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24 de Maio de 2017

Produtos para Pele Negra

Edição Atual - Produtos para Pele Negra
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Editorial

Nada será como antes

A Lava Jato completou três anos. Desde o início da operação, já se foram 38 fases, em investigações sobre fatos relacionados a empreiteiras, doleiros, políticos e funcionários da Petrobras.

Somos testemunhas da maior operação de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro do país – e uma das maiores já realizadas no mundo.

Até o momento, a operação conseguiu recuperar R$ 10 milhões aos cofres públicos, entre valores que já foram devolvidos ou estão em processo de recuperação. No que diz respeito aos impactos da operação Lava Jato na economia, há efeitos colaterais no curto prazo, como a paralisação de negócios, demissões e interrupção de investimentos oriundos das empresas gigantes envolvidas no escândalo.

O que se espera, contudo, é que a operação sinalize mudanças, não apenas na conduta dos que administram o dinheiro público, mas na ideia generalizada de que os chamados “crimes do colarinho branco” ficam impunes, no país onde “caixa 2 é histórico e cultural”.

Esta edição de Cosmetics & Toiletries Brasil aborda, na seção Enfoque, o consumo de indulgência. A afirmação “eu mereço” caracteriza esse comportamento de compra, uma autogratificação que pode vir na forma de uma viagem, um vinho, um perfume...

A seção Persona apresenta a trajetória de Liane Schneider, criadora do Instituto Magistral.

Os artigos técnicos abordam o desafi o para desenvolver bases corretivas para a pele negra; os géis para unhas mais resistentes e duráveis que os esmaltes tradicionais; interessante ensaio sobre o uso do ácido salicílico no controle da oleosidade capilar; e, sugestão para a preservação de cosméticos naturais. Os produtos infantis para cabelo estão em Fundamentos da Cosmetologia.

Boa leitura!

Hamilton dos Santos
Publisher

artigos

Sintonia com Tons de Pele Negra - Natasha Kanda, Stephanie Martindale, Peter Grant-Ross, Caroline Searing, Gabriela Daniels, Mustafa Varcin PhD (London College of Fashion, Londres, Reino Unido)

Este artigo reporta o desenvolvimento de uma base de maquiagem para uniformizar e cobrir imperfeições cutâneas para consumidoras de pele negra.

Este articulo describir el desarrollo de una base de maquillaje para igualar y cubrir imperfecciones cutáneas para consumidoras de piel negra.

This article reports the development of a makeup base to standardize and cover skin imperfections for black skin consumers.

Tecnologias de Géis para Unhas - Frank C. Pagano, PhD (ACT Solutions Corp., Newark DE, EUA)

Este artigo analisa as tecnologias que existem por trás dos géis para unhas e as recentes tendências desses produtos. A fotoquímica dos monômeros, oligômeros e fotoiniciadores que servem como base dessas tecnologias também é analisada para que o leitor tenha melhor conhecimento do desempenho e dos desafi os associados aos géis de unhas.

En este artículo se analiza la tecnología que está detrás de geles para uñas y las tendencias recientes de estos productos. Fotoquímica de monómeros, oligómeros y fotoiniciadores que son la base de estas tecnologías también se analizan para que el lector tenga un mejor conocimiento del funcionamiento y de los retos asociados con los geles de uñas.

This article reviews the tecnologies behind gel nails and recent trends in them. The underlying photochemistry of monomers, oligomers and photoinitiators also is discussed, to give the reader a better understanding of the performance and challenges associated with gel nails.

Ácido Salicílico no Controle da Oleosidade Capilar - Juliana Cristina de Souza Cavaletti, Naiéle Sartori Patias (Faculdade Centro Mato-grossense - Facem, Sorriso MT, Brasil)

A oleosidade capilar é um distúrbio que causa incômodo estético e que, se não for tratado, pode se tornar mais grave. O objetivo deste trabalho foi avaliar a satisfação de voluntários em relação ao efeito antioleosidade de shampoo manipulado com ácido salicílico a 2,5% em base neutra.

La oleosidad capilar es un trastorno que causa molestia estética y, si no se trata, puede llegar a ser más severa. El objetivo de ese estudio fue evaluar la satisfacción de los voluntarios con respecto al un champú efecto anti-oleosidad con ácido salicílico al 2,5% en base neutra, obtneido en farmacia de manipulación.

Capillary oiliness is a disorder that causes aesthetic discomfort and if it is not treated, it can become more serious. The aim of this study was to evaluate the satisfaction of the volunteers with respect to the anti-greasy effect of the 2.5% neutral salicylic salicylic acid shampoo.

Preservação de Cosméticos Naturais - Ana Regina Coimbra (Lanxess Produtos Químicos, São Paulo SP, Brasil)

Os cosméticos naturais são uma realidade no Brasil. Ao desenvolver produtos naturais, o formulador encontra dificuldades, como a baixa oferta de preservantes realmente naturais e eficazes. Assim, os ácidos orgânicos extraídos de frutas cítricas e o extrato de Salix alba são boas opções para a formulação de produtos cosméticos naturais.

Cosméticos naturales son una realidad en Brasil. El desarrollo de estas formulaciones requiere más esfuerzo, debido a la baja disponibilidad de conservantes naturales y eficaces, entre otros factores. Así, ácidos orgánicos de frutas cítricas y el extracto de Salix alba son buenas opciones para la preservación de cosméticos naturales.

Natural cosmetics are a reality in Brazil. The development of such formulations is challenging, due to the low availability of really natural and effective preservatives, among others. In this context, organic acids from citric fruits and the Salix alba extract are good options for the preservation of natural cosmetics.

colunas
John Jimenez

Tendências - John Jimenez

Beautypedia 2017


Novas formas, novas terminologias e novas aplicações A ciência cosmética e a beleza evoluem tão rápido, que frequentemente somos testemunhas de novas expressões e novos vocabulários nas revistas especializadas, científicas e de moda. Por isso, apresento esta primeira Beautypedia, em que podemos encontrar algumas terminologias que já são tendência em 2017.

Diamond Nails: Joalheria para unhas. Os desenhos seguem evoluindo, e este ano podemos ver como a joalheria começa a ser parte fundamental nos desenhos de unhas. Podemos ver pedras de diferentes volumes e cores brilhantes e luxuosas seja em unhas com cristais Swarovski que podem valer 2 mil dólares, seja nos acabamentos em papel-celofane, que conseguem ter aparência de diamante.

Blorange (blonde + orange) = Louro + laranja. Esta é uma das cores que são tendência neste ano em tintas para o cabelo.

Microblanding: Nova terminologia para os tratamentos de sobrancelhas que causam polêmica. Esta é uma técnica de traço que consegue que as sobrancelhas pareçam mais naturais porque desenha traços que parecem com o pelo real, mas sem ser como uma tatuagem. O efeito dura até dois anos e é fácil de ser retocado.

Setting sprays: Blogs sobre cosméticos mencionam como um dos segredos dos artistas de maquiagem de Hollywood, o qual se tornou conhecido recentemente e, portanto, tem sido considerado uma grande tendência para o ano de 2017. É a versão hair spray para o rosto e consiste em produtos que podem ter uma tecnologia especial que esfria a temperatura da pele, conseguindo que a maquiagem se fixe e dure mais. Também tem polímeros especiais que conseguem um efeito de malha respirável para uma maior comodidade no uso. É ideal para as pessoas que suam muito, fazem exercícios físicos e têm a pele oleosa.

Two-toned lips: Efeito de duas cores diferentes sobre os lábios. A recomendação é usar a ponta dos dedos para conseguir um efeito homogêneo e mais natural.

Dry sheet masks: Uma das tendências que vêm da Coreia. São as máscaras secas em lâminas, que já são consideradas as máscaras do futuro. Elas têm uma tecnologia especial que libera os ativos cosméticos na ausência de água.

Recycled beauty: Tendência que está sendo consolidada a partir desse ano e que consiste no desenvolvimento de tecnologia com aplicações em skin care, personal care, fragrâncias e maquiagem. Está sendo desenvolvida a partir de resíduos, que podem ser orgânicos ou provenientes de material reciclado. O café é um dos elementos que estão sendo estudados para gerar novas tecnologias cosméticas. Na In-Cosmetics de Nova York de 2016, foi criada uma nova categoria de prêmios para materiais que podem ter esta origem. Com certeza, a partir desse ano veremos tecnologia premiada em grandes feiras, incluindo In-Cosmetics e IFSCC.

Ectoplasm: Os fãs de Ghostbusters reconhecerão esse termo como o resíduo viscoso que é produzido pelas criaturas paranormais. Este ano estamos vendo como algumas marcas estão criando texturas sensoriais inspiradas neste efeito nos produtos para uso no banheiro.

Mobile nail printer: Impressora portátil de unhas que permite imprimir qualquer desenho sem a necessidade de ir aos salões ou fazê-los à mão. É preciso ter conexão para o telefone para criar os desenhos mais facilmente.

Skincare sticks: Da Coreia, chega esse novo modelo para o cuidado da pele. Agora os tratamentos vêm em stick e em forma anatômica, que se molda facilmente às diferentes partes do rosto, permitindo fazer massagens que melhoram a eficácia.

Também estamos vendo esfoliantes em barra para o rosto.

Powder polish: Novos formatos de aplicação nas tendências de nail art.

Gym-friendly: As novas fórmulas de maquiagem, incluindo sombras, delineadores e batons, juntamente com os cremes hidratantes, as fragrâncias e os protetores solares, desenhados para suportar treinos extremos. Também vemos lenços umedecidos com agentes antibacterianos para uso depois dos exercícios e géis hidratantes que ajudam a diminuir as dores.

No-rinse body foam: Novos formatos que permitem acabar com a sujeira do corpo, o cheiro e o suor quando não há água disponível. Aplica-se sobre a pele até sua absorção e não requer enxágue, toalha nem lavagem.

3D-printed skin: A tecnologia da impressão 3D tem permitido imprimir pele artificial usando células dérmicas e epidérmicas. Esta tendência é muito interessante, já que as características da pele mudam geograficamente e, portanto, podem desenhar aplicações mais personalizadas para provas de segurança e eficácia cosméticas. Na indústria médica, os órgãos e os ossos impressos em 3D também são incluídos na tendência.

Hyper-reactive hair: Inovação muito interessante em coloração capilar para 2017. A cor sobre o cabelo muda com a temperatura e as condições do entorno, sua tecnologia está baseada numa nova tinta termocrômica.

Beautypedia Cosmética in vogue. Novas terminologias que aparecem nas tendências desse ano. As tendências e inovações se misturam num novo mundo de terminologias e conceitos.

Carlos Alberto Trevisan

Boas Práticas - Carlos Alberto Trevisan

A frustração da Qualidade


Mais uma vez, o leitor poderá se surpreender com o título desta coluna. Ele poderá pensar que o colunista está indo contra todas as afirmações que fez em suas colunas ao longo dos últimos anos.

Tenho certeza que, ao final, o leitor vai concordar que o título se refere a uma das mais tristes realidades que podem ocorrer.

Fiz uma tabulação no histórico de inúmeras avaliações que realizei durante minha atividade profissional, seja como auditor, seja como consultor de processos da qualidade. Esses trabalhos foram realizados em empresas dos mais variados portes e de diferentes tipos de produtos e serviços.

A “frustação da Qualidade” ocorre quando, ao término do processo de implantação de processos da Qualidade, na sua avaliação, constata-se que, com o passar do tempo, tudo voltou ao status anterior à sua implantação.

Aqui estou me referindo não só àquelas implantações decorrentes de iniciativas espontâneas de empresas, mas também às implantações realizadas por causa de imposições legais.

Estou me referindo às empresas que tentaram implantar os processos da Qualidade sem os devidos cuidados que isso requer, muitas sem sequer se dar conta de que os resultados obtidos não atingiram as expectativas que embasaram essa inciativa.

Quando existe interesse em investigar o porquê do insucesso da implantação desses processos, muitas vezes surgem reações adversas e veladas das pessoas encarregadas de introduzi-los. Em geral, deixam de ser considerados fatores que são ilícitos, embora não sejam explícitos, sendo essa a real causa do fracasso da implantação desses processos.

A análise das possíveis causas do insucesso do estabelecimento dos processos da Qualidade, em geral, tem conduzido para a constatação de que ocorrem reações adversas por parte de colaboradores desses processos. Obviamente, existem empresas que não consideram que essas reações podem ocorrer na decisão e no planejamento da implantação dos processos da Qualidade.

Quando se consegue evidenciar e constatar, de maneira indubitável, que efetivamente os colaboradores atuaram em posição de conforto, ou seja, com o comportamento de “deixa como está para ver como fica”, a análise dos motivos desse comportamento se torna fundamental na tentativa de reverter a situação.

Se o insucesso ocorrer a despeito de ter havido o verdadeiro propósito, por parte da empresa, de conseguir a efetiva implantação do processo da Qualidade, será neste momento em que diremos: “a ‘frustração da Qualidade’ se materializou”.

O questionamento que se faz é: Onde foi que falhamos? É nesse momento que lembro esta máxima: “Quem faz a qualidade são pessoas”. Portanto, se na decisão de implantar os processos da Qualidade não for considerada a importância da cultura da empresa e de seu impacto nas pessoas, o insucesso será uma resultante quase esperada.

Outra consideração a ser feita é em relação à efetiva participação de todas as pessoas da empresa nos grupos de planejamento para implantar do processo da Qualidade.

Não adianta haver a presença de assessores, consultores, especialistas, entre outros profi ssionais, se as pessoas não estiverem realmente comprometidas com o processo.

Quando falo aqui em comprometimento, quero dizer participação, entusiasmo, comunicação clara e adequada, boas condições físicas e operacionais etc.

Para evitar a “frustação da Qualidade”, há necessidade de motivar pessoas. Sempre que as pessoas forem excluídas do contexto, em qualquer processo, o êxito do projeto será uma incógnita. Apenas para reforçar esse argumento, lembro de uma frase atribuída a Albert Einstein: “Loucura é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Wallace Magalhães

Gestão em P&D - Wallace Magalhães

Abismos corporativos


A expansão e segmentação do mercado, o aumento da concorrência, o ritmo acelerado da evolução tecnológica e o acesso à informação formam um ambiente muito dinâmico e muito complexo, estabelecendo um alto grau de competitividade. Ao falar de cosméticos, temos que somar a grande quantidade de lançamentos e de novos ingredientes disponíveis. A resposta e a adaptação das empresas e pessoas a este fenômeno são muito variáveis. As demandas originadas neste ambiente levam a uma formação natural de desafi os que criam lacunas, e estas devem ser rapidamente preenchidas para não se transformarem em abismos que possam colocar em risco a rentabilidade e até a sobrevivência das empresas.

Se compararmos os recursos aplicados por fornecedores para demonstração de eficácia de um novo ingrediente com aqueles que estão disponíveis no laboratório de desenvolvimento da imensa maioria de nossas indústrias, vamos encontrar um destes abismos. Certamente, os dados obtidos nos estudos realizados pelos fornecedores podem e devem ser usados, mas basear a avaliação da eficácia de um novo produto somente nestas informações é um procedimento muito frágil. Isso porque a expressão dos efeitos benéficos destes ativos será afetada pelo conjunto da composição, pelo modo de preparação e pelas características físico-químicas do produto. Não ter recursos, mesmo que mínimos, para avaliar a eficácia deste novo produto - que é o atributo mais importante para o consumidor -, é quase que entregar ao acaso ou à sorte a capacidade de gerar resultados. Não ter capacidade financeira e não ter pessoal disponível, dentre outras razões, pode justificar a negligência, mas não resolve a questão. Desde que haja determinação, é possível criar metodologias simples e eficientes para avaliar eficácia, mesmo com poucos recursos.

Outro exemplo de abismo corporativo diz respeito aos assuntos regulatórios. Temos uma legislação sanitária equiparada aos padrões europeus, ou seja, consistente e desenvolvida, mas a falta de compreensão das empresas e o não raro despreparo dos agentes fiscalizadores formam uma considerável e complexa possibilidade de problemas sérios.

Vejamos o caso do Termo de Responsabilidade que compõe o processo de regularização de um produto. Técnicos e representantes legais muitas vezes assinam sem entender que os estudos de estabilidade e de segurança são obrigatórios para todos os produtos, independentemente do seu grau. E isto é muito grave. Isso sem considerar que o dossiê deve estar montado conforme estabelece o Anexo III da RDC 7/2015. Do outro lado, o que chama muita atenção é a insistência de alguns fiscais sanitários em exigir que a composição que aparece na Fórmula Padrão seja igual àquela declarada no peticionamento. Eles não entendem o que é uma fórmula expressa em teor de ativos.

Muitas vezes, a interface entre o P&D e a área de produção não está bem estabelecida. Então, na hora de transferir uma formulação do laboratório para a fabricação, as enormes diferenças de processo não são tratadas com os necessários cuidados e atenção. Tempo de processo, efi ciência de mistura, dinâmica de aquecimento e resfriamento e até, muitas vezes, a mudança do número de fases podem afetar de tal forma o produto, que os seus resultados, no tocante a eficácia, segurança e estabilidade, podem ser totalmente diferentes daqueles obtidos durante o desenvolvimento. Um caso que tenho visto com frequência refere-se à produção de emulsões.

Nos casos em que a fase interna é formada por diversos ingredientes, com forma física e temperaturas críticas diferentes, o processo sem a fusão e homogeneização prévia desta fase pode levar à formação de produtos de composição diferentes no mesmo lote. Para adotar esta prática, a metodologia de validação deve ser orientada no sentido de confirmar, não só pelas características físico-químicas básicas, que a composição do produto resultante é mesmo homogênea.

O abismo cultural talvez seja a forma mais perniciosa de todas, porque ele tem origem no comodismo e na acomodação de pessoas e, por isso, talvez seja o mais difícil de se resolver. Escrever uma formulação no papel, ir para a bancada e preparar uma amostra não é um trabalho de desenvolvimento. É, no máximo, um ensaio.

O fato de estes abismos existirem não é o pior caso. A negligência, o desconhecimento e o comodismo fazem com que eles assumam sua forma mais temerária. Ficam invisíveis e se tornam altamente perigosos.

Antonio Celso da Silva

Embale Certo - Antonio Celso da Silva

Bisnagas rotuladas


A indústria brasileira de embalagens para cosméticos tem dados interessantes. Não me canso de falar das difi culdades das embalagens injetadas, principalmente dos estojos para maquiagens.

Em contrapartida, também falo da abundância de boas gráficas e da grande disponibilidade de embalagens sopradas, sejam elas standard (disponíveis para todo o mercado), sejam elas exclusivas (isso por conta do baixo investimento em moldes e do pouco tempo necessário para inserir esse molde na produção).

No meio desses dois segmentos, vejo que existe uma família de embalagens que sempre gerou desconfiança nas empresas de produtos acabados, que usam ou querem usar essa embalagem. Trata-se das bisnagas.

Guardo na memória o tempo em que apenas uma indústria fabricante de bisnagas tinha sua produção disputada no grito pelas fábricas de cosméticos. E o termo “no grito” não é nenhum exagero, pois realmente quem gritava mais alto tinha prioridade, considerando que o grande volume da produção de bisnagas era destinado para a indústria alimentícia, ficando os cosméticos para um esquecido segundo plano, por conta das pequenas quantidades de compra.

Lembro também que uma grande empresa de cosméticos até criou um cargo denominado “seguidor de entregas”, que era uma pessoa que deveria ficar plantada nos fabricantes de embalagens para ver se o seu molde estava em máquina e para apressar a entrega. A razão da criação desse cargo era essa indústria que fabricava bisnagas.

Naquele tempo, pouco se falava em importação, por conta da dificuldade logística, do preço e do prazo de entrega.

Um cenário muito parecido era o de válvulas spray ou pump, já que apenas uma empresa do Rio de Janeiro atendia quase todo o mercado brasileiro, mesmo com a qualidade deixando a desejar.

Ainda que com toda essa dificuldade, eu diria que eram bons tempos, pois na ponta existia uma carteira recheada de bons pedidos, que a indústria de cosméticos não tinha condições de atender, por falta dessas embalagens. Hoje, carteira recheada de pedidos é privilégio de poucas empresas.

Recentemente, entrou no mercado uma empresa fabricante de bisnagas com características peculiares, das quais esse mesmo mercado era - ou melhor, é - tão carente. Quantidades menores, preço justo, qualidade impecável e prazo de entrega menor que as suas concorrentes. Todos achavam que boa parte do problema de fornecimento de bisnagas tinha sido resolvido. Ledo engano!

O que se percebe hoje é que essa empresa já foi contaminada pelas grandes contas, e a carência do mercado continua.

Essa pelo menos é a informação que o mercado passa quando fala em bisnaga.

A boa notícia é que entrou no mercado uma empresa fabricante de rótulos, que, em uma parceria com uma fabricante de bisnagas, promete ser a solução para esse eterno problema.

Nesse mercado em crise, só sobrevive quem pensa fora da casinha, e é exatamente isso que eles fazem, ou seja, conseguem atender quantidades bem menores, têm um prazo de entrega menor que suas concorrentes, boa qualidade e preço muito competitivo.

Mas a grande novidade é que entregam a bisnaga rotulada, pois fazem a aplicação do rótulo juntamente com a selagem da bisnaga. E tudo em um curto prazo, exatamente por conta do estabelecimento dessa parceria.

Com isso, acaba a preocupação em relação àquele longo prazo para produzir a bisnaga e ao prazo da decoração. Vale considerar também que, se o cliente precisa lançar vários produtos diferentes em bisnaga e com artes diferentes, a quantidade mínima exigida acaba por inviabilizar o lançamento se for uma empresa de pequeno ou médio porte, o que exige que se faça uma compra para vários meses. Além disso, se um produto tiver venda maior que o outro, com certeza vai haver ruptura (falta), porque foram compradas quantidades iguais para cada versão.

Só nos resta torcer para que essa empresa não mude seus planos e busque crescimento, atendendo as maiores carências do mercado quando se fala em bisnagas: quantidades mínimas menores, prazos de entrega menores, bisnagas rotuladas, prontas para colocar na linha de produção, e preço competitivo.

Enquanto todo mundo fala de crise, a gente percebe um sobrevivente usando a velha máxima “na crise, inove para sobreviver”.

Artur João Gradim

Assuntos Regulatórios - Artur João Gradim

Boas notícias


Uma boa nova, certamente com impactos positivos em fabricantes e consumidores, está a caminho.

Por decisão da nova diretoria colegiada da Anvisa será apresentada, sob forma de Consulta Pública, uma nova
regulamentação aplicável aos produtos para relaxamento e cacheamento de cabelos. Essa nova regulamentação, que atende a insistentes pleitos do setor, também vai abordar a rotulagem desses produtos. Além disso, será complementada por uma instrução normativa com a relação atualizada de ingredientes, que igualmente se faz necessária.

No momento da elaboração desta coluna, o texto proposto ainda não havia sido publicado no Diário Oficial da União nem no portal da Anvisa. Essa publicação marca o prazo de 60 dias para que a sociedade se manifeste por meio do envio de comentários e sugestões na forma como exigido pelo procedimento específico disponível no website da agência (portal.anvisa.gov.br).

Faz muitos anos que o segmento de cabelos, principalmente na área profissional, relativo a produtos destinados a promover modificações estruturais no fio capilar, está à deriva. Esse segmento sofre carência de orientações técnicas atualizadas em relação a ingredientes, fi nalidade desses produtos e advertências e cuidados a serem considerados em sua utilização. Além disso, passa por carência de rotulagens que alertem o consumidor que esses produtos devem ser aplicados exclusivamente por profissionais treinados, capacitados e que possam fazer uma análise prévia do estado dos cabelos, necessária para indicar ou recomendar o tipo de produto mais adequado aos fios. A falta dessa avaliação pode contribuir para o aumento da ocorrência de efeitos indesejáveis, que, mesmo sendo temporários, podem trazer transtornos aos consumidores.

Em decorrência da diversidade étnica da população brasileira, o cabelo pode ser agrupado em oito macroclassificações e em três padrões geneticamente predominantes (lisos, cacheados e crespos). Essa diversidade contribui para a ocorrência de efeitos indesejáveis (temporários) por causa da aplicação inadequada de produtos. Essa é razão pela qual é necessário que seja realizada uma pré-avaliação do estado dos cabelos por um “profissional” habilitado e capacitado. Esse profi ssional vai recomendar o uso considerando as características e o estado dos fios a serem “tratados” – não somente atendendo o simples desejo do cliente.

Essas características fazem com que esses produtos pertençam ao grupo de cinco tipos de produtos do setor de HPPC para os quais ainda é exigido registro analítico pela autoridade sanitária, previamente à sua comercialização.

A regulamentação técnica e orientativa, da mesma forma que a regulamentação relativa à rotulagem desses produtos capilares funcionais, está defasada e dispersa por várias resoluções, normas e instruções normativas na legislação em vigor.

Certamente, essa nova revisão contemplará ingredientes reconhecidos internacionalmente, como seguros nas condições estabelecidas de uso. Alguns desses ingredientes, embora sejam aprovados para outras finalidades que não relaxamento e cacheamento de cabelos, já vêm sendo usados de forma camuflada nesses tipos de produtos, com resultados adequados e seguros. Entretanto, por estarem em desacordo com a regulação em vigor, esses produtos não resistem ao monitoramento de mercado por meio da avaliação analítica de sua composição, o que resulta em várias ocorrências de apreensão de produtos e cancelamento de seus registros.

Por meio de comunicação nas mídias sociais, as consumidoras têm sido alertadas a evitar o uso de produtos, que, embora sejam infalíveis quanto aos resultados aparentes que propõem, podem ser inadequados e danosos à saúde. Esse é o caso de produtos formulados com formol – também referido pelos “apelidos” aldeído fórmico e formalina -, que ainda estão no mercado por carência de uma fiscalização eficaz.

“Blogueiras” das redes sociais, hoje muito na moda, repercutem bem as ocorrências devido ao uso inadequado desses produtos. Os relatos são mais precisos do que as estatísticas oficiais, que, em geral, refletem apenas fatos relativos à segurança inadequada dos produtos e suas consequências para a saúde, as quais são de baixa ocorrência.

Espera-se que a Consulta Pública apresente os requisitos necessários para que aconteça uma contribuição efetiva e mais abrangente da sociedade para a nova regulamentação. Espera-se também que, diferentemente do que ocorre em relação aos demais produtos do setor de HPPC, a nova regulamentação traga parâmetros não só técnicos sobre a composição, a segurança de uso e a eficiência dos produtos. A expectativa é que ela, principalmente, traga parâmetros sobre a aplicação desses produtos após análises prévias do estado dos cabelos, pois nada de mau acontece por mãos habilitadas e treinadas, usando produtos que estejam em conformidade com um regulamento técnico atualizado e abrangente.

Denise Steiner

Temas Dermatológicos - Denise Steiner

Pele negra


A pele negra e a pele branca, por incrível que possa parecer, são mais semelhantes do que diferentes. No entanto, a capacidade do melanócito, que é a célula produtora de melanina, da pele negra é muito maior, produzindo grandes quantidades do pigmento, principalmente quando estimulada por sol ou outras agressões.

O cabelo da raça negra também tem características próprias, sendo mais enrolado e mais fino, justificando cuidados especiais.

Os negros têm algumas doenças, como queloide e dermatose papulosa nigra, em maior proporção que os brancos. Outras características também ocorrem, como melanoma acral, que é mais grave nos negros.

Porém, a grande diferença clínica consiste em responder mais intensamente a qualquer tipo de agressão, seja doença, medicamento ou procedimento.

A pele negra mancha mais e escurece mais quando são realizados procedimentos como peelings ou laser. A pele negra pode apresentar doenças como o vitiligo, o que, neste caso, fica mais evidente devido ao contraste das cores. Outra característica é que, quando a pele negra está ressecada, também pode apresentar manchas hipocrômicas mal delimitadas, relacionadas à desidratação da pele.

Além disso, nos negros, toda lesão infl amatória, como a acne e o líquen plano, apresenta uma coloração bem mais marcante do que na pele branca.

Não há tratamentos específicos para a pele negra e sim adaptações, usando menores concentrações de ativos nos peelings ou menor energia com os aparelhos de laser. Por isso, ela pode ser submetida a procedimentos variados, como peelings, lasers, microagulhamento, toxina botulínica e preenchimento.

Caso a pele seja muito agredida por estar mal preparada, ela pode manchar devido à hiperpigmentação pós-inflamatória.

O tratamento com laser é sempre mais difícil na pele negra, porque a maioria dos lasers age em alvos específicos, denominados cromóforos, sendo um dos mais importantes a melanina. Neste caso, os parâmetros precisam ser mais suaves, para que a pele não fique queimada. Além disso, no caso dos peelings, se houver muita infl amação, a tendência é ocorrer uma maior produção de pigmento em resposta à agressão.

Assim como no caso dos lasers, os peelings também devem ser ajustados para a pele negra, utilizando-se concentrações mais baixas, menos camadas e menos pressão, além de preparar a pele com tretinoína (derivado da vitamina A) e hidroquinona, que é um clareador. Podemos utilizar peelings de ácido retinoico, alfa-hidroxiácidos e também ácido salicílico. Durante o período de descamação, a pele deve ser protegida com filtro solar, e a recuperação da pele negra ou miscigenada, quando realizamos um peeling, é mais difícil do que na pele branca.

A pele negra tem a proteção extra de maior quantidade de melanina, sendo menos suscetível ao chamado fotoenvelhecimento e apresentando menos rugas e manchas que a pele branca da mesma idade. Isso não quer dizer que ela envelheça menos, pois a pele negra também pode apresentar um grau importante de fl acidez.

Luis Antonio Paludetti

Manipulação Cosmética - Luis Antonio Paludetti

Quando eu era criança, mamãe dizia…


Uma característica interessante dos humanos adultos é que a maioria não se lembra bem dos tempos de criança. Fatos mais específicos quase sempre se perdem nas lembranças, exceto quando são muito marcantes ou traumáticos.

Talvez por esse motivo, quando nos tornamos adultos, quase sempre tendemos a tratar as crianças como se fossem algum tipo de “cópia reduzida” de nós.

Isso é um fato preocupante. Na verdade, não podemos tratar as crianças como pequenos adultos. Sua anatomia e fisiologia são significativamente diferentes das dos adultos, e muitos órgãos e sistemas fisiológicos ainda não estão totalmente desenvolvidos - a pele é um bom exemplo disso.

Por isso gostaria de tratar de um tema bastante oportuno nesta edição da Cosmetics & Toiletries (Brasil): a carência de medicamentos pediátricos e como as farmácias com manipulação podem ajudar a resolver esse problema. Então, vamos lá!

Quando observamos o mercado farmacêutico, percebemos que a maioria dos medicamentos está disponível em cápsulas ou soluções injetáveis. Há pouca disponibilidade de medicamentos em formas farmacêuticas adequadas às crianças. O mesmo ocorre em relação às dosagens.

Qual seria a causa disso? Por que a indústria farmacêutica parece não ter muito interesse em formas de uso pediátrico?

Por incrível que pareça, um dos motivos mais importantes está relacionado com pesquisa e desenvolvimento. Todos sabemos que, para que um medicamento possa ser comercializado, ele precisa passar por inúmeros testes que demonstrem sua segurança e eficácia no tratamento de uma determinada patologia que acomete um grupo populacional específico. Como a incidência de muitas doenças é menor em crianças e como as crianças são afetadas por patologias específi cas que não afetam os adultos, o interesse comercial em desenvolver estudos clínicos com formas farmacêuticas e dosagens específicas para a população pediátrica tende a ser menor. Além disso, os estudos clínicos em crianças têm um custo maior e necessitam de mais cuidado em seu desenho experimental.

Essa situação nos leva a uma condição pouco animadora: o leque de opções terapêuticas oferecido pela indústria farmacêutica fica limitado.

Tudo isso faz com que a tarefa de administrar medicamentos para crianças seja imprecisa e difícil.

Em vários casos, o médico pediatra precisa lançar mão de formas farmacêuticas projetadas para adultos e que possuem doses que são muito difíceis de ajustar para crianças, visto que, na maioria dos casos, a dose pediátrica se define em função do peso corpóreo.

Muitas vezes, em função da faixa etária ou do grupo populacional, o médico precisa fazer adaptações que podem levar a doses imprecisas, contaminação causada pela manipulação do medicamento por pessoas leigas, prejuízos à estabilidade ou incompatibilidades e interações indesejadas.

A maioria dos países desenvolvidos não tem disponibilidade adequada de formas farmacêuticas pediátricas, e essa situação é ainda mais grave nos países subdesenvolvidos ou emergentes.

É aí que se encontram as oportunidades para as farmácias magistrais: oferecer soluções terapêuticas individualizadas utilizando princípios ativos de comprovada segurança e eficácia para as populações pediátricas.

Nesse sentido, várias alternativas podem ser propostas pelas farmácias:

As farmácias podem preparar formas farmacêuticas com doses adequadas, evitando os erros inerentes à administração de medicamentos utilizando colheres ou copos medida. Isso sem falar no uso de colheres domésticas, totalmente inadequadas.

As crianças não têm a mesma percepção do sabor que os adultos; elas percebem melhor os sabores ácidos e adocicados e, portanto, o sabor dos medicamentos deve ser ajustado a essa percepção.

Formas adequadas e que facilitem a adesão ao tratamento, como por exemplo os líquidos orais, os pirulitos, as gomas, os géis tópicos e os “refrescos”.

As farmácias podem preparar produtos excluindo excipientes inadequados para pacientes com necessidades específicas, como por exemplo, produtos sem lactose, sem caseína, sem soja, sem corantes, sem conservantes ou sem propilenoglicol.

As farmácias podem adaptar uma forma farmacêutica em outra, por exemplo, transformar um comprimido em uma suspensão, respeitando-se a estabilidade e segurança.

Esses são apenas alguns aspectos em que as farmácias poderiam atuar.

Como disse, quase nunca os adultos se recordam do que viveram na infância. Se isso fosse diferente, certamente nos lembraríamos de como era desagradável que nossas mães ou pais muitas vezes tivessem que nos prender pelas pernas para que tomássemos medicamentos, além de outros subterfúgios.

No meu caso, quando nada mais funcionava, ela dizia: bilu, bilu, bilu. Bilu teteia.

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