema de informação integrado, que deveria ser realizado pela coordenação do Mercosul em relação a essa internalização, é inconcebível. A criação desse sistema é o mínimo esperado desse órgão, que atualmente apresenta um site amorfo e desprovido de informações de interesse prático.
O descompasso verificado nesse processo, que fica a critério de cada país, tem causado sérios transtornos nos sistemas de logística, produção e definição de mercado das empresas que comercializam seus produtos na região, impede que se faça um planejamento único em relação ao escoamento de estoques de materiais e produtos finais que por ventura tenham sido impactados por uma nova condição estabelecida na atualização de uma Resolução. A mesma dificuldade ocorre nos lançamentos dos substitutos desses produtos, impedindo que se realize uma operação com a amplitude requerida.
Considerando o óbvio, o dito popular “Antes tarde do que nunca” e, mais do que tudo, lamentando que o reconhecimento mútuo não é, por ora, o desejo comum nesse pretenso mercado comum, o mínimo que se pode exigir desse órgão, por meio de sua secretaria executiva, é que seja criado um espaço específico no site com o status oficial da internalização por país das Resoluções GMC dos vários Grupos Ad-Hoc do SGT nº 11. O conhecimento amplo dessas resoluções só é permitido às empresas que têm bases em todos os países-membros, o que lhes permite uma troca de informações abrangentes intercompany, um privilégio de poucos.
Para um país como o Brasil, que este ano alcançará a
vice-liderança global no mercado de consumo de seus produtos, líder absoluto na América Latina e cujos programas de governo incentivam a capacitação de empresas nacionais de médio e pequeno porte a alcançarem mercados externos, a continuidade dessa situação é inadmissível. E, considerando esses fatores, o “mínimo dos mínimos” que o país merece obter é esse status, com implementação imediata.
A grande maioria das empresas nacionais de pequeno e médio porte que exportam para o Mercosul, bem como os produtores extrazona, padecem, na mesma intensidade, dessa falta de informação. Não têm uma fonte adequada de consulta para seu planejamento, instituindo um verdadeiro processo de garimpagem de informações para atender a um status extraoficial duvidoso. Isso não ocorre com as legislações de referência, cujo órgão responsável pela emissão do regulamento determina o período de sua implementação com o tempo necessário para o enquadramento de todos os países simultaneamente.
Diante dessa impactante dificuldade, esperamos de pronto a sensibilização por parte das autoridades de coordenação do SGT nº 11 no que se refere à importância de que essa informação oficial seja transmitida de forma prática e precisa, e seja de fácil acesso, uma vez que o setor produtivo é seu principal destinatário e está interessado em ter uma atuação viável e ampla nesse mercado.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Práticas por Carlos Alberto Trevisan

Elaboração de documentos

A implantação do processo da qualidade deve – de modo preventivo – considerar quais os recursos e qual a forma de sua disponibilização. Isso inclui a designação do pessoal capacitado para as atividades de implantação em si, como também para as atividades de avaliação, inclusive as auditorias internas da qualidade.
Devem ser determinados os meios e o pessoal. As atividades devem ser realizadas por profissionais autônomos, tanto na análise dos projetos como nas auditorias de sistemas, processos e produtos.
Devem ser avaliadas as necessidades tanto de materiais como de máquinas, equipamentos etc., e as necessidades de recursos humanos no que diz respeito ao número de profissionais e ao nível de treinamento requerido para a execução das atividades. Nessa etapa é fundamental a participação da área de recursos humanos em conjunto com os gestores das demais áreas da empresa.
A forma (documento) por meio da qual se comunica a equipe sobre “quem faz o quê” deve ser definida do modo mais objetivo possível. Esse documento deve conter apenas as responsabilidades-chave, não necessariamente precisa ser um job description.
Deve sempre ser considerada a situação atual da empresa, mas com a necessária flexibilidade para acompanhar seu crescimento no futuro.
Na implantação do processo da qualidade, a administração da empresa deve designar um representante, que, independentemente de outras responsabilidades, terá autoridade definida para:
- Assegurar as condições para implantar o sistema da qualidade, e, na finalização do processo, garantir a sua permanência.
- Relatar o desempenho do sistema da qualidade para que a administração da empresa faça uma análise crítica que resulte na melhoria do processo.
- Responsabilizar-se pela efetiva implementação do processo.
A atividade desse representante deve estar formalizada no organograma da empresa.
A análise efetuada pela administração deve considerar criticamente o sistema da qualidade em intervalos definidos, em número suficiente para garantir a adequação contínua aos princípios estabelecidos pela política e pelos objetivos da qualidade. Para isso deve-se estabelecer: intervalos adequados; assegurar a sua adequação desta análise ao sistema de garantia da qualidade; assegurar a eficácia do sistema de garantia da qualidade; avaliar os resultados da auditoria; e emitir a documentação.
Periodicamente, deverá ser realizada a análise crítica da política da qualidade e do sistema da qualidade, assegurando a satisfação das expectativas intrínsecas e extrínsecas dos clientes.
A análise em geral, no que se refere à eficácia do sistema, é realizada anualmente com a participação de todos os gestores da empresa.
A base dessa análise são os relatórios de auditoria internas realizadas no período e os relatórios da evolução positiva ou negativa das não conformidades, pois estas indicam se o sistema implantado é ou não eficiente e se está sendo cumprido. Podem também ser considerados relatórios de reclamações, devoluções etc.
A metodologia dessa análise deve estar formalizada no manual da qualidade ou em procedimento específico, sendo que os resultados (relatórios ou atas de reunião), com o respectivo acompanhamento das ações, são úteis para aprimorar a implantação e para eliminar as não conformidades e/ou comprovar melhorias obtidas.
Nessa metodologia deve-se considerar, por exemplo:
- Quem garante que o produto ou serviço vendido é o que será entregue?
- Quem garante que o sistema da qualidade está sendo adequadamente administrado?
Devem ser respondidas estas questões:
- A empresa está oferecendo aos clientes aquilo que eles desejam?
- A política da qualidade da empresa precisa ser alterada?
- O monitoramento do sistema da qualidade está funcionando adequadamente?
- Existe melhor alternativa para adequar o sistema?
- As reclamações dos clientes, o nível de rejeições, o retrabalho ou outras anotações indicam a necessidade de alterações?
- Quais alterações serão necessárias, quem as fará e quando?
O processo da qualidade deve estar plenamente documentado e registrado. Os documentos controlados devem necessariamente conter as seguintes informações:
- Objetivos e compromissos com a qualidade, como parte da política da administração.
- Definição de responsabilidades, da autoridade e das inter-relações dos colaboradores envolvidos com a qualidade.
- As atividades internas de verificação.
- Processos e procedimentos de análise crítica da administração.
As análises críticas da alta da administração – atestando a adequabilidade e a eficácia do sistema – e as ações corretivas e/ou melhorias adotadas devem fazer parte dos registros da qualidade.
A instituição deve compreender e visualizar a garantia da qualidade como forma de pensamento (filosofia). A qualidade engloba todas as fases e atividades da empresa.

Wallace Magalhães
Gestão em P&D por Wallace Magalhães

Procedimentos para o desenvolvimento eficiente de formulações

O desenvolvimento de uma formulação é um processo com várias etapas e a qualidade do trabalho vai depender de como essas etapas serão cumpridas e como seus requisitos serão abordados. O que se vê correntemente em cursos, congressos, palestras, workshops e publicações está focado no que poderíamos chamar de “fase de bancada”. Isso é justificado pelo fato de ser nessa fase que acontecem a aplicação e a verificação da tecnologia utilizada. Mas ela não é a única fase e o especialista tem de saber disso. Se estivéssemos projetando uma casa, não poderíamos nos preocupar somente com a fachada e o acabamento. Teríamos de considerar fundação, cobertura, posicionamento etc.
Na elaboração do projeto do RTC - software para P&D de cosméticos - tivemos de listar e especificar todas as fases do desenvolvimento de uma formulação para que o pessoal de TI pudesse montar uma solução completa e funcional. A partir daí, elaborei um roteiro com dicas importantes para o desenvolvimento eficiente de formulações.
Registrar formalmente as características da nova formulação vai facilitar muito o trabalho. O conteúdo do briefing será diferente se o projeto for um novo produto ou aperfeiçoamento, mas deve abranger, no mínimo, finalidade, forma, diferenciais, custo, público-alvo e direcionamento sensorial. Se houver produtos de referência (benchmark), registre o maior número possível de informações sobre eles, como formulação qualitativa, resultado de análise físico-química, avaliação de uso e conteúdo de rotulagem.
A seleção de ingredientes deve ser precedida de uma pesquisa em literatura técnica confiável. Discutir o projeto com seus fornecedores também é um procedimento muito interessante.
Monte um cadastro com as matérias-primas escolhidas, no qual devem constar:
- Descrição
- INCI Name
- Referências (CAS, EINECS etc)
- Teor de ativo
- Diluente, se for o caso
- Preço por quilograma
- Especificações, incluindo a descrição dos métodos de análise utilizados
- Literatura técnica
De acordo com a legislação brasileira não é necessário “abrir” toda formulação com o registro da concentração centesimal de todos os seus ingredientes. Assim, ao usar blend de uma cera autoemulsionante ou de ativos para condicionamento capilar, não é obrigatório declarar a concentração de cada componente. Porém, no caso de blends de conservantes ou com outros materiais constantes de lista restritiva, será necessário registrar sua composição centesimal. Ao selecionar a essência, não se esqueça de registrar a concentração de alergênicos presentes em sua composição.
A fase de montar a formulação começa com a atividade mais abstrata (ou intelectual) do processo, que é a definição de ingredientes e de sua concentração. Essa atividade deve ser realizada com muita concentração e muito critério. Mas não para por aí. Deve-se redigir o modo de preparação da forma mais clara possível. E mais: deve ser montada sua especificação, com a respectiva citação dos métodos de análises.
Terminada a montagem da formulação, verifique se o custo está dentro do que tiver sido estabelecido. Lembre-se de que ele deve estar o mais próximo possível do que tiver sido determinado para o projeto. Não é vantagem montar uma formulação com custo muito baixo. Se isso ocorrer, revise a formulação incluindo mais ativos. É preciso dar ao consumidor o máximo de performance possível.
Emita a fórmula consolidada em teor de ativos e verifique se os ingredientes constantes das listas restritivas estão dentro da faixa permitida. Verifique também as especificações.
Emita a ordem de preparação de bancada, na qual o formulário deve conter o código, a versão, os ingredientes ordenados por fase, a concentração centesimal, a quantidade a pesar, o modo de preparação e as especificações. Também deve conter campos para anotações de observações durante o processo.
Anote e registre tudo o que tiver sido observado durante a preparação das amostras. Elas serão valiosas para apurar a formulação ou para orientar a fabricação de lotes-piloto.
Registre de forma sistemática a avaliação prévia da nova formulação. A melhor maneira é definir os quesitos e aplicar uma escala padronizada. Lembre-se de fazer essa avaliação após a amostra atingir seu equilíbrio.
Se esses princípios forem observados, certamente o processo se tornará muito mais eficiente.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Condicionadores

Os óleos naturais, como o de melaleuca e o de jojoba, têm sido utilizados, há muitos anos, para condicionar cabelos. Conta-se que, na Inglaterra vitoriana, os homens utilizavam nos cabelos o óleo de macassar (óleo perfumado de coco ou de palma), que exigia a colocação de uma toalha nos sofás e estofados para proteger contra os danos do referido condicionador.
Em 1900, na Exposição Universal de Paris, França, um perfumista de nome Pinaud apresentou um produto que chamou de brilhantina, utilizado para suavizar cabelos, barbas e bigodes de homens. É claro que as fórmulas evoluíram para produtos que, hoje, trazem o benefício do condicionador, sem serem gordurosos ou pesados.
Para começar a definir é importante frisar que não é um creme rinse, cuja formulação pode conter ativos utilizados no primeiro, mas tem uma função específica.
O condicionador capilar é basicamente um produto que tem como finalidade revestir a cutícula do pelo, devolvendo-lhe o excesso de gordura retirada do manto hidrolipídico pelo uso do shampoo.
Condicionadores são conhecidos por terem efeito profilático em relação a danos ao cabelo que podem ser provocados por tratamentos químicos ou mecânicos, cosméticos e outros procedimentos. São conhecidos por conferir maciez e suavidade ao cabelo porque hidratam a fibra.
Quando o cabelo é tratado com um polímero catiônico, como o poliquatérnio-10, as faces das lamelas da cutícula apresentam hidratação mais profunda e as bordas menos hidratadas, quando as células da cutícula são comparadas às de um cabelo não tratado.
Isso sugere que o condicionador amacia a face e endurece as arestas da cutícula, o que foi comprovado por estudos de laboratório.
Os condicionadores capilares promovem variados benefícios, que podem ser sumarizados nas seguintes categorias:
Hidratação: tem o papel de manter a umidade do cabelo. Normalmente, esse tipo tem uma grande quantidade de umectantes.
Reconstrução: geralmente contém proteína hidrolisada. Seu papel é supostamente o de penetrar no cabelo e reforçar sua estrutura por meio da reticulação do polímero.
Acidificação: reguladores de acidez, que mantêm o pH do condicionador em torno de 3,5.
Desembaraçamento: modificam a superfície do cabelo, promovido por revestimento com polímeros.
Proteção térmica: geralmente polímeros de absorção de calor protegem o cabelo contra o calor excessivo, causado pela secagem ou pelo uso de chapinha, por exemplo.
Aumento de brilho: refletores químicos que se ligam à superfície do cabelo. Normalmente, são polímeros de silicones, por exemplo, dimeticone ou ciclometicone.
Secagem: óleos essenciais (ácidos graxos essenciais) podem ajudar a secar o cabelo poroso e deixá-lo mais macio e flexível. O couro cabeludo produz um óleo natural, o sebo, que contém ácidos graxos essenciais.
O cabelo é composto por aproximadamente 97% de uma proteína chamada queratina. A superfície da queratina contém aminoácidos negativamente carregados. Condicionadores de cabelo, por conseguinte, geralmente contêm agentes tensoativos catiônicos, que não devem ser removidos completamente durante a lavagem porque suas extremidades hidrofílicas ligam-se fortemente à queratina. As extremidades hidrofóbicas das moléculas de tensoativo, em seguida, agem como a superfície de um cabelo novo.
Na formulação de condicionadores, a presença de álcoois graxos, pantenol, dimeticone etc. promove a lubrificação dos cabelos. Sequestrantes podem estar presentes, para uma melhor função quando se usa água dura. Além desses ingredientes ativos, também são incluídos agentes antiestáticos.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Aplicadores para maquiagem

A maquiagem é, para muitas mulheres, uma “segunda pele” ou como uma “roupa”. Sair sem maquiagem é como sair faltando uma peça de roupa. Sem falar no ritual diário, no qual elas podem levar, às vezes, mais de uma hora fazendo a maquiagem, antes de sair para o trabalho.
Sabemos da importância dos produtos de maquiagem para as mulheres, mas, como nós, técnicos que desenvolvemos e criamos os produtos, tratamos desse assunto? Qual é nossa preocupação na hora de criá-los? Com o que devemos nos preocupar?
Essas perguntas na verdade têm várias respostas.
Nossa preocupação primeira chama-se cor. Qual é a tendência, em qual estação do ano vamos lançar esse novo produto ou essa nova cor?
Temos a preocupação com a segurança desse produto, que passa necessariamente pelo uso apenas de matérias-primas aprovadas pela Anvisa.
Temos também a preocupação com o sensorial dessa maquiagem, com a aplicação, a cobertura, a fragrância, a contaminação microbiológica, a eficácia e a estabilidade da formulação e, principalmente, a compatibilidade da embalagem.
Falando de embalagem, o que isso tem a ver com a eficácia do produto?
Em certos produtos de maquiagem, a embalagem e, mais especificamente o aplicador, são determinantes para o bom resultado, para a eficácia do produto e para a satisfação da consumidora.
Blush, por exemplo. O produto pode ser excelente, mas, se o pincel aplicador não for adequado, ou seja, macio, de fácil manuseio e não solte pelos, de nada adiantará o produto ser bom. Esses pincéis podem ser naturais, de pelo de crina de cavalo ou pônei, de pelo de orelha de boi etc., mais caros que os sintéticos, porém muito macios. Podem ser também sintéticos, mais baratos, no entanto, normalmente um pouco mais duros, dificultando a aplicação.
Para pó compacto existem as famosas esponjas aplicadoras e, da mesma forma que no blush, elas precisam ser adequadas, ou seja, macias, não soltar pedaços e de fácil manuseio. Muitas vezes, a empresa tem um bom produto, uma embalagem linda, mas, por uma questão de custo acaba optando por uma esponja barata, de baixa qualidade, que “mata” o produto.
No brilho labial, a esponjinha do aplicador também precisa ser macia, não soltar e resistir até o término do produto, aliás, isso é mandatório para todos os aplicadores.
Entre todas as maquiagens, a que tem maior dependência do aplicador é a máscara para cílios, também conhecida como rímel. Se a escovinha de aplicação não for adequada para o fim a que se destina, o produto “morrerá”.
Todas essas máscaras são aplicadas nos cílios com a principal função de colori-los. Mas atualmente existem outros inúmeros e famosos apelos, como os de alongar, espessar, separar, curvar os cílios, entre outros. E para cada tipo de apelo existe uma escovinha adequada, na qual o formato e a quantidade e disposição das cerdas são fundamentais. Muitos bons produtos não fazem sucesso porque se escolhe a escovinha errada. Isso sem contar que, numa máscara incolor, se a parte metálica que segura a escovinha na haste do aplicador não for de aço inox, vai oxidar e “matar” o produto.
Hoje, as escovinhas de máscaras são normalmente de silicone, material com o qual se consegue trabalhar bem essa questão da flexilibilidade, importante recurso desses aplicadores.
Os fornecedores normalmente têm diversas opções, mas é preciso saber escolher a mais adequada para o seu produto. Cílios grandes, alongados, curvados para cima e coloridos (normalmente pretos) são tudo o que as mulheres querem.
Para os delineadores de olhos, o aplicador precisa ser bem fininho e firme, para delinear bem e facilitar o traço.
Entendo então, a superimportância desses aplicadores de maquiagem. O problema maior, na verdade, é encontrar um bom fornecedor, considerando-se que as boas embalagens de maquiagem, e isso inclui os aplicadores, são importadas normalmente da China. O lado bom disso é que já existem alguns bons importadores/fornecedores com estoque local e que vendem pequenas quantidades.
Lembrem-se também de que o fato de serem de origem chinesa não quer dizer que as embalagens sejam ruins, pois, tanto lá como cá também existem os bons e os péssimos fornecedores com suas respectivas qualidades.
Minha missão, na coluna desta edição, é passar um pouco desse conhecimento que, como sempre digo, é fruto da minha experiência nas empresas por onde passei e onde trabalho atualmente. Minhas colunas normalmente são resultado de experiências vividas, não ouvidas.

Luis Antonio Paludetti
Manipulação Cosmética por Luis Antonio Paludetti

Sobre cosmecêuticos e nutracêuticos

Era o início dos anos 1990. A farmácia com manipulação experimentava talvez o seu mais vertiginoso crescimento. Multiplicavam-se estabelecimentos, profissionais, feiras e eventos.
Naquela época, os distribuidores de matérias-primas e equipamentos focaram seus esforços em vários campos: trazer novos fármacos que não estavam disponíveis para manipulação, novos adjuvantes para o preparo de bases dermatológicas, cápsulas diferenciadas, novas tecnologias de embalagem e diversos equipamentos.
Dentre todas essas inovações, talvez nenhuma outra tenha sido tão profícua quanto as do campo da dermocosmética.
Atentos quanto à necessidade de diferenciação entre os estabelecimentos, as distribuidoras realizaram um grande e louvável esforço para oferecer ao mercado brasileiro uma considerável quantidade de ativos dermatológicos.
Num período de dez anos, o mercado foi inundado com centenas e centenas de ativos, cujas funções podiam variar desde um simples hidratante até clareadores e mediadores da resposta imune da pele.
Nesse fértil campo de substâncias, os ativos inovadores eram sucedidos por outros contratipos que ofereciam a mesma atividade por preços mais convidativos. Esses ativos, após um curto espaço de tempo, eram substituídos por outros “mais evoluídos”, até mesmo do mesmo fabricante.
No meio desse campo, o farmacêutico tentava separar o joio do trigo e oferecer à classe médica uma alternativa confiável para a prescrição.
Mas nem sempre ele conseguia. Isto porque os ativos cosméticos não necessitam formalmente de um estudo científico de eficácia e segurança nos mesmos moldes que se exige para medicamentos. Mesmo quando alguns ativos tinham comprovação científica, esta geralmente se limitava a estudos simples, envolvendo um pequeno número de sujeitos experimentais.
Como nós sabemos, isso levou, ao longo dos anos, a uma “desconfiança” da classe médica em relação a uma real efetividade dos ativos (independentemente de que ele existisse ou não). Também ocorria de o produto sofrer um “boom”, ou seja, era prescrito vigorosamente durante alguns meses e depois caía no esquecimento. Para as farmácias, muitas vezes, isso significava o encalhe de vários litros ou quilogramas de produtos.
Os anos foram se passando, e o que vemos hoje? A quantidade de lançamentos na área de cosmecêuticos com a finalidade de atender às farmácias foi muito reduzida. Recentemente, conversando com um farmacêutico muito tradicional de São Paulo, fui informado de que a classe médica dermatológica já está preferindo prescrever somente medicamentos – e cosméticos de tratamento – industrializados.
Mas, afinal, qual a relação disso com os nutracêuticos? A meu ver, tudo.
Se nós observarmos o mercado de nutracêuticos que se apresenta para a farmácia magistral de hoje, poderemos traçar um surpreendente paralelo.
Faça um exercício simples: substitua a palavra “cosmecêutico” dos parágrafos anteriores pela palavra “nutracêutico” e terá uma descrição exata da realidade atual destes produtos para as farmácias magistrais.
Da mesma forma que os cosmecêuticos, os nutracêuticos estão sendo oferecidos quase sem comprovação científica de alto nível. Apesar de serem válidas todas as afirmações da medicina popular, a credibilidade em relação à classe prescritora (médicos e nutricionistas) só pode ser alcançada com trabalhos científicos confiáveis.
Além disso, os nutracêuticos acrescentam um cuidado adicional: por serem de uso interno, é imprescindível que haja maior respaldo quanto à segurança, toxicologia e efetividade. Nenhum médico consciente de sua função aceitará a prescrição de um ativo por via oral sem que disponha dessas informações.
Também é fundamental que haja um marco regulatório estabelecendo claramente os padrões de referência para essas substâncias, visto que não há – na maioria dos casos e em particular nos mais recentes “fitoterápicos” ou “fitocêuticos” - qualquer tipo de especificação.
Atualmente, as farmácias já não experimentam o mesmo vigor de crescimento que nos anos passados. As farmácias já aprenderam o que devem e o que não devem fazer quanto à estratégia de produtos manipulados e não é mais admissível repetir erros estratégicos do passado, que levaram à queda na prescrição de cosméticos terapêuticos manipulados e hoje têm sido aproveitados, em sua totalidade, pelas indústrias farmacêutica e cosmética.

Eu, sinceramente, espero não ver uma refilmagem do filme “Cosmecêuticos”, agora com novos atores: os nutracêuticos.






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