21 de Outubro de 2018

Uso de Frutas em Cosméticos

Edicao Atual - Uso de Frutas em Cosméticos

Editorial

Sempre no início de cada ano muitos de nós temos o hábito de fazer uma reflexão sobre as realizações e conquistas no ano que passou, e estabelecer planos para o período que se inicia. 

Para os brasileiros, muitas são as expectativas para 2002. Para citar algumas delas: Qual será o impacto da crise na Argentina na nossa economia? Qual será o resultado das urnas na eleição do novo Presidente da República? E como estará a nossa seleção na Copa do Mundo? 

Entretanto, o 11 de setembro é um marco de grandes  transformações. 0 mundo passou a ser mais imprevisível e está mudando desde então. 

O bom conselho é baixar o nível das expectativas quantoao futuro e viver intensamente o presente. As ocorrências do presente são mais fáceis de se administrar, e podem proporcionar mais satisfação. 

Nesta Cosmetics & Toiletries (Edição em Português) temos muitas novidades quanto a novas matérias-primas. E o mais importante, quanto aos recursos da biodiversidade brasileira, notadamente da Amazônia, que como insumos naturais para cosméticos, a cada dia, passam a estar mais disponíveis para a indústria. 

Boa Leitura
Hamilton dos Santos
Editor

Bioativos Tropicais com Eficácia Comprovada - Cristiane Rodrigues da Silva Chemyunion Química Ltda, São Paulo, SP, Brasil

Este artigo mostra a importância de seguir as tendências mundiais utilizando produtos tropicais. Os bioativos vegetais apresentados tiveram segurança e eficácia comprovadas através de metodologias da Bioengenharia Cutânea.

Ese articulo muestra la importância de seguir las tendências mundiales utilizando productos tropicales. Los bioactivos vegetales presentados tuvieron la seguridad e eficácia comprobada por médio de metodologias de la Bioenginearia Cutánea.

This article shows the importance on following the worldwide trends by utilizing the vegetal tropical products. The vegetal bioactives presented had their safety and efficacy evaluated by using cutaneous biotechnology methodologies.

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Ativos de Frutas de Alta Performance para Cosméticos - Daniel Weingar Barreto e Robson Roney Bernardo Assessa Ltda, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

O objetivo deste artigo é apresentar um panorama de novos processos que possibilitam a obtenção de extratos com altas concentrações de princípios ativos, boa transparência, excelente estabilidade e grande facilidade de formulação.

El objetivo de este articulo es presentar uma vision de nuevos procesos que posibilitan la obtención de extractos con alta concentracion de principios activos, buena transparencia, excelente estabilidad y gran facilidad de formular.

This article aims to present a highlight of the processes which permit different extracts can prepared containing a high concentration of active principles, clear, good stability and easy to formulate..

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Novo Ativo Clareador Extraído de Cítricos - Gilles Benech Sederma SA, Le Perray-en-Yvelines, França

Uma nova substância extraída de cítricos promete resultados efetivos com relação às disfunções pigmentares cutâneas.

Una nueva sustância extraída de cítricos, promete resultados efectivos con relación a los desórdenes de la pigmentacion cutânea.

A new substance extracted from the citrus promises effective results against the pigment disorders.

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Antimicrobiano e Antiinflamatório Naturais para Acne - Don C. Priest Southern Cross University, Ballina, Austrália NSW Mikel D. Priest Southern Cross Botanicals Pty Ltd, Ballina, Austrália NSW

Neste artigo os autores demonstram as propriedades do óleo de tea tree notadamente na prevenção e tratamento cosmético da acne. São apresentados os resultados de um ensaio comparativo do óleo de tea tree versus peróxido de benzoíla.

En ese articulo los autores demuestran las propiedades del aceite de tea tree notablemente em la prevencion e en el tratamiento cosmetico de la acne. Son presentados los resultados de um ensayo comparativo del aceite de tea tree versus peroxido de benzoila.

The tea tree oil properties are presented in this article mainly those ones related the acne prevention and treatment. Are also presented the results of the tea tree oil versus benzoyl peroxide.

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Carlos Alberto Trevisan
Mercosul por Carlos Alberto Trevisan

As Oportunidades em Época de Crise

A crise econômica e política pela qual passa a Argentina, no momento, pode trazer algumas dificuldades para a tão esperada harmonização da legislação sanitária de cosméticos.

A Argentina vive uma recessão que já se estende por alguns anos. As medidas para sanear a economia, como é sabido, se bem conduzidas devem trazer arrochos de salários e conseqüentemente perda de poder aquisitivo dos consumidores. Por outro lado, se essas políticas forem mal conduzidas (que seria uma catástrofe) levariam a hiperinflação. No fechamento desta coluna, a Suprema Corte da Argentina havia declarado a inconstitucionalidade do confisco e o governo já falava em liberar o cambio.

Nesse cenário, a saúde das empresas dos diversos setores econômicos, já debilitada, irá cada vez mais se agravar, e com certeza muitas não sobreviverão. Esse rumo econômico, no médio prazo, poderá transformar a Argentina simplesmente em um pais importador, o que acabará criando outras oportunidades para Brasil, para onde, algumas das industrias devem ser transferidas, notadamente as multinacionais.

Do setor cosmético, muitas empresas fecharão suas portas, encerrando suas atividades. E o mercado, mesmo deprimido, terá que suprir os bens que a sociedade haverá muitas oportunidades de exportação de indústrias brasileiras para aquele país.


Com relação à harmonização da legislação sanitária no Mercosul, diante desta crise, tecnicamente esta não sofrerá alterações. Porém, no aspecto prático o importador poderá começar a fazer certas exigências ao exportador.

Sabemos que a atuação da vigilância sanitária na Argentina pode ser exercida com maior ntensidade por se tratar de um pais territorialmente menor que o Brasil, e com atividades industriais mais concentradas.

Sob este prisma, numa situação de dificuldades econômicas, a necessidade de importar produtos, que em certas ocasiões correram o risco de até ser rotulados como não-essenciais,
poderão surgir alguns episódios de protecionismo, que nesse caso poderão estar disfarçados de não-conformidades sanitárias.

Nesse particular, como já tivemos oportunidade de, em colunas anteriores, enfatizar o atendimento dos requisitos das boas práticas de fabricação e controle, que sabemos ainda não está no dia a dia de nossa indústria. Vale lembrar que a adoção das boas práticas de fabricação e controle já foi adequadamente consensada através de resolução do grupo Mercosul e, sua aplicação, é aceita como ferramenta de inspeção nos quatro países.

Ao exportar, poderemos antecipadamente prever que os países importadores irão exigir o total cumprimento dos quesitos da legislação específica, como condição necessária para permitir o ingresso dos produtos nos seus mercados. Vale lembrar que em tais circunstâncias, com a redução significativa de seu parque industrial, na Argentina, as inspeções poderão ficar limitadas quase que exclusivamente às condições das áreas de estocagem e do controle de qualidade, comparativamente mais fáceis e mais rápidas de estarem em conformidade com as BPFCs.

E para enfrentar essas dificuldades e aproveitar as oportunidades que as exportações possam ser, como já mencionamos em outra coluna, nossas indústrias deverão estar adequadamente preparadas, em todos os aspectos, para atender o mercado argentino e driblar algum tipo de protecionismo disfarçado.

Deixando um pouco a crise de lado ... vamos falar de outro assunto que não tem muita relação com o Mercosul, porém está intimamente ligado a harmonização da legislação sanitária.

Trata-se da criação da FELASQC (Federação Latino Americana das Associações de Químicos Cosméticos), ocorrida durante o Congresso Latino Americano e Ibérico de Químicos Cosméticos, no mês de setembro de 2001, em Buenos Aires.

A FELASQC foi criada para possibilitar o intercâmbio de ações conjuntas na America Latina, com propósito, dentre outros, de criar condições de atualização dos conhecimentos técnicos dos profissionais do setor de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes.

Acreditamos que além de contribuir com o intercâmbio de conhecimentos técnico-cientfícos, propiciando melhor formação dos profissionais do setor, a FELASCQ poderá servir como um disseminador de conhecimentos, contribuindo para harmonização da legislação sanitária, através do suporte técnico junto as autoridades nacionais.

Espera-se que a FELASQC tenha função na área técnica semelhante a da entidade latino-americana que congrega as associações representativas do setor empresarial.

Carlos Alberto Trevisan é consultor independente e diretor da Carlos & Trevisan Consultoria.
Email: trevisan@dialdata.com.br

A vez da Qualidade por Friedrich Reuss e Maria Aparecida da Cunha

Contribuição de Energia Renovável: Sol e Vento

Empregos do futuro já se tornam realidade nas fábricas de painéis solares e de geradores eólicos. Estas duas formas alternativas de energia já começam a se tornar rentáveis e promovem a criação de mais empregos.

A revista Ícaro, da Varig, em sua edição de novembro de 2001 traz matérias sobre a Alemanha, sendo duas delas sobre as formas renováveis de energia: luz do sol e energia dos ventos.

A cidade de Friburgo, situada na região mais ensolarada da Alemanha, especializou-se no aproveitamento da energia solar. Nesta cidade construiu-se o bairro solar, Solarsiedlung, cujas casas, além de bem isoladas termicamente, tem telhado composto por painéis solares.
Com os painéis solares já produzem mais energia do que consomem.

Há um programa de incentivo, denominado "programa dos 100 mil telhados", para que os habitantes coloquem painéis solares em seus telhados. Por esse programa, a distribuidora de energia elétrica é obrigada a comprar a energia gerada durante os próximos 20 anos. Uma casa com telhado pequeno consegue receber, 200 por mês pela energia que vende e pagar apenas 50 pelo consumo próprio, resultando num ganho de 150 mensais. Este subsídio é uma contribuição da Alemanha para a melhoria do clima mundial, reduzindo assim a queima de combustíveis fósseis.

O telhado da estação de trem da cidade é revestido por 240 painéis e o estádio de futebol contém em sua estrutura duas usinas solares.

Neste ano foram instalados na Alemanha 1,2 milhões de metros quadrados de coletores solares, correspondendo a redução de 236 mil toneladas na emissão de gás carbônico. Essa massa de gás carbônico deixou de ir para a atmosfera, contribuindo assim para reduzir o aquecimento global.

A fábrica de coletores solares Solar- Fabrik funciona com emissão zero de poluentes. Por exemplo, para condicionar o ar utilizado nas áreas de trabalho, a empresa adaptou a técnica dos faraós, conduz o ar por longas tubulações subterrâneas que o aquecem naturalmente no inverno e resfriam no verão.

O crescente uso da energia solar na Alemanha também é uma maneira de corresponder ao pedido da maioria da população de no prosseguir no perigoso e caríssimo caminho nuclear.

Com potência de 100 megawatt instalada até agora, a participação da energia solar na Alemanha ainda é pequena. Mas pesquisas prevêem aumento para 15 mil megawatts até 2020 - 0 equivalente a potência de dez usinas nucleares.

O que funciona para empresas vale também para uma cidade. Para Friburgo a energia solar se tomou um ótimo negócio. As 450 empresas do setor de meio ambiente empregam mais do que 10 mil pessoas e movimentam mais de 1 bilhão por ano.

A Intersolar, uma feira internacional das indústrias de equipamentos solares, reuniu 13 mil visitantes e 210 expositores na cidade, no ano passado. Para este ano (28-30 de junho) já são esperadas novas atrações.

A Universidade de Stuttgart acaba de desenvolver um novo tipo de célula solar, 50 vezes mais fina que um fio de cabelo. Estudantes da faculdade de moda já integraram as células flexíveis em chapéus e paletós para então alimentarem telefones celulares. Com esses incentivos toma forma um novo negócio que com o aperfeiçoamento dos produtos, o uso se torna mais eficaz, o número unidades aumenta e o custo diminui.

Outra atividade ambientalmente correta, fortemente desenvolvida na Alemanha, é o uso da energia eólica, a energia dos ventos. Em várias regiões no norte da Alemanha foram instaladas enormes torres com três hélices, que já fazem parte da paisagem. São centrais eólicas produzindo energia elétrica - há mais de 10 mil em todo o país. Num ano elas injetam na rede de energia o equivalente ao consumo médio de 3,7 milhões de famílias com quatro pessoas. Pesquisa do governo prevê a duplicação do número dessas usinas nos próximos 20 anos.

O Brasil também está entre os países que suprem o crescimento dessa indústria, estimado em 34% ao ano. Em Sorocaba, interior de São Paulo, a empresa brasileira Wobben Windpower, subsidiária da Enercom alemã, produz centrais eólicas e exporta para o mundo inteiro. Há três anos a empresa montou uma usina nas dunas do Ceará, onde já existiam outras duas. Há outra instalada no Paraná.

É do Nordeste que os ventos sopram a favor do Brasil. Pelo menos é o que diz um atlas nacional com mapas de ventos que está prestes a ser publicado. Outro fato mencionado nesse atlas é que os ventos sopram com maior intensidade, exatamente quando os reservatórios de água tendem a baixar. Não estaria aí um substituto ideal para essa crucial dependência brasileira da hidroeletricidade?

Maria Lia A. V.Cunha é psicóloga especialista em gestão de pessoas
Friedrich Reuss é bacharel licenciado em química e especialista em gestão da qualidade.
e.mail: freuss@uol.com.br

Denise Steiner
Temas Dermatológicos por Denise Steiner

Micose: Tudo que Você Precisa Saber

A micose ocorre mais durante o verão porque, em geral, nessa época do ano, há maior umidade e calor na pele, propícios para o desenvolvimento da doença. Além disso, há maior concentração de pessoas nos lugares - piscinas e ambientes comunitários - facilitando o contágio e proliferação da doença.

Micose nas Unhas

A micose de unha, denominada onicomicose, é caracterizada pelo seu engrossamento e amarelamento. Há acúmulo de material escamoso que se desprende na parte de baixo. Além disso, podem ocorrer outras alterações tais como, as linhas transversais, longitudinais, afundamentos, variações na coloração e deslocamento.

Para evitá-la, aconselha-se que se adotem cuidados redobrados com relação à higiene, como por exemplo, secar bem os pés (com a toalha pessoal) após tomar banhos em locais comunitários e usar sandálias individuais nas áreas de piscinas.

Outro aspecto importante, a ser observado, quanto ao material utilizado pelas manicures, este deve ser esterilizado e bem conservado. Além disso, deve-se tomar cuidado para não fazer cortes e machucados na região das unhas, principalmente, nos salões de beleza, pois qualquer machucado ou trauma pode propiciar o aparecimento da micose que é facilitada pela entrada de microrganismos.

Com relação a cutícula a dica é não retirá-la em demasia, pois ela age como uma proteção para a unha, e a sua ausência pode facilitar o aparecimento da micose.

Outro detalhe importante: pessoas com micose nas unhas podem sim usar esmalte. 0 esmalte acaba sendo um tipo de proteção, não agravando a doença. Existem inclusive medicamentos, a base de esmalte, que podem ser usados nos casos de micose em estágio não muito grave.

O tratamento para essa afecção é sempre medicamentoso. 0 médico deve colher o material debaixo da unha e fazer um exame micológico direto para identificar o tipo de fungo. A partir daí será prescrito o antifungíco específico para o problema. Quando a unha está muito comprometida - mais da metade - o remédio deverá ser sistêmico, via oral.

Os Pés São Vítima das Micoses

Os pés são bastante comprometidos pelos fungos, tornando-se um ambiente propício para o desenvolvimento das micoses, pois em geral, permanecem fechados, abafados, úmidos etc ...

Contudo, a micose que compromete os pés pode ocasionar apenas descamação, ressecamento, sem inflamação em toda a planta. 0 tipo de micose mais comum na região dos pés é a denominada "pé de atleta," caracterizada como muito seca, justamente por ser causada por um fungo bem adaptado a pele humana.

Outra micose, considerada a grande vilã dos pés, é a frieira que ocasiona umidade, maceração e avermelhamento entre os dedos. A frieira, geralmente, é causada por uma mistura de bactérias e fungos, bastante freqüentes quando a pessoa não seca os pés e anda sempre de tênis, ou sapatos, com meias de tecido sintético e de cores escuras.

Uma dica para evitar problemas é não usar sapatos fechados e nem meias, principalmente, no verão. É aconselhável deixar os pés bastante arejados durante a estação mais quente do ano, fazendo uso de sandálias, para que a pele transpire. E, se for inevitável o uso de meias, evitar as de cores escuras e tecidos sintéticos, que acumulam mais calor. É sempre bom enfatizar que, ao lavar os pés, os cuidados devem ser redobrados na hora de secá-los, principalmente, na região entre os dedos.

Quando a pessoa tem micose nos pés ela deve esterilizar os sapatos, porque os esporos permanecem latentes e podem contaminar novamente os pés.

Aconselha-se também o uso de pós e talcos medicamentosos para evitar o problema. E vale, também, para esses casos de micose a orientação de que só o médico poderá avaliar corretamente e indicar o melhor medicamento para resolver o problema.

Dra. Denise Steiner é dermatologista.
E-mail:clinica-stockli@sti.com.br

Boas Práticas por Tereza F. S. Rebello

Qualificação de Fornecedores

Um dos mais importantes capítulos, de quaisquer das Resoluções ou Portarias da ANVISA que tratam das Boas Práticas é a qualificação de fornecedores de insumos, PA particularmente de matérias-primas. Estamos falando das Portarias n° 348 de 1997 no que se aplica a indústria cosmética; Portaria n° 327 de 30/7/97 para a indústria de saneantes domissanitários; Resolução RDC n° 134 de 13/7/01 que revogou a Portaria n° 16/95 conhecida como Guia de Boas Práticas de Fabricação para Indústrias Farmacêuticas; Resolução RDC n° 33 de abri1 2000 que aprova o Regulamento Técnico sobre Boas Práticas de Manipulação em Farmácias, abrangendo a manipulação de Produtos Estéreis e Homeopáticos.

Desta forma, considerando os segmentos acima, estabelece-se a responsabilidade das indústrias química, farmoquímica, distribuidoras de ervas medicinais e de outras matérias-primas, indústria de embalagens etc, em oferecer aos seus clientes produtos de qualidade.

Para as empresas distribuidoras e, principalmente aquelas que fracionam matérias-primas, além da preocupação de qualificarem as empresas por elas representadas, deve-se acrescentar os cuidados no fracionamento, aplicando as Boas Práticas de Higiene no Trabalho, o que abrange os cuidados de higiene pessoal. Em todos os Manuais de Boas Práticas, particularmente o de BPMF, é necessário que o Certificado de Análise de cada lote de matéria-prima enviado, acompanhe a quantidade solicitada. Em geral, o distribuidor de insumos envia o Certificado de Análise do Fabricante da matéria-prima, o que é válida se tivermos certeza da inviolabilidade do material e de que as condições de armazenamento pelo distribuidor foram corretas. Muitos distribuidores não fracionam por razão de alguns fabricantes não permitirem essa manipulação. Entretanto, nos casos de fracionamento surgem as dúvidas: será que as empresas que fracionam estão informadas sobre as boas práticas de manipulação e as praticam? Será que podemos confiar que não houve contaminação cruzada, troca de matérias-primas (sabemos que muitas substâncias apresentam-se com nome muito semelhantes)? Que as embalagens utilizadas e os procedimentos de pesagem estão em conformidade para não comprometer a qualidade microbiológica da matéria-prima?

E, então? Será que o Certificado de Análise do Fabricante, nos casos de não conformidades, como as aqui mencionadas , ainda representam a realidade? Assim, será que o teor de umidade é o mesmo? 0 resultado microbiológico é confiável? 0 Certificado está garantindo que a matéria-prima e realmente aquela solicitada? Por exemplo, sabemos da relativa freqüência da troca de coenzima Q10 por riboflavina (vitamina B2), provavelmente devido as características organolépticas semelhantes.

Considerando todas estas possibilidades, vemos que é necessário não só confirmar alguns dos resultados registrados, no Certificado para que se qualifique o fornecedor, como também é recomendável uma visita às instalações de sua empresa.

Para qualificar o fornecedor, as Boas Práticas de Manipulação em Farmácia recomendam a avaliação do histórico do fabricante/fornecedor, com realização de pelo menos, três análises completas de lotes diferentes e consecutivos de cada matéria-prima recebida.

Ainda referente a relação fornecedor/ consumidor, este último, através do responsável pelo Controle de Qualidade, deve solicitar informações sobre a segurança (Material Safety Data Sheet - MSDS) das matérias-primas adquiridas, especialmente tratando-se de novas matérias-primas, para elaboração do Manual de Biossegurança. Tais informações são necessárias para prevenir riscos potenciais de danos às instalações, aos trabalhadores e ao meio ambiente.

É incontestável a necessidade de se ter normas sobre segurança e isto fica bem evidenciado por algumas publicações, como por exemplo, a da Organização Mundial da Saúde (Manual de Biossegurança no Laboratório, Genebra, 1983).

Para concluir: "No Brasil, apesar de várias instituições terem desenvolvido e estabelecido normas de segurança para laboratórios, não há critério uniforme sobre o assunto. Existem ainda muitas organizações que não iniciaram nenhum programa visando o estabelecimento de medidas de segurança para o pessoal, a comunidade e o meio ambiente", afirma a professora Maria Inês R. Miritello Santoro, na pagina 63 de seu livro "Introdução ao Controle de Qualidade de Medicamentos".

Tereza F.S. Rebello é farmacêutica bioquímica.
e.mail: methodus@methoduseventos.com.br

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