19 de Outubro de 2018

Fotoproteção: Um Desafio para a Cosmetologia

Edicao Atual - Fotoproteção: Um Desafio para a Cosmetologia

Editorial

As conseqüências negativas da política econômica já atingiram o setor de cosméticos que até o ano passado era o campeão em registros de crescimento expressivos, contabilizados sempre com dois dígitos. 0 setor acaba de assimilar um golpe duro com a queda recorde de quase 9% nos volumes de produção do primeiro trimestre, comparado com mesmo período de 2002, segundo a Abihpec.

As mais significativas são as quedas importantes registradas em produtos de grande penetração de mercado, notadamente sabonetes e cremes dentais. Essas constatações traduzem a singela mensagem de que o consumidor, no final do mês, já está sentindo a falta de uns poucos reais na carteira e se privando do acesso a produtos essenciais para a higiene diária.

Com atividades na indústria e no comércio quase parando, estamos beirando o limiar da recessão. Está na hora de se fazer iniciar o espetáculo do crescimento, porque do espetáculo do circo de horrores, já estamos cansados. 

Os danos causados pelo Sol que obrigam o consumidor a "adotar sistemas de proteção eficaz de uso diário, e as fontes de insumos depositadas no fundo dos oceanos, ainda não totalmente exploradas, são os dois assuntos abordados nesta edição de Cosmetics & Toiletries (Edição em Português) com a pauta: Fotoproteção e Ingredientes Marinhos.

São dois temas de grande importância para a indústria sobre os quais o formulador está cada vez mais buscando de novidades.

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Fotoproteção: Um Desafio para a Cosmetologia - Phillippe Masson Evic-International, Blanquefort, França Luciana Scotti Faculdade de Farmácia - USP, São Paulo SP, Brasil

Os benefícios do Sol são de conhecimento de todos, porém nem todos conhecem os danos que este pode induzir na pele a curto, médio e longo prazos. Baseados nessa premissa, os autores discrevem os riscos causados pela exposição solar e os métodos de avaliação da eficácia dos protetores solar.

Los benefícios del Sol son de conocimiento de todos, sin embargo, ni todos conocen los daños que este puede inducir en la piel en corto, media y largo plazo. Basados em esta premisa los autores describen los riesgos ocasionados por la exposición al sol y los métodos de evaluacion de la eficácia de las pantallas solares.

All of us are aware of the benefits granted by the sun, therefore few people know exactly the damage the sun can induce on the skin in the short, mediun and long terms. Based on this premise, the authors describe the risks caused by the sun exposition and the methods utilized to evaluate the efficacy of the sun protection products

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Substâncias Ativas Derivadas de Algas - Xavier Briand SECMA, Pontrieux, França

Recentemente, ingredientes marinhos demonstraram ser eficazes em aplicações cosméticas. Neste artigo, o autor explica como alguns desses ingredientes podem ser usados com êxito nas formulações de cuidado pessoal.

Recién, ingredientes marinos demuestraron ser eficaces en aplicaciones cosméticas. En este articulo el autor explica como algunos de estes ingredientes pueden ser usados con exito en las formulaciones de cuidado personal.

In recent years, ingredients from the sea have showm to be effetive in cosmetic applications. In this article, the author explains how some of these ingredients can be used successfully in personal care formulations.

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BEMT: Um Eficiente Absorvedor UV de Amplo Espectro - Sebastien Mongiant, Bernd Herzog, Cyrille Deshayes, Peter König e Uli Ostewalder

Proteção eficiente contra UV de amplo espectro é proporcionada por bis-etil-hexil-oxifenol metoxifenil triazina (BEMT), um absorvedor de UV, solúvel em óleo e fotoestável que proporciona maior proteção UVA e sinergia com filtros UVB.

Protección eficiente contra la UV de amplio espectro es ofrecida por bis-etil-hexil-oxifenol metoxifenilo triazina (BEMT), un absorvedor de UV, soluble en aceite y fotoestable que ofrece mayor protección y sinergia con filtros UVB.

Efficient broadspectrum UV protection is provided by bis-ethylhexyloxyphenol methoxyphenyl triazine (BEMT) and oil-soluble, photostable UV absorber that offers improved UVA protection and synergy with UVB filters.

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Cosméticos Aceleradores e Prolongadores do Bronzeado - Claudio Ribeiro e Mitsuko T. Ohara Faculdade de Ciências Farmacêuticas de São Paulo USP, São Paulo, SP, Brasil

Neste artigo os autores descrevem os processos envolvidos no bronzeamento. São apresentados comentários sobre os ingredientes atualmente utilizados pela indústria cosmética na fabricação desses produtos.

En este articulo los autores describen los procesos involucrados en el bronceado. Son presentados comentarios cuanto a los ingredientes actualmente utilizados pela industria de cosmeticos en la fabricación de estes productos.

The authors describe in this article the process performed in the skin tanning. The ingredients actually utilized in cosmetic industry to manufacture this products are also mentioned.

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Algas Vermelhas como Agentes Antienvelhecimento - Steven Leiderman Frutarom do Brasil Ltda, São Paulo, SP

A inflamação crônica é fator contribuinte para envelhecimento precoce da pele. Neste estudo é descrito um complexo extraído de algas vermelhas com ação antiinflamatoria.

La inflamación crónica es factor contribuyente para envejecimiento precoz de la piel. En este estudio es descripto un complejo extraido de algas rojas con acción anfiinflamatória.

The chronic inflammation is a contributing factor for the early skin aging. In this paper it is described a complex with antiinflammatory action extracted from the red algae.

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Moléculas Inibidoras de Radiações UV - Eloi A Silva Filho e Geovane L. de Sena Depto de Química CCE, UFES, Vitória ES, Brasil José M. Pires Depto de Física CCE, UFES, Vitória ES, Brasil

Neste artigo descreve-se as moléculas inibidoras de radiações UV mais utilizadas na formulação de produtos de proteção solar, suas vantagens e desvantagens, objetivando fornecer informações sobre as propriedades físicas e químicas destas moléculas.

En ese articulo se describe las moléculas que inhiben la radiación ultravioleta más usadas en la formulación de productos de protecciones solares, sus ventajas y desventajas, con el objetivo de informar las propiedades fisicas y químicas de estas moléculas.

In this article the most used molecules in the sun products formulation for the ultraviolet radiation inhibition are described, their advantages and disadvantages are ponted out with the objective of supplying information on the physical and chemical properties of these molecules.

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Proteção Cosmética Originada das Profundezas do Oceano - Carlos A. Veiga Mansur Croda do Brasil Ltda, Campinas, SP, Brasil

A pesquisa de enzimas termoestáveis é uma nova etapa muito importante no desenvolvimento de agentes marinhos para a proteção da pele. Neste artigo o autor descreve a eficácia das enzimas da bacteria Thermus thermophilus GYI211.

La investigación de enzimas termoestables es uma etapa muy importante em el desarrollo de agentes marinos para la protección de la piel. Em este articulo el autor describe la eficacia de las enzimas de la bacteria Thermus thermophilus GYI211.

The study and search of temperature stable enzymes is a very important stage on development of marine agent for skin care. In this article the author describes the efficacy of the enzymes of the bacteries Thermus thermophilus GYI211

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Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

Acidentes de Consumo

Um dos principais princípios estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor - CDC é a proteção à vida, saúde e segurança do consumidor contra os riscos de produtos e/ou serviços colocados no mercado de consumo, exceto os riscos considerados normais e previsíveis em razão da natureza e fruição destes.

Além disso, o CDC determina que estes produtos/serviços devem ser adequados à sua finalidade, ou seja, devem atender as expectativas do consumidor.

Quando os produtos/serviços não atingem sua finalidade, verificamos que estes são impróprios para o consumo, isto é, de acordo com a terminologia jurídica, são produtos/serviços com vício ou defeito.

Produtos/serviços com vício são aqueles, que na linguagem popular, caracterizamos como defeituosos, ou seja, que em virtude de determinada condição não podem ser utilizados, conforme sua finalidade.

Exemplos de produtos com vício: televisor com problema de imagem, camisa sem botão, shampoo com prazo de validade vencido, entre outros.

Vale ressaltar que este vício pode ser aparente, facilmente detectado, ou oculto, só constatado após determinado tempo de uso do produto.

Diante destes conceitos e no contexto do mundo atual, surgem algumas questões:

- As promoções para venda de saldo de mercadorias, as chamadas pontas de estoque podem vender produtos com vício?
É possível desde que haja informação precisa e suficiente ao consumidor a respeito deste vício, evitando que ele seja induzido a erro, e que apesar disso o produto continue atendendo a sua finalidade no mercado de consumo.

- Quem é o responsável pelo vício do produto?
A responsabilidade é solidária dos fornecedores, ou seja, o consumidor pode escolher entre o fabricante, o comerciante, o distribuidor, etc, ou até mesmo todos.

- 0 que consumidor pode exigir diante de um produto com vício?
O consumidor pode exigir à sua escolha: 0 abatimento proporcional do preço, a substituição do produto por outro sem vício, ou ainda a restituição da quantia paga.

- Qual é o prazo para reclamar?
O prazo para reclamação de produtos duráveis (geladeira, automóvel, computador, etc) é de 90 dias, e de 30 dias para os produtos não duráveis (sabonete, iogurte, manteiga, etc), iniciando a contagem a partir da constatação do vício que em alguns casos pode ser tão logo o produto seja utilizado, em outros pode demorar mais ou até mesmo, por alguma razão específica, nunca ser percebido.

Já,o produto considerado com defeito, na terminologia jurídica, é aquele que em virtude de seu vício acabou afetando a integridade física ou patrimonial do consumidor, gerando o que chamamos de acidente de consumo.

Infelizmente podemos exemplificar inúmeros acidentes de consumo com fatos verídicos: 0 desabamento do edifício Palace no Rio de Janeiro que foi construído com areia da praia; as pílulas anticoncepcionais de farinha do laboratório Schering, que resultaram em diversas grávidas;
e, recentemente, o caso do medicamento Celobar, contraste radiológico contaminado por sais de bário, dentre outros.

Nas circunstâncias de acidentes de consumo, o produto/serviço é considerado defeituoso por não oferecer a segurança que dele se podia esperar.

E, neste caso, o fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. (art. 12, CDC)

O prazo para pretensão à reparação pelos danos causados, a partir do conhecimento do dano e de sua autoria, é de 5 anos.

Diante de todo exposto, verifica-se que os fornecedores devem estar sempre muito atentos, pois os riscos do negócios nunca poderão recair no consumidor ...

O risco é exclusivamente do fornecedor!!

Cristiane Martins Santos é advogada com especialização em Direito do Consumidor

A vez da Qualidade por Friedrich Reuss e Maria Aparecida da Cunha

Interferências Externas

A maioria, se não todos os processos de gestão, segundo a ISO 9000 versão 1994 e a versão atualizada de 2000, que estejam certificados, estão, portanto, sujeitos a auditorias periódicas pelos órgãos certificadores.

Uma das dificuldades encontradas é quanto a capacidade do auditor de entender o sistema de gestão da empresa. O auditor, que geralmente não teve a oportunidade de vivenciar pessoalmente um processo de gestão empresarial em nível hierárquico superior, costuma ter dificuldades em identificar a verdadeira forma de funcionamento do sistema e freqüentemente exige por meio de relatórios de não-conformidades que sejam redigidos novos documentos para que o sistema fique claro (para ele).

A famosa frase costuma ter o seguinte enunciado: não está claramente estabelecido na documentação a descrição de ...f e é por essa e por outras razões do mesmo tipo que, após algum tempo o sistema está inchado de documentos e difícil de ser gerido.

O problema em si se inicia com a interferência do consultor na empresa, pois na maioria das vezes, em razão de reduções de tempo de atuação negociadas na sua contratação ou por outros motivos, o consultor não dispõe de muito tempo para se aplicar na identificação das particularidades da empresa. Passa a usar na implementação os processos padrão que foram implementados em outras empresas de sua consultoria. 0 resultado vai ser uma empresa que trabalha pelo modo tradicional, mas que em determinados processos aplica as ensinamentos então adquiridos pela implementação da ISO.

Caso não haja compreensão e a interferência direta do presidente da empresa com sua visão ampla do negócio e com disponibilidade de tempo para manter o sistema de gestão com a cara da empresa, promove-se a forma de convivência de tais sistemas em paralelo, um para operar a empresa e outro para atender ao órgão certificador.

A nova norma veio facilitar em muito este processo, pois já não exige mais procedimentos documentados para toda a parte operacional, exatamente par reconhecer que estas habilidades devem ser e já são partes integrantes da competência das pessoas.

Em todas as empresas certificadas pela norma anterior, já estão definidos os requisitos da nova norma: identificar os processos, sua seqüência e interações, as entradas e saídas, os métodos necessários para a sua operação, seus donos e os métodos e critérios necessários para a sua operação e controle.

Quem vem de fora, no entanto quer ver todas estas coisas reunidas num diagrama de fluxo que também registre os donos, os documentos que regem o sistema, eventualmente também as registros, as entradas e as saídas, porém tudo isto já pode estar definido no próprio processo operacional, muitas vezes informatizado em SAP, Micro-Siga e tantos outros sistemas de informatização existentes no mercado. Estes sistemas mantêm em seu banco de dados uma série de informações que geram relatórios de desempenho (exatamente os indicadores do processo de gestão, que são a base da nova norma). A matriz de responsabilidades e o organograma, somados a descrição de cargos e a descrição das responsabilidades e autoridades em cada documento, identifica claramente quem é o dono de cada processo.

Portanto, podemos assegurar que em qualquer empresa de média porte de administração controlada, dispõe de todas as identificações necessárias. 0 que muitas vezes falta é o aproveitamento lógico dos recursos pré-existentes em seus sistemas mais a eventual implementação de alguns outros, para que seus executivos e colaboradores tenham uma coleção mínima e adequada de indicadores de desempenho, que possibilite criar um painel de bordo que evite vôos cegos e que permita avaliar, em espaço e tempo, a evolução dos diversos componentes do negócio, bem como de realizar algumas simulações de alternativas.

Basta isto apenas para uma empresa administrar inteligentemente os recursos existentes.

Maria Lia A. V. Cunha é psicóloga, especialista em gestão de pessoas.

Friedrich Reuss é bacharel licenciado em química e especialista em gestão da qualidade.
Email: freuss@uol.com.br

Carlos Alberto Trevisan
Mercosul por Carlos Alberto Trevisan

A Dúvida

São as melhores as expectativas de retomada das conversações nas próximas reuniões do grupo ad-hoc de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes do GT -11 de Produtos do Mercosul.

Nesta coluna que reportamos os resultados das reuniões, temos enfatizado que em várias oportunidades, a improdutividade tem marcado muitas delas, entretanto, isso poderá mudar.

A nossa esperança é que diante da nova postura com desejos de mudanças dos dois maiores parceiros do bloco, Argentina e Brasil, possamos a partir de agora apresentar relatos de resultados do consenso quanto aos itens ainda pendentes.

Apenas para que possamos avaliar rapidamente as dificuldades encontradas durante os quase nove anos de existência do Mercosul, no que concerne a nossa área, exemplificamos mais uma vez as situações freqüentes que implicaram na impossibilidade de consenso:

- Ausência sistemática de representantes oficiais em várias reuniões.
- Dispositivos legais vigentes em cada um dos Estados-Parte que são utilizados como justificativa para impossibilitar o consenso.

Dos itens pendentes há várias reuniões acreditamos que, como mencionamos, as perspectivas de solução são bastante favoráveis, pois a postura dos novos Governos da Argentina e, principalmente, do Brasil, a expectativa de retomada das reuniões é bastante otimista.

Quanto aos requisitos técnicos, uma das dificuldades era quanto a proposta apresentada pela delegação da Argentina, que listava uma série de testes de avaliação físico-química, irritação, eficácia, etc que deveriam ser apresentados quando da submissão do processo para autorização para comercializar os produtos naquele país.

Com a publicação do Guia para os Testes de Segurança elaborado pela ANVISA com a colaboração de ABC e ABHIPEC, esse pré-requisito está sendo atendido e, portanto, removido um importante empecilho para se chegar ao consenso.

Como pode o leitor concluir, ao vincular os requisitos técnicos ao tipo de produto, estes ficam na dependência da classificação relativa de risco (Grau I ou II), classificação essa não aceita pelas demais delegações.

A terceirizaçãoo e outra prática com características bastante peculiares, pois com exceção do Brasil, nos demais Estados- Parte foi instituída a figura do Titular do Produto ao qual é dada a autorização/registro para comercialização e, em alguns casos, este nem sequer tem a obrigação de exercer qualquer atividade relacionada à de importação/fabricação como acontece no Brasil.

Consideramos também de grande importância a questão relativa a algum tipo de boicote aos produtos brasileiros, boicote esse transvertido nas mais variadas formas, praticado, principalmente, pela Argentina, nosso maior cliente nesse mercado. 0 motivo poderia ser a liberalização praticada pelo Brasil com a Resolução 335 da ANVISA que instituiu a notificação para produtos Grau I, posteriormente substituída pelo comunicado. Esse fato poderá servir de argumentação para a imposição de restrições por parte da Argentina, o Estado-Parte pioneiro em propostas de extinção do pré-registro de produtos.

Observando de outro lado, devemos também considerar a posição do Paraguai e do Uruguai. Durante as reuniões anteriores, as representações desses países sempre mantiveram posição, na maioria das ocasiões alinhadas em concordância com as propostas brasileira, embora a ausência o Paraguai nas últimas reuniões tem retardado a obtenção do almejado consenso.

Para concluir, a expectativa que se pode alimentar neste momento é que as negociações deverão seguir de maneira produtiva e dependendo, entretanto, as conclusões, muito mais das áreas econômicas dos Estados-Parte do que das áreas de saúde.

Carlos Alberto Trevisan é consultor independente e diretor da Carlos & Trevisan Consultoria
E-mail: trevisan@dialdata.com.br

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Toxina Botulínica

Os trabalhos pioneiros com a toxina botulínica (BT) datam de 1973, quando Scott e col. iniciaram seus estudos em músculos periorbiculares de macacos. Desde então, esta vem sendo utilizada como medicamento para várias doenças neurológicas e oftalmológicas, como: blefaroespasmo, torcicolo espasmódico, tremor, tiques, esclerose múltipla, estrabismo, nistagmo, entre outras.

Em 1987 Alastair Carruthers e Jean Carruthers, a partir da observação da melhora estética de um paciente tratado para blefaroespasmo, iniciaram suas pesquisas neste campo, sendo o primeiro trabalho publicado em 1992 e ampliado em 1994.

A BT é uma neurotoxina produzida pela bactéria anaeróbica Clostridium botulinum. Existem sete sorotipos da toxina denominados de A a G, sendo o tipo A o mais potente e, por isso, o escolhido para os tratamentos.

É uma molécula de 150 kd que se combina com a hemoglutinina e outra molécula de 150 kd denominada molécula não-toxica.

A toxicidade é comumente expressa em unidades. Uma unidade é a quantidade de toxina que elimina 50% (DL50) de um grupo de camundongos fêmeas Swess Webster, pesando 18 a 20 g. A dose toxica para uma pessoa que pesa 70 kg é estimada entre 2500 e 3000 unidades aproximadamente (40 U/kg).

A BT provoca paralisação muscular, inibindo a acetilcolina na junção neuromuscular (JNM) e provocando denervação química.

O mecanismo de inibição da liberação de acetilcolina segue um processo de três etapas. A etapa inicial é a ligação da toxina a receptores específicos localizados no neurônio pre-sináptico da JNM. Embora a toxina seja mais específica para os receptores terminais da unidade motora, a ligação ocorre também nos gânglios colinérgicos autônomos, mas num grau muito menor. Como resultado, apenas grandes exposições à TB estão associadas com efeitos simpáticos.

A TB é normalmente incapaz de cruzar a barreira hematoencefálica e geralmente não exerce nenhum efeito no sistema nervoso central. 0 tempo in vivo necessário para a ligação da toxina a esses receptores é desconhecido, mas tem sido estimado em pelo menos 30 minutos.

A segunda etapa envolve a internalização da toxina ligada no citosol nervoso por meio da endocitose mediada pelo receptor dependente de energia.

Contudo, é no citoplasma no neurônio- alvo que ocorre a terceira etapa do envenenamento, a inibição da liberação de acetilcolina.

Esse é um processo enzimático que requer o zinco como um co-fator. A TB é uma metaloendoprotease de zinco altamente conservada que inativa (por meio de clivagem enzimática) componentes específicos do mecanismo neuroexocitótico.

A ação da BT se inicia apos 48 horas do procedimento, atingindo o resultado máximo em até 15 dias. 0 músculo reage com atrofia passageira, sem mudança na sensibilidade cutânea. Na área cosmética, é indicada para o tratamento das rugas de expressão e deve ser evitada em locais onde a musculatura tem funções fisiológicas, como na área da boca.

Sendo assim, serve para a ruga entre as sobrancelhas (ruga da braveza), pés de galinha e rugas de espanto da testa. Não adianta para casos de excesso de flacidez ou rugas de repouso.

Desde os primeiros trabalhos sua indicação foi ampliada para a área do pescoço e colo, no primeiro para flacidez e rugas transversais e no segundo para as rugas do V do decote, podendo ser utilizada, também, no tratamento de excesso de suor nas mãos, pés e axilas (hiperidrose). Nesse caso, esta não é aplicada no músculo, e sim na pele, provocando ótimos resultados clínicos, com duração de sete a oito meses.

A BT só pode e deve ser injetada por médicos especializados, profissionais que conheçam tanto a anatomia da região, como as características completas da substância utilizada. Caberá ao médico indicar os locais da aplicação, nos quais a relação custo-benefício será positiva.

O procedimento é ligeiramente doloroso e pode deixar pequenos hematomas que duram de cinco a dez dias. As rugas de expressão podem desaparecer totalmente por cerca de quatro meses e, também, pode haver descondicionamento de certas regiões, como fronte e área entre sobrancelhas, pois o cérebro esquece esse tipo de contração. Com o uso continuado, cerca de 5% dos pacientes podem não responder mais a ação da toxina. Não é aconselhável repetir a aplicação antes de dois meses. 0 músculo sempre voltará a contrair, não havendo sequelas definitivas.

A toxina é, portanto, segura e eficaz para o tratamento das rugas de expressão, desde que seja diluída e aplicada de forma correta. A aplicação da BT deve obedecer o bom senso, e, sendo assim, idade precoce, quantidade exagerada e aplicações seguidas devem ser evitadas. A reaplicação pode ser feita a cada 6 meses.

Denise Steiner é dermatologista
E-mail: clinicastockli@uol.com.br

Boas Práticas por Tereza F. S. Rebello

Testes de Segurança

Faz parte da natureza humana, características criativas, de investigação e de adaptação aos novos tempos. Se voltarmos nele, vamos ter a certeza de que uma grande revolução técnico-científica ocorreu, pelo menos, na última metade do século XX.

No campo da saúde essa evolução faz parte da história de algumas profissões como a de médicos, farmacêuticos e químicos. Nos primeiros anos do século XX, por exemplo, mesmo em países desenvolvidos como os Estados Unidos, a medicina era itinerante, porque elixires milagrosos eram vendidos principalmente em vagões de trens e também em praças públicas.

Podemos dizer, baseados em fatos históricos, que a legislação que controlava os medicamentos e, posteriormente, os cosméticos, foi inspirada nas leis que passaram a controlar os alimentos, nos primeiros anos do século XX. Isto aconteceu com a publicação do livro The Jungle, escrito por Upton Sinclair, um jornalista especializado em investigar e denunciar corrupções político-administrativas.

Foram então denunciadas as condições em que animais doentes eram abatidos e processados, estando muitas vezes contaminados por raticidas. Esse livro catalisou a opinião pública para mudanças nas condições sanitárias da indústria da carne. Assim, em 1906 o Congresso Americano aprovou o Pure Food and Drug Act, tomando ilegal, pela primeira vez, a venda de alimentos contaminados ou adulterados. 0 Ato aprovado pelo Congresso deu origem à primeira Agência Regulatória Governamental, atualmente conhecida como FDA.

Infelizmente não basta ter leis de controle, qualquer que seja a atividade (alimentos, medicamentos ou cosméticos). O que é essencial, é a ética e a responsabilidade dos fabricantes e dos profissionais que servem a essas empresas. 0 que assistimos é que, mesmo com as Regulamentações Governamentais, casos trágicos continuaram e continuam a ocorrer.

Em 1935, por exemplo, nos Estados Unidos, 107 pessoas morreram ao ingerirem sulfanilamida antes que se descobrisse que o solvente utilizado (dietileno glicol) era uma substância tóxica. Isso mostrou a necessidade de testes de segurança durante o desenvolvimento de produtos e que, atualmente fazem parte das BPF e C. Outro trágico caso ocorreu em 1960, na Europa, com o lançamento da talidomida, medicamento usado por gestantes para tratar a insônia e os enjôos. 0 efeito colateral foi desastroso: a ma-formação dos fetos. Estima-se que cerca de 10.000 casos de deformidade em crianças aconteceram na Europa. Na América Latina também foram registradas ocorrências. Nos Estados Unidos, isso não ocorreu graças a Frances Kelsey, a responsável pela revisão de medicamentos do FDA, que proibiu a entrada desse medicamento já que a empresa fabricante não havia apresentado dados comprobatórios de segurança. Em 1962, Frances foi condecorada pelo Presidente Kennedy.

Mais uma vez ficou comprovado a necessidade de se conduzir testes de segurança antes da liberação de qualquer produto (parenteral, oral ou de uso tópico) que venha a ser utilizado. Atualmente é exigida a validação prospectiva durante o desenvolvimento do produto. Isto significa que todos os testes devem ser conduzidos antes do lançamento do produto no mercado. E é o profissional responsável por esta etapa, que deve cumprir com a legislação, independente
de pressões que venha sofrer por parte de outros departamentos.

Em 1967,o grupo de microbiologia do CTFA formou um Comitê Científico para avaliar os riscos de contaminação microbiana em produtos cosméticos, estabelecendo então os primeiros procedimentos que originaram os roteiros de auto-inspeção.

Em 1968, a publicação de Morse & Schoenbeck: Hand Lotions - A Potential Nosocomial Hazard, foi o primeiro documento publicado e que associava cosmético ao risco potencial de causar infecções. Tudo indica, foi este documento que estimulou o FDA a olhar com mais cuidado para os riscos que um produto cosmético poderia causar. Então, durante a Conferência sobre Ciência Cosmética idealizada pelo CTFA e pela Sociedade de Químicos Cosméticos dos Estados Unidos,
Dr. Arthur Dunnigan do FDA apresentou uma revisão de todos os estudos realizados por integrantes do CTFA, estabelecendo cooperação entre o órgão oficial e as entidades científicas não-oficiais.

No Brasil, com alguns anos de intervalo, a indústria cosmética também passou a fazer parte dos cuidados de órgãos oficiais (Secretaria de Vigilância Sanitária, hoje Agência Nacional de Vigilância Sanitária) através da publicação no DOU, de várias Portarias e Resoluções cujo objetivo é garantir ao consumidor produtos seguros e eficazes.

Tereza F.S. Rebello é farmacêutica bioquímica.
E-mail: methodus@methoduseventos.com.br

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