Fragrncias - Fisgado pelo nariz

Edicao Atual - Fragrncias - Fisgado pelo nariz

Editorial

O “Ano do Tigre” 

A milenar sabedoria chinesa diz que 2010 será um ano explosivo, pois tudo que ocorrer, de mau ou de bom, será em escala superlativa e elevado ao extremo. Os nervos estarão exacerbados, portanto, será a época de valorizar a diplomacia. Afinal, estamos no “Ano do Tigre”.

Parece que a profecia está se tornando realidade. O ano já começou com a tragédia do Haiti e a crise econômica na Europa.  

No Brasil, a economia ainda está se recompondo, entretanto, não tem dado sinais de que 2010 marcará a inflexão da curva de estabilidade e irá tomar a ascendente de crescimento e sucesso. Se, por um lado, há o otimismo explícito de crescimento, mostrado no Balanço Econômico, promovido por esta revista, com a opinião de empresários do Setor, e publicado nesta edição, por outro lado, já se lê nos jornais previsões de retomada do aumento da taxa Selic – a ferramenta preferida pelo governo para controlar a inflação de demanda, freando o crescimento da economia.

Esta Cosmetics & Toiletries (Brasil) apresenta novidades para os farmacêuticos de manipulação, considerável parcela de leitores desta revista. A partir desta edição, passarão a ser publicadas a coluna “Manipulação Cosmética,” assinada pelo competente farmacêutico Luis Antonio Paludetti, e a seção “Atualidades Anfarmag” – mais um canal de comunicação da Anfarmag com os farmacêuticos de manipulação.

A seção Persona faz destaque em memória de Ruy Barreto, um cientista de muitas vocações, cujas pesquisas com algas marinhas brasileiras representam um marco para o desenvolvimento da indústria de cosméticos.

Nos artigos técnicos, o leitor tomará conhecimento de novidades sobre o uso de tecnologia no tratamento de celulite, de um hidratante que utiliza estratégia tridimensional e de um óleo da biodiversidade amazônica, conhecido na Colômbia, para tratamento no antienvelhecimento. 

Boa leitura!  

Hamilton dos Santos
Editor

Umectantes e Hidratantes - Hamilton dos Santos Editor da Cosmetics & Toiletries (Brasil), São Paulo SP, Brasil

Um dos benefícios mais frequentes, principais ou secundários, prometidos pelos produtos cosméticos é a hidratação. Neste artigo de revisão são relembrados aspectos da fisiologia da pele, aspectos da pele seca e mecanismos de hidratação.

Uno de los más frecuentes beneficios, menor o mayor, prometido por los cosméticos es la hidratación. En este artículo de revisión se recuerdan aspectos de la fisiología de la piel, los aspectos de la piel seca y los mecanismos de hidratación.

One of the more frequent benefits, minor or major, promised by cosmetics is hydration. In this review article are remembered aspects of skin physiology, aspects of dry skin and mechanisms of hydration.

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Óleo de Patauá como Ativo Antienvelhecimento - John Jiménez, Alba Lucía Valenzuela, Paola Alfonso, Lina Bonilla Belcorp - Centro de Inovação e Desenvolvimento, Tocancipá, Colômbia

Neste trabalho, os autores têm como objetivo estabelecer uma estratégia metodológica, com base nos três pilares do desenvolvimento sustentável (justiça social, responsabilidade ambiental e viabilidade econômica), que permita avaliar o óleo de patauá como nova matéria-prima cosmética.

En ese trabajo los autores tienen como objetivo establecer una estrategia metodológica con base en los tres pilares del desarrollo sostenible (justicia social, responsabilidad ambiental y viabilidad económica) que permita evaluar el óleo de seje como nueva materia prima cosmética.

In this paper the authors aim to establish a methodology and bases in the three pillars of sustainable development (social justice, environmental responsibility and economic viability) to assess the pataua oil as a new cosmetic raw material.

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Novo Hidratante com Estratégia Tridimensional - Anne-Laurie Rodrigues, Olga Freis, Louis Danoux, Christine Jeanmaire, Mélanie Sabadotto e Andreas Rathjens Laboratoires Sérobiologiques (Divisão Cognis), Pulnoy, França

Neste artigo são relatadas as propriedades e o mecanismo de um novo ingrediente indicado para produtos cosméticos hidratantes. Os autores se reportam à forma tridimensional para reestruturar as funções do estrato córneo proporcionada por esse ingrediente: diferenciação dos queratinócitos, efeito na expressão da junção oclusiva e efeito na regulação da homeostase lipídica.

En este artículo se informa acerca de las propiedades y el mecanismo de un nuevo ingrediente para cosméticos hidratantes. Los autores reportan la forma tridimensional para reestructurar las funciones del estrato córneo proporcionadas por eso ingrediente: la diferenciación de los queratinocitos, el efecto sobre la expresión de la junta oclusiva y el efecto en la regulación de la homeostasis de los lípidos.

In this paper we report the properties and mechanism of a novel ingredient for cosmetic moisturizers. The authors report the three-dimensional shape to restructure the functions of the stratum corneum provided by this ingredient: differentiation of keratinocytes, the effect on expression of junction and occlusive effect on the regulation of lipid homeostasis.

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Celulite: Tecnologias na Batalha contra a Casca de Laranja - Karl Lintner, PhD Sederma SAS, Le Perray-en-Yvelines, França

Este artigo foca a estrutura da celulite e examina materiais que se proclamam capazes de agir em sua aparência, por meio de mecanismos como lipólise, diferenciação celular, drenagem e reversão celular.

Este artículo se centra en la estructura de la celulitis y examina los materiales que dicen ser capaces de afectar su apariencia a través de mecanismos tales como la lipólisis, la diferenciación celular, el drenaje y la inversión de la célula.

This article focuses on the structure of cellulite and examines materials that claim to affect its appearance via mechanisms such as lipolysis, cell differentiation, drainage and cell reversal.

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Emiro Khury
Assuntos Regulatrios por Emiro Khury

O que nos reserva 2010?

Esta a primeira coluna de 2010. Junto com os votos de renovadas esperanas em um futuro promissor no to distante, gostaramos de compartilhar com nosso leitor expectativas de que este ano ser muito produtivo.

Do ponto de vista da legislao, o Planeta continua tornando-se cada vez menor, o que, conforme nossa perspectiva, torna o mercado cada vez maior para nossos produtos.

Certamente d cada vez mais trabalho acompanhar as alteraes na legislao de inmeros pases e analisar seu possvel impacto nos negcios, mas isto faz parte da evoluo do nosso setor.

E o novo ano se inicia com a publicao de dois pareceres da Cmara Tcnica de Cosmticos (Catec), da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa). Um parecer probe o uso da vitamina K em cosmticos; outro determina que o uso de terebintina em fragrncias passa a ser permitido somente quando a concentrao de perxido for reduzida a um teor inferior a 10 milimoles por litro.

Na agenda regulatria nacional encontramos, em destaque, a reunio do Mercosul, que est marcada para maro prximo, e na qual devero ser discutidas as bases para a atualizao da regulamentao de protetores solares e da lista de substncias de uso proibido em cosmticos, e a atualizao da resoluo que trata das normas de boas prticas de fabricao e controle. A nova regulamentao de protetores solares possivelmente dever contemplar alteraes na designao de categoria de produto, por meio da atualizao das faixas de fatores de proteo solar, estendendo o valor superior para 50 ou 60. Alm disso, esperamos alteraes nas metodologias recomendadas para determinao do FPS e tambm do nvel de proteo UVA, na medida que as atualizaes forem adotadas nas regulamentaes internacionais. Novas definies para as regras de rotulagem de protetores solares tambm podero fazer parte da nova resoluo.

Enquanto isto, durante a mudana do calendrio de 2009 para 2010, a Comisso Europeia ratificou a proibio do uso de leo de verbena (Lippia citriodora Kunth) em produtos cosmticos, e a permisso de uso de at 0,2% do absoluto deste leo. Tambm publicou consulta pblica sobre os ingredientes chloroacetamide e dichloromethane, tentando recolher dados para verificar a possibilidade de reclassificar estes ingredientes, que atualmente so considerados carcinognicos ou mutagnicos.

Ainda na Europa, este novo ano promete desafios para as empresas que esto sob fogo cruzado pelas entidades de consumidores que reclamam da chamada propaganda enganosa realizada por anunciantes de produtos cosmticos.

Essas entidades questionam as imagens usadas nos anncios do tipo antes e depois e as instituies reguladoras dessas propagandas recomendam s empresas usarem somente imagens representativas dos reais resultados que podem ser alcanados pelo uso do produto.

Na esfera dos produtos cosmticos naturais ou orgnicos, aguardamos as repercusses da publicao das novas regras de certificao dos padres Cosmos (Unio Europeia) e NaTrue (EUA), que certamente iro ajudar muito a clarear os horizontes de quem produz esses tipos de produtos cosmticos.

Em tempos de crise, descomplicar regras de mercado torna mais fcil investir em novas ideias e novos lanamentos.

No Brasil, as boas novas para os cosmticos naturais ou orgnicos vm com a notcia de que nossas certificadoras j esto capacitadas a atuar sob as novas regras internacionais, o que facilita o desenvolvimento de produtos brasileiros mais competitivos em qualquer mercado.

Antonio Celso da Silva
Embale Certo por Antonio Celso da Silva

O que esperar de 2010

Foi-se o ano de 2009, o que nos deixou aliviados.

Houve alvio porque o cenrio que se desenhava no incio do ano que passou desanimava at os mais otimistas. Entre os tsunamis e as marolas da crise, nosso presidente da Repblica apostava nas marolas e incentivava o povo a gastar. O resultado parecia bvio: mais consumo, mais necessidade de insumos, mais produo, mais emprego e assim, o crculo virtuoso se fecharia. Faltava o povo acreditar nisso. No comeo desconfiado, mas depois vendo resultados, o povo atendeu a essa ordem.

A catstrofe, concentrada nos setores financeiro, automobilstico e imobilirio, na verdade, desta vez estava nas mos dos pases considerados mais experientes e desenvolvidos, e os emergentes, notadamente os asiticos, pareciam viver em outro planeta.

Por aqui, o setor cosmtico mostrava sua fora e repetia o feito de crescer durante uma crise. Veio o primeiro semestre, e tome quase 20% de crescimento (dados da Abihpec). Est certo que mais da metade desse ndice era creditado s gigantes da venda direta. As empresas de franquia foram nesse embalo e, mais uma vez, sobrou a menor parte para o sofrido varejo.

E o setor de embalagens? O que vimos foi a repetio dos mesmos problemas a que estamos cansados de assistir e com os quais tambm j cansamos de conviver.

O setor de cartonagem, de onde saem cartuchos, caixas de embarque, rtulos, etiquetas, bulas e boa parte do material promocional, cresceu muito, com empresas cada vez mais competentes, seja considerando o aspecto qualidade, seja levando em conta o aspecto inovao. Por causa disso, as empresas de cosmticos do Brasil esqueceram o mercado externo, o que s deixou de acontecer com as globalizadas, que no necessariamente concentram suas compras no Pas. Talvez a crise no tenha afetado tanto esse setor porque o principais insumos da cartonagem esto aqui mesmo no Brasil, no havendo necessidade de import-los.

O setor de plstico, um dos mais importantes para o segmento cosmtico, de onde saem frascos, tampas, potes, bisnagas, estojos, rtulos e sleevers, sofreram muito, em 2009, com os constantes aumentos de preo do principal insumo que utiliza, pois boa parte importada. Como resultado disso, algumas pequenas e mdias empresas transformadoras ainda esto passando ou passaram por srias dificuldades financeiras. O fechamento de algumas, a venda ou fuso de outras e o desabastecimento do setor cosmtico ocorreram notadamente no terceiro trimestre do ano passado.

O setor vidreiro repetiu o que se v ano a ano, haja ou no crise: pouca opo de modelos. As empresa de cosmticos s escapam disso se tiverem moldes prprios, o que demanda tempo, custo e grandes quantidades. O mercado brasileiro est praticamente nas mos de uma nica empresa que atende nosso setor, e o resultado disso que a mesma novela continua: primeiro ela produz os grandes volumes, para atender grandes clientes e, s na sequncia, atende outros.

Pior do que isso o trabalho de decorao em vidro, fundamental para o produto cosmtico. O nosso setor paga mais por esse servio que o farmacutico, por exemplo, mas exige diferencial, beleza. Em 2009, a briga por um espao nas mquinas de decorao das poucas empresas que abastecem o setor mais parecia o salo do antigo prego das bolsas de valores, ou seja, para ser atendido, tinha-se de gritar bem mais alto que os outros clientes.

No estou criticando as empresas, mas relatando a realidade e as dificuldades do nosso setor com os olhos de quem vive o cotidiano de uma empresa de cosmticos e ouve o mercado, por meio de seus representantes ou mesmo no dia a dia da entidade da qual fao parte, como diretor. Ressalto que boa parte desse mercado formado por centenas, talvez milhares de pequenas empresas, que so as que mais sofrem.

Enfim, nesta primeira coluna do ano me propus a fazer um balano do que vivemos no ano passado em relao s nossas embalagens. Talvez algum discorde do que eu disse, mas procurei relatar o que vi, ouvi e vivi.

E 2010? O que podemos esperar dele? Se eu pudesse dar um conselho a quem fabrica embalagens, diria-lhe para investir em treinamento e atualizao de seus tcnicos, na modernizao de seu parque industrial, e, acima de tudo, que acreditasse no crescimento do setor.

Hoje, no mundo, o Brasil o terceiro maior consumidor de cosmticos, ficando atrs apenas dos Estados Unidos e do Japo. Baseando-me no que vi no final do ano passado e no que j est sendo pintado nesse incio de ano, acredito que vamos passar a ser o segundo pas que mais consome cosmticos, o que nos far produzir muito para atender demanda.

Se no houver embalagens produzidas aqui no Brasil, no tenho dvida de que o setor vai atropelar as empresas produtoras desses insumos e traz-los de fora. Caso isso ocorra, vamos ter de assistir mais uma vez invaso dos asiticos, o que ser uma pena.

Wallace Magalhes
Gesto em P&D por Wallace Magalhes

Princpios fundamentais do desenvolvimento de formulaes

O desenvolvimento de formulaes uma atividade de alta complexidade, com implicaes tecnolgicas e regulatrias, e por isso, sua realizao deve seguir um padro funcional claramente estabelecido.

vasto o nmero de publicaes sobre matrias-primas, ativos, tendncias, normas regulatrias e at apelos mercadolgicos, mas praticamente nada se fala sobre os fundamentos e os princpios de operao e gerenciamento do desenvolvimento de formulaes cosmticas.

O conhecimento e a aplicao destes elementos fator determinante do nvel de competncia e sucesso, do profissional e da prpria empresa. Erros, atrasos, trabalhos que precisam ser refeitos, desperdcios, extravios de documentos, distoro de informaes e alto nvel de estresse com o inevitvel desgaste das pessoas - so algumas das consequncias da adoo de padres inadequados ou incompletos. A definio de um padro planejado independe do porte da empresa, porque a no formalizao significa a adoo de um padro aleatrio ou catico, com grandes possibilidades de gerar resultados ruins.

MP e PF do P&D

O desenvolvimento de formulaes um caso tpico no qual a informao a matria-prima e o produto final. As amostras de ingredientes e de formulaes preparadas so, obviamente, partes integrantes e essenciais do trabalho, mas definitivamente no representam o incio e o final do processo. A amostra de uma substncia ou blend, por si s, no possibilita sua correta utilizao. Por isso, fornecedores disponibilizam grande volume de informaes sobre as matrias-primas e suas aplicaes. Da mesma maneira, a amostra preparada no laboratrio somente tem valor quando, no mnimo, houver informaes que permitam sua reproduo. Desta forma, o contedo e a forma de arquivamento e recuperao das informaes devem ser preocupaes fundamentais do responsvel pelo setor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Assim fica demonstrado um princpio fundamental bsico: a gesto da informao!

Gesto da informao

interessante quantificar o volume de informaes envolvidas no trabalho do P&D. Se fizermos a avaliao de uma linha com 300 produtos, fcil concluir que teremos mais de 7000 documentos envolvidos neste processo, alguns recebidos de fornecedores e outros gerados pela atividade de desenvolvimento e regularizao. A maior parte de informaes envolve o P&D e isto comprova a tese de que o P&D , ao mesmo tempo, uma fbrica e um depsito de informaes. Uma preocupao muito justificvel a de evitar que os tcnicos se tornem escravos desta situao, ocupando a maior parte do seu tempo com atividades burocrticas. Ser inevitvel utilizar recursos de informtica e, como em qualquer outra atividade, esta escolha ir afetar frontalmente o grau de eficincia e segurana do departamento.

No que diz respeito informao, para os propsitos do P&D teremos de equacionar no somente o arquivamento, mas tambm a gerao e a recuperao de dados. Desde o advento da informtica, o uso do papel em documentao tcnica somente se justifica se tiver carter temporrio ou protocolar. O carter temporrio aparece na gerao de um relatrio ou uma ordem de servio.

Armazenar informaes tcnicas e gerenciais somente em papel altamente arriscado e improdutivo, pois no existe a possibilidade de se obter cpias com o mesmo perfil de segurana que possuem os arquivos eletrnicos, alm disso, alto o risco de dano e extravio.

Outro motivo da inadequao de se produzir informaes no papel que estas ficaro imobilizadas sob o aspecto de processamento, no sendo possvel seu pronto reaproveitamento ou realinhamento em um novo arranjo, como no caso de um relatrio. Gerar um documento ou realizar uma pesquisa com informaes armazenadas em papel muito trabalhoso, consome muito tempo e apresenta alta possibilidade de erros. Por outro lado, obrigaes protocolares, muitas vezes, exigem que as informaes sejam armazenadas em documentos impressos.

Quem usa esta justificativa para validar o uso de papel como nica forma de armazenar informaes comete um equvoco primrio, ao negligenciar o fato de que esta obrigao no resolve a questo da segurana nem da disponibilidade dos dados, o que pode deixar importantes informaes tecnolgicas ou regulatrias imobilizadas e em situao de alta vulnerabilidade. Sabe-se tambm que a tendncia a reduo dos documentos exigidos em papel.

Informao em papel, s em revistas, jornais, livros e publicidade. Por enquanto!

Luis Antonio Paludetti
Manipulao Cosmtica por Luis Antonio Paludetti

O desafio da arte

Numa concessionria de automveis:

- Por favor, eu quero um carro.

- Ento voc veio ao lugar certo! (Afinal, estamos em uma concessionria, pensou o vendedor).

- Eu quero um carro com ar-condicionado, direo e airbag.

- Tenho um modelo com ar-condicionado, direo, airbag e cmbio automtico.

- Poxa, mas no quero um carro com cmbio automtico... Gosto de dirigir com mais esportividade.

- Bom, sem cmbio automtico eu s tenho um carro sem airbag.

- Ento est bem. Vou ficar com o carro sem airbag, mas com ar-condicionado e direo.

- timo. Em qual cor voc quer?

- Quero um carro vermelho metlico.

- Bom, metlico eu s tenho prata, cinza e marrom...

- Poxa vida, eu sempre tive carros da sua marca, mas assim est ficando difcil...

- No, voc no precisa mudar de marca. Vamos fazer assim: Na cor vermelho metlico eu tenho um modelo completo, com airbag, cmbio automtico, direo e MP3, alm do trio eltrico...

Tudo bem... Esta uma revista que fala de cosmticos, no sobre carros.

Mas... Coloque-se no lugar dos personagens e pense que voc est em uma loja de cosmticos. Ou ento, coloque-se no lugar de um consumidor que se v diante de uma gndola de um supermercado tentando avaliar observando a infinidade de itens para o tratamento dos cabelos qual destes seria o melhor produto para seus cabelos em particular.

Esta situao muito parecida. Em muitos casos, o consumidor acaba comprando um cosmtico que no cai como uma luva para ele, mas opta por aquele cujo resultado se aproxime mais do que ele deseja. Muitos consumidores adquirem dois ou trs produtos para que um compense as lacunas do outro.

Ponderando sobre essas situaes, como, ento, satisfazer exatamente as necessidades dos pacientes? E mais: nos casos em que o paciente esteja submetendo-se a um tratamento dermatolgico, como tratar uma condio de pele ou cabelos, proporcionando-lhe no s eficcia no tratamento, mas tambm o conforto e a beleza proporcionados pelos cosmticos?

Diferentemente da indstria automobilstica, os pacientes podem contar com estabelecimentos que podem preparar cosmticos de tratamento de modo personalizado e com excepcional qualidade tcnica. Estes estabelecimentos so as farmcias com manipulao.

Segundo a atual legislao brasileira, essas farmcias podem preparar produtos dermatolgicos com a finalidade cosmtica e de tratamento, desde que sejam prescritos por um mdico. O farmacutico pode e deve adequar os veculos e as quantidades s necessidades individuais dos pacientes, para obter maior individualizao do tratamento, o que proporciona eficcia e satisfao.

Entretanto, para que o farmacutico possa atingir estes objetivos, necessrio superar alguns desafios.

Para tanto, o primeiro passo conhecer precisamente os ativos prescritos, em particular suas caractersticas de concentrao de uso, o pH de uso e a melhor estabilidade, as incompatibilidades qumicas e fsicas, e os veculos recomendados. Um aspecto essencial na personalizao que as concentraes de uso podem ser bem maiores do que as utilizadas na indstria cosmtica, o que dentro de limites especificados traz maior expresso do efeito desejado.

O segundo passo buscar um veculo que seja adequado s condies especficas do paciente. Mais uma vez, o veculo pode ser feito sob medida. Por exemplo, pacientes cuja condio da pele mais oleosa pedem veculos fisiologicamente compatveis com esta condio. Pacientes que esto em tratamento de peeling necessitam que sejam amenizadas a irritao, a vermelhido e, eventualmente, a sensao dolorosa inerente ao processo descamativo. Estes pacientes precisam usar cosmticos em seu dia a dia. E pode-se preparar para ele um cosmtico cujo veculo possua ativos que amenizem a irritao e a vermelhido.

No menos importante, o terceiro passo informar a classe mdica, de modo cientfico e adequado, sobre as possibilidades e as potencialidades dos cosmticos de tratamento. Estas informaes devero ser transmitidas de modo simples, objetivo e cientificamente embasado. So elas: as caractersticas dos ativos, quais ativos podem ser associados entre si, as concentraes de uso, a disponibilidade de veculos diferenciados, e quaisquer outras informaes que o farmacutico considere importante para que o mdico adquira confiana para a prescrio.

Ainda sobre este passo, uma oportunidade ainda muito pouco explorada, oferecer produtos dermatolgicos cosmticos manipulados que complementem o tratamento mdico. Por exemplo, um dermatologista prescreve um peeling com cido retinoico. A farmcia pode sugerir a este mdico que prescreva preparaes hidratantes, calmantes e refrescantes.

Para aqueles que ainda duvidam que isso seja possvel, recentemente visitei um amigo dermatologista que me mostrou o folheto de uma indstria farmacutica, no qual, em pginas lado a lado, so oferecidos um medicamento para peeling e um cosmtico profundamente hidratante. O cosmtico fabricado por uma indstria cosmtica que pertence ao mesmo grupo da indstria farmacutica.

Atualmente, a indstria automobilstica j oferece opes de personalizar parcialmente os carros. Talvez, no futuro, a indstria cosmtica oferea opes semelhantes de automveis. Mas, como a necessidade por cosmticos personalizados presente, no h necessidade de esperar o futuro. Este j existe e se chama farmcias com manipulao.

Carlos Alberto Pacheco
Mercado por Carlos Alberto Pacheco

Biodiversidade no mapa de risco global de 2010

Em janeiro, foi divulgado o Relatrio do World Economic Forum (WEF), que destacou os principais riscos que envolvero os negcios mundiais, no curto prazo.

O WEF uma respeitada organizao no governamental e internacional, que rene diversos expoentes da sociedade com o intuito de elaborar um Relatrio com base na leitura do mundo nossa volta e em seus mais agravantes problemas. Anualmente, divulgado um relatrio com o mapa de risco. De acordo com os usurios do relatrio, ao longo dos anos este vem apresentando expressiva assertividade em seu prognstico.

Como o Relatrio feito? O mapa relaciona a probabilidade de ocorrncia de um determinado risco versus a severidade do impacto econmico deste na sociedade. Quanto maior for a probabilidade do risco ocorrer, maior ser a severidade do impacto e o custo do evento para a sociedade. A severidade segmentada em faixas que vo de 2 a 10, de 10 a 50, de 50 a 250 bilhes de dlares, e de 250 bilhes a 1 trilho de dlares, e maiores do que 1 trilho de dlares. A probabilidade de ocorrncia classificada em faixas como: menor do que 1%, de 2 a 5%, de 5 a 10%, de 10 a 20% e acima de 20%.

Os riscos, por sua vez, so classificados em cinco diferentes categorias: Econmico, Geopoltico, Social, Tecnolgico e Ambiental. H critrios para a classificao de cada um dos riscos e para como dimensionar o custo dos seus impactos na sociedade, caso ocorram. Foram mapeados 36 diferentes riscos, entre os quais nove so de natureza ambiental.

Neste ano, dentre os riscos relacionados na categoria Ambiental, encontra-se apontado um que me chamou a ateno: Perda da Biodiversidade. O estudo define este risco como a degradao da biodiversidade resultante da devastao de vrias reas de reservas florestais, martimas e de outros biomas, com danos e consequncias irreversveis ao meio ambiente. Nada mais brasileiro do que isso. Estima-se que haja perda de 3,3 a 7,5% do PIB mundial de 2008, por causa da desertificao de florestas e reas biologicamente ativas.

Este risco foi classificado com probabilidade de ocorrncia entre 5 e 10% e severidade de impacto para a sociedade com perda econmica entre 10 e 50 bilhes de dlares. Apenas para dimensionar o tamanho deste barulho, outros quatro riscos foram classificados na mesma faixa de probabilidade de ocorrncia e impacto econmico: Poluio Atmosfrica, Terrorismo Internacional, Proliferao de Armas Nucleares e Grandes Movimentos de Imigrao.

O Relatrio aponta para outra caracterstica que vem se tornando significativa ao longo dos anos e que agora se configura como uma evidncia muito clara, que o aumento do Risco Sistmico. A definio do termo, de acordo com o Relatrio, que risco sistmico se traduz numa potencial perda ou dano para um sistema inteiro em contraste com uma perda para uma nica parte deste. Riscos sistmicos chamam a ateno pela fraca relao que as unidades de um sistema apresentam entre si, mas que, em virtude de rpidas mudanas, ganham sinergia.

Com base nesse conceito, o risco da perda da biodiversidade encontra uma relao sistmica muito forte com dois riscos importantes - Doenas Crnicas e Desaquecimento da Economia Chinesa (menor que 6%) alm de outros 15 diferentes riscos.

O Relatrio avana numa discusso profunda e interessante. muito til para as reas de marketing e estratgia das empresas, que lutam com a inglria tarefa de prever o futuro e mitigar riscos.

No entanto, o importante saber que o mercado cosmtico tem se beneficiado dos apelos natural e ecologicamente correto, e de outros nomes que remetem questo da biodiversidade. Mas este mercado tem exigido dos seus fornecedores que sustentem esses apelos? No basta apenas o uso do produto natural, mas se deve saber como este adquirido e como a cadeia relacionada sua produo se sustenta.

Fechar os olhos para isso pode ser o mesmo que criar uma arma contra si mesmo, sob pena do natural deixar de existir ou ser relacionado com uma empresa que ajuda a diversificao mas no respeita o meio ambiente.

Denise Steiner
Temas Dermatolgicos por Denise Steiner

O velho e bom cido retinoico

A pele, o maior rgo do corpo humano, apresenta dois tipos de envelhecimento cutneo: o intrnseco
e o fotoenvelhecimento.

O primeiro, naturalmente, ocorre em todos os rgos do corpo. O segundo, mais intenso e evidente, acontece devido aos danos causados pela radiao ultravioleta.

O envelhecimento proveniente da idade mais suave, lento e gradual, causando danos estticos muito pequenos. J o fotoenvelhecimento agride a superfcie da pele, sendo responsvel por modificaes, como: rugas, engrossamento, manchas e cncer de pele.

Existem caractersticas especiais que diferenciam estes dois tipos de envelhecimento. No envelhecimento intrnseco, a textura da pele lisa, homognea e suave. Ocorre atrofia da epiderme e da derme, h menor nmero de manchas e as rugas so superficiais. No fotoenvelhecimento, a pele fica com a superfcie spera, nodular e espessada; ocorrem inmeras manchas e aparecem rugas profundas e demarcadas.

Histologicamente, a caracterstica mais marcante do envelhecimento cronolgico a atrofia e a retificao da epiderme, enquanto o fotoenvelhecimento marcado por elastose. No envelhecimento intrnseco ocorre diminuio do nmero de melancitos, enquanto os queratincitos permanecem normais. H tambm diminuio da quantidade de elastina e colgeno e a vascularizao se mantm normal. No envelhecimento extrnseco, os queratincitos se tornam displsicos (de desenvolvimento anormal), devido ao fotodano, e os melancitos aumentam em nmero e distribuem irregularmente o pigmento. Ocorre o aparecimento da zona de grenz (faixa eosinoflica cicatricial), as fibras colgenas se desorganizam e as elsticas se transformam em massas amorfas (elastose), e os vasos mostram parede duplicada rodeada por infiltrado linfo-histiocitrio, caracterizando a heliodermatite.

H tratamentos j consagrados para esses problemas, como os realizados com retinoides, que agem principalmente controlando a proliferao e a diferenciao celular. Alm disso, os retinoides previnem a perda e estimulam a formao de colgeno.

A habilidade do cido retinoico, particularmente de todas as suas formas trans (tretinona), em reverter algumas alteraes do fotoenvelhecimento, j reconhecida h aproximadamente 20 anos. A pele humana tratada com tretinona mostra nmero e atividade aumentados de fibroblastos, atividade melanoctica reduzida e a rpida formao de uma zona subepidrmica de tecido conectivo com colgeno novo, filamentos de ancoragem e fibrilas. Nos estudos controlados iniciais de terapia tpica com tretinona para danos solares, a melhora clnica e histolgica era vista na pele da face tratada com creme de tretinona a 0,05 ou 0,1%.

Os retinoides, em especial o cido retinoico, tm capacidade de melhorar e compactar a camada crnea, proporcionando aspecto mais homogneo superfcie da pele.

Havendo melhora da camada crnea, automaticamente ocorre diminuio da perda transepidrmica de gua, melhorando a hidratao cutnea. A epiderme, responsvel pela queratinizao, tambm melhora sua troca e funo. O melancito estimulado a distribuir melhor a melanina.

A ao da tretinona nas manchas est relacionada eliminao das camadas mais superficiais e tambm ao retorno de uma melhor distribuio de melanina.

A ao da tretinona nos vasos sanguneos promove angiognese, e, nas fibras, estimula a neocolagnese, melhorando o aspecto cutneo dos braos e das mos.

A tretinona tpica como tratamento para rosto, braos e mos interessante para preparar a pele para tratamentos especficos, como peelings e lasers. Em geral, h melhora da textura e da aparncia da pele e ocorre seu clareamento, em cerca de um ms.

Outro benefcio do tratamento com cido retinoico a melhora da tonicidade da parede dos vasos sanguneos, o que evita o aparecimento de equimoses e manchas arroxeadas.

A tretionna pode provocar efeitos colaterais conhecidos como eritema, descamao e dolorimento. Sendo assim, importante que o veculo propicie hidratao constante.

Conclumos, com o exemplo dos retinoides, que importante manter tratamentos que utilizem ativos velhos, porm bons.

Dermeval de Carvalho
Toxicologia por Dermeval de Carvalho

Pele abordagem cosmetotoxicologica

O tema Pele - abordagem cosmetotoxicolgica exige exaustivo trabalho de pesquisa, protocolos bem-elaborados, resultados confiveis, experincia profissional, integrao multiprofissional e disciplinar, discusso regulatria e, sobretudo, muita dedicao. No se trata de exceo a busca do saber.

Tradio no confere segurana

A busca de novos ingredientes e produtos cosmticos, com base nos quesitos acima formulados, exige a realizao de rigoroso levantamento bibliogrfico, providncia que poder evitar pressupostos resultados desagradveis. Este exerccio de gesto tcnica, administrativa e de boas prticas de trabalho, muitas vezes tem ficado totalmente esquecido por parte do setor empresarial, especialmente dos emergentes (Int J Cosm Sci 24:217-224, 2002).

Pele e abordagem cosmetotoxicolgica

O que diz a cincia sobre isso? Em ligeira passagem pela biologia da pele, fica evidente a presena de uma complexa estrutura que lhe confere inmeras atividades fisiolgicas (trmica, eletroltica, hormonal, metablica e imunolgica), e que grande parte de sua vida exposta s variaes de temperatura, umidade, luz solar, xenobiticos ambientais e ocupacionais. Alm disso, a pele tem o compromisso com a manuteno da homeostase. A pele, o maior rgo do corpo humano, tem cerca de 2 metros quadrados (em indivduos adultos) e est integralmente relacionada avaliao de segurana dos produtos cosmticos, pois representa a maior e a mais importante rea de exposio a eles. A pele, seguramente, a maior interface entre meio ambiente e corpo humano (Toxicology and Applied Toxicology 195:265-266, 2004).

O desenvolvimento mdico-tecnolgico, os consistentes projetos direcionados ao desenvolvimento de produtos biotecnolgicos, o melhor conhecimento estrutura/atividade, os estmulos aos programas de Cosmetovigilncia e melhor conhecimento da avaliao do risco, ao lado da maior expectativa e qualidade de vida do homem, constituem-se paradigmas obrigatrios na avaliao de segurana para os usurios de produtos cosmticos (European Molecular Biology 9(11):1073-1077, 2008).

A evoluo da Cosmetotoxicologia tem propiciado calorosas discusses a respeito da segurana de alguns ingredientes cosmticos, a qual no est somente atrelada cincia, mas tambm sujeita aos desencontros regulatrios.

Contudo, recente publicao afirmou que os ingredientes e os produtos cosmticos podem ser considerados seguros e que estes oferecem mltiplos benefcios qualidade de vida dos seus usurios (Toxicology and Applied Pharmacology 2009, article in press).

No basta apenas acontecer o crescimento cientfico. A formao de recursos humanos extremamente importante, especialmente no que se refere s atribuies inerentes ao avaliador de segurana, j regulamentadas na Comunidade Europeia. O avaliador de segurana deve ter slidos conhecimentos de toxicologia e avaliao do risco, navegar na web com destreza e possuir slidos conhecimentos da legislao regulatria (Toxicology and Applied Pharmacology 2009, article in press).

As autoridades governamentais do Brasil e dos pases do Mercosul devem pensar seriamente sobre o assunto a seguir: a regulamentao das atividades do avaliador de segurana.

Some-se a tudo isso uma boa forma para acompanhar, complementar e avaliar o desenvolvimento cientfico, com certa presteza e agilidade: recorrer aos bancos de dados e s publicaes com veiculao em peridicos especializados, especialmente queles de alto impacto.

Utilizando-se a palavra-chave skin care, no perodo de 2006 a 2010, segundo foi apurado no banco de dados Embase (www.embase.com), ocorreram 5153 publicaes. Este nmero cresce assustadoramente, chegando a 35212 assentos, quanto so combinadas as palavras skin/ageing/allergy/absorption. Segundo o PubMed (www.ncbi.nlm.gov/pubmed), usando-se essas mesmas palavras-chave so encontrados 23252 registros, sendo 4542 e 25908, respectivamente, trabalhos de reviso e textos completos. Estes dados justificam plenamente a vocao da revista Cosmetic & Toiletries tratar do assunto pele e implicaes toxicolgicas.

Comentamos as possveis vias que do acesso s cincias, suas facilidades e dificuldades; percorr-las com insistncia e frequente disciplina constituem o melhor caminho para o aprendizado.






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