19 de Outubro de 2018

Embalagem: Protege e Vende

Edicao Atual - Embalagem: Protege e Vende

Editorial

Chefes de Família

A mulher brasileira, além de toda a graça e exuberância tão cantadas em prosa e verso, assume uma responsabilidade cada vez maior na composição da renda da família. Atualmente, as mulheres respondem por quase 50% do total dos rendimentos da família brasileira. É o que diz o Anuário das Mulheres Brasileiras, pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). Segundo a pesquisa, em 2009 elas contribuíam, em média, com 47,9% desses rendimentos.

Entre as famílias com renda mais baixa, de até um quarto de salário mínimo, a participação delas na renda familiar é mais expressiva (56,4%). Nas famílias que recebem mais de cinco salários mínimos, a contribuição das mulheres responde por 48,5% da renda. A análise por regiões mostra que no Nordeste a participação das mulheres é a mais significativa na composição da renda familiar (50,7%). Na sequência estão: Sudeste (47,6%), Centro-Oeste (46,5%), Sul (45,5%) e Norte (45,3%).
Elas assumem cada vez mais responsabilidades, mas as diferenças de remuneração entre homens e mulheres ainda são grandes: em 2009, os homens das regiões urbanas ganhavam, em média, R$ 1.057,00 por mês, enquanto as mulheres recebiam R$ 593,00. Elas ganham menos, cuidam da casa e dos filhos, dedicam-se às suas carreiras... Tudo isso sem se esquecerem do batom e de dar aquele trato especial nos cabelos.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil traz, em “Persona”, um pouco da trajetória de um dos profissionais mais relevantes da cosmetologia brasileira: Raoul Pierre Lambalot, falecido há mais de 20 anos. O mestre é lembrado em depoimentos de ex-colegas e do filho. A matéria de capa aborda a importância e as várias facetas da embalagem, que protege, vende o produto e está cada vez mais conectada aos desejos e às necessidades do consumidor.

Os artigos técnicos trazem novidades como o uso de quinoa no tratamento de cabelos danificados, além de dois outros temas de grande interesse: utilizar formol em produtos para alisamento e cloreto de sódio em shampoos.

Esta edição marca o retorno da coluna Assuntos Regulatorios, agora com a colaboração de Artur J. Gradim. 


Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher

Proteína Hidrolisada de Quinoa no Tratamento de Cabelos Quimicamente Danificados - M O R O Storelli, Francisco Santin de Souza (Cosmotec Especialidades Químicas, São Paulo SP, Brasil); Elzbieta Kasprzyk, Lauren DelDotto (Tri-K Industries, Northvale, NJ, Estados Unidos)

A proteína hidrolisada da quinoa é uma proteína glúten-free de origem vegetal, livre de parabenos em sua composição e totalmente hidrossolúvel. Neste artigo são apresentados testes de substantividade na porção interna e externa dos fios danificados, penteabilidade a úmido e a seco e os resultados de brilho e luminosidade nos cabelos.

La proteína hidrolizada de quínoa es una proteína libre de gluten de origen vegetal, libre de parabenos en su composición y totalmente soluble en agua. Este artículo presenta las pruebas de sustancialidad en el interior y exterior de las hebras del peinado, tanto húmedo como seco, y los resultados de brillo y luminosidad del cabello.

Hydrolyzed quinoa is a vegetable gluten-free and paraben-free protein, totally water soluble. This article presents some efficacy tests of substantivity in surface and internal damaged shaft, wet and dry combability and hair gloss.

Comprar

Polímeros em Produtos de Cuidado Pessoal - Eric S. Abruyn (TPC2 Advisors Ltd., Inc., Delray Beach, FL, Estados Unidos)

Este artigo visa melhorar o conhecimento do formulador sobre qual polímero é o mais adequado para determinada aplicação, e como utilizar melhor suas propriedades e seus benefícios exclusivos. São apresentadas as nomenclaturas para a designação desses ingredientes, dando ênfase à nomenclatura INCI.

Este artículo tiene como objetivo mejorar el conocimiento del formulador en cuanto al polímero que es el más adecuado para un uso en particular, y cómo utilizar mejor sus propiedades y beneficios únicos. Las nomenclaturas se presentan para la descripción de los ingredientes, con énfasis en la nomenclatura INCI.

The present paper aims to improve the formulator´s understanding as to which polymer works best for utilize its unique properties and benefits. The usual nomenclatures for these ingredients are presented, with emphasis on the INCI nomenclature.

Comprar

Certificando Claims para Produtos Capilares - Peter D Kaplan, PhD, e Ram Ramaprasad, PhD (TRI/Princeton, Princeton, NJ, USA)

Os claims dos produtos capilares, geralmente, não estão claramente associados aos benefícios oferecidos pelos produtos. Portanto, os consumidores não têm padrões com os quais comparar sua eficácia. Sobre isso, A North American Hair Research Society (NAHRS) propôs padrões para os claims de produtos capilares, destacados neste artigo, relativos a características como ondulação, firmeza de cor e retenção de ondas, entre outras.

Los claims de los productos para el cuidado del cabello, por lo general, no están claramente relacionados con los beneficios que ofrecen los productos. Por lo tanto, los consumidores no tienen normas con el que comparar su efectividad. A este respecto, la North American Hair Research Society (NAHRS) hice propuestas de normas para las demandas de productos para el cuidado del cabello, puso de relieve en este artículo en relación con las características tales como ondulación, destiñe, y la retención de las olas, entre otros.

Claims for hair products generally are not associated with clear cut outcomes. Therefore, consumers have no standard by which to compare product efficacy. In relation, the North American Hair Research Society (NAHRS) has proposed standards for hair product claims, outlined here, which relate to characteristics including frizz, color fastness and curl retention, among others.

Comprar

Formol em Produtos para Alisamento de Cabelos - Juliana Cardoso, Marilen Pires (Universidade do Vale do Itajaí Univali, Florianópolis SC, Brasil)

Este artigo é uma pesquisa da presença de formol em produtos para alisamento de cabelo. Amostradas de produtos foram coletados em estabelecimentos comerciais e avaliadas seguindo metodologia a AOAC International.

Este artículo es un estudio de la presencia de formaldehído en los productos para el cabello alisado. Muestras de productos obtuvieron de los establecimientos comerciales y se evalúan siguiendo el método de la AOAC Internacional.

This article is a survey of the presence of formaldehyde in products for straightening hair. Sampled products were collected from commercial establishments and evaluated following the method the AOAC International.

Comprar

Influência do Cloreto de Sódio em Shampoos - VR Leite e Silva (Instituto Schulman de Investigação Científica, São Paulo SP, Brasil; Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil); V Zague (Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil); RM da Gama (Universidade de São Paulo; Universidade Santo Amaro, São Paulo, Brasil); R Raponi (ISP - International Specialty Products, São Paulo SP, Brasil); JM Gimenis (Instituto Schulman de Investigação Científica; Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo SP, Brasil); MA Schulman (Instituto Schulman de Investigação Científica); A Rolim Baby, MV Robles Velasco, TM Kaneko (Universidade de São Paulo)

Neste artigo, os autores avaliam a influência da adição do cloreto de sódio no que se refere à penteabilidade, usando mechas de cabelo (in vitro) e realizando análise sensorial descritiva (in vivo) de cabelos quimicamente alisados

En este artículo los autores evaluar la influencia de la adición de cloruro de sodio en la facilitad de peinar hebras de cabello (in vitro) y el análisis sensorial descriptivo (en vivo) de cabellos químicamente alisados

In this article the authors evaluate the influence of the addition of sodium chloride on the combing using strands of hair (in vitro) and descriptive sensory analysis (in vivo) of chemically straightened hairs

Comprar
Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Conhecimento extra como diferencial

No existe o manual perfeito para descrever um processo de lanamento de um produto, visto que as especificidades de cada produto, empresa, mercado e circunstncia divergem. Porm, h passos indispensveis que devem ser percorridos no intuito de evitar tropeos, como: a gerao de ideias e sua posterior anlise e triagem, o desenvolvimento do conceito e da metodologia de teste, a definio das estratgias de marketing e a anlise do negcio como um todo.

Por ltimo, deve-se efetivamente entrar no desenvolvimento do produto e acompanhar a vida til deste no mercado. Tudo isso deve ser acompanhado ciclicamente, pois, a partir do primeiro sinal negativo de qualquer um desses passos, preciso decidir entre abandonar ou mudar a ideia anterior, se no se quiser investir em um produto que ir agonizar na prateleira, trazendo uma percepo negativa sobre outras marcas da empresa ou do fabricante.

As empresas de grande porte sabem disso e executam esses passos muito bem. Elas tm pessoas especializadas para cada uma das etapas e ferramentas que interligam as informaes de cada uma delas. No entanto, as empresas pequenas no dispem de recursos humanos para isso e, em muitos casos, nem tm cincia de que tudo isso necessrio para um bom lanamento de produto.

Com isso, surge uma oportunidade de negcio para o homem de desenvolvimento de produtos alocado em empresas de pequeno porte: estar atento a essas etapas e gerenci-las. No entanto, preciso que esse recurso expanda o seu olhar crtico alm da bancada, e ele assuma um vis de homem de negcios, de investidor. preciso abandonar a ideia de que a valorizao desse profissional vem, simples e unicamente, do nmero de produtos na estufa de shelf life, e no do nmero de produtos nas gndolas.

O que se v na maior parte do parque fabril de cosmticos o profissional de desenvolvimento perdido entre emulsificantes, sistemas de entrega e atendimento aos fornecedores de matrias-primas, e nunca ao lado do homem de marketing, para entender como funciona o mercado, o cliente, a concorrncia e a percepo de valor do consumidor. Note: no estou afirmando que as atividades mencionadas anteriormente como sendo funes do homem de desenvolvimento no sejam importantes e srias. Aqui, o foco que eu quero dar faz-lo entender que existe uma oportunidade de carreira e de valorizao como profissional, caso a empresa no tenha recursos para investir em um profissional da rea de marketing.

No se exige um esforo muito grande para gerenciar uma reunio de gerao de ideias entre pessoas de setores diferentes dentro da prpria empresa que sejam pretensos clientes, ou, quem sabe, com pretensos clientes externos do seu produto para determinar os requisitos do cliente; os requisitos do produto, para atender os requisitos dos clientes; a descrio conceitual do produto, ou seja, um bom registro dos dados que vo suportar a deciso final; e o lanamento da ideia na administrao da empresa. Lembre-se: um produto nasce fora da empresa. l, fora da empresa, que precisamos identificar a necessidade, e no somente atrs da bancada. O melhor produto no necessariamente o mais desejado.

Se voc quer passar da fase de anlise e triagem com sucesso, tenha em mente que dever responder a perguntas bsicas, como: Qual a descrio do produto? Qual a ideia de mercado total em valor e volume? Vou concorrer com algum? Quem? Ideias de custo de desenvolvimento, produo e preo de vendas so imprescindveis.

Se a ideia acima for bem trabalhada, poder ser contratada uma empresa para avaliar a comunicao e estabelecer o modelo de teste de conceito, mas importante que voc acompanhe o assunto, para ganhar experincia e contribuir no processo.

Uma conversa com o seu homem financeiro poder ajud-lo na anlise do negcio. Pea a ele uma ajuda para fazer uma avaliao econmica do negcio. Ele sabe como fazer, e voc poder dar ou estimar alguns dos valores solicitados para a avaliao do retorno dessa ideia. Note: voc no precisa saber fazer essa avaliao, apenas saber que precisa faz-la e que, muito provavelmente, dentro da sua empresa j existe o recurso para ajud-lo.

Se voc chegou at aqui, eu posso garantir que o seu conceito dentro da empresa subiu e o apoio para as prximas etapas do desenvolvimento de um produto no lhe ser negado. No se esquea que conhecimento extra e plural no ocupa espao e sempre um diferencial.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

Impacto das BPF e C na implantao do SQ

Quando conceituamos Sistema da Qualidade (SQ), podemos adotar a definio geral de sistema, que diz todo esforo organizado e documentado dentro de uma empresa, com o sentido de desenvolver, produzir, manter e assegurar as caractersticas do produto ou servio, de modo que cada unidade deste esteja de acordo com suas especificaes.

Um SQ consistente deve assegurar que:

- As operaes sejam claramente especificadas por escrito e as exigncias das BPF e C sejam cumpridas.

- Os testes necessrios para avaliar as matrias-primas sejam realizados de acordo com procedimentos escritos e devidamente registrados.

- Os equipamentos sejam calibrados, com documentao comprobatria.

- A formulao seja corretamente preparada, segundo procedimentos apropriados.

- A formulao seja produzida e conservada de forma que a qualidade desta seja mantida at o seu uso.

- Sejam realizadas auditorias internas, de modo a assegurar um processo de melhoria contnuo.

- Sejam elaborados procedimentos escritos para a limpeza das reas, dos materiais e dos equipamentos.

- Exista um programa de treinamento inicial e contnuo, adaptado de acordo com as necessidades.

- Exista um sistema controlado, podendo ser informatizado, para arquivamento, por perodo estabelecido, dos documentos exigidos de todas as etapas do processo.

- Sejam estabelecidos prazos de validade, assim como estabelecidas as instrues de uso e de armazenamento dos produtos.

Ao analisarmos essas premissas, j podemos constatar que as bases para a implantao do SQ so, efetivamente, resultantes da implantao prvia das Boas Prticas de Fabricao e Controle (BPF e C).

Modernamente, as BPF e C so consideradas ferramentas da qualidade, por causa do impacto que causam nas aes necessrias para a obteno dos parmetros da qualidade.

Uma das grandes dificuldades que se apresenta para a implantao do SQ e das BPF e C que a grande maioria dos administradores ainda as considera como parte no integrante dos processos da qualidade.

Essa considerao equivocada traz grandes dificuldades para que se consiga implantar esses processos em empresas, sejam de pequeno, sejam de grande porte.

Muitas vezes, durante minhas atividades de consultoria, sou questionado se existe uma forma eficaz para mudar ou mesmo minimizar esse posicionamento dos administradores em relao a esses processos.

Respondo que os administradores vo adotar esse posicionamento quando ocorrer uma mudana na cultura da empresa, ou seja, quando mudar o conjunto de princpios e conceitos internos, que agem como fatores limitantes ou muitas vezes impeditivos em relao a essas mudanas. E essas mudanas tambm no so fceis de obter muitas vezes, h necessidade de aguardar por mudanas na alta gerncia da empresa. O argumento padro para que as mudanas no ocorram : sempre foi assim!

Outro fator que compromete a efetiva implantao a caracterizao funcional e conceitual de que as aes de qualidade so exclusivamente responsabilidade do setor de controle de qualidade ou da garantia da qualidade (mal-implantada). O exemplo clssico disso a cultura da empresa fixar, na mente dos colaboradores, que qualidade no responsabilidade indistinta de todos os colaboradores da empresa.

Enfatizo que as atividades de qualidade so 60% de natureza comportamental, ou seja, dependem exclusivamente das pessoas e no da documentao que as formaliza.

Tomando como exemplo certa empresa que faz constar no carto de apresentao de seus colaboradores, abaixo da funo destes, quaisquer que seja, a expresso Suporte de Vendas, gostaria de sugerir que se acrescentasse, neste carto, esta expresso: Profissional de Qualidade.

Artur Joo Gradim
Assuntos Regulatrios por Artur Joo Gradim

Ano de muito trabalho e desafio

O ano de 2011 tem sido e continuar sendo de intensa atividade no mbito regulatrio internacional e nacional, no que se refere aos produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosmticos, com significativos impactos nas empresas produtoras e importadoras localizadas no Brasil.

No escopo abrangente do Mercosul foi harmonizada, aprovada e elevada ao Grupo do Mercado Comum (GMC) a proposta do projeto de Resoluo referente ao novo Regulamento Tcnico (RT) sobre Protetores Solares (GMC n 1/10 Rev.1), que revoga a Resoluo GMC n 26/02, a qual se mantm, por ora, em vigor no Brasil, por meio da Resoluo da Anvisa, a RDC n 237/02.
A aprovao do novo RT tem alto impacto na maioria dos fabricantes de protetores solares, uma vez que as aes necessrias para a adequao dos produtos praticamente remontam s aes previstas para um novo desenvolvimento e tempos correspondentes, considerando o que os novos requisitos preconizam. Dentre outras exigncias, o novo RT estabelece a obrigatoriedade de as formulaes desses tipos de produto conferirem proteo UVA e UVB. A proteo radiao UVA dever ter o valor mnimo de 1/3 do nvel de proteo alcanado pelo produto contra a radiao UVB, simbolizada pelo nmero do fator de proteo solar (FPS), que, doravante, ser viabilizado somente a partir de um valor mnimo de 6. No mais ser permitida a comercializao de produtos FPS 2 e 4, assim como dos denominados bloqueadores solares, como tambm passa a ser proibido o uso de expresses como bloqueia 100% a radiao solar, entre outras similares a esta.

O tipo de produto e/ou a atribuio acessria da ao bronzeadora foi mantido para os produtos com nvel FPS≥6 de proteo UVB e 1/3 mnimo correspondente UVA na faixa de 340 nm. A internalizao, no Brasil, desse novo regulamento aguardada com ansiedade, uma vez que dever estabelecer igualmente o prazo que as empresas tero para fazer essa adequao.

No Brasil, a bola da vez a Resoluo RDC n 16, de 12/4/2011, e o seu anexo, definido como RT referente Lista de Substncias que os Produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosmticos no Devem Conter Exceto nas Condies e com as Restries Estabelecidas, que igualmente revoga a Resoluo RDC n 215, de 25/7/2005.

Por sua abrangncia, impacta em uma adequao aplicvel praticamente totalidade dos produtos notificados (Grau 1) e registrados (Grau 2) at ento, incluindo aqueles produtos cuja petio foi protocolada (estando ainda em anlise) anteriormente publicao dessa Resoluo.

Chamo essa atualizao de Resoluo de Amplo e Acurado Espectro, devido ao singular fato de implicar aes de verificao prvia em todos os produtos que contenham composies aromticas (parfum) em sua composio, em relao presena das substncias listadas (compiladas da Diretiva da Unio Europeia), identificadas como potenciais causas de reaes alrgicas de contato em consumidores sensveis.

A confirmao da presena de uma ou mais substncias listadas e das concentraes estabelecidas pela RDC n 16 implicaro na obrigatoriedade da sua incluso na relao de ingredientes dos componentes que aparece na rotulagem do produto.

Dentre as demais alteraes constantes nesse RT, citamos como substncias excludas, o fenol, os diaminofenis, o formaldedo (agora s pode ser utilizado como conservante, na concentrao mxima de 0,2%) e o piroctone olamine.

Nas incluses constantes desta reviso, sinalizamos os fluoretos (sdio, potssio e amnio), cuja utilizao passou a ser restrita nas condies estabelecidas, com a obrigatoriedade da insero de advertncias e da meno da presena do componente na rotulagem do produto.

Para os fluoretos anteriormente inscritos, so requeridas novas informaes no texto de rotulagem dos produtos que os contenham.

Em relao aos fluorsilicatos e monofluorfosfatos utilizados em produtos de higiene bucal foram includas novas recomendaes que devem constar na rotulagem.

Igualmente, passam a constar nesta lista de substncias o glioxal (limite mximo 100 mg/kg), o triclorocarban (em produtos leave-on), os sulfitos e os bisulfitos (em produtos de colorao capilar, alisamento e autobronzeamento), e o tolueno (uso em produtos para unhas) na concentrao mxima de 25%, entre outras no mencionadas aqui.

Concluindo esta breve abordagem regulatria, no que se refere Resoluo RDC n 16/2011 (que a atualizao da RDC n 215/05) enfatizamos que as alteraes, se for o caso, aplicveis a cada produto, mesmo queles em comercializao, devero ser peticionadas na Anvisa at o dia 31 de outubro deste ano, e implementadas.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Desafios no desenvolvimento de produtos hair care

No mercado brasileiro grande a demanda por produtos para hair care, assim como grande a oferta desses produtos. Alm da importncia em tamanho, esse mercado especfico tem aumentado sua capacidade e disposio para comprar e pagar mais pelos produtos, o que o torna muito atrativo. Em contrapartida, ele est se tornando cada vez mais exigente. Portanto, para uma empresa obter bons resultados nesse segmento no h outro caminho, seno ser competitiva e, principalmente, inovar. Em desenvolvimento de produtos, inovar tem muitas implicaes.

Atualizao - o primeiro ponto a ser considerado que os tcnicos devem estar absolutamente atualizados em relao s tecnologias disponveis e s tendncias que vo se delineando at se transformarem em demandas. Tambm existe a necessidade de manter-se atento normatizao regulatria. preciso, inevitavelmente, absorver e aplicar informaes de fornecedores, revistas tcnicas, seminrios, cursos e congressos. Isso exige tempo e dedicao.

Funcionamento bem planejado - o funcionamento do departamento tem de ser harmonioso em suas atividades internas e no relacionamento com outros setores.

Gesto de informao e processos - se no existir um formato operacional bem estabelecido, com um padro adequado para a gesto de informaes e processos, os tcnicos ficaro muito ocupados com atividades de meio e no tero tempo de se preparar para aplicar seus conhecimentos em inovaes.

Briefing formal e cronograma adequado - para a boa execuo de um projeto necessria a elaborao formal de um briefing, para que todos tenham as mesmas referncias. Da mesma forma, preciso ter um cronograma bem montado, para que as atividades possam ser executadas sem atropelos.

Abordagem adequada do custo - em um novo projeto, o custo deve estar claramente definido e deve ser corretamente abordado pelo P&D. Aqui o caminho no fazer o mais barato possvel, mas sim o mais justo possvel. O primeiro desafio estabelecer bem o custo do novo produto, o segundo aproximar-se ao mximo desse valor. Ultrapassar o custo ou ficar muito abaixo deste certamente significar perda de competitividade por preo alto ou baixa performance, respectivamente.

Documentao tcnica e regulatria em absoluta ordem - necessrio reconhecer que a documentao tcnica e regulatria extensa e complexa, mas absolutamente fundamental que esteja organizada e completa, independentemente do tamanho da empresa. Ignorar esse princpio pode gerar problemas muito srios e graves. Temos de lembrar que uma linha com 300 produtos ter quase 10.000 documentos. Se essa questo no estiver bem equacionada, ser formada uma situao na qual inovar ser praticamente impossvel.

Inovar inovando - como o mercado exigente e tem elevado constantemente sua capacidade de avaliar o produto, no basta mais desenvolver uma formulao estvel e atraente. Ela deve ser diferenciada e comprovadamente segura e eficaz. Para isso, indispensvel a realizao de testes, no s de estabilidade, mas tambm de segurana e eficcia. Particularmente no caso de produtos para hair care, h uma grande possibilidade de se elaborar protocolos de teste de eficcia in vitro, utilizando mechas para avaliar brilho, termoproteo, alisamento, durao de cachos, hidratao e fora, que so claims comuns e devem ser cuidadosamente avaliados e totalmente comprovados. Esses so testes de baixo custo, que daro uma decisiva contribuio para o bom resultado do projeto. Os ensaios de aceitabilidade tambm sero muito teis.

Na empresa de grande porte ser necessrio cuidar dos procedimentos, para que eles no se transformem em empecilhos ou dificuldades extras. Na pequena empresa ser preciso evitar que o acmulo de tarefas e a informalidade no comprometam os trabalhos. Citar o tamanho da empresa como justificativa para a demora em gerar inovaes ou para no cumprir todas as etapas de um desenvolvimento inclusive as obrigatrias no resolve a questo. Muito pelo contrrio: esconde uma realidade que pode comprometer a competitividade e a lucratividade num futuro prximo.

A prtica de aproveitar formulaes mudando somente a fragrncia, o corante ou adicionando um ativo normalmente em concentraes nas quais fica difcil imaginar que cumpriro sua funo no atende mais a um mercado que j sabe reconhecer e julgar o desempenho de produtos e, certamente, essa no a melhor conduta para a empresa que espera obter resultados consistentes e duradouros.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Polmeros e hair care

Os cabelos trazem polmeros na sua composio. Os efeitos desejados para shampoos, condicionadores e produtos para penteados dependem dos polmeros.

A prpria etmologia da palavra polmero j nos d uma noo do que eles so: molculas muito grandes, formadas pela juno de pequenas molculas, unidas quimicamente. Podemos classificar o polmero como homopolmero, quando ele composto por um nico tipo de molcula, repetida inmeras vezes, ou como copolmero, quando composto por muitas unidades de dois ou trs tipos de molcula diferentes.

Os polmeros podem ser naturais, como o prprio DNA ou o RNA, a teia da aranha, a celulose e a borracha. Eles tambm podem ser sintetizados em laboratrio e assim assumir as formas que se queira dar, como linear, ramificada ou at formas tridimensionais, chamadas de dendrmeros.

Esses polmeros tm inmeros usos, dependendo da sua estrutura, isto , eles podem ser feitos com a finalidade especfica de serem usados em vrios tipos de artigo, desde vidros prova de bala at material para a construo de avies! Na rea da sade podemos encontr-los em drogas de liberao especial, implantes que substituem ossos e, na rea da esttica, em implantes para minimizar rugas e sulcos.

Nos produtos para cuidado com os cabelos, vamos encontr-los em:

Shampoos - muitos polmeros so bastante teis em shampoos, pois ajudam a espessar e manter a viscosidade do produto, o que d a consistncia desejada pelo consumidor. muito mais fcil aplicar um shampoo ou condicionador se ele no escapar entre os dedos quando derramado da embalagem nas mos. Alguns desses polmeros tambm so utilizados como estabilizadores de emulso, pelo fato de ajudarem a manter a formulao de leo-em-gua, o que mais tpico em produtos para cabelos. Dentre os produtos mais utilizados para essas finalidades, esto: hidroxi-etil-celulose, hidroxi-propil-metil-celulose, carboximetil, harboxymethyl hidroxipropil e carbmero (cido poliacrlico, acralates/C10-130 alquil acrilato).

Condicionadores - Polmeros catinicos so muito usados como agentes de condicionamento para o cabelo. Esses polmeros so quimicamente modificados para ter cargas positivas ao longo de sua estrutura. Como o cabelo tem carga negativa, esses polmeros ficam eletricamente vinculados superfcie do fio e, quando aplicados sob o chuveiro, vo resistir a ser lavados pela gua. Isso far que as cutculas sobre a superfcie do cabelo permaneam na posio horizontal, o que dar textura suave e aparncia brilhante para o cabelo. Esses polmeros tambm ajudam a separar e proteger cada fio de filamentos adjacentes, o que evita o embarao e facilita o pentear. Esses tipos de polmero sao conhecidos como polyqyaternium no sistema de nomenclatura INCI.

Silicones tambm so ingredientes muito usados pelos formuladores de produtos para o cuidado dos cabelos, devido s suas propriedades de condicionamento. Esses polmeros se depositam sobre a superfcie do cabelo e agem para reduzir o atrito no ato de pentear, proporcionando efeito emoliente, transmitindo brilho e reduzindo a carga esttica entre os fios de cabelo, evitando assim o aspecto armado dos penteados.

Dentre os silicones mais utilizados na indstria dos condicionadores, esto: poliquatrnio-10, poliquatrnio-7, poliquatrnio-11, cloreto de hidroxi-propil-trimnio. Exemplos de silicones so: dimeticone, amodimeticone, ciclopenta-siloxano, ciclometicone, copoliis dimeticone e dimeticonol.

PEG - o polietileno glicol, um polmero solvel em gua, que reage facilmente a uma variedade de outras molculas. O nmero associado ao PEG na nomenclatura INCI um indicativo do nmero de unidades repetidas PEG presentes. Quanto maior o nmero, maior a solubilidade em gua da molcula modificada. Essas molculas modificadas podem ser usadas ​​como emulsionantes, modificadores de viscosidade, tensoativos e umectantes. Dentre os produtos PEG que temos mais comumente usado em produtos para cabelos, esto: o PEG-150 diestearato e o PEG-10 laurato sorbitano.

Formadores de filmes - os polmeros so muitas vezes a fonte de sustentao em produtos para penteados, como gel de cabelo e hair sprays. Esses polmeros formam um depsito sobre a superfcie dos fios de cabelo e fazem que eles sejam atrados um pelo outro por meio de foras capilares. Os polmeros, em seguida, secam para formar filmes. O filme forte o suficiente para manter os cabelos juntos at que ele seja removido por meio de lavagem, ou at que seja quebrado devido ao de foras mecnicas sobre o cabelo (o ato de pente-lo agressivamente).

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Linhas profissionais exigem embalagens diferentes?

A resposta a essa pergunta no, no que se refere ao aspecto qualidade, e sim, sob o ponto de vista do desenvolvimento, do design e da produo. Antes, porm, precisamos entender o que uma embalagem profissional ou para uma linha profissional. Existem, basicamente, dois tipos de linha profissional.

Existe a embalagem para produtos de uso dos profissionais de esttica, que so os cremes de tratamento, de massagem, os leos essenciais, as mscaras de argila, os liftings, os produtos para uso em cabines etc. Outra a embalagem usada nos sales, para uso exclusivo dos profissionais cabeleireiros, que so os shampoos, os condicionadores, as mscaras capilares, os finalizadores etc.

Como foi dito acima, no aspecto qualidade no pode haver diferena, tanto nas avaliaes por variveis quanto por atributos. Nas avaliaes por variveis nas quais so feitas medidas de dimetro, altura, largura, espessura de parede, peso, volume OF (over flow), volume BG (base do gargalo), dentre outras medidas uma ateno especial voltada exatamente ao volume e cmara de expanso necessria para evitar vazamento, no caso de um aumento da temperatura ambiente e do consequente aumento de volume do produto. Em outras palavras, no se deve encher a embalagem at a boca, mas sim deixar um espao para a expanso de volume do produto.

Nas avaliaes por atributos, quando se busca defeitos visuais, deve-se dar a mesma importncia conferida a uma embalagem para linha comercial (aquela que vendida ao cliente usurio), inclusive mantendo os mesmo NQAs (nveis de qualidade aceitvel) usados pela empresa. importante ressaltar essa questo, pois em muitos casos o fato de a embalagem ser desenvolvida para uma linha profissional faz que ela receba vistas grossas frente a problemas como variao de cor, borres de gravao e rebarbas, o que no deveria acontecer.

Se no quesito qualidade no existe diferena entre uma linha profissional e uma comercial, nos aspectos desenvolvimento, design e uso na produo existem diferenas que precisam ser levadas em conta.

No que diz respeito ao desenvolvimento/design, uma embalagem profissional tem uso diferenciado e quem a desenvolve precisa preocupar-se com a quantidade, que normalmente bem maior do que a contida em uma embalagem comercial; com o local onde a embalagem vai ser armazenada para uso; e, acima de tudo, como ela ser utilizada (se servir apenas como estoque para depois ser transferida para uma embalagem menor na hora do uso, ou se vai diretamente para o uso do profissional); alm de ater-se ao aspecto ergonmico.

Em se tratando de uma embalagem para linha capilar, como um shampoo, se o objetivo for o armazenamento e a posterior transferncia do produto para um frasco menor, preciso uma embalagem de 2, 3 ou 5 kg com tampa-cega, sem grandes preocupaes com a ergonomia, mas sim com a facilidade de armazenagem. Mas, se ela for diretamente para o uso no salo, precisar de uma vlvula que seja ergonomicamente adequada e conter uma quantidade que no dificulte o uso.

Finalmente, no aspecto produo, preciso tomar cuidado e, previamente, saber se quem vai fazer o envase, seja a prpria empresa, seja um terceirista, tem equipamento compatvel com o volume e o tamanho da embalagem.

Digo isso porque os equipamentos so adquiridos para envasar, normalmente, volumes abaixo de 1 kg ou 1 litro. Acima disso, so necessrios motores mais potentes, bicos de envase diferentes e pisto com maior capacidade, para evitar o envase de uma embalagem profissional com 2, 3, 4 e at 5 bombadas. nesse caso que se acaba envasando at a boca da embalagem e desrespeitando a cmara de expanso do produto. O mesmo vale para as mquinas de rotular, que nem sempre so compatveis com os tamanhos de embalagens profissionais.

Com relao aos dizeres de rotulagem (Anvisa) no h mudana em relao a qualquer outra embalagem ou outro produto. O fato de a embalagem ser desenvolvida para o uso profissional no significa que ela no precisa obedecer exatamente a tudo o que pede a legislao vigente.

A Anvisa no faz diferena entre um produto profissional e um comercial, muito menos considera a definio produto artesanal isso no existe para a Anvisa.

Certa vez, falando com o dono de uma empresa que fabricava produtos profissionais, vi que nas embalagens s havia o rtulo na frente da embalagem, e, consequentemente, faltavam todos os textos, inclusive o texto legal obrigatrio.

Questionado, ele respondeu que se tratava de um produto artesanal. Com certeza, faltou orientao tcnica adequada para esse empresrio.

Finalizando, so poucos os fornecedores que trabalham com embalagens para linhas profissionais. preciso, ento, realizar o rduo trabalho da procura e, acima de tudo, do acerto na embalagem que se procura e do respectivo fornecedor.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

Faca de dois gumes

Recentemente, foi concedido pela Justia o direito de as farmcias dispensarem cosmticos por elas preparados, sem a necessidade de prescrio mdica. Aparentemente, isso pode parecer um ganho para as farmcias. Mas preciso uma anlise mais detalhada, para compreendermos melhor com o que estamos lidando.

Primeiramente, quero deixar claro que eu sou favorvel ao preparo e dispensao de cosmticos em farmcias sem a necessidade de prescrio, desde que isso se faa no atendimento de necessidades especiais dos pacientes, que no so supridas pela indstria cosmtica, e sem que a farmcia se caracterize como uma mini-indstria.

Posto isso, preciso resgatar um pouco da histria dos cosmticos e da manipulao. Cosmticos so preparados por farmacuticos, desde que o mundo mundo. Mais precisamente, no Brasil, os cosmticos e os medicamentos sempre foram oferecidos pelas boticas. Mais tarde, com o estabelecimento das indstrias, esse panorama mudou um pouco, sendo que a indstria cosmtica comeou a surgir e a ocupar esse espao nas grandes e mdias cidades. Nas cidades menores, os cosmticos mais populares eram ofertados pelos supermercados e magazines, no havendo oferta de produtos mais sofisticados.

No final da dcada de 1970, as farmcias com manipulao ressurgiram, resgatando o preparo de cosmticos em pequenas quantidades. O paciente informava, por exemplo, que estava com o couro cabeludo oleoso, e a farmcia preparava um shampoo antioleosidade. Apesar de j estarem em vigor a Lei n 5991/73 e a n 6360/76, que impedem o preparo de cosmticos em farmcias, a prtica era vista como normal pelas vigilncias sanitrias na poca.

Com o passar do tempo, essa prtica foi crescendo e vrias farmcias passaram a criar linhas prprias de cosmticos, manipulando-as nas dependncias da farmcia e deixando-as expostas em suas prateleiras. O excesso de oferta de produtos despertou ento a fiscalizao, que apertou as rdeas e impediu que as farmcias mantivessem o preparo de suas linhas. Agora, liminares concedidas permitem que as farmcias retornem a essa prtica.

Mas isso vantajoso? Qual a vantagem competitiva que a farmcia teria em relao indstria cosmtica?

Para responder a essas perguntas, precisamos ter em mente que um paciente procura um cosmtico manipulado basicamente porque o cosmtico oferecido pela indstria no o satisfaz. Submete ento o caso ao farmacutico, que, com base em seu conhecimento, formula um produto que satisfaz a necessidade. Ao utilizar o produto, o paciente pode dar um retorno ao farmacutico, que, por sua vez, aperfeioa o produto, em uma relao de fidelidade que profcua para ambos.

Essa a vantagem competitiva: fazer sob medida e ajustar-se s necessidades rapidamente. Nesse sentido, o farmacutico pode, dentro dos limites da legislao, combinar ativos de forma exclusiva e utilizar concentraes desses ativos que, na maioria das vezes, so maiores que aquelas utilizadas pela indstria. Tambm, a velocidade em que o ajuste do produto feito muito maior, pois este no necessita de inmeras fases de desenvolvimento e pesquisas de mercado. Isso faz que o produto manipulado seja realmente diferente e, quase sempre, apresente resultados mais expressivos.

Agora, ao preparar uma linha padronizada e deix-la exposta, a vantagem competitiva da farmcia se esvai, como fumaa ao vento. como se a farmcia quisesse engessar-se. Alm disso, existe uma questo que quase sempre esquecida: a legislao em cosmticos.

Quando se pensa que uma farmcia pode manipular, em suas dependncias, linhas de cosmticos para atender populao em geral, indiscriminadamente, por uma questo de isonomia preciso que elas se adaptem legislao vigente, que bastante restritiva.

Como vimos, uma das vantagens da farmcia poder utilizar ativos em concentraes diferenciadas da indstria. H diversos ativos que possuem uso restrito em cosmticos, mas que, com a superviso e o monitoramento do farmacutico, poderiam ser facilmente utilizados alm dessa concentrao, em cosmticos manipulados, que ficariam no limiar entre os medicamentos e os cosmticos. O farmacutico seria o responsvel pela segurana do uso individual. No caso de o farmacutico optar por produzir em escala, ainda que pequena, acredito que o mesmo deva ficar obrigado a seguir a legislao vigente, o que, mais uma vez, mina suas vantagens competitivas.

Por fim, preciso pensar que, caso uma farmcia queira desenvolver uma linha prpria, ela poder terceirizar a produo. Atualmente, h empresas que terceirizam a partir de 200 ou 300 unidades, com preos competitivos. A farmcia fica com o desenvolvimento e o terceirista, com a produo, o que resulta em produtos mais profissionais e de acordo com a legislao.

Como se v, preciso refletir sobre o que se quer para as farmcias magistrais. Precisamos propor no s liminares, mas tambm marcos regulatrios especficos para a manipulao de cosmticos em farmcias, um direito histrico do farmacutico.

Os cosmticos manipulados seguidos de aconselhamento e acompanhamento farmacuticos constituem uma vantagem e um servio excepcional, alm de serem um carto de visitas e uma fonte de rendimentos excepcionais. No podemos sem refletir deixar que eles se transformem em uma faca de dois gumes.






Novos Produtos