19 de Outubro de 2018

Cosméticos de 4ª Geração - Para Atender Expectativas e Desejos de Consumidores

Edicao Atual - Cosméticos de 4ª Geração - Para Atender Expectativas e Desejos de Consumidores

Editorial

Paradoxo ou Dilema

Nem deu tempo para as revistas de negócios publicarem as primeiras matérias festejando empresas brasileiras que retomaram as atividades de exportação por conta da desvalorização do real, eis que se inicia o ciclo inverso com a desvalorização do dólar, chegando a patamares abaixo de três reais que poucos imaginavam um dia voltaria a acontecer . E ainda mais, para marcar esse inusitado feito, até alguns preços baixaram (os de derivados de petróleo!)

O fenômeno resultante da volta da confiança do mercado à condução da política econômica do país, após a posse do novo governo, paradoxalmente, poderá trazer mais conseqüênncias negativas que positivas. 0 real desvalorizado torna os produtos  brasileiros mais competitivos no exterior, impulsiona as vendas e, como conseqüência,eleva o saldo da nossa balança comercial.

 Entretanto, com o real valorizado isso não acontece. Os produtos importados ficam mais baratos e os produtos brasileiros ficam mais difíceis de serem vendidos. Solução? Impedir a valorização do real. Entretanto, num regime de cambio flutuante, controlado pelo mercado, isso não seria recomendável. Temos certeza que os nossos dirigentes saberão como resolver esse dilema.

Bem, esta Cosmetics & Toiletries (Edição em Português)ée especial. Circula durante a realização do 17°. Congresso Brasileiro de Cosmetologia e traz os abstracts das conferências magistrais, dos trabalhos técnico-comerciais e dos pôsteres.

Aqueles que participam do Congresso, vão encontrar o programa oficial e a planta da exposição da HBA South América, que acontece em paralelo.

Além disso, o leitor encontrará as varias seçoes, colunas e artigos, que como sempre, estão recheadas de informações interessantes.

Boa leitura!
Hamilton dos Santos
Editor

Fator de Segurança no Teste de Eficácia de Preservante - Donald S. Orth Neutrogena, Los Angeles, California, Est. Unidos David C. Steinberg Steinberg & Associates, Plainsboro, New Jersey, Estados Unidos

Os autores explicam como é feito o teste de eficácia de preservante para determinar se uma fórmula está ou não adequadamente preservada. Problemas de contaminação do produto são causados freqüentemente por preservação inadequada.

Los autores explican como es hecho un teste de eficacia de preservantes para determinar se uma formula esta o no correctamente preservada. Problemas de contaminacion del producto son causados frecuentemente por preservación no adecuada.

The authors explain how preservative efficacy testing is done to determine whether a formula is adequately preserved. Product contamination problems are frequently caused by inadequate preservation.

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Um Clareador de Pele Multifuncional - G. Maramaldi e M.A. Esposito Sinerga Sri, Milão, Itália

O clareamento da pele e a normalização do sebo estão entre as funções cosméticas úteis do diglicinato de azeloil-potássio, um derivado solúvel do ácido azelaico.

El clareamento de la piel y la normalización del sebo están entre las funciones cosméticas utiles del diglicinato de azeloilpotasio, un derivado soluble del ácido azelaico.

Skin lightening and sebo normalization are among the useful cosmetic functions of the potassium azeoyl diglycinate, a soluble derivative of azelaic acid.

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A Quarta Geração de Cosméticos: Avaliação Sensorial versus Instrumental - Philippe Masson Evic-France, Blanquefort, França

O autor mostra os novos caminhos na avaliação dos produtos cosméticos, os efeitos de antagonistas e agonistas de neuromediadores, assim como efeitos diretos ou indireto induzidos na pele pelo SNC. Explica que na quarta geração de cosméticos estes efeitos vão ser avaliados de maneira sistemática, para atender mais favoravelmente às expectativas dos consumidores.

El autor muestra los nuevos caminos en la evaluación de productos cosmeticos, los efectos de antagonistas y agonistas de neuromediadores, asi como los efectos directo o indirecto inducidos en la piel por el SNC. Enseña que en la cuarta generacion de cosméticos eses efectos ván ser evaluados de manera sistematica, para atender mas favorablemente a las expectativas de los consumidores.

The author shows the new trends on the cosmetic products evaluation, the effect of the neuromediators antagonists and agonists, as well as the direct and indirect effects induced by the central nervous system. Explains that in the fourth cosmetics generation this effects will be systematicly evaluated, to meet more favorable way the consumers expectations.

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Reologia: Interesse e Aplicações na Área Cosmético-Farmacêutico - Isabel Fillipa Almeida e Maria Fernanda Bahia Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Porto, Portugal

As características reológicas são propriedades importantes a serem consideradas na fabricação, estocagem e aplicação de muitos produtos. Neste artigo as autoras fazem uma avaliação do comportamento reológico na utilização de produtos acabados.

Las caracteristicas reológicas son propiedades importantes que deben ser consideradas en la fabricación, almacenajen y aplicación de muchos productos. En ese articulo las autoras hacen uma evaluación del comportamiento reologicos en la utilización de productos terminados.

The rheological characteristics are important properties which must be considered in many products manufacturing, storage and dispensing. In this article the authors perform an evaluation of the rehological behavior on the finished products use.




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Cristiane M Santos
Direito do Consumidor por Cristiane M Santos

Consumo Sustentável

Cada vez mais os consumidores de todo o mundo tem demonstrado grande preocupação em preservar o meio ambiente. Esta preocupação é um princípio expresso em nossa Constituição Federal: Desenvolvimento Sustentável.

O princípio do Desenvolvimento Sustentável pressupõe a conquista do "ponto de equilíbrio" entre o desenvolvimento social, econômico, utilizando-se dos recursos naturais de acordo com os limites de sua sustentabilidade, isto é, preservar o meio-ambiente para a presente e as futuras gerações.

Naturalmente, vivemos em uma sociedade capitalista, e os valores inerentes à atividade econômica também estão protegidos pela Constituição Federal brasileira.

Neste contexto deparamo-nos com: sociedade capitalista, consumo e preservação do meio-ambiente.

Como equilibrar estes elementos?

Considerando esta questão, organizações mundiais de defesa do consumidor vem propagando a idéia de "Consumo Sustentável".

Trata-se do consumo que permite atender às necessidades de todos os consumidores, preservando a capacidade do planeta de fornecer recursos naturais para as gerações futuras, evitando, assim, impactos negativos ao meio- ambiente provocados pela produção, utilização e descarte de produtos e serviços.

Talvez o aumento do consumo de "produtos verdes" não seja apenas uma "moda", mas sim, um reflexo da conscientização e responsabilidade dos consumidores na busca de produtos que gerem menos impactos negativos ao meio ambiente.

No setor cosmético há inúmeros bons exemplos de empresas, como Natura, 0 Boticário, Croda, Beraca, Chemyunion, entre outras, que apresentam atuações fundamentadas no princípio da sustentabilidade.

Também vale ressaltar outro aspecto defendido pelo Consumo Sustentável: 0 social. Pressupõe-se que este consumo atenda às necessidades básicas de uma vida digna. Assim, verifica-se que para se ter um "Consumo Sustentável" no Brasil é necessário erradicar a pobreza, para que todas as pessoas possam satisfazer suas necessidades básicas e viver com dignidade.

A busca pelo desenvolvimento e o consumo
sustentáveis, bem como a erradicação da pobreza, dentre outros, foi discutida pela Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável - Rio +10 - com participação de mais de 100 Chefes de Estado, em Johanesburgo, África do Sul, entre os dias 26 de agosto a 4 de setembro de 2002.

Entretanto, parece que esta discussão ainda não acabou, pois o resultado deste encontro não foi muito promissor para a solução dos problemas sociais e ambientais.

Isto, mais uma vez, demonstra que não podemos contar exclusivamente com a atuação dos Estado ...

Daí a importância da conscientização do consumidor, através da educação do consumo sustentável, para que este exerça sua importância nas transformações sócio-econômicas.

Minimizar o desperdício, os resíduos; consumir produtos e serviços que respeitem o meio- ambiente sustentável, e apenas o que for necessário para se viver com dignidade são alguns exemplos de ações em prol do "Consumo Sustentável" e, conseqüentemente, de um meio-ambiente sustentável.

A título exemplificativo, apresentamos algumas ações sugeridas pelo IOEC - Instituto de Defesa do Consumidor na sua campanha para um "Consumo Sustentável":

- Estimular trabalhos voluntários a favor do "Consumo Sustentável"

- Promover técnicas para utilização dos recursos naturais que protejam o meio ambiente

- Desestimular o consumo de produtos que resultaram de uma exploração inadequada dos recursos ambientais

- Facilitar a identificação pelo consumidor, através de rotulagem certificação ambiental, dos produtos e serviços que estejam em conformidade com o princípio da sustentabilidade

- Estimular as empresas a adotarem os preceitos desta ética de consumo e produção sustentáveis

Cristiane Martins Santos é advogada com especialização em Direito do Consumidor
E.mail: c_martinsantos@yahoo.com

A vez da Qualidade por Friedrich Reuss e Maria Aparecida da Cunha

Visão de Processos

Diante da avalanche de publicações, teorias, gurus, seminários e crises emergentes, a pergunta é se ainda há espaços para buscarmos a essência da função de gestão. É de se perguntar se no caudal dessas idéias, informações e iniciativas há a criação de valores dentro de níveis esperados?

Por definição, qualquer assunto que ocupa a atenção do mundo empresarial e acadêmico deve ser complexo e caro. A simplicidade não dá status.

A grande inovação real, no entanto, é o conceito trazido pela nova edição da norma da qualidade, com a sua abordagem de processo e o foco nos oito princípios da qualidade. Esses oito princípios indicam de forma abrangente onde focar as nossas atenções na organização. A visão de processos por sua vez é a essência da solução de problemas. Aliás, a vida é uma coleção de problemas que estão à espera de uma solução. Todos tem que entender que a vida é uma cadeia de problemas a serem resolvidos. A visão de processos foca nas questões específicas e facilita a tomada de decisão.

A falta desta visão não traz transparência e cada problema se torna um obstáculo, um motivo para a indecisão, resultando em procrastinação e aumento do problema.

Foi para facilitar esta situação e possibilitar encarar diretamente os problemas a serem solucionados que a norma criou a figura dos processos que para melhor entendimento podem ser separados segundo suas finalidades: processos principais, aqueles que formarão o produto como, o pedido, a aquisição, a produção e a entrega; em seguida os processos de gestão: a direção da organização com a definição das responsabilidades, provisão de recursos, avaliações pela análise crítica; e finalmente os processos de apoio como a gestão de pessoas, a manutenção, os serviços de comunicação, etc.

Na visão de processos analisa-se cada atividade por si, as suas entradas, as suas saídas, quem é o "dono", os seus processos internos como "Instrução de Serviço" que explica "o como fazer", quais são os seus recursos e suas eventuais outras características e permite a medição isolada de seu desempenho. A organização como um todo resulta da interação de uma série de processos, que, se apresentada num fluxograma, deixa claro para todos os elementos da empresa a sua forma de funcionamento e a função de cada processo no objetivo final, que é o cliente confiante e encantado pelo bom atendimento.

Quantas outras iniciativas estratégicas e operacionais iniciamos nos últimos dois anos e que efetivamente mudaram o rumo das nossas empresas? Por que não funcionaram - total ou parcialmente? Quanto foi realmente investido ou gasto e com que retorno?

Na questão da governança corporativa, quem realmente julga se as iniciativas geraram ou não o valor esperado são os clientes. 0 impacto delas trouxe benefícios que os clientes estavam dispostos a pagar, seja diminuindo o custo das ofertas, seja trazendo alguma inovação pertinente. Devemos entender que a complexidade será cada vez maior e a única forma de enfrentá-la é tratá-la com a simplicidade dos que entendem o significado básico de seu negócio, a sua Missão. Essa simplicidade implica incorporar, do mais alto escalão a função mais operacional, o conhecimento sobre: 0 que a empresa faz? Por que ela faz? Como ela faz? E como poderia fazer melhor o que faz? Através da gestão por processos - traduzidos em "missões organizacionais" que conduzem a estruturas orgânicas e suas tarefas, com tecnologia, métodos e métricas adequadas - a empresa torna-se capaz de responder dinamicamente a essas indagações, gerando as habilidades e competências necessárias para que a complexidade seja identificada corretamente e transformada em oportunidades.

A partir disso, gurus, teorias, etc, etc, serão mais facilmente absorvidos, entendidos e dimensionados. Dessa forma, a gestão voltará a se concentrar novamente naquilo que realmente importa: criar valor de forma permanente aos clientes.

E é na simplicidade dessa idéia que devem ser estabelecidas as prioridades. A implementação da Norma da Qualidade, um processo simples e objetivo, tem ajudado todas as empresas a focar no cliente, observando a liderança, o comprometimento da equipe, uma clara visão de processos e sua interação, a melhoria continua baseada na tomada de decisão sobre fatos. Estes simples princípios formam um esqueleto básico, que poderá ser complementado com outros
processos de gestão e melhoria.

Maria Lia A.V. Cunha é psicóloga, especialista em gestão de pessoas.
Friedrich Reuss é bacharel licenciado em química e especialista em gestão da qualidade.
Email: freuss@uol.com.br

Carlos Alberto Trevisan
Mercosul por Carlos Alberto Trevisan

A Perspectiva Futura

Iniciamos esta coluna com uma digressão sobre um tema que ao se confirmarem os resultados de pesquisas de intenção de votos aos candidatos que concorrem ao cargo de Presidente da República na Argentina, divulgadas pela imprensa, e que concedem ligeiro favoritismo ao candidato Carlos Menen (no momento da redação desta coluna), será de suma importância para o prosseguimento do Mercosul.

A digressão proposta está baseada no posicionamento que sempre foi adotado por Carlos Menen, quando questionado sobre a real importância do Mercosul para a Argentina.

Menen sempre manifestou que preferiria uma relação bilateral forte com os Estados Unidos à uma relação compartilhada com os demais países membros do Mercosul.

Na hipótese, não muito remota, de Menen ser efetivamente eleito, acreditamos que a atual situação econômica da Argentina poderá servir de pretexto para a tentativa de uma efetiva aproximação ao parceiro do norte em detrimento aos seus vizinhos do sul.

As estatísticas demonstram quanto as exportações de produtos brasileiros do setor dependem do mercado argentino e quanto será impactada no caso de ruptura das relações atuais. A existência ainda de itens não consensados, como temos repetido durante muitos anos de negociação, poderá ser utilizada como motivo para um maior distanciamento entre Argentina e Brasil.

Outra questão que deve ser claramente colocada é qual será a efetiva importância que tem a legislação Mercosul para um país como o Paraguai, cuja representatividade industrial e tecnológica, no que concerne ao nosso setor, é praticamente nula.

Encerradas as digressões, voltamos aos nossos desejos para o que realmente poderá ser consensado na próxima rodada de negociação a ser realizada no Paraguai nos mês de junho.

Já mencionamos que caso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, através da Gerencia Geral de Cosméticos, consiga implementar no Brasil o denominado PRODIR para o setor de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, acreditamos que a possibilidade de obtenção de consenso para alguns dos tópicos pendentes será maximizada.

Sociedade, comunidade e família são instituições conservadoras que procuram manter a estabilidade e evitar, ou pelo menos desacelerar, as mudanças. Mas, a organização moderna é desestabilizadora. Precisa ser para a inovação e renovação, como disse o grande economista austro-americano Joseph Schumpeter, é "destruição criativa". E ela "precisa estar organizada para o abandono sistemático de tudo aquilo que é estabelecido, costumeiro, conhecido
e confortável, quer se trate de um produto, um serviço ou um processo, um conjunto de aptidões, relações humanas e sociais e a própria organização".

Em resumo, a legislação e as regras devem ser organizadas para possibilitar mudanças constantes. A função das organizações, privadas, oficiais, nacionais ou internacionais e colocar o conhecimento para trabalhar com ferramentas, produtos processos, na concepção do trabalho, no próprio conhecimento e que por natureza muda rapidamente e as certezas de hoje sempre se tornam os absurdos de amanhã. E não é somente a ciência ou a tecnologia que cria novos conhecimentos, tornando obsoletos os antigos. A inovação social é tão importante - com freqüência mais - quanto à inovação científica.

Continuamos na expectativa de que as mudanças possam servir de argumento para a almejada covalidação.

Carlos Alberto Trevisan é consultor independente e diretor da Carlos & Trevisan Consultoria
e.mail: trevisan@dialdata.com.br

Boas Práticas por Tereza F. S. Rebello

Revalidar o Conhecimento

Sempre que vamos falar, escrever ou exercer uma atividade sobre determinado assunto é praxe consultar previamente, o que existe de novidade sobre o assunto. É como proceder a uma validação prospectiva. Mas, com freqüência, é praticamente obrigatório relermos artigos já tantas vezes consultados e, para nossa surpresa, nos deparamos com trechos importantes que, em uma primeira leitura, não demos a atenção merecida. Isto também ocorre quando relemos as Resoluções e Portarias da ANVISA.

Percebemos então, que é necessário uma "revalidação periódica" das informações contidas na legislação. Por exemplo, revendo a Portaria n° 348 - Manual de Boas Práticas de Fabricação e Controle para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes – Anexo II (Roteiro de Inspeção), lembrei que quando a li pela primeira vez, o item 7 - Produtos Sólidos e Semi-Sólidos - chamou a minha atenção pelo "R" de Recomendável que se referia a segurança dos locais, incluindo, nessa recomendação, a existência de extintores e mangueiras contra incêndio e em número suficiente. Também, apenas como "INF" (Informativo), o referido Roteiro questiona se os mesmos estão bem localizados e o acesso está livre. Em minha opinião o item deveria ser classificado como Imprescindível ("I") ou, pelo menos, necessário ("N"). Com toda certeza, nessa releitura, já havia esquecido que, sobre o mesmo assunto, na mesma Portaria, no item 2 – Almoxarifado - é classificado como "Necessário" a existência desses equipamentos e que o acesso aos mesmos, seja livre.

Qual o motivo dessa diferenciação de classificação? Será porque , no Almoxarifado, existe maior probabilidade da concentração de partículas sólidas, acarretando assim o risco de entrar em um processo de combustão? Nesse caso, nos locais onde se dá a fabricação de sólidos e semi-sólidos, esse risco é inexistente pela ação de exaustores?

Na verdade, o objetivo dessa minha releitura da Portaria nº 348 era o assunto "Validação". Lembrava que no Anexo I, em Definições, aparecia o seu conceito, mas não lembrava qualquer outra parte que mencionasse a necessidade de validar processos ou sistemas e mesmo métodos analíticos. Referindo-se a Sistemas de Obtenção de Água Purificada, a legislação requer que tais sistemas sejam validados. No entanto, não existem mais referências sobre esse assunto nos demais tópicos abrangidos por essa Portaria.

Porém, se a lermos com bastante atenção, vamos perceber que nas entrelinhas dos muitos questionamentos desse Roteiro de Inspeção, existe referência à validação de procedimentos. Portanto, os profissionais da área, particularmente o responsável pela Garantia de Qualidade, devem revalidar periodicamente os seus conhecimentos pela releitura das Portarias e Resoluções que dizem respeito a sua área de atuação.

Devemos sempre lembrar que o solicitado pela legislação é o mínimo necessário para garantir a qualidade de um produto que será colocado no mercado.

Um tópico que, em minha opinião e provavelmente dos técnicos que atuam na área, é importante e está ausente do Manual de Boas Práticas de Fabricação para a Indústria Cosmética, e a Validação dos procedimentos analíticos.

As matérias-primas utilizadas pela indústria cosmética são, em sua maioria, substâncias complexas cujas especificações geralmente são dadas pelo fabricante. Isso por que os métodos de análise nem sempre são encontrados em compêndios oficiais. É o próprio fabricante que desenvolve métodos específicos e deve validá-los. Mas, algumas vezes o certificado de análise elaborado por esse fabricante não identifica a fonte de pesquisa que os levou aqueles resultados e nem mesmo fornece ao comprador a metodologia empregada para a devida comprovação dos dados descritos no Certificado de Análise.

Se a qualidade do dado analítico de uma matéria-prima e o fator chave no desenvolvimento de um novo produto, o coordenador da Garantia de Qualidade deve ficar atento a todas informações referentes a ela e se estas informações estão em conformidade com as características dos procedimentos analíticos quanto à exatidão, medidas de precisão, linearidade, etc.

Tereza F.S. Rebello é farmacêutica bioquímica.
E-mail: methodus@methoduseventos.com.br

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