Tendncias em Perfumaria

Edicao Atual - Tendncias em Perfumaria

Editorial

O brasileiro frente ao espelho 

O estudo “Dinâmica Demográfica da População Negra Brasileira”, divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou várias informações relevantes sobre a população negra no Brasil. Uma delas é o fato de que mais brasileiros se declaram negros ou pardos, o que explica, em parte, o avanço da população negra no País.

De acordo com os dados do Censo 2010, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE), pela primeira vez na história do Censo as pessoas que se declaram brancas são menos da metade da população: 97 milhões de pessoas se dizem negras (pretas ou pardas) ante 91 milhões de pessoas que se declaram brancas. Aproximadamente 2,5 milhões de pessoas se consideram amarelas ou indígenas.

O contingente de pessoas que se dizem brancas caiu em relação a 2000. Nesse cenário, tem-se a seguinte confi guração: na última década, a taxa de crescimento da população negra chegou a 2,5% ao ano, enquanto a da branca permaneceu praticamente sem alterações. A despeito da constatação feita pelo Ipea, de que as mães negras têm mais fi lhos do que as brancas, a boa notícia é saber que cada vez mais os brasileiros sabem qual é a sua cara – e, o melhor, estão gostando dela.

Esse encontro feliz com a própria identidade é um dos aspectos abordados em nossa matéria de capa, que oferece um panorama das tendências de mercado em perfumaria no mundo e no Brasil - onde esse segmento, aos poucos, vai ganhando seus próprios contornos. Esta edição da Cosmetics & Toiletries Brasil traz, na seção “Persona”, um pouco da história de Marcelo Schulman, cuja vida é pontuada pela habilidade em superar adversidades e pelo prazer de ensinar.

Interessantes artigos técnicos abordam o bioderivado que substitui os glicóis, uma alternativa para formular para peles sensíveis infantis, e o desenvolvimento de um gloss labial com pimenta e melancia, além de artigos de revisão sobre a arte dos perfumes e uso da cafeína no tratamento da celulite.

Esta edição ainda apresenta o programa ofi cial e os abstracts de palestras e pôsteres do 25º Congresso Brasileiro de Cosmetologia.

 

Boa leitura!

Hamilton dos Santos

Publisher

Bioderivado substitui Glicóis e Glicerina do Petróleo - Rose F Durham, Robert Miller, Joseph W DeSalvo (DuPont Tate & Lyle Bio Products Company, Wilmington, DE, Estados Unidos)

Como uma iniciativa para a sustentabilidade, os autores descrevem o uso do 1,3 propanediol com base 100% biológica, obtido por meio do processo de fermentação de glicose ou açúcar de milho. O novo ingrediente se mostrou um substituinte vantajoso de glicóis e glicerina obtidos do petróleo. Neste artigo, são apresentados ensaios que asseguram sua eficácia e segurança em produtos de cuidado pessoal.

Como una iniciativa hacia la sostenibilidad, los autores describen el uso de 1,3 propanediol 100% biológico, producido por la fermentación de azúcar o glucosa de maíz. El nuevo ingrediente resultó una ventaja al remplazar glicoles y glicerina obtenidos del petróleo. En este artículo se presentan las pruebas que garanticen su eficacia y seguridad en productos de cuidado personal.

As an initiative towards sustainability, the authors describe the use of 1,3 propanediol based 100% organic, produced by fermentation of glucose or corn sugar. The new ingredient proved advantageous to a substituent glycols and glycerin obtained from petroleum. In this paper, the authors present tests that asses its efficacy and safety in personal care products.

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Formulando para Peles Sensíveis Infantis - Corey T Cunningham PhD, Stacy A Mundschau e Jeffery R Seidling (Kimberly-Clark Corp., Neenah, WI, Estados Unidos)

A natureza sensível e delicada da pele infantil está sendo bem atendida pelos produtos atualmente disponíveis no mercado. Condições mais sérias de pele exigem um nível especial de desempenho. Este artigo destaca o desenvolvimento de bases tensoativas formuladas para não provocar resposta indesejável durante o uso, ao mesmo tempo que apresenta forma cosmética tradicional.

La naturaleza de la piel sensible y delicada de los niños está siendo muy bien atendida por los productos disponibles en el mercado. Las condiciones mas serias de la piel exigen un nivel especial de desempeño. Este trabajo destaca el desarrollo de bases tensioactivas proyectadas para no provocar una respuesta no aceptable durante el uso, mientras mantienen la forma cosmética tradicional.

The sensitive and delicate nature of infants skin has been well-addressed by the current products in the marketplace. More serious skin conditions require a special level of performance. This report highlights the development of surfactant bases designed not to trigger a response during use while maintaining traditional aesthetics.

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Perfumes: Arte e Ciência - Letícia Grolli Lucca, Karina Paese e Sílvia Stanisçuaski Guterres (Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS, Porto Alegre RS, Brasil)

A perfumaria existe há milhares de anos. Apresentou conotações diferentes durante os períodos em que foi usada e hoje já é considerada uma ciência. Este artigo traz uma revisão sobre o assunto, descrevendo o histórico, a estrutura, os métodos de preparação e as inovações sobre perfumes.

La perfumería tiene miles de años. Ha tenido connotaciones diferentes durante los períodos que ha sido utilizada y ahora ya es considerada una ciencia. Este artículo presenta una revisión del tema, que describe el histórico, la estructura, los métodos de preparación y innovaciones sobre los perfumes.

Perfumes date thousands of years. It had different connotations during the periods that it was used and now it can be considered a science. This article presents a review about this subject, describing the history, structure, methods of preparation and innovations on perfumes.

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Desenvolvimento de Gloss Labial - Aline Böhm Carvalho, Marina Dias Nalvaes, Cristina M Franzini, Fernanda Flores Navarro (Centro Universitário Hermínio Ometto Uniararas, Araras SP, Brasil)

Este artigo relata o desenvolvimento de formulação e testes de controle de qualidade de um gloss labial contendo Citrullus lanatus e Capsicum baccatum. O produto desenvolvido mostrou-se promissor para a comercialização, mas são necessários testes adicionais.

Este artículo presenta el desarrollo de formulación y ensayos de control de calidad de un brillo labial que contiene Citrullus lanatus y Capsicum baccatum. El producto desarrollado se ha mostrado prometedor para la comercialización, pero más pruebas se necesitan realizar.

This article reports the development of formulation and testing of quality control of a lip gloss containing Citrullus lanatus and Capsicum baccatum. The product developed has shown promise for commercialization, but more tests are needed.

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Cafeína no Tratamento da Celulite - Gardênia A Pereira e Gustavo F A Alkmim (Faculdades Santo Agostinho, Montes Claros MG, Brasil)

Fibroedema geloide, mais conhecido como celulite, é uma inflamação que ocorre na derme devido a diversos fatores predisponentes. A cafeína possui efeitos lipolíticos e capacidade de estimular a oxidação de ácidos graxos. O uso da cafeína em formulações tópicas anticelulite tem sido proposto desde 1988. Este artigo é uma revisão bibliográfica do uso de cafeína no tratamento da celulite.

Fibroedema geloid conocida como celulitis es una inflamación que se produce en la dermis debido a varios factores predisponentes. La cafeína tiene efectos lipolíticos y capacidad para estimular la oxidación de los ácidos grasos. El uso de la cafeína en las formulaciones tópicas anti-celulitis se han propuesto desde 1988. Este artículo es una revisión de literatura cuanto al uso de la cafeína en el tratamiento de la celulitis.

Fibroedema geloid known as cellulitis is an inflammation that occurs in the dermis due to several predisposing factors. Caffeine has lipolytic effects and ability to stimulate fatty acid oxidation. The use of caffeine in anti-cellulite topical formulations have been proposed since 1988. This article is a review of the use of caffeine in cellulite treatment.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Fotografia do Pas na primeira dcada do sculo 21

assim, como uma fotografia, que podemos definir os dados fresquinhos divulgados pelo IBGE, referentes a abril, sobre a vida do Brasil nos ltimos dez anos. Esses dados mostram a cara desse imenso e complexo Pas, tal como ele .

O relatrio mostra um aumento de 12,5% na populao nos ltimos dez anos j passamos dos 190 milhes de habitantes. A tendncia que vinha se desenhando a cada estudo anterior vai se confirmando: temos uma populao mais feminina do que masculina (51,0%). A previso da taxa de crescimento populacional de 1,2% ao ano para os prximos dez anos. Entre as regies do Pas, somente o Norte apresenta uma populao majoritariamente masculina.

Com o crescimento da populao, h a necessidade de uma nova distribuio das pessoas nos municpios, a fim de garantir o bem-estar da populao local. O Pas cresceu 1% no nmero de cidades no perodo e agora soma 5.565 municpios.

No entanto, as caractersticas dos municpios no so, nem de perto, iguais entre si, visto que a dinmica de desenvolvimento social de cada regio muito diferente. A regio Sudeste concentra 41,1% da populao e apresenta o maior crescimento numrico: 8 milhes de pessoas, sendo o Estado de So Paulo responsvel por 21,6% da populao do Pas e por mais da metade da regio Sudeste. A cidade de So Paulo, uma singularidade entre todos os municpios, representa 27,3% da populao do Estado (11 milhes somente na cidade e 16 milhes na Grande So Paulo). Apesar desse crescimento, o Sudeste vem perdendo representatividade populacional nas ltimas trs dcadas frente a outras regies, como a Centro-Oeste e a Norte. Levando em conta que trs pontos configuram uma tendncia, vemos que enquanto a regio Sudeste deixou de representar 42,7%, 42,6% e 42,1% (1990, 2000 e 2010, respectivamente), o Nordeste passou a representar 6,4%, 6,8% e 7,4%, e o Centro-Oeste, 7,0%, 7,6% e 8,3%.

Outra caracterstica importante a ser acompanhada no desenvolvimento do Pas o seu grau de instruo. Infelizmente, apenas 91% da populao com 10 anos ou mais alfabetizada, ao passo que nossos vizinhos argentinos apresentam uma taxa de 97,6%. No entanto, mais do que apenas olhar o nmero macro da taxa de alfabetizao, o importante entender o seu comportamento dentro de algumas estratificaes. Por exemplo, apenas 30,1% dos alfabetizados possuem 11 anos de estudo ou mais (antigo colegial completo ou cursando faculdade), sendo a representatividade feminina nesse estrato menor do que a masculina (28,0% contra 32,0%).

Analisando o aspecto da sade, curioso observar que, apesar de o PIB per capita do Pas ser trs vezes maior do que o da Guiana, o percentual de acesso rede sanitria praticamente o mesmo, ou seja, 80%. No entanto, importante ressaltar que os investimentos do governo em saneamento vm contribuindo significativamente para a reduo dos municpios sem acesso rede de esgoto. H dez anos, 6,96% dos domiclios no tinham banheiro ou sanitrios; atualmente so 2,64% (cerca de 1,5 milho de habitaes). Embora a regio Nordeste ainda seja a rea menos privilegiada nesse item (7,8% dos domiclios no tm banheiro ou sanitrio e o Piau o Estado em pior situao, com 19,9%), nos ltimos dez anos a regio conseguiu diminuir em 13 pontos percentuais o nmero de municpios sem acesso rede sanitria. No preciso dizer a influncia desse avano na expectativa e na qualidade de vida da populao, alm do deslocamento de parte da renda em remdios para outros itens de consumo, como produtos de higiene pessoal e limpeza domstica.

Os indicadores de renda no podem ficar de fora dessa fotografia. No geral, 5,1% dos domiclios ganham mais de cinco salrios mnimos, enquanto 4,3% no apresentam rendimento algum. As regies Norte e Nordeste apresentam um percentual menor no ganho de mais de cinco salrios mnimos e um percentual maior nos domiclios sem renda, diferentemente das demais regies, que apresentam um comportamento contrrio a este. Pela primeira vez, a regio Centro-Oeste tem um percentual dos domiclios com ganhos acima de cinco salrios mnimos que supera o da regio Sudeste (6,8% contra 6,7%). A maior parte dos domiclios (28,7%) ganha entre meio e um salrio mnimo.

Talvez algum se pergunte: O que esses nmeros dessa importante fonte de dados, o IBGE, podem nos oferecer?. A resposta simples: vantagem competitiva! Esses indicadores podem se transformar em informaes e essas informaes em aes de sucesso, mas quem faz a mgica acontecer voc. voc quem pode relacionar as informaes de tendncia de mercado com as de marketing da sua empresa. Somente voc pode identificar se determinado crescimento populacional ou uma concentrao de renda em determinada rea geogrfica pode ser interessante para o desenvolvimento da sua empresa. Ser que os dados podem explicar as aes dos meus concorrentes? Todas essas e muitas outras perguntas podem ser respondidas analisando os dados disponveis de fontes confiveis, como as apresentadas no site do IBGE: www.ibge.gov.br.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

BPFeC e sua interao com a empresa

Tenho percebido que as Boas Prticas de Fabricao e Controle (BPFeC) esto sendo segregadas no dia a dia das empresas, pois no existe o sentimento de que estas sejam resultantes de uma grande srie de aes que, obrigatoriamente, envolvem toda a empresa.

Por meio da ilustrao desta pgina, podemos melhor compreender por que todas as atividades executadas na empresa podem impactar, em maior ou menor intensidade, na implantao desse sistema.

A ttulo de exemplo, relatamos um acontecimento rotineiro, aparentemente sem grandes consequncias nas BPFeC, mas que tem implicaes extremamente srias em relao aos colaboradores da empresa. Refere-se deciso muitas vezes tomada pela rea de compras quando esta necessita realizar uma reduo de gastos. Na maioria dos casos, um dos itens que alvo de reduo ou eliminao o papel-toalha usado nos lavatrios. O impacto dessa deciso, no avaliado de modo adequado, que, ao se restringir o uso do papel-toalha existe a possibilidade de os colaboradores procurarem outras alternativas no adequadas para esse fim.

Esse fato acontece porque o encarregado das compras no tem conhecimento da importncia que o papel-toalha, como meio da prtica de asseio e limpeza, tem no mbito das BPFeC.

Esse exemplo, acreditamos, bastante ilustrativo e corrobora a importncia do envolvimento coletivo com essas prticas.

Outro exemplo que considero importante o desenvolvimento de produtos sem que o impacto sobre as atividades das reas produtivas, como a fabricao e o envase, seja avaliado previamente; na maioria das vezes s passa a ser conhecido pelas reas envolvidas, por exemplo, quando o material de embalagem chega empresa.

A desinformao dos fornecedores da empresa tambm pode ser mencionada como um dos motivos para comprometer o sucesso da efetiva implantao das BPFeC, pois, se os fornecedores no estiverem comprometidos com o processo, continuaro produzindo no conformidades que afetaro produtos e servios.

De modo anlogo, a existncia de equipamentos fora de condies normais de uso, caso os encarregados da manuteno no estejam comprometidos com a qualidade, acabam impactando o processo.

No que concerne ao setor de planejamento e controle de produo, decises tomadas para agilizar processos de fabricao e envase visando a atender s vendas, sem o adequado planejamento, muitas vezes impactam, notadamente quando causam a dispensa de procedimentos de limpeza e sanitizao entre lotes.

Quando o P&D no considera o dimensionamento e a adequao de equipamentos e das utilidades da fbrica, muitas vezes dificulta que o setor de produo trabalhe com foco nas BPFeC, obrigando-o, muitas vezes, a apelar para o famoso quebra galho.

As BPFeC devem ser observadas desde o momento em que o produto idealizado pelo marketing, evitando assim as consequncias e as no conformidades quando a ideia passar da teoria para a execuo.

Muitos outros exemplos podem ser citados, entretanto, acredito que esses so suficientes para que o conceito seja absorvido.

Os interessados nesse assunto podem ler a consulta pblica da Anvisa referida na Portaria n 623, de 29 de maro, sobre as Boas Prticas de Fabricao e Controle na indstria de Produtos de Higiene Pessoal, Cosmticos e Perfumes, na qual est clara a pretenso das autoridades de evolurem na efetiva implantao dessas prticas sob o foco do Sistema da Qualidade.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Princpios ativos botnicos em cosmticos

Quando falamos em hidratantes, por exemplo, podemos pensar em leo de uva ou leo de amndoas. Quando nos referimos a tratamentos mais especficos, podemos nos lembrar dos alfa-hidrxi-cidos, que so substncias orgnicas extradas de vegetais, como o cido gliclico, feito da cana-de-acar.

A seguir esto listados alguns dos fitoterpicos utilizados em dermatologia cosmtica e so enfatizados seus principais benefcios.

Polypodium leucotomas - Pertence famlia Polypodiaceae, uma planta que se desenvolve exclusivamente nas selvas e nos bosques tropicais hondurenhos. Na medicina tradicional, essa planta usada para o tratamento de psorase, dermatite atpica e artrite, devido sua atividade imunomoduladora. Estudos mais recentes mostram sua atividade antioxidante e fotoprotetora em relao agresso de UVA (aguda).

leo de oliva - A oliveira (Olea europaea) a rvore que produz a azeitona ou oliva. O leo reconhecido como antioxidante devido aos seus componentes polifenlicos. O consumo do leo extravirgem (com acidez menor que 0,8% em cido oleico) est relacionado proteo contra o estresse oxidativo. Em produtos tpicos, usado em leos e sabonetes para a pele. Tambm componente de formulao tpica para ser usada em eczemas, fissuras, hemorroidas, micoses superficiais e infeces bacterianas da pele, devido s suas propriedades anti-inflamatrias e antibacterianas.

Picnogenol Seu nome botnico Pinus pinaster. Pertence famlia dos flavonides, que inclui as proantocianidinas, que tm propriedades antioxidantes e quimioprotetoras, alm de capacidade para estabilizar o colgeno e melhorar a elasticidade e a flexibilidade da pele. Seu extrato, obtido das folhas e da casca das pinhas, promove o aumento do fator de crescimento vascular endotelial relacionado angiognese. Trabalhos recentes tm associado sua ingesto melhora do melasma. Formulaes tpicas melhoram o envelhecimento cutneo.

Cafena - Composto qumico de frmula C8H10N4O2 classificado como alcaloide do grupo das xantinas e designado quimicamente de 1,3,7-trimetilxantina , encontrado em certas plantas e usado na forma de infuso, como estimulante. A cafena tem propriedades antitumor e de proteo solar. H vrios estudos controlados mostrando que a cafena promove a apoptose de clulas agredidas pelo sol.

CoffeeBerry - Trata-se de um ativo extrado do fruto verde do caf, que contm alta concentrao de antioxidantes. Esse fruto passa por um processo de extrao especfico e potencializado, que resulta na composio de polifenis, como: cido clorognico, proatociandinas, cido qunico e cido ferrlico, todos com ao anti-inflamatria, clareadora e antienvelhecimento. Contm cafena, que pode ser usada para produtos anticelulite.

Arnica- A arnica europeia (Arnica montana) e a arnica brasileira (Lychnophora ericoides) tm atividade anti-inflamatria por meio das fraes de lactonas sesquiterpnicas. Tambm so usadas para o tratamento da queda de cabelo e, quando usadas via oral, parecem diminuir hematomas; seu uso tpico no mostrou diferena no clareamento dos hematomas.

cido ferrlico - O cido 3-metxi-4-hidrxi-cinmico um composto fenlico vegetal, apresenta atividades antioxidantes e pertence famlia dos polifenis. encontrado nas paredes celulares das plantas e um dos componentes da lignocelulose que d rigidez a essas paredes. potente em absorver radiao ultravioleta (UV) e, quando associado vitamina C e E, melhora seu efeito antioxidante.

Ch Verde Esse ch (Camellia sinensis (L.) Kuntze), originrio da China, um potente antioxidante com polifenis. As fraes mais importantes e ativas dos polifenis so as epigalocatequinas extradas da folha das plantas. Estudos demonstram sua atividade supressora do efeito carcinognico da radiao ultravioleta e esse ch tem sido utilizado tanto por via sistmica quanto tpica.

Pomegranate Recebe o nome cientfico de Punica granatum L, conhecida como rom. Contm polifenis, alm de vitamina C, vitamina B5 e potssio. Possui ao clareadora da pele quando usada via oral, inibe a proliferao de melancitos e a sntese de melanina. Tem propriedade antimicrobiana e antivirtica, e eficcia comprovada como antibitico natural nos casos de inflamaes orais bacterianas e virais. Estudos recentes sugerem que os efeitos antioxidantes e antivirais da rom melhorariam o efeito dos filtros solares. Parte utilizada: a casca da rom.

Resveratrol Este polifenol da uva considerado antioxidante, anti-inflamatrio e antiproliferativo. Tem propriedades quimiopreventivas em relao a tumores de pele, mama, colo e prstata, alm de propriedades antifngicas, antibacteriana e antiviral. Trabalhos recentes demonstram sua ao protetora em relao UVB.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

O cerco est se apertando

Propostas, desde as mais simples at as mais complexas, exigem reflexes racionalmente pensadas, planejadas, executadas e concludas, as quais podem antecipar respostas de grande valia para as finalidades almejadas.

A carreira universitria, respeitadas as normas acadmicas, deve dispor de meios que permitam a aproximao tcnica e cientfica entre corpo docente/ps-graduandos e os rgos regulatrios e o setor de P&D de instituies pblicas e, ou, privadas. Esta aproximao, seguramente, trar melhorias qualidade do ensino, bem como permitir avaliar o que est sendo ensinado em relao s necessidades que esto sendo exigidas, frente s grandes conquistas tecnolgicas e de mercado.

Como fruto dessa interao, possvel enxergar horizontes promissores, esquecidos ou considerados no prioritrios pelo ambiente universitrio, a exemplo do que vem acontecendo com o tema avaliao de segurana e assuntos regulatrios relativos a ingredientes de higiene pessoal e cosmticos. a onde est o gargalo.

At quando o uso de animais de experimentao, empregados na avaliao de toxicidade de ingredientes de produtos de higiene e cosmticos, ser permitido?

O ponto de partida que tratou da regulamentao referente ao uso de animais de experimentao aconteceu nos Estados Unidos (1828) e, de l para c, esse ponto de partida tem recebido importantes emendas regulatrias e contribuies cientficas. Brussel e Burch (1959) propuseram a necessidade do desenvolvimento de mtodos alternativos, com o objetivo de minimizar o uso de animais. Para tanto, eles sugeriram o teste dos 3Rs (sigla em ingls para Replacement, Reduction and Refinament Substituio, Reduo e Refinamento), o qual vem sendo reconhecido e sobejamente valorizado.

A Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD), por meio da Environment, Health and Safety Division (2000), publicou o Guidance document on the recognition, assessment, and use of clinical signs as human endpoints for experimental animal used in safety evaluation. Animais de experimentao tm merecido especial ateno, conforme publicaes, por exemplo, do Canad, dos Estados Unidos, da Comunidade Europeia e do Brasil, respectivamente: Guide to the care and use of Experimental Animals, Animal Welfare Act, Directive n 86/609/EC e Lei n 11794/08, entre outras. A fundo perdido, alguns pases desenvolvidos vm canalizando polpudos recursos financeiros, com a participao da iniciativa privada, visando a criao de centros de excelncia voltados ao delineamento, padronizao e validao de mtodos alternativos, entre eles os mtodos in vitro.

Os centros reconhecidos pelas siglas ECAVAN1, ICCVAM2, JACVAM3 e NICEATM4 so considerados os pioneiros, enquanto 16 outros esto plenamente engajados nesse trabalho.

O sistema de gerenciamento participativo que vem sendo exercido pelo centro Acute Tox deve servir de exemplo para os pases em desenvolvimento. Esse centro conta com nove ncleos de pesquisa e 35 pesquisadores de 13 pases da Comunidade Europeia, trabalhando em exemplar integrao oramentria, tcnica e cientfica. O que o Brasil tem procurado fazer? Pelo visto, iniciativas corajosas e teimosas, somente com passagem de ida.

Vale destacar os trabalhos do INCQS (Encontro sobre Mtodos Alternativos ao uso de Animais para Fins Regulatrios-2005); da Associao Brasileira de Cosmetologia (Avaliao de Segurana de Ingredientes Cosmticos - 2008 e Desenvolvimento de Mtodos Alternativos com nfase em Ingredientes Cosmticos-2008); da Unesp (Frum Internacional - Mtodos Alternativos e In vitro para a Segurana de Substncias Qumicas e seu Impacto na Sade e no meio ambiente - 2010); e as publicaes Proposal for a Brazilian Centre on Alternatives Methods - C. Eskes e cols, Short Communication, Altex, 26:265-268, 2000; e The Need for the Establishment of BraCVAM. Presgrave, O.A.F. Atla, 37:705-708,2010.

Iniciativas teimosas, porm corajosas, pressupem verdades futuras. A universidade, como centro de excelncia, ao lado de importantes parceiros, como rgos reguladores, regulados, de fomento e entidades representativas, pode ser a clula desse processo interativo e conduzir a implantao de mais um instituto de cincia e tecnologia, o 123, representado pelo Centro Brasileiro para o Desenvolvimento e a Validao de Mtodos Alternativos.

Mas a grande vitoriosa dessa luta ser a sade pblica, especialmente os usurios de produtos de higiene e cosmticos, que contaro com meios seguros e atuais na avaliao de segurana de substncias qumicas.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Produtos naturais para cabelo

Est cada vez mais difcil para os formuladores de produtos para cabelo criarem produtos ditos naturais, uma vez que o mercado est tomado por materiais sintticos, inovadores e eficazes. Todas as semanas somos invadidos por informaes de fabricantes que tentam ultrapassar seus concorrentes com produtos de tima qualidade e de alto desempenho.

Quando pensamos em produtos ditos naturais, precisamos, antes de tudo, observar a origem dessas matrias-primas. consenso mundial que produtos advindos de locais sujeitos a prticas agrcolas de irradiao para esterilizao ou uso de fertilizantes em excesso no devem ser utilizados.

A maioria das formulaes de produtos para cuidados com os cabelos j oferece benefcios ao consumidor. Contudo, no caso de itens de cuidado pessoal cuja proposta proporcionar benefcios mais especficos, utilizado um conjunto definido de ativos nas formulaes, com propriedades mais direcionadas finalidade do produto. So exemplos os protetores solares, produtos antioxidantes, antiacne e antienvelhecimento.

Alguns benefcios podem ser mais difceis que outros de se obter por meio de ingredientes naturais, pois eles foram projetados para as molculas sintticas. Vou comentar, a seguir, a insero de ingredientes naturais em trs dos mais importantes produtos para cabelo.

- Shampoos: apesar de todos os seus benefcios adicionais, so principalmente destinados a limpar os cabelos. Embora a quantidade real do tipo de surfactante necessria para promover o mecanismo de ao de remoo de leo ser pequena, o consumidor atual est procura de espuma abundante. Assim, a indstria obrigada a desenvolver espuma natural e de alta densidade. Sabonetes feitos com leos de cidos graxos insaturados, por exemplo, azeite ou leo de cnhamo, podem se tornar claros em uma soluo concentrada. Quando so misturados com coco para melhorar a espuma, esses sabonetes lquidos limpam bem, mas enfrentam problemas de solubilidade em gua dura. Uma sugesto seria adicionar quelantes naturais, como inositol hexafosfato, com clcio divalente e ons de magnsio.

- Condicionadores: o que significa condicionar os cabelos? Reduzir a fora necessria para pentear os cabelos molhados ou secos, bem como diminuir a carga de superfcie das fibras do cabelo, com o intuito de melhorar a penteabilidade. A melhor maneira de obter esses efeitos seria usar tensoativos catinicos, exemplificados por sais quaternrios de amnio, mas o uso destes encontra severas restries das certificadoras de produtos naturais.

As combinaes de leos vegetais, como o de jojoba, a outros emolientes tambm podem encontrar seu caminho em formulaes de condicionadores de cabelo, bem como a lecitina (geralmente originria da soja), que est disponvel em verses orgnicas. Esses materiais tm alguma substantividade para a cutcula do cabelo, desde a virgem at a mais danificada, e podem atuar como um filme de reduo de atrito no eixo da haste.

importante lembrar que, quando se olha para os derivados naturais, alguns produtos simples podem ser obtidos por via sinttica. Glicina, o menor aminocido, por exemplo, abundante na natureza, mas difcil distinguir o natural do sinttico. Isso tambm ocorre com os derivados de glicerol existem tanto os sintticos como os derivados, a partir de leos vegetais e gorduras.

H, no entanto, srias limitaes em relao cor, pois muitas cores extradas de plantas no so aprovadas para o uso cosmtico, mesmo se forem aprovadas para o uso em drogas e alimentos. Os corantes solveis que podem ser usados so caramelo, urucum, beta-caroteno e carmim da cochonilha mexicana, entre outros.

Produtos para penteados: produtos para pentear os cabelos dependem de propriedades adesivas de formao de pelcula ou de seus resduos secos. Esses produtos so revestidos com uma soluo de polmero ou pulverizados como uma nvoa de gotculas que soldam as fibras em conjunto, para estruturar o penteado. Esses polmeros podem vir de fontes naturais, baseados em carboidratos ou protenas. A desvantagem a sua reduzida resistncia umidade. Protenas como as do milho e as provenientes de gomas vegetais podem ser usadas, a exemplo da goma arbica extrada da accia e da pectina. Finalmente, para modificar a flexibilidade e reduzir a descamao, o glicerol pode ser considerado um plastificante universal, e glicis, como o propilenoglicol fermentado na origem, podem ser usados.

Por ltimo, mas no menos importante, preciso lembrar que o formulador tem um desafio constante quando se trata de produtos ditos naturais: o de testar a frmula final em relao qualidade microbiana e sua preservao.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Embalagem e sustentabilidade

Quando se trata de meio ambiente, poluio, efeito estufa, ecossistema e reciclagem, a palavra que j nos acostumamos a ouvir sustentabilidade. Mas, o que mesmo sustentabilidade? Ser que ela vai resolver ou, pelo menos, minimizar os problemas do mundo, despoluir rios, reduzir a poluio ambiental, reflorestar as reas desmatadas e acalmar a me natureza? um pouco tarde para consertar o que o homem devastou. Contudo, preciso fazer algo para, ao menos, tentar frear os estragos que tem sido feitos.

No que nos diz respeito, produzir cosmticos de maneira sustentvel o que podemos fazer para contribuir para o sucesso desse processo. No entanto, ao fabricamos cosmticos cuja finalidade embelezar, proporcionar prazer, aumentar a autoestima das pessoas e fazer o mundo mais feliz, no estamos, de certa forma, tambm praticando a sustentabilidade? Como o nosso assunto embalagem, prefiro deixar essa resposta para os usurios
ecoconscientes.

No que se refere embalagem, j estamos tomando algumas medidas, mas ainda h muito para se fazer. Existe uma discusso interessante, na qual cada segmento que produz embalagem se defende, dizendo que seu processo sustentvel e no polui. O setor vidreiro e o de cartonagem empunham, com razo, fortemente essa bandeira. Toda a culpa do mundo recai, portanto, sobre o setor produtor de plstico, o qual no tem como defender-se, pois produz o tipo de embalagem que mais polui.

No podemos, no entanto, colocar toda a culpa nos fabricantes de plsticos, se o restante da cadeia tambm no trabalha para minimizar esse impacto. O setor plstico j vem buscando e usando alternativas sustentveis, como o ecoplstico, um plstico verde derivado de vegetais, cujo tempo de degradao infinitamente menor em relao aos derivados do petrleo. Por outro lado, sabido tambm que alguns tipos de plstico podem ser reciclados e outros no, e que alguns plsticos emitem gases poluentes durante seu processo de fabricao e outros no.

Com os poucos exemplos acima, j comeamos a perceber que possvel colaborar com o processo de sustentabilidade.

O governo tambm vem fazendo a sua parte, com a lei que criou a Poltica Nacional de Resduos Slidos. claro que essa uma lei que ainda precisa ser melhorada e lapidada, pois tem muitos pontos falhos. Mas, de certa forma, ela j obriga o setor a convergir para o caminho da sustentabilidade. Vale mencionar a poltica de logstica reversa, na qual a responsabilidade, no que diz respeito embalagem, de toda a cadeia e no apenas do fabricante.

Outra ao que une o til ao agradvel a reduo no peso das embalagens, que permite aos fabricantes reduzir o peso sem descaracterizar ou prejudicar seu contedo. Com isso, a quantidade de embalagem por produto descartada no meio ambiente menor, principalmente no caso dos plsticos no reciclveis. Nesse caso, unir o til ao agradvel significa que, juntamente com a reduo de peso, vem de brinde uma obrigatria reduo no custo da embalagem o que incentiva sobremaneira os empresrios. Esse o tipo de ao que o mundo mais tem praticado e temos diversos exemplos no mercado cosmtico.

Outro ponto interessante no comprar de um fornecedor que fique muito distante da fbrica. Alm do valor do frete, que normalmente embutido no preo da embalagem, existe tambm a poluio que emitida durante o transporte: quanto maior a distncia entre o fornecedor e a fbrica, maior ser a quantidade de resduos poluentes emitidos e que aumentam o efeito estufa.

O uso do monomaterial nas embalagens tambm uma ao que colabora com a preservao do meio ambiente, quando essa embalagem pode ser reciclada. Alguns exemplos do que chamamos de embalagem composta de monomaterial so: tampa (polipropileno), rtulo (polipropileno biorientado) e frasco (polipropileno). Como tm a mesma composio e so reciclveis, eles podem ser descartados juntos, sem necessidade de separao prvia.

Tambm de fundamental importncia nesse processo o destino que as empresas fabricantes de cosmticos do s suas embalagens com defeito; aos restos de produtos do processo de envase; s devolues de produtos vencidos; e aos produtos envasados e contaminados. O correto encaminhar esses itens s empresas especializadas e autorizadas pelos rgos ambientais. preciso, porm, verificar se essas empresas tm Certificado de Aprovao de Destinao de Resduos Industriais (Cadri) tambm conhecido como certificado de movimentao de resduos de interesse ambiental e se esse Cadri no est vencido, pois, embora a embalagem esteja sendo descartada por uma empresa especializada, a empresa de cosmtico co-responsvel pela destinao desse item.

Na verdade, as aes de sustentabilidade no que diz respeito s embalagens ainda so muito tmidas. No entanto, a conscientizao, aliada criatividade dos nossos tcnicos, nos permitir, em breve, dizer que fabricamos cosmticos para aumentar a autoestima das pessoas e que fazemos um mundo mais feliz de maneira sustentvel.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

No futuro, um dia...

Atravs do anteparo transparente, o farmacutico contemplava sua farmcia, uma das poucas que ainda praticava a manipulao de medicamentos. Aos 110 anos de idade, ele jamais imaginara que pudesse estar ainda na ativa. Graas aos avanos da medicina, da nutrio, da cosmecutica e das cincias farmacuticas, ele superou, em muito, o limite dos 70 anos de vida.

Com a costumeira suavidade, sua assistente entrou em sua sala. O farmacutico lembrou-se do dia em que ela, ainda bastante jovem, entrara da mesma maneira em sua sala para o exame de seleo de estagiria. Agora, uma mulher de meia idade, com 65 anos, ela ainda tem o mesmo sorriso e a mesma simplicidade de quando era jovem.

- Mestre! exclamou a farmacutica tenho algo especial para voc.

Ela ainda insistia em cham-lo de mestre, embora seus conhecimentos j fossem iguais aos dele.

- Pois no Farminha, como sempre, estou ao seu dispor.

Depois de tantos anos de convivncia com o farmacutico, ela j havia se conformado. Apesar de a farmacutica ter vrios ttulos, ele continuava a cham-la no mesmo tom e pelo mesmo apelido carinhosos.

- Acho que voc vai gostar desta aqui ela disse, ao mesmo tempo que agitava uma prescrio em uma das mos.

- Interessante. realmente das antigas... CRM 55.299. O doutor deve ter a minha idade ou mais. Alm disso, a prescrio est em papel, escrita mo e com caneta! respondeu ele.

Por um instante, ele contemplou a prescrio, mais parecida com uma relquia arqueolgica. Lembrou-se de que, quando era jovem, sempre aviava prescries como aquela.

- Vamos l, Farminha. Ao laboratrio!

Ambos caminharam alguns passos para a cmara de paramento e descontaminao. Nela permaneceram por alguns minutos, enquanto as radiaes e frequncias ultrassnicas especficas faziam a descontaminao.

Ao entrar no laboratrio, com a mesma vivacidade que tinha quando manipulou sua primeira prescrio, o farmacutico solicitou ao computador, com um comando de voz, que separasse as matrias-primas necessrias.

Nesta poca, a maioria das prescries era aviada por mquinas. Pequenas impressoras inkjet misturavam corretamente solues contendo os frmacos, incorporando-as a bases cremosas, lquidas, adesivos, injees, cpsulas ou pastilhas adocicadas.

Nascido antes destas inovaes, ele sempre se perguntava como era possvel o mdico prescrever eletronicamente, baseado no genoma do paciente, e, utilizando a rede mundial, encaminhar a prescrio farmcia escolhida pelo paciente.

Depois que essas tecnologias foram implantadas, os prescritores praticamente desistiram de prescrever manipulados, e as farmcias magistrais praticamente desapareceram. Os antigos mdicos que sabiam prescrever manipulados se foram e a gerao de novos mdicos foi influenciada diretamente pelas novas tecnologias e no foi ensinada a estes a arte de prescrever. Tudo era genmico, tecnolgico, preciso e efetivo, mas, ainda assim, impessoal.

Aquela prescrio era diferente e requeria uma interveno pessoal. Apesar de ainda ser muito eficaz, esta prescrio no estava programada na mquina e precisava ser manipulada segundo a arte.

A assistente do farmacutico j havia separado o almofariz e o pistilo de new glass, um vidro sinttico totalmente inerte, inquebrvel e muito mais resistente que o ao.

Com as matrias-primas e bases j precisamente pesadas pelo computador, o farmacutico precisamente adicionou os materiais ao almofariz e os incorporou base, com a mesma prtica de anos atrs. Era como andar de bicicleta: uma vez aprendida e incorporada, a arte de manipular no podia ser esquecida.

Aps acondicionar o produto, sua assistente tomou o frasco em suas mos. Ela exps o produto ao espectrmetro multifrequencial e verificou a concentrao de ativos automaticamente. Como tudo estava correto, rotulou o frasco e sorriu para seu mestre, dirigindo-se recepo para entregar o medicamento ao cliente.

O farmacutico, cheio de felicidade, sentou-se na banqueta, fechou os olhos, suspirou e, por um instante, foi levado novamente ao reino dos sonhos.

- Mestre, mestre! Precisamos de voc no laboratrio.

Ele acordou assustado. Olhou para a jovem assistente, que lhe observava com aquele sorriso de acordei voc de novo.

- O que foi Farminha?

- Estamos com uma formulao difcil e precisamos de voc. V se paramentar, pois estou esperando voc na cabine de manipulao de hormnios.

- pra j disse o farmacutico assistente.

Enquanto se paramentavam na antecmara pressurizada, ele comentou com a assistente:

- Lembre-me de iniciarmos o quanto antes um programa de educao mdica em prescrio de medicamentos manipulados.

- Por qu? perguntou a assistente.

O mestre levantou os olhos e, com a certeza confiante de quem antev o futuro, respondeu:

- Porque um dia isso far toda a diferena.






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