Fotoproteo: Um Desafio para a Cosmetologia

Edicao Atual - Fotoproteo: Um Desafio para a Cosmetologia

Editorial

As conseqüências negativas da política econômica já atingiram o setor de cosméticos que até o ano passado era o campeão em registros de crescimento expressivos, contabilizados sempre com dois dígitos. 0 setor acaba de assimilar um golpe duro com a queda recorde de quase 9% nos volumes de produção do primeiro trimestre, comparado com mesmo período de 2002, segundo a Abihpec.

As mais significativas são as quedas importantes registradas em produtos de grande penetração de mercado, notadamente sabonetes e cremes dentais. Essas constatações traduzem a singela mensagem de que o consumidor, no final do mês, já está sentindo a falta de uns poucos reais na carteira e se privando do acesso a produtos essenciais para a higiene diária.

Com atividades na indústria e no comércio quase parando, estamos beirando o limiar da recessão. Está na hora de se fazer iniciar o espetáculo do crescimento, porque do espetáculo do circo de horrores, já estamos cansados. 

Os danos causados pelo Sol que obrigam o consumidor a "adotar sistemas de proteção eficaz de uso diário, e as fontes de insumos depositadas no fundo dos oceanos, ainda não totalmente exploradas, são os dois assuntos abordados nesta edição de Cosmetics & Toiletries (Edição em Português) com a pauta: Fotoproteção e Ingredientes Marinhos.

São dois temas de grande importância para a indústria sobre os quais o formulador está cada vez mais buscando de novidades.

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Fotoproteção: Um Desafio para a Cosmetologia - Phillippe Masson Evic-International, Blanquefort, França Luciana Scotti Faculdade de Farmácia - USP, São Paulo SP, Brasil

Os benefícios do Sol são de conhecimento de todos, porém nem todos conhecem os danos que este pode induzir na pele a curto, médio e longo prazos. Baseados nessa premissa, os autores discrevem os riscos causados pela exposição solar e os métodos de avaliação da eficácia dos protetores solar.

Los benefícios del Sol son de conocimiento de todos, sin embargo, ni todos conocen los daños que este puede inducir en la piel en corto, media y largo plazo. Basados em esta premisa los autores describen los riesgos ocasionados por la exposición al sol y los métodos de evaluacion de la eficácia de las pantallas solares.

All of us are aware of the benefits granted by the sun, therefore few people know exactly the damage the sun can induce on the skin in the short, mediun and long terms. Based on this premise, the authors describe the risks caused by the sun exposition and the methods utilized to evaluate the efficacy of the sun protection products

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Substâncias Ativas Derivadas de Algas - Xavier Briand SECMA, Pontrieux, França

Recentemente, ingredientes marinhos demonstraram ser eficazes em aplicações cosméticas. Neste artigo, o autor explica como alguns desses ingredientes podem ser usados com êxito nas formulações de cuidado pessoal.

Recién, ingredientes marinos demuestraron ser eficaces en aplicaciones cosméticas. En este articulo el autor explica como algunos de estes ingredientes pueden ser usados con exito en las formulaciones de cuidado personal.

In recent years, ingredients from the sea have showm to be effetive in cosmetic applications. In this article, the author explains how some of these ingredients can be used successfully in personal care formulations.

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BEMT: Um Eficiente Absorvedor UV de Amplo Espectro - Sebastien Mongiant, Bernd Herzog, Cyrille Deshayes, Peter König e Uli Ostewalder

Proteção eficiente contra UV de amplo espectro é proporcionada por bis-etil-hexil-oxifenol metoxifenil triazina (BEMT), um absorvedor de UV, solúvel em óleo e fotoestável que proporciona maior proteção UVA e sinergia com filtros UVB.

Protección eficiente contra la UV de amplio espectro es ofrecida por bis-etil-hexil-oxifenol metoxifenilo triazina (BEMT), un absorvedor de UV, soluble en aceite y fotoestable que ofrece mayor protección y sinergia con filtros UVB.

Efficient broadspectrum UV protection is provided by bis-ethylhexyloxyphenol methoxyphenyl triazine (BEMT) and oil-soluble, photostable UV absorber that offers improved UVA protection and synergy with UVB filters.

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Cosméticos Aceleradores e Prolongadores do Bronzeado - Claudio Ribeiro e Mitsuko T. Ohara Faculdade de Ciências Farmacêuticas de São Paulo USP, São Paulo, SP, Brasil

Neste artigo os autores descrevem os processos envolvidos no bronzeamento. São apresentados comentários sobre os ingredientes atualmente utilizados pela indústria cosmética na fabricação desses produtos.

En este articulo los autores describen los procesos involucrados en el bronceado. Son presentados comentarios cuanto a los ingredientes actualmente utilizados pela industria de cosmeticos en la fabricación de estes productos.

The authors describe in this article the process performed in the skin tanning. The ingredients actually utilized in cosmetic industry to manufacture this products are also mentioned.

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Algas Vermelhas como Agentes Antienvelhecimento - Steven Leiderman Frutarom do Brasil Ltda, São Paulo, SP

A inflamação crônica é fator contribuinte para envelhecimento precoce da pele. Neste estudo é descrito um complexo extraído de algas vermelhas com ação antiinflamatoria.

La inflamación crónica es factor contribuyente para envejecimiento precoz de la piel. En este estudio es descripto un complejo extraido de algas rojas con acción anfiinflamatória.

The chronic inflammation is a contributing factor for the early skin aging. In this paper it is described a complex with antiinflammatory action extracted from the red algae.

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Moléculas Inibidoras de Radiações UV - Eloi A Silva Filho e Geovane L. de Sena Depto de Química CCE, UFES, Vitória ES, Brasil José M. Pires Depto de Física CCE, UFES, Vitória ES, Brasil

Neste artigo descreve-se as moléculas inibidoras de radiações UV mais utilizadas na formulação de produtos de proteção solar, suas vantagens e desvantagens, objetivando fornecer informações sobre as propriedades físicas e químicas destas moléculas.

En ese articulo se describe las moléculas que inhiben la radiación ultravioleta más usadas en la formulación de productos de protecciones solares, sus ventajas y desventajas, con el objetivo de informar las propiedades fisicas y químicas de estas moléculas.

In this article the most used molecules in the sun products formulation for the ultraviolet radiation inhibition are described, their advantages and disadvantages are ponted out with the objective of supplying information on the physical and chemical properties of these molecules.

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Proteção Cosmética Originada das Profundezas do Oceano - Carlos A. Veiga Mansur Croda do Brasil Ltda, Campinas, SP, Brasil

A pesquisa de enzimas termoestáveis é uma nova etapa muito importante no desenvolvimento de agentes marinhos para a proteção da pele. Neste artigo o autor descreve a eficácia das enzimas da bacteria Thermus thermophilus GYI211.

La investigación de enzimas termoestables es uma etapa muy importante em el desarrollo de agentes marinos para la protección de la piel. Em este articulo el autor describe la eficacia de las enzimas de la bacteria Thermus thermophilus GYI211.

The study and search of temperature stable enzymes is a very important stage on development of marine agent for skin care. In this article the author describes the efficacy of the enzymes of the bacteries Thermus thermophilus GYI211

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Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

Acidentes de Consumo

Um dos principais princpios estabelecidos pelo Cdigo de Defesa do Consumidor - CDC a proteo vida, sade e segurana do consumidor contra os riscos de produtos e/ou servios colocados no mercado de consumo, exceto os riscos considerados normais e previsveis em razo da natureza e fruio destes.

Alm disso, o CDC determina que estes produtos/servios devem ser adequados sua finalidade, ou seja, devem atender as expectativas do consumidor.

Quando os produtos/servios no atingem sua finalidade, verificamos que estes so imprprios para o consumo, isto , de acordo com a terminologia jurdica, so produtos/servios com vcio ou defeito.

Produtos/servios com vcio so aqueles, que na linguagem popular, caracterizamos como defeituosos, ou seja, que em virtude de determinada condio no podem ser utilizados, conforme sua finalidade.

Exemplos de produtos com vcio: televisor com problema de imagem, camisa sem boto, shampoo com prazo de validade vencido, entre outros.

Vale ressaltar que este vcio pode ser aparente, facilmente detectado, ou oculto, s constatado aps determinado tempo de uso do produto.

Diante destes conceitos e no contexto do mundo atual, surgem algumas questes:

- As promoes para venda de saldo de mercadorias, as chamadas pontas de estoque podem vender produtos com vcio?
possvel desde que haja informao precisa e suficiente ao consumidor a respeito deste vcio, evitando que ele seja induzido a erro, e que apesar disso o produto continue atendendo a sua finalidade no mercado de consumo.

- Quem o responsvel pelo vcio do produto?
A responsabilidade solidria dos fornecedores, ou seja, o consumidor pode escolher entre o fabricante, o comerciante, o distribuidor, etc, ou at mesmo todos.

- 0 que consumidor pode exigir diante de um produto com vcio?
O consumidor pode exigir sua escolha: 0 abatimento proporcional do preo, a substituio do produto por outro sem vcio, ou ainda a restituio da quantia paga.

- Qual o prazo para reclamar?
O prazo para reclamao de produtos durveis (geladeira, automvel, computador, etc) de 90 dias, e de 30 dias para os produtos no durveis (sabonete, iogurte, manteiga, etc), iniciando a contagem a partir da constatao do vcio que em alguns casos pode ser to logo o produto seja utilizado, em outros pode demorar mais ou at mesmo, por alguma razo especfica, nunca ser percebido.

J,o produto considerado com defeito, na terminologia jurdica, aquele que em virtude de seu vcio acabou afetando a integridade fsica ou patrimonial do consumidor, gerando o que chamamos de acidente de consumo.

Infelizmente podemos exemplificar inmeros acidentes de consumo com fatos verdicos: 0 desabamento do edifcio Palace no Rio de Janeiro que foi construdo com areia da praia; as plulas anticoncepcionais de farinha do laboratrio Schering, que resultaram em diversas grvidas;
e, recentemente, o caso do medicamento Celobar, contraste radiolgico contaminado por sais de brio, dentre outros.

Nas circunstncias de acidentes de consumo, o produto/servio considerado defeituoso por no oferecer a segurana que dele se podia esperar.

E, neste caso, o fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem independentemente da existncia de culpa, pela reparao dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricao, construo, montagem, frmulas, manipulao, apresentao ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informaes insuficientes ou inadequadas sobre sua utilizao e riscos. (art. 12, CDC)

O prazo para pretenso reparao pelos danos causados, a partir do conhecimento do dano e de sua autoria, de 5 anos.

Diante de todo exposto, verifica-se que os fornecedores devem estar sempre muito atentos, pois os riscos do negcios nunca podero recair no consumidor ...

O risco exclusivamente do fornecedor!!

Cristiane Martins Santos advogada com especializao em Direito do Consumidor

A vez da Qualidade por Friedrich Reuss e Maria Aparecida da Cunha

Interferncias Externas

A maioria, se no todos os processos de gesto, segundo a ISO 9000 verso 1994 e a verso atualizada de 2000, que estejam certificados, esto, portanto, sujeitos a auditorias peridicas pelos rgos certificadores.

Uma das dificuldades encontradas quanto a capacidade do auditor de entender o sistema de gesto da empresa. O auditor, que geralmente no teve a oportunidade de vivenciar pessoalmente um processo de gesto empresarial em nvel hierrquico superior, costuma ter dificuldades em identificar a verdadeira forma de funcionamento do sistema e freqentemente exige por meio de relatrios de no-conformidades que sejam redigidos novos documentos para que o sistema fique claro (para ele).

A famosa frase costuma ter o seguinte enunciado: no est claramente estabelecido na documentao a descrio de ...f e por essa e por outras razes do mesmo tipo que, aps algum tempo o sistema est inchado de documentos e difcil de ser gerido.

O problema em si se inicia com a interferncia do consultor na empresa, pois na maioria das vezes, em razo de redues de tempo de atuao negociadas na sua contratao ou por outros motivos, o consultor no dispe de muito tempo para se aplicar na identificao das particularidades da empresa. Passa a usar na implementao os processos padro que foram implementados em outras empresas de sua consultoria. 0 resultado vai ser uma empresa que trabalha pelo modo tradicional, mas que em determinados processos aplica as ensinamentos ento adquiridos pela implementao da ISO.

Caso no haja compreenso e a interferncia direta do presidente da empresa com sua viso ampla do negcio e com disponibilidade de tempo para manter o sistema de gesto com a cara da empresa, promove-se a forma de convivncia de tais sistemas em paralelo, um para operar a empresa e outro para atender ao rgo certificador.

A nova norma veio facilitar em muito este processo, pois j no exige mais procedimentos documentados para toda a parte operacional, exatamente par reconhecer que estas habilidades devem ser e j so partes integrantes da competncia das pessoas.

Em todas as empresas certificadas pela norma anterior, j esto definidos os requisitos da nova norma: identificar os processos, sua seqncia e interaes, as entradas e sadas, os mtodos necessrios para a sua operao, seus donos e os mtodos e critrios necessrios para a sua operao e controle.

Quem vem de fora, no entanto quer ver todas estas coisas reunidas num diagrama de fluxo que tambm registre os donos, os documentos que regem o sistema, eventualmente tambm as registros, as entradas e as sadas, porm tudo isto j pode estar definido no prprio processo operacional, muitas vezes informatizado em SAP, Micro-Siga e tantos outros sistemas de informatizao existentes no mercado. Estes sistemas mantm em seu banco de dados uma srie de informaes que geram relatrios de desempenho (exatamente os indicadores do processo de gesto, que so a base da nova norma). A matriz de responsabilidades e o organograma, somados a descrio de cargos e a descrio das responsabilidades e autoridades em cada documento, identifica claramente quem o dono de cada processo.

Portanto, podemos assegurar que em qualquer empresa de mdia porte de administrao controlada, dispe de todas as identificaes necessrias. 0 que muitas vezes falta o aproveitamento lgico dos recursos pr-existentes em seus sistemas mais a eventual implementao de alguns outros, para que seus executivos e colaboradores tenham uma coleo mnima e adequada de indicadores de desempenho, que possibilite criar um painel de bordo que evite vos cegos e que permita avaliar, em espao e tempo, a evoluo dos diversos componentes do negcio, bem como de realizar algumas simulaes de alternativas.

Basta isto apenas para uma empresa administrar inteligentemente os recursos existentes.

Maria Lia A. V. Cunha psicloga, especialista em gesto de pessoas.

Friedrich Reuss bacharel licenciado em qumica e especialista em gesto da qualidade.
Email: freuss@uol.com.br

Carlos Alberto Trevisan
Mercosul por Carlos Alberto Trevisan

A Dvida

So as melhores as expectativas de retomada das conversaes nas prximas reunies do grupo ad-hoc de produtos de higiene pessoal, cosmticos e perfumes do GT -11 de Produtos do Mercosul.

Nesta coluna que reportamos os resultados das reunies, temos enfatizado que em vrias oportunidades, a improdutividade tem marcado muitas delas, entretanto, isso poder mudar.

A nossa esperana que diante da nova postura com desejos de mudanas dos dois maiores parceiros do bloco, Argentina e Brasil, possamos a partir de agora apresentar relatos de resultados do consenso quanto aos itens ainda pendentes.

Apenas para que possamos avaliar rapidamente as dificuldades encontradas durante os quase nove anos de existncia do Mercosul, no que concerne a nossa rea, exemplificamos mais uma vez as situaes freqentes que implicaram na impossibilidade de consenso:

- Ausncia sistemtica de representantes oficiais em vrias reunies.
- Dispositivos legais vigentes em cada um dos Estados-Parte que so utilizados como justificativa para impossibilitar o consenso.

Dos itens pendentes h vrias reunies acreditamos que, como mencionamos, as perspectivas de soluo so bastante favorveis, pois a postura dos novos Governos da Argentina e, principalmente, do Brasil, a expectativa de retomada das reunies bastante otimista.

Quanto aos requisitos tcnicos, uma das dificuldades era quanto a proposta apresentada pela delegao da Argentina, que listava uma srie de testes de avaliao fsico-qumica, irritao, eficcia, etc que deveriam ser apresentados quando da submisso do processo para autorizao para comercializar os produtos naquele pas.

Com a publicao do Guia para os Testes de Segurana elaborado pela ANVISA com a colaborao de ABC e ABHIPEC, esse pr-requisito est sendo atendido e, portanto, removido um importante empecilho para se chegar ao consenso.

Como pode o leitor concluir, ao vincular os requisitos tcnicos ao tipo de produto, estes ficam na dependncia da classificao relativa de risco (Grau I ou II), classificao essa no aceita pelas demais delegaes.

A terceirizaoo e outra prtica com caractersticas bastante peculiares, pois com exceo do Brasil, nos demais Estados- Parte foi instituda a figura do Titular do Produto ao qual dada a autorizao/registro para comercializao e, em alguns casos, este nem sequer tem a obrigao de exercer qualquer atividade relacionada de importao/fabricao como acontece no Brasil.

Consideramos tambm de grande importncia a questo relativa a algum tipo de boicote aos produtos brasileiros, boicote esse transvertido nas mais variadas formas, praticado, principalmente, pela Argentina, nosso maior cliente nesse mercado. 0 motivo poderia ser a liberalizao praticada pelo Brasil com a Resoluo 335 da ANVISA que instituiu a notificao para produtos Grau I, posteriormente substituda pelo comunicado. Esse fato poder servir de argumentao para a imposio de restries por parte da Argentina, o Estado-Parte pioneiro em propostas de extino do pr-registro de produtos.

Observando de outro lado, devemos tambm considerar a posio do Paraguai e do Uruguai. Durante as reunies anteriores, as representaes desses pases sempre mantiveram posio, na maioria das ocasies alinhadas em concordncia com as propostas brasileira, embora a ausncia o Paraguai nas ltimas reunies tem retardado a obteno do almejado consenso.

Para concluir, a expectativa que se pode alimentar neste momento que as negociaes devero seguir de maneira produtiva e dependendo, entretanto, as concluses, muito mais das reas econmicas dos Estados-Parte do que das reas de sade.

Carlos Alberto Trevisan consultor independente e diretor da Carlos & Trevisan Consultoria
E-mail: trevisan@dialdata.com.br

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Toxina Botulnica

Os trabalhos pioneiros com a toxina botulnica (BT) datam de 1973, quando Scott e col. iniciaram seus estudos em msculos periorbiculares de macacos. Desde ento, esta vem sendo utilizada como medicamento para vrias doenas neurolgicas e oftalmolgicas, como: blefaroespasmo, torcicolo espasmdico, tremor, tiques, esclerose mltipla, estrabismo, nistagmo, entre outras.

Em 1987 Alastair Carruthers e Jean Carruthers, a partir da observao da melhora esttica de um paciente tratado para blefaroespasmo, iniciaram suas pesquisas neste campo, sendo o primeiro trabalho publicado em 1992 e ampliado em 1994.

A BT uma neurotoxina produzida pela bactria anaerbica Clostridium botulinum. Existem sete sorotipos da toxina denominados de A a G, sendo o tipo A o mais potente e, por isso, o escolhido para os tratamentos.

uma molcula de 150 kd que se combina com a hemoglutinina e outra molcula de 150 kd denominada molcula no-toxica.

A toxicidade comumente expressa em unidades. Uma unidade a quantidade de toxina que elimina 50% (DL50) de um grupo de camundongos fmeas Swess Webster, pesando 18 a 20 g. A dose toxica para uma pessoa que pesa 70 kg estimada entre 2500 e 3000 unidades aproximadamente (40 U/kg).

A BT provoca paralisao muscular, inibindo a acetilcolina na juno neuromuscular (JNM) e provocando denervao qumica.

O mecanismo de inibio da liberao de acetilcolina segue um processo de trs etapas. A etapa inicial a ligao da toxina a receptores especficos localizados no neurnio pre-sinptico da JNM. Embora a toxina seja mais especfica para os receptores terminais da unidade motora, a ligao ocorre tambm nos gnglios colinrgicos autnomos, mas num grau muito menor. Como resultado, apenas grandes exposies TB esto associadas com efeitos simpticos.

A TB normalmente incapaz de cruzar a barreira hematoenceflica e geralmente no exerce nenhum efeito no sistema nervoso central. 0 tempo in vivo necessrio para a ligao da toxina a esses receptores desconhecido, mas tem sido estimado em pelo menos 30 minutos.

A segunda etapa envolve a internalizao da toxina ligada no citosol nervoso por meio da endocitose mediada pelo receptor dependente de energia.

Contudo, no citoplasma no neurnio- alvo que ocorre a terceira etapa do envenenamento, a inibio da liberao de acetilcolina.

Esse um processo enzimtico que requer o zinco como um co-fator. A TB uma metaloendoprotease de zinco altamente conservada que inativa (por meio de clivagem enzimtica) componentes especficos do mecanismo neuroexocittico.

A ao da BT se inicia apos 48 horas do procedimento, atingindo o resultado mximo em at 15 dias. 0 msculo reage com atrofia passageira, sem mudana na sensibilidade cutnea. Na rea cosmtica, indicada para o tratamento das rugas de expresso e deve ser evitada em locais onde a musculatura tem funes fisiolgicas, como na rea da boca.

Sendo assim, serve para a ruga entre as sobrancelhas (ruga da braveza), ps de galinha e rugas de espanto da testa. No adianta para casos de excesso de flacidez ou rugas de repouso.

Desde os primeiros trabalhos sua indicao foi ampliada para a rea do pescoo e colo, no primeiro para flacidez e rugas transversais e no segundo para as rugas do V do decote, podendo ser utilizada, tambm, no tratamento de excesso de suor nas mos, ps e axilas (hiperidrose). Nesse caso, esta no aplicada no msculo, e sim na pele, provocando timos resultados clnicos, com durao de sete a oito meses.

A BT s pode e deve ser injetada por mdicos especializados, profissionais que conheam tanto a anatomia da regio, como as caractersticas completas da substncia utilizada. Caber ao mdico indicar os locais da aplicao, nos quais a relao custo-benefcio ser positiva.

O procedimento ligeiramente doloroso e pode deixar pequenos hematomas que duram de cinco a dez dias. As rugas de expresso podem desaparecer totalmente por cerca de quatro meses e, tambm, pode haver descondicionamento de certas regies, como fronte e rea entre sobrancelhas, pois o crebro esquece esse tipo de contrao. Com o uso continuado, cerca de 5% dos pacientes podem no responder mais a ao da toxina. No aconselhvel repetir a aplicao antes de dois meses. 0 msculo sempre voltar a contrair, no havendo sequelas definitivas.

A toxina , portanto, segura e eficaz para o tratamento das rugas de expresso, desde que seja diluda e aplicada de forma correta. A aplicao da BT deve obedecer o bom senso, e, sendo assim, idade precoce, quantidade exagerada e aplicaes seguidas devem ser evitadas. A reaplicao pode ser feita a cada 6 meses.

Denise Steiner dermatologista
E-mail: clinicastockli@uol.com.br

Boas Prticas por Tereza F. S. Rebello

Testes de Segurana

Faz parte da natureza humana, caractersticas criativas, de investigao e de adaptao aos novos tempos. Se voltarmos nele, vamos ter a certeza de que uma grande revoluo tcnico-cientfica ocorreu, pelo menos, na ltima metade do sculo XX.

No campo da sade essa evoluo faz parte da histria de algumas profisses como a de mdicos, farmacuticos e qumicos. Nos primeiros anos do sculo XX, por exemplo, mesmo em pases desenvolvidos como os Estados Unidos, a medicina era itinerante, porque elixires milagrosos eram vendidos principalmente em vages de trens e tambm em praas pblicas.

Podemos dizer, baseados em fatos histricos, que a legislao que controlava os medicamentos e, posteriormente, os cosmticos, foi inspirada nas leis que passaram a controlar os alimentos, nos primeiros anos do sculo XX. Isto aconteceu com a publicao do livro The Jungle, escrito por Upton Sinclair, um jornalista especializado em investigar e denunciar corrupes poltico-administrativas.

Foram ento denunciadas as condies em que animais doentes eram abatidos e processados, estando muitas vezes contaminados por raticidas. Esse livro catalisou a opinio pblica para mudanas nas condies sanitrias da indstria da carne. Assim, em 1906 o Congresso Americano aprovou o Pure Food and Drug Act, tomando ilegal, pela primeira vez, a venda de alimentos contaminados ou adulterados. 0 Ato aprovado pelo Congresso deu origem primeira Agncia Regulatria Governamental, atualmente conhecida como FDA.

Infelizmente no basta ter leis de controle, qualquer que seja a atividade (alimentos, medicamentos ou cosmticos). O que essencial, a tica e a responsabilidade dos fabricantes e dos profissionais que servem a essas empresas. 0 que assistimos que, mesmo com as Regulamentaes Governamentais, casos trgicos continuaram e continuam a ocorrer.

Em 1935, por exemplo, nos Estados Unidos, 107 pessoas morreram ao ingerirem sulfanilamida antes que se descobrisse que o solvente utilizado (dietileno glicol) era uma substncia txica. Isso mostrou a necessidade de testes de segurana durante o desenvolvimento de produtos e que, atualmente fazem parte das BPF e C. Outro trgico caso ocorreu em 1960, na Europa, com o lanamento da talidomida, medicamento usado por gestantes para tratar a insnia e os enjos. 0 efeito colateral foi desastroso: a ma-formao dos fetos. Estima-se que cerca de 10.000 casos de deformidade em crianas aconteceram na Europa. Na Amrica Latina tambm foram registradas ocorrncias. Nos Estados Unidos, isso no ocorreu graas a Frances Kelsey, a responsvel pela reviso de medicamentos do FDA, que proibiu a entrada desse medicamento j que a empresa fabricante no havia apresentado dados comprobatrios de segurana. Em 1962, Frances foi condecorada pelo Presidente Kennedy.

Mais uma vez ficou comprovado a necessidade de se conduzir testes de segurana antes da liberao de qualquer produto (parenteral, oral ou de uso tpico) que venha a ser utilizado. Atualmente exigida a validao prospectiva durante o desenvolvimento do produto. Isto significa que todos os testes devem ser conduzidos antes do lanamento do produto no mercado. E o profissional responsvel por esta etapa, que deve cumprir com a legislao, independente
de presses que venha sofrer por parte de outros departamentos.

Em 1967,o grupo de microbiologia do CTFA formou um Comit Cientfico para avaliar os riscos de contaminao microbiana em produtos cosmticos, estabelecendo ento os primeiros procedimentos que originaram os roteiros de auto-inspeo.

Em 1968, a publicao de Morse & Schoenbeck: Hand Lotions - A Potential Nosocomial Hazard, foi o primeiro documento publicado e que associava cosmtico ao risco potencial de causar infeces. Tudo indica, foi este documento que estimulou o FDA a olhar com mais cuidado para os riscos que um produto cosmtico poderia causar. Ento, durante a Conferncia sobre Cincia Cosmtica idealizada pelo CTFA e pela Sociedade de Qumicos Cosmticos dos Estados Unidos,
Dr. Arthur Dunnigan do FDA apresentou uma reviso de todos os estudos realizados por integrantes do CTFA, estabelecendo cooperao entre o rgo oficial e as entidades cientficas no-oficiais.

No Brasil, com alguns anos de intervalo, a indstria cosmtica tambm passou a fazer parte dos cuidados de rgos oficiais (Secretaria de Vigilncia Sanitria, hoje Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria) atravs da publicao no DOU, de vrias Portarias e Resolues cujo objetivo garantir ao consumidor produtos seguros e eficazes.

Tereza F.S. Rebello farmacutica bioqumica.
E-mail: methodus@methoduseventos.com.br

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