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18 de Dezembro de 2017

Manipulação Cosmética

Face Fake News

Novembro/Dezembro 2017

Luis Antonio Paludetti

Luis Antonio Paludetti

colunistas@tecnopress-editora.com.br

Nas minhas horas vagas, quando não estou tocando (ou tentando tocar) alguma canção no violão, eu adoro assistir a filmes ou séries de ficção científica.

Numa dessas minhas “zapeadas” pelos canais de televisão, parei em um documentário que falava sobre provas incontestáveis da existência de sereias. Apesar de o documentário já ter começado há pelo menos uns 5 minutos, resolvi continuar assistindo.

Nesse documentário (Mermaids: The body found), pesquisadores da Agência Americana para Administração de Oceanos e Atmosfera (NOAA) apresentam ao telespectador uma sequência de fatos, que se inicia com a filmagem e a descoberta de um corpo com características humanas, mas com uma cauda de peixe e diversas adaptações evolutivas que permitiam ao ser viver sob as águas. Esse corpo – junto de baleias mortas por efeitos de sonares – foi então recolhido e levado para perícia em uma importante universidade americana, onde se comprovou que, apesar de improvável, tratava-se de um corpo de sereia. Infelizmente, como quase sempre acontece nestes casos, todas as provas encontradas foram confiscadas e destruídas pelas autoridades, sendo que o que restou foram apenas as palavras dos pesquisadores.

Eu confesso que terminei de assistir ao documentário e fiquei muito intrigado com a veracidade daqueles fatos narrados, principalmente porque o documentário foi exibido em um canal de TV conceituado e reconhecido pela seriedade dos programas que apresenta.

Resolvi, então, buscar por fontes que me mostrassem algo sobre aqueles fatos narrados, e o resultado deixou-me ainda mais perplexo: o documentário era falso.

Como assim falso? Isso mesmo. Lembra que eu falei que o documentário já tinha começado quando eu comecei a assisti-lo? Pois é… Logo no início, na abertura do programa, um aviso dizia que todos os fatos (exceto a morte das baleias por sonares) eram ficcionais.

Eu confesso que fiquei chateado (no fundo, queria acreditar que sereias existem), mas percebi que até mesmo pessoas instruídas podem se deixar levar por algo que está muito evidente no mundo atual: as fake news.

A todo o momento, nós somos bombardeados por notícias que, travestidas de verdades incontestáveis, mostram uma verdade ficcional. Essas notícias –
apresentadas principalmente em redes sociais, grupos de mensagens instantâneas, blogs, sites de vídeos e e-mails – nos chegam como verdades legítimas e “coincidentemente” parecem nos mostrar aquilo que desejamos ver ou coisas com as quais concordamos piamente.

Acontece que não há nada de coincidência nisso. As redes sociais, os blogs e sites de vídeo utilizam uma “inteligência” que nos mostra mais vezes aquilo que mais vemos ou que explicitamente declaramos como gosto pessoal ao fazer nosso cadastro.

Na cosmetologia isso não é diferente. Não acredita?
Procure por “cosméticos e câncer” e você verá a enxurrada de assuntos sobre esse tema. Por exemplo, substâncias que supostamente causam câncer:

“Peróxido de benzoíla causa câncer”. Nada comprovado a esse respeito. A substância é aprovada para uso em medicamentos.

“Dietanolamina, monoetanolamina e trietanolamina causam câncer”. Nada comprovado. As informações falsas falam que essas substâncias são reforçadores de espuma (aqui, o autor da lista se confunde) e afetam o cérebro.

“Dioxina causa câncer”. Nada comprovado. As notícias falsas dizem que este ingrediente estaria presente em emulsionantes e tensoativos.

“DMDM hidantoina e imidazolidinil urea”. Nada comprovado. A notícia faz uma falsa associação entre o formaldeído liberado por essas substâncias e dores de cabeça, infecções no ouvido, perda de sono e, pasmem, depressão!

“Corantes e pigmentos FD&C”. Nada comprovado. A notícia diz que são sintéticos derivados do alcatrão e contêm sais de metais pesados, podem causar depleção de oxigênio e levar à morte… (fico pensando em quanto corante seria necessário para isso).

“Parabenos e ftalatos”. Apesar de haver estudos sobre sua atividade disruptora endógena em grandes quantidades, seu uso em cosméticos, nas concentrações aprovadas pela legislação, é considerado seguro. Segundo a falsa notícia, podem fazer com que ratos troquem de sexo e causam esterilidade.

“Polietilenoglicol”. Nada comprovado. A falsa notícia diz que a dioxina contida como resultado de síntese pode causar câncer.

Estes são apenas alguns dos absurdos que encontrei. E o mais incrível é que tudo o que está escrito fala de “estudos científicos” (mas não há citação de fonte), sempre há uma autoridade (médico ou professor) que comprova os fatos (mas ao verifi car essa “autoridade” percebemos que ela não existe).

Eu espero que, com este artigo, possa lançar uma semente em todos aqueles envolvidos com ensino, pesquisa, desenvolvimento, marketing, vendas e aconselhamento de cosméticos e produtos de uso dermatológico: não aceitem as “verdades” ditadas pelas redes sociais e por blogs comandados por “especialistas”.

Procurem sempre fontes confi áveis (como a nossa querida Cosmetic & Toiletries) e, mais importante que tudo, verifiquem a veracidade das notícias e a credibilidade das fontes. Pubmed, Scielo e Chemical Abstracts são boas fontes de pesquisa, além do próprio Google Acadêmico. Ao encontrar um artigo científico, avalie-o criteriosamente, pois também há artigos científicos tendenciosos.

Ah, e nunca se esqueçam: assistam aos documentários sempre do começo!

Boas festas para todos! Nos vemos em 2018.

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