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21 de Maio de 2018

Artigos / Articles / Artículos

 
Desenvolvimento dos Produtos
 
Produtos para Cabelo
 
Avaliação de Segurança
 
 
 
 artigo publicado na versão impressa da edição março/abril de 2017 da revista Cosmetics & Toiletries Brasil
   A legislação infantil compreende a faixa etária de 0 a 12 anos, no entanto, ao falarmos de mercado, há uma segmentação dividida em pelo menos três faixas etárias: de 0 a 2 anos, de 3 a 6 anos e acima de 7 ou 8 anos.
   Na segmentação de 0 a 2 anos, os cabelos são penugens finas e a principal necessidade para esta idade é a ausência
total de irritabilidades ocular e dérmica que possam ser provocadas pelo produto.
 
   Na segmentação de 3 a 6 anos, os cabelos começam a engrossar, sua curvatura começa a se alterar, os cabelos embaraçam
com mais facilidade e até sua cor pode se modificar.
   Na segmentação de 7/8 a 12 anos, os cabelos engrossam, se são lisos podem cachear e se são cacheados podem ficar
mais lisos. A glândula sebácea tem maior atividade e os cabelos necessitam de uma limpeza mais intensa, pois se tornam mais
oleosos por causa dos estímulos dos hormônios.5
 
   Os cabelos são pelos terminais queratinizados que crescem no couro cabeludo.A estrutura do cabelo infantil e a do cabelo adulto são compostas pelas camadas externa (cutícula), intermediária (córtex) e interna (medula) – ver Figura 1.
 
Cutícula
A cutícula é a camada protetora externa que recobre o córtex de cada fio de cabelo humano. Divide-se em camadas sobrepostas, transparentes e opacas. É responsável pela proteção das células corticais e é a principal barreira que impede a penetração de agentes químicos no interior da fibra capilar. As fileiras que compõem as cutículas dividem-se em três partes:
exocutícula, epicutícula e endocutícula. A mais importante é a epicutícula, por ser resistente à água. A epicutícula é hidrófoba, resistência atribuída à presença do aminoácido cistina em sua composição. Suas camadas são unidas e oferecem proteção ao córtex, sendo responsáveis pelo brilho, pela suavidade, pela penteabilidade e pela formação da carga estática
no fio.6,7
 
 
Córtex
O córtex é o interior do fio de cabelo e compõe cerca de 75% a 90% da massa da fibra capilar. É formado por células queratinizadas e tem estrutura compactada que é parte fundamental da haste capilar. É responsável por quase todas as propriedades que definem e fazem do cabelo humano algo único, como: forma, cor, resistência, elasticidade e quantidade natural de umidade nos fios.6,7
 
 
Medula
A medula pode ser vazia ou repleta de componentes porosos, não tem função específica em relação aos fios e, quando está
presente no cabelo, corresponde apenas a uma pequena fração de sua massa.6,7

 

Composição Química do Cabelo
 
 
 
O cabelo humano é composto basicamente de uma proteína denominada queratina, ou seja, de uma cadeia polipeptídica
formada por cerca de 18 aminoácidos diferentes que se repetem e interagem entre si. Na composição do cabelo encontramos ainda os elementos químicos carbono, oxigênio, nitrogênio, hidrogênio e enxofre, além de minerais como ferro e zinco.
 
 
 
 
   
   Quando falamos em desenvolvimento de produtos infantis, estamos falando principalmente em segurança e na ausência de irritabilidade. O primeiro passo no desenvolvimento dos produtos é a escolha de ingredientes, devendo ser considerados os requisitos de segurança contidos nas fichas de segurança (MSDS) da matéria-prima e avaliado seu potencial de irritação. Outro requisito importante é o balanceamento da formulação para que o produto seja suave e ideal para o cabelo infantil.
 
 
   Por causa dos avanços tecnológicos e das transformações da sociedade, as crianças estão amadurecendo mais cedo e se adequando a um mundo onde, muitas vezes, seus hábitos se fundem aos dos adultos.
 
 
   Em virtude desses novos hábitos, a legislação específica para o público infantil se renovou e nela foram incluídas novas
categorias capilares. Entre essas categorias, destacam-se a de máscaras capilares para hidratação, a de finalizadores capilares
e a de reparadores de ponta, pois, cada vez mais cedo, muitas crianças passam por algum tipo de transformação capilar e acabam
frequentando salões de beleza. Isso requer o uso de produtos específicos para hidratação e reparação de seus cabelos. Assim,
salientamos a importância de existir uma legislação e formulações específi cas para esses consumidores. É muito frequente o
surgimento de algum tipo de alergia ou dermatite por causa dos ativos utilizados nas formulações cosméticas quando crianças
utilizam produtos destinados ao público adulto.3,4
 

 

Produtos para Cabelo

Condicionador com enxágue
 
Geralmente, os condicionadores com enxágue apresentam tensoativos catiônicos em sua composição. Esses ingredientes doam
condicionamento e efeito antiestático aos cabelos. As formulações também possuem agentes espessantes, emolientes e ativos específicos. Os produtos finais devem ser suaves e proporcionar bom desembaraçamento dos cabelos. Ressaltamos ainda que o cabelo infantil não necessita de grande reposição de lipídeos. Os tensoativos catiônicos de maior utilização em preparações cosméticas infantis são os sais de amônio quaternário. Entre eles, o mais usado no Brasil é o cloreto de cetiltrimetilamônio. São utilizadas também as amidoaminas, como o estearamidopropil dimetilamina – que necessita de neutralização com ácido para adquirir caráter iônico.9
   Os condicionadores com enxágue devem ter pH na faixa de4,0 a 5,0.
 
Condicionador sem enxágue
 
Para uso a partir de 3 anos de idade, a formulação dos condicionadores sem enxágue deve ser leve, pois permanece sobre os fios
após a aplicação. No desenvolvimento desses produtos, deve-se considerar que os cabelos das crianças são finos e pesam com
muita facilidade. Dessa forma, geralmente, evita-se a utilização de ativos como manteigas e óleos pesados, dando preferência
aos ésteres mais leves. Nesse grupo de produtos deve-se também ter como referência o uso de preservantes adequados para essa
finalidade, pois os produtos permanecem sobre os fios e podem entrar em contato com o couro cabeludo.
   Os condicionadores sem enxágue devem ter pH na faixa de 4,0 a 5,0.
 
Óleo capilar
 
Os óleos capilares são utilizados para hidratar e formar filme e dar emoliência aos fios de cabelo. Utilizam-se óleos vegetais ou ésteres mais voláteis para que os fi os não fiquem com aspecto oleoso.
 
Shampoo
 
No desenvolvimento dos shampoos infantis é muito importante a utilização de tensoativos de baixa irritabilidade ocular. Os
tensoativos mais utilizados nesses produtos são os aniônicos,como alquil sulfossuccinato; os não iônicos, como glucosídeos,
glutamatos, sarcosinatos e PEG de sorbitan; e os anfotéricos, por exemplo, as betaínas. Utilizam-se ainda aditivos para melhorar
o desembaraço dos cabelos, como: acetamida MEA, glicerina, poliquatérnios e alguns extratos vegetais. Os espessantes mais
utilizados nessa categoria são: diestearato de PEG, dioleato de metil glicose e cloreto de sódio.
   Os shampoos devem ter pH na faixa de 6-7.
 
Fixador de cabelos
 
Os fixadores de cabelos de uso infantil, geralmente, são desenvolvidos na forma de gel ou de creme de textura leve e não possuem
álcool etílico em sua formulação. Nesse grupo de produtos, deve-se ainda ter como referência o uso de preservantes adequados
para essa finalidade, pois os produtos permanecem sobre os fios e podem entrar em contato com o couro cabeludo.
Indicados para uso a partir de 3 anos de idade, os fixadores de cabelos de uso infantil não podem ser apresentados em dispensadores pressurizados (aerosol).
   Os fixadores em forma de gel devem ter pH na faixa de 6-7 e os na forma de creme, pH na faixa de 4-5.
 
Máscara capilar
 
Algumas crianças necessitam usar produtos de hidratação capilar por causa da exposição precoce de seus cabelos a tratamentos
químicos, como descoloração ou alisamento, e devido à ação do sol e da água do mar e da piscina, que ressecam os fios. As máscaras capilares infantis diferem das dos adultos nos quesitos peso e hidratação que doam aos cabelos, embora os fios ressecados necessitem de reposição de lipídeos. O ideal é que esses produtos não deixem os cabelos infantis pesados. Os componentes utilizados nas máscaras capilares infantis são semelhantes aos usados nos produtos desse tipo para adultos. No entanto, o balanceamento da formulação em termos de componentes graxos é de suma importância para a saúde ideal dos fios, tanto dos cabelos de crianças quanto dos de adultos. As máscaras capilares infantis são indicadas para uso a partir de 3 anos de idade.
    As máscaras capilares devem ter pH na faixa de 4-5.
 
Reparador de pontas
 
Nos reparadores de pontas de uso infantil utiliza-se um mix de silicones ou mesmo um mix de óleos vegetais e ésteres. Deve-se
ter cuidado no balanceamento da formulação para que os fios não fiquem com aspecto pesado.
   Os reparadores de pontas são indicados para uso a partir de 3 anos de idade.
 

 

Avaliação de Segurança

   
   Para todos os produtos infantis, há necessidade de comprovar que estes não causam irritação dérmica e ou sensibilização.
   Para a categoria shampoo, um estudo de extrema importância é o de avaliação do potencialde irritabilidade ocular, para a
comprovação do claim que não irrita os olhos. Este estudo deve ser acompanhado por médico oftalmologista.
 
   Além das avaliações de segurança, o formulador deve ainda atender a RDC 3/12 da Anvisa que dispõe sobre o uso de
flavorizantes e fragrâncias utilizados nas formulações desses produtos para identificar os componentes alergênicos, os quais devem ser citados na rotulagem.
 

Rotulagem

   
   Os dizeres de rotulagem devem atender, além do estabelecido na RDC 15/15, ao das demais resoluções pertinentes sobre
rotulagem específica da categoria.
 
   O formulador deve estar atento às limitações e aos requerimentos da RDC 15/15, como por exemplo, no caso de máscara
capilar, onde deve-se deixar claro na rotulagem que o produto necessariamente deve ser enxaguado, assim como se atentar
para a categoria fixador de cabelos, onde é prodibido o uso de dipensadores pressurizados (aerosol).
 
 
Conclusão
 
   
   As formas cosméticas para limpeza capilar e para o condicionamento dos fios desenvolvidas para o público infantil devem
atender requisitos específicos, como suavidade, ausência de irritabilidade dérmica e baixa ou nenhuma irritabilidade ocular.
Em seu registro, é necessário apresentar testes que comprovem esses atributos. Cabe destacar ainda que a aplicação e a remoção
desses produtos devem ocorrer de forma fácil.
 
   Geralmente, esses produtos são aplicados por um adulto e a facilidade de usá-los é extremamente importante, principalmente
na utilização de produtos destinados aos bebês.
   Destacamos ainda a importância de utilizar ingredientes seguros, considerando que podem ocorrer casos de ingestão
acidental.
 

 

Referências

1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Requisitos técnicos
para a concessão de registro de produtos infantis, RDC nº
15, de 24 de abril de 2015, publicada no DOU de 27/4/2015 e com
posterior retifi cação em 6/5/2015
2. Maakaroum MF, Souza RCP. A consulta adolescente. In: Lopes FA,
Campos Jr D. Tratado de pediatra. Barueri: Manole, 2007
3. Longuini B, Navarro M, Faermann P. Crianças adquirem hábitos de
adultos: serviços de adultos oferecem versão para crianças e conquistam
público infantil. Disponível em: www.metodista.br/rronline/
noticias/comportamento/2010/09/criancas-adquirem-habitos-de-
-adultos-cada-vez-mais. Acesso em: 16/1/2017
4. Nunes GR, Dal Bosco PC, Watanabe E. Procedimentos estéticos
e público infantil: uma pesquisa sobre os riscos e tendências entre
crianças de 8 a 11 anos de idade. Disponível em: http://docplayer.
com.br/12510827-Procedimentos-esteticos-e-publico-infantil-uma-
-pesquisa-sobre-os-riscos-e-tendencias-entre-criancas-de-8-a-11-
-anos-de-idade.html. Acesso em: 17/2/2017
5. Bedin V. Cabelos e adolescência. CosmeticsOnline. Disponível em:
www.cosmeticsonline.com.br/2011/noticias/detalhes-colunas/62/
cabelos+e+adolesc%C3%AAncia. Acesso em: 17/2/2017
6. Gomes RK, Gabriel M. Cosmetologia: descomplicando os princípios
ativos. São Paulo: Livraria Médica Paulista, 2006
7. Wichrowski L. Terapia capilar: uma abordagem complementar. Porto
Alegre: Alcance, 2007
8. Clínica da pele – blog dermatologia capilar. Conheça seus cabelos.
Disponível em: http://dermatologiacapilar.med.br/conheca-seus-
-cabelos. Acesso em: 17/2/2017
9. ABC Cosmetologia. Estrutura e uso das amidoaminas em cosméticos.
Disponível em: www.abc cosmetologia.org.br/estrutura-e-uso-das-
-amidoaminas-em-cosmeticos. Acesso em: 20/2/2017
10. Daltin D. Tensoativos: química, propriedades e aplicações.São Paulo: Bucher, 2011
Luciana Amiralian é farmacêutica e sócia-diretora da Phisalia Produtos de Beleza, empresa em que também é responsável pelas áreas de pesquisa e desenvolvimento, inovação e controle de qualidade.
Claudia Regina Fernandes é química-industrial com especialização em Engenharia Cosmética e tem mais de 15 anos de experiência na área de pesquisa e desenvolvimento, assuntos regulatórios e controle de qualidade. Atua na empresa Phisalia Produtos de Beleza como supervisora da área de pesquisa e desenvolvimento.

 

 

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