21 de Outubro de 2018

Extrato de Armênia: Em Busca de Proteção Solar Mais Ampla

Edicao Atual - Extrato de Armênia: Em Busca de Proteção Solar Mais Ampla

Editorial

Para quem está pesquisando novos mercados, preste atenção para os números revelados pelo ultimo censo. Em 2005, o Brasil terá 18 milhões de consumidores jovens, na faixa dos 20-24 anos, equivalente a 10% da população -esse é o maior contingente de uma mesma geração que atinge a maturidade física na história demográfica brasileira. Se a esses forem somados os indivíduos mais novos (15-19 anos) e os mais velhos (25-29 anos), esse número chega a expressiva soma de 50 milhões de brasileiros. 

Para transformar esses indivíduos em consumidores, ou melhor em cidadãos, há um longo caminho a ser percorrido. 

Inicialmente, há necessidade de dar-lhes acesso à educação (o que ainda está em tempo) e oportunidades no mercado de trabalho.

Como estamos em época de eleições, vários candidatos talvez já tenham prescrito uma receita para atingir essas metas: o crescimento econômico. Entretanto, muitos são os entraves que têm impedido o crescimento da nossa economia nos últimos anos, e sem dúvidas, grande parte deles arquitetados pelos próprios políticos. 

Portanto, você que esta de olho nesses 50 milhões de consumidores que nos próximos anos estarão ávidos por adquirir os seus produtos, um conselho: identifique entre os candidatos que estão cortejando o seu voto, aquele que como você esteja preocupado com o futuro do País. 

Nesta Cosmetics & Toiletries (Edição em Português) estamos publicando artigos de interesse geral. Na coluna da Abihpec temos dados de crescimento do mercado nos últimos anos e na seção ABC News, a relação dos trabalhos técnico-científicos aprovados para o Congresso. 

Boa Leitura.
Hamilton dos Santos
Editor

Hipercromias: Aspectos Gerais e Uso de Despigmentantes Cutâneos - Maria A. Nicoletti, Eliane M. de Almeida Orsine, Ana Carolina N. Duarte e Gabriela A. Buono Fac de Farmácia e Bioquímica da Univ. Paulista Campus Marques São Vicente, São Paulo, SP, Brasil

O artigo aborda a hiperpigmentação cutânea sob alguns aspectos como a melanogênese e os fatores incidentes, principais hiperpigmentações observadas, compostos químicos como ação despigmentante e métodos de avaliação "in vitro" de despigmentantes.

Ese articulo aborda la hiperpigmentación sob algunos aspectos como la síntesis de la melanina y los factores incidentes, principales hiperpigmentaciones observadas, compuestos químicos com acción despigmentante y métodos "in vitro" de evaluación de los despigmentantes.

This article is concerning skin hyperpigmentation, considering for that, the melanin synthesis and related factors, mainly types of skin hyperpigmentation, skin lighteners and in vitro skin-lightening agents evaluation.

Comprar

Formulando com Ingredientes Naturais - Anthony C. Dweck Consultor, Dweck Data, Salisbury, Reino Unido

Materiais vegetais podem fornecer os ingredientes ativos e excipientes para uma gama de produtos para cuidados com a pele e suas propriedades fitoquímicas capacita-os a proporcionar reais benefícios para a pele.

Materiales vegetales pueden suministrar los ingredientes activos y excipientes para una larga banda de productos de cuidados de la piel y sus propiedades fotoquímicas los permiten ofrecer beneficios efectivos para la piel.

Plant materials can provide the active ingredients and excipients for a range of skill-care products, and their phytochemistry enables them to provide genuine skin-care benefits.

Comprar

Extrato de Armênia: Em Busca de Proteção Solar Mais Ampla - N. Domioge, E. Bauza, K. Cucumel, D. Peyronel e C. dal Farra Vincience Research Center, Sophia Antipolis, França

Um extrato do plâncton Artemia salina protege o DNA contra os danos causados por radiação UV e reduz as citoquinas inflamatórias induzidas pela radiação UV, indicando um caminho para ajudar os filtros solares a proteger a pele das lesões por UV.

Los extractos del plancton Artemia salina protege el DNA contra los daños causados por radiaciones UV y reduce las citoquinas inflamatorias inducidas por la radiación UV, indicando un camino para ayudar los filtros solares a proteger la piel de las lesiones por UV.

An extract from the plankton Artemia salina protects DNA from UV damage and decreases UV-induced inflammatory cytokines, suggesting a way to help sunscreens protect skin from UV damage.

Comprar

Mecanismos de Degradação da Cor de Cabelos Tingidos: Um Novo Modelo de Proteção - Adriano S Pinheiro, Douglas Terci, Deise A.C. Gonçalves, Marcia Pereira, Paula S. Oliveira, Juliana Alencastre, Adriana C. Maia - Cognis Brasil , Jacareí, SP, Brasil Valeria Monteiro, Elson Longo Univ. Federal São Carlos, SP

Neste trabalho foram investigados os mecanismos físicos –químicos de degradação dos cabelos dos cabelos tingidos por meio de técnicas analíticas modernas. Em paralelo também foi identificado um sistema eficaz para proteção e manutenção da cor dos cabelos tingidos.

En ese articulo los autores describen la investigacion de los mecanismos físico-químicos de la degradacion de los pelos tintos por medio de tecnicas analíticas modernas. En paralelo también fue identificado un sistema eficaz para protección y manutencion del color de los pelos tintos.

The authors in this paper describe the search of the tinted hair degradation physical-chemical mechanisms by using modern analytical techniques. At the same time it was identified one efficient system able to protect and maintain the color of tinted hairs.

Comprar
Carlos Alberto Trevisan
Mercosul por Carlos Alberto Trevisan

Objetivo Principal

Desde o início de nossa colaboração com esta coluna reportando o acontecido nas reuniões do Mercosul, as quais estamos participando como membro dos grupos ad hoc e representante da Associação Brasileira de Cosmetologia, temos ressaltado que o objetivo final do Mercosul é atingir
a chamada covalidação de produtos, ou seja, ao ser aprovado (independentemente da sistemática e dos Estados Parte) um produto estará automaticamente autorizado para comercialização em todo o bloco.

Durante os quase dez anos de reuniões, e lá se vão muitas horas mal dormidas, discussões que quase chegaram as vias de fatos etc, os resultados, até o presente momento, não estão nada próximos do objetivo pretendido.

O Brasil, embora com grandes dificuldades, após a criação da ANVISA registrou na teoria avanços que não se refletem na prática, devido aos emaranhados entraves burocráticos que continuam a retardar o lançamento de produtos.

As sugestões e as propostas apresentadas durante todo esse tempo pela delegação Argentina, e que foram vistas com "um pé atrás" pela delegação brasileira, no sentido de eliminar barreiras não-alfandegárias, estão gradativamente sendo adotadas e implantadas no Brasil. Aí fica a pergunta: Por que essas propostas não foram implantadas, pelo menos experimentalmente, na época de sua sugestão?

Nos últimos dois anos, e por muitas vezes, as reuniões se mostraram infrutíferas, em parte pela ausência freqüente da delegação oficial do Paraguai, em parte pelas posições radicais do Brasil e da Argentina. Estes fatos impediram que se alcançasse progresso em qualquer direção.

As cumbres; realizadas nos últimos três anos, tem de alguma forma pressionado as autoridades sanitárias no sentido de que, pelo menos, sentem à mesma mesa de negociação para diálogo e conhecimento mútuo. Nem que seja para que cada um diga o que pode ou não pode decidir no seu país.

Voltando ao Mercosul, mesmo em razão da péssima situação em que se encontra a economia argentina, as expectativas são de alcançar algum progresso, caso haja participação da delegação do Paraguai.

A pauta a ser avaliada, já comentada anteriormente, se for levada à discussão poderá se transformar num importante passo para atingir a covalidação.

Do nosso ponto de vista, na verdade, cada Estado Parte pretende mais é proteger o seu mercado e avançar no mercado do vizinho, já que os acordos somente são alcançados quando um percebe que está perdendo menos do que o outro.

Somente esta razão pode justificar o porque das propostas feitas pela Argentina há quase oito anos, somente terem sido implementadas pelo Brasil no ano passado.

A argumentação brasileira de que a Legislação em vigor não permitia, foi derrubada pela implantação das notificações, e mais recentemente pela proposta do PRODIR que dispensa totalmente o registro e a notificação, proposta essa em estudo para ser submetida à consulta pública.

Outro grande entrave é ainda o Código de Defesa do Consumidor, que causa impacto na harmonização da rotulagem com a adoção da nomenclatura INCI para a descrição das matérias-primas. Entretanto, temos certeza de que se esta adoção for conveniente do ponto de vista político, em curto prazo será implementada.

Desta forma, supomos que as reuniões de Mercosul serão cada vez menos freqüentes e com resultados, que em algum momento, haverão de ser aqueles que o setor tanto deseja.

Vamos manter a esperança e torcer para que os resultados sejam os melhores possíveis.

Carlos Alberto Trevisan é consultor independente e diretor da Carlos & Trevisan Consultoria.

A vez da Qualidade por Friedrich Reuss e Maria Aparecida da Cunha

Novas Normas do Sistema ISO

Os sistemas de gestão da qualidade, sejam de produtos, de vida e de meio ambiente estão sendo cada vez mais requisitados no meio empresarial. A consciência geral das empresas, no tocante a sua responsabilidade tem crescido em todas as áreas. Quando, no passado, apenas algumas empresas cuidavam da sua responsabilidade para com a sociedade, hoje esta consciência está se ampliando bastante.

A Norma ISO 14001 ,que trata das questões do meio ambiente já vem tendo grande repercussão no mercado brasileiro. Como grande parte dos requisitos ambientais estão sendo exigidos pela legislação muitas empresas aproveitam esse ensejo por meio da implantação desta norma para promover uma conscientização ampla e geral de sua população interna e de seus fornecedores, tornando sua política ambiental efetivamente implementada.

Esta norma, editada em 1996, está sofrendo algumas revisões, que mesmo não sendo substanciais, visam esclarecer a intenção da linguagem existente e melhorar a compatibilidade com IS0 9001/2000.

São esperadas apenas pequenas mudanças, como por exemplo, esclarecer que o termo desempenho ambiental significa os resultados da gestão dos aspectos ambientais de uma organização: que a Política Ambiental seja modificada para a intenção e orientação global de uma organização no que se refere ao meio ambiente, conforme expresso formalmente pela alta direção, e também quanto ao termo Prevenção de Poluição seja entendido que como o uso de processos, práticas, materiais, produtos ou energia para evitar, minimizar ou controlar (separadamente ou em combinação) a criação ou emissão de poluentes e resíduos, com o objetivo de reduzir totalmente os impactos ambientais adversos.

Também está previsto que os requisitos gerais sejam apresentados de forma mais ampla, exigindo que o sistema de gestão ambiental (SGA) seja estabelecido, documentado, implementado, mantido e melhorado continuamente. A proposta de revisão prossegue, sugerindo que a seção exija a definição do objetivo e do campo de aplicação do SGA. Estas pequenas modificações significam que a adaptação dos SGA existentes seja relativamente simples de ser efetuada.

Ao contrário da ISO 14001 que já se encontra amplamente divulgada e implementada, está surgindo a OHSAS 18001 - Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho (onde OHSAS significa Occupational Health and Safety Assessment Series). Trata-se de uma especificação que tem por objetivo fornecer às organizações os elementos de um Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho (SST) que seja eficaz, passível de integração com outros sistemas de gestão (qualidadee meio ambiente, principalmente), de forma a auxilia-lás a alcançar seus objetivos de segurança e saude ocupacional. Ela define os requisitos de um Sistema de Gestão da SST, tendo sido redigida de forma a aplicar-se à empresas de todos os tipos e portes, e para adequar-se a diferentes condições geográficas, culturais e sociais.

A OHSAS 18001 contém apenas os requisitos que podem ser objetivamente auditados para fins de certificação e/ou autodeclaração.

A criação da OHSAS 18001 atendeu ao grande clamor internacional. Sua importância pode ser aquilatada pela representatividade dos Organismos Certificadores que participaram de sua elaboração, que respondem por cerca de 80% do mercado mundial de certificação de Sistemas de Gestão.

Por outro lado, é importante que se verifique que uma grande parte de seus requisitos já estão considerados na legislação brasileira.

Outra norma que vem sendo considerada no mercado e a SA 8000- Responsabilidade Social, desenvolvida para promover a causa da qualidade social entre as empresas. É um documento dividido em quatro partes, as três primeiras dizem respeito ao âmbito, interpretação e definições, e a quarta enumera os requisitos mínimos com respeito a: trabalho infantil, trabalho forçado, saúde e segurança, liberdade de associação e negociação coletiva, discriminação práticas disciplinares, horário laboral e remuneração.

Também neste caso, grande parte de seus requisitos já se encontra devidamente considerada pela legislação de nosso país. A SA 8000 é o resultado de 4 anos de trabalho promovido pela Agência de Acreditação do Conselho de Prioridades Econômicas (CEPPA), uma agência do Conselho de Prioridades Econômicas (CEP), sendo que o CEP é uma organização não-governamental dedicada a responsabilidade e qualidade social, estabelecida em 1969 e baseada em Nova Iorque,

Maria Lia A. V. Cunha é psicóloga especialista em gestão de pessoas

Friedrich Reuss é bacharel licenciado em química e especialista em gestão de qualidade.

Email: freuss@uol.com.br

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Melasma

O melasma é caracterizado por hipermelanose em áreas expostas sem comprometimento sistêmico adquirido, principalmente em mulheres na idade fertil.

É uma das dermatoses muito prevalentes, incidindo mais em mulheres e em cerca de 10% dos homens. 0 grupo racial mais acometido é dos orientais e hispânicos sendo os causasianos mais preservados. Não há referência sobre o loco genético relacionado a esta alteração.

Também denominado cloasma (gravidez) é caracterizado por manchas acastanhadas de limites imprecisos sem descamação ou prurido que ocorrem principalmente em face e mais raramente em colo e braços. É classificado em centro facial, quando compromete fronte, nariz, região malar e mento (60%), malar afetando somente esta região e mandibular quando ocorre no ramo da mandíbula.

Não existe melasma em áreas não expostas e também não ocorre nenhuma sintomatologia, acompanhando estas manchas. Trata-se de processo inestético que embora sem gravidade afeta a autoestima e o comportamento psicossocial do paciente comprometido.

O diagnóstico do melasma é essencialmente clínico não havendo dificuldades em diferenciá-lo de outras alterações melânicas. 0 melasma pode ser dividido em epidérmico, dérmico ou misto conforme o local de depósito deste pigmento. No epidérmico, a concentração maior de melanócitos e melanina ocorre na camada basal e epiderme, no dérmico o pigmento encontra-se na derme dentro dos melanófagos e no misto encontramo-lo em ambas as localizações.

A origem do melasma é desconhecida havendo influências raciais e/ou hereditárias, hormonais e da radiação UV.

Os fatores hormonais são importantes, pois a maioria dos casos é desencadeado ou piorado na gravidez. O uso de pílula anticoncepcional também se associa ao aparecimento da mancha.

Os níveis hormonais de estrógeno e progesterona estão modificados nestas situações e trabalhos atuais demonstraram receptores específicos para o estradiol em cultura de melanócitos. 0 estrógeno ou a progesterona isoladamente não parece provocar o mesmo tipo de estímulo.

O nível de hormônio melanotrófico é normal nos pacientes com melasma. Alguns trabalhos relacionam a doença tireoidiana autoimure com o aparecimento do cloasma gravídico.

A radiação UV é um poderoso estímulo à melanogênese e o mecanismo exato desta estimulação não é totalmente conhecido. A radiação UV-A (comprimento de onda longo) é responsável pela oxidação do pigmento pré-existente na pele. 0 escurecimento tardio, bronzeamento, ocorre pelo estímulo da radiação UV-B e também parte da radiação. A radiação atinge o DNA celular provocando um mecanismo em cascata, nos quais estão envolvidos hormônios e vários citoquinas como o fator de necrose tumoral.

A radiação UV sempre estimula a pigmentação e seu controle é uma das dificuldades no tratamento do melasma.

Os melanócitos da região do melasma ou cloasma tem um comportamento fisiológico diferente, reagindo com maior intensidade a estímulos hormonais e da radiação UV.

O tratamento do melasma e difícil devido a sua cronicidade e falta da definição etiopatogênica.

A estratégia para tratamento da mancha consiste em diminuir estímulo dos melanócitos e da síntese de melanina, eliminar a melanina e os grânulos de melanina.

A diminuição do estímulo dos melanócitos é conseguida bloqueando-se a chegada da radiação UV e evitando-se os estímulos hormonais.

O bloqueio da radiação UV deve ser feito com filtros, químicos e físicos, de alto FPS e amplo espectro com proteção específica para UVA, UVB e outros.

A diminuição da síntese da melanina é conseguida com uso de despigmentantes. Existem várias substâncias ativas para este fim como hidroquinona, ácido azeláico, ácido kójico, arbutin, ácido fítico, ácido ascórbido, Melawhite, Antipollon entre outros.

A hidroquinona tem sido, ao longo do tempo, considerada o despigmentante de primeira escolha pela sua eficiência em inibir a produção de melanina, e pode ser utilizada em concentrações de 2% a 10% porém com riscos de causar irritação, pois é dose-dependente.

Outro despigmentante é o ácido azeláico 20% que também age na tirosinase, apesar de não ser toxico ou irritante, não promove os mesmos resultados finais.

O tratamento do melasma continua sendo um desafio para os dermatologistas e faz-se necessário o desenvolvimento de novos despigmentantes menos tóxicos e mais eficazes.

Dra Denise Steiner é dermatologista
e.mail: clinica-stockli@sti.com.br

Boas Práticas por Tereza F. S. Rebello

Da Inspeção à Validação

Em nossa coluna anterior, resumidamente, fizemos uma retrospectiva da história de um assunto que interessa a todos nós (fabricantes, fracionadores, distribuidores e consumidores), que é - a qualidade.

E, a julgar pelo título, "Da Inspeção à Validação," parece que tudo começa com a Inspeção. Verdade? Não!

Em primeiro lugar temos que planejar a qualidade através dos POPs e colocá-los em ação, para depois inspecionar, ou seja, aplicar o descrito no anexo II da Portaria n° 348 – Roteiro de Inspeção para a Indústria de Produtos de Higiene, Cosméticos e Perfumes.

E será que nós, agentes da qualidade, realmente inspecionamos tudo? Provavelmente temos POPs para todas as operações, mesmo aquelas que não estão detalhadas na Portaria 348. Por exemplo: o procedimento para recebimento de matérias-primas a granel, que só é mencionado no último parágrafo do Item 3 - Fabricação do Anexo I: "Para o caso de armazenamento de produto a granel, devem ser estabelecidos procedimentos específicos". E por que específicos? Porque algumas operações, tanto no recebimento, amostragem e, principalmente armazenamento, fogem a algumas regras estabelecidas. Um exemplo é que não é permitido misturar lotes diferentes da mesma matéria-prima.

Mas, será que no recebimento a granel isto não acontece? Será que é possível para a empresa, esperar esgotar toda a quantidade de um determinado lote, limpar e sanitizar o tanque de armazenagem para recebimento de um outro lote? Este seria o procedimento ideal, mas a experiência mostra que, na maioria das grandes empresas, isto não é factível. Então é necessário estabelecer procedimentos que assegurem a qualidade da matéria-prima, possibilitando a rastreabilidade da causa de uma eventual rejeição.

E que procedimentos são esses? Em primeiro lugar inspecione as condições da "embalagem" (no caso, carros- tanque): a "boca de visita" está lacrada? É dessa maneira que a Garantia de Qualidade da empresa receptora estabeleceu o recebimento? Que outras exigências foram estabelecidas para a empresa transportadora para assegurar a qualidade da matéria-prima transportada? Também inspecione o local onde chega o carro-tanque. Esta área é externa e, portanto, deve ser seguida a inspeção conforme Item 2 - almoxarifado e 2.a – Condições Externas.

Assim, inspecione se existem fontes de poluição ou contaminação próximas ao local de amostragem e descarregamento da matéria-prima, como por exemplo, a presença de animais (isto é bem mais comum do que se pensa, pois essas áreas são abertas); poças de água no piso e, neste a presença de mangueiras (Estão limpas? Sanitizadas?) que serão utilizadas na transferência da matéria-prima do carro-tanque para o reservatório de armazenamento. E este? Existe uma programação de quando e como limpar e sanitizar? Esses procedimentos foram validados? E quanto ao material auxiliar(rodo, por exemplo), utilizado para remoção das ultimas porções dessa matéria-prima ainda existente no carro-tanque? Esse material é sanitário (madeira, por exemplo, não é), está limpo, sanitizado e guardado de modo apropriado?

A Garantia de Qualidade da empresa receptora da matéria-prima também tem procedimento para amostragem em carros-tanque? Sendo a matéria-prima suscetíivel à contaminação microbiana, como é retirada a amostra? Será que o recipiente para receber a amostra está esterilizado (internamente)? Lembrando que a parte externa do frasco não foi esterilizado, será que, assim mesmo, foi mergulhado diretamente no conteúdo do carro tanque? ou foi "amarrado" um barbante no frasco para "pescar" a amostra? O certo é utilizar material apropriado para amostragem (concha de material sanitário), limpo e esterilizado.

Com toda a certeza, se você, que representa a Garantia de Qualidade de sua empresa, não apontou em sua auto-inspeção essas não-conformidades, esteja certo que outras pessoas presentes na operação de recebimento da matéria-prima o farão.

Tereza F.S. Rebello é farmacêutica-bioquímica e.mail: methodus@methoduseventos.com.br

Novos Produtos