19 de Outubro de 2018

Manchas no alvo

Edicao Atual - Manchas no alvo

Editorial

Visão do Futuro

Um comercial de televisão sobre processadores de computadores dá uma ideia da rápida evolução da informática (ou, como preferem alguns, da tecnologia da informação -TI).

Os e-mails, que antes se restringiam aos centros universitários, ganharam as ruas para agilizar o intercâmbio de informações em todos os setores, servindo como base para as mídias sociais atuais, cuja adesão de usuários cresce numa relação exponencial fantástica.

O mundo ficou pequeno com os avanços dos meios de comunicação.

Hoje tudo pode estar na “rede”. Tudo pode estar na internet que se por um lado facilita a vida dos usuários, por outro estimula  problemas, como a pirataria. A indústria fonográfi ca não teve tempo de adequar-se a esse momento, e quase desapareceu devido ao uso não autorizado de seus produtos. As empresas jornalísticas tiveram um pouco mais de sorte, pois saíram na frente do “inimigo”. A maioria dos jornais diários lançou versões digitais com o mesmo conteúdo dos originais impressos, dentro de seus portais de notícias com atualizações instantâneas.

Uma homenagem a Luiz Brandão, profissional competente e admirado que recentemente nos deixou. Era preciso e prudente ao emitir opinião sobre o assunto no qual era o maior especialista e que dominava com maestria. Deu-nos a honra de colaborar como colunista desta revista. Descanse em paz.

Boa leitura,
Hamilton dos Santos
Editor

Diéster para Proteger Cor do Cabelo e Danos do Sol - Timothy Gao, PhD, Jung-Mei Tien, Abhijit Bidaye, Scott Cardinali, Jena Kinney Croda Inc., Edison, NJ, Estados Unidos

Um novo fi ltro UV de espectro amplo para proteger os cabelos dos danos de descoramento e manter sua integridade, quatérnio-95 (e) propanodiol, foi desenvolvido para formulações de rinse-off. Shampoos e condicionadores contendo esse ingrediente protegem cabelos tingidos contra a degradação do triptofano e a redução da resistência à tração.

Un nuevo fi ltro de amplio espectro UV para proteger el cabello del daño desvanecimiento del color y la su integridad, quaternium 95 (y) propanodiol, se ha desarrollado para las fórmulas rinse-off. Champús y acondicionadores que contengan este material protegen el pelo teñido de superfi cie contra la degradación de triptófano y la reducción de resistencia a la tracción.

A new broad-spectrum UV fi lter to protect hair from color fading and integrity damage, quaternium-95 (and) propanediol, has been developed for rinse-off formulations. Shampoos and conditioners containing this material protected dyed hair against surface tryptophan degradation
and tensile strength reduction.

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Antioxidantes de Origem Vegetal em Cosméticos - Júlia Scherer Santos Farmacêutica, Curitiba PR, Brasil

Este estudo teve por fi nalidade compilar as ações fotoprotetoras descritas para polifenóis de chá verde, fl avonoides do cardo mariano, isofl avona da soja, proantocianidinas da semente de uva, extrato de marcela, extrato de alecrim, ginseng vermelho, fl avonoides do cacau, samambaia, extrato do pinheiro-bravo, curcuma e prunella.

Este estudio tiene como objetivo la conpilar las acciones protectoras descritas para el polifenoles del té verde, Marian caldo fl avonoides, isofl avonas de soya, las proantocianidinas del extracto de semilla de uva, marcela extracto, extracto de romero, ginseng rojo, los fl avonoides del cacao, helecho, extracto de pine, la cúrcuma y prunella.

This study had aimed compile the photoprotective actions described for green tea polyphenols,milk thistle, soy isofl avones, proanthocyanidins from grape seed extract, marcela extract, rosemary extract, red ginseng, cacao fl avonoids, fern plant, pine bark extract, Javanese turmeric, prunella.

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Espessantes ou Agentes de Consistência - Hamilton dos Santos Editor da Cosmetics & Toiletries (Brasil), São Paulo SP, Brasil

Neste artigo de revisão, são enfocados os sistemas de espessamento utilizados em produtos de cuidado pessoal para dar a estes a forma cosmética preferida pelos consumidores. São apresentados os principais ingredientes com essas funções, disponíveis no mercado.

En este artículo de revisión se enfocan los sistemas de espesamiento utilizados en productos de cuidado personal para proporcionar a los mismos la forma cosmética preferida por los consumidores. Son presentados los principales ingredientes con estas funciones, disponibles em el mercado.

In this review, it was focused the systems used as thickeners in personal care products to give them the cosmetic form preferred by consumers. The main ingredients with these functions available in the market are presented in this article.

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Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Competncia coletiva, o que isto?

Em vez de definirmos esse conceito, vamos constru-lo. H no muito tempo, vem sendo dito que a Competncia Coletiva o principal ativo de uma empresa. Eu fico me perguntando por que levamos tanto tempo para enxergar essa realidade. Foi preciso o conhecimento ganhar a velocidade das fibras ticas e a tecnologia transbordarem o conhecimento por qualquer tomada em que se possa ligar um computador, para que inegavelmente aceitssemos esse fato, mesmo que veladamente.

No ltimo frum de RH promovido pela HSM, o professor Mrio Srgio Cortella, filsofo e administrador de empresas, martelou a necessidade de abandonarmos o conceito de Competncia Individual, do qual nasce a idia a minha competncia acaba onde a competncia do outro comea, por uma realidade mais condizente com as atuais dinmicas de mercado, nas quais se preconiza uma ideia muito diferente, ou seja, a minha competncia acaba onde a competncia do outro tambm acaba.

Parece contraditrio, porm no , se enxergarmos a empresa como um organismo vivo, no qual a perda de competncia de um ou alguns faz que todos, de uma maneira ou de outra, percam tambm a sua prpria competncia. Aqui vale ento abrirmos um pouco mais o conceito de competncia que vai alm das competncias tcnicas, muita das quais podem ser aprendidas em livros, chegando at as competncias pessoais que compreendem relacionamento, capacidade de planejar e executar, priorizar, delegar, sintetizar, entre outras. Dessa maneira, quando algum ganha esse tipo de competncia, os demais tambm passam a usufru-la por capilaridade.

No entanto, para que o discurso se transforme em prtica preciso que os que dominam o saber repartam o conhecimento, concomitantemente ao da procura de conhecimento por parte de quem ainda no o tem (...quem sabe reparte, quem no sabe procura...). Para os que acreditam que dessa forma o conhecimento se nivelaria rapidamente tornando todos iguais, peo que no se esqueam de duas variveis: a velocidade com que o conhecimento se renova e a velocidade com que assimilamos novos conhecimentos. No preciso dizer que essas velocidades so diferentes entre si e que a primeira muito superior segunda. Conhecimento parado conhecimento que tende ao desuso, a tornar-se obsoleto. Girar e gerir o estoque de conhecimento dentro das organizaes a grande sacada da excelncia em gesto do conhecimento.

O professor evocou a ajuda dos santos, quando citou So Beda (filsofo ingls do VIII sculo EC) que mencionava trs coisas que levariam ao fracasso espiritual: No ensinar o que se sabe, no praticar o que se ensina e no perguntar o que se ignora. Bem atual na era da informao, no?

No podemos deixar de mencionar que o conhecimento tcito mais dinmico do que o acadmico. Ambos devem existir, mas o tcito tem efeito sinrgico, pois encontra aplicao prtica no dia a dia e, por ter conexo com uma realidade mais presente, oferece mais facilidade de aprendizado, alm do fato de que quanto mais conhecimento prtico se obtm, maiores so as chances de despertar a prpria curiosidade para um aprofundamento terico do mesmo. Quando eu estava no curso tcnico, aprendi a calcular logaritmo (lembra-se?). Quando perguntei minha professora de matemtica para que ele servia, ela me disse: um dia voc vai saber. Graas a Deus eu soube, porque fiz o curso tcnico em qumica e depois a faculdade, mas muitos no aprenderam o que era aquilo, nem enquanto estudavam nem depois, porque no encontraram praticidade, correlao, conexo do logaritmo com as suas realidades e, por isso, o conhecimento se tornou difcil e para muitos se perdeu.

Hoje a tecnologia facilitou o trabalho da gesto das competncias coletivas, pois, com alguns softwares simples, conseguimos facilitar a distribuio do conhecimento ao mesmo tempo que diminumos o esforo de quem procura por ele. No entanto, a tecnologia ainda no conseguiu mexer no cerne da questo, que despertar o desejo onde tudo comea de repartir e procurar a competncia coletiva. Aqui cabe uma lio de casa aos gestores, ainda a ser feita, que passa pela criao de um ambiente propcio onde haja o estmulo e at a gratificao por essas atitudes, pois, do contrrio, continuaremos comentando o pecado da centralizao do conhecimento.

Carlos Alberto Trevisan
Boas Prticas por Carlos Alberto Trevisan

CQ e o impacto nas BPFeC

Como j tive a oportunidade de afi rmar, em diversas ocasies, o Controle de Qualidade (CQ) est entre os requisitos imprescindveis para a efetiva existncia das Boas Prticas de Fabricao e Controle (BPFeC). Em minha vivncia como consultor, constatei que grande nmero de empresas da rea de cosmticos mantm em atividade aquela operao que chamada de controle de qualidade simplesmente para atender s exigncias da Portaria n 348/97, da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa).

Afirmo isso baseado no fato de que no so realizadas avaliaes nem de matrias-primas, nem de granis, e muito menos de componentes de embalagem. O mximo que ocorre a aceitao do conhecido Certificado de Anlise, emitido pelo fornecedor, que na maioria dos casos no foi previamente qualificado para tal, e, se foi, o processo empregado foi um questionrio sem a efetiva avaliao presencial.

A maioria dos testes realizados so cor, odor e aparncia. No necessrio grande conhecimento para perceber a subjetividade das avaliaes e a conseqente insegurana desses testes.

Apenas como referncia, o metilparabeno e o propilparabeno tm as mesmas especificaes quanto aos parmetros mencionados, diferenciando-se apenas quanto solubilidade.

Um dos argumentos principais encontrados para que o Controle de Qualidade tenha atuao figurativa o de que a empresa no recebe reclamaes de clientes e, portanto, o produto possui qualidade.

Outro argumento o custo operacional do Controle de Qualidade, que, segundo alguns empresrios, no agrega valor ao produto.

Recentemente, em visita a uma organizao, solicitaram-me um plano para reduzir custos no laboratrio de Controle de Qualidade notadamente diminuindo a quantidade de anlises. Ao finalizar o processo de coleta de informaes, conclui que a nica reduo possvel seria eliminar completamente o departamento de Controle de Qualidade, pois este era totalmente inoperante e nada era avaliado, a no ser cor, odor e aparncia.

Tenho insistido no conceito universal de que o setor de Controle de Qualidade no o responsvel pela qualidade dos produtos e servios da empresa, mas apenas pelo controle desta.

Tenho lutado intensamente para que esse conceito seja aceito e adotado por todas as organizaes. Dessa forma, estar sendo atribuda a responsabilidade a quem efetivamente executa a tarefa.

No esquecer que nas atividades relacionadas ao Controle de Qualidade cabe a tarefa de comparar os valores amostrados no processo com os parmetros adotados pela organizao, com base nas necessidades e na segurana do cliente.

Quando parmetros so estabelecidos sem fundamentao tcnica adequada, os potenciais riscos so agravados. As consideraes acima servem para sugerir que a simples incorporao do CQ nas BPFeC no suficiente para garantir que a atividade de controlar seja efetivamente praticada.

Outro impedimento para o CQ atuar efetivamente este estar subordinado rea de produo, ou vice-versa, o que restringe ou impede a necessria autonomia de atuao e deciso.

Muitos exemplos poderiam ser aqui citados para reforar a argumentao da necessidade da prtica efetiva do CQ nas organizaes, independentemente da Portaria n 348, mas acredito que os que aqui foram citados podem servir de insight para melhor reflexo.

No posso tambm deixar de mencionar a necessidade de que os colaboradores envolvidos no processo de controle de qualidade estejam adequadamente treinados e capacitados quanto s Boas Prticas de Laboratrio, para que possam exercer suas atividades com vistas ao atendimento das Boas Prticas de Fabricao.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Cabelo: fonte alternativa na avaliao de segurana

Recente publicao apresentou dados relativos rea de marketing, os quais, entre outros, destacam com detalhes a fiel preferncia do pblico masculino pelos produtos cosmticos usados para os cuidados dos cabelos, diferentemente do que acontece com as mulheres. (Cosmetic & Toiletries Brasil 22(2):26-32, 2010). O tema me motivou a discutir, nesta coluna, o mesmo tema cabelo como fonte de exposio no que diz respeito avaliao da quantidade e freqncia da exposio a humanos, a substncias qumicas, a ingredientes cosmticos ou no, e ao seu uso como matriz analtica para fins de avaliao de segurana.

Isso no me esquecendo da importncia que as tinturas capilares representam, mostrada por meio de uma avalanche de excelentes publicaes. Sinto que as portas da investigao bibliogrfica poderiam estar abertas s informaes, aos esclarecimentos e dirimir dvidas a respeito do estgio em que se encontram as pesquisas focadas na palavra-chave cabelo.

A palavra-chave marcou presena em diversas reas de interesse da sade pblica, especialmente quando se prezou os estudos destinados avaliao de segurana, os quais se completam desde que sejam bem conhecidas as propriedades fsico-qumicas dos xenobiticos (entenda-se ingredientes cosmticos), a relao dose/resposta e a ntima interao entre eles.

O cabelo representa fonte de exposio de inestimvel valor cientfi co. Estrutura anatmica de natureza complexa, forma-se a partir do folculo piloso localizado de 3 a 5 milmetros abaixo da superfcie da pele; cerca de 5 milhes de unidades esto presentes nos adultos, 1 milho deles presentes na cabea. Contm protenas, lipdeos, melanina, polissacardeos e mnima quantidade de gua, e crescimento ativo e de repouso com durao de 7 a 94 semanas (perodo discutvel). Destaque: algumas informaes ainda so enigmticas (Forensic Science International 63:9-18, 1993).

Para fins de anlises toxicolgicas, o cabelo matriz biolgica - pode ter suas limitaes, mas representa uma opo aps as amostras de sangue e, ou, de urina, e mereceu especial publicao que o enquadra como amostra alternativa de interesse da Toxicologia Forense (Biomedical Chroma- tography 22:795-821, 2008). O mesmo tem acontecido com a Toxicologia Social (Forensic Science International 176:23-33, 2008 e Transtornos Adictivos, 9(3): 172-83 2007). A Society of Hair Testing discute a acreditao do uso do cabelo para fi ns de anlise. O trabalho discute a importncia da cromatografi a lquida de alta
efi cincia na determinao de algumas substncias (minoxidil, progesterona, hidrocortisona, entre outras) em produtos cosmticos. Entretanto, os autores se contradisseram, pois afi rmaram que as presenas destas substncias em produtos cosmticos comerciais so proibidas (Journal of Pharmaceutical and Biomedical Analysis 48:641-648, 2008). O ttulo deveria ter sido melhor cuidado.

A biomonitorizao de poluentes realizada nos ltimos 20 anos empregando-se o cabelo como matriz foi objeto de anlise. Os autores discutiram as limitaes e correes de rotas, e apresentaram medidas que exigem estudos complementares, bem como destacaram grandes avanos. Se persistirem os caminhos j percorridos, a matriz alternativa poder ser a chave para a biomonitorizao de contaminantes orgnicos, neles includos produtos farmacuticos, cosmticos, fragrncias e hormnios (Chemosphere 72:1103-1111, 2008, idem 72:1118-1123, 2008, Environmental Polution 16:1-7, 2009 e Water Research 41:4339-4348,2007).

A moderna toxicologia, entre tantos ganhos cientficos conquistados, ainda mantm srias preocupaes sobre estar na pauta do dia a discusso dos possveis danos ocasionados ao homem - neurotoxicidade, mutagenicidade, reproduo - decorrentes de exposies qumicas - especialmente daquelas em baixas doses. Ainda nessa linha de pensamento, no se pode deixar de lado os avanos conseguidos com indicadores biolgicos da exposio, a exemplo do glucorondeo de etila (Forensic Science International 198:23-27, 2010).

Outros assuntos certamente ainda poderiam ser acrescidos, mas o uso do cabelo, como matriz, pode representar significativos avanos da Toxicologia na avaliao de segurana de ingredientes e produtos cosmticos.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

Tratamento da alopecia androgentica feminina

O cabelo no fundamental para a sobrevivncia orgnica do ser humano. No entanto, do ponto de vista esttico, psicolgico e social, sua integridade reflete no padro cultural vigente, poderosa auto-estima, tornando inseguros e infelizes aqueles que o perdem.

A falta de cabelo tem representaes in ternas que afetam a sade global do indivduo; sendo assim, vemos com grande entusiasmo as pesquisas cada vez mais constantes e inovadoras nessa rea, sobretudo pela conquista de medicaes eficazes. A mulher, ao contrrio do que diz a crena popular, tambm desenvolve a calvcie nos seus mais variados graus.

A calvcie ou alopecia feminina, assim como a masculina, caracteriza-se por perda de cabelos com influncia gentica e hormonal, sendo, por isso, chamada de alopecia androgentica feminina (AAF).

Ela determina um processo de longa durao que provoca miniaturizao dos fios de cabelos. O cabelo normal, em mdia a cada quatro anos, entra em processo de repouso (fase telgena) e queda, retornando com a mesma espessura para durar mais quatro anos.

O fio, nos indivduos predispostos calvcie, volta cada vez mais fraco e fino, transformando-se progressivamente em uma penugem. Esta transformao lenta e gradual vai provocando a rarefao capilar.

A prevalncia de queda de cabelos nas mulheres varia de 8% a 25%, conforme os trabalhos publicados. Alguns autores j demonstraram prevalncia de 87% de calvcie em mulheres na pr-menopausa. Esses casos, em geral, eram iniciais, sendo disfarados pelo tipo de penteado. Nos casos iniciais, a maioria das mulheres no percebe nem se queixa, pois h rarefao muito discreta.

sabido que existe predisposio hereditria para a alopecia desenvolver-se. No entanto, o tipo de herana no est bem esclarecido. Acredita-se que haja herana polignica (vrios genes envolvidos) com penetrancia e expresses ainda no muito precisas.

Alm da hereditariedade, os hormnios masculinos tambm so responsveis pelo desenvolvimento da calvcie feminina e masculina. A mulher particularmente suscetvel a essa perda de cabelos, devido a variaes hormonais.

Sendo assim, freqente o incio da alopecia aps o parto, na pr-menopausa e aps descontinuao do uso da plula anticoncepcional.

Os andrgenos tm receptores especficos no folculo capilar que, aps serem preenchidos, iniciam a reao intracelular, envolvendo o DNA e desencadeando mecanismos provo cativos da alopecia. As mulheres tambm podem desenvolver esse quadro, com nveis de hormnios masculinos normais.

A calvcie feminina tem localizao diferente da do homem. Ela ocorre freqentemente em toda a regio superior do couro cabeludo, mantendo a linha frontal intacta. A mulher tem menos entradas do que o homem. A perda de cabelos tambm pode ter uma caracterstica mais difusa, com comprometimento e afinamento mais geral dos cabelos, e pode ser desencadeada ou agravada por outros fatores, como: anemia, ferro srico baixo, alteraes dos hormnios tireoidianos, uso de drogas, emagrecimento, entre outros.

No tratamento, a alopecia feminina conta com maior nmero de recursos do que a masculina: alm daqueles em comum, podem ser empregadas substncias neutralizadoras dos hormnios masculinos, como os antiandrgenos. Convencionalmente, pode-se usar o minoxidil, j aprovado pela Food and Drug Administration (FDA). Os estrgenos tm papel protetor em relao queda de cabelo feminino e, portanto, o hormnio 17 α-estradiol, um ismero do 17 β-estradiol, pode ser uma opo.

O acetato de ciproterona tambm pode ser empregado para neutralizar os efeitos dos andrgenos. Essa droga tem ao hormonal e, quando associada ao estradiol, age como um anticoncepcional.

Pode ser utilizada ainda a espironolactona (antagonista especfi co da aldosterona), que compete com os hormnios masculinos, no necessitando, em geral, de complementao de hormnios femininos.

A finasterida, inibidor da 5 α-reductase II, outro recurso possvel nos estudos de fase III que demonstrou ser seguro e eficaz para o tratamento da calvcie masculina. Ela interfere pouco na funo heptica e no provoca alteraes nos lipdeos. Sua ao no reduz o nvel de testosterona circulante, mas sim a DHT intracelular.

necessrio o acompanhamento de um mdico especialista para o tratamento com essas medicaes. Geralmente, o paciente leva ao consultrio muitas dvidas, fantasias e ansiedades antes de iniciar o tratamento. Para que a medicao seja eficaz, importante o entendimento do seu mecanismo de ao, dos efeitos colaterais possveis e que resultado se pode esperar.

Alm disso, fundamental tratar a doena tireoidiana, assim como anemias ou deficincia de ferro.

Valcinir Bedin
Tricologia por Valcinir Bedin

Genodermatoses envolvendo pelos e cabelos

Genodermatoses so alteraes da pele ou de seus anexos, congnitas, hereditrias ou no, e que so de difcil soluo. Apesar de raras, podem ser confundidas com outros problemas, portanto, vamos elencar as que envolvem os cabelos.

- Moniletrix: de origem hereditria, surge na infncia e caracterizada por dilataes e estreitamentos alternados nos cabelos e pelos, dando a impresso de contas de um rosrio. mais comum no couro cabeludo, mas pode atingir todos os pelos do corpo.

- Tricorrexe Invaginata: o pelo apresenta aspecto de n de bambu, porque a haste se alarga e se invagina na parte distal. Na sndrome de Netherton essa ocorrncia clssica, mas pode ocorrer isoladamente ou com outras alteraes capilares.

- Pili Torti: caracterizada por pelos espiralados, torcidos em torno dos eixos, secos e quebradios, cuja localizao mais frequente o couro cabeludo. O defeito notado na infncia por causa da fragilidade dos cabelos. herdada por gene autossmico dominante e pode estar associada a outras malformaes. a anormalidade de pelo mais encontrada na sndrome de Menkes.

- Tricopoliodistrofi a: parte da conhecida sndrome de Menkes e uma associao do Pili Torti com defi cincia de cobre. uma afeco causada por gene recessivo ligado ao sexo e deve-se incapacidade de absoro intestinal e da utilizao do cobre. O quadro inicia-se nos primeiros meses de vida e os cabelos so torcidos, sem brilho e quebradios. H atraso de desenvolvimento neuropsicomotor, aneurismas e morte nos primeiros anos de vida. O diagnstico pode ser confirmado com baixos nveis de cobre e ceruloplasmina no soro.

- Pili Annulati: tem origem autossmica dominante; os cabelos apresentam faixas anulares alternantes, com reas claras e escuras por alteraes do crtex e da medula do pelo, podendo ocorrer fraturas. conhecida como cabelo em calda de tigre, sendo que ainda no existe tratamento, mas as tinturas podem ser usadas.

- Pili Pseudoannulati: tem aspecto idntico ao do Pili Annulati, mas difere deste porque nesse tipo de pelo o anel brilhante deve-se refl exo e refrao da luz por superfcies achatadas e torcidas do pelo, enquanto naquele tipo de pelo o anel mais claro decorre de alteraes internas, no crtex e na medula.

- Pili Triangulati et Caniculi: conhecida como sndrome dos cabelos impenteveis, apresenta-se com fios com aparncia desorganizada e que no so penteveis. A haste do pelo tem aspecto triangular quando observado na microscopia eletrnica, associado a uma depresso longitudinal. A quantidade de pelo normal, assim como o comprimento. Com o passar do tempo, de 5 a 6 anos, os cabelos voltam ao normal.

- Pili Multigemini: caracteriza-se pela presena de vrios pelos saindo de um nico folculo pilossebceo. de ocorrncia muito comum e sem problemas, a no ser quando a quantidade excessiva.

- Cabelos Lanosos: conhecido mais pelo nome em ingls wooly hair apresenta-se como cabelo crespo e encaracolado, como os dos indivduos da raa negra. Os pelos lanosos, porm, so to entrelaados que se torna difcil pente-los. Pode ser transmitida por gene autossmico dominante ou recessivo. mais comum na criana e vai se normalizando na idade adulta.

- Tricoglifos: conhecidos popularmente como redemoinhos, so um grupo de cabelos que se implanta no couro cabeludo, formando uma imagem em espiral. apenas uma alterao na disposio dos cabelos; no h alterao anatmica do folculo piloso ou da haste. Algumas alteraes congnitas, como oxicefalia, dicefalia, microcefalia, trigonocefalia, sndrome de Down e sndrome de Prader- Willi, apresentam redemoinhos em grande quantidade e caractersticas to particulares, que servem como um sinal diagnstico da patologia.

- Hipertricose congnita generalizada: o corpo fica inteiramente recoberto com pelos do tipo lanugo; transmitido por herana autossmica dominante e pode estar associado a distrbios dentrios e a outras sndromes.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

Sustentabilidade

Se compararmos celulares, televisores, computadores e outros eletroeletrnicos do passado (e de um passado no to distante) com os atuais, vamos perceber que a reduo de tamanho foi uma tendncia empurrada pela fora da tecnologia.

Lembro-me ainda do famoso tijolo, celular que se carregava preso cintura, da TV de 27 polegadas, que ocupava boa parte do espao da sala, e do tamanho da sala do CPD e das gigantes mquinas que haviam numa grande empresa de cosmticos em que trabalhei.

Como o mundo mudou!

A palavra de ordem era tecnologia. Ningum ou quase ningum falava em meio ambiente. Sustentabilidade era uma palavra desconhecida.

Chega agora uma nova onda de reduo, cujo foco no somente tecnologia. Desta vez, a reduo e de tamanho e, ou, dos pesos das embalagens.

A ordem vem de uma senhora que no suporta mais ver (e sentir) tamanho descaso. Com uma freqncia quase que diria, ela vem dando sinais de descontentamento e de que preciso fazer alguma coisa. O homem no percebe, mas os sinais vm na forma de tsunamis, furaces, tempestades, terremotos e, mais recentemente, um vulco. Os sinais e a ordem vm da me natureza.

Infinitamente pequena para resolver ou mesmo atenuar o problema, mas uma ao que j realidade no mundo, a de reduzir o tamanho e o peso das embalagens (cosmticos, alimentos, bebidas, entre outros). Essa reduo significa menos gerao de resduos ps-consumo, menos material descartado na natureza.

Paralelamente, a poltica de logstica reversa, que responsabiliza o fabricante do incio ao fim da cadeia de uma embalagem, vem sendo motivo para o surgimento de leis que passam de estado para estado, exemplos de So Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paran, por enquanto. A preocupao com o entendimento dessas leis, aliada aos altos valores das multas, j comea ser a grande preocupao das empresas.

A reduo nos tamanhos das embalagens , na verdade, uma tima sada para se colaborar com a natureza, mas, acima de tudo, uma excelente oportunidade de reduo de custo.

Como poderamos imaginar que colaborar com a natureza e ser uma empresa preocupada com sustentabilidade signifi caria gastar menos, reduzir custos? Essa conta parece no fechar, mas nossos tcnicos e tecnocratas esto to preocupados com o todo, que se esquecem dos detalhes, onde se poderia fazer do limo uma limonada. Os exemplos j comeam a aparecer e talvez muitos deles ainda no tenham sido percebidos. A famosa marca de vodca Smirnoff reduziu o tamanho da garrafa da Smirnoff Ice, mantendo o mesmo volume declarado.

O antigo e conhecido Band-Aid reduziu sua embalagem em 18%, mas manteve a mesma quantidade de tiras.

A marca de fraldas Pampers reduziu em 30% a celulose utilizada para fazer a fralda, sem reduo da eficincia e reduziu mais 7,5% no tamanho dos pacotes. Como resultado dessas redues, o peso total da embalagem foi reduzido em 7%, o que signifi ca menor gerao de resduos ps-consumo, menos custo de frete e menor quantidade de poluentes gerados no transporte. A Payot Cosmticos reduziu o peso de seu frasco de shampoos em 28%, mantendo o mesmo volume, reduo que possibilitou investir em melhor visual e na qualidade dos rtulos e da tampa do frasco, sem aumentar o preo do produto.

O que se imaginava que a preocupao maior dessas empresas era, na verdade, reduzir custos, e que, como consequncia, veio a sustentabilidade com a reduo dos pesos/dimenses das embalagens.

Mas, considerando que a palavra de ordem no mundo, notadamente nos pases onde se leva a srio a palavra sustentabilidade, reduzir peso e tamanho das embalagens, percebe-se que essas empresas, principalmente as multinacionais, fizeram o que foi determinado por suas matrizes l fora, ou seja, reduzir embalagem pensando no meio ambiente.

Um bom exemplo de preocupao com a natureza vem do Walmart Brasil, por meio do projeto denominado Sustentabilidade de ponta a ponta. Ele estimula seus fornecedores a fazerem mudanas em suas embalagens em prol do meio ambiente. Essas mudanas, em sua maioria, so redues de peso das embalagens. Em troca, d exposio e visibilidade maior em suas lojas, fazendo suas gndolas fi carem mais verdes.

Em resumo, fazer reduo no peso das embalagens significa reduo de custo, porm a principal razo atender ao pedido da me natureza. Ela agradece e com certeza vai
reconhecer e retribuir em dobro, como sempre faz.

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

Tuning de veculos

Quem j assistiu a programas de TV nos quais carros so transformados em carros totalmente diferencia - dos? At verdadeiras latas-velhas so transformadas em carros maravilhosos, exatamente o que o cliente desejava.

Atualmente, no Brasil e no mundo, existem empresas especializadas nisso, para carros ou motos, em um processo denominado tuning, que significa sintonizar, mas que foi traduzido no Brasil como customizar ou personalizar.

Mas, calma. No irei ensinar voc a pegar um carro de srie e transform-lo em um carro personalizado. O tuning ser o dos veculos usados em manipulao.

Em minha coluna anterior, comparei a manipulao dermocosmtica automobilstica: a indstria cosmtica oferece produtos prontos para usos em grandes populaes, e as farmcias podem atuar com os pacientes cujas necessidades no so supridas de modo satisfatrio pelos produtos industrializados. Isso seria equivalente a mandar fazer um carro sob medida, s com os acessrios que o consumidor julgasse indispensveis.

Mas fica a questo: como tornar isso possvel no dia a dia?

Na manipulao de medicamentos dermatolgicos e dermocosmticos, as farmcias podem atender s necessidades especiais das seguintes formas:

1. Adicionar ou combinar ativos de maneiras no oferecidas por produtos industrializados.

2. Veicular ativos em concentraes no oferecidas por produtos industrializados.

3. Oferecer ativos nas mesmas concentraes de produtos industrializados, mas com veculos personalizados, mais adequados s necessidades dos pacientes.

Nesta oportunidade, vou discorrer sobre a oferta de veculos personalizados. Basicamente, uma farmcia que queira personalizar um veculo poder escolher uma das seguintes opes:

1. Usar um veculo feito sob medida, ou seja, um veculo formulado e preparado exclusivamente para o paciente em questo.

2. Ter em estoque vrios tipos de veculos completos, com diversos componentes, que sero desenvolvidos e manipulados pela prpria farmcia, com base nas necessidades gerais da sua clientela, ou seja, os veculos atendero maioria dos clientes.

3. Ter em estoque alguns veculos-base, versteis e com poucos componentes, mas que possam ser personalizados com a adio de outros componentes e ativos.

Ao optar pela primeira opo, a farmcia ter de fazer o veculo de cada formulao, uma a uma. Isso proporcionar excelente personalizao, mas muito difcil de ser implementado na prtica, uma vez que preparar 30 ou 50 gramas de um veculo a partir do zero no produz aparncia e reprodutibilidade satisfatrias, demanda bastante trabalho e resulta em grandes perdas.

A segunda opo parece ser um pouco mais racional, mas a farmcia precisa elaborar uma pesquisa para identificar as principais necessidades de sua clientela e preparar veculos quase personalizados. Apesar de no ser 100% personalizado, esse processo mais econmico, mais reprodutvel e atende a uma boa parcela da clientela. Entretanto, tem uma desvantagem: segundo a legislao vigente, a farmcia dever efetuar anlises microbiolgicas e fsico-qumicas dos veculos, o que nem sempre fcil ou vantajoso economicamente. A meu ver, a terceira opo a mais fcil de se implementar.

A maioria das farmcias j dispe de veculos que utiliza na manipulao de medicamentos. Esses veculos so fornecidos por empresas que os produzem com preos e quantidades adequados. Entretanto, a maioria deles no foi projetada para uso em cosmticos, podendo deixar um pouco a desejar em beleza e nos aspectos sensoriais.

a que entra o tuning: a farmcia utiliza o veculo como base e o personaliza para cada cliente, adicionando quele adjuvantes que vo dar as caractersticas cosmticas e adequar o veculo s necessidades de cada paciente.

Como exemplos, posso citar: a incluso de silicones funcionais em cremes (para melhorar a hidratao, as funes de barreira ou simplesmente reduzir a formao de espuma durante o espalhamento); a adio de steres emolientes (para proporcionar maior maciez pele seca); a adio de lanolinas ou protenas quaternizadas (para melhorar a penteabilidade de cabelos); a adio de substncias filmgenas e umectantes (para melhor hidratao); a adio de promotores de absoro (quando se deseja melhor penetrao, e, eventualmente, algum grau de permeao); e assim por diante.

Vale lembrar que a adio de gua quase sempre obrigatria, uma vez que a maioria dos veculos industrializados possui consistncia inadequada.

Ao tunar um veculo, devemos ter cuidado especial, escolhendo adjuvantes que sejam compatveis fsica e quimicamente, mantenham a funcionalidade dos ativos e no modifiquem a conservao microbiolgica.

Como se v, um trabalho maravilhoso e, devido aos seus conhecimentos biolgicos, qumicos e farmacuticos, o farmacutico magistral o profi ssional mais tunado para realiz-lo.






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